Saturday, July 31, 2010

 

Oscar Quiroga - 995


COMBATA A PREGUIÇA


É possível e admissível perdoar todos os vícios, mas o mofo da consciência preguiçosa é pior do que a decomposição de um cadáver. O mal produzido pela abstenção do cumprimento das tarefas e responsabilidades agrega miséria ao mundo e nunca as palavras serão duras o suficiente para descrever esta realidade. Descansar é necessário, preguiçar é um atentado violento ao progresso de nossa espécie humana, especialmente num momento como o atual, em que se cozinham assuntos tão importantes que sequer temos o nome certo para descrevê-los. Mais do que nunca o mundo invisível deseja nos ajudar com sua graça infinita, porém, mais do que nunca também nos recusamos a ajudar quem nos ajuda. É digno comportar-se assim?

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Friday, July 30, 2010

 

Evolução e Industrialização


Após alguns séculos, a Revolução Industrial deixou um legado de insatisfação, conflitos e poluição.

Os gigantescos empreendimentos são produtos de uma civilização sem Deus, e causam a destruição dos nobres objetivos da vida humana.

Quanto mais continuarmos a aumentar essas indústrias problemáticas para sufocar a energia vital do ser humano, tanto mais haverá inquietação e insatisfação das pessoas em geral, embora apenas umas poucas pessoas possam viver suntuosamente através dessa exploração.

A energia produtiva do trabalhador é mal usada quando ele é ocupado em empreendimentos industriais... A produção de máquinas operatrizes e ferramentas aumenta o modo de vida artificial de uma classe de proprietários interessados e mantém milhares de homens à mingua e na inquietação. Esse não deve ser o padrão da civilização.

Fábrica é sinônimo de inferno. À noite, as pessoas infernalmente ocupadas tiram proveito de vinho e mulheres para satisfazer seus sentidos cansados, mas não são sequer capazes de dormir bem porque seus vários planos especulativos mentais constantemente interrompem seu sono.

As masmorras de minas, fábricas e oficinas desenvolvem propensões demoníacas na classe trabalhadora. Enquanto isso, o capital realizado floresce à custa da classe trabalhadora, e consequentemente há severos conflitos entre eles, de muitas maneiras.

O auge da qualidade da ignorância é a fabricação das 'necessidades da vida' em indústrias e oficinas, excessivamente importantes na era de Kali (ou a era da máquina). Por que? Porque, na realidade, não há necessidade das mercadorias manufaturadas.

Qual a necessidade de uma vida artificial e luxuosa de cinema, carros, rádio, televisão, carne e hotéis? Acaso essa civilização produziu algo além das desavenças individuais e nacionais? Estaria essa civilização promovendo a causa da igualdade e fraternidade (cooperação) ao enviar milhares de homens a fábricas infernais e aos campos de batalha (guerras) por causa dos caprichos de um homem particular?

O verdadeiro problema consiste em a pessoa livrar-se do cativeiro manifesto sob a forma de nascimento, velhice e morte. Alcançar essa liberdade, e não criar necessidades excessivas, é o princípio básico da civilização védica... A civilização materialista moderna é exatamente o oposto da civilização ideal. Todos os dias, os pseudolíderes da sociedade moderna inventam algo que contribui para complicar ainda mais o modo de vida das pessoas, prendendo-as cada vez mais ao ciclo de nascimentos e mortes.

Hoje em dia, as pessoas estão muito atarefadas, procurando petróleo no meio do oceano. Elas estão ansiosas por providenciar o futuro suprimento de petróleo, mas não fazem nenhuma tentativa de melhorar as condições de nascimento, doença, velhice e morte.

Os materialistas pensam que são muito avançados. Mas, de acordo com o Bhagavad-gita, eles não têm inteligência e são desprovidos de todo bom-senso. Eles tentam gozar este mundo material até o limite extremo e porisso sempre se ocupam em inventar algo para aumentar o gozo dos sentidos. Considera-se que tais invenções materialistas são avanço da civilização humana, mas o resultado final é que as pessoas se tornam mais e mais violentas e mais e mais cruéis.

De acordo com a economia védica, considera-se que uma pessoa é rica pela quantidade de cereais (alimentos do mundo vegetal) e vacas que ela tenha. Com apenas essas duas coisas, vacas e cereais, a humanidade pode resolver todos seus problemas econômicos... Todas as outras coisas além destas duas coisas são necessidades artificiais criadas pelo homem para destruir sua vida valiosa no nível humano e perder seu tempo com coisas que não são necessárias.

Se temos suficientes cereais, frutas, vegetais e ervas, então qual a necessidade de manter um matadouro e matar os pobres animais? Um homem não precisa matar animal algum se ele tem suficientes cereais e vegetais para comer. O fluxo das águas de um rio fertiliza os campos, e isso é mais do que necessitamos. Os minerais são produzidos nas montanhas, e as jóias (pérolas) no oceano. Se a civilização human tem suficientes cereais, minerais, jóias, água, leite, etc., por que então deveria ansiar por terríveis empreendimentos industriais à custa do trabalho de alguns homens desafortunados?

O avanço da civilização humana não depende de empreendimentos industriais, mas sim da posse de riqueza natural e alimentos naturais, os quais são supridos pela Suprema Personalidade de Deus de modo que possamos poupar tempo para a nossa auto-realização e termos o sucesso neste corpo de forma humana.

Podemos citar o exemplo de Dvaraka, a milenar cidade do Senhor Krishna. Dvaraka era cercada por jardins floridos e pomares de frutas, junto com reservatórios de água e lótus florescentes. Não se faz menção de engenhos e fábricas abastecidas por matadouros, que são a parafernália necessária das metrópoles modernas. Todas as pessoas dependiam das dádivas naturais de frutas e flores, sem empreendimentos industriais que promovem barracos sujos e favelas como zonas residenciais.

As dádivas naturais, tais como cereais e vegetais, frutas, rios, as colinas de jóias e minerais, e os mares cheios de pérolas, são supridas pela ordem do Supremo, e, de acordo com Seu desejo, a natureza material os produz em abundância ou os restringe de tempo em tempo. A lei natural é que o ser humano pode aproveitar essas divinas dádivas da natureza e com elas prosperar satisfatoriamente, sem ser cativado pela motivação predatória de assenhorear-se da natureza material.

Todas essas dádivas naturais dependem da misericórdia do Senhor. Aquilo de que necessitamos, portanto, é ser obedientes às leis do Senhor e alcançar a perfeição da vida humana através do serviço devocional.

Todos agem sob a influência da natureza material, e somente os tolos pensam que podem melhorar sua condição explorando aquilo que Deus criou.

A prosperidade da humanidade não depende de uma civilização demoníaca desprovida de cultura ou conhecimento, mas que possui apenas arranha-céus gigantescos e automóveis enormes que estão sempre correndo nas rodovias. Os produtos da natureza são o suficiente.

Grãos alimentícios em profusão podem ser produzidos através de atividades agrícolas, e um vasto suprimento de leite, iogurte e ghi pode ser obtido através da proteção às vacas. Mel abundante pode ser obtido com a proteção às florestas.

Infelizmente, na civilização moderna, em vez de se dedicarem à agricultura, os homens estão atarefados em matar as vacas, que são um manancial de iogurte, leite e ghi, estão derrubando todas as árvores que fornecem mel, e abrem fábricas que produzem porcas e parafusos, automóveis e vinho. Desse jeito, como as pessoas podem ser felizes? Elas devem sofrer todas as misérias infligidas pelo materialismo. Seus corpos tornam-se enrugados e aos poucos deterioram-se, chegando ao ponto de tornarem-se nanicos, e, devido à transpiração sórdida, exala um odor repugnante, decorrente do consumo de todos os tipos de coisas asquerosas. Isto não é uma civilização humana.

A natureza já tem um arranjo para nos alimentar: o Senhor fornece alimento tanto para o elefante quanto para a formiga...

Portanto, pessoas inteligentes não devem trabalhar mui arduamente com o propósito de obter confortos materiais. Ao contrário, todos devem poupar suas energias para avançar em consciência de Krishna.

Os demônios estão muito interessados em propor planos através dos quais as pessoas trabalhem arduamente, mas os devotos de Krishna querem ensinar a consciência de Krishna para que as pessoas satisfaçam-se com uma vida simples e com o avanço da consciência de Krishna.

Os sofrimentos da vida humana são causados por um objetivo de vida profano, a saber: o objetivo de dominar os recursos materiais. Quanto mais a sociedade humana se envolver em explorar os recursos materiais inexplorados visando obter gozo dos sentidos, mais enredada na armadilha da energia material ilusória do Senhor ficará ela, e desta maneira a aflição do mundo será intensificada em vez de atenuada.

[continua]

Fonte: A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, Vida Simples, Pensamento Elevado, impresso pela Fundação Bhaktivedanta, Pindamonhangaba-SP-Brasil, 1991.

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Oscar Quiroga - 994


HOJE NÃO É UM DIA COMUM


Hoje não é um dia comum dentro de um período histórico que também dista da normalidade. No meio de situações estranhas e pressentimentos inquietantes, o melhor a fazer é tomar atitudes estranhas também, fugindo da lógica que mandaria todo mundo continuar existindo como se a normalidade fosse protetora e incentivadora do bem-estar que todos somos destinados a experimentar em nosso belo, porém assustado planeta azul. Perante as adversidades, emanem boas vibrações. Perante a angústia, atualizem a alegria infantil, relacionem-se com os acontecimentos como se fossem brincadeiras. Perante a inveja, a cobiça e o ódio, enxerguem os invejosos, cobiçosos e odientos com tolerância e compaixão, como se fossem condenados a prisões perpétuas.

Da fé ao conhecimento direto e real, este é o movimento atual da história humana. Não é fácil essa passagem, porque a fé criou muitas ilusões e dogmas, que na prática são quase impossíveis de ser superados.

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Thursday, July 29, 2010

 

Sintomas e Soluções


Quando você não se comporta naturalmente com seu corpo, surge uma doença. Essa doença é sua amiga. Ela diz: "Cuide-se, mude seu comportamento! Em algum ponto você está indo contra a natureza". Se você não se alimentar por três ou quatro dias, você vai ficar com tontura, com fome e melancólico. Todo o seu corpo estará dizendo "Coma!", porque ele precisa de energia.

Lembre-se de que a energia é neutra. Portanto, toda a qualidade do seu ser depende de você. É você quem decide se você será feliz ou infeliz. Ninguém mais é responsável.

Quando você sentir fome, coma. Quando sentir sede, beba. Quando sentir sono, durma. Não force a natureza. Por um tempo curto, é possível forçá-la, porque até esse ponto existe a nossa liberdade. Se você quiser jejuar, você pode fazer isso por alguns dias, mas, conforme o tempo passa, você ficará mais fraco e cada vez mais infeliz. Se você não quiser respirar, você pode prender a respiração por alguns segundos, mas só por alguns segundos - esse é o limite de sua liberdade (do seu livre arbítrio). Não durará muito: logo surgirá uma sensação de sufocamento e agonia se a respiração não for normalizada.

Toda infelicidade existe para indicar que, em algum lugar, você se desviou, saiu dos trilhos. Volte imediatamente! Se você começar a ouvir seu corpo, a ouvir a natureza, a ouvir seu ser interior, você será cada vez mais feliz. Torne-se um bom ouvinte da natureza.

[continua]

Fonte: Osho, Corpo e mente em equilíbrio, Editora Sextante, 2008.

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Oscar Quiroga - 993


CONFABULAÇÕES INVEJOSAS


“Por que para ele e não para mim?” Assim confabula a mente invejosa na calada da noite. Enquanto esta serpente venenosa sibilar à vontade na mente humana continuaremos todos contidos num mundo infinitamente aquém de nossas reais possibilidades e merecimento. Aquilo que em nós inveja é a declaração de nossa ignorância, porque reconhecer a íntima comunhão de toda a espécie humana desintegra e reduz à cinzas qualquer vestígio de inveja, cobiça ou vício. A ignorância que produz a inveja vai além, não percebe a violência gerada e se a percebe se refestela nela como se fosse direito inalienável sua aplicação. Enquanto isso, o espírito, que é aquele que vê, se retira e sua ausência nos torna miseráveis, ainda que vestidos com marcas famosas e caríssimas.

Quanto mais objetos você adquirir, mais tempo você terá de dedicar no futuro para a manutenção deles. Assim, de objeto em objeto, o tempo disponível para a sua criatividade e lazer vai se esgotando até você se tornar dependente (escravo) só dos objetos.

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Wednesday, July 28, 2010

 

Verdade e Hipnose

"O pior cego é aquele que não quer enxergar", ditado popular.
"Temos dois tipos de sonhos: os da noite e os de dia. Nunca estamos completamente acordados, pois estamos hipnotizados", G. Gurdjieff.

George Gurdjieff é um dos mestres mais importantes de nossa era.

Ele é único sob muitos aspectos: ninguém no mundo contemporâneo se expressa como ele. Ele é quase como um outro Bodhidharma ou Chuang Tzu, aparentemente absurdo, mas na realidade dando excelentes indicações para a libertação da consciência humana. Ele costumava dizer: "Você está numa prisão". Às vezes mergulhava ainda mais fundo na realidade e, em vez de dizer "Você está numa prisão", dizia "Você é a prisão". O que é mais verdadeiro.

Se você quiser sair da prisão - ou, melhor dizendo, se não quiser ser uma prisão -, a primeira coisa a fazer é dar-se conta de que está numa prisão... ou de que é uma prisão. É algo que deve ser sempre lembrado como um dos primeiros princípios de todo aquele que estiver em busca da verdade.

A tendência da mente humana é negar as coisas feias, esconder o que não quer que os outros saibam - e esconder de tal maneira, em camadas tão profundas do inconsciente, que a própria pessoa deixa de ter consciência dessas coisas! Desse modo, mantém sua personalidade superficial.

Gurdjieff tem uma história a esse respeito...

