Monday, April 02, 2007
A Natureza da Alma
Visto a partir da Lua, o oceano parece algo calmo e inanimado. Mas à medida que nos aproximamos mais do oceano, percebemos que ele está em constante movimento, agitado por ondas. À medida que cada onda é criada, podemos observá-la encapelar, quebrar e precipitar-se na praia. No entanto, é impossível separar a onda do oceano.
Quando começamos a compreender a alma, o mar oferece uma maravilhosa analogia, se lançarmos mão do conceito de não-localidade quântica [1]. Imagine o oceano como uma realidade não-local, um campo de infinitas possibilidades, o nível da existência que sincroniza todas as coisas. Cada um de nós é como uma onda nesse oceano. Somos criados a partir dela e ela forma a essência de quem somos. Assim como a onda assume uma forma específica, nós também ostentamos padrões particulares na realidade não-local. Este vasto e infinito oceano de possibilidades é a essência de todas as coisas no mundo físico. O oceano representa a não-localidade, e a onda, a localidade. Os dois estão sempre intimamente conectados.
Tão logo definimos a alma como sendo oriunda da esfera não-local, nosso lugar no universo torna-se bem claro. Somos ao mesmo tempo locais e não-locais, um padrão individual local (onda) emergindo da inteligência não-local (oceano). Logo, podemos pensar na alma como tendo duas partes. A alma vasta, não-local, existe como o nível virtual ou do espírito. Ela é poderosa, pura e capaz de qualquer coisa. A parte pessoal, local, da alma existe no nível quântico. É ela que alcança a vida do dia-a-dia e sustenta a essência de quem somos. A alma pessoal, que nos vem à cabeça quando pensamos no nosso "eu", é uma emanação da alma eterna.
Se conseguíssemos aprender a viver a partir do nível da alma, veríamos que a nossa melhor parte e mais luminosa está conectada a todos os ritmos do universo. Verdadeiramente nos conheceríamos como os fazedores de milagres que realmente somos capazes de ser. Ficaríamos livres do medo, do anseio, do ódio, da ansiedade e da hesitação. Viver a partir do nível da alma significa deixar para trás o ego, as limitações da mente que nos atrelam aos eventos e resultados do mundo físico. Todos nós somos padrões da não-localidade fingindo ser pessoas. No fim, tudo é espírito.
No nível físico, que chamamos de mundo real, a alma é o observador no meio da observação. Sempre que observamos alguma coisa, três componentes estão envolvidos. O primeiro, que ocorre no mundo físico, é o objeto da observação. O segundo, que tem lugar no mundo da mente, é o processo de observar. O terceiro componente da observação é o próprio observador efetivo, que chamamos alma.
Um exemplo com os três elementos acima. Primeiro, um animal peludo, de quatro pernas, torna-se o objeto de nossa observação. A seguir, nossos olhos recebem a imagem do objeto e transmitem o sinal para a sua mente (cérebro), que interpreta o objeto como sendo um cachorro. Mas quem está observando o cachorro? Volte a percepção para o seu interior e você se tornará consciente de uma presença dentro de você. Desse modo, a mente (via cérebro) está envolvida no processo do conhecimento, mas a alma é aquela que realmente conhece. Essa presença, essa percepção consciente (consciência), essa alma, aquela que conhece, é imutável. Ela é o ponto imóvel de referência no meio do cenário em transformação do mundo físico.
Todos nós possuímos uma alma, mas como cada um de nós observa as coisas a partir de um lugar diferente e de um conjunto distinto de experiências pretéritas, não as observamos exatamente da mesma maneira. As variações no que observamos se baseiam nas interpretações da nossa mente.
A interpretação acontece no nível mental, mas é a nossa alma individual que está condicionada pela experiência, e através dessa memória da experiência passada a alma influencia nossas escolhas e a maneira como interpretamos a vida. Essas minúsculas sementes de memória se amontoam na alma individual ao longo de uma vida e essa combinação de memória e imaginação baseada na experiência constitui o que se chama de carma. O carma se acumula na parte pessoal da alma e a colore. Além disso, as ações que praticamos podem afetar essa alma pessoal e modificar nosso carma, para melhor ou para pior.
