Friday, July 22, 2016

 

A Prisão Nossa de Cada Dia


Conheça e pratique a Verdade, e ela nos libertará da prisão em que fomos colocados como escravos. Como isso aconteceu? Desde que nascemos no mundo físico (na terceira dimensão, 3D) só nos foi contado mentiras, mantidas pela Tradição, que nós aceitamos como verdades. Nós, como ignorantes ("burros"), aceitamos essas "estórias da carochinha" (mentiras) como verdades absolutas. É natural que um burro faça burradas, isto é, que um ignorante cometa erros. O livre-arbítrio do ignorante permite que ele escolha cometer inúmeros erros. A consequência de praticar inúmeros erros é uma vida cheia de problemas, como  uma saúde debilitada. Por que somos ignorantes, burros? Porque fomos manipulados geneticamente por uma raça extraterrestre (Anunnaki), que adoramos como Deus: tínhamos 12 hélices no DNA e acabamos ficando com apenas duas! Com isso, nossos sentidos, na fisicalidade, ficaram restritos a apenas cinco: visão, audição, gustação, olfato e tato. As religiões foram inventadas por esses seres malignos, para cultuar um Deus (eles!) que é todo Amor e Justiça, oniciente, onipresente e onipotente (pode fazer tudo). Como que esse Deus, que é todo amor e justiça, além de ter o poder de fazer tudo que quer (onipotente), faz com que nossas vidas sejam um rosário de coisas ruins, de sofrimento, doenças e dor? Porque esse Deus que adoramos é um capeta que nos manipula por diversão, da mesma forma que um menino ("Deus") destrói um formigueiro ("seres humanos") por pura diversão, sem qualquer remorso. Como que esse Deus sádico (e seus comandados) que adoramos consegue nos maltratar continuamente sem que nós nos revoltemos? Nos contando mentiras misturadas com algumas verdades.

O ser humano é multidimensional, possuindo energia no mundo físico (terceira dimensão, 3D), no mundo astral (4D), na quinta dimensão, etc. Quando "vivemos" no mundo físico, a nossa consciência está focada apenas na 3D; quando "morremos" no plano físico, a nossa consciência passa a atuar na 4D (mundo astral). O nosso problema é que somos escravos na prisão construída nas terceira e quarta dimensão do planeta Terra: ao morrermos na terceira dimensão somos expulsos para a quarta dimensão (astral) e ao morrermos no astral somos enviados de volta para a terceira dimensão (para um novo corpo físico) e assim sucessivamente, em um processo infinito de reencarnações sucessivas (roda de Sansara). Mente-se dizendo que essas reencarnações sucessivas levam a uma evolução humana: não há evolução quando você está permanentemente na cadeia como escravo de um deus vingativo!

Como os seres diabólicos construíram a prisão aqui na Terra e nos colocaram nela como escravos? Com dois estratagemas: muito sexo e muita comida (alimentação bucal)! Deus, o nosso criador original, não é apenas masculino ou apenas feminino. Nós, como criações suas, também tínhamos essa mesma característica, éramos andróginos/hermafroditas e nos reproduzíamos por partenogênese. Aí vieram nossos escravizadores e separaram os seres humanos em dois sexos, masculino e feminino. Com isso começou a escravização, com cada ser dependendo do sexo oposto para se sentir completo, bem.

A outra forma de escravização está associada à nossa alimentação bucal. Onde está a privada de Deus? Onde ele deposita sua urina e fezes? Obviamente, Deus não tem privada pois ele não urina nem defeca. Nós, como filhos de Deus, também não urinávamos e nem defecávamos inicialmente e, portanto, não poluíamos o meio ambiente em que habitávamos. A nossa alimentação era nasal, e não bucal. Em outras palavras, alimentávamos apenas através do ar que respirávamos pelas narinas. No nosso corpo, as partes mais importantes estão duplicadas. Temos apenas uma boca, um estômago, um pênis, uma vagina, mas temos dois braços, duas pernas, dois ouvidos, dois olhos, duas narinas, dois pulmões. Portanto, o uso das narinas/pulmões é muito mais importante que o uso do estômago: podemos passar apenas alguns minutos sem respirar, mas podemos passar muitos dias sem colocar alimentos sólidos ou líquidos no estômago.

Para mim, os budistas estão totalmente equivocados com aquela mania de raspar todos os fios de cabelo da cabeça: isso é uma forma de emburrecer as pessoas, tornando-as ainda mais escravas de um deus/diabo que construiu nossa prisão na 3D-4D. Para você ter uma ideia, Satanás é o nome de um anunnaki que infernizou a vida do personagem bíblico Jó! A bíblia sagrada conta que Sansão perdeu as forças (energia) quando a Dalila cortou o cabelo dele, que ele não cortava desde o nascimento. Por que isso ocorre? Porque os fios de cabelo são antenas eletromagnéticas que captam energia (e informação) do meio ambiente: quanto mais comprido o fio de cabelo, mais eficiente a captação da energia! Porisso, em todos os países do mundo (na atualidade!) as mulheres vivem mais do que os homens (em média); veja a estatística da ONU a esse respeito. Outro ponto pouco conhecido: pouco antes da Segunda Guerra Mundial, Maria Orsic fundou a sociedade secreta alemã VRIL; ela e suas sócias tinham cabelos extremamente longos e, com isso, conseguiram captar informações que levaram à construção dos discos voadores alemães (e nazistas) durante a Segunda Guerra Mundial. Não caia na arapuca de cortar o cabelo curto e evite o emburrecimento.

Como comentei acima, as duas principais técnicas "divinas" de nossa escravização são muito apreciadas por todos: sexo e comida. Meu pai uma vez me contou a seguinte estória: "um diabinho foi reclamar com seu chefe (o diabão), que não estava conseguindo prejudicar uma pessoa muito virtuosa. Aí o diabão (muito sabido) disse ao diabinho: "Induza ela a ter muito sexo (ou masturbação) e comer muita comida". Isso funcionou muito bem, e o diabinho ficou muito feliz". Não há corpo físico que aguente por muito tempo os hábitos de muito excesso de sexo (relação sexual ou masturbação) ou muita alimentação bucal. Veja: uma campeã brasileira de longevidade foi Maria do Carmo Jerônimo, que viveu 129 anos. Características dela: foi escrava (provavelmente, aprendeu a comer sempre pouco, como minha avó materna) e teve apenas uma filha (provavelmente, teve pouco sexo); além disso, sempre estava com os pés descalços no chão (algo que aprendeu do tempo da escravidão)...


 "Conheça a verdade e ela te libertará (da prisão)"

Vamos direto ao assunto. Considere inicialmente os pontos:

1. Vivemos como escravos em uma prisão constituída pela "roda das reencarnações" (sansara). Estamos vivendo na fisicalidade (terceira dimensão, 3D); quando morremos passamos a viver no mundo astral (quarta dimensão, 4D). Quando estamos na 4D somos induzidos a voltar (involuir!) para a 3D. Esta é a prisão: uma ida-e-vinda interminável entre a 3D e 4D.

2. Uma pessoa (como nós) perguntou a um grande mestre: "Qual a diferença entre eu e você?". Resposta do grande mestre: "A diferença é que eu me lembro de TODAS as minhas encarnações e você não se lembra nem da sua última".

3. Foi permitido aos Patriarcas da atual humanidade viverem muitos anos (próximo de mil anos) para que pudessem desenvolver as ciências.

A prisão (escravização) começou a ser criada com o surgimento de dois sexos na raça humana. No início só existia um sexo (o feminino!) que se reproduzia por partenogênese [1]. O sexo masculino surgiu como uma degradação do sexo feminino: menor longevidade, infertilidade, atrofia das mamas, hipertrofia do clitóris (passou a ser chamado de pênis), etc. Por que houve a degenerescência? Porque a raça humana (feminina) passou a acreditar e a praticar uma MENTIRA: que a nossa alimentação original (nasal, respiração via narinas e pulmões) deveria ser complementada com alimentação bucal. No nosso corpo, as partes duplicadas são mais importantes que as não-duplicadas: temos DOIS olhos, duas narinas, dois pulmões, mas somente UMA boca, um estômago, um pênis, uma vagina. Portanto, respirar e ver é mais importante que comida bucal e falar. Podemos viver apenas alguns minutos sem respirar, mas podemos passar muitos dias sem inserir substâncias ("alimentos" sólidos e líquidos) pela boca. Coma pouco e viva muito: minha avó materna, que sempre comeu muito pouco, viveu 100 anos. Vivendo pouco, não temos tempo para evoluírmos (lembre-se dos nossos Patriarcas!) e ficamos como burros na prisão. Todo alimento que inserimos pela boca, o corpo joga fora na forma de urina e fezes. Alimentando-se apenas com ar, as fístulas do ânus e do meato urinário se cicatrizarão (sumirão), por não terem mais utilidade. Deus não tem privada e nós também não precisaríamos ter. Com isso não poluiríamos o mundo.

Uma rápida pesquisa na internet mostrará que a raça humana na Terra já desenvolveu instrumentos -  motos, carros, naves espaciais, geradores de energia elétrica - que funcionam ilimitadamente com energia extraída do vácuo ["vacuum energy", "zero point energy", "free energy"], com poluição ZERO! Todas essas invenções são mantidas em segredo pelos controladores de nossa sociedade humana na superfície do planeta. Por que? Porque alguém sabido(a) poderia fazer a pergunta: "Será que o ser humano, que construiu essas máquinas que funcionam eternamente e com poluição zero, também não tem um corpo físico (muito mais sofisticado!) que poderia funcionar eternamente sem poluir nada?". A resposta é um estrondoso SIM! Via alimentação nasal (respiração), sem alimentação bucal.

Quem construiu e é o dono da nossa prisão? É o deus da bíblia sagrada e seus comparsas. Quando estivermos na 4D, devemos fazer uso de nossa SOBERANIA individual (relativa a todos os temas que nos afeta), combinada com nosso livre-arbítrio, para não aceitar involuir para a 3D (perdendo CONSCIÊNCIA de todas as nossas experiências de encarnações passadas, voltando a novamente cagar nas calças, como bebê!). Aceitar apenas ir para a 5D (para continuar a EVOLUIR sempre e continuamente!), e nunca INVOLUIR para a 3D.

Somos como passarinhos em uma gaiola: se os passarinhos (nós) nasceram e viveram sempre na gaiola (prisão), mesmo abrindo a porta da gaiola (opção de liberdade), os passarinhos não sairão da gaiola, se não perderem o medo do desconhecido (da liberdade). No nosso caso, se não nos livrarmos das mentiras (que geraram convicções e apegos) que nos contaram desde que nascemos na 3D.


Como deixei implícito acima, todos os problemas humanos de saúde física e mental estão associados a apenas DUAS causas básicas: sexo e comida. Os construtores e guardas da nossa prisão 3D-4D (Deus-Demônio, o Deusmônio e seus colaboradores) fizeram com que todos nós tirássemos muito prazer desses dois aspectos da vida, e distorceram o seu uso, visando que morrêssemos o mais cedo possível e, dessa forma, não tivéssemos tempo para evoluir e, portanto, continuarmos emburrecidos e presos na prisão 3D-4D.

Sobre o sexo: a prática excessiva de relação sexual e da masturbação diminui a energia vital da pessoa, que irá faltar para manter as atividades automáticas do corpo físico em seu melhor nível, como o sistema imunológico que, quando debilitado, proporciona o surgimento de inúmeras doenças, como aids, câncer, etc. Quando o homem ejacula em uma relação sexual usual, ele perde muita energia vital. É por isso que o Taoismo e a Gnose recomendam que o homem não ejacule durante as relações sexuais: dessa forma ele preserva sua saúde e aumenta a sua longevidade! Desconfio que o sexo usual praticado entre homem e mulher aqui na 3D é mais um mecanismo artificial inventado pelos donos da prisão para manter os escravos (nós) permanentemente na prisão: esse sexo leva à gravidez da mulher, que desta forma puxa seres da 4D para a fisicalidade 3D (mecanismo de involução). Se a gravidez fosse um mecanismo natural, a gravidez deveria ocorrer em todas as dimensões, como resultado da atividade sexual naquela dimensão! Mas, na 4D, pode-se ter atividade sexual irrestrita, sem que isso cause uma gravidez e a consequente puxada  de seres da 5D para a 4D. Algo muito suspeito!


