segunda-feira, junho 15, 2009
Carne e Câncer
Uma análise cuidadosa de nossa estrutura biológica irá mostrar que nosso corpo não foi projetado para comer carne. Por exemplo, na ponta de nossos dedos temos unhas chatas, e não garras pontudas, ótimas para descascar bananas e péssimas para segurar uma presa para ser devorada. O artigo abaixo [1] vem reforçar essa conclusão.
Câncer colorretal cresce em todo o mundo, diz pesquisa
Em São Paulo, tumor é o segundo de maior incidência entre mulheres, só perde para o de mama
Crescimento, que variou de 11% a 92%, é atribuído a um maior consumo de carne vermelha em detrimento de frutas, verduras e cereais
Em duas décadas, a incidência de câncer colorretal cresceu entre homens e mulheres de todo o mundo, revela estudo publicado na revista Cancer Epidemiology Biomarkers and Prevention. O aumento, que variou entre 11% (na Finlândia) e 92% (Japão), é atribuído à chamada "ocidentalização" dos costumes alimentares, especialmente ao maior consumo de carnes vermelhas e processadas.
Em São Paulo, esse tumor é o segundo de maior incidência entre mulheres - só perde para o câncer de mama - e o terceiro entre os homens, atrás dos cânceres de próstata e de traqueia, brônquio e pulmão. No Brasil, ele ocupa o terceiro (mulheres) e o quarto lugar (homens), segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer).
Em números absolutos (não ajustados para fatores como o envelhecimento da população), a mortalidade por esse tipo de câncer no país também deu um grande salto na última década. Entre os homens, passou de 2.843 (em 1996) para 5.142 (em 2006), um aumento de 81%. Entre as mulheres, o aumento foi de 69% (de 3.352 para 5.679).
A pesquisa americana, coordenada pela epidemiologista Melissa Center, da American Cancer Society, avaliou dados oncológicos de 51 países entre 1983 e 2002. Em 27 deles, distribuídos nos cinco continentes, foi verificado aumento do câncer colorretal. Em todo o mundo, foi o terceiro tumor mais frequente entre mulheres e o quarto entre homens.
"As taxas são alarmantes. Mostram que estamos falhando tanto na detecção precoce desses tumores quanto nas estratégicas para mudanças de estilo de vida e de dieta", escreveram em editorialo Asad Umar e Peter Greenwald, do Instituto Nacional de Câncer dos EUA.
Na Colômbia, único país da América Latina avaliado no estudo, o crescimento da incidência do câncer colorretal foi de 55% entre homens e 75% entre mulheres. No Japão, houve um aumento de 92% (homens) e de 47% (mulheres).
Segundo o cirurgião oncológico Benedito Mauro Rossi, do Hospital A.C. Camargo, especialista em câncer colorretal, a pesquisa revela o que os médicos já vinham observando nos consultórios. "Há vários estudos mostrando um incidência maior desse tumor entre pessoas que adotam uma dieta com base em carnes vermelhas e processadas e pobre em frutas, verduras e cereais. O sedentarismo também é um fator de risco importante".
Para Rossi, os embutidos e as carnes processadas são os principais vilões. Além de produzidos com carnes vermelhas geralmente muito gordurosas, trazem aditivos químicos denominados nitratos que, no estômago, podem se transformar em nitritos. Esses, por sua vez, se convertem em nitrosaminas, que são comprovadamente agentes cancerígenos.
Na avaliação do nutricionista Fábio Gomes, da área de alimentação, nutrição e câncer do INCA, o Brasil vive a "estadunização" dos hábitos alimentares, e essa pode ser uma das razões do aumento do câncer colorretal. "Importamos hábitos dos EUA. Comemos muito mais gordura hoje do que há 40, 50 anos atrás. A diferença é que hoje a gordura e os aditivos são virtuais, ninguém percebe".
Soma-se aí o fato de que apenas um terço da população brasileira consome a recomendação diária (400 gramas) de frutas, verduras e legumes. Ele explica que o maior consumo de fibras agiliza a digestão e torna o funcionamento do intestino regular, o que facilita a eliminação de células precursoras do câncer que já estão naturalmente no nosso organismo (o comprimento dos intestinos dos animais são, proporcionalmente, muito menores do que o comprimento dos intestinos humanos, o que é mais uma indicação de que não somos seres carnívoros).
