sexta-feira, abril 04, 2008

 

O Evangelho Segundo Tomé


Em 1945, descobriu-se em Nag Hammadi, no alto-Egito, alguns manuscritos escritos em caracteres coptas. Análise de peritos verificou que um desses documentos continha o Evangelho do Apóstolo Tomé, sendo cópias do original de Tomé (possivelmente escrito em aramaico). Este Evangelho (o "quinto evangelho") não trata, como nos outro quatro Evangelhos canônicos [Mateus, Marcos, Lucas e João], de narrativa da vida histórica de Jesus, mas de 114 sentenças, ou aforismos, de "Jesus, o Vivo", ditas secretamente aos seus discípulos e anotadas por Tomé, aquele que "só acreditava, vendo".


Tomé, após a ascensão de Jesus, foi para o oriente. Atualmente, existe em Madras, no sul da Índia, a Catedral de São Tomé, onde se encontra o túmulo de Tomé. Vejamos o primeiro aforismo do Evangelho de Tomé, com o comentário associado de Humberto Rohden [1]:

1- Quem descobrir o sentido destas palavras não provará a morte.

Inicialmente, um comentário geral sobre os cinco evangelhos: todos eles trazem a "boa novidade" de que o ser humano é filho de um Deus amoroso e, portanto, é um ser infinito, eterno e imortal. A vida seria muito triste e sem sentido se, apesar de todo o nosso esforço, o nosso destino imutável fosse apenas um cadáver jogado na cova de um cemitério.

O homem, pelo despertamento da ego-consciência, permanece no plano da mortalidade. Somente subindo ao plano superior da "árvore da vida" é que ele entrará na imortalidade. O homem pode mortalizar-se, e pode também imortalizar-se.

Na Filosofia Oriental, aparece a palavra kundalini, cujo radical kundala, significa serpente, símbolo da energia cósmica. A kundalini dormente no chakra inferior da coluna vertebral, representa o subconsciente do homem primitivo; quando ela desperta e rasteja horizontalmente, entra o homem na zona do ego-consciente; e, quando a kundalini se verticaliza e atinge as alturas, então entra o homem no mundo do cosmo-consciente, onde ele se imortaliza. O homem é potencialmente imortal, ou imortalizável, mas não é atualmente imortal. No Evangelho: "A tal ponto amou Deus o mundo que lhe enviou seu filho unigênito, para que todos aqueles que com ele tenham fidelidade não pereçam, mas tenham a vida eterna".

A história do filho pródigo usa, também, a palavra "morto" no sentido metafísico: O pai daquele jovem diz que seu filho estava morto e reviveu, estava no ego e passou para o Eu. A alegria foi devido à passagem da ego-consciência mortal para a Eu-consciência imortal.

Também no caso do discípulo que queria sepultar seu pai antes de atender ao convite de Jesus, O Mestre usa a palavra "morte" em dois sentidos, o físico e o metafísico: "Deixa os (espiritualmente) mortos sepultar os seus (fisicamente) mortos".

Sobre "Quem descobrir o sentido destas palavras não provará a morte", quem compreender pela intuição o sentido profundo das palavras deste Evangelho, esse não ficará no plano do ego humano, mas se imortalizará pela consciência do Eu divino.

Enquanto o homem é ego-pensante, nada de grande lhe acontece; mas, quando ele se torna cosmo-pensado, cosmo-agido e cosmo-vivido, então lhe acontece a invasão cósmica do espírito de Deus, que resolve todos os seus problemas da vida terrestre e introduz o homem na vida verdadeira e eterna.

Referência:
[1] Humberto Rohden, O Quinto Evagelho - A Mensagem do Cristo segundo Tomé, 8a. Edição, Editora Martin Claret.

Marcadores: ,


Comments: Postar um comentário

<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?