terça-feira, dezembro 04, 2007

 

Luz Visível e Luz Invisível

Fonte: Omraam Mikhaël Aïvanhov, Acerca do Invisível, Edições Prosveta, Lisboa, 1988.

Quando lemos o livro do Gênesis, descobrimos que o primeiro acontecimento da criação foi o aparecimento da luz. No primeiro dia, Deus disse: "Haja luz!". A luz foi, pois, a primeira criatura que Deus fez sair do caos. No segundo dia, Deus separou as águas de cima das águas de baixo. No terceiro dia, Ele reuniu as águas num só lugar para arranjar espaço para a terra, a fim de que ela produzisse sementes. E foi no quarto dia que Ele criou o sol, a lua e as estrelas... Mas então, que luz era aquela criada no primeiro dia, se ainda não existia o sol? Era a luz primordial, que não é a do sol que nós vemos e graças à qual temos também a possibilidade de ver.

Existem, portanto, na realidade, duas espécies de luz: a luz visível e a luz invisível que é a quinta-essência da criação. Certas línguas atribuem nomes diferentes a essas duas espécies de luz. Assim, em búlgaro, por exemplo, existem duas palavras: "svétlina" e "vidélina". A palavra "svétlina" designa a luz física e é formada a partir da raiz do verbo que significa brilhar. A palavra "vidélina" designa a luz espiritual e é formada a partir da raiz do verbo que significa "ver". Só a luz espiritual pode dar-nos a verdadeira visão. E uma vez que foi através dela que o mundo foi criado, é ela que nos revela os segredos da criação.

No quarto dia, quando Deus criou o sol, a lua e as estrelas, apareceu, portanto, "svétlina", que não é senão uma manifestação mais materializada de "vidélina". E o sol, que na realidade não é uma bola de fogo, como se imagina, mas uma entidade viva, uma criatura dotada de consciência, recebe esta luz sutil, invisível, "vidélina", e transforma-a em luz visível, "svétlina", graças à qual ilumina o Universo. É "vidélina" que, materializando-se, produz "svétlina", a luz física.

Como esta luz, "vidélina", é a própria matéria da criação, ela está difundida através do espaço e penetra todas as coisas. O homem não a vê, não a sente, porque ainda não está suficientemente desenvolvido do ponto de vista espiritual para aprender uma realidade tão sutil, mas concentrando-se amiúde nesta luz, meditando sobre ela, pode afinar de tal forma as suas percepções que não só começa a senti-la, como a atrai até si e pouco-a-pouco ela impregna todo o seu ser.

O Cristo disse: "Eu sou a luz do mundo". A luz do mundo é o sol. Mas o Cristo é mais que o sol, e é aqui que precisamos compreender que, para lá da luz visível do sol físico, existe uma outra luz que é a verdadeira luz do sol, o espírito do sol: "vidélina". Era desta luz que Jesus falava e era com ela que ele se identificava. E assim como a luz material, "svétlina", nos permite ver os objetos do plano físico com os nossos olhos físicos, a luz interior, a luz do Cristo, "vidélina", dá-nos acesso ao mundo divino. Nós devemos aprender o que é esta luz, como viver com ela, nela, devemos trabalhar em cada dia para captar as suas ínfimas partículas e as condensar em nós, até ao momento em que seremos capazes de as projetar como raios sobre os objetos e os seres do mundo invisível, que nos surgirão, então, na sua realidade sublime.

Na origem, no começo de todas as coisas, existe a luz. E a luz é o Cristo, o Espírito solar. O Espírito do Cristo manifesta-se primeiro na séfira Hokmah, a primeira glória. Ele é o Verbo acerca do qual São João diz no seu Evangelho que "nada foi feito sem ele". Ele manifesta-se sob um outro aspecto na séfira Tiphéret, o sol. Tiphéret tem, portanto, as suas raízes em Hokmah onde brilha "vidélina", a luz divina.

Quando fores assistir ao nascer-do-sol, pensai que, ao ligar-vos a ele, vos ligais ao seu espírito. Sim, ao espírito do sol, que é o espírito do Cristo, uma emanação do próprio Deus. Expôr-vos ao sol, olhar para ele, não basta; para entrar verdadeiramente em contato com a quinta-essência da luz, é preciso que seja o vosso espírito a expor-se, a ligar-se a ele, a fundir-se com ele. No momento em que mergulhais no mundo da luz, algumas partículas desta luz penetram em vós e recebereis a revelação do esplendor divino.

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Comments:
Olá Rui
ainda há pouco estava fazendo alguns exercícios de visualização de luz colorida, estava concentrada no verde esmeralda, quando, deduzindo por acessos ao blog antes e depois deste post, você o estava editando para colocá-lo no ar...
um abraço

Mônica
 
Olá Mônica,

Se você tem interesse em visualização de cores, talvez você goste de ver a palestra em vídeo do Aldomon Ferreira, intitulada Visualização Criativa. A referida postagem é exatamente a anterior à presente postagem.

Parabéns pela sua participação e organização segura no IMOC.

Um grande abraço, Rui.
 
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