sexta-feira, junho 15, 2007

 

Expansão da Consciência - 2


O que é uma experiência visionária? É uma brusca abertura no céu da consciência comum, uma visão fugidia, às vezes rápida como um simples piscar de olho, de uma realidade diferente daquela que conhecemos através dos nossos cinco sentidos. A experiência do general Patton pode parecer espetacular. Porém, todos nós possuímos, em graus diversos, em certos momentos da vida, a estranha sensação de que a nossa consciência se abre subitamente. É possível que, nesse instante, tenhamos uma visão, uma idéia, um insight, um flash, que podem se revelar, em seguida, premonitórios ou clarividentes. Também podemos nos sentir em contato com uma pessoa viva ou morta ou ter a revelação de uma vida anterior. O ponto culminante desses bruscos estados de abertura, de expansão da consciência normal, é todo um outro mundo que se revela, um mundo inacessível aos nossos sentidos e, mesmo, à nossa imaginação. É uma outra realidade que experimentamos, a que sempre se referiram os sábios, os santos, os poetas ou os artistas visionários. É um outro plano de consciência do qual nos relatam descrições belíssimas e que numerosas crianças parecem ter a capacidade de ver, de experimentar. Antes que o nosso sistema educacional ocidental, racionalista e analítico, asfixiasse totalmente essa faculdade, ela permanecia nas crianças até, em geral, os oito anos de idade. [3]

Quando se segue o método científico tradicional, os pesquisadores tentam estudar esse fenômeno de expansão da consciência a partir do exterior, isto é, colocando eletrodos no corpo de iogues e de monges em meditação, registrando as correspondentes modificações do ritmo cerebral, cardíaco e da temperatura de seus corpos. Porém, esta abordagem nunca dá grandes resultados. Porisso, alguns pesquisadores procuraram estudar o fenômeno partindo do interior, isto é, procuraram atingir, eles mesmos, esses estados transcendentais, a fim de estudá-los de seu próprio interior.

Justamente porque são diferentes do estado de consciência comum, escapando às regras cartesianas aceitas que regem a consciência normal em estado de vigília, os estados alterados de consciência dificilmente são explicáveis a quem não os experimentou. Como você irá "contar" qual é o sabor de uma banana para quem jamais provou uma?

Esse fenômeno gera um profundo sentimento de unidade com tudo o que seja vivente. A pessoa não sente o seu "eu" separado do mundo, conforme o experimenta habitualmente (via individualidade). Sente-se, ao contrário, como se fosse um fio na trama de um tecido no qual a pessoa se integra. Se houver o desejo de transmitir a sua experiência, esta é, em geral, inexplicável, intraduzível em nossos conceitos ou palavras, a não ser por metáforas, técnica muito usada por Jesus Cristo. A realidade captada nesses estados é estranha à realidade habitual. E, no entanto, ela parece muito mais intensa do que o que se costuma rotular de "real". A noção usual de tempo parece desaparecer completamente. Essas experiências costumam ser acompanhadas de um sentimento de sagrado, bem como de repentina ausência de medo face à idéia de morrer, além de fenômenos de audição de ruídos ou sons cósmicos, de aparições ou, mesmo, de experiências de saída do corpo físico (viagens astrais).

[continua]

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