Havia um mágico que vivia numa floresta densa e tinha muitas ovelhas, que eram seu único alimento. No meio da floresta, ele mantinha todas aquelas ovelhas somente para matá-las diariamente, uma a uma. Naturalmente, as ovelhas tinham muito medo dele e costumavam correr pela floresta, temendo que qualquer dia fosse o seu dia de morrer. As companheiras que eu tinha já se foram, não se pode confiar... Por puro medo, elas costumavam fugir para muito longe, entrando profundamente pela floresta. E todo dia era uma canseira tentar encontrá-las.

Finalmente, o mágico recorreu a um truque. Ele hipnotizava as ovelhas, dizendo-lhes: "Você é uma exceção; todo mundo pode ser morto, mas não você. Você não é uma ovelha comum; você tem um privilégio divino". Para as outras dizia: "Vocês não são ovelhas; são leões, tigres, lobos. Só as ovelhas são mortas. Não precisam esconder-se na floresta; seria muito embaraçoso um leão se escondendo na floresta com medo de ser morto - só as ovelhas são mortas". Dessa forma, ele conseguia hipnotizar todas as ovelhas.

Chegava inclusive a dizer para algumas delas: "Vocês são homens, seres humanos, e os seres humanos não se matam uns aos outros. Vocês são exatamente como eu (ser humano). Nunca tenham medo nem tentem fugir por medo". Desde esse dia, nenhuma ovelha voltou a fugir para se esconder na floresta, embora todas elas vissem diariamente que uma delas era abatida e morta (como vemos todos os dias, não é mesmo?). Mas é claro que todas pensavam: ela deve ser uma ovelha; eu sou um tigre, um leão, um ser humano. Eu sou especial e excepcional, tenho um privilégio divino... Eram essas as histórias que o mágico botava em suas cabeças.

Gurdjieff afirma que, se não nos conscientizarmos da primeira coisa - de que estamos numa prisão, que somos a prisão -, não existe esperança de liberdade. Se você já acredita que é livre, é por ser uma ovelha hipnotizada que pensa ser um leão - excepcional, não é preciso ter medo -, que acredita inclusive que é um ser humano (divino). Você continua vendo outras ovelhas serem mortas, mas ainda está sob efeito da hipnose, sem tomar consciência de sua condição concreta. Ser livre, quando já sabemos que somos livres, não constitui problema.

Todas as religiões juntas, talvez involuntariamente, geraram um tremendo estado hipnótico. As pessoas acreditam ter almas imortais. Não estou dizendo que você não tem, mas apenas que não sabem em que acreditam. E, como acreditam que têm uma alma imortal, nunca descobrem que já a têm. Disseram-lhes: "Vocês são o reino de Deus"... e é tão cômodo e consolador acreditar nisso. Mas não existe uma maneira de buscar e tentar descobrir se essa crença hipotética tem algum fundo de verdade, ou é apenas um truque hipnótico usado pela sociedade (pelos manipuladores da sociedade) para mantê-lo livre do medo da morte, da doença, da velhice, da solidão (e manter você disponível para ser sacrificado, quando for conveniente).

O seu Deus pode ser apenas uma hipnose psicológica. Não é uma descoberta sua. Isso é verdade: até aqui, é a absoluta verdade. Ele (Deus) foi implantado em sua mente e, como você continua acreditando nele, a sua crença impede qualquer aventura de busca da verdade.

Geralmente, estão sempre lhe dizendo que, se não acreditar, você não encontrará. Mas a verdade é exatamente o contrário. A crença é uma barreira para se encontrar a verdade, não é uma ponte. Os que acreditam nunca encontram, pois sequer se dão ao trabalho de buscar; não há necessidade, "já sabem"...

Você está numa prisão e se julga livre.

Você está preso a grilhões, mas acha que são apenas adornos. É um escravo (numa sociedade escravagista), mas lhe disseram que você é apenas humilde, simples, que é assim que deve ser uma pessoa religiosa como você. Você está cercado de muitas estratégias hipnóticas desenvolvidas pela sociedade ao longo das eras. E essas estratégias hipnóticas são a causa essencial da sua ignorância, do seu sofrimento, da sua falta de esclarecimento (de suas doenças físicas e mentais).

De modo que a primeira coisa a ter em mente é que você está numa prisão. A partir do momento em que você reconhece que está numa prisão, você já não pode mais tolerá-la. Ninguém a tolera; ela vai contra a sua dignidade humana. Você começará a encontrar maneiras de sair dela. Começará a conhecer pessoas que já se libertaram. Pode começar a buscar ajuda além das muralhas, pois lá fora existem pessoas capazes de oferecer todo tipo de ajuda. Mas elas não serão de ajuda alguma se você acreditar que já está vivendo em absoluta liberdade.

Se você acredita que essa prisão é a sua casa, seria naturalmente absurdo pensar em se livrar dela. Você acredita que o muro que o mantém prisioneiro é uma proteção para você. Estaria portanto fora de questão fazer um buraco na parede para escapar, ou encontrar uma escada, ou ainda buscar ajuda lá fora. Pode até ser lançada uma corda lá de fora, ou providenciada uma escada, mas isso só teria valia se for reconhecido o principal: que você está numa prisão. George Gurdjieff estava constantemente insistindo: "É a principal coisa a entender. Sem isso, não pode haver avanço para o esclarecimento. Se você acha que é livre, você não pode escapar".

Fonte: Osho, Encontros com pessoas notáveis, Editora Academia, São Paulo, 2009.


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Oscar Quiroga - 992


OS INTERMEDIÁRIOS


Carecemos de palavras para descrever o futuro que é tão próximo que provoca angústia, pois é como dar por sabido que receberemos um visitante de extrema importância sem saber qual é seu nome ou origem. Porém, esta carência pode ser suprida se aceitarmos a ajuda que generosa e graciosamente nos é oferecida pelos seres que habitam o mundo até agora invisível, mas que logo formará parte de nossos hábitos cotidianos também. Esta aceitação é um duro golpe para nosso sacrossanto Ego, que durante milênios se convenceu de ser o centro do Universo. Nunca fomos o centro de nada, apenas os intermediários. Quando o intermediário quer ser a peça mais importante do processo, o corrompe e impede o fluxo natural de luz e vida no Universo.

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Tuesday, July 27, 2010

 

Mensagem de Mãe Maria


Amados Filhos,


Que as bênçãos do amor tragam paz aos vossos corpos, mentes e corações.


Compaixão é hora de exercitar a compaixão!


Cada momento, cada hora, cada dia que passa no vosso tempo diminui o fosso entre a ilusão e a realidade do mundo que estais prestes a conquistar definitivamente.


É preciso, pois, que possais compreender este instante de vossas existências.


Viveis em mais de uma dimensão, concomitantemente, e esta verdade finalmente começa a ser percebida por todos vós.


No mundo verdadeiro tudo é o mais puro amor-compaixão. Todavia, no mundo da ilusão - por onde ainda transitais - a incompreensão, o egoísmo, a soberba e tantos outros sentimentos limitadores continuam a ser expressos por vossos irmãos.


Não vos magoeis, pois, quando as manifestações inesperadas desses sentimentos vierem daqueles com quem conviveis.


A mágoa não leva a lugar algum, a compreensão sim, vos conduz ao mundo da perfeição.


Lembrai-vos que cada um de vossos irmãos se encontra em um estágio de evolução, que nem sempre é semelhante ao vosso estágio, e, consequentemente, ainda manifestam a dualidade, recheada do egoísmo, contra o qual tendes lutado para ver dissolvido em vós.


Buscai, pois, dissipar rapidamente mágoas, dores, incompreensões que ainda se manifestam ao vosso redor e acabam por tocar vossos corações.


Liberai a mágoa e buscai deixar jorrar só amor-compaixão. Assim estareis verdadeiramente auxiliando esses vossos irmãos que precisam perceber, através do vosso exemplo, o caminho a adotar.


Quão pobre é a vida daqueles que só pensam em suas próprias necessidades, em seus próprios dissabores.


Esses não conseguem diferenciar a ilusão da realidade, e seguem tateando na escuridão onde as escolhas não são escolhas, mas, sim apenas casualidades que se apresentam como boas oportunidades.


Vã ilusão! Enquanto a humanidade não perceber que é dando que se recebe, que é pensando no todo que se conquista sua legítima parte, que é estendendo a mão que se estará sempre amparado, a luta pela sobrevivência será sim uma luta perdida, eis que aquele que se ilude sempre vê se dissolver, como fumaça, suas conquistas e realizações.


Bem amados, este é um tempo que exige compreensão.


Compreensão do vosso passado, compreensão do vosso presente - sem vos esquecer que ele é o resultado de vossas escolhas passadas – compreensão dos passos que precisais dar para conquistar o futuro tão esperado, aquele que vos retira do mundo da ilusão e vos devolve a visão do mundo da verdade.


O mundo da verdade só abre suas portas para aqueles que se despojaram, definitivamente, dos limites e das ilusões.


Vencer vossos limites é reconhecer e exercitar vosso poder ilimitado de tudo concretizar. É lembrar, para por em prática, que sois um Filho de Deus que tudo pode, não importando quão grande possa ser o obstáculo que se apresenta em vosso caminho. É olhar para o horizonte com a certeza que ele se estende infinitamente, pois infinitas são as possibilidades dos Filhos da Terra.

Infinitude! Essa é a vossa herança, essa é a conquista que vos devolve o ilimitado.


Bem amados, que vossas orações ajudem a expandir, cada vez mais, as mentes e os corações de todos os Filhos da Terra para que o propósito maior de vossas existências seja compreendido por todos os habitantes do vosso amado planeta.


Bem amados, Eu vos deixo agora derramando sobre todos vós as minhas bênçãos e envolvendo a todos no meu manto de proteção, porque Eu Sou Maria, Vossa Mãe.

27/07/2010-Mensagem de Mãe Maria-20-2010 recebida por Jane M. Ribeiro.

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Oscar Quiroga - 991


ALMAS BEM-AVENTURADAS


As almas bem-aventuradas que habitam o planeta Terra neste importante momento são as que temperam seu caminho a golpes de adversidades, compreendendo o perigo que reside nesse normal convencimento de que todos devemos nos esforçar para conseguir descansar a maior parte do tempo. Conforto e descanso são bons só quando resultam da tarefa cumprida, mas são riscos terríveis quando convertidos em destinos principais. As almas bem-aventuradas não se refestelam exageradamente em comidas, bebidas, sexo ou entretenimento, experimentam tudo isso com desapego, sem deter-se a converter essas coisas em objetivo principal de suas vidas. As almas bem-aventuradas enxergam os detalhes que precisam ser revistos e se dedicam com afinco a transfigurá-los.

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Monday, July 26, 2010

 

Oscar Quiroga - 990


A VERDADEIRA REVOLUÇÃO


Reeditar o espírito revolucionário da década de 60 é a forma mais eficiente de alimentar a estagnação pretendida pelos setores conservadores da civilização. Acontece que esse espírito foi engolido há muito tempo, transformado em produto e engarrafado em embalagens assépticas, absolutamente controladas. A verdadeira revolução em andamento não é a da luta armada nem a da utopia socialista, quem visita nosso planeta e vê as coisas com distanciamento e objetividade não consegue diferenciar a direita da esquerda, as duas ideologias lutam para conquistar a mesma fatia de poder. A verdadeira revolução é íntima, a empreende quem tiver força para substituir vícios por virtudes e as aplicar na vida cotidiana.

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Saturday, July 24, 2010

 

Oscar Quiroga - 989


SÓ FALTA SINCRONIA


Nossa humanidade conhece os meios para que a civilização produza bem-estar geral. Nossa humanidade deseja aplicar estes meios para que a civilização produza bem-estar geral. Nossa humanidade executa atos para que a civilização produza bem-estar geral. Porém, ainda nossa humanidade não consegue sincronizar o conhecimento, o desejo e a execução das tarefas para que a produção de bem-estar geral atinja seu momentum e, assim, todos possamos passar a outro nível de tarefas mais complexas do que meramente nos dedicar a sobreviver no meio de tempestades e problemas produzidos por nossa preguiça. A perfeição das obras está disponível, conhecemos os meios, desejamos o objetivo e podemos executar as tarefas. Só falta sincronia.

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Friday, July 23, 2010

 

Oscar Quiroga - 988


SUAS TAREFAS


Saber como se executa um ato e fazê-lo, mas não desejá-lo, isso não é agir com perfeição. Desejar a execução de um ato e a seguir realizá-lo, mas não conhecer os meios de fazê-lo, isso não é agir com perfeição. Conhecer os meios, desejar a execução, mas não realizar o ato, isso não é agir com perfeição. Só quando se sincronizam a mente, o coração e o próprio ato acontece a perfeição. Nossa humanidade é absolutamente capacitada para isso, sendo este é o seu melhor destino, o que produz liberdade e abre a visão de tesouros antes sequer imaginados. Que a falta de sincronia tenha se tornado tão habitual que pareça insuperável não legitima a preguiça. Conheça suas tarefas, deseje suas tarefas e realize suas tarefas.

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Thursday, July 22, 2010

 

A Missão de Vida

"Você deveria basear sua felicidade essencialmente naquilo que você faz e não naquilo que o outro faz"

A sua missão de vida é facilitar a vida de todos os seres vivos que cruzam o seu caminho na vida. Agindo dessa forma você será apoiado pelas forças espirituais que velam 24 horas por dia por você (sua Equipe de Supervisão, que inclui seu Anjo da Guarda). Se, pelo contrário, você passar a infernizar a vida dos outros, você será "chamado de volta" (perderá o seu corpo físico, isto é, morrerá) mais cedo. Por que? Simplesmente, para você parar de infernizar a vida dos outros! Infernizando os outros você estaria vivendo sem amor, que é a força sustentadora da vida.

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Oscar Quiroga - 987


SOL INGRESSA EM LEÃO


Por penetrante e forte que seja a atadura que amarra a alma humana à execução de tarefas até conquistar a perfeição, ainda mais forte é aquela que prende por meio do anseio pelo resultado das tarefas. As tarefas só são executadas com absoluta perfeição, produzindo bem-estar geral e libertação, quando desprovidas de egoísmo. Quem, então, poderia se declarar acima de seus semelhantes se todos chafurdamos nesse terreno pantanoso do egoísmo? Porém, que esta falha nos nivele por baixo e que por habitual tenha se tornado a medida humana não nos condena a permanecer nessa condição. A disposição a prestar serviço e a sacrificar os interesses particulares em nome do bem comum é o que produz liberdade e abre as portas da verdadeira riqueza.