Sobre a comida: se inserirmos substâncias ("comida") pela boca, nós transformamos nosso corpo físico em uma máquina de poluição do Universo, através de nossa urina e fezes. É óbvio que a alimentação bucal não foi feita para os seres humanos deste planeta: a nossa alimentação básica deveria ser nasal, respirando o ar atmosférico. Na realidade, a nossa sobrevivência física neste planeta deveria envolver os quatro elementos: AR (via respiração), ÁGUA (extraída da umidade do ar, via respiração), FOGO (captada do Sol, gerando vitamina D) e TERRA (ficando descalço com o pé no chão). Duvido que os mestres ascensionados (como um Saint Germain, por exemplo) tenha uma privada em que descarregue sua urina e fezes!! Porque TODOS eles "escondem o jogo" e não nos esclarecem sobre esse "pulo do gato" (não usar a alimentação bucal, viver de luz, "viver de brisa")?? Pensem bastante sobre isso!

Sobre os complementos: 


1. Se você consultar as estatísticas da ONU (Organização das Nações Unidas) verá que o país campeão de longevidade é o Japão. Por que esse país (e não China ou Coreia, com o mesmo biotipo)? Porque os japoneses têm o hábito de andarem descalços dentro de casa! Não acreditam que seja isso? A Maria do Carmo Gerônimo, campeã brasileira de longevidade (129 anos), sempre andou descalça, com os pés no chão. Coincidência? Tenho uma tia (Stela, de Araraquara) que possui uma doença grave nas pernas, chamada erisipela (pele muito irritada, com dor): quando vai à praia e passa a andar descalça na areia, depois de 3 dias os sintomas de erisipela desaparecem; quando volta para Araraquara (onde fica sempre calçada) os sintomas reaparecem! Atribui-se a Jesus: "A vida só vem da vida e da morte só vem morte" [2]. Andar o tempo todo sobre uma coisa morta (seus calçados) só pode trazer as doenças e a morte a longo prazo.


2. Quanto maior a força da gravidade, maior o desgaste do seu corpo físico. Portanto, procure morar em um lugar elevado (próximo ao pico de uma montanha, como a Evelyn): ao nível do mar a força da gravidade é máxima! A campeã Maria do Carmo Jerônimo sempre morou no interior (Minas Gerais); a única vez que veio ao litoral e viu o mar foi quando o papa João Paulo II visitou o Brasil. Se você pesquisar as localidades onde ocorrem a maior densidade de pessoas centenárias verificará que são povoados em locais elevados, como Vilcabamba, no Equador. Há poucos dias, um brasileiro chamado João Havelange (que foi por muitos anos presidente da FIFA) morreu com 100 anos de idade. Por que ele viveu tanto tempo? Porque ele foi um atleta das piscinas na juventude, e nadou até poucos anos antes de morrer. Como isso se relaciona com longevidade? Quando seu corpo está dentro da piscina, ele fica sujeito a gravidade zero e minimiza o seu desgaste. Os astronautas, antes de serem mandados ao espaço (onde a gravidade é quase zero), treinam em piscinas! A vantagem adicional para morar próximo ao pico de uma montanha é que nessa região há uma maior densidade de energia, devido ao que os físicos chamam de "poder das pontas": cargas elétricas se concentram mais (gerando maior densidade energética) próximo de pontas de objetos condutores: uma pessoa em pé e descalço também constitui uma ponta na superfície terrestre, assim como um pênis ereto...
3. Evite a constante mutilação de seu corpo: não corte (mutile) seu cabelo, pois eles são antenas eletromagnéticas que captam energia (e informação) do meio ambiente; quanto maior o comprimento da antena (do fio de cabelo), maior a sua eficiência de captação de energia e informação: lembre-se da história de Sansão e Dalila e da Maria Orsic; veja o cabelão do sábio chamado Drunvalo Melchizedek (procure no YouTube) e da sábia Evelyn Levy. Minha vó materna também chegou aos 100 anos, sem nunca cortar os cabelos. Os budistas se emburrecem mais e ficam mais escravos do Deusmônio raspando todo o cabelo da cabeça; não caia nessa...
Pensem sobre os pontos acima e tirem suas próprias conclusões...

Referências:

[1] Postagem "Concepção Imaculada: As Mães Virgens", no blog http://saudeperfeitarfs.blogspot.com.br

[2] Edmond Bordeaux Szekely, O Evangelho Essênio da Paz - Livro I, Editora Pensamento, São Paulo, 2005.

Labels: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,


Sunday, June 21, 2015

 

O Visível e o Invisível - 2


Tudo o que você consegue ver (ou sentir, com os seus cinco sentidos) no mundo físico, está intrinsicamente conectado com o seu complemento que você não vê (ou sente). Tudo o que você sente está no seu consciente, e tudo que você não sente está no seu inconsciente. Para que algo se manifeste é necessário ocorrer essa divisão entre visível e invisível. Quando você vê uma lâmpada se acender, algo que você não vê precisa estar acontecendo: uma corrente elétrica, que você não vê, precisa estar circulando pelo filamento da lâmpada. Mas esta corrente elétrica invisível pode ser detectada por um aparelho apropriado (um amperímetro).

Seja lá o que se revelar no mundo do conhecimento, a sua parte complementar ficará irrevelada. Quando você fala (audição é acionada), o seu lado negativo do silêncio não é manifestado. Quando você se cala, o lado positivo do silêncio, a fala, não se manifesta. Nada pode manifestar-se, tornar-se conhecido, sem que o oposto, o contrário complementar, esteja simultaneamente presente na forma invisível. Quando algo de positivo se manifesta, o lado negativo fica oculto, e vice-versa - quando surge o negativo, o positivo não aparece. Onde aparecer um lado, o outro terá de estar presente, nem que seja no estado invisível. O fato de se pertencerem os une para sempre.

Portanto, o estado de separação é apenas aparente, porque mesmo que as duas metades complementares estejam separadas e distantes da unidade total, elas não se distanciam uma da outra e tampouco podem abandonar-se. Observe o mundo visível. Ele só pode ser reconhecido porque se separou da unidade, em que o nada e o tudo ainda repousavam um no outro, portanto separou-se da unidade absoluta a que denominamos Deus. Só conseguimos conhecer a criação porque o positivo separou-se do negativo e, então, podemos compará-los. Não existe conhecimento sem que a unidade se divida em duas metades, uma revelada e a outra não - o seu reflexo -, o que possibilita reconhecê-las por comparação.

A criação, o mundo cognoscível, é como uma árvore. À direita dá frutos bons e positivos, e à esquerda, maus e negativos. Ambos os lados pertencem, no entanto, ao mesmo tronco, à mesma unidade. Toda a criação é, então, a árvore do conhecimento do bem e do mal. Somente pela divisão da unidade, que não é boa nem má, mas divina, surgem o bem e o mal. Graças a ela o conhecimento foi possível. Por conseguinte, o mundo cognoscível precisa conter o bem e o mal, caso contrário não é cognoscível nem tampouco possível.

Por ter-se encarnado num corpo, você se tornou um ser cognoscível. Você separou sua consciência do nada e do tudo, separou-a de Deus, do seu eu verdadeiro. Você caiu na multiplicidade, na diferenciação. Você é uma revelação, uma criatura. Você deve usar as qualidades das virtudes na época certa e no lugar apropriado. A mesma virtude que é divina, quando usada no local e na época corretos, torna-se satânica, se empregada no lugar e na época errados. Pois Deus somente cria o bem, a beleza, o amor e a verdade. Não existem qualidades más ou forças maléficas, o que há são qualidades e forças mal empregadas!

O corpo é o resultado e a consequência da separação, ele é apenas a metade visível do seu eu verdadeiro. A outra metade ficou na parte inconsciente, na parte invisível do seu ser. Quando você unir essas duas partes complementares, você poderá reencontrar a unidade divina! É impossível viver a unidade fisicamente - tornar visível, corpórea a metade inconsciente e unir as duas. Isso porque uma consciência não pode dar vida a dois corpos. Se você quiser viver a essência da metade complementar em seu corpo, isso significará a morte. Se o corpo se tornou visível justamente por se ter separado de sua metade complementar, a reunião acarretaria a morte como consequência. Mas você pode viver a unidade divina com sua metade complementar ainda no corpo, mas apenas num estado de consciência!

Enquanto um ser vivo procurar a outra metade do seu ser no lado exterior, no mundo criado e reconhecível, nunca encontrará a unidade, porque sua metade complementar não está neste lado externo, na revelação, separada dele, mas unida a ele, no próprio inconsciente irrevelado. Não poderia existir qualquer ser vivo se a outra metade não estivesse no plano invisível. O oposto de tudo o que você é e revela em sua parte consciente, e que torna manifesto, está contido no seu inconsciente, que, no entanto, também lhe pertence, pois ele também é você. Você não encontrará a metade que lhe complete no exterior; também não a encontrará num homem ou numa mulher de carne e osso. Conseguirá encontrá-la no inconsciente do seu próprio eu. Se unir essas duas metades do seu eu na consciência, você voltará a participar do nada e do tudo, tornando-se idêntico(a) a Deus!

Comer alguma coisa significa "tornar-se idêntico" à coisa comida. Pois você é o resultado do que come, você é o que come. Pelo fato de a sua consciência identificar-se com o corpo, simbolicamente falando, você comeu os frutos da árvore do conhecimento do bem e do mal e tornou-se mortal. O seu corpo físico visível só existe porque existe uma parte complementar energética e invisível que o sustenta. Note que a nossa comida mais importante é o ar que respiramos, pois não podemos passar muitos minutos sem ele. Portanto, para manter a saúde de seu corpo físico, insira pelas narinas apenas ar puro. Se você inserir ar morto, venenoso ou poluído pela narinas, rapidamente você mata o seu corpo, como era feito nas câmaras de gás nazistas.Também para manter a saúde, insira pela boca apenas alimentos (sólidos ou líquidos) vivos, isto é, não cozidos, para se manter sempre vivo. Se cozinharmos um homem vivo em um caldeirão, no final teremos um homem morto, um cadáver cozido, sem vida. Portanto, para manter ou recuperar sua saúde, de forma permanentente, insira ar puro pelas narinas e insira alimentos crus pela boca. E o resto é "conversa mole para boi dormir"...

Fonte consultada:
1. Elisabeth Haich, Iniciação, Círculo do Livro S.A., por cortesia da Editora Pensamento Ltda, São Paulo-SP.

Labels: , , , , , , , ,


Friday, November 01, 2013

 

O Governo Escravagista


O governo de todos os países não deseja que a população (nós, os escravos) se revolte contra seus ditames. Para isso, uma série de medidas são tomadas. Deve ser claro para as pessoas que os governos modernos não desejam que ocorra a evolução da consciência humana (para que não haja revolta contra a ditadura imposta) e, especialmente, que não ocorra a extensão da vida de cada um (que ocorre com a melhoria da saúde individual), para não inviabilizar o programa de aposentadoria do governo.

Inúmeras evidências estão disponíveis, por exemplo, sobre a perpetuação da escravização química (principalmente, através da alimentação) da população desavisada. Um exemplo recente, por exemplo, refere-se à empresa norte-americana Monsanto que está inundando o suprimento mundial de alimentos com organismos/alimentos geneticamente modificados (GMO ou OGM, em português), que foi provado causar graves prejuizos em uma descoberta recente envolvendo porcos, cujos tratos digestivos são bem similares aos humanos. De acordo com o estudo, os pesquisadores descobriram um aumento estatisticamente significativo na inflamação severa do estômago; cerca de 2,5 vezes maior em porcos que foram alimentados com os grãos manipulados geneticamente quando comparado com os grãos não manipulados. Adicionalmente, o peso do útero dos porcos era 25% maior em porcos alimentados com GMO, um assunto que pode levar a problemas com o sistema hormonal e reprodutivo do porco, dito por Michael Hansen, cientista do Consumer's Union Senior Staff [1].

