terça-feira, outubro 16, 2007
O Visível e o Invisível
Fonte: Omraam Mikhaël Aïvanhov, Acerca do Invisível, Edições Prosveta, Lisboa, 1988.
Se é tão difícil fazer admitir aos humanos a realidade de um mundo que não vêem, é porque eles ainda não possuem, para o observar e o apreender, órgãos tão desenvolvidos como aqueles que lhes permitem entrar em contato com o mundo físico: o tato, a vista, o ouvido, o olfato e o paladar.
A idéia de que existe um outro mundo povoado de inúmeros seres invisíveis, mas tão reais como aqueles com que nos acotovelamos todos os dias, alguns dos quais são mais evoluídos que o homem, é algo inverosímil, ou mesmo inconcebível, para a maior parte das pessoas. Tudo aquilo que elas não vêem e que os instrumentos mais aperfeiçoados que a ciência utiliza (microscópios, telescópios, etc.) não podem detectar, por hipótese não existe. Pois bem, este é um péssimo raciocínio. Será que essas pessoas conseguem ver aquilo que há de mais essencial para elas: a sua própria vida?... Um homem está estendido no solo; ele é visível, é palpável, mas está morto: houve algo invisível que o deixou, esse algo que o fazia andar, amar, falar e pensar. E podeis colocar ao seu lado todo o alimento e todos os tesouros do mundo dizendo-lhe: "Tudo isto é para ti, meu caro, alegra-te!", que não haverá nada a fazer, ele não se mexerá. Então, como é possível pôr-se em dúvida a existência de um mundo invisível?
O mundo visível não seria nada se não estivesse animado, se não fosse sustentado pelo mundo invisível. Na origem do visível, há que procurar sempre o invisível. Se o mundo existe para vós, se podeis ver o céu, o sol e a terra, é graças a esse princípio invisível existente em vós, que vos permite descobrí-los através dos instrumentos visíveis que são os vossos olhos. Se esse princípio invisível lá não estivesse, os vossos olhos não vos serviriam para nada, vós não veríeis. O mundo visível não passa de um suporte do mundo invisível, sem o qual nada poderíamos conhecer de tudo aquilo que existe em redor de nós.
Aqueles que recusam tão categoricamente a existência do mundo invisível, provam muito simplesmente que não refletem. Pois, com o que é que eles se ocupam dia e noite? Será que vêem os seus pensamentos, os seus sentimentos? Não. Então, como é possível que esses pensamentos e esses sentimentos representem para eles uma certeza absoluta? Alguém, que esteja apaixonado, duvida do seu amor? Não o vê, não lhe toca, mas por causa dele sente-se capaz de remover o céu e a terra. E a alma, e a consciência? Quem é que as viu? Quando se diz: "De alma e consciência eu condeno este homem", decide-se a sorte de uma pessoa em nome de algo que nunca se viu e de cuja existência até se duvida: será isto razoável?
Sem querer reconhecê-lo, os humanos não crêem senão em coisas invisíveis, impalpáveis. Eles pensam, sentem, amam, sofrem e choram, sempre por motivos invisíveis, mas ao mesmo tempo teimam em fingir que não acreditam no mundo invisível. Que contradição! E quantos crimes são cometidos simplesmente porque as pessoas tomam como realidade tudo aquilo que lhes passa pela cabeça. Um marido ciumento suspeita de que a sua mulher o engana e, mesmo sem o ter verificado, mata-a. Um outro suspeita de que um seu concorrente planeja a sua ruína e eis mais um morto.
As pessoas nunca põem em dúvida aquilo que pensam ou sentem, estão absolutamente convencidas de que é a verdade. Quando lhes expomos o nosso ponto de vista, dizem: "Eu vou ver... vou estudar a questão... vou investigar", mas em relação àquilo que elas pensam e sentem nunca há nada a estudar, é a única realidade. Numa certa perspectiva, têm razão: a partir do momento em que gritam de alegria ou de dor, como podem duvidar da realidade daquilo que sentem? As realidades interiores são realidades indiscutíveis. São mesmo entidades vivas e é porisso que os Iniciados ensinam a existência de um mundo invisível, impalpável, que é a única realidade. Aliás, este mundo dito "invisível" não é assim tão invisível para eles: é visível, tangível, palpável, percorrido por criaturas, por correntes, por luzes, por cores, por formas e por perfumes muito mais reais que os do plano físico; eles conhecem-no e estudam-no.
