segunda-feira, abril 06, 2009

 

Veículos Movidos a Hidrogênio


Boa parte da poluição da nossa atmosfera ocorre devido à emissão de gases venenosos pelo cano de descarga dos veículos abastecidos por derivados do petróleo. Isso afeta negativamente a saúde de nosso corpo, algo desejado pelos manipuladores de nossa sociedade, que desejam a redução da população mundial. No entanto, em muitos países começam a surgir veículos energizados por corrente elétrica extraída do hidrogênio, que emitem pelo cano de descarga apenas vapor d'água, algo não poluente. São veículos, portanto, ecologicamente corretos, que não contribuem com o gás CO2 (dióxido de carbono) que contribui com o efeito estufa global.

O hidrogênio desses veículos, está presente na água comum (H2O), que possui dois átomos de hidrogênio junto a um átomo de oxigênio, quando formam uma molécula de água. A separação do hidrogênio e oxigênio, na forma de gases, da água líquida usual, pode ser feita pela eletrólise dessa água, usando apenas uma simples bateria. Qualquer estudante inicial de química sabe disso.

Abaixo vão algumas informações que extraí de [1]. A figura abaixo mostra o princípio básico de uma célula a combustível de hidrogênio, que gera uma corrente elétrica para acionar o motor elétrico de um veículo automotor.


[duplo clique na imagem para ampliá-la]

Michael Fowler, professor da área de engenharia química da Universidade de Waterloo, no Canadá, tem uma resposta pronta para explicar a demora em implementar esta tecnologia em escala industrial: "o petróleo ainda está barato, e ninguém vai se interessar em comprar carros ecológicos se é mais econômico se locomover soltando fumaça (tóxica)".

A Honda já faz leasing (espécie de aluguel) do modelo FCX Clarity, que usa o hidrogênio, na Califórnia (EUA). O preço é US$ 600 ao mês, e inclui a manutenção do veículo. Enquanto nos EUA e no Japão o interesse maior é pela implantação do motor a hidrogênio em carros, na Europa a atenção é para os ônibus, que vêm sendo testados na Alemanha e em outros países.

O presidente da Honda, Takeo Fukui, acredita que levará ainda dez anos até que essa tecnologia seja comercialmente viável. E isso não significa que haverá produção em massa a preços baratos, mas sim que o carro estará "disponível para a compra a um preço semelhante ao de um veículo de luxo hoje".

Um dos fatores que encarecem o carro a célula a combustível de hidrogênio é que os melhores eletrodos (para fazer a eletrólise da água, o combustível desse tipo de veículo) disponíveis para as células a combustível precisam de usar o elemento químico platina, metal raro e caro. Por isso, muitos grupos têm estudado alternativas para esses eletrodos. O NCR (Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá) pesquisa a utilização de aço como substituto à platina. E pesquisadores de Quebec, também do Canadá, acabam de apresentar um estudo na revista científica "Science" de um catalisador a base de ferro, para rivalizar com o elemento nobre (platina).

Porém, na opinião de Ennio Peres da Silva, chefe do Laboratório de Hidrogênio da Unicamp, hoje já se conseguiu reduzir a platina a uma quantidade tão pequena que, mesmo que não se encontre algo à altura dela, isso não será uma barreira ao uso do hidrogênio.

E ele critica quem só se preocupa com a questão do preço. "Se fosse só o preço que determinasse a utlização de uma tecnologia, até hoje estaríamos andando a cavalo, que era mais rápido e mais econômico do que os primeiros carros". Ele argumenta que o veículo a hidrogênio tem o dobro da eficiência, não polui a atmosfera e não faz barulho. E, se acabar a luz da sua casa, ele pode ser usado para obter energia elétrica. Esta última frase é o motivo central para os manipuladores do mundo não deixarem essa tecnologia chegar à população em geral: eles não querem que as pessoas fiquem livres para gerar sua própria energia elétrica em sua casa, mas desejam que todos fiquem escravos do fornecimento de energia elétrica de forma centralizada (e paga continuamente por nós), trazida de usinas de energia elétrica bem distantes da nossa residência. Os controladores do mundo estão intessados em nossa escravidão e não em nossa libertação! A geração de energia elétrica não-poluente de forma distribuída (em cada residência) teria o mesmo efeito libertador que teve a implemantação da computação distribuída (na casa de cada pessoa, via computadores pessoais), ao invés da computação centralizada em grandes máquinas mainframes (controladas pelos manipuladores mundiais).

Outro veículo não-poluente, movido a ar comprimido, já está disponível para comercialização (e já andando na França). Há alguns anos atrás, o inventor francês desse veículo esteve aqui no Brasil para disponibilizar essa tecnologia para implementação por empresários brasileiros. Ninguém se interessou, devido à pressão dos manipuladores mundiais, óbvio. Veja postagens anteriores sobre este carro neste blog.