A substância química ideal que um governante daria apoio alegremente é aquela que relega a população leal ao governante, suprima a vontade de revolta mesmo sob condições muito severas e, ao mesmo tempo, mantenha o sujeito em um nível funcional para as tarefas alocadas. Portanto, é de se esperar ver substâncias em circulação que suprime a consciência humana, enquanto ao mesmo tempo ficam consideradas fora da lei aquelas que elevam a consciência.  Flúor na água pública, açúcar, tabaco, álcool e cafeína estão fortemente presentes nas sociedades modernas, enquanto substâncias que eram tradicionalmente usadas pelos nativos norte-americanos para elevar/mudar a consciência, tais como certos cogumelos, peyote e maconha (hempt) são proibidos atualmente nos Estados Unidos.

O nosso corpo é todo controlado por sinais eletromagnéticos gerados interiormente. O cérebro humano, por exemplo, funciona com frequências na faixa de 0 a 20 Hz, como registrado e mostrado em dispositivos médicos tais como o eletroencefalograma (EEG). Que ocorre com o cérebro humano quando exposto a frequências eletromagnéticas externas que estão dentro desta faixa do EEG? Se, além disso, determinadas informações forem moduladas nesta frequência externa que sejam desmoduladas biologicamente pelos seres humanos, desta forma colocando "pensamentos subconscientes" dentro da mente humana? Esta tática eletromagnética subversiva já está sendo usada pelo governo dos Estados Unidos através do programa HAARP (High frequency Active Auroral Research Program), com instalações físicas localizadas em Gakona, Alaska, consistindo de uma rede de antenas que pode afetar a consciência humana em grande escala.

Vários métodos de controle e escravização foram projetados pelos governos para controlar seus súditos, entre os quais podemos citar a dependência química (água pública, chemtrails, etc), escravização econômica e manipulação ativa das funções mentais usando sinais eletromagnéticos externos com frequências e potências adequadas, todos atuando para suprimir a consciência humana e perpetuar a classe dirigente. A maioria dos humanos é vitima inconsciente do grau de controle a que estão submetidos e pensam ter uma liberdade, que basicamente é apenas uma ilusão.

Referência:
[1] Gerald Clark, The Anunnaki of Nibiru - Mankind's Forgotten Creators, Enslavers, Destroyers, Saviors, and Hidden Architects of the New World Order, 2013. ISBN: 1491211229.

Labels: , , , , , , ,


Saturday, July 09, 2011

 

Conversando com Deus - 6


Nem todas as coisas que lhes acontecem, e que vocês chamam de ruins, são escolha de vocês. Não no sentido consciente. Porém, todas elas são criações suas.

Vocês estão sempre envolvidos no processo de criar. Em todos os momentos. Todos os minutos. Todos os dias. Por enquanto, aceite apenas a Minha palavra: vocês são uma grande máquina criadora e produzem uma nova manifestação tão veloz quanto o pensamento.

Ocorrências, condições, situações - tudo isso é criado pela consciência. A consciência individual é muito poderosa. E a consciência das massas? Ela é tão poderosa que pode criar ocorrências e situações de importância e consequências mundiais.

Não seria certo dizer que vocês escolhem essas experiências. Não as escolhem mais do que Eu as escolho. Como Eu, vocês as observam. E decidem Quem São em referência a elas.

No entanto, não há vítimas e nem algozes no mundo. E você tampouco é uma vítima das escolhas dos outros. Em algum nível todos vocês criaram o que dizem que detestam - e, por conseguinte, o escolheram.

Enquanto você nutrir a idéia de que há algo ou alguém "fazendo isso" com você, você não terá o poder de fazer nada a respeito. Somente quando você disser "eu fiz isso" você poderá ter o poder de mudá-lo.

É muito mais fácil você mudar o que está fazendo do que mudar o que os outros estão fazendo.

O primeiro passo para mudar qualquer coisa é saber a aceitar que você escolheu ela ser o que é. Se não puder aceitar isso em um nível pessoal, admita-o através de sua compreensão de que Nós somos todos Um.

No sentido mais amplo, todos os eventos "ruins" que acontecem são da sua escolha. O erro não é escolhê-los, mas chamá-los de ruins. Porque ao fazer isso, você chama o seu Eu de ruim, já que foi ele que os criou.

As calamidades e os desastres naturais do mundo - seus tornados e furacões, vulcões e enchentes - desordens físicas - não são especificamente criações suas. O que você cria, nesses casos, é o grau em que esses eventos afetam a sua vida.

Vocês criam coletiva e individualmente a vida e os tempos que estão experimentando, e o objetivo é a evolução da alma.

Você pergunta se há um modo menos doloroso de passar por esse processo - e a resposta é sim. Contudo, nada em sua experiência exterior terá mudado. O modo de diminuir o sofrimento que você associa às experiências e ocorrências terrenas - tanto as suas como as das outras pessoas - é mudar o modo de vê-las.

Você não pode mudar o evento exterior (porque ele foi criado por todos vocês, e não é suficientemente maduro em sua consciência para alterar individualmente o que foi criado coletivamente), por isso você deve modificar apenas a experiência interior. Esse é o caminho para o completo controle da vida.

Nada é em si mesmo doloroso. O sofrimento resulta do pensamento errôneo. É apenas um erro no modo de pensar.

O sofrimento resulta de um julgamento que você fez sobre uma coisa. Elimine o julgamento e o sofrimento desaparecerá. O julgamento frequentemente se baseia em uma experiência anterior.

Todo o pensamento é criativo, e nenhum pensamento é mais poderoso do que o original. É por essa razão que às vezes ele também é chamado de pecado original.

O pecado original ocorre quando o seu primeiro pensamento sobre alguma situação é errôneo. O erro é, então, cometido muitas vezes, sempre que você tem um segundo ou terceiro pensamento em relação a ele. É trabalho do Espírito Santo inspirá-lo a ter nova compreensões que podem livrá-lo de seus erros.

Fonte: Neale Donald Walsch, Conversando com Deus - Livro I, Editora Agir, Rio de Janeiro, 2008. ISBN 978-85-220-0848-3.

Labels: , , , , ,


Sunday, April 17, 2011

 

A Incerteza da Vida

"Conheça a verdade e ela te libertará", Jesus

Não estou aqui para dar a você um dogma - o dogma faz com que se tenha uma certeza. Não estou aqui para te dar qualquer promessa para o futuro - qualquer promessa para o futuro transmite alguma segurança. Estou aqui simplesmente para deixá-lo alerta e consciente - isto é, para você ficar no aqui e agora, com toda a insegurança que existe na vida, com toda a incerteza que existe na vida, com todo o perigo que existe na vida.

Sei que você veio aqui em busca de certeza, de alguma doutrina, algum "ismo", algum lugar ao qual pertencer, alguém em quem confiar. Você está aqui por causa do medo que você sente. Você está procurando uma espécie de prisão bonita - de forma que possa viver nela sem nenhuma consciência.

No entanto, eu gostaria de fazer com que você se sentisse ainda mais inseguro, mais incerto - porque é assim que a vida é, é assim que Deus é. Quando há mais insegurança e mais perigo, o único jeito de reagir a isso é apelar para a sua consciência.

São duas as possibilidades. Ou você fecha os olhos e passa a ser dogmático, vira cristão, hindu ou muçulmano... e aí fica como se fosse um avestruz. Isso não muda a vida real; é simplesmente um fechar de olhos. Simplesmente faz de você um estúpido, alguém sem inteligência. E nessa sua falta de inteligência, você se sente seguro - todo idiota se sente seguro. Na verdade, só os idiotas se sentem seguros. O homem que está verdadeiramente vivo sempre se sentirá inseguro. Que segurança pode existir?

A vida não é um processo mecânico; não pode ser predeterminada. Ela é um mistério imprevisível. Ninguém sabe o que acontecerá em seguida. Nem Deus, que você acha que mora em algum lugar no sétimo céu; nem mesmo ele - se ele estiver lá -, nem ele sabe o que vai acontecer!... porque, se ele sabe o que vai acontecer, então a vida é só tapeação, tudo é escrito de antemão, tudo é determinado de antemão. Como ele pode saber o que vai acontecer se o futuro está sempre em aberto? Se Deus sabe o que vai acontecer daqui a pouco, então a vida é só um processo mecânico, morto. Então não existe liberdade, e como pode existir vida sem liberdade? Então não há possibilidade de crescer ou não crescer. Se tudo é predestinado, não existe glória nem grandeza. Você é apenas um robô.

Não, nada é seguro. Essa é a minha mensagem. Nada pode ser seguro, porque uma vida segura seria pior do que a morte. Nada é certo. A vida é cheia de incertezas, cheia de surpresas - e é aí que está a beleza dela! Você nunca chegará ao ponto em que poderá dizer, "Agora estou certo disso". Quando você disser que está certo de alguma coisa, você estará simplesmente declarando a sua própria morte; você estará se suicidando.

A vida continua sempre em marcha, com mil e uma incertezas. É aí que está a liberdade da vida. Não chame a isso de insegurança.

Eu posso entender por que a mente chama a liberdade de "insegurança"... Você já ficou preso numa cela da prisão por alguns meses ou anos? Se já ficou numa cela por alguns anos, você sabe que, no dia de ser solto, o prisioneiro começa a sentir uma incerteza quanto ao futuro. Tudo era garantido na cela; tudo não passava de pura rotina. Ele tinha comida, tinha proteção, não tinha medo de ficar com fome no dia seguinte e de não haver comida - nada disso, tudo era certo. Agora, de repente, depois de muitos anos, o carcereiro vem e diz a ele, "Agora você vai ser solto". Ele começa a tremer. Fora dos muros da prisão, mais uma vez haverá incertezas; mais uma vez ele terá que buscar, procurar; mais uma vez terá que viver em liberdade.

A liberdade dá medo. As pessoas falam sobre a liberdade, mas elas têm medo dela. E um homem não é um homem verdadeiro ainda se ele tem medo da liberdade. Dou a você liberdade; não dou a você segurança. Dou a você entendimento; não dou conhecimento. O conhecimento lhe traz certezas. Se posso dar a você a fórmula, uma fórmula pronta, de que existe um Deus, existe um Espírito Santo e existe um único filho bem-amado, Jesus; existe um inferno e um céu e existem as boas ações e as más ações; cometa um pecado e você irá para o inferno, pratique o que eu chamo de atos virtuosos e você irá para o céu - acabou! -, então você tem certezas. É por isso que tantas pessoas optaram por ser cristãos, hindus, muçulmanos, jainistas - elas não querem liberdade, querem apenas fórmulas fixas.

Um homem estava morrendo - de repente, num acidente de estrada. Ninguém sabia que ele era judeu, então chamaram um padre, um padre católico. O padre se curvou bem próximo ao homem - e o homem estava morrendo, nos últimos estertores da morte - e disse:
- Você acredita na Trindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo e em seu filho Jesus?
- Veja só! - respondeu o homem, abrindo os olhos-, eu aqui morrendo e ele fazendo charadas!

Quando a morte bater à sua porta, todas as certezas serão simplesmente charadas e tolices. Não se apegue a nenhuma certeza. A vida é incerteza - sua própria natureza é incerta. E um homem inteligente nunca tem certeza de nada.

A própria disposição para permanecer na incerteza é a coragem. A própria disposição para ficar na incerteza é confiança. A pessoa inteligente é aquela que está sempre alerta, não importa a situação - e a enfrenta com todo o seu coração. Não que ela saiba o que vai acontecer, não que ela saiba, "Faça isso e acontecerá aquilo". A vida não é uma ciência; não é uma cadeia de causas e efeitos. Aqueça a água a cem graus e ela evapora - isso é uma certeza, ciência. Mas na vida real, nada é certo como isso.

Cada pessoa é uma liberdade, uma liberdade desconhecida. É impossível predizer, impossível fazer conjecturas. É preciso viver na consciência e no entendimento.