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Wednesday, July 21, 2010

 

Condições para o Bem-Estar


Ouça o seu corpo. O corpo não é seu inimigo e, quando ele disser algo, aja de acordo com isso, porque ele tem sua própria sabedoria. Não o perturbe, não se deixe levar pela sua cabeça. Eu não ensino regras rígidas, apenas tento aumentar sua consciência. Ouça o seu corpo.

O corpo é seu amigo. Ouça a sua linguagem, decodifique-a e, pouco a pouco, à medida que você se aprofundar no livro do seu corpo e virar as suas páginas, você começará a perceber todo o mistério da vida. Ampliado milhões de vezes, está no mundo todo. Condensado numa pequena fórmula, contudo, ele está presente no seu corpo.

Faça contato com o corpo

Você não está em contato com muitas coisas no seu corpo, só o que você está carregando. Contato significa uma profunda sensibilidade. Você talvez nem sinta seu corpo ou apenas o sinta quando você está doente. Se existe uma dor de cabeça, então você percebe a sua cabeça. Se uma perna doi, é possível notá-la. Só se está consciente quando alguma coisa vai mal.

Se tudo está bom, você permanece inconsciente e, na verdade, esse é o momento em que é possível fazer contato - quando tudo está bem -, porque, quando algo vai mal, o contato é feito apenas com a doença, com aquilo que vai mal, e o bem-estar desaparece. Você está se sentindo bem agora, mas, de repente, sua cabeça começa a doer e você faz contato. O contato não é feito com a cabeça e sim com a dor de cabeça. O contato com a cabeça só é possível quando ela não está com dor e está cheia de bem-estar. Mas quase perdemos esta capacidade. Não fazemos contato quando estamos bem. O nosso contato, portanto, é só uma medida de emergência. Surge a dor de cabeça - é preciso tomar um remédio, algo tem de er feito, por isso você se conecta e toma uma providência.

Tente fazer contato com o seu corpo quando tudo estiver bem. Deite-se na grama, feche os olhos e perceba a sensação que vai por dentro, o bem-estar que está borbulhando. Deite-se em um riacho, com a água tocando seu corpo e todas as células se refrescando. Sinta, por dentro, o frescor invadindo célula por célula, penetrando fundo no seu corpo.

Sente-se ao sol. Deixe que os raios penetrem através da sua pele. Sinta o calor à medida que ele invade o seu corpo, penetrando cada vez mais fundo, como se tocasse suas células sanguíneas e chegasse até os ossos. O sol é vida, é a própria fonte. Então, com os olhos fechados, sinta o que está acontecendo. Fique alerta, observe e aproveite. Pouco a pouco, você irá tomando consciência de uma harmonia muito sutil, uma bela música que toca continuamente dentro de si. Então você terá feito contato com o corpo - do contrário, você está carregando um corpo morto.

Na Rússia, pesquisas foram realizadas durante décadas e os cientistas chegaram a muitas conclusões. Um dos resultados mais relevantes é o de que, sempre que ocorre uma doença, o corpo passa os seis meses que a antecedem nos enviando sinais de que isso ocorrerá. Seis meses é um tempo bem longo! Uma doença vai surgir no ano que vem; no meio deste ano, o corpo já começa a mandar sinais - mas você não ouve, não entende, não sabe. Só se dá conta da doença quando ela já apareceu, ou nem mesmo percebe quando isso acontece - é um médico que descobre primeiro que existe algo errado.

Uma pessoa que pesquisou por vários anos criou filmes e câmeras capazes de detectar uma doença antes que ela realmente se manifeste fisicamente. Ela diz que o paciente pode ser tratado sem que sequer saiba que está doente. Se um câncer irromperá no ano que vem, ele pode ser tratado a partir de já. Não existem indicações físicas, mas começam a ocorrer mudanças na eletriciadade do corpo. Primeiro ocorrerão mudanças na bioenergia, depois essas mudanças atingirão o físico. Se a camada bioenergética for tratada, o corpo físico não chegará a ser atingido.

Graças a essa pesquisa, será possível, no futuro, evitar que as pessoas fiquem doentes e não haverá mais necessidade de hospitais. A doença poderá ser tratada antes que atinja o corpo.

Talvez você tenha ouvido muitas histórias sobre sannyasins hindus, bhikkus budistas e monges zen que anunciam a própria morte com antecedência. E talvez fique surpreso ao saber que isso sempre ocorre seis meses antes da morte - nunca antes, são sempre seis meses. Isso não é acidental, há um sentido para esses seis meses. Antes que o corpo físico morra, a bioenergia começa a diminuir e alguém que está em profundo contato com sua energia percebe isso. Vida significa expansão, morte significa retração. Essa pessoa sente que a energia vital está se retirando e, então, anuncia que irá morrer em seis meses. Os monges zen são conhecidos pelo fato de até escolherem o modo como morrerão - porque eles sabem.

Antes de mais nada, então, torne-se cada vez mais sensível com relação a seu corpo. Ouça o que ele diz - você fica tão concentrado na cabeça que nunca ouve o que o corpo diz. Quando existe um conflito entre mente e corpo, na maioria das vezes o corpo estará mais correto do que a mente porque o corpo é natural, enquanto que a mente é social (portanto, sujeita às distorções sociais). O corpo pertence a esta vasta natureza, e a mente, à sociedade, à época em que vivemos. O corpo tem raízes profundas na existência, enquanto a mente é só uma ondulação na superfície. Mas você sempre ouve a mente e nunca o corpo - esse longo contato habitual se perdeu.

Você tem um coração e o coração é a raiz, mas você não faz contato. Comece a se conectar com o corpo e logo você perceberá que ele vibra em torno do centro do coração, assim como todo o sistema solar gira em torno do Sol. Os hindus chamam o coração de sol do corpo. O corpo inteiro é um sistema solar que gira em torno do coração. Você passou a ter vida quando o coração começou a bater e morrerá quando ele parar. O coração continua sendo o centro solar do seu corpo. Fique atento a ele. Contudo, você só vai ficar atento a ele se, gradativamente, você passar a observar o seu corpo inteiro.

Seja verdadeiro consigo mesmo

Lembre-se sempre de ser verdadeiro consigo mesmo. Para isso, é preciso estar atento a três coisas. Primeiro, nunca ouça alguém que diga o que você tem de ser. Ouça sempre a sua voz interior, o que você gostaria de ser. Do contrário, toda a sua vida será desperdiçada.

Há milhares de tentações à sua volta, porque existem muitas pessoas vendendo coisas por aí. Os supermercados, o mundo, as pessoas, todos estão interessados em lhe vender algo. Todo mundo é um vendedor e, se você ouvir vendedores demais, você ficará louco. Não ouça ninguém, simplesmente feche os olhos e ouça a sua voz interior. É disso que trata a meditação: ouvir a sua voz interior.

A segunda coisa - que só é possível se você já tiver feito a primeira - é nunca usar uma máscara. Se você está zangado, fique zangado. É arriscado, mas não sorria, pois isso não será verdadeiro. Você aprendeu a sorrir quando está zangado, então o sorriso fica falso, vira uma máscara. É só um exercício com os lábios, nada mais. O coração está cheio de fúria, de veneno, e os lábios sorriem - você se tornou falso.

Outra coisa também acontecerá: quando você quiser sorrir, não conseguirá. Todo o seu macanismo está revirado, pois quando você quis ficar com raiva não pôde. Agora você quer amar, mas, de repente, descobre que o seu sistema não funciona. Quer sorrir, mas tem de forçar o sorriso. Seu coração está pleno de sorrisos e você quer rir alto, mas não consegue, algo fica reprimido no coração, engasgado na garganta. O sorriso não vem ou, se vem, é pálido e apagado. Não o deixa feliz. Você não se empolga com ele. Não há luminosidade à sua volta.

Quando quiser ficar com raiva, fique. Não há nada de errado em ficar com raiva. Quando quiser rir, ria. O que há de errado em rir alto? Pouco a pouco, você verá que todo o seu organismo está funcionando. Dá para notar: sempre que o mecanismo de uma pessoa está funcionando bem, dá para ouvir um zumbido em torno dela. Ela caminha, mas o passo é como uma dança. Fala, mas suas palavras têm uma poesia sutil. Quando olha para alguém, de fato olha: não é indiferente, é calorosa. Quando toca, ela realmente o faz - você pode sentir a energia entrando em seu corpo, uma corrente de vida sendo transferida... Seu mecanismo está funcionando bem.

Não use máscaras. Se fizer isso, criará disfunções e bloqueios em seus sistemas. Existem muitos bloqueios no seu corpo. A pessoa que costuma reprimir a raiva tem os maxilares travados. Toda a raiva vai para os maxilares e fica estagnada ali. As mãos ficam feias. Não têm os movimentos graciosos de um dançarino porque a raiva vai para os dedos e fica ali, bloqueada.

Lembre-se, a raiva tem duas fontes. Uma são os dentes, a outra são os dedos, pois todos os animais, quando estão zangados, vão mordê-lo com os dentes ou arranhá-lo com as garras. Portanto, as unhas e os dentes são os dois pontos por onde a raiva é extravasada. Eu tenho a suspeita de que, sempre que a raiva é muito reprimida, as pessoas tem problemas nos dentes. Os dentes estragam porque muita energia se acumula ali sem ser liberada. E qualquer um que reprime a raiva comerá mais - as pessoas com raiva sempre comem mais porque os dentes precisam ser movimentados. As pessoas com raiva fumarão mais. Falarão mais: podem virar tagarelas obsessivas porque, de algum modo, os maxilares precisam se mover para que um pouco de energia seja extravasada. E as mãos das pessoas com raiva ficarão nodosas, feias. Se a energia tivesse sido liberada, as mãos poderiam ser belas. Se você reprime alguma coisa, existe uma parte do corpo que corresponde a essa emoção. Se não quer chorar, seus olhos perderão o brilho, pois as lágrimas são necessárias. Se você chora de vez em quando, e as lágrimas começam a fluir, seus olhos ficam mais limpos, renovados, jovens, virgens.

Lembre-se de que, se você não consegue chorar de verdade, também não consegue rir, pois essa é a outra polaridade. As pessoas que conseguem chorar também conseguem rir. E talvez você já tenha visto isso em crianças: se riem muito e por muito tempo, depois começam a chorar, porque as duas coisas estão ligadas. Os dois fenômenos não são diferentes, é a mesma energia indo para pólos opostos.

Portanto, não use máscaras - seja verdadeiro, custe o que custar.

A terceira coisa diz respeito à autenticidade: fique sempre no presente, porque toda falsidade vem do passado ou do futuro. O que passou passou - não se preocupe mais com isso. E não carregue o passado como um fardo; do contrário, isso não deixará que você seja autêntico no presente ("Enterre os mortos"; os "mortos" são os acontecimentos passados...). Além disso, tudo o que ainda não aconteceu de fato não aconteceu - não fique se preocupando à toa com o futuro, senão isso interferirá no presente e o estragará ("Não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois...). Seja verdadeiro no presente e você será autêntico. Estar aqui e agora é ser autêntico.

Relaxe e aceite a vida como ela é

A sociedade certamente o prepara para a atividade, a ambição, a rapidez, a eficiência. Não o prepara para relaxar, não fazer nada e descansar. Ela condena todos os tipos de descanso, como se fossem pura preguiça. Condena as pessoas que não vivem correndo - porque toda a sociedade vive correndo, tentando chegar a algum lugar. Ninguém sabe aonde vai, mas todo mundo está preocupado em andar mais rápido!

Ouvi falar sobre um casal que dirigia por uma estrada em alta velocidade. A mulher não cansava de repetir para o marido:
- Dê uma olhada no mapa.
E o homem respondia:
- Fique quieta. Boca fechada! Eu estou dirigindo. Não importa para onde estamos indo, o que importa é ir rápido.

Ninguém sabe, afinal, para onde e por que estavam indo.

Toda sociedade está preparada para o trabalho. Essa é uma sociedade viciada em trabalho. Não quer que você aprenda a relaxar, por isso, desde a infância, colocaram na sua cabeça idéias contra o relaxamento.

Não estou dizendo para você relaxar o dia inteiro, e sim para fazer o seu trabalho, encontrar algum tempo para si mesmo - e isso só é possível se você estiver relaxado. Você ficará surpreso ao perceber que, se conseguir relaxar durante uma hora ou duas a cada 24 horas, você terá uma percepção muito mais aguçada de si mesmo. Isso mudará o seu comportamento externamente: você ficará mais calmo, mais silencioso. E mudará a qualidade do seu trabalho: ficará mais artístico e elegante. Você cometerá menos erros do que o habitual, porque ficará mais coeso, mais centrado.

Trata-se de puro relaxamento em todas as três camadas - corpo, mente e coração. Durante duas horas, a pessoa fica quase ausente. Nessas duas horas, seu corpo, seu coração e sua inteligência se recuperam, e é possível perceber isso no dia-a-dia dessa pessoa.

Ela não será uma perdedora - embora não seja mais agitada nem precise correr desnecessariamente o dia inteiro. Irá direto ao ponto em que quer chegar. E fará as coisas que precisa; não se preocupará em fazer coisas supérfluas. Dirá só o que é necessário. Suas palavras passarão a ser telegráficas; seus movimentos, graciosos; sua vida se tornará uma poesia.

O relaxamento pode transformá-lo, levando-o a alturas belíssimas - e trata-se de uma técnica muito simples. Não existe nada demais nessa técnica; você só sentirá um pouco de dificuldade nos primeiros dias, porque a agitação é um hábito antigo. À medida que o relaxamento se aprofunda, ele se torna uma meditação. Meditação é o nome que se dá ao relaxamento mais profundo.