Sim, é um erro acreditar que as emoções, os sentimentos, os pensamentos, tudo o que pertence ao mundo psíquico, espiritual, não pode ser estudado com precisão. Todos os cientistas que deixaram de lado este mundo pensando que não existem aparelhos para o estudar, enganam-se: esses aparelhos existem e são ainda mais precisos e verídicos que aqueles que medem os fenômenos do plano físico. Na química ou na física admite-se sempre, nas medições e nos cálculos, uma margem de erro possível e quase inevitável. Não se pode pesar uma substância ao rigor do elétron. No entanto, na ciência do mundo invisível, até um elétron é contado, pesado, calculado: reina nela uma precisão absoluta.
Sim, a vida, a vida interior, espiritual, pode ser estudada e ainda com maior exatidão que o plano físico, mas na condição de se ter desenvolvido esses instrumentos de precisão absoluta que são os órgãos espirituais. Enquanto não se tiver desenvolvido esses órgãos, não se terá o direito de negar a realidade do mundo invisível. Aliás, nem sequer os seus cinco sentidos o homem desenvolveu grandemente. Alguns animais vêem, ouvem, farejam, captam manifestações que nós somos incapazes de apreender: os cheiros, os ultra-sons, certas radiações luminosas ou ainda certos indícios anunciadores de tempestades, de terremotos, de epidemias, etc.
A única atitude razoável que os cientistas podem tomar é, pois, a de dizer: "O ponto em que se encontram os nossos conhecimentos não nos permite pronunciarmo-nos, temos de continuar a estudar a questão". Mas, em vez disso, pronunciam-se e induzem a humanidade ao erro. São, pois, responsáveis, e um dia pagarão isso muito caro, pois a sua responsabilidade está registrada e o Céu é implacável para com aqueles que enganam os humanos. Todos esses "cientistas" que se julgam os senhores da verdade universal, não se apercebem de que, com as suas próprias limitações, bloqueiam não somente o seu caminho mas também o de toda a humanidade. Como é que se compreende que, quando um explorador se deslocou até aos confins do mundo e, depois, relata que viu um determinado país atravessado por um determinado rio, povoado de determinados habitantes, as pessoas acreditam, mas, no entanto, recusam-se a acreditar em todos aqueles que foram visitar outras regiões, regiões espirituais, e que regressam para relatar a sua viagem? Aqueles viajantes poderiam estar a mentir, contudo as pessoas acreditam neles, mas quando se trata dos exploradores do mundo invisível, aí já duvidam sistematicamente das suas palavras.
Todos os livros sagrados de todas as religiões mencionam a existência de criaturas invisíveis cuja presença não é isenta de conseqüências para a vida e para o destino dos humanos. A religião cristã dividiu-as em duas grandes categorias: os espíritos da luz e os espíritos das trevas, os anjos e os demônios. Outras tradições insistiram mais nos espíritos da Natureza que habitam os quatro elementos. Todas essas entidades, e particularmente as Hierarquias angélicas, mencionadas na Cabala, são retomadas pela tradição cristã.
Eu acredito no mundo invisível, não creio mesmo noutra coisa: toda a nossa existência é regida, impregnada, pelo mundo invisível. Mesmo as nossas sensações de bem estar e de alegria, assim como as nossas sensações de sofrimento e de desgosto, estão ligadas à presença de criaturas invisíveis que nós atraímos pela nossa forma de viver. Vós direis: "Nós não as vemos, portanto elas não existem". Escutai: será que se pode pedir a um cego que se pronuncie sobre aquilo que nunca vê? Se fôsseis clarividentes, quando sentis uma grande alegria veríeis uma multidão de seres alados a correr atrás de vós, carregados de presentes de luz, cantando e dançando, deixando à sua passagem traços de cores iridiscentes e os mais deliciosos perfumes. E, quando sofreis de inquietação ou de angústia, também se fôsseis clarividentes, veríeis entidades inquietantes que vêm puxar-vos os cabelos, arranhar-vos, picar-vos. A essas entidades, a tradição esotérica chamou "indesejáveis"; elas aproximam-se dos humanos, dizendo: "Ah, esta fulana, este fulano, interessam-nos! Façamo-los sofrer, será divertido ver como eles gritam e gesticulam" (Vimos, em outra ocasião, que essas entidades se alimentam da energia liberada pelos humanos nessas condições estressantes). Pois bem, eis o que se passa quando vos sentis infelizes, atormentados.