A demora na comercializaão do veículo a hidrogênio, lembra Lars Rose, pesquisador do NRC, pode ter relação com a questão do "ovo e da galinha": não há demanda porque não existe o carro, e não há o carro porque não há demanda. Mas Ennio Silva afirma que isso pode ser superado - afinal, situação semelhante ocorreu com o uso do etanol e do gás natural como combustível de veículos automotores.

Foi no Laboratório de Hidrogênio da Unicamp que se criou o primeiro, e até agora o único, carro brasileiro elétrico com células a combustível de hidrogênio. Infelizmente, diz Silva, o país não investiu o suficiente (adivinha por que?) e "perdeu o bonde" da tecnologia. Ele critica a falta de apoio do MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia) - para fazer o carro, por exemplo; o grupo contou apenas com o MME (Ministério de Minas e Energia).

Na opinião de Silva, os motores a combustão interna, menos eficientes do que os elétricos, estão com os dias contados. "Não podemos apostar em algo que vai acabar", diz.

Na América do Norte e no Japão, principalmente, os carros híbridos - que alteram bateria elétrica e gasolina - têm feito sucesso. Há cerca de um ano, a Toyota anunciou que o Prius havia atingido a marca de um milhão de veículos vendidos.

OUTROS MERCADOS

Em alguns países, o hidrogênio - via célula a combustível - já ocupa outros nichos. Nos EUA, sistemas de backup de energia em torres de sistemas de comunicação usam células a combustível de hidrogênio em vez de baterias normais. Apesar de sua instalação ser mais cara, a nova tecnologia é mais segura e tem um custo de manutençaõ menor. O Brasil, por enquanto, tem só um exemplo deste tipo de uso.

NOVA TECNOLOGIA PASSARÁ POR TESTE EM ÔNIBUS DE SÃO PAULO

Ainda neste mês de abril, começará a circular na cidade de São Paulo o primeiro ônibus brasileiro com célula a combustível de hidrogênio. Ele já rodou cerca de mil quilômetros em testes em Caxias do Sul (RS), onde foi montado.

Com nove tanques de combustível - com capacidade para 5 kg de hidrogênio cada - e duas células a combustível, o veículo tem autonomia para circular 300 km sem reabastecimento. Suas células foram originalmente projetadas para carros a passeio - optou-se por não usar as específicas para ônibus, pois há poucas empresas que as fabricam no mundo.

Carlos Zundt, gerente de planejamento da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), afirma que o hidrogênio é obtido por meio da eletrólise, que possui um "ciclo fechado e limpo". Não é a forma mais barata de obter o hidrogênio, mas ela não deixa nenhum subproduto para ser tratado - diferentemente do que acontece se for usado gás natural para extrair o hidrogênio.

O preço final do ônibus é sigiloso, porém Zundt ressalta que ele "é bastante competitivo". E o desempenho do protótipo é igual ao de um trólebus (ônibus elétrico, alimentado por fios elétricos suspensos) e superior à tecnologia diesel - são mais rápidos e apresentam maior torque do que a tecnologia convencional.

Agora, diz ele, o país juntou-se a outros três capazes de fazer ônibus a hidrogênio: Estados Unidos, China e Alemanha. O veículo circulará durante quatro anos no Corredor Metropolitano ABD (São Mateus - Jabaquara), que tem 33 km de extensão. A estação de abastecimento ficará na garagem da concessionária Metra, em São Bernardo do Campo.

A previsão é que sejam construídos mais quatro ônibus dentro do projeto, que é do Ministério de Minas e Energia (MME) e coordenado pela EMTU. Os recursos para sua realização somam US$ 16 milhões a fundo perdido, vindos do GEF/PNUD (Global Environment Facility/Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e do MME/Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).

JOGOS DE INVERNO

Vinte ônibus com células a combustível de hidrogênio farão o trajeto entre o aeroporto de Vancouver e a estação de esqui Whistler, no Canadá, durante os Jogos Olímpicos de Inverno de 2010. Parte da competição ocorrerá em Whistler e, segundo o NRC, que integra o grupo de criação da "Estrada do Hidrogênio", a ação será uma "metáfora para a transição para a economia do hidrogênio e de um futuro sustentável".

Os ônibus ainda estão sendo montados. Eles poderão circular por cerca de 500 km sem reabastecer, numa velocidade máxima de 90 km/h, e terão uma expectativa de vida de 20 anos. Haverá cinco postos para reabastecimento na região.

Referência:
[1] Jornal Folha de S. Paulo, Seção Ciência, pg. A11, 6 de abril de 2009.



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