Libere a sabedoria do corpo

O corpo tem uma grande sabedoria. Libere-a. Deixe que o corpo siga cada vez mais sua própria sabedoria. E, sempre que tiver tempo, simplesmente relaxe. Deixe que a respiração siga um ritmo natural. Nosso hábito de interferir tornou-se tão entranhado que não conseguimos nem respirar sem intervir nisso. Se observar a respiração, você vai perceber no mesmo instante que já começou a interferir - você começa a respirar mais fundo ou a expirar mais ar. Não é preciso interferir, de forma alguma. Apenas deixe que a respiração aconteça de modo natural, o corpo sabe do que necessita. Se você precisar de mais oxigênio, respirará mais; se precisar de menos oxigênio, respirará menos.

Deixe a respiração por conta do corpo! E, sempre que sentir algum ponto de tensão, relaxe. Muito lentamente... primeiro comece a relaxar enquanto estiver sentado, descansando; depois, quando estiver ocupado, fazendo alguma coisa. Se estiver limpando o chão ou ocupado na cozinha ou no escritório, mantenha esse estado relaxado. A ação não precisa atrapalhar esse estado de relaxamento. Assim, suas atividades terão beleza, uma grande beleza. Terão o sabor da meditação. As pessoas, no entanto, continuam a fazer esforços desnecessários. Algumas vezes, esses esforços funcionam como uma barreira; são problemas que elas mesmas criam.

Basta observar... Existem situações em que, se você forçar, nada conseguirá. Não apresse o rio nem tente nadar correnteza acima. O rio corre para o mar naturalmente - seja apenas parte dele, parte da sua jornada. Ele o levará ao ponto final. Se relaxarmos, descobriremos; se não relaxarmos, não descobriremos. O relaxamento torna-se a porta para essa grande descoberta - a iluminação.

Uma sinfonia de alegria

Na verdade, alegria significa apenas que seu corpo está numa sinfonia, nada mais do que isso. Seu corpo está seguindo um ritmo melodioso. Alegria não é prazer; o prazer tem de ser decorrência de uma outra coisa. A alegria é ser simplesmente você mesmo, vivo, absolutamente vibrante, vital. O sentimento de uma música sutil ao seu redor e dentro do seu corpo, uma sinfonia, isso é alegria. Você estará alegre quando o seu corpo estiver fluindo como um rio. Um organismo saudável é sempre capaz de atingir picos de orgasmo. É orgástico, está correndo, fluindo.

Quando um homem feliz ri, é como se todo o seu corpo risse. Não são somente os lábios ou o rosto. Ele ri dos pés à cabeça, como um organismo inteiro. O riso flui, em pequenas ondulações, por todo o seu ser. Toda a sua bioenergia se agita por meio do riso. Quando uma pessoa saudável está triste, está realmente triste, de corpo inteiro. Quando uma pessoa saudável está zangada, está realmente zangada, de corpo inteiro. Quando faz amor, só faz amor: ela é amor; nada mais do que isso. Na verdade, dizer que "faz" amor (make love) não é correto. Essa expressão é vulgar, porque o amor não pode ser "feito". Portanto, ela não faz amor, ela é amor. Não é nada a não ser energia de amor. E, em tudo o que faz, é assim que ela é. Se está caminhando, é pura energia caminhando. Se está cavando um buraco, é puramente o ato de cavar.

Uma pessoa saudável não é uma entidade, mas um processo dinâmico. Podemos dizer que uma pessoa saudável não é um substantivo, mas um verbo - não é um fluxo, mas um fluir. Está constantemente fluindo em todas as dimensões, transbordando. Qualquer sociedade que impeça isso é patológica. Qualquer pessoa que esteja de algum modo bloqueada está num estado patológico, desequilibrado. Só uma parte está funcionando corretamente, não o todo.

Muitas mulheres não sabem o que é orgasmo. Muitos homens não sabem o que é um orgasmo completo. Muitos só têm um orgasmo localizado, um orgasmo genital. Só uma leve agitação nos genitais e acabou. Não é como uma possessão em que o corpo inteiro cai num redemoinho e se perde num abismo. Por alguns momentos, o tempo pára e a mente deixa de funcionar. Por alguns momentos, você não sabe quem é. Esse é o orgasmo completo.

O ser humano é doente e patológico porque a sociedade o mutilou em muitos sentidos. Não deixam que você ame totalmente, não deixam que você tenha raiva; não deixam que seja você mesmo. Milhares de limitações são impostas.

Se quiser ser realmente saudável, você terá que se livrar das restrições. Terá de apagar tudo o que a sociedade fez com você. A sociedade é criminosa, mas é a única que temos, por isso não há nada que se possa fazer no momento. Cada pessoa tem de encontrar a sua própria maneira de se livrar dessa sociedade patológica, e a melhor maneira é começar tornando-se uma pessoa orgástica de todas as formas possíveis.

Se for nadar, então nade, mas nade com todo o seu ser, de modo que você se torne o nadar, um verbo; o substantivo desaparece. Se for correr, então corra; depois torne-se o correr, não um corredor. Nos Jogos Olímpicos, vemos corredores, egos, competidores... ambição. Se conseguir simplesmente correr sem que o corredor esteja presente, esse correr torna-se zen; torna-se uma meditação. Dance, mas não se torne um dançarino, pois o dançarino começa a manipular e por isso não está totalmente na dança. Dance e deixe que a dança o leve para onde quiser.

Siga com a vida, confie na vida, e, pouco a pouco, a vida acabará com todos os seus bloqueios, a energia começará a fluir por todas as partes.

Assim, faça o que fizer, faça-o com a idéia secreta de que você tem de se tornar mais fluido. Se segurar a mão de alguém, segure-a de fato. Você a seguraria de qualquer jeito, então por que desperdiçar esse momento? Segure-a de verdade! Não deixe que sejam apenas duas mãos mortas segurando uma na outra, só esperando pelo momento de se separar. Se for conversar, então deixe que a conversa seja entusiasmada, do contrário você entediará a si mesmo e aos outros. A vida tem de ser uma paixão, uma paixão vibrante, uma paixão pulsante, uma energia estrondosa. Faça o que fizer, não deixe que isso seja aborrecido - do contrário, não o faça. Não é preciso fazer nada, mas, sempre que estiver fazendo algo, faça de verdade.

Pouco a pouco, todos os bloqueios desaparecerão e sua vida toda será recuperada. Seu corpo será recuperado; sua mente será recuperada. A sociedade mutilou seu corpo, sua mente - tudo. Deram a você algumas escolhas, deixaram algumas pequenas aberturas e só é possível olhar através delas. Nunca deixam que você veja a totalidade das coisas.

Ria e seja inteiro

O senso de humor reunirá as partes que foram separadas, colará seus fragmentos, deixando-o inteiro. Não reparou nisso? Quando você dá uma boa risada, de repente todos os fragmentos desaparecem e você se torna uma coisa só. Quando você ri, sua alma e seu corpo se tornam uma coisa só - eles riem juntos. Quando você pensa, seu corpo e sua alma estão separados. Quando chora, seu corpo e sua alma também são uma coisa só, funcionando em harmonia. Lembre-se sempre: todas essas coisas são boas, fazem bem, pois fazem de você um só todo. Rir, chorar, dançar, cantar - tudo isso faz de você um conjunto em que tudo funciona em harmonia.

Sua cabeça pode estar pensando enquanto o corpo continua fazendo mil coisas diferentes. Você pode comer enquanto a mente pensa em outra coisa e então ocorre uma divisão (as células de seu corpo ficam indecisas em qual das duas direções seguir, não funcionando da melhor forma possível...). Você anda na rua e, enquanto o corpo anda, a mente está pensando em outra coisa. Não que esteja pensando na rua, nas árvores que o cercam, no sol, nas pessoas em volta - está pensando em outras coisas, está em um outro mundo.

Mas, ao rir, se a sua risada for de fato profunda - se não for uma pseudo-risada, que só acontece nos lábios -, você sentirá de repente seu corpo e sua alma funcionando juntos. A risada não está só no seu corpo, ela penetra no fundo do seu ser. Surge de você e se espalha por toda a circunferência. Você é um só quando ri.

Minha definição de saúde é que, quando você não percebe a existência do corpo, você está saudável. O mesmo vale para a mente saudável. Só uma mente insana pode ser sentida. Quando a mente está sã, silenciosa, não é possível senti-la. Quando o corpo e a mente estão silenciosos, é possível sentir a alma com mais facilidade, com uma risada. Não há por que ser sério.

Aproveite a vida, ria das coisas ridículas à sua volta. Ria durante todo o trajeto até o templo de Deus. Aqueles que riram bastante chegaram lá - as pessoas sérias ainda estão perambulando por aí, com a cara amarrada.

Fonte: Osho, Corpo e mente em equilíbrio, Editora Sextante, 2008.

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Oscar Quiroga - 986


A PERFEIÇÃO


A execução imperfeita das tarefas e obrigações escraviza a alma a continuar repetindo incessantemente os afazeres. Só a perfeição liberta e para quem vai pensando que tudo que é humano deva ser destinado à imperfeição, há de saber que esse é um tolo convencimento. Nós, humanos, não apenas somos destinados à perfeição como deparar-se com essa condição produz surpresa, pela obviedade e simplicidade de sua aplicação. Em primeiro lugar é necessário conhecer o que se faz, depois há de agregar-se a firme intenção da fazê-lo e, por último, por óbvio que pareça, há de executar-se a ação. Só quando o conhecimento, o desejo e a própria ação são sincronizadas a alma humana se liberta da repetição incessante produzida pela imperfeição de seus atos.

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Tuesday, July 20, 2010

 

Oscar Quiroga - 985


CONHECER, DESEJAR E ATUAR


A obediência não é própria de personalidades fracas e submissas, mas de almas sábias que enxergam além de si mesmas, com a visão de quem conhece a infinitesimal e infinita estrutura cósmica, desejando fazer parte dela e executando todo ato que a necessidade estipule para a manutenção da ordem. Enquanto isso, aqui na Terra parece divertido desobedecer, porque isso seria demonstração de brilho próprio. Porém, que brilho seria próprio se somos todos fragmentos de eternidade? Conhecer, desejar e atuar de acordo com o Plano Maior nos liberta, enquanto que tudo que esteja fora desse alinhamento nos obriga a repetir incessantemente as mesmas tarefas, já que não as cumprimos com perfeição. Conheça, deseje e atue, tudo em uníssono para libertar-se.

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Monday, July 19, 2010

 

Oscar Quiroga - 984


OBEDIÊNCIA E DESOBEDIÊNCIA


Durante algum tempo parece divertido desobedecer à autoridade, inclusive porque se descobre a falácia das pessoas investidas no cumprimento da lei que não demonstram através do exemplo que seja valioso segui-la. Porém, autoridade e hierarquia de comando não existem à toa, é o microcosmo de uma arquitetura infinitesimalmente perfeita. Ninguém se livra da autoridade desobedecendo-a, mas executando com perfeição o elo que lhe corresponde nessa arquitetura. O divertimento fugaz oferecido pela desobediência logo é substituído pelo estupor da autodestruição causada e pelo dano provocado às pessoas próximas, as familiares. O assunto, então, não é desobedecer à autoridade, mas obedecer àquela que merecer essa dignidade.

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Sunday, July 18, 2010

 

Oscar Quiroga - 983


TUDO QUE É FALSO...


Fardas, togas, diplomas, medalhas, faixas e premiações não conseguem mais ocultar a infantilidade de nossa civilização. Quantas pessoas realmente merecem essas honrarias? As poucas que têm dignidade vivem com vontade de devolver o que ganharam ao ver a infâmia sendo investida de louvor. A falta de conhecimento não se equilibra com diplomas e honrarias, mas com experiência e para essa não falta oportunidade. Porém, como ganharia experiência o humano que só pensa em descansar, obter prazer sexual e quanto mais dinheiro, melhor, sem importar-se em pender para o lado do crime ou da falta de ética se for isso que garantirá a riqueza? Não poderia! Tudo que é falso se transforma em esquecimento, por ser incapaz de outra coisa.

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Saturday, July 17, 2010

 

Oscar Quiroga - 982


DISCIPLINA NÃO É PROBLEMA, MAS SOLUÇÃO


Conduzir os humanos de volta ao espírito através do uso da força, da intimidação ou do medo é um sacrilégio, não se entra no reino do céu com o coração tomado pela apreensão. Só a alegria consistente e de natureza prática abre a porta do céu e demonstra a leveza infinita do espírito através de pequenos, mas cruciais detalhes cotidianos. Esta inefável afirmação é o início da necessária disciplina, porque andar na direção do céu é trabalhoso. É aqui mesmo que muitos desistem, porque estão contaminados por essa disciplina maligna e perversa que as religiões impuseram. Disciplina não é problema, mas solução, metodizar os hábitos alegres e renovadores é tudo que nossa humanidade precisa para tornar o espírito algo prático e disponível o tempo todo.

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Friday, July 16, 2010

 

Oscar Quiroga - 981


A BELEZA DA VIDA


Quem fala contra o espírito, a beleza, a bondade e a verdade comete injúria e cava sua própria fossa, levando consigo as pessoas mais próximas, já que ninguém entre o céu e a terra é uma ilha isolada, todos fazemos parte de grupos e somos quem somos na mesma medida em que valorizamos, protegemos e trabalhamos a favor desse grupo. A beleza da vida é essa, colocar tudo e todos em comunhão. A feiúra de nossa civilização é impor condições que colocam semelhantes uns contra outros, disseminando medo e miséria. Apesar de revoltante, não é mais necessário contrariar esta sinistra condição, que vai ao inferno por si mesma. Melhor despreocupar-se sem isso significar tornar-se indolente, mas por incentivar a alegria, remédio de todos os males.