Evidentemente, no Século XXI, as sumidades intelectuais da medicina não podem admitir a idéia de que entidades benfazejas ou malfazejas visitam os humanos para os ajudar, ou consolar, ou, pelo contrário, para os atormentar e os destruir. Segundo eles, são os elementos químicos que perturbam ou restabelecem o bom funcionamento do psiquismo. Pois bem, é verdade que são os elementos químicos, mas de onde eles vêm? Esses elementos químicos são a concretização da presença de espíritos benfazejos ou malfazejos atraídos pelo próprio homem. Se os humanos, pelas suas fraquezas, pelas suas transgressões, abrem a porta às entidades tenebrosas, estas entram e produzem perturbações a que os psicólogos e os psicanalistas chamam toda a espécie de nomes, mas que, na realidade, têm uma única origem: a presença de indesejáveis atraídos pela nossa forma defeituosa de viver.
Esses fatos estão muito bem explicados em todos os livros sagrados e tem havido clarividentes a constatá-los. Mas enquanto os humanos não tiverem desenvolvido as faculdades espirituais que permitem conhecer o mundo invisível, enquanto duvidarem dos conhecimentos da Ciência Iniciática, formarão sempre uma filosofia baseada unicamente nas observações dos cinco sentidos e as conclusões desta filosofia serão obrigatoriamente falsas.
Para esclarecer esta questão dos indesejáveis, basta ver o que se passa com todos esses organismos microscópicos que não param de ameaçar e destruir os humanos! Quer se lhes chame micróbios, vírus, bacilos ou bactérias, há quanto tempo conseguiram os biólogos descobrí-los graças aos seus microscópios? Apenas há pouco mais de um século. Antes da sua descoberta, atribuiam-se às doenças as causas mais inverosímeis. Agora, sabe-se que as doenças são causadas por todos esses "animalejos" cuja natureza, em certos casos, ainda nem sequer foi muito bem identificada. Mas os resultados estão lá: as doenças, a morte. Pois bem, aquilo que se passa no plano físico passa-se igualmente nos planos astral e mental, e os resultados também surgem: a angústia, os tormentos, as obsessões, a loucura. Simplesmente, não existem ainda microscópios suficientemente aperfeiçoados para poder detectar esses vírus do plano astral e mental.
No domínio psíquico, espiritual, os humanos estão ainda como na época anterior a Pasteur: dado que não se viam os micróbios, não se tomavam nenhumas precauções contra eles. Da mesma forma, como não vêem os micróbios do plano psíquico - os indesejáveis -, os humanos não tomam qualquer precaução a este respeito. Talvez venha brevemente um outro Pasteur com novos instrumentos graças aos quais se poderá ver as entidades astrais que destroem os humanos imprudentes. Mas, entretanto, é preferível admitir a sua existência e sobretudo aprender a proteger-se deles levando uma vida ajuizada, sensata.
Certos cabalistas, que eram clarividentes, viram essas entidades e até lhes atribuiram nomes. Esses nomes, que eles lhes deram tendo em conta o valor numérico de cada letra, exprimem exatamente as características desses espíritos. Eu conheço-os, mas não vo-los quero comunicar para que não tenhais qualquer contato com eles. É preciso ser muito forte, possuir uma aura muito poderosa e saber trabalhar com a luz, com as cores, para estudar essas entidades sem perigo. Em todo o caso, quer acrediteis nisso quer não, se não estiverdes muito atentos, não podereis impedir os indesejáveis de vos prejudicar. Por que é que Jesus disse "Vigiai e orai" e "Estai atentos, porque o diabo, como um leão que ruge, está pronto a devorar-vos"? Poderia Jesus ter dito coisas sem importância? E como é que os humanos, se conhecessem assim tão bem a realidade das coisas, seriam vítimas de tantas preocupações? É necessário, pois, que os humanos recuperem aquela sabedoria abandonada, desprezada, para transformarem finalmente a sua existência.