Menos ingestão de gordura também reduz a produção de ácidos que o organismo tem que fabricar para digeri-la. Nesse processo, alguns desses ácidos podem se transformar em agentes cancerígenos e agredir a parede do intestino grosso, o que também favorece o surgimento desse tumor.
Referência:
[1] Cláudia Colluci, Jornal Folha de S. Paulo, Seção Saúde, pg. C7, 15 de junho de 2009.
Em São Paulo, esse tumor é o segundo de maior incidência entre mulheres - só perde para o câncer de mama - e o terceiro entre os homens, atrás dos cânceres de próstata e de traqueia, brônquio e pulmão. No Brasil, ele ocupa o terceiro (mulheres) e o quarto lugar (homens), segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer).
Em números absolutos (não ajustados para fatores como o envelhecimento da população), a mortalidade por esse tipo de câncer no país também deu um grande salto na última década. Entre os homens, passou de 2.843 (em 1996) para 5.142 (em 2006), um aumento de 81%. Entre as mulheres, o aumento foi de 69% (de 3.352 para 5.679).
A pesquisa americana, coordenada pela epidemiologista Melissa Center, da American Cancer Society, avaliou dados oncológicos de 51 países entre 1983 e 2002. Em 27 deles, distribuídos nos cinco continentes, foi verificado aumento do câncer colorretal. Em todo o mundo, foi o terceiro tumor mais frequente entre mulheres e o quarto entre homens.
"As taxas são alarmantes. Mostram que estamos falhando tanto na detecção precoce desses tumores quanto nas estratégicas para mudanças de estilo de vida e de dieta", escreveram em editorialo Asad Umar e Peter Greenwald, do Instituto Nacional de Câncer dos EUA.
Na Colômbia, único país da América Latina avaliado no estudo, o crescimento da incidência do câncer colorretal foi de 55% entre homens e 75% entre mulheres. No Japão, houve um aumento de 92% (homens) e de 47% (mulheres).
Segundo o cirurgião oncológico Benedito Mauro Rossi, do Hospital A.C. Camargo, especialista em câncer colorretal, a pesquisa revela o que os médicos já vinham observando nos consultórios. "Há vários estudos mostrando um incidência maior desse tumor entre pessoas que adotam uma dieta com base em carnes vermelhas e processadas e pobre em frutas, verduras e cereais. O sedentarismo também é um fator de risco importante".
Para Rossi, os embutidos e as carnes processadas são os principais vilões. Além de produzidos com carnes vermelhas geralmente muito gordurosas, trazem aditivos químicos denominados nitratos que, no estômago, podem se transformar em nitritos. Esses, por sua vez, se convertem em nitrosaminas, que são comprovadamente agentes cancerígenos.
Na avaliação do nutricionista Fábio Gomes, da área de alimentação, nutrição e câncer do INCA, o Brasil vive a "estadunização" dos hábitos alimentares, e essa pode ser uma das razões do aumento do câncer colorretal. "Importamos hábitos dos EUA. Comemos muito mais gordura hoje do que há 40, 50 anos atrás. A diferença é que hoje a gordura e os aditivos são virtuais, ninguém percebe".
Soma-se aí o fato de que apenas um terço da população brasileira consome a recomendação diária (400 gramas) de frutas, verduras e legumes. Ele explica que o maior consumo de fibras agiliza a digestão e torna o funcionamento do intestino regular, o que facilita a eliminação de células precursoras do câncer que já estão naturalmente no nosso organismo (o comprimento dos intestinos dos animais são, proporcionalmente, muito menores do que o comprimento dos intestinos humanos, o que é mais uma indicação de que não somos seres carnívoros).
Menos ingestão de gordura também reduz a produção de ácidos que o organismo tem que fabricar para digeri-la. Nesse processo, alguns desses ácidos podem se transformar em agentes cancerígenos e agredir a parede do intestino grosso, o que também favorece o surgimento desse tumor.
Referência:
[1] Cláudia Colluci, Jornal Folha de S. Paulo, Seção Saúde, pg. C7, 15 de junho de 2009.
Marcadores: câncer, carne vermelha