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Thursday, July 15, 2010

 

Oscar Quiroga - 980


SINISTROS, SONOLENTOS E VIGILANTES


Há, neste momento, humanos com aspirações sinistras, outros com expectativas sonolentas e há ainda os que vigiam constantemente, porque têm consciência do que está em andamento. Os sinistros são os mesmos de sempre, complicam tudo para que a liberdade seja restrita, fazendo uso de sistemáticas mentiras e disseminando medo para dominar os do segundo tipo, de expectativas sonolentas. Estes são egoístas sem conseguir ver no espelho esta imagem, convencidos de que fazem tudo de acordo com as regras, mas na prática só se importam em descansar. Os terceiros, vigilantes, são os imprescindíveis e ninguém pode dominá-los, é do empenho destas almas que resulta o salto evolutivo atual, o qual, como tudo que é humano, não pode ser imposto, mas aceito com plena consciência do que acontece, sendo fruto de opções livres.

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Wednesday, July 14, 2010

 

Mensagem de Mãe Maria


Amados Filhos,


Que as bênçãos do amor tragam paz aos vossos corpos, mentes e corações.


O eclipse do último domingo possibilitou a abertura de um imenso portal de luz, mas, também, trouxe inúmeros desconfortos como conseqüência da densidade que ainda permeia vossos corpos e vosso planeta, desconfortos físicos, emocionais e mentais.


Vossos corpos físicos tentam assimilar a poderosa radiação que trouxe novas freqüências de luz às vossas células, moléculas e átomos.


Todo vosso corpo vibra e se expande, e quanto mais baixa for a vossa vibração maior desconforto ireis experimentar.


Cuidai, pois, de vossa alimentação e purificai vosso corpo ingerindo o elemento água em abundância, para minimizar os efeitos desconfortáveis por que passais.


Vossas emoções estão à flor da pele; tudo é motivo para vos desequilibrar; palavras, gestos, atitudes, tudo se potencializa exigindo de vós um grande esforço para manterdes o tênue equilíbrio que manifestais neste tempo de profundas mudanças e transformações.


Cuidai, pois, de vosso emocional não vos permitindo reagir, mas sim tentando compreender o que ocorre em vós e ao vosso redor.


Vossas mentes parecem mais um furacão que tenta varrer tudo que surge à sua frente; a luta entre vossas polaridades resultam em uma guerra entre bons e maus pensamentos, e essa guerra exige de vós muita fé e determinação para que a luz vença a escuridão.


O caos à vossa volta se potencializa, também, tornando quase impossível manterdes a serenidade para poderdes reconhecer o que verdadeiramente importa para vossas almas de tudo isso que vos cerca.


Clamai, pois, por compreensão, amados!


Primeiramente, abri vosso coração, para que a vontade de vossa alma – há tanto tempo represada – possa jorrar para fora de vós, liberando toda a compreensão que necessitais para ultrapassardes essa parte do caminho onde cada passo se torna mais e mais difícil.


Difícil, mas não impossível, amados!


Deixai que vossos pés resgatem do caminho que percorreis toda a sabedoria legada por vossos ancestrais, e que se fazem presentes no solo sagrado de vossa Mãe Terra.


Cada passo vos concede mais e mais sabedoria, sabedoria essa que, absorvida por vossos corações, se transforma em pensamentos claros e cristalinos, pensamentos luminosos que tornam possível o que parecia impossível para vós.

Nada é impossível para os Filhos da Luz, lembrai-vos!


Não desanimeis, pois, se o momento vos parece intransponível.


Olhai para dentro de vós, mergulhai em vosso interior, em vosso templo sagrado, para comungar com o Criador, unindo-vos a Ele pela força da oração e da contemplação, pelo poder que Dele recebestes de ser ilimitado.


Basta de limites, basta de dor, basta de sofrimento.


A vida só é penosa para aqueles que não reconhecem a dádiva de ser um Filho da Luz que encarnou na Mãe Terra com a missão de aprender a merecer a plenitude, sendo pleno, sendo capaz, sendo amoroso e compreensivo, sendo fraterno na unidade com todos os seus irmãos.


Resgatai, pois, o encanto da vida, vos deixando embalar pelas diretrizes ditadas por vossos corações, transformando vossas mentes na porta de entrada da luz do Criador, para que a abundância de tudo que necessitais se manifeste em um minúsculo lapso de tempo, e com ela possa ser assimilada a nova frequência da casa que escolhestes para evoluir, vosso planeta azul.


A Mãe Terra se transforma rapidamente, purificando-se da densidade criada pelo ser humano, reagindo contra toda a devastação que lhe foi impingida ao longo das eras, fechando todas as feridas abertas pela ganância dos filhos que nela habitam, e que precisam corrigir rapidamente seus erros para merecer continuar habitando esse solo sagrado, gozando de sua beleza, nutrindo-se dos seus frutos, voltando a respirar o prana puro e sutil oculto em vosso ar, até agora tão poluído, experienciando a longevidade pela ingestão continuada da água que resgata a misericórdia divina voltando a ser o elixir para a conquista da imortalidade.


Bem amados, acordai para este momento precioso, quando a manifestação da herança divina dos Filhos da Terra está prestes a se tornar realidade.


Buscai fazer a vossa parte, para que possais ser parte dessa revolução dos Filhos da Luz que vitoriosos seguem no caminho, consolidando a grandeza do planeta azul e de seus habitantes.


Bem amados, é hora de alimentar fé e determinação, vontade e pureza de coração, alegria e compreensão, para que a transição ocorra rapidamente para todos vós.


Bem amados, Eu vos deixo agora derramando sobre vós as minhas bênçãos e envolvendo a todos no meu manto de proteção, porque Eu Sou Maria, Vossa Mãe.


SP- 13/07/2010 – Mensagem de Mãe Maria-19-2010 canalizada por Jane m. Ribeiro.

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Oscar Quiroga - 979


SISTEMATIZE A DESPREOCUPAÇÃO


Que ninguém se iluda com a aparente calmaria deste fugaz momento terrestre, guinadas radicais se cozinham no fogo lento desta calmaria que não é. Esta afirmação não tem o intuito de provocar temor ou apreensão, tudo o contrário, já que calmaria seria a ilusão de que tudo ficará como está e nada pior seria do que isso. A civilização humana deve se reinventar o mais rapidamente possível e só não o fez por pura preguiça, que irá custar muito caro. Convença sua própria alma de que os próximos anos requererão grande presença de espírito e disposição e, por isso, faça bom uso de todo período de Lua Vazia para despreocupar-se e cortar os vínculos com tudo que produz ansiedade. Sistematizar a despreocupação é tudo que você precisa.

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Tuesday, July 13, 2010

 

Oscar Quiroga - 978


ADVERSIDADES E VITÓRIA


Quem quiser saborear a vitória terá de fazer amizade com as adversidades, pois, são essas que ajudarão melhor do que as facilidades. Enquanto houver preguiça e vontade de descansar, a vitória será cada vez mais distante. A boa vontade, o destemor e a persistência são fatores fundamentais, que se temperam ante as adversidades e amolecem quando as facilidades são a nota dominante. Isso não significa que toda adversidade garantirá a vitória, é o humano que deve aproveitar essa condição para reforçar seu sonho. A incompetência é ainda a nota dominante de nossa civilização e, por isso, quando surgem as almas destemidas e persistentes elas levam paulada de todo quanto é jeito, porque destacam a indolência do mundo.

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Monday, July 12, 2010

 

A Catástrofe do Golfo do México

A catástrofe "bíblica" que está acontecendo devido ao vazamento de petróleo no Golfo do México é muito maior do que está sendo divulgado ao público (foto acima mostra a cor vermelha deste vazamento petrolífero no mar). Este acontecimento está relacionado à seguinte passagem do Apocalipse, da Bíblia Sagrada [8:8-9]:

E o segundo anjo tocou... Uma coisa parecida com uma grande montanha em fogo caiu no mar. Uma terça parte do mar se transformou em sangue (cor vermelha). Uma terça parte das criaturas que estavam no mar, morreu. Uma terça parte dos navios foi destruída.

Apesar deste grande desastre ecológico, um outro igualmente terrível virá logo em seguida, segundo o Apocalipse [8:10-11]:

E o terceiro anjo tocou... Uma grande estrela caiu do céu, incendiando-se como uma tocha. Ela caiu sobre a terça parte dos rios e sobre as fontes das águas. O nome dessa estrela era "Absinto", e a terça parte das águas se transformou nesta amarga substância. Muitos homens morreram por causa dessas águas, que se tornaram amargas.

Este é um dos prognósticos da chegada (periódica!) do Planeta X/Nibiru/Hercóbulos nas proximidades da Terra (ele não vai "cair" literalmente sobre o nosso planeta). Aproveite para beber a água pura ainda disponível no momento no nosso planeta...

Repercussões: A companhia BP (British Petroleum) é a responsável pela perfuração do poço de petróleo (em águas profundas do oceano) que está vazando no Golfo do México. Devido a isso, essa companhia é a que mais perdeu valor de mercado nos últimos meses (via preço de suas ações negociadas em bolsas de valores). Como a Petrobrás, aqui no Brasil, está apostando firme na exploração do pré-sal (que também é em águas oceânicas profundas), o seu valor de mercado também despencou nos últimos meses (quase tanto quanto a BP), o que irá dificultar a captação de recursos financeiros (no mercado externo, via emissão de ações) para viabilizar a exploração do pré-sal brasileiro. Gato escaldado tem medo de água fria...

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Oscar Quiroga - 977


LUA VAZIA


Nossa humanidade nunca foi uma engrenagem industrial, mas foi tratada assim pela modernidade, em nome de maior produção. O desrespeito aos ciclos biológicos e cósmicos paga seu preço, o qual é coletado com grande eficiência pela indústria de remédios, que fecha o círculo viciado de nossa maldita civilização, não dando a mínima para a evolução humana, pois fazê-lo significaria autodestruir-se. Nós não somos engrenagens, somos capazes de atividade ordenada e produtiva, mas não em horários determinados por uma agenda artificial e sim na base de uma relação de respeito para com a natureza terrestre e celeste. Quem experimenta abster-se de ação objetiva durante os períodos de Lua Vazia entende imediatamente as razões deste discurso.

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Sunday, July 11, 2010

 

Oscar Quiroga - 976


VEJA BEM


Cada palavra que nossa humanidade profere é uma perspectiva posta em movimento. É bem sabido, é proverbial que palavra dita não pode ser recolhida e isso se entende bem, a palavra que foi dita se transforma na visão de quem a ouviu. Tristemente, nossa humanidade prefere apelar ao "veja bem" depois de ter dito o que disse, justificando que quem ouviu não entendeu bem. Um desperdício de subjetividade! Em vez de retratar-se e refazer o discurso, nossa humanidade procura justificar o injustificável e assim vai se perdendo tempo, dinheiro e recursos vitais em comentários oblíquos, murmúrio e, por que não dizê-lo, fofocas. Nossa humanidade anseia conquistar o pensamento criador, mas desse jeito só se afasta de sequer compreender como isso funcionaria.

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Oscar Quiroga - 975


FRATERNIDADE


A fraternidade é imprescindível, pois, sem assistência recíproca estamos mortos apesar de existir. Apesar disso, a imensa maioria pensa apenas em si mesma, mas o que importa isso afinal? Serão os laços fraternos os que servirão para redimir tudo, inclusive essa maioria tola. Sim, porque a fraternidade é um serviço e como tal representa a continuidade do plano maior que está em andamento. Por isso, que façam barulho os tolos egoístas que se convencem de que o mundo só pode ser do jeito pequeno que imaginam! Enquanto isso, os fraternos que persistam no absurdo caminho que escolheram e que, apesar das agruras, acena com um gozo indizível. Quem, senão os irmãos e irmãs, seriam os que mostrariam o caminho de reinvenção da realidade?

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Friday, July 09, 2010

 

Oscar Quiroga - 974


O PENSAMENTO CRIADOR


O pensamento gera realidade, agora este lei é divulgada e aceita sem restrições. Porém, que pensamento é esse, de grande poder criador? Certamente, não o comum, aquele que provém dos diversos locutores mentais que ficam conversando no mundo subjetivo. Se esses pensamentos criassem realidade, então o mundo se tornaria absolutamente caótico, como é a mente enquanto funciona assim. O pensamento que cria realidade é o de natureza ordenada e sincronizada com o mundo superior, onde habitam seres que já superaram essa condição caótica do que nós conhecemos por mente. Esses seres não pensam abobrinhas como nós, porque nada desejam deste mundo. Que paradoxo! Para criar pensando, antes de tudo precisamos não desejar nada deste mundo!

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Thursday, July 08, 2010

 

Oscar Quiroga - 973


FRATERNIDADE E EGOÍSMO


A solicitude, a atenção amorosa e a misericórdia fluem livremente através dos laços de fraternidade, o ideal que nossa humanidade ainda não sabe administrar devidamente, tropeçando constantemente em seu próprio egoísmo. Fraternidade e egoísmo são opostos, mas seu contraste não se resolve guerreando, que é prática egoísta. Essa difícil equação de convivência se resolve na prática, pois, sem contraponto o egoísmo destruiria tudo, inclusive a si mesmo, precisando desesperadamente por isso de seu oposto fraternal. Por seu lado, a fraternidade amorosa humana há de compreender o egoísmo para lhe encontrar o lugar da redenção e, assim, fechar-lhe a porta definitivamente para iniciar outro ciclo de elevação aqui na Terra.

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Wednesday, July 07, 2010

 

O Condicionamento Destrutivo


O único dever que você tem é o de ser feliz. Faça disso uma religião. Se você não é feliz, não importa o que faça, algo deve estar errado e alguma mudança drástica se faz necessária. Deixe que a felicidade decida.

Eu sou um hedonista. E a felicidade é o único critério que o ser humano possui.

Portanto, sempre observe o que acontece quando você faz alguma coisa: se você ficou em paz, tranquilo, à vontade, relaxado, aquela era realmente a coisa certa a fazer. Esse é o critério, nada mais. É importante lembrar-se, contudo, de que aquilo que é certo para você pode não ser para uma outra pessoa. Aquilo que é fácil para você pode não ser para outra pessoa, mas alguma outra coisa será fácil para ela. Não pode haver uma lei universal para isso. Cada um tem de descobrir por si mesmo. O que é fácil para você?

Por que escolhemos ser infelizes?