O espaço está povoado por bilhões de entidades malfazejas que juraram levar a humanidade à perdição. Claro que está também povoado por bilhões de entidades luminosas que estão lá para a ajudar e a proteger. Sim, mas a sua ajuda e a sua proteção nunca serão absolutamente eficazes se o próprio homem não fizer nada para seguir no bom caminho. E também nenhum Mestre será capaz de vos proteger se vos obstinardes em levar uma vida irracional. Um Mestre instrui-vos e esclarece-vos, ele procura inclusive influenciar-vos pelos seus pensamentos e sentimentos, mas se, devido à vossa ligeireza, à vossa superficialidade ou até à vossa má vontade, destruirdes todo o seu bom trabalho e abrirdes as vossas portas às entidades tenebrosas, que poderá ele fazer?...
Aquele que quer verdadeiramente avançar no caminho da evolução deve, pois, começar por desenvolver a sua sensibilidade em relação ao mundo invisível. Mas isso mais não é que um preliminar, pois não basta admitir a existência de entidades e de correntes que povoam o espaço ou que habitam em nós, é preciso esforçarmo-nos por iniciar um trabalho construtivo com essas entidades e essas correntes. Pois tudo isto é novo para vós, não é verdade? Estais preocupados em pôr tudo em ordem no plano físico, na vossa casa, no vosso local de trabalho ou mesmo na vossa aparência exterior, e fazeis muito bem, mas interiormente, nos vossos pensamentos e sentimentos, deixais tudo desorganizado, porque não credes que esses pensamentos e esses sentimentos pertencem a um mundo que existe realmente e no qual devemos trabalhar para o ordenar, o harmonizar e o embelezar.
O que as pessoas não fazem por aquilo que é visível! E durante todo esse tempo o invisível lá está, completamente abandonado. Pois bem, de ora em diante é preciso mudar de atitude: o mundo invisível é uma realidade e uma realidade mais importante que o mundo visível; portanto é dele que devemos ocupar-nos antes de tudo o mais.
E quando vos concentrais nesse trabalho interior, sentis que tudo o que estais a viver de puro e luminoso, vos liga a outras existências, a outras correntes, até ao infinito. Enquanto concentrais a vossa atenção unicamente no mundo visível, material, limitais-vos, ficais mais pobres e materializais-vos vós também. Ao passo que se trabalhardes com o mundo invisível, que é a riqueza, que é a imensidão, ligar-vos-eis a todas essas forças criadoras, a todas essas entidades luminosas que circulam através das estrelas, das constelações, a todos os mundos que povoam o Universo, e saboreareis a vida divina...
A idéia de que existe um outro mundo povoado de inúmeros seres invisíveis, mas tão reais como aqueles com que nos acotovelamos todos os dias, alguns dos quais são mais evoluídos que o homem, é algo inverosímil, ou mesmo inconcebível, para a maior parte das pessoas. Tudo aquilo que elas não vêem e que os instrumentos mais aperfeiçoados que a ciência utiliza (microscópios, telescópios, etc.) não podem detectar, por hipótese não existe. Pois bem, este é um péssimo raciocínio. Será que essas pessoas conseguem ver aquilo que há de mais essencial para elas: a sua própria vida?... Um homem está estendido no solo; ele é visível, é palpável, mas está morto: houve algo invisível que o deixou, esse algo que o fazia andar, amar, falar e pensar. E podeis colocar ao seu lado todo o alimento e todos os tesouros do mundo dizendo-lhe: "Tudo isto é para ti, meu caro, alegra-te!", que não haverá nada a fazer, ele não se mexerá. Então, como é possível pôr-se em dúvida a existência de um mundo invisível?
O mundo visível não seria nada se não estivesse animado, se não fosse sustentado pelo mundo invisível. Na origem do visível, há que procurar sempre o invisível. Se o mundo existe para vós, se podeis ver o céu, o sol e a terra, é graças a esse princípio invisível existente em vós, que vos permite descobrí-los através dos instrumentos visíveis que são os vossos olhos. Se esse princípio invisível lá não estivesse, os vossos olhos não vos serviriam para nada, vós não veríeis. O mundo visível não passa de um suporte do mundo invisível, sem o qual nada poderíamos conhecer de tudo aquilo que existe em redor de nós.