Você vem até mim em busca de conhecimento; quer fórmulas prontas para que possa se agarrar a elas. Eu não dou nenhuma. Na verdade, se você tiver alguma, eu a tiro de você! Pouco a pouco, destruo suas certezas; pouco a pouco, faço com que você fique cada vez mais hesitante; pouco a pouco, deixo-o cada vez mais inseguro. Essa é a única coisa que tem que ser feita. Essa é a única coisa que um Mestre precisa fazer! - deixá-lo em total liberdade. Em total liberdade, com todas as possibilidades em aberto, com nada pré-fixado... você terá que ficar consciente - não existe outra possibilidade.

Isso é o que eu chamo de entendimento. Se você entender isso, a insegurança passa a ser uma parte intrínseca da vida - e é bom que seja assim, porque faz da vida uma liberdade, faz da vida uma contínua surpresa. Nunca se sabe o que vai acontecer. Isso faz com que você viva em constante assombro. Não chame a isso de incerteza - chame de assombro. Não chame de insegurança - chame de liberdade.

A vida é feita de incertezas e a morte de certeza...

Fonte: Osho, Coragem - O Prazer de Viver Perigosamente, Editora Cultrix, 1999.

Labels: , , , , , , , , , ,


Saturday, February 12, 2011

 

Ego e Perdão


"A chave para a tristeza é viver com a mente focada no passado ou no futuro"


Perguntaram ao Osho: Por que é tão difícil perdoar, deixar de se apegar a mágoas que já passaram?

A resposta dele: O ego existe na infelicidade e, quanto maior a infelicidade, mais alimento o ego recebe. Nos momentos de plenitude, de alegria, o ego desaparece totalmente, e vive-versa: se o ego desaparece, o estado de plenitude começa a banhar você. Se você quiser permanecer no seu ego, você não poderá perdoar, não poderá esquecer, particularmente as suas mágoas, as feridas, os insultos, as humilhações, os pesadelos. Não apenas você não poderá perdoar, mas os exagerará, os enfatizará. Você tenderá a se esquecer de tudo o que foi belo em sua vida, não se lembrará dos inúmeros momentos alegres; no que se refere ao ego, esses momentos não têm nenhum propósito. A alegria é como veneno para o ego, e a infelicidade é como vitaminas para ele.

Você terá de entender todo o mecanismo do seu ego. Se você tentar perdoar, esse não é o perdão verdadeiro. Com uso do esforço, você apenas reprime. Você pode perdoar somente quando você entende a estupidez de todo o jogo que segue em frente dentro de sua mente. O absurdo total de tudo isso precisa ser percebido completamente; se não for assim, você reprimirá de um lado, e ele começará a vir de um outro lado; você reprimirá de uma forma, e ele se afirmará de uma outra forma, às vezes de uma maneira tão sutil que é praticamente impossível reconhecer que se trata da mesma velha estrutura, tão renovada e decorada que parece praticamente nova.

O ego vive no negativo, pois ele é basicamente um fenômeno negativo; ele existe ao você dizer "não". O "não" é a alma do ego. E como você pode dizer não para um estado de plenitude? Você pode dizer não para a infelicidade, para a agonia da vida, mas como você pode dizer não para as flores, para as estrelas, para os pores-do-sol e para tudo o que é belo e divino? E toda a existência está repleta dessas coisas, ela está repleta de rosas, mas você insiste em apanhar apenas os espinhos, pois tem feito um grande investimento nesses espinhos. Por um lado você diz: "Não, não quero essa infelicidade!", e por outro lado insiste em se apegar a ela. E por séculos lhe disseram para perdoar.

Mas o ego pode viver por meio do perdão, pode começar a ter um novo alimento graças à seguinte idéia: "Eu perdoei, perdoei até mesmo meus inimigos. Não sou uma pessoa comum". E lembre-se perfeitamente bem: um dos fundamentos da vida é que a pessoa comum acha que não é comum; a pessoa média acha que não está na média. No momento em que você aceita a sua ordinariedade, você se torna extraordinário; no momento em que você aceita a sua ignorância, o primeiro raio de luz penetra em seu ser, a primeira flor desabrocha e a primavera não estará distante.

Jesus diz: "Perdoe seus inimigos, ame seus inimigos". E ele está certo, pois, se você puder perdoar os seus inimigos, você ficará livre deles; do contrário, eles ficarão a assombrá-lo. A inimizade é um tipo de relacionamento; ela entra mais fundo do que seu pretenso amor.

Ainda hoje uma outra pessoa me perguntou: "Osho, por que um caso de amor harmonioso parece ser monótono e decadente?". Pela simples razão de ele ser harmonioso! Para o ego, ele perde toda a atração; parece que ele não existe. Algum conflito é necessário, alguma contenda é necessária, alguma violência é necessária, algum ódio é necessário. O amor, o seu pretenso amor, não vai muito fundo; ele tem a profundidade da sua pele, ou talvez nem seja tão profundo. Mas o seu ódio vai muito fundo, tão fundo quanto o seu ego.

Jesus está certo quando diz: "Perdoe", mas ele foi mal interpretado por séculos. Buda diz a mesma coisa, e todas as pessoas despertas fatalmente dirão a mesma coisa. A linguagem usada pode diferir, eras diferentes, épocas diferentes, pessoas diferentes... Naturalmente elas precisam falar linguagens diferentes, mas o âmago essencial não pode ser diferente. Se você não puder perdoar, isso significa que você viverá permanentemente com os seus inimigos, com as suas mágoas, com as suas dores.

Assim, por um lado você deseja esquecer e perdoar, pois a única maneira de esquecer é perdoando; se você não perdoar, você não poderá esquecer. Mas por outro lado, há um envolvimento mais profundo, e, a menos que você perceba esse envolvimento, Jesus ou Buda não serão de ajuda para você. As belas afirmações deles serão lembradas por você, mas não se tornarão parte do seu estilo de vida, não circularão no seu sangue, em seus ossos, em sua medula, não serão parte do seu ambiente espiritual; essas afirmações permanecerão alienígenas, algo imposto de fora; belas, pelo menos elas têm apelo intelectual, mas existencialmente você continuará a viver da mesma maneira de sempre.

O primeiro ponto a ser lembrado é que o ego é o fenômeno mais negativo da existência, como a escuridão. A escuridão não tem existência positiva; ela é simplesmente a ausência de luz. A luz tem uma existência positiva; é por isso que nada pode ser feito diretamente com a escuridão. Se o seu quarto estiver repleto de escuridão, você não poderá colocá-la para fora do quarto, não poderá jogá-la fora, não poderá destruí-la diretamente por nenhum meio. Se você tentar lutar contra ela, você será derrotado. A escuridão não pode ser derrotada pela luta direta. Você pode ser um grande lutador, mas ficará surpreso ao saber que não pode derrotar a escuridão; é impossível, pela simples razão de que a escuridão não existe. Se você quiser fazer alguma coisa com a escuridão, você terá de fazer via luz. Se você não quer a escuridão, traga a luz; e, se você quer a escuridão, apague a luz. Mas sempre faça algo com a luz; nada pode ser feito diretamente com a escuridão. O negativo não existe, e assim é o ego.

É por isso que eu não sugiro que você perdoe; não digo que você deveria amar e não odiar, não digo para você abandonar todos os seus pecados e se tornar virtuoso. A humanidade sempre tentou tudo isso e fracassou completamente. Meu trabalho é totalmente diferente; eu digo: Traga a luz para o seu ser, não se preocupe com todos esses fragmentos da escuridão.

E o ego está no próprio centro da escuridão; o ego é o centro da escuridão. Você pode trazer a luz, tornar-se mais consciente, mais alerta, e o método é a meditação. Se não for assim, você ficará reprimindo, e tudo o que é reprimido precisa ser reprimido repetidamente, e esse é um exercício inútil, completamente inútil. O que foi reprimido começará a aflorar a partir de um outro lugar; ele encontrará algum outro ponto mais fraço em você para se expressar.

Você pergunta: "Por que é tão difícil perdoar, deixar de se apegar a mágoas que já passaram?". Pela simples razão de que elas são tudo o que você tem. E você insiste em jogar com suas velhas feridas, de tal modo que elas permaneçam frescas em sua memória. Você nunca permite que elas se curem.

Um homem estava sentado em um compartimento de um trem, e à sua frente estava sentado um padre com uma cesta de piquenique a seu lado. O homem não tinha mais nada a fazer, e então ficou observando o padre.
Depois de algum tempo o padre abriu a cesta de piquenique e pegou uma pequena toalha, que colocou cuidadosamente sobre os joelhos. Então ele pegou uma tigela de vidro e a colocou sobre a toalha; depois pegou uma faca e uma maçã, descascou-a, cortou-a e colocou os seus pedaços dentro da tigela. Então ele pegou a tigela, ergueu-a e jogou os pedaços da maçã pela janela. Depois ele pegou uma banana, descascou-a, cortou-a, colocou na tigelae jogou-a pela janela. Fez o mesmo com uma pêra, com uma pequena lata de amoras e abacaxi e um vidro de creme, jogando-os todos pela janela depois de prepará-los cuidadosamente. Então ele limpou a tigela, chacoalhou a toalha e colocou-as de volta na cesta de piquenique.
O homem, que assombrado observava o padre fazer isso, finalmente perguntou: "Desculpe, padre, mas o que você estava fazendo?"
Ao que o padre calmamente respondeu: "Uma salada de frutas".
"Mas você jogou tudo pela janela!", exclamou o homem.
"Sim", disse o padre, "eu detesto salada de frutas!".

Na vida, as pessoas insistem em carregar coisas que detestam. Elas vivem em seus ódios, ficam cutucando suas feridas para que elas não sarem, não permitem que elas sarem; toda a vida delas depende de seu passado.

A menos que você comece a viver no presente, você não será capaz de esquecer e de perdoar o passado. Não sugiro que você deva esquecer e perdoar tudo o que aconteceu no passado; essa não é a minha abordagem. Eu digo: Viva o presente! Essa é a maneira positiva de abordar a existência: viver o presente. Essa é uma outra maneira de dizer para você ser mais meditativo, mais consciente, mais alerta, pois quando você está alerta, consciente, você está no presente.

A consciência não pode estar no passado e não pode estar no futuro. Ela conhece apenas o presente; ela não conhece nenhum passado e nenhum futuro e tem somente um tempo, o presente. Esteja consciente, e à medida que você começar a desfrutar o presente mais e mais, à medida que sentir o bem-estar de permanecer no presente, você deixará de fazer essas coisas estúpidas que todos insistem em fazer. Você deixará de ficar entrando no passado e inevitavelmente esquecerá e perdoará; isso simplesmente desaparecerá por conta própria. Você ficará surpreso: para onde isso foi? E uma vez que o passado deixe de existir, o futuro também desaparecerá, pois o futuro é apenas uma projeção do passado. Livrar-se do passado e do futuro é saborear a liberdade do presente pela primeira vez. E nessa experiência a pessoa fica mais inteira, saudável, todas as feridas são curadas. Subitamente não há mais nenhuma ferida; você começa a sentir um profundo bem-estar surgindo em você. Esse bem-estar é o começo da sua transformação.

Fonte: Osho, Alegria: A Felicidade que Vem de Dentro, Editora Cultrix, 2006. ISBN 978-85-316-0887-2.

Labels: , , , , , , , ,


Tuesday, January 18, 2011

 

A Pressa


Quem se identifica com o corpo está sempre com pressa. Por isso existe essa pressa no Ocidente, essa obsessão pela velocidade. Basicamente, trata-se de uma identificação com o corpo, mas você não é o seu corpo. A vida não pára, escapa das suas mãos - faça algo e faça agora; ande rápido, senão vai perdê-la. E encontre maneiras melhores e mais rápidas de fazer algo... e por aí vai... A velocidade virou mania. A única preocupação é saber como chegar num lugar mais rápido. Ninguém se importa em conhecer a razão por que você quer chegar. E, no momento em que você chega lá, começa logo a pensar em outro lugar para ir.

