domingo, maio 25, 2008

 

As Lições da Árvore - 1


Goiabeira dá Goiaba

Ao contrário de outras linguagens simbólicas como o Tarô, Búzios e Astrologia, o I Ching não tem figuras de origem cultural. O I Ching não se baseia em imagens criadas pelo homem. Seus símbolos básicos são 8 elementos da Natureza a saber: céu, terra, trovão, água, montanha, vento, madeira, fogo e lago. Os chineses optaram por símbolos da Natureza porque ela não é um conceito cultural nem uma criação abstrata da mente humana. A Natureza é o que é, do jeito que é.

Não é possível mudar a realidade externa a nosso bel-prazer. Não conseguiremos fazer que pessegueiro dê goiaba, nem que goiabeira dê pêssego. Na vida, as mudanças possíveis são de âmbito interno e não externo. Podemos mudar nossa forma de encarar as coisas, nossas posturas, nossos objetivos e valores, mas não podemos mudar as outras pessoas porque assim o desejamos. Cada coisa e cada pessoa têm sua própria natureza, seu próprio processo. Sofrer porque goiabeira não dá pêssego é inútil. Do mesmo modo que a água procura o úmido e o fogo procura o seco, quem quer pêssego deve procurar um pessegueiro e quem quer goiaba deve procurar uma goiabeira. É mais fácil e mais lógico. Outra possibilidade sábia é a pessoa aprender a aceitar que goiabeira dá goiaba e pessegueiro dá pêssego. Isso é qüidade.

A afirmação da realidade vale para qualquer tempo: presente, passado ou futuro. No presente, podemos dizer "é o que é" e não permitir que nosso pensamento vá além dessa afirmação nem sofra com isso. Para algo que ficou no passado, podemos dizer "foi o que foi" e não ficarmos presos aos ressentimentos ou arrependimentos. Para algo que ainda está por vir, podemos dizer "será o que será" e não nos deixarmos arrastar pelas expectativas ou pelos medos.

[continua]

Fonte: Roberto Otsu, A Sabedoria da Natureza: Taoísmo, I Ching, Zen e os Ensinamentos Essênios, Editora Ágora, 2006.

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quarta-feira, abril 16, 2008

 

Um Curso em Tai Chi Chuan e Chi Kung - 2

De [1]:

O princípio: o vazio

Segundo a cosmologia taoísta, antes do início do universo manifesto, existia um estado de total vacuidade representado por um circulo vazio, chamado pelos antigos taoistas de Wu Chi. Dentro deste Wu Chi havia toda uma dinâmica de funcionamento e através desta surgiram todas as formas de criação e transformações na natureza, tais como: o dia e a noite; o aparecimento do sol e da lua; as estações do ano...

Esta dinâmica de funcionamento dentro do Wu Chi já é o tai chi chuan. Em sua origem, o Wu Chi criou primeiro as energias yin e yang e a partir delas todas as outras faixas eletromagnéticas (faixas estas que representam, no corpo humano, os meridianos e nervos), dando origem a todas as outras energias, como, por exemplo, a dos cinco elementos, assim como todos os outros entre o céu e a terra.

No I Ching (ciência que estuda as energias), fala-se que a todo momento, nós humanos estamos em interação com o meio ambiente. O I Ching prega que entendendo este princípio, nós podemos aproveitar a vida de uma maneira mais benéfica.

As práticas que levam o indivíduo a uma serenidade são importantes, pois geram não só uma saúde física, mas levam nosso espírito a uma coesão com as energias criadoras da vida. Por isso, Buda e outros iluminados, ao longo de suas vidas, realizaram-se, desenvolvendo a prática da serenidade, para que em outras vidas eles pudessem utilizar-se deste conhecimento e desenvolvê-lo ainda mais.

[continua]

Referência:
[1] Abílio Lima, Curso "Tai Chi Chuan - Chi Kung: Treinamento Interior", contato: http://www.vitaovi.blogspot.com/.

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