quinta-feira, janeiro 11, 2007

 

O Segredo da Vida, da Luz e do Amor - 4


A Queda do Homem

O Adão espiritual era uma emanação divina, contendo os dois sexos num só indivíduo. É próprio da natureza das coisas que o Pensamento seja sempre limitado pela ordem da inteligência que lhe dá origem. O poder do pensamento como agente criador é, em si mesmo, ilimitado, porém, a sua ação é limitada pela concepção particular para cuja formação é emitido.

Lembre-se de que a sua existência é um drama cuja ação se passa em três mundos: espiritual, intelectual e físico. No mundo espiritual, que é o do Ideal Supremo, não existe mais que o potencial do absolutamente perfeito. É em relação a isso que a Bíblia diz que Deus viu que tudo o que fizera era bom, os olhos divinos nada encontrando que estivesse errado. Não se deve esquecer que essa criação, absolutamente boa, inclui também o homem.

Ao descer ao mundo intelectual, que é o da concepção humana das coisas, tudo é inteiramente diferente e há ocasião para toda espécie de falsas concepções, resultantes de correspondente direção errada do instrumento humano de criação, que é o Pensamento, o qual produz assim correspondentes realidades malformadas.

No Evangelho segundo os Egípcios, diz-se que perguntaram a Jesus quando viria o Reino dos Céus, e ele respondeu: "Quando o que está fora (corpo) for como o que está dentro", ou, em outras palavras, quando a perfeição da essência espiritual mais íntima se reproduzir na parte exterior.

A história da "queda" expõe como se deu a involução dessa natureza espiritual nas naturezas inferiores, intelectual e material, somente por meio da qual pode o Homem obter a sua individualização, tornando-se realidade e não permanecendo apenas como um sonho divino. Deve-se ver em Adão e Eva dois princípios, um dos quais é capaz de ser enganado e o foi, caindo em conseqüência desse engano; e outro, que é incapaz de ser enganado, mas se acha envolvido na queda do primeiro. Os nomes de Adão e Eva fornecem esclarecimentos para se chegar à solução desse problema.

O Gênese diz que Eva foi assim chamada por ser a mãe de todos os viventes. Eva é, pois, a Mãe da Vida, o princípio que faz do homem uma alma vivente. Pelo contrário, Adão quer dizer "barro", "terra vermelha", e pode significar, conforme outra derivação, ausência de respiração ou de vida; e assim, tendes nesses dois nomes a designação de dois princípios, um dos quais é "respiração" e "transmissão de vida", ao passo que o outro é ausência de respiração e vida, e nada mais que terra.

Não há dificuldade em reconhecer nesses dois princípios a Alma e o Corpo. O corpo humano é formado de certos elementos químicos, e essas substâncias certamente não podem ser enganadas, porque não têm inteligência, e todo engano, para existir, deve ser aceito pela alma ou princípio intelectual, que é Eva, a mãe da vida individual.

Assim, pois, sendo a alma a vida e a formadora do corpo, o engano que resulta do pensar errôneo da parte do homem intelectual se reproduz na imperfeição física e nas circunstâncias externas contrárias.

A ignorância da Lei Divina da Criação não nos permite ver além das causas secundárias; e, portanto, como seu próprio poder criador de pensamento está continuamente produzindo condições externas, que representam suas próprias concepções, você se envolve cada vez mais nas malhas de uma rede de circunstâncias, da qual não pode encontrar saída. Não sabemos dizer como essas circunstâncias se apresentaram, e assim não podemos desvencilhar-nos delas pelos nossos próprios esforços.

Damos a isso o nome de sorte cega e implacável, Providência imperscrutável; porém, ignorando a verdadeira Lei da Causa Primeira, nunca podemos suspeitar que o fato real está em que nós mesmos fomos a força produtora de todas essas desarmonias.

Nisso está o grande engano: Acreditar na serpente, isto é, na idéia da vida que vê somente a causa secundária, e, por conseguinte, aceitar o Conhecimento do Mal como sendo tão necessário como o Conhecimento do Bem, e assim comer do fruto da árvore do Bem e do Mal.

É esse aspecto dual do saber que é mortal, pois a Escritura não condena o conhecimento em si.

O que é mortal para a alma humana é a idéia de que o Mal é assunto de conhecimento como o Bem, porque, admitindo que o Mal seja assunto de conhecimento, atribui-se-lhe uma existência substancial que não tem, ou, por outras palavras, é considerado como uma coisa que tem força original, e isso não é verdade.

Assim, pela Lei da ação criadora de seu pensamento [ligada à Lei da Atração], você dá existência ao Mal, não tendo ainda penetrado o grande segredo da diferença entre as causas e as condições.

A sua queda resultou, pois, de separar-se mentalmente da Causa Primeira, atribuindo um valor não-existente a uma causa secundária, produzida ignorantemente pelo homem primitivo no seu desejo de viver.

Esta ilusão não é coisa que se deu primitivamente apenas para os pais da humanidade, mas é um fato que se dá continuamente para cada indivíduo que vive no plano terrestre.

Com a sua compreensão do verdadeiro objetivo da vida, você dedicará um maior interesse ao seu progresso espiritual, e assim ficará livre dessa ilusão, tornando-se senhor da situação em todos os planos e não escravo das circunstâncias materiais, como é agora.

[continua]

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