A mente vive num estado constantemente febril. Isso ocorre porque nós nos identificamos com a periferia e nós sabemos que o corpo vai morrer. A morte nos assombra. No Ocidente, a morte ainda é um tabu. Um tabu foi quebrado - o do sexo -, mas o segundo tabu, mais profundo do que o primeiro, ainda persiste. É preciso um outro Freud para quebrá-lo. As pessoas não falam da morte ou, quando falam, usam eufemismos - dizem que a pessoa está com Deus, foi para o céu, descansou. Mas, se a pessoa só viveu no corpo, ela não foi a lugar algum. Está morta, simplesmente morta - é pó sobre pó.

O corpo é pesado, muito proeminente, aparente, visível, palpável, tangível. A consciência não é visível nem está na superfície. É preciso buscá-la, mergulhar fundo. É preciso fazer esforço, é preciso ter uma dedicação constante para explorar o próprio ser. Trata-se de uma jornada, mas, depois que você começa a se sentir como uma consciência, você passa a viver num mundo completamente diferente. Você deixa de ter pressa, porque a consciência é eterna, e você deixa de se preocupar, porque a consciência não conhece doença, morte, derrota. Não há necessidade de buscar qualquer outra coisa. Ao corpo falta tudo, por isso ele inventa desejo após desejo; o corpo é um mendigo. Mas a consciência é um imperador: possui o mundo todo, é o mestre.

Depois de conhecer a face de seu ser interior, você relaxa. A vida deixa de ser desejo e passa a ser celebração. Tudo já está lá: as estrelas, a Lua, o Sol, as montanhas, os rios, as pessoas. Você tem de começar a viver. É disso que trata a vida: a exploração da consciência. Ela é um tesouro enterrado. E, naturalmente, quando tem um tesouro, você o mantém enterrado bem fundo para que ninguém o roube. Deus colocou a consciência bem no fundo do seu ser. O corpo é só o portão, não é a câmara real mais interior. Mas muitas pessoas vivem apenas no portão e acham que isso é a vida; nunca entram na casa do seu ser.

Deixe que a vida seja uma jornada para o interior do seu próprio ser. Use o corpo, ame o corpo: ele é um belo mecanismo, uma dádiva preciosa que contém grandes mistérios, mas não se identifique com ele. O corpo é como um avião e você é o piloto. O avião é belo e muito útil, mas o piloto não é o avião e ele tem de se lembrar de que é algo separado, que está distante, muito longe. Ele é o mestre do veículo.

Use o corpo como um veículo, mas deixe que a consciência reine absoluta.

Fonte: Osho, Corpo e Mente em Equilíbrio, Editora Sextante, 2008. ISBN 978-85-7542-349-3.

Labels: , , , , , ,


Monday, January 17, 2011

 

Harmonia de Corpo, Mente e Alma


Seu corpo é energia, sua mente é energia, sua alma é energia. Onde está a diferença entre essas três coisas? Está só no ritmo, na frequência, no comprimento de onda. O corpo é denso, e é uma energia que funciona de um modo visível.

A mente é apenas um pouco mais sutil, mas não muito mais, porque é possível fechar os olhos e ver os seus pensamentos passando. Eles não são visíveis como o corpo, que é público. Seus pensamentos são particulares, ninguém mais pode vê-los, só você ou pessoas que tenham experiência de ver pensamentos. A terceira e última camada dentro de você é a sua consciência (associada à alma), que não é visível nem mesmo para você. Ela não pode ser reduzida a um objeto, ela é inteiramente subjetiva.

Quando essas três energias funcionam em harmonia, você é uma pessoa saudável e inteira. Se elas não funcionarem em sintonia e de acordo umas com as outras, você fica doente, você deixa de ser inteiro. E ser inteiro é ser puro.

Todo o meu empenho é no sentido de ajudá-lo para que seu corpo, sua mente e sua consciência possam todos dançar num só ritmo, numa comunhão, numa profunda harmonia - nunca em conflito, mas em cooperação.

Consciência é energia, a mais pura energia. A mente não é tão pura e o corpo é menos puro ainda. Mas você só pode conhecer essa consciência se fizer dessas três camadas um cosmos, não um caos. As pessoas estão vivendo o caos: o corpo delas diz uma coisa, quer ir numa determinada direção; a mente está completamente esquecida do corpo porque, durante séculos, ensinaram que ele é um inimigo pecaminoso que deve ser destruído.

Essas idéias o impedem de perceber seu corpo numa dança ritmada consigo mesmo. Essas são idéias tolas, estúpidas, prejudiciais e venenosas, mas vêm sendo ensinadas há tanto tempo que se tornaram parte da mente coletiva.

Por isso a minha insistência na dança e na música, porque somente na dança será possível sentir seu corpo, sua mente e você funcionando em conjunto. Há uma alegria infinita quando todos eles funcionam em conjunto, uma riqueza imensa.

A consciência é a forma mais elevada de energia. Quando todas essas três energias funcionam em conjunto, a quarta vem à tona. A quarta está sempre presente quando essas três funcionam juntas - ela nada mais é do que essa unidade orgânica.

No Oriente, simplesmente chamamos essa quarta energia de "a quarta" - turiya. Não damos qualquer outro nome. As três outras têm nome, a quarta não tem. Conhecer essa quarta é conhecer a Deus. Deus existe quando você está numa unidade orgânica orgástica. Deus não existe quando você está em caos, em desarmonia, em conflito. Quando você é uma casa que se volta contra si mesma, não há Deus algum presente.

Quando você está extremamente feliz consigo mesmo, feliz com o que é, extasiado com o que é, grato pelo que é, todas as suas energias estão dançando juntas; quando você é uma orquestra de todas as suas energias, Deus existe. Esse sentimento de total unidade é Deus. Deus não é uma pessoa em algum lugar, é a experiência das três energias formando uma unidade de tal modo que surja uma quarta. E a quarta é mais do que a soma das outras partes.

Se você dissecar uma pintura, só se deparará com a tela e as várias cores de tinta, mas uma pintura não é simplesmente a soma da tela e das cores, é algo mais. Esse "algo mais" é expresso por meio da pintura, da cor, da tela, do artista - esse "algo mais" é a beleza. Disseque um botão de rosa e encontrará todas as substâncias químicas que o constituem, mas a beleza desaparecerá. A beleza não é constituída apenas pela soma das partes, é algo mais.

O todo é mais do que a soma das partes. Ele se expressa por meio das partes, mas é mais que isso. Deus é aquilo que está além, é esse acréscimo. Não é uma questão de teologia e não pode ser decidido pela argumentação lógica. É preciso sentir a beleza, a música, a dança. No limite, é preciso sentir a dança no seu próprio corpo, na sua mente, na sua alma. Aprenda a tocar essas três energias para que se tornem uma orquestra e Deus se fará presente. Aprenda a fundir corpo, mente e alma, descubra formas de funcionar como uma unidade.

Praticantes de corrida, às vezes, passam por uma grandiosa experiência de meditação. Se você já se deliciou com uma corrida de manhã cedo, quando o ar está fresco, puro e todo mundo está acordando, despertando, e você está correndo... Seu corpo funciona belamente, o ar está fresco, um novo dia nasce depois da escuridão da noite e tudo canta à sua volta. Você se sente tão vivo... Chega um momento em que o corredor desaparece, só fica a corrida. O corpo, a mente e a alma começam a funcionar juntos; de repente, um orgasmo interior acontece.

Aqueles que correm podem, portanto, ter acidentalmente a experiência da quarta energia, da turiya. Se estiverem atentos, os corredores podem chegar perto da meditação com mais facilidade do que qualquer outra pessoa. Correr ou nadar podem ser de extrema ajuda quando essas atividades são transformadas em meditação. Esqueça as antigas idéias sobre meditação, esqueça que sentar sob uma árvore numa postura de ioga é meditação. Esse é só um dos jeitos e pode ser bom para algumas pessoas, mas não para todas. Para uma criancinha, isso não é meditação, é uma tortura. Para um jovem animado, vibrante, isso é uma repressão e não meditação. Talvez para um homem velho, muito vivido, cujas energias estejam em declínio, isso possa ser meditação.

As pessoas são diferentes. Para alguém que tem um nível mais baixo de energia, sentar-se embaixo de uma árvore, numa posição de ioga, pode ser a melhor meditação, porque é a que menos despende energia. Quando a coluna vertebral está ereta, num ângulo de 90 graus com relação à terra, seu corpo gasta a menor quantidade de energia possível. Se você pender para um dos lados ou para a frente, seu corpo começa a gastar mais energia, porque a gravidade começa a puxá-lo para baixo. Você precisa se segurar para não cair. Isso gasta energia. Sentar-se com as mãos unidas sobre o colo também é muito útil para pessoas de baixa energia porque, quando as mãos estão se tocando, a eletricidade do corpo começa a se propagar em círculos, movendo-se dentro de você.

A energia está sempre saindo pelos dedos, ela nunca é liberada a partir de coisas com o formato bem arredondado (isso é conhecido pelos cientistas - físicos e engenheiros elétricos - como poder das pontas). Por exemplo, sua cabeça retém bem a energia elétrica. A energia é liberada pelos dedos dos pés e das mãos (que constituem "pontas" do seu corpo, assim como o pênis). Numa determinada postura de ioga, os pés ficam juntos, de modo que a energia sai por um pé e entra pelo outro; uma mão libera a energia que entra pela outra mão que esteja em contato. Você é abastecido por sua própria energia, forma um círculo interno de energia. Isso é muito tranquilizante.

A postura de ioga é a mais relaxante que existe. É até mais relaxante do que o sono porque, quando você dorme (na posição horizontal), todo o seu corpo sente uniformemente a atração da gravidade. A posição horizontal relaxa o corpo de uma maneira totalmente diferente, pois o leva de volta aos tempos antigos, quando você era um animal e vivia constantemente nessa posição.

É por isso que, deitado, você não consegue pensar direito. Experimente. Você pode sonhar com facilidade, mas não pode pensar com facilidade. Para pensar, você precisa estar sentado. Quanto mais ereto você se sentar, maior a possibilidade de pensar. Pensar é um advento tardio na história humana, que só ocorreu quando o homem passou a andar na vertical. Enquanto ele estava acostumado com a postura horizontal, apenas sonhava. Então agora, ao deitar, você começa a sonhar e pára de pensar. É um tipo de relaxamento, porque o pensamento pára, você regride em termos de consciência.

A postura de ioga é uma boa meditação para aqueles que têm pouca energia, que estão doentes, velhos, que já viveram toda uma vida e agora estão se aproximando da morte.

Correr pode ser uma meditação - praticar jogging, dançar, nadar, sexo, qualquer coisa pode ser uma meditação. Minha definição de meditação é a seguinte: sempre que o corpo, a mente e a alma estão funcionando juntos, no mesmo ritmo, trata-se de uma meditação, porque isso provoca o aparecimento da quarta energia. E, se você está consciente de que faz essa atividade como uma meditação - não como parte dos Jogos Olímpicos -, isso é extremamente belo.

Qualquer que seja a meditação, o princípio básico precisa preencher sempre este requisito: o corpo, a mente e a consciência, todos os três, têm de funcionar numa unidade. De repente, a quarta energia aparece: pode chamá-la de Deus, nirvana, Tao, como você preferir.

Fonte: Osho, Corpo e Mente em Equilíbrio, Editora Sextante, 2008. ISBN 978-85-7542-349-3.

Labels: , , , , , , , , , , , , , , , , ,


Friday, December 17, 2010

 

As Trevas e o Carma

"Não lute contra coisas inexistentes, pois você será certamente derrotado"

As trevas é uma das coisas mais misteriosas da existência - e sua vida está ligada a essa questão. Precisamos entender a natureza das trevas, porque da mesma natureza é o sono, da mesma natureza é a morte e da mesma natureza é toda a ignorância.

