terça-feira, setembro 15, 2009
O Chuveiro
Tudo que fazemos todos os dias deve merecer nossa análise cuidadosa periodicamente. Tomar banho de chuveiro é algo que a maioria das pessoas faz diariamente e, portanto, se enquadra no elenco de atividades que deveríamos analisar criticamente de vez em quando. Recentemente, li que o banho de chuveiro bem quente pode causar irritação alérgica da pele de algumas pessoas. Como a nossa água do chuveiro possui cloro, ao aquecermos esta água ela pode espalhar pelo ar certos elementos clorados (que inalamos), como o clorofórmio, que eu usei como anestesia em uma operação de apêndice, quando era criança. Portanto, não convém tomar banho de chuveiro, com água muito quente, durante muito tempo. Mas o perigo do banho de chuveiro não pára aí. Abaixo vai um artigo [1] que comenta sobre os micróbios que saem do seu chuveiro. Um banho de banheira parece algo mais interessante do que banho de chuveiro...
Chuveiros podem ter até cem vezes mais micróbios que a água
Se você está com o pulmão e o sistema respiratório debilitado, ou com o sistema imunológico enfraquecido, talvez seja melhor pensar duas vezes antes de tomar banho de chuveiro. Uma pesquisa nos EUA identificou que o interior do chuveiro abriga níveis cem vezes maiores de alguns micróbios do que a água que passa por ele. São agentes como as micobactérias causadoras de doenças oportunistas.
No interior do chuveiro são formados biofilmes, conjuntos de comunidades microbianas, que se aproveitam do ambiente úmido, escuro e quente para crescer e se multiplicar*. Quando o chuveiro é aberto, junto com a água vem um aerossol finíssimo - partículas com micróbios capazes de penetrar profundamente o pulmão (junto com o clorofórmio, que comentamos acima).
Até agora os estudos sobre esse risco eram feitos com culturas em placas, mas este método não consegue detectar a grande diversidade e a quantidade de micróbios presentes no biofilme do chuveiro. A equipe de Norman Pace, da Universidade do Colorado, que estudou 45 chuveiros em nove cidades, optou por coletar amostras de material genético nos biofilmes para identificar os micróbios por suas sequências de genes.
"Particularmente notável foi a descoberta de que sequências representativas de micobactérias não-tuberculosas e de outros patógenos humanos oportunistas registraram altos níveis em muitos biofilmes de chuveiro", escreveu Pace na revista científica PNAS. "Vocês provavelmente têm as mesmas criaturas aí no Brasil", disse Pace à Folha.
Particularmente comum - e mais preocupante - foi a presença da bactéria Mycobacterium avium, encontrada em 20% das amostras de interior de chuveiros. Essas bactérias causam uma doença pulmonar semelhante à tuberculose e que costuma afetar pacientes com Aids. As micobactérias mais importantes com relação à saúde pública são a Micobacterium tuberculosis, causadora da tuberculose; a M. leprae, causadora da henseníase (antigamente chamada de lepra); e o conjunto das "micobactérias atípicas", que incluem a M. avium.
Curiosamente, limpar o interior de um chuveiro com água sanitária clorada não deu bom resultado. Um chuveiro limpo dessa forma apenas mudou o tipo da espécie mais presente. A "limpeza" fez o total de bactérias M. gordonae aumentar cerca de três vezes.
Referência:
[1] Ricardo Bonalume Neto, Jornal Folha de S. Paulo, Seção Saúde, pg. C7, 15 de setembro de 2009.
PS: O uso de oxigênio na água ou no nosso corpo, mata todos esses tipos de bactérias, microorganismos patogênicos, vírus, etc., conforme comentamos na série de postagens intitulada "Oxigênio e Saúde".
*Quando li esta passagem, eu me lembrei imediatamente da morte do nosso antigo ministro das comunicações, Sérgio Mota, por ter respirado ar contaminado pelos micróbios alojados no seu aparelho de ar condicionado, aparelho este tão popular hoje em dia.
No interior do chuveiro são formados biofilmes, conjuntos de comunidades microbianas, que se aproveitam do ambiente úmido, escuro e quente para crescer e se multiplicar*. Quando o chuveiro é aberto, junto com a água vem um aerossol finíssimo - partículas com micróbios capazes de penetrar profundamente o pulmão (junto com o clorofórmio, que comentamos acima).