Aqueles que recusam tão categoricamente a existência do mundo invisível, provam muito simplesmente que não refletem. Pois, com o que é que eles se ocupam dia e noite? Será que vêem os seus pensamentos, os seus sentimentos? Não. Então, como é possível que esses pensamentos e esses sentimentos representem para eles uma certeza absoluta? Alguém, que esteja apaixonado, duvida do seu amor? Não o vê, não lhe toca, mas por causa dele sente-se capaz de remover o céu e a terra. E a alma, e a consciência? Quem é que as viu? Quando se diz: "De alma e consciência eu condeno este homem", decide-se a sorte de uma pessoa em nome de algo que nunca se viu e de cuja existência até se duvida: será isto razoável?
Sem querer reconhecê-lo, os humanos não crêem senão em coisas invisíveis, impalpáveis. Eles pensam, sentem, amam, sofrem e choram, sempre por motivos invisíveis, mas ao mesmo tempo teimam em fingir que não acreditam no mundo invisível. Que contradição! E quantos crimes são cometidos simplesmente porque as pessoas tomam como realidade tudo aquilo que lhes passa pela cabeça. Um marido ciumento suspeita de que a sua mulher o engana e, mesmo sem o ter verificado, mata-a. Um outro suspeita de que um seu concorrente planeja a sua ruína e eis mais um morto.
As pessoas nunca põem em dúvida aquilo que pensam ou sentem, estão absolutamente convencidas de que é a verdade. Quando lhes expomos o nosso ponto de vista, dizem: "Eu vou ver... vou estudar a questão... vou investigar", mas em relação àquilo que elas pensam e sentem nunca há nada a estudar, é a única realidade. Numa certa perspectiva, têm razão: a partir do momento em que gritam de alegria ou de dor, como podem duvidar da realidade daquilo que sentem? As realidades interiores são realidades indiscutíveis. São mesmo entidades vivas e é porisso que os Iniciados ensinam a existência de um mundo invisível, impalpável, que é a única realidade. Aliás, este mundo dito "invisível" não é assim tão invisível para eles: é visível, tangível, palpável, percorrido por criaturas, por correntes, por luzes, por cores, por formas e por perfumes muito mais reais que os do plano físico; eles conhecem-no e estudam-no.
Sim, é um erro acreditar que as emoções, os sentimentos, os pensamentos, tudo o que pertence ao mundo psíquico, espiritual, não pode ser estudado com precisão. Todos os cientistas que deixaram de lado este mundo pensando que não existem aparelhos para o estudar, enganam-se: esses aparelhos existem e são ainda mais precisos e verídicos que aqueles que medem os fenômenos do plano físico. Na química ou na física admite-se sempre, nas medições e nos cálculos, uma margem de erro possível e quase inevitável. Não se pode pesar uma substância ao rigor do elétron. No entanto, na ciência do mundo invisível, até um elétron é contado, pesado, calculado: reina nela uma precisão absoluta.
Sim, a vida, a vida interior, espiritual, pode ser estudada e ainda com maior exatidão que o plano físico, mas na condição de se ter desenvolvido esses instrumentos de precisão absoluta que são os órgãos espirituais. Enquanto não se tiver desenvolvido esses órgãos, não se terá o direito de negar a realidade do mundo invisível. Aliás, nem sequer os seus cinco sentidos o homem desenvolveu grandemente. Alguns animais vêem, ouvem, farejam, captam manifestações que nós somos incapazes de apreender: os cheiros, os ultra-sons, certas radiações luminosas ou ainda certos indícios anunciadores de tempestades, de terremotos, de epidemias, etc.
A única atitude razoável que os cientistas podem tomar é, pois, a de dizer: "O ponto em que se encontram os nossos conhecimentos não nos permite pronunciarmo-nos, temos de continuar a estudar a questão". Mas, em vez disso, pronunciam-se e induzem a humanidade ao erro. São, pois, responsáveis, e um dia pagarão isso muito caro, pois a sua responsabilidade está registrada e o Céu é implacável para com aqueles que enganam os humanos. Todos esses "cientistas" que se julgam os senhores da verdade universal, não se apercebem de que, com as suas próprias limitações, bloqueiam não somente o seu caminho mas também o de toda a humanidade. Como é que se compreende que, quando um explorador se deslocou até aos confins do mundo e, depois, relata que viu um determinado país atravessado por um determinado rio, povoado de determinados habitantes, as pessoas acreditam, mas, no entanto, recusam-se a acreditar em todos aqueles que foram visitar outras regiões, regiões espirituais, e que regressam para relatar a sua viagem? Aqueles viajantes poderiam estar a mentir, contudo as pessoas acreditam neles, mas quando se trata dos exploradores do mundo invisível, aí já duvidam sistematicamente das suas palavras.