A primeira coisa a ser entendida é que as trevas não existem, não têm qualquer existência. É mais misteriosa a treva do que a luz, pois ela não tem absolutamente existência - pelo contrário, ela não passa de ausência de luz. Não existe trevas em lugar algum, você não as pode encontrar, elas não têm existência em si mesmas; acontece, simplesmente, que a luz não está presente.

Se há luz, não há trevas; se não há luz, as trevas aparecem. A treva é a ausência de luz, e não a presença de alguma outra coisa. Por isso é que a luz vai e vem, mas a treva permanece. Não existe, mas permanece. Você pode criar a luz, pode destruir a luz, mas você não pode criar a treva e não pode destruir a treva

A segunda coisa que você compreenderá, se contemplar a treva, é que por causa da sua não-existência, você nada pode fazer com ela. E, se você tentar fazer algo, você será derrotado. As trevas não podem ser derrotadas, pois como podemos derrotar algo que não existe? E, se você for derrotado por ela pensará: "Isso é muito poderoso, pois derrotou-me". Mas isso será absurdo! As trevas não têm qualquer poder, como pode uma coisa que não existe ter poder? Você não é derrotado pelas trevas e seu poder, você é derrotado por sua insensatez. Em primeiro lugar, você começou a lutar - e isso foi algo insensato. Como você pode lutar contra alguma coisa que não existe? Lembre-se: você tem estado lutando com muitas coisas que não existem, como com as trevas.

A moralidade, como um todo, luta contra as trevas, por isso é estúpida. O todo da moralidade, incondicionalmente, é uma luta com as trevas, uma luta contra algo que não existe.

O ódio não é real, é apenas a ausência do amor.
A cólera não é real, é apenas a ausência da compaixão.
A ignorância não é real, é apenas a ausência do estado de Buda, da Iluminação.

Toda moralidade continua lutando com o que não é. Um moralista jamais poderá ter sucesso, é impossível que o tenha. Terá que ser derrotado, pois todo o seu esforço é insensato.

E essa é a diferença entre religião verdadeira e moralidade: a moralidade tenta lutar contra as trevas e a religião tenta acordar a luz que está escondida no seu interior. Não se preocupe com as trevas, mas, simplesmente, tente encontrar a sua luz íntima. Desde que a luz ali esteja, as trevas desaparecerão. Desde que a luz ali esteja, você não precisará fazer nada em relação às trevas - elas, simplesmente, não existirão.

Esta é a segunda coisa: nada pode ser feito contra as trevas, diretamente. Se você deseja fazer algo com as trevas, você terá de fazer algo com a luz, e as trevas já ali não estarão - mas você não pode simplesmente ligar e desligar as trevas, não pode trazê-las de algures, não pode expulsá-las. Se quiser fazer alguma coisa com as trevas, deve fazê-lo por intermédio da luz, deve procurar um caminho indireto.

Nunca lute com as coisas que não existem. A mente é tentada a lutar, e a atenção é perigosa: desperdiçará as suas energias, sua vida e você se desgastará. Não se deixe tentar pela mente; veja, simplesmente, se algo tem existência real, ou se é apenas uma ausência. Se é uma ausência, não a combata, mas procure a coisa da qual ela é a ausência - e você estará, então, na pista certa.

A terceira coisa sobre as trevas é que elas estão profundamente envolvidas na sua existência de milhões de maneiras.

Sempre que você está encolerizado, sua luz interior desaparece. Na verdade, você está encolerizado porque a sua luz desapareceu, as trevas entraram. Você só pode estar encolerizado quando você está inconsciente; você não pode conscientemente encolerizar-se. Tente isso: ou você perde a consciência e a cólera se instala, ou você permanece consciente e a cólera não aparece - você não pode estar encolerizado conscientemente. O que significa isso? Significa que a natureza da consciência é exatamente igual à da luz e que a natureza da cólera é exatamente igual à das trevas. Se tem a luz, não pode ter as trevas; se você está consciente, não pode estar colérico.

As pessoas procuram-me constantemente e perguntam como fazer par não se encolerizarem. Estão fazendo a pergunta errada: quando se faz uma pergunta errada dificilmente se consegue obter a resposta certa. Faça, primeiro, a pergunta certa. Não pergunte como afastar as trevas, não pergunte como afastar as preocupações, a angústia, a ansiedade, a cólera. Analise sua mente e veja, antes de mais nada, por que elas existem ali. Elas existem ali porque você não está consciente o bastante; portanto, faça a pergunta certa: como ser cada vez mais consciente, ter cada vez maior percepção? Se perguntar como fazer para não se encolerizar, você será vítima de algum moralista. E, se perguntar como fazer para estar mais consciente, de forma que a cólera não possa existir, de forma que a ganância não possa existir, então você estará no caminho certo, então você se tornará um investigador religioso.

A moralidade é uma moeda falsa, engana as pessoas, não é, absolutamente, religião. A verdadeira religião não tem nada a ver com a moralidade, porque a religião nada tem a ver com as trevas. Ela é um esforço positivo para o despertar. Ela não se preocupa com o seu caráter. O que você faz não tem importância; você não pode mudar seu caráter. Pode enfeitar, mas não mudar. Pode colori-lo de muitas e belas maneiras, pode pintá-lo, mas não pode mudá-lo.

Pode ocorrer somente uma transformação, uma revolução; e a revolução não virá por estar relacionada com o seu caráter, com os seus atos, com aquilo que você faz, mas por estar relacionada com o seu ser. Ser é um fenômeno positivo: desde que o ser esteja alerta, desperto, consciente, as trevas desaparecem, subitamente - pois o ser é da natureza da luz.

A quarta coisa diz que o sono é tal qual as trevas. Não é por acaso que você tem dificuldade de adormecer quando existe luz ao seu redor; é que é simplesmente natural. As trevas têm afinidade com o sono, por isso é tão fácil dormir à noite. As trevas envolventes criam o ambiente adequado no qual você pode adormecer muito facilmente.

O que acontece durante o sono? Você perde gradualmente a consciência. Até que, durante um certo intervalo, você sonha; o sonhar é um estado de meia-consciência, exatamente o estado central, tendendo para a inconsciência total. Do estado desperto você está seguindo para a inconsciência total. No meio do caminho existe o sonho, e sonhos significam, apenas, que você está meio desperto, meio adormecido. Por isso é que, se você sonha continuamente, durante toda a noite, você sente-se cansado pela manhã. E, se não puder sonhar, então também se sentirá cansado, porque os sonhos existem por uma certa razão.

Durante as horas em que você está desperto, você acumula muitas coisas, pensamentos, sentimentos, assuntos incompletos, suspensos na mente. Você vê uma bela mulher no seu caminho e, subitamente, surge o desejo em você. Mas você é um homem de caráter, de maneiras, civilizado, de modo que você repele o desejo, não quer vê-lo, continua com o seu trabalho - e um desejo incompleto permanece suspenso em sua mente. Ele precisa completar-se, de outra maneira você não poderá adormecer profundamente, porque ele virá de volta, uma e mais vezes. E dirá: "Ouça! Aquela mulher é realmente bela, seu corpo tem encantos. E você é um tolo, o que está fazendo aqui? Procure-a. Você perdeu uma oportunidade!"

O desejo suspenso não permitirá que você adormeça. Então a mente cria um sonho: você está de novo no caminho, a bela mulher passa, mas dessa vez você está só e não há civilização alguma ao seu redor. Não há necessidade de maneiras, nenhuma etiqueta é exigida. Você é como um animal, natural; não há em você moralidade. Aquele é o seu mundo particular, não há policiamento que ali possa entrar, não há juiz que ali possa julgar. Você está, simplesmente, a sós e terá um sonho sexual. O sonho completa o desejo suspenso e, então, você adormece. Mas, se sonhar continuadamente, você também se sentirá cansado.

Nos Estados Unidos, existem muitos laboratórios de sonhos; nesses laboratórios, descobriu-se este fenômeno: se uma pessoa não puder sonhar, depois de três semanas ela ficará louca. É possível acordar alguém, repetidamente, logo que comece a sonhar, porque há sinais visíveis quando se começa a sonhar: as pálpebras, particularmente, começam a mover-se rapidamente, o que significa que a pessoa está tendo um sonho; quando não sonha, as pálpebras permanecem em repouso. Isso acontece porque quando se sonha, os olhos funcionam. Acorde-se a pessoa, repita-se isso durante toda a noite, sempre que ela comece a sonhar - dentro de três semanas ela enlouquecerá.

O sono não parece ser tão necessário. Se você acordar uma pessoa, quando ela não estiver sonhando, ela se sentirá cansada, mas não enlouquecerá. Que significa isso? Significa que os sonhos são uma necessidade para nós. Somos tão iludidos, toda a nossa existência é feita de tanta ilusão (de tantas mentiras) - o que os hindus chamam de maya - que os sonhos se fazem muito necessários. Sem sonhos você não pode existir: os sonhos são o seu alimento, os sonhos são a sua força; sem sonhos, você enlouqueceria. Os sonhos o desligam da loucura e, assim que esse desligamento acontece, você adormece.

Do estado desperto você passa ao sonho, e do sonho passa ao sono. Durante toda a noite, uma pessoa normal passa por oito ciclos de sonhos; entre dois desses ciclos há alguns momentos de sono profundo. No sono profundo toda a consciência desaparece, tudo é inteiramente escuro. Mas você ainda está na fronteira, pois qualquer emergência o despertará: se a casa se incendeia, você volta à sua consciência desperta; ou, se você é mãe e seu filho começa a chorar, você corre rapidamente para o despertar - de forma que você permanece na fronteira. Penetra nas trevas profundas, mas permanece na fronteira.

Na morte, você cai exatamente no centro. A morte e o sono são similares, a qualidade é a mesma. No sono, todos os dias você entra nas trevas, nas trevas completas; torna-se completamente inconsciente, cai num estado exatamente oposto ao estado de Buda. Um Buda está totalmente desperto o tempo todo, ao passo que, a cada noite, você tomba totalmente adormecido, em trevas absolutas.

No Gita, Krishna diz a Arjuna que, mesmo quando todos estão bem adormecidos, o iogue permanece acordado. Isso não significa que ele nunca dorme: ele dorme, mas só seu corpo é que o faz, seu corpo descansa. Ele não tem sonhos porque não tem desejos; se não tem desejos, não pode tê-los incompletos. E ele não dorme, como você - mesmo no mais profundo descanso a consciência dele é clara, sua consciência arde como uma chama.

Todas as noites, quando você adormece, você entra em profunda inconsciência, em coma. Na morte, você entra em coma ainda mais profundo. Todas essas situações são como as trevas e, por isso, você tem medo da escuridão. Porque ela se parece com a morte. E há pessoas que também têm medo de dormir, porque o sono também se parece com a morte.

Conheci muitas pessoas que queriam dormir, mas não conseguiam. Quando tentei compreender-lhes as mentes, percebi que elas eram, basicamente, temerosas. Diziam desejar dormir porque estavam fatigadas, mas bem no fundo receavam o sono - e isso é que criava toda a perturbação. Noventa por cento das insônias referem-se ao temor ao sono. Você tem medo. Tem medo da escuridão, tem também medo de dormir; e esse medo se relaciona ao medo da morte.

Se você compreender que tudo é escuridão e que a sua natureza interior é a luz, as coisas começarão a se modificar. Então não haverá mais sono para você, apenas repouso; então não haverá mais morte para você, apenas uma mudança de roupagem, de corpos, uma mudança de vestuário. Mas isso só poderá acontecer se você compreender a sua flama interior, sua natureza, seu mais íntimo ser.

Você não pode destruir a sua luz interior, porque as trevas não podem ser agressivas. Elas não existem: como pode, aquilo que não existe, ser agressivo? As trevas não podem destruir a luz. Mesmo uma chama pequena as trevas não podem destruir; não podem saltar sobre a luz, não podem entrar em conflito com ela - como podem as trevas destruir uma chama?

Mas as pessoas continuam pensando em termos de conflito: pensam que as trevas estão contra a luz. Isso é absurdo! As trevas não podem estar contra a luz. As trevas não podem estar contra a luz: não há luta, há, simplesmente, ausência: pura ausência, pura impotência - portanto, como pode a treva atacar?

