quinta-feira, maio 16, 2024
Depois da Morte
Fonte: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, Evolução em Dois Mundos, Publicado pela Federação Espírita Brasileira, 6ª edição, 1958.
Logo após a morte física, a alma culpada sofre minucioso processo de purgação, tanto mais produtivo quanto mais se lhe exteriorize a dor do arrependimento e, apenas depois disso, a alma consegue elevar-se a esferas de reconforto e reeducação.
Se a moléstia experimentada na veste somática foi longa e difícil, abençoadas depurações já terão sido feitas, pelo ensejo do auto-exame, no qual as aflições suportadas com paciência, lhe alteraram sensações e refundiram ideias.
Todavia, se essa operação natural não foi possível no círculo carnal, mais se lhe agravam os remorsos, depois do túmulo.
Criminosos que mal ressarciram os débitos contraídos, instados pelo próprio arrependimento, plasmam, em torno de si mesmos, as cenas degradantes em que arruinaram a vida íntima, alimentando-as à custa dos próprios pensamentos desgovernados.
As vítimas do remorso padecem, assim, por tempo correspondente às necessidades de reajuste, larga internação em zonas compatíveis com o estado espiritual que demonstram.
Isso não significa que a consciência desencarnada deixe de encontrar possibilidades de expansão nas cidades espirituais que gravitam em torno da Terra. Outras modalidades de estudo e trabalho aí lhe asseguram novos fatores de evolução; contudo, escassa percentagem de criaturas humanas, além da morte, adquirem acesso definitivo aos planos superiores.
Lembrar que todo dia, no exercício de nossa vontade, formamos novas causas, refazendo nosso destino.
Institutos de escultura anatômica funcionam no Plano Espiritual, brunindo formas diversas, de modo a orientar os mapas ou prefigurações do serviço que aos reencarnantes competirá, mais tarde, atender.
Corpos, membros, órgãos, fibras e células são aí esboçados e estudados, antes que se definam os primórdios da rematerialização terrestre, porque, nesses casos, em que a alma oscila entre méritos e deméritos, a reencarnação permanece sob os auspícios de autoridadese servidores da Justiça Espiritual, que administra recursos a cada aprendiz de acordo com as obras edificantes que lhes constem do currículo da sua existência.
Para isso, os candidatos à reencarnação, sem superioridade suficiente, de modo a supervisioná-la com o seu próprio critério, e distantes da inferioridade primitivista, que deles faria escravos absolutos da herança física, são admitidos a instituições-hospitais em que magnetizadores desencarnados, bastante competentes pela nobreza íntima, se incumbem de aplicar-lhes fluidos balsamizantes que os adormeçam, por períodos variáveis, de conformidade com a evolução moral que enunciem, a fim de que os princípios psicossomáticos se adaptem a um justo restringimento, em bases de sonoterapia.
Desse modo, regressam ao berço humano, nas condições precisas, recolhidos a novo corpo, qual operário detentor de virtudes e defeitos a quem se concede novo uniforme de trabalho e nova oportunidade de realização.
Paternidade e maternidade, raça e pátria, lar e sistema consanguíneo são conjugados com previdente sabedoria para que não faltem ao reencarnante todas as possibilidades necessárias ao êxito no empreendimento que se inicia.
Marcadores: Alma, evolução, morte, reencarnação