Esse é um dos mais complexos problemas humanos. Ele precisa ser examinado a fundo e não é algo apenas teórico, mas algo que lhe diz respeito. É assim que todos têm agido - sempre escolhendo o caminho errado, escolhendo ficar tristes, deprimidos, infelizes. Devem existir razões profundas para isso, e de fato existem.

A primeira razão diz respeito ao modo como os seres humanos são criados. Se você for infeliz, irá ganhar alguma coisa com isso. Se for feliz, você perderá.

Desde o início, uma criança atenta percebe essa diferença. Sempre que está infeliz, todos são compreensivos com ela e ela ganha essa compreensão. Todos tentam demonstrar afeto e a criança recebe amor. Mais do que isso, sempre que ela fica infeliz, todo mundo é simpático e ela recebe atenção. A atenção funciona como um alimento para o ego, como um estimulante alcoólico. A atenção lhe dá energia, você sente que é alguém. Por isso tanta necessidade, tanto desejo de obter atenção.

Se todos estão te olhando, você se torna importante. Se ninguém o olhar, é como se você não estivesse ali: deixa de existir, vira um não-ser. O fato de as pessoas estarem olhando, estarem preocupadas, lhe dá energia.

O ego só existe no relacionamento. Quanto mais as pessoas prestam atenção em você, maior fica o seu ego. Se ninguém o olhar, seu ego se dissolve. Se todo mundo esquecer completamente de você, como o ego pode existir? Daí a necessidade de sociedades, associações, clubes: eles existem para dar atenção às pessoas que não a conseguem de outras formas.

Desde a mais tenra infância, a criança aprende a fazer política. A política é: pareça infeliz e irá atrair simpatia, todos serão atenciosos com você. Pareça doente e ficará importante. A criança doente fica prepotente: toda família deve lhe obedecer, o que quer que diga se torna a lei.

Quando ela está feliz, ninguém a ouve. Quando está saudável, ninguém liga para ela. Quando está perfeita, ninguém lhe dá atenção. Desde o começo, optamos pela infelicidade, pela tristeza, pelo pessimismo, pelo lado sombrio da vida. E essa é uma das razões.

A segunda razão está relacionada ao seguinte: sempre que você está feliz, exultante, extasiado e inebriado, todo mundo sente inveja. Isso significa que todos ficam hostis: num segundo, todos viram inimigos. Então você aprendeu a não parecer tão extasiado para evitar que todos virem inimigos: aprendeu a não mostrar a felicidade, a não rir. Olhe para as pessoas quando elas riem: é um gesto calculado, não é uma risada que sacode a barriga, não vem das profundezas do ser. Primeiro olham para você, avaliam e, então, riem. E riem de uma forma que seja tolerada, que não seja considerada imprópria, que não desperte inveja.

Até nossos sorrisos são políticos. A risada desapareceu, a felicidade passou a ser um coisa absolutamente desconhecida e é quase impossível chegar ao êxtase, porque não é mais permitido. Se você está infeliz, ninguém vai achar que você é louco. Se está exultante, dançando por aí, todo mundo vai achar que você está louco. Dançar e cantar não são coisas aceitas. Quando alguém vê uma pessoa feliz, logo acha que há algo errado.

Que tipo de sociedade é essa em que é permitido se sentir infeliz mas que acusa aqueles que estão em êxtase de loucos e sem juízo? Por causa da inveja, tentamos, de todas as maneiras possíveis, impedir o êxtase dos outros. Chamamos a tristeza de normalidade. Os psiquiatras poderão ajudar a trazer uma pessoa de volta para a sua infelicidade normal.

A sociedade não pode permitir o êxtase. O êxtase é a maior das revoluções. Se as pessoas ficarem extasiadas, toda a sociedade vai mudar, porque a sociedade está baseada na infelicidade (dos escravos).

Se as pessoas são felizes, elas não podem ser conduzidas à guerra. Alguém feliz vai rir e dizer: "Isso não faz sentido!" Se as pessoas são felizes, não se pode fazer com que fiquem obcecadas por dinheiro. Acharão que é loucura passar a vida toda acumulando algo sem vida como o dinheiro.

Se as pessoas estiverem em êxtase, todo o padrão dessa sociedade terá que mudar. A sociedade existe por causa da infelicidade. A infelicidade é um grande investimento para ela. É para isso que criamos nossos filhos: desde a mais tenra infância, fomentamos uma tendência para a infelicidade. É por isso que todos sempre escolhem esse sentimento.

Em todo o instante existe a opção de ser infeliz ou feliz. Você sempre opta por ser infeliz porque há um investimento; isso se tornou um hábito, um padrão. A infelicidade parece uma descida, o êxtase parece uma subida. O êxtase parece muito difícil de alcançar - mas isso não é verdade. O que acontece é justamente o oposto: o êxtase é a descida e a infelicidade é a subida. A infelicidade é uma coisa muito difícil de alcançar porque é antinatural, mas você a alcançou, fez o impossível. Ninguém quer ser infeliz, mas todo mundo é.

A educação, a cultura, os pais, os professores - eles têm feito um grande trabalho. Têm transformado criadores extasiados em criaturas infelizes. Toda criança nasce extasiada. Toda criança nasce um deus. E todo homem morre louco. Como recuperar a infância, como reivindicá-la? Se você conseguir ser criança outra vez, não haverá mais tristeza.

Não estou dizendo que as crianças nunca sofram - elas sofrem, mas ainda assim não são infelizes. Uma criança pode ficar extremamente infeliz num momento, mas mergulha tão completamente nessa infelicidade, entra em tal comunhão com ela que não há divisão. Não há uma criança separada da infelicidade. Ela não está contemplando o sentimento como algo à parte dela. A criança é a infelicidade - está completamente envolvidda nela. E, quando você e a infelicidade se tornam uma coisa só, a infelicidade não é infelicidade. Se você comunga tão profundamente com ela, até mesmo a infelicidade adquire uma beleza só dela. Quando uma criança que não foi estragada está com raiva, toda a sua energia se torna a raiva: nada é deixado para trás, nada é contido. A criança se moveu e se tornou a raiva: ninguém está manipulando ou controlando essa raiva. Não há uma mente presente. E daí surge a beleza, o fluir da raiva. Uma criança nunca parece feia - até nos momentos de raiva ela é bela. Parece mais intensa, mais viva - um vulcão pronto pra entrar em erupção, um ser atômico, com todo o universo pronto para explodir.

Depois de toda essa raiva, a criança fica silenciosa, totalmente em paz. Ela se descontrai. Podemos achar que estava muito infeliz no momento da raiva, mas a criança não estava infeliz - ela usufruiu da raiva. Sempre que você entrar em comunhão com algo, se sentirá em êxtase. Sempre que se separar de algo, mesmo que seja da felicidade, você ficará infeliz.

Essa é a chave. Ficar separado como um ego é a base de toda a infelicidade; se você ficar em comunhão, fluindo com aquilo que a vida colocar em seu caminho - entranhado nisso tão intensa e completamente que você deixe de existir e se perca nisso - , todas as coisas passam a ser felizes.

A escolha exite, mas até mesmo a consciência disso foi perdida. Fique atento. Cada vez que estiver escolhendo ser infeliz, lembre-se de que é uma opção sua. Imediatamente sentirá a diferença. Seu estado mental terá mudado. Ficará mais fácil se voltar para a felicidade.

Depois que souber que se trata de uma escolha, passará a ser um jogo. Se você gosta de ser infeliz, seja infeliz, mas lembre-se de que é uma escolha sua - por siso não reclame. Ninguém é responsável por isso. Não saia por aí perguntando às pessoas como se faz para não ser infeliz. Não saia por aí questionando mestres e gurus sobre como se faz para ser feliz. Os pretensos gurus só existem porque você é um tolo. Primeiro cria a infelicidade e depois sai perguntando aos outros como se faz para não criá-la. Você continuará a criá-la porque não se dá conta do que está fazendo. A partir de agora, experimente ser feliz e bem-aventurado.

Duas maneiras de viver

Existem duas maneiras de viver, de ser, de saber: uma é a partir do esforço, da vontade, do ego; a outra é a partir da ausência de esforço, de luta, deixando-se levar pela existência.

Todas as religiões do mundo têm ensinado o primeiro jeito - brigar contra a natureza, contra o mundo, contra o seu próprio corpo, contra a mente. Só assim você poderia atingir a verdade, o supremo, o eterno. Mas existem provas suficientes de que essa vontade de dominar, esse caminho do ego, essa briga e essa guerra são um retumbante fracasso. Em milhões de anos, poucas pessoas atingiram a experiência suprema da vida, tão poucas que só provam a exceção, não a regra. Eu ensino o segundo jeito: não nade contra a corrente da existência, flua com ela. Lutar contra a existência é como tentar nadar rio acima, contra a corrente: a pessoa logo se cansa e não consegue chegar a lugar algum.

Nesta vasta existência, você é menor do que um átomo. Como você pode brigar contra o todo? Você foi criado pelo todo - como pode ser seu inimigo? A natureza é a sua mãe, não pode estar contra você. Seu corpo é sua própria vida, não pode ser contrário a você.

Eu ensino uma amizade com a existência. Não quero que você renuncie ao mundo, porque ele é nosso. Nada na existência é contra você. Basta aprender a arte de viver - não a arte de renunciar, mas a arte de se deleitar. É só uma questão de aprender uma arte para conseguir transformar o veneno em néctar.

Se você acha que, em algum lugar e de alguma forma, o seu corpo, a natureza ou o mundo estão contra você, pense que deve ser ignorância sua, deve haver alguma atitude errada de sua parte. Você não conhece a arte de viver, não se deu conta de que a existência não pode ser sua adversária. Você nasceu graças a ela, vive nela. A existência lhe concedeu tudo e você nem mesmo agradece. Pelo contrário, todas as religiões o ensinam a condená-la desde o princípio.

Qualquer religião que ensine a condenar a vida é venenosa. É contrária a vida, está a serviço da morte. Todas essas religiões são contra a natureza. Por que criam uma lógica segundo a qual, a menos que você se coloque contra este mundo, nunca será capaz de atingir o outro mundo, superior a este? Por que a divisão entre este mundo e o outro mundo? Não há razão para isso.

Se não fosse preciso renunciar a este mundo, mas vivê-lo em sua totalidade, o sacerdote não seria mais necessário. Se é preciso brigar com este mundo, renunciar a ele, então é preciso reprimir seus instintos naturais. Evidentemente, dessa forma você ficará doente. Colocando-se contra a natureza, você nunca estará saudável ou inteiro. Estará sempre dividido e esquizofrênico. Naturalmente, você necessitará de alguém para guiá-lo e ajudá-lo - precisará de um sacerdote.

Quando você se sente culpado, você vai à igreja, à mesquita, à sinagoga e pede ao padre, ao ministro, ao rabino para ajudá-lo porque, na escuridão profunda em que você está - que eles foram responsáveis por criar -, você se sente tão desamparado que precisa de alguém para protegê-lo, alguém que lhe mostre a luz. Você está tão desesperadamente carente que jamais sequer se perguntou se o sacerdote sabe mais do que você ou se ele não passa de um funcionário remunerado.

Seu problema se resume em olhar para dentro de si mesmo, onde está agora. Se você está infeliz, sofrendo, preocupado, angustiado, se falta algo na sua vida, se está descontente, não vê sentido em lugar algum e só está se deixando arrastar em direção à morte...

A escuridão continua ficando mais profunda, a cada dia que passa a morte se aproxima mais - será a hora de pensar em grandes problemas teológicos? É hora de mudar o seu ser. Você não tem muito tempo.

Além disso, os métodos que todas as religiões têm ensinado são beliciosos. Não levam a lugar algum, apenas retiram os prazeres de sua vida. Envenenam qualquer coisa que seja prazerosa. As religiões criaram uma humanidade triste. Eu gostaria que a humanidade estivesse cheia de amor, de música e de dança.

Quero que fique bem entendido que, no meu método, você não tem de brigar contra a corrente, nadando rio acima. Isso é estupidez, você não pode lutar, pois a corrente da natureza é grande demais e forte demais. A melhor maneira é aprender com os cadáveres: eles sabem alguns segredos que as pessoas vivas desconhecem (sempre seguem a corrente...).

Uma pessoa viva que não saiba nadar se afoga. Quando já estão mortas, voltam à superfície. Então há algo que os mortos sabem mas que as pessoas vivas desconhecem. Acontece que o morto está absolutamente entregue. Sequer tenta nadar. Os melhores nadadores flutuam, seguem a corrente como um cadáver, indo para onde que que o rio os leve, sempre correndo para o mar. Não é preciso saber se você está num rio sagrado ou não: sagrado ou profano, todo o rio está destinado a chegar ao mar, mais cedo ou mais tarde. Chamo isso de confiança: confiar que, onde quer que a existência o leve, ela o conduzirá ao caminho certo, ao objetivo certo. Ela não é sua inimiga, então confie que ela o levará sempre para a sua casa, seja ela onde for.

Se toda a humanidade aprender a relaxar, em vez de lutar, aprender a se deixar levar em vez de se esforçar ao máximo, haverá uma grande mudança na qualidade da consciência. Haverá pessoas descontraídas, movendo-se silenciosamente com o fluxo do rio, sem qualquer objetivo em mente, sem ego.

Flutuando de modo tão descontraído, você não pode ter ego. O ego exige esforço: é preciso fazer alguma coisa. O ego é um fazedor e, flutuando, você se torna um não-fazedor. Nessa inação, você ficará surpreso ao ver que as preocupações e infortúnios começam a se dissipar e você passa a se contentar com qualquer coisa que a existência lhe conceda.

Um místico sufi estava viajando. Toda noite, ele agradecia à existência: "Você fez tanto por mim e eu não fui capaz de retribuir, nunca sou capaz de retribuir". Seus discípulos ficavam um pouco revoltados, porque algumas vezes a vida era extremamente dura.