Você continua, dizendo: "Que posso eu fazer? Eu tive uma crise de cólera" - isso é impossível; "Tive uma crise de ganância" - isso é impossível. A ganância não pode atacar, a cólera não pode atacar: elas são da natureza das trevas, e seu ser é luz; assim, a simples possibilidade não existe. A cólera surge apenas porque a sua chama (luz) interior foi completamente esquecida, você se tornou inteiramente olvidado dela, não sabe que ela existe. Esse esquecimento é que pode amortalhá-la, mas não as trevas.

Assim, a escuridão verdadeira é o seu esquecimento, que, por sua vez, chama a cólera, a ganância, a sensualidade, o ódio, o ciúme. Mas não são eles que o atacam. Lembre-se: você foi o primeiro a enviar o convite e eles o aceitaram. Eles não podem atacar e, com o seu convite, eles vieram como hóspedes, como convidados. Você pode ter esquecido que lhes fez o convite; pode esquecer, porque esqueceu a você mesmo, pode esquecer tudo. Esquecimento: eis a real escuridão.

E, no esquecimento, tudo acontece: você é como um ébrio, se esqueceu inteiramente de você mesmo, de quem é, de para onde vai, de por que vai. Você perdeu todas as direções; o seu próprio senso de direção já não existe mais; é um ébrio. Por isso é que todos os ensinos religiosos básicos insistem na auto-recordação. O esquecimento é a doença; assim, a auto-recordação deve ser o antídoto necessário.

Não lhe imponho nenhuma disciplina, não lhe digo: "Faça isso e não faça aquilo". Minha disciplina é muito fácil. Minha disciplina consiste no fazer o que se deseja - mas fazê-lo com auto-recordação: faça com que se lembre do que está fazendo. Ao caminhar, lembre-se de que está caminhando. Não será preciso verbalizar, porque a verbalização não ajudará, pois poderá tornar-se uma distração. Não precisa andar, dizendo intimamente "estou andando", porque, se disser "estou andando, estou andando", esse "estou andando" será o seu esquecimento, e, então, você não conseguirá recordar. Lembre-se, simplesmente: não há necessidade de verbalizar as suas ações.

Eu verbalizo porque estou falando com você; mas quando estiver andando, recorde, simplesmente, o fenômeno, o andar; cada passo deve ser dado com plena consciência. Comer, comendo. Não estabeleça o que comer e o que não comer. Coma o que quiser, mas com auto-recordação do que está comendo. E depressa você verá que se tornou impossível fazer muitas coisas.

Com auto-recordação, você não pode comer carne, é impossível. É impossível ser violento, se você recordar. É impossível prejudicar seja quem for porque, quando recorda a você próprio, você vê, subitamente, que a mesma luz, a mesma chama está ardendo em toda parte, dentro de cada corpo, de cada unidade. Quanto mais conhecer a sua natureza interior, mais penetrará a do outro. Como poderá matar para comer? Comer carne tornar-se-á simplesmente impossível. Não que você faça disso uma prática; seria falso, se fosse uma prática. Será falso se empenhar em não ser ladrão; você continuará a ser ladrão; encontrará formas sutis de sê-lo; se praticar a não-violência, atrás dela estará escondida a sua violência.

Não, a religião não pode ser praticada. A moralidade pode ser praticada e, por isso, cria hipócritas, cria rostos falsos. A religião cria seres autênticos; não pode ser praticada. Como você pode praticar o ser? Torne-se simplesmente mais consciente, e as coisas começarão a se modificar. Torne-se mais da natureza da luz, simplesmente, e as trevas desaparecerão.

Durante milhões de vidas, por muitas eras, você permaneceu nas trevas; mas não se sinta deprimido nem desesperançado com isso, porque, mesmo tendo estado nas trevas durante milhões de vidas, neste exato momento você pode alcançar a luz, eliminando as trevas.

Observe: suponha que uma casa ficou fechada durante cem anos, no escuro; você entra nela e acende uma luz. Por acaso a escuridão dirá: "Eu tenho cem anos e esta luz mal acaba de nascer"? Dirá a escuridão: "Não vou desaparecer. Você terá de acender uma luz durante, pelo menos, cem anos e só então desaparecerei"? Não; mesmo uma pequena luz acabada de nascer é suficiente para dispersar uma escuridão muito antiga. Será que, em cem anos, a escuridão se fez inveterada? Mas não, a escuridão não pode ter-se feito inveterada, porque ela não existe. Ela apenas espera pela luz - no momento em que a luz penetra, a escuridão desaparece; ela não pode resistir, porque ela não tem existência positiva.

Há quem venha a mim, dizendo: "Você diz que a Iluminação súbita é possível. Então, o que acontece com as nossas vidas passadas e nossos passados karmas?" Nada. Eles são da mesma natureza da escuridão. Você pode ter sido um assassino, você pode ter sido um ladrão, assaltante, você pode ter sido um Hitler, um Gengis Khan, ou até pior, não faz qualquer diferença. Desde que você se recorde de você mesmo, a luz se fará presente e todo o passado imediatamente desaparecerá; não permanecerá mais nem por um só momento. Se você matou, isso não significa que você seja um assassino. Você matou porque não estava consciente de você mesmo, não estava consciente do que fazia.

Conta-se que Jesus disse, na cruz: "Perdoai-lhes, Pai, porque eles não sabem o que fazem". Com isso ele estava dizendo: "Eles não são da natureza da luz, não se recordam de si próprios. Eles estão agindo em completo esquecimento (de quem são), movem-se e tropeçam na escuridão. Perdoai-lhes; eles não são responsáveis pelo que quer que façam". Como pode uma pessoa que não se recorda de si própria ser responsável por algo?

Ser responsável significa recordar.

Seja o que for que você tenha feito, digo-lhe, não se preocupe. Aconteceu porque você não estava consciente, estava na ignorância. Acenda uma chama interior, procure-a, busque-a, ela existe - e, de um momento para outro, todo o passado desaparecerá, como se tudo tivesse acontecido num sonho. Na verdade, seu passado foi realmente um sonho, porque você não estava consciente. Todos os karmas aconteceram em sonho; são da mesma matéria com que são feitos os sonhos.

Você não precisa esperar que seus karmas sejam esgotados - caso contrário, você terá de esperar por toda a eternidade. Mesmo então, você não poderá sair da roda porque, simplesmente, não poderá apenas esperar pela eternidade; você estará fazendo muitas coisas, nesse entretempo, e, então, gerará mais karma e o círculo jamais se completará. Você se moverá continuamente e, continuamente fará coisas e novas coisas o ligarão a outras coisas futuras - e, então, onde estará o fim? Não, não há necessidade. Simplesmente, faça-se consciente e, de súbito, todos os seus karmas tombam. Num só momento de intensa consciência, todo o passado desaparece, torna-se refugo.

Essa é uma das coisas mais fundamentais que o Oriente descobriu. O Cristianismo não pode entendê-la. Continua a pensar em termos de julgamento, Dia do Juízo Final, quando todos deverão ser julgados pelos seus atos. Se assim fosse, Cristo ter-se-ia enganado quando disse: "Perdoai-lhes porque não sabem o que fazem". Onde ficaria esse perdão? Os judeus não podem entender isso (Lei de Talião: "Olho por olho, dente por dente"); os muçulmanos também não podem entender isso (vide o Jihad, a Guerra Santa).

Os hindus penetraram no âmago do problema: o problema não é o agir, o problema é ser. Desde que você compreenda seu ser interior e a luz, você já não será deste mundo. O que quer que tenha acontecido no seu passado foi apenas um sonho. Por isso dizem os hindus que todo este mundo é um sonho; só você não é um sonho, só o sonhador não é um sonho. À exceção de você, tudo mais é um sonho.

Observe a beleza desta verdade: só o sonhador não é um sonho; o sonhador não pode ser um sonho porque, de outra maneira, o sonho não poderia existir. Pelo menos alguém, o sonhador, tem de ser um fenômeno real.

Durante o dia você está acordado e faz várias coisas: vai à loja, vai ao mercado, trabalha numa fazenda, ou numa fábrica, faz milhões de coisas. À noite, quando adormece, você se esquece de tudo isso, tudo desaparece e um novo mundo tem início - o mundo do sonho. E, agora, os cientistas dizem que você deve dar ao sonho o mesmo tempo que dá ao estado desperto. O mesmo número de horas que você passa acordado deve passar dormindo. Em sessenta anos, se vinte anos forem devotados ao trabalho, que você realiza acordado, vinte anos também deverão ser devotados ao sonho, dormindo. O mesmo tempo, exatamente o mesmo tempo, deve ser devotado ao sonho. Assim, o sonho não é menos real e necessário, tem o mesmo valor.

À noite você sonha e se esquece de seu mundo desperto. Em profundo sono, você esquece tanto o seu mundo desperto, como o seu mundo de sonho. Pela manhã, novamente no seu mundo desperto, que voltou a existir, você se esquece de seu sonho e de seu sono. Mas uma coisa permanece continuadamente: VOCÊ. Quem recorda os sonhos? Pela manhã, quem diz: "Sonhei na noite passada"? Pela manhã, quem é que diz: "Na noite passada dormi bem, profundamente, sem sonhar"? Quem?

Para que isso ocorra, deve haver uma testemunha que permanece a seu lado, que sempre fica de lado, observando. O despertar vem, o sonho vem, o sono vem e, no entanto, alguém está sempre a seu lado observando. Só isso é real, porque existe em todos os estados. Outros estados desaparecem, mas essa presença (testemunha) permanece em todos os estados; é a única coisa permanente em você.

Alcance essa testemunha cada vez mais. Torne-se mais e mais alerta, torne-se mais e mais uma testemunha, um espectador. Tudo o mais é sonho; só o sonhador é a verdade. Ele precisa ser verdadeiro; se não o for, como acontecerão os sonhos? Ele é a base. As ilusões só acontecerão se ele ali estiver.

E, desde que você se recorde, você começará a rir. Que tipo de vida existe sem a recordação? Você é um ébrio, passando de um estado a outro, sem saber o porquê, vagando sem direção.

Há três abordagens possíveis da realidade: uma é a abordagem empírica, a abordagem da mente científica, feita com base na experimentação com o mundo objetivo e, a não ser que algo seja provado pela experiência, não é aceito. A outra abordagem é a da mente lógica. Essa não realiza experiências; pensa, simplesmente, argumenta, encontra os prós e contras, e, só pelo esforço mental, raciocinando, conclui. E a terceira abordagem é a metafórica, a abordagem da poesia e da religião. Essas três abordagens existem: três dimensões através das quais procura-se chegar à realidade.

A ciência não pode ir além do objeto, porque a própria abordagem cria essa limitação. A ciência não pode ir além do exterior, porque as experiências só são possíveis com o que é externo. A filosofia e a lógica não podem ir além do subjetivo, porque são esforços da mente, trabalhos da mente. Não é possível dissolver a mente, não é possível a ninguém ir além da mente. A ciência é objetiva, a lógica e a filosofia são subjetivas. A religião e a poesia vão além: são pontes de ouro que ligam o objeto à substância. E, então, tudo se transforma num caos - criativo, naturalmente. Na verdade, não há criatividade se não houver caos. Tudo se torna indiscriminado e as divisões desaparecem.

Podemos dizer que a ciência é a abordagem do dia, em pleno meio-dia; tudo é claro, distinto, delimitado e você pode ver bem o outro. A lógica é a abordagem da noite; é o tatear no escuro apenas com a mente, sem qualquer apoio experimental, apenas usando o pensamento. A poesia e a religião são abordagens crepusculares, estão exatamente no meio.

É por isso que a poesia fala por metáforas; e a religião é a poesia definitiva, a religião também fala por metáforas. Lembre-se, as metáforas não devem ser tomadas literalmente, senão você perde o propósito. Quando digo "luz interior", não pense em termos literais. Quando digo "luz interior", faço uma metáfora. Algo é indicado, mas não é demarcado ou definido. Algo que tem a natureza da luz, mas não é exatamente a luz - eis a metáfora.