Todos os livros sagrados de todas as religiões mencionam a existência de criaturas invisíveis cuja presença não é isenta de conseqüências para a vida e para o destino dos humanos. A religião cristã dividiu-as em duas grandes categorias: os espíritos da luz e os espíritos das trevas, os anjos e os demônios. Outras tradições insistiram mais nos espíritos da Natureza que habitam os quatro elementos. Todas essas entidades, e particularmente as Hierarquias angélicas, mencionadas na Cabala, são retomadas pela tradição cristã.
Eu acredito no mundo invisível, não creio mesmo noutra coisa: toda a nossa existência é regida, impregnada, pelo mundo invisível. Mesmo as nossas sensações de bem estar e de alegria, assim como as nossas sensações de sofrimento e de desgosto, estão ligadas à presença de criaturas invisíveis que nós atraímos pela nossa forma de viver. Vós direis: "Nós não as vemos, portanto elas não existem". Escutai: será que se pode pedir a um cego que se pronuncie sobre aquilo que nunca vê? Se fôsseis clarividentes, quando sentis uma grande alegria veríeis uma multidão de seres alados a correr atrás de vós, carregados de presentes de luz, cantando e dançando, deixando à sua passagem traços de cores iridiscentes e os mais deliciosos perfumes. E, quando sofreis de inquietação ou de angústia, também se fôsseis clarividentes, veríeis entidades inquietantes que vêm puxar-vos os cabelos, arranhar-vos, picar-vos. A essas entidades, a tradição esotérica chamou "indesejáveis"; elas aproximam-se dos humanos, dizendo: "Ah, esta fulana, este fulano, interessam-nos! Façamo-los sofrer, será divertido ver como eles gritam e gesticulam" (Vimos, em outra ocasião, que essas entidades se alimentam da energia liberada pelos humanos nessas condições estressantes). Pois bem, eis o que se passa quando vos sentis infelizes, atormentados.
Evidentemente, no Século XXI, as sumidades intelectuais da medicina não podem admitir a idéia de que entidades benfazejas ou malfazejas visitam os humanos para os ajudar, ou consolar, ou, pelo contrário, para os atormentar e os destruir. Segundo eles, são os elementos químicos que perturbam ou restabelecem o bom funcionamento do psiquismo. Pois bem, é verdade que são os elementos químicos, mas de onde eles vêm? Esses elementos químicos são a concretização da presença de espíritos benfazejos ou malfazejos atraídos pelo próprio homem. Se os humanos, pelas suas fraquezas, pelas suas transgressões, abrem a porta às entidades tenebrosas, estas entram e produzem perturbações a que os psicólogos e os psicanalistas chamam toda a espécie de nomes, mas que, na realidade, têm uma única origem: a presença de indesejáveis atraídos pela nossa forma defeituosa de viver.
Esses fatos estão muito bem explicados em todos os livros sagrados e tem havido clarividentes a constatá-los. Mas enquanto os humanos não tiverem desenvolvido as faculdades espirituais que permitem conhecer o mundo invisível, enquanto duvidarem dos conhecimentos da Ciência Iniciática, formarão sempre uma filosofia baseada unicamente nas observações dos cinco sentidos e as conclusões desta filosofia serão obrigatoriamente falsas.
Para esclarecer esta questão dos indesejáveis, basta ver o que se passa com todos esses organismos microscópicos que não param de ameaçar e destruir os humanos! Quer se lhes chame micróbios, vírus, bacilos ou bactérias, há quanto tempo conseguiram os biólogos descobrí-los graças aos seus microscópios? Apenas há pouco mais de um século. Antes da sua descoberta, atribuiam-se às doenças as causas mais inverosímeis. Agora, sabe-se que as doenças são causadas por todos esses "animalejos" cuja natureza, em certos casos, ainda nem sequer foi muito bem identificada. Mas os resultados estão lá: as doenças, a morte. Pois bem, aquilo que se passa no plano físico passa-se igualmente nos planos astral e mental, e os resultados também surgem: a angústia, os tormentos, as obsessões, a loucura. Simplesmente, não existem ainda microscópios suficientemente aperfeiçoados para poder detectar esses vírus do plano astral e mental.