O místico sufi era um rebelde. Aconteceu de ficarem três dias sem comida porque, em toda aldeia por onde passavam, eram rechaçados por não serem muçulmanos ortodoxos. Tinham se juntado a um grupo rebelde de sufis. As pessoas não lhe davam abrigo para passarem a noite e, por isso, tinham de dormir no deserto. Tinham fome e sede há três dias. Ainda assim, na oração vespertina, o místico dizia à existência:
- Estou tão grato. Você nos tem concedido tanto e nós sequer retribuímos.
Um dos discípulos disse:
- Ela não nos dá tanto assim. Diga-nos, por favor, o que a existência nos concedeu nesses últimos três dias. Você está agradecendo à existência pelo quê?
O ancião deu uma risada e disse:
- Você ainda não se deu conta do que a existência nos concedeu. Esses três dias têm sido muito significativos para mim. Estou com fome, sede e não tenho abrigo; fomos rejeitados, condenados. Atiraram pedras em nós e tenho me observado - nenhuma raiva surgiu. Estou agradecendo à existência. Suas dádivas são inestimáveis.Nunca poderei retribuí-las. Três dias de fome, de sede, de falta de sono, com pessoas atirando pedras em nós... e, mesmo assim, não senti animosidade, raiva, ira, falta ou decepção. Só pode ser pela misericórdia e amparo da existência. Esses três dias me revelaram tantas coisas que não teriam sido mostradas se eu tivesse recebido comida, boas-vindas, abrigo e não tivessem atirado pedras em mim - e você me pergunta por que eu agradeço à existência? Agradecerei à existência até quando estiver morrendo, porque mesmo na morte sei que a existência está me revelando mistérios que não mostra em vida, pois a morte não é o fim, mas o clímax da vida.

Aprenda a fluir com a existência e não haverá culpa nem feridas. Não brigue com o seu corpo, ou com a natureza, e você estará em paz, em casa, calmo e sereno.

Essa situação o ajudará a ficar mais alerta, mais perceptivo, mais consciente, levando-o finalmente ao oceano do despertar definitivo - a libertação.

O corpo é seu amigo

Todas as religiões o têm ensinado a brigar com o corpo. Qualquer coisa natural é condenada. As religiões pregam que você tem de dar um jeito de fazer alguma coisa não-natural, pois só assim você pode sair da prisão da biologia, da fisiologia, da psicologia, de todos os muros que o cercam. Mas, se você vive em harmonia com o seu corpo, com a sua mente, com o seu coração, então as religiões dizem que você nunca conseguirá ir além de si mesmo. É por isso que eu sou contra todas essas religiões: elas colocaram uma semente envenenada no seu ser para que você viva no corpo mas não goste dele.

O corpo lhe serve durante 70, 80, 90 anos, até mesmo por 100 anos. Não existe outro mecanismo que a ciência tenha sido capaz de inventar que se compare a ele. Com toda a sua complexidade, ele faz milagres em seu benefício o tempo todo, mas jamais recebe um agradecimento seu. Seu corpo é tratado como um inimigo, embora seja seu amigo.

Ele cuida de você de todas as maneiras possíveis, acordado ou dormindo. Mesmo durante o sono, ele não deixa de cuidar de você. Se, enquanto dorme, uma aranha começa a andar na sua perna, a sua perna a joga longe sem incomodá-lo. Mesmo enquanto você dorme, o seu corpo permenece fazendo coisas das quais dificilmente tomamos conhecimento. Você come as coisas mais estranhas sem se preocupar em saber o que acontece depois que você as engole. Não pergunta ao corpo se seu metabolismo será capaz de digerir o que está comendo. Mas, de um modo ou de outro, seu metabolismo continua trabalhando a contento durante quase um século. Ele tem um sistema automático de reposição de peças com defeito. Não é preciso fazer nada, ele funciona por conta própria. O corpo tem uma sabedoria toda dele.

Entretanto, essas religiões continuam dizendo: "É preciso lutar o tempo todo, é preciso nadar contra a correnteza. Não ouça o corpo! Seja lá o que ele disser, faça o oposto". O jainismo prega: "Se o corpo tiver fome, deixe-o com fome, deixe-o faminto, ele precisa ser tratado assim". Isso certamente dá um grande poder a seu ego. Se o corpo quer alimento, diga "não". O "não" tem um grande poder - você é o mestre e reduz o corpo à escravidão: "Seja o que for que eu decida, isso será feito sem a sua interferência".

Não brigue com o corpo. Ele não é um adversário seu, mas seu amigo. É uma dádiva que a natureza lhe concedeu, é parte dela. Você não está ligado apenas à respiração, mas também aos raios do sol, à fragrância das flores, ao luar. Você está ligado a todos os lugares, ninguém é uma ilha. Esqueça essa idéia. Você faz parte de todo esse continente e mesmo assim foi dotado de uma individualidade. É o que chamo de milagre.

Portanto, se estiver em harmonia com o seu corpo, também estará em harmonia com a natureza, com a existência. Em vez de nadar contra a corrente, siga com ela. Entregue-se. Deixe a vida acontecer. Não force nada, em nome de nada. Não perturbe sua harmonia em nome de um livro sagrado, de um ideal sagrado.

Nada vale mais do que estar em harmonia e comunhão com o todo.

Respeite a vida, reverencie a vida. Não existe nada mais sagrado ou divino do que a vida. E ela não consiste em grandes coisas. Esses idiotas religiosos ficam dizendo "Faça coisas grandiosas"; no entanto, a vida consiste em pequenas coisas. A estratégia é clara. Dizem: "Faça coisas grandiosas, algo de grandioso, que faça com que seu nome seja lembrado pela posteridade". É claro que isso agrada ao ego, que é um agente do sacerdote. Todas as igrejas, todas as sinagogas e todos os templos têm um único agente: o ego. Entretanto, a vida consiste em coisas muito pequenas e, se você passou a se interessar por coisas supostamente "grandiosas", isso indica que você está deixando a sua vida passar em branco.

A vida consiste em sorver uma xícara de chá; bater papo com um amigo; fazer uma caminhada pela manhã, sem destino certo, sem objetivo, sem finalidade, sabendo que, a qualquer momento, você pode dar meia-volta ou pode cozinhar para alguém que ama ou para si mesmo, já que você ama o seu corpo. A vida consiste em lavar a roupa; limpar o chão; regar o jardim... Essas coisinhas pequenas.

Você pode fazer algo desnecessário e dizer olá para um estranho - não há por que se dirigir a um estranho. Contudo, aquele que é capaz de dizer olá a um estranho também pode dizer olá para as flores, para as árvores, pode cantar uma canção para os passarinhos. São só coisas pequenas, muito pequenas...

Respeite sua vida. Dessa forma, você estará respeitando também a vida das outras pessoas.

O fantasma do "tenho que"

Toda nossa educação - na família, na sociedade, na escola, na universidade - cria uma tensão em nós. E a tensão básica é a de que você não está fazendo aquilo que "tem" que fazer.

Isso continua pela vida toda, perseguindo-o como um pesadelo, sem nunca deixar de assombrá-lo. Se você relaxar, uma voz dirá: "O que está fazendo? Não pode relaxar, tem que fazer alguma coisa". Se estiver fazendo algo, a voz dirá: "O que está fazendo? Você precisa descansar um pouco, senão ficará louco - você já está no seu limite".

Se fizer algo de bom, ela dirá: "Você é um idiota. Não vale a pena fazer nada de bom, pois as pessoas o enganarão". Se fizer algo de ruim, a voz irá dizer: "O que está fazendo? Você está construindo o seu caminho para o inferno e sofrerá por isso". Ela nunca o deixará descansar: faça o que você fizer, ela o condenará.

Esse acusador foi implantado em você. Enquanto não conseguimos nos livrar desse acusador que vive dentro de nós, não poderemos ser verdadeiramente humanos, não poderemos ser realmente felizes nem poderemos participar da celebração que é a existência.

Ninguém pode eliminar esse acusador interno, só você. E esse não é um problema só seu, é um problema de quase todo ser humano. Seja qual for o país em que você nasceu, seja qual for a religião a que pertença, não importa - você pode ser católico, ateu, hindu, muçulmano, jainista, budista, não importa a que tipo de ideologia pertença, a essência é sempre a mesma. A essência é criar uma cisão dentro de si para que uma parte condene a outra. Se você obedecer a uma parte, a outra começará a condená-lo e a vida passa a ser um conflito interior, uma guerra civil.

Essa guerra civil tem de acabar, do contrário não será possível aproveitar toda a beleza, todas as bênçãos da vida. Jamais você conseguirá rir com toda a alegria que está em seu coração, nunca será capaz de amar nem estará totalmente presente em coisa alguma. É só essa presença total que faz com que a pessoa desabroche, com que a primavera chegue e sua vida comece a ter cor, música, poesia.

Somente a partir da totalidade torna-se possível perceber a presença de Deus em tudo o que o cerca. Mas a ironia é que seus pretensos santos, sacerdotes e igrejas criaram uma cisão. Na verdade, a figura do sacerdote tem sido o maior inimigo de Deus na Terra.

Temos de nos livrar de todos os sacerdotes - eles são a causa básica da patologia humana. Deixaram todo mundo nervoso, causaram uma epidemia de neurose. E a neurose passou a reinar de tal modo que nós a achamos natural. Achamos que a vida se resume a isso, que é assim mesmo: um longo e demorado sofrimento, uma existência dolorosa e angustiante. Em outras palavras, a autobiografia de uma tempestade num copo d'água.

Se olharmos para o que chamamos de vida, parecerá que é isso mesmo, porque nunca há sequer uma flor, uma canção no coração, um raio de alegria divina.

Não surpreende o fato de que pessoas inteligentes do mundo todo estejam se perguntando qual o sentido da vida. "Por que deveríamos continuar vivendo? Por que somos tão covardes a ponto de continuar vivos? Por que não temos coragem suficiente para pôr fim a toda essa bobagem? Por que não podemos cometer o suicídio?"

Em nenhuma outra época existiram tantas pessoas convictas de que a vida não tem significado algum. Durante séculos, pelo menos nos últimos 5.000 anos, os sacerdotes têm causado esse mal. Agora, a situação chegou a um clímax. Não é uma situação que provocamos - nós somos as vítimas da História. Se o homem se tornasse um pouco mais consciente, a primeira coisa que faria seria queimar todos os livros de História. Devemos esquecer o passado, foi um pesadelo completo. Vamos começar novamente do zero, como se Adão tivesse nascido outra vez. Comecemos como se estivéssemos mais uma vez no Jardim do Éden, inocentes, não contaminados...

Faça o que a sua natureza quer fazer, o que suas qualidades intrínsecas anseiam por fazer. Não dê ouvidos às escrituras. Ouça seu próprio coração; essa é a única escritura que prescrevo. Ouça com muita atenção, com muita consciência, e nunca estará errado. Ouvindo o seu coração, começará a tomar a direção correta, sem jamais pensar no que está certo ou errado.

Siga-o de qualquer maneira e vá aonde quer que o leve. Ele às vezes o colocará diante de perigos - mas lembre-se de que nesses casos alguns perigos são necessários para seu amadurecimento. Outras vezes o coração o levará a se extraviar - lembre-se, mais uma vez, que esses extravios fazem parte do crescimento. Muitas vezes, você cairá. Coloque-se de pé novamente, pois é assim que se fortalece - caindo e levantando-se outra vez. É assim que você se torna uma pessoa integrada.

Nunca siga regras impostas. Nenhuma regra imposta jamais pode estar certa, porque são inventadas por pessoas que querem dominá-lo. De fato, às vezes surgem pessoas muito iluminadas neste mundo - um Buda, um Jesus, um Krishna, um Maomé. Eles não impuseram regras ao mundo: ofereceram o amor que tinham. Contudo, cedo ou tarde os discípulos se reuniram e começaram a criar códigos de conduta. Depois que o Mestre se foi, depois que a luz se extinguiu e eles ficaram na mais completa escuridão, eles começaram a buscar novas regras para seguir, porque a luz que poderia guiá-los já não estava mais presente. Haviam passado a depender de regras.

O que Jesus fez foi seguir os sussurros do seu coração, mas os cristãos não seguem os sussurros do próprio coração. São imitadores - e, no momento em que você imita, insulta a sua própria humanidade, insulta o seu Deus.

Não seja um imitador, seja sempre original. Não se torne uma cópia. A vida é uma dança se você for original - é esse o seu destino. Não existem dois seres humanos iguais.

Inebrie-se do espírito, do silêncio do Mestre, aprenda a sua graça. Absorva o máximo possível do seu ser, mas não o imite. Inebriando-se de seu espírito, bebendo de seu amor, recebendo sua compaixao, você conseguirá ouvir os sussurros do seu coração. Não passam de murmúrios, pois o coração tem uma voz muito sutil e silenciosa.

Esqueça tudo o que tem ouvido por aí: "Isto está certo e aquilo está errado". A vida não é tão rígida. O que é certo hoje pode ser errado amanhã. A vida não pode ser dividida em compartimentos, não é fácil rotulá-la. Ela não é um laboratório de química onde cada frasco tem um rótulo e o conteúdo de todos eles é conhecido. A vida é um mistério; num dado momento, algo é certo. Numa outra ocasião, tanta água passou pelo Ganges que aquilo não se encaixa mais e passa a ser errado.

Qual é a minha definição de certo? Aquilo que está em harmonia com a existência é o certo; o que está em desarmonia com a existência é errado. Você terá de ficar sempre muito alerta, decidindo a cada momento o que é certo ou errado. Não pode depender de respostas prontas.

A vida passa depressa demais - é dinâmica, não estática. Não é uma poça estagnada: é como o rio Ganges, nunca pára de fluir. Nunca é a mesma em dois momentos consecutivos. A única saída, então, é fazer com que as pessoas fiquem tão alertas que elas próprias possam decidir de que modo responder a uma vida em constante mudança.

Uma antiga história zen:

Havia dois templos rivais. Os dois mestres tinham uma rixa tão grande que diziam a seus seguidores para nunca olharem para o outro templo.

Cada um dos sacerdotes tinha um menino para servi-lo, ir buscar coisas para ele, cumprir pequenas tarefas. O sacerdote de um dos templos disse ao garoto que o servia:

- Nunca fale com o moleque do outro templo. Essas pessoas são perigosas.