Até agora os estudos sobre esse risco eram feitos com culturas em placas, mas este método não consegue detectar a grande diversidade e a quantidade de micróbios presentes no biofilme do chuveiro. A equipe de Norman Pace, da Universidade do Colorado, que estudou 45 chuveiros em nove cidades, optou por coletar amostras de material genético nos biofilmes para identificar os micróbios por suas sequências de genes.
"Particularmente notável foi a descoberta de que sequências representativas de micobactérias não-tuberculosas e de outros patógenos humanos oportunistas registraram altos níveis em muitos biofilmes de chuveiro", escreveu Pace na revista científica PNAS. "Vocês provavelmente têm as mesmas criaturas aí no Brasil", disse Pace à Folha.
Particularmente comum - e mais preocupante - foi a presença da bactéria Mycobacterium avium, encontrada em 20% das amostras de interior de chuveiros. Essas bactérias causam uma doença pulmonar semelhante à tuberculose e que costuma afetar pacientes com Aids. As micobactérias mais importantes com relação à saúde pública são a Micobacterium tuberculosis, causadora da tuberculose; a M. leprae, causadora da henseníase (antigamente chamada de lepra); e o conjunto das "micobactérias atípicas", que incluem a M. avium.
Curiosamente, limpar o interior de um chuveiro com água sanitária clorada não deu bom resultado. Um chuveiro limpo dessa forma apenas mudou o tipo da espécie mais presente. A "limpeza" fez o total de bactérias M. gordonae aumentar cerca de três vezes.
Referência:
[1] Ricardo Bonalume Neto, Jornal Folha de S. Paulo, Seção Saúde, pg. C7, 15 de setembro de 2009.
PS: O uso de oxigênio na água ou no nosso corpo, mata todos esses tipos de bactérias, microorganismos patogênicos, vírus, etc., conforme comentamos na série de postagens intitulada "Oxigênio e Saúde".
*Quando li esta passagem, eu me lembrei imediatamente da morte do nosso antigo ministro das comunicações, Sérgio Mota, por ter respirado ar contaminado pelos micróbios alojados no seu aparelho de ar condicionado, aparelho este tão popular hoje em dia.
Marcadores: ar condicionado, chuveiro, micobactérias
Comments:
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Acredito estarem se referindo a chuveiros com aquecimento central, boiler, não aos nossos populares chuveiros elétricos, que não armazenam água quente na tubulação.
Olá André Carvalho,
Não acredito nessa sua hipótese. O pesquisador está falando sobre o "interior do aparelho de chuveiro", que se transforma num ótimo local de cultivo de bactérias QUANDO DESLIGADO, DA MESMA FORMA QUE O INTERIOR DO APARELHO DE AR CONDICIONADO QUE MATOU O SÉRGIO MOTA. A grande cultura dos patógenos se dá enquanto esses aparelhos estão desligados e, quando os ligamos, essa grande quantidade de patógenos são espalhados, contaminando o ar (no caso de aparelhos de ar condicionado, inclusive do seu carro!) e a água (no caso de chuveiros elétricos).
Abraço, Rui.
Não acredito nessa sua hipótese. O pesquisador está falando sobre o "interior do aparelho de chuveiro", que se transforma num ótimo local de cultivo de bactérias QUANDO DESLIGADO, DA MESMA FORMA QUE O INTERIOR DO APARELHO DE AR CONDICIONADO QUE MATOU O SÉRGIO MOTA. A grande cultura dos patógenos se dá enquanto esses aparelhos estão desligados e, quando os ligamos, essa grande quantidade de patógenos são espalhados, contaminando o ar (no caso de aparelhos de ar condicionado, inclusive do seu carro!) e a água (no caso de chuveiros elétricos).
Abraço, Rui.
Oi Rui, Grato pela explicação extra.
Abração.
Ps: Parabens pelo blog, eu acompanho vc há 2 anos, todos os dias.
Abração.
Ps: Parabens pelo blog, eu acompanho vc há 2 anos, todos os dias.
Olá André, obrigado pelo comentário. Como você já deve ter notado, a idéia deste blog é alertar as pessoas para situações que podem melhorar suas próprias saúdes, para que a vida fique mais gostosa de ser vivida. Quando perdemos a alegria de viver acabamos morrendo e indo para o cemitério...
Abraço, Rui
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Abraço, Rui
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