Fonte: Deepak Chopra, A Realização Espontânea do Desejo, Editora Rocco, 2005.
Referência:
[1] Blog Saúde Perfeita, A Física da Consciência, do Espírito, da Alma e da Imortalidade - 7, 14.fev.2007.
Labels: Alma, localidade, não-localidade
Wednesday, February 14, 2007
A Física da Consciência, do Espírito, da Alma e da Imortalidade - 7
Albert Einstein nunca aceitou completamente o caráter estatístico/probabilístico da física quântica. Isto fica claro na sua frase célebre: "Deus não joga dados" [1], já que jogar dados dá como resultado uma probabilidade igual a 1/6 de um tipo de face (com 1, 2, 3, 4, 5 ou 6) ficar voltada para cima. Probabilidade igual a um representa o total das possibilidades possíveis (certeza total) ao passo que probabilidade igual a zero representa uma impossibilidade (como resultar o número 7 em um jogo de dados). Ele achava que os físicos quânticos da época estavam esquecendo de incluir algo em suas teorias, que resultava em soluções não-determinísticas dos eventos físicos analisados. Segundo as teorias de Einstein, todos os objetos e sinais não podem se deslocar com velocidade superior à da luz (valor máximo permitido), contrariando assim a propriedade de não-localidade dos objetos quânticos emaranhados [velocidade infinita de interação entre esses objetos], algo já medido em laboratórios.
Vejamos como funciona essa propriedade da interação não-local entre objetos quânticos correlacionados. Tomemos, como exemplo, dois elétrons. Para que eles fiquem correlacionados (emaranhados) basta que eles sejam produzidos em um determinado ponto em um determinado instante. Uma vez gerados esses dois elétrons correlacionados, podemos afastá-los entre si de qualquer distância física, que eles continuarão correlacionados. Agora, se alterarmos alguma característica física de um dos elétrons (sua velocidade, sua rotação, etc), o outro elétron correlacionado sofrerá instantaneamente a mesma alteração! Isto implica em interação instantânea, ou velocidade infinita de interação entre esses elétrons, algo proibido pelas teorias de Einstein.
Esta propriedade de não-localidade tem inúmeras implicações. A telepatia pode ser entendida como uma conseqüência desta propriedade. Foi feita uma experiência que prova isso: duas pessoas interagiram entre si durante um bom tempo (ficando, desta forma, correlacionadas); ambas foram ligadas a eletroencefalogravadores e separadas fisicamente de muitos quilômetros e colocadas em ambientes isolados eletromagneticamente (em gaiolas de Faraday); quando fizeram experiências com uma delas (que implicava em alteração marcante no eletroencefalograma), a outra pessoa, correlacionada, respondia da mesma forma no seu eletroencefalograma.
Uma outra implicação, mais abrangente, refere-se à Cosmologia. Os cientistas calcularam que o todo o Universo foi criado num instante finito do tempo e em um dado ponto do espaço, num único big-bang (explosão), há cerca de quinze bilhões de anos atrás [2]. Tomando isso como verdade, chegamos à conclusão de todos os átomos que constituem o Universo estão correlacionados, pois provêm de um mesmo ponto e no mesmo instante de tempo (condição suficiente para haver o correlacionamento/emaranhamento). Isso vem corroborar a afirmação mística de que "somos todos Um", estamos permanentemente emaranhados com Tudo no Universo. Quando eu mato um mosquito, eu estou matando a mim mesmo. Quando eu evoluo, todos se beneficiam instantaneamente disso, independente da minha divulgação dessa minha evolução.
[continua]
Vídeos relacionados com este tema:
Ciência e Espiritualidade - Física Quântica - Parte 1 (19/11/2006)
Incluído: 25/11/2006
45Kbps (27:26min): Assista on-line (requer banda larga)
Parte 2:
http://www.videosespiritas.com/online/c
Referências:
[1] Laércio B. Fonseca, Física Quântica e Espiritualidade, Publicação própria do autor.
[2] Amit Goswami, A Janela Visionária: Um Guia para a Iluminação por um Físico Quântico, Editora Cultrix, 2000.
Labels: cosmologia, determinismo estatístico, não-localidade, probabilidade, telepatia