Mas garotos são garotos. Um dia, eles se encontraram na estrada e um deles perguntou:

- Para onde você vai?

O outro disse:

- Para onde quer que o vento me leve.

Ele devia ouvir os grandes conceitos zen que se discutiam no templo. "Para onde quer que o vento me leve". Uma grande afirmação, puro Tao.

Mas o outro garoto ficou extremamente embaraçado, ofendido e não soube o que responder. "Bem que o mestre me disse para não falar com essas pessoas, são realmente perigosas. Que tipo de resposta foi essa? Ele me humilhou". O menino voltou ao mestre e contou o que havia acontecido.

- Lamento ter falado com ele. O senhor estava certo, aquelas pessoas são estranhas. Perguntei: "Para onde você vai?" - uma pergunta simples e formal -, e sabia que ele estava indo ao mercado, como eu. Mas ele respondeu: "Para onde quer que o vento me leve".

O mestre disse:

- Eu o avisei, mas você não me ouviu. Amanhã, quando ele passar, pergunte: "Para onde você vai?" E ele responderá: "Para onde quer que o vento me leve". Então, seja também um pouquinho mais filosófico. Diga: "E se você não tivesse pernas? Porque a alma não tem corpo e o vento não pode levar a alma a lugar algum!" O que me diz?

O menino passou a noite toda repetindo a frase, preparando-se para o encontro. E, na manhã seguinte, saiu muito cedo, foi até o ponto de encontro e exatamente no mesmo horário o outro menino apareceu. Estava muito feliz, pois agora iria mostrar o que era filosofia de verdade. Então perguntou para onde o outro ia e ficou só esperando...

Mas o menino disse:

- Vou buscar verduras no mercado.

Ora, o que fazer com a filosofia qeu aprendera?

A vida é assim. Não há como se preparar, como estar pronto para ela. Sua beleza e seu encanto é o fato de estar sempre nos pegando desprevenidos.

Eu lhe ensino uma lei intrínseca da vida: obedeça a seu próprio eu, seja uma luz par si mesmo. Se seguir a luz, esse problema nunca surgirá. Desse modo, qualquer coisa que fizer será a coisa certa a fazer e qualquer coisa que deixar de fazer será a coisa certa para não fazer...

O único jeito de ficar em contato com a vida, de não ficar para trás é ter um coração destituído de culpa, um coração inocente. Esqueça tudo o que já te disseram sobre o que tem que ser feito e o que não deve ser feito. Ninguém pode decidir por você.

Evite esses farsantes que decidem por você, tome as rédeas em suas próprias mãos: você decide. Na verdade, é nesse ato de decisão que sua alma nasce. Quando os outros decidem em seu lugar, sua alma continua adormecida e obtusa. Quando você começa a decidir por si mesmo, também começa a ficar mais esperto. Decidir significa assumir riscos, significa que pode estar errado - esse é o risco. Quem sabe o que vai acontecer em seguida?

O que é velho tem garantias. Milhões e milhões de pessoas já fizeram o mesmo: como tantas pessoas poderiam estar erradas? Essa é a garantia. Se muitas pessoas dizem que algo está certo, então deve estar certo mesmo. Assuma todos os riscos necessários para ser um indivíduo e aceite os desafios para que você possa se aperfeiçoar, ficar mais hábil e inteligente.

A verdade não é uma crença - é inteligência absoluta. É o despertar das fontes ocultas da sua vida, é uma experiência iluminadora da sua consciência. Mas você terá de providenciar o espaço certo para que isso aconteça. E o espaço certo é a aceitação de quem você é. Não negue coisa alguma, não fique dividido nem se sinta culpado.

Desapegue-se da infelicidade

Deveria ser fácil deixar o sofrimento, a angústia e a infelicidade de lado. Você não quer ser infeliz, então não deveria ser difícil. Deve haver alguma complicação oculta. A complicação consiste no fato de que, desde a infância, não deixam que você fique feliz, extasiado, alegre.

Você tem sido obrigado a ser sério, e a seriedade pressupõe tristeza. Você foi obrigado a fazer coisas que nunca quis. Está impotente, fraco, é dependente das outras pessoas - é natural que tenha que fazer o que elas mandam. Contra a própria vontade, foi forçado a fazer tantas coisas que, pouco a pouco, uma questão ficou bem clara: tudo que estiver contra você estará certo e tudo que não estiver contra você estará errado. Ao longo dos anos, você cresceu dessa forma e se encheu de tristeza, o que não é natural.

Ser feliz é ser natural, assim como ser saudável é ser natural. Quando você está saudável, não vai ao médico perguntar: "Doutor, por que estou saudável?" Não há necessidade de fazer perguntas sobre sua saúde. Quando doente, contudo, imediatamente pergunta: "Por que não me sinto bem? Qual a razão, a causa da minha doença?"

É perfeitamente aceitável querer saber por que está infeliz. Errado é querer saber por que está feliz. Na sociedade em que você foi criado, a alegria e a felicidade que não possuem uma razão específica são tachadas de loucura. Se alguém sorri sem um motivo específico, as pessoas acham que você está de miolo mole - por que está sorrindo? Por que essa cara tão feliz? E se a pessoa responder "Não sei, só estou contente", essa resposta só confirmará a idéia de que há algo errado.

Porém, quando alguém está infeliz, ninguém pergunta o motivo. Ser infeliz é considerado natural, todo mundo é. Isso causa todo o sofrimento da humanidade, porque todo mundo está onde nao devia estar, sendo algo que não deveria ser. Como as pessoas não podem estar onde precisam - onde, por direito nato, deveriam estar -, são infelizes. Você tem vivido nesse estado, cada vez mais distanciado de si mesmo. Já esqueceu o caminho de volta para casa. Seja lá onde estiver, acha que está em casa - a infelicidade tornou-se seu lar e a angústia é uma segunda natureza. O sofrimento é aceito como se indicasse saúde, não doença.

Quando alguém lhe diz "Saia dessa vida infeliz, deixe de lado esse sofrimento que está carregando desnecessariamente", uma questão vem à tona: "Isso é tudo que temos! Se deixarmos isso de lado, não seremos ninguém, perderemos a nossa identidade. Pelo menos agora eu sou alguém - sou infeliz, triste, sofrido. Se abandonar tudo isso, terei de descobrir minha identidade. Quem sou eu?" Ninguém quer ficar pelado no meio da rua.

É melhor ser infeliz - pelo menos você tem algo que vestir, embora seja a tristeza... mas não faz mal, todo mundo está vestindo o mesmo tipo de roupa.

Essas são as duas possibilidades.

A terceira possibilidade foi completamente esquecida. A terceira é a sua realidade, e nela não há nem um pingo de infelicidade. A natureza intrínseca do ser humano é o êxtase.

O êxtase não é algo que precise ser alcançado. Já está presente, você nasceu com ele. Nunca o perdemos, apenas nos afastamos demais dele, voltando as costas para nós mesmos. Ele está bem atrás de nós; basta uma pequena virada para que ocorra uma grande revolução.

Existem, porém, falsas religiões ao redor do mundo que dizem que você é infeliz porque, no passado, cometeu más ações. Tudo bobagem. Afinal, por que a existência precisaria esperar uma vida inteira para castigá-lo? Na natureza, as coisas acontecem de imediato. Por acaso você põe a mão no fogo e, na vida seguinte, ela será queimada? Que estranho! Não, você será queimado no mesmo instante, no ato. Causa e efeito estão ligados, não pode haver distância entre eles.

Mas as falsas religiões continuam consolando as pessoas: "Não se preocupem. Pratiquem bons atos, mostrem mais devoção. Vão ao templo ou à igreja e a sua próxima vida não será tão miserável". Parece que ninguém paga à vista, tudo fica para a vida seguinte. E ninguém volta da vida seguinte para dizer: "Essas pessoas só estão falando mentiras".

Religião é dinheiro na mao; não é sequer um cheque.

Cada religião encontrou uma estratégia diferente, mas a razão é sempre a mesma. Cristãos, judeus, muçulmanos dizem às pessoas: "Vocês estão sofrendo porque Adão e Eva cometeram um pecado". O primeiro casal que existiu, milhares de anos atrás... e nem mesmo foi um grande pecado - e você o comete todos os dias. Eles simplesmente comeram maçãs e Deus os tinha proibido de fazer isso. A questão não é a maçã, a questão é que, milhares de anos atrás, alguém desobedeceu a Deus. Essas pessoas foram castigadas, expulsas do Jardim do Éden, do paraíso de Deus. Por que nós estamos sofendo? Porque eles eram nossos antepassados.

A realidade é bem diferente. Não é uma questão de cometer maus atos; a questão é que você foi afastado de si mesmo, de seu êxtase natural. E nenhuma religião quer que você fique em êxtase - do contrário, o que aconteceria às suas disciplinas? O que aconteceria às suas grandes práticas ascetas? Ao dinheiro que você dá para essas entidades?

Se deixar a infelicidade de lado for tão fácil quanto eu digo, todas as falsas religiões perderão seus grandes negócios. Tudo é um negócio para elas. O êxtase tem de ser algo tão difícil, quase impossível de alcançar, de forma que as pessoas só possam ter esperança de atingi-lo numa vida futura, depois de longas e penosas jornadas.

Mas digo por experiência própria: para mim, tudo aconteceu com muita facilidade. Também vivi muitas vidas passadas e certamente devo ter cometido maus atos num número muito maior do que qualquer pessoa - porque não os considero maus atos. Apreciar a beleza, apreciar o sabor, apreciar tudo o que deixa a vida mais fácil de ser vivida, mais cheia de amor, nada disso é ruim para mim.

Quero que você fique mais sensível, mais esteticamente sensível a essas coisas. Elas o tornarão mais humano, o deixarão mais terno, mais grato pela vida.

Não se trata de uma questão teórica para mim. Simplesmente aceitei o nada como uma porta - que chamo de meditação, apenas um outro nome para o nada. E, no momento em que o nada surge repentinamente, em que você fica cara a cara consigo mesmo, toda a infelicidade desaparece.

A primeira coisa que você faz é rir de si mesmo, do idiota que é. Essa infelicidade nunca existiu, você a criou com uma mão e tentou destruí-la com a outra - e, naturalmente, você ficou dividido, num estado de esquizofrenia.

A coisa mais simples da vida é ser você mesmo. Não exige nenhum esforço; você já é você mesmo.

Basta lembrar-se... basta jogar fora todas as idéias estúpidas que a sociedade te impôs. E isso é tão simples quanto uma cobra que troca de pele sem nunca olhar para trás. Trata-se apenas de uma pele velha.

Se você entender, isso pode acontecer neste mesmo instante. Pois, neste exato momento, você consegue ver que não existe infelicidade, não existe angústia (são apenas criações suas). Está em silêncio, parado na porta do nada - dê um passo à frente e encontrará o maior dos tesouros esperando por você há milhares de vidas.

Tome consciência do êxtase

A mente em geral está consciente da dor, mas nunca do êxtase. Se você tem dor de cabeça, você está consciente dela. Se você não tem dor de cabeça, você não se dá conta do bem-estar. Quando o corpo doi, você fica consciente dele, mas quando o corpo está perfeitamente saudável, você não tem consciência da sua saúde.

Essa é a causa básica que faz com que você se sinta tão infeliz: toda a nossa consciência está concentrada na dor. Nós só contamos os espinhos - nunca olhamos para as flores. De algum modo, escolhemos os espinhos e ignoramos as flores. Por uma razão biológica, a natureza fez com que você tivesse consciência da dor para poder evitá-la. De outro modo, sua mão podia ser queimada sem que você notasse, seria difícil sobreviver. A natureza, no entanto, não tem qualquer sistema para deixá-lo consciente do prazer, da alegria, da bem-aventurança. Isso tem que ser aprendido, tem que ser praticado. Trata-se de uma arte.

Deste momento em diante, procure ficar consciente das coisas que são naturais. Por exemplo, seu corpo está saudável: sente-se silenciosamente e tome consciência dele. Sinta o bem-estar. Não há nada de errado com você - aproveite! Faça um esforço deliberado para ter a percepção disso. Você se alimentou bem e o seu corpo está satisfeito, saciado: tome consciência disso.

Quando você está com fome, a natureza o deixa consciente disso, mas não existe um sistema para deixá-lo consciente quando você está saciado, é algo que tem de ser desenvolvido. A natureza precisa aprimorar essa capacidade porque a sobrevivência é tudo o que ela tem em vista - qualquer coisa além disso é luxo. A felicidade é um luxo, o maior luxo que existe.

Observo que é isso que faz com que as pessoas sejam tão infelizes - na verdade, elas não são tão infelizes quanto parecem. Elas têm muitos momentos de grande alegria, mas esses momentos passam em branco, pois elas nunca tomam consciência deles. A memória das pessoas está sempre cheia de dor e de feridas. A mente, sempre cheia de pesadelos. Num período de 24 horas acontecem milhares de coisas pelas quais você daria graças a Deus, mas você sequer se dá conta delas!

Você precisa começar a fazer isso a partir de agora. Ficará surpreso ao ver que a alegria aumentará dia após dia, enquanto a dor e a tristeza diminuirão proporcionalmente, até chegar o dia em que a vida será quase só uma celebração. A dor só surgirá de vez em quando e fará parte do jogo. Você não ficará abalado nem perturbado, apenas aceitará.

Se você aprecia a sensação de saciedade que surge depois que você come, sabe que a fome provoca uma leve dor... e isso é bom. Se você teve uma boa noite de sono e pela manhã se sentiu vivo e revigorado, sabe que, se passar uma noite sem dormir, sentirá um leve mal-estar, mas isso também faz parte do jogo.

Sei por experiência própria que a vida consiste de 99% de alegria e 1% de dor. Contudo, a vida das pessoas normais consiste em 99% de dor e 1% de alegria - está tudo invertido.

Fique cada vez mais consciente do prazer, da felicidade, do lado positivo, das flores, dos pequenos raios de sol em meio às nuvens negras. Seja otimista.

Fonte: Osho, Corpo e mente em equilíbrio, Editora Sextante, 2008.

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