segunda-feira, dezembro 10, 2007

 

As Três Peneiras de Sócrates


Certo dia Augustus procurou Sócrates e disse-lhe:


- Sócrates, preciso contar-lhe algo sobre alguém! Você não imagina o que me contaram a respeito de...

Nem chegou a terminar a frase, quando Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou.

- Espere um pouco, Augustus. O que você vai me contar já passou pelo crivo das 3 peneiras?

- Peneiras? Que peneiras?

- Sim, a primeira, Augustus, é a peneira da VERDADE. Você tem certeza de que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro?

- Não. Como eu posso saber? O que sei foi o que me contaram!

- Então suas palavras já vazaram a primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira: a da BONDADE. O que vai me contar, você gostaria que os outros também dissessem a seu respeito?

- Não, Sócrates! Absolutamente, não!

- Então suas palavras vazaram, também, a segunda peneira. Vamos, agora, para a terceira peneira: a NECESSIDADE. Você acha mesmo necessário contar-me esse fato, ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa? Ajuda alguém? Melhora alguma coisa? Qual o sentido disso?

- Não, Sócrates. Passando pelo crivo das três peneiras, compreendi que nada me resta do que eu iria contar.

E Sócrates sorrindo concluiu:

- Se passar pelas 3 peneiras, conte! Tanto eu, quanto você e os outros iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz! Da próxima vez que ouvir algo, antes de ceder ao impulso de passá-lo adiante, submeta-o ao crivo das três peneiras, porque:

Pessoas sábias falam sobre
idéias;
Pessoas comuns falam sobre coisas;
Pessoas medíocres falam sobre pessoas.

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