No domínio psíquico, espiritual, os humanos estão ainda como na época anterior a Pasteur: dado que não se viam os micróbios, não se tomavam nenhumas precauções contra eles. Da mesma forma, como não vêem os micróbios do plano psíquico - os indesejáveis -, os humanos não tomam qualquer precaução a este respeito. Talvez venha brevemente um outro Pasteur com novos instrumentos graças aos quais se poderá ver as entidades astrais que destroem os humanos imprudentes. Mas, entretanto, é preferível admitir a sua existência e sobretudo aprender a proteger-se deles levando uma vida ajuizada, sensata.
Certos cabalistas, que eram clarividentes, viram essas entidades e até lhes atribuiram nomes. Esses nomes, que eles lhes deram tendo em conta o valor numérico de cada letra, exprimem exatamente as características desses espíritos. Eu conheço-os, mas não vo-los quero comunicar para que não tenhais qualquer contato com eles. É preciso ser muito forte, possuir uma aura muito poderosa e saber trabalhar com a luz, com as cores, para estudar essas entidades sem perigo. Em todo o caso, quer acrediteis nisso quer não, se não estiverdes muito atentos, não podereis impedir os indesejáveis de vos prejudicar. Por que é que Jesus disse "Vigiai e orai" e "Estai atentos, porque o diabo, como um leão que ruge, está pronto a devorar-vos"? Poderia Jesus ter dito coisas sem importância? E como é que os humanos, se conhecessem assim tão bem a realidade das coisas, seriam vítimas de tantas preocupações? É necessário, pois, que os humanos recuperem aquela sabedoria abandonada, desprezada, para transformarem finalmente a sua existência.
O espaço está povoado por bilhões de entidades malfazejas que juraram levar a humanidade à perdição. Claro que está também povoado por bilhões de entidades luminosas que estão lá para a ajudar e a proteger. Sim, mas a sua ajuda e a sua proteção nunca serão absolutamente eficazes se o próprio homem não fizer nada para seguir no bom caminho. E também nenhum Mestre será capaz de vos proteger se vos obstinardes em levar uma vida irracional. Um Mestre instrui-vos e esclarece-vos, ele procura inclusive influenciar-vos pelos seus pensamentos e sentimentos, mas se, devido à vossa ligeireza, à vossa superficialidade ou até à vossa má vontade, destruirdes todo o seu bom trabalho e abrirdes as vossas portas às entidades tenebrosas, que poderá ele fazer?...
Aquele que quer verdadeiramente avançar no caminho da evolução deve, pois, começar por desenvolver a sua sensibilidade em relação ao mundo invisível. Mas isso mais não é que um preliminar, pois não basta admitir a existência de entidades e de correntes que povoam o espaço ou que habitam em nós, é preciso esforçarmo-nos por iniciar um trabalho construtivo com essas entidades e essas correntes. Pois tudo isto é novo para vós, não é verdade? Estais preocupados em pôr tudo em ordem no plano físico, na vossa casa, no vosso local de trabalho ou mesmo na vossa aparência exterior, e fazeis muito bem, mas interiormente, nos vossos pensamentos e sentimentos, deixais tudo desorganizado, porque não credes que esses pensamentos e esses sentimentos pertencem a um mundo que existe realmente e no qual devemos trabalhar para o ordenar, o harmonizar e o embelezar.
O que as pessoas não fazem por aquilo que é visível! E durante todo esse tempo o invisível lá está, completamente abandonado. Pois bem, de ora em diante é preciso mudar de atitude: o mundo invisível é uma realidade e uma realidade mais importante que o mundo visível; portanto é dele que devemos ocupar-nos antes de tudo o mais.
E quando vos concentrais nesse trabalho interior, sentis que tudo o que estais a viver de puro e luminoso, vos liga a outras existências, a outras correntes, até ao infinito. Enquanto concentrais a vossa atenção unicamente no mundo visível, material, limitais-vos, ficais mais pobres e materializais-vos vós também. Ao passo que se trabalhardes com o mundo invisível, que é a riqueza, que é a imensidão, ligar-vos-eis a todas essas forças criadoras, a todas essas entidades luminosas que circulam através das estrelas, das constelações, a todos os mundos que povoam o Universo, e saboreareis a vida divina...
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