A religião fala por metáforas; não pode falar de outra maneira, não há outra maneira. Se estive num outro mundo onde vi flores que não existem nesta terra, e chego junto de você para falar dessas flores que deverei fazer? Terei de usar metáforas e símiles. Direi "como rosas" - mas não eram rosas. Se assim não fosse, por que diria "como rosas", se simplesmente poderia dizer "rosas"? Mas não se trata de rosas, aquelas flores têm uma qualidade diferente.

"Tal como" significa que estou tentando ligar meu conhecimento do outro mundo a seu conhecimento deste mundo - daí os símiles, as metáforas. Você conhece rosas, mas não conhece as flores de um outro mundo. Eu as conheço e tento transmitir-lhe algo daquele mundo; por isso digo que as flores são tal como rosas. Não se zangue comigo, quando chegar àquele mundo e não encontrar rosas; não me arraste a um tribunal, porque jamais tive a intenção de ser literal. Apenas a qualidade da rosa é indicada, apenas um gesto, um dedo apontando para a lua. Não agarre o dedo, ele é irrelevante; olhe para a lua e esqueça o dedo. Esse é o significado da metáfora: não se agarre à metáfora.

A religião fala por metáforas; não há outra forma, porque a religião fala de um outro mundo, o mundo do além. Tente encontrar símiles neste mundo, use palavras impróprias, mas essas palavras impróprias são as únicas disponíveis, de forma que temos de usá-las.

A religião precisa de confiança. A confiança pode fazer com que a faculdade de duvidar da mente (algo que caracteriza os seres humanos, diferentemente dos animais) adormeça; é algo parecido com a hipnose. Assim, quando as pessoas lhe dizem "Esse homem, esse Osho, hipnotinou-o", elas têm razão, de certa forma: se você confia em mim, está como que hipnotizado. Apesar de bem acordado, você deixou que sua razão se desvanecesse - e agora a imaginação funciona com sua capacidade total; agora você está numa situação perigosa.

Se der oportunidade à imaginação, você poderá imaginar toda sorte de coisas: a kundalini chegando, os chakras estão se abrindo. Toda sorte de coisas você poderá imaginar, e elas acontecerão com você. E são tão belas - mas não são verdadeiras. Assim, quando você confiar numa pessoa, mesmo confiando deve ter consciência da sua imaginação. Confie, mas não se torne uma vítima da imaginação. O que quer que esteja sendo dito aqui é metafórico. E recorde-se, sempre, de que todas as experiências são imaginação. De todas as experiências, digo eu, incondicionalmente - só o experimentador é a verdade.

Assim, seja qual for a sua experiência, não lhe dê muita atenção e nem comece a gabar-se dela. Lembre-se, apenas, de que tudo quanto é experimentado é ilusório; só aquele que realiza a experiência é verdadeiro. Atente para a testemunha; focalize a testemunha, e não as experiências. Por mais belas que sejam, todas as experiências são semelhantes ao sonho e é preciso que se vá além delas.

Assim, se a religião é poética, temos de falar metaforicamente. O discípulo que confia profundamente pode, facilmente, ser vítima da imaginação - é preciso estar sempre bem alerta. Confie, ouça as metáforas, mas recorde-se de que são apenas metáforas. Confie; muitas coisas começarão a acontecer, mas lembre-se: tudo é imaginação, menos você. E tem de chegar a um ponto no qual não há experiências, onde só existe o experimentador, silenciosamente.

Só a testemunha, a consciência, permenece observando tudo. Todas as experiências desaparecem e só o próprio cenário de todas as experiências permanece. Você permanece; tudo o mais está perdido. Lembre-se, porque você confia em mim, que falo por metáforas - e, então, a imaginação é possível. Imaginazione: cuidado com essa doença.

Fonte: Osho, Tantra: A Suprema Compreensão, Editora Cultrix, 1992.

Labels: , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,


Tuesday, October 19, 2010

 

Ame a Si Mesmo

"Ame a si mesmo e observe, hoje, amanhã e sempre", Gautama Buda

Começemos com um dos mais profundos ensinamentos de Gautama, o Buda:

Ame a si mesmo.

Exatamente o oposto foi ensinado a você, por todas as tradições do mundo, todas as civilizações, culturas e igrejas. Elas dizem: Ame os outros, não ame a si mesmo. E existe uma certa estratégia ladina por trás desses ensinamentos.

O amor é o que nutre a alma. A comida é para o corpo o que o amor é para a alma. Sem comida, o corpo fica fraco; sem amor, a alma fica fraca. E nenhum país, nenhuma igreja e nenhum capital investido jamais desejou que as pessoas tivessem almas fortes, pois uma pessoa com energia espiritual elevada inevitavelmente será rebelde à sociedade.

O amor o torna rebelde, revolucionário, lhe dá asas para voar alto. O amor lhe dá discernimento sobre as coisas, de tal maneira que ninguém possa enganá-lo, explorá-lo, oprimi-lo. E os sacerdotes e os políticos sobrevivem somente com o seu sangue, somente com a sua exploração, sua escravização.

Todos os sacerdotes e políticos são parasitas. Para torná-lo espiritualmente fraco, eles encontraram um método seguro, cem por cento garantido, que é ensiná-lo a não se amar a si próprio. Porque se uma pessoa não puder amar a si mesma, ela também não poderá amar a mais ninguém. O ensinamento é muito astuto, eles dizem, "Ame os outros", pois sabem que, se você não puder amar a si mesmo, de modo nenhum você poderá amar. Mas eles ficam dizendo: "Ame os outros, a humanidade, a Deus. Ame a natureza, a sua esposa, o seu marido, os seus filhos, os seus pais". Mas não ame a si mesmo, porque, de acordo com eles, amar a si mesmo é egoísmo. O que mais eles condenam é o amor-próprio.

E eles fizeram com que esses ensinamentos parecessem muito lógicos. Eles dizem: "Se amar a si mesmo, você vai se tornar um egoísta, um narcisista". Isso não é verdade.

Uma pessoa que ama a si mesma descobre que não existe nenhum ego nela. O ego surge ao amar os outros sem amar a si mesmo, ao tentar amar os outros. Os missionários, os reformistas sociais, os benfeitores têm os maiores egos do mundo. Isso é natural, pois eles se consideram seres humanos superiores. Eles não são comuns; só pessoas comuns amam a si mesmas. Eles amam os outros, amam grandes ideais, amam Deus.

E todo o amor deles é falso, pois esse amor não tem raízes.

Uma pessoa que ama a si mesma dá o primeiro passo em direção ao amor real e verdadeiro. É como atirar uma pedra num lago tranquilo: primeiro, ondulações circulares surgirão em torno da pedra, muito próxima da pedra. Naturalmente! Onde mais as ondulações poderiam surgir? E depois elas se espalharão, alcançando a margem mais distante. Se você impedir essas ondulações iniciais de surgirem próximas da pedra (de você), de maneira nenhuma haverá outras ondulações se propagando. Então, nessa situação, não se pode esperar criar ondulações que alcancem as praias mais distantes; é impossível.

E os sacerdotes e os políticos perceberam esse fenômeno: ao impedir as pessoas de amarem a si mesmas, aniquilam-se suas capacidades de amar. Agora, tudo o que elas pensam que é amor será falso. Pode ser obrigação, mas não é amor - obrigação é uma palavra suja. Os pais estão cumprindo suas obrigações para com os filhos e, em troca, os filhos cumprirão suas obrigações para com os pais. A esposa cumpre seus deveres para com o marido, e o marido cumpre seus deveres para com a esposa. Onde está o amor em tudo isso?

O amor nada conhece de obrigação. Obrigação é um fardo, uma formalidade. Amor é uma alegria, um compartilhar; ele é informal. A pessoa que ama nunca sente que fez o suficiente; ela sempre sente que era possível fazer algo mais. Ela nunca sente: "Eu fiz um favor à outra pessoa". Pelo contrário, ela sente: "A pessoa me fez um favor recebendo o meu amor. Por receber minha dádiva, por não rejeitá-la, o outro me fez um favor".

A pessoa que cumpre obrigações pensa: "Sou superior, espiritual e extraordinário. Olhe como sirvo as pessoas!" Esses benfeitores são as pessoas mais falsas do mundo e também as mais nocivas. Se pudéssemos nos livrar dos benfeitores públicos, a humanidade tiraria um enorme peso dos ombros, se sentiria muito leve, seria capaz de novamente dançar, de novamente cantar.

Mas, durante séculos, as suas raízes têm sido cortadas, envenenadas. Fizeram com que você tivesse medo de sentir amor por você mesmo - que é o primeiro passo do amor e a primeira experiência. Uma pessoa que ama a si mesma respeita a si mesma. E a pessoa que ama e que respeita a si mesma, respeita os outros também, porque ela sabe: "Assim como eu sou, assim são os outros. Assim como tenho amor, respeito, dignidade, assim têm os outros". Nos detalhes, podemos ser um pouco diferentes uns dos outros - isso traz variedade, isso é belo -, mas na base, somos parte de uma só natureza.

A pessoa que ama a si mesma sente tanto amor e se torna tão bem-aventurada que o seu amor começa a transbordar, começa a alcançar os outros. Ele precisa alcançar! Se você viver o amor real, precisará compartilhá-lo. Você não poderá continuar a amar só a si mesmo para sempre, pois algo ficará absolutamente claro para você: se amar uma pessoa - a você mesmo - é tão imensamente extasiante e belo, mais êxtases estarão esperando você, se você começar a compartilhar seu amor com muitas, muitas pessoas!

Lentamente suas ondulações amorosas começarão a ir mais e mais longe. Você amará outras pessoas, e então começará a amar os animais, os pássaros, as árvores, as rochas. Você pode preencher todo o Universo com o seu amor. Uma única pessoa é suficiente para preencher todo o Universo com amor, exatamente como uma única pedrinha pode preencher todo o lago com andulações - uma única pedrinha.

Somente um buda pode dizer: Ame a si mesmo. Nenhum sacerdote, nenhum político pode concordar com isso, pois isso é destruir todo o edifício, toda a estrutura de exploração montada por eles. Se uma pessoa não tiver permissão para amar a si mesma, seu espírito, sua alma, fica cada dia mais fraca. Seu corpo pode se desenvolver, mas ela não terá crescimento interior, pois não terá nutrição interior. Ela permanece um corpo praticamente sem alma, ou com somente uma potencialidade, uma probabilidade de alma. A alma permanece uma semente e continuará assim, se você não puder encontrar o correto solo do amor para ela. E você não o encontrará, se seguir a idéia idiota usual: "Não ame a si mesmo".

Eu também lhe ensino a primeiro amar a si mesmo. Isso nada tem a ver com o ego. Na verdade, o amor é uma tal luz que a escuridão do ego de maneira nenhuma pode existir nela. Se você amar os outros, se seu amor estiver focado apenas nos outros, você viverá na escuridão. Primeiro, volte a sua luz em direção a si mesmo; primeiro, torne-se uma luz para si mesmo. Deixe a luz dispersar sua escuridão interior, sua fraqueza interior. Deixe que o amor faça de você um poder imenso, uma grande força espiritual.

E, uma vez que sua alma se torne poderosa, você saberá que não morrerá, que você é imortal, eterno. O amor lhe dá o primeiro discernimento com relação à eternidade, à imortalidade. O amor é a única experiência que transcende o tempo. Exatamente por isso, as pessoas que amam não temem a morte. Um único momento de amor é mais do que toda a eternidade.

Mas o amor precisa começar do começo, precisa iniciar com este primeiro passo:

Ame a si mesmo

Não se condene. Você já foi condenado demais e aceitou toda essa condenação. Agora, você fica se machucando. Ninguém se considera digno o suficiente, ninguém se considera uma bela criação de Deus, ninguém pensa que é necessário para a existência. Essas são idéias venenosas, mas você foi envenenado, envenenado com o leite de sua mãe, e esse tem sido todo o seu passado. A humanidade tem vivido sob uma escura nuvem de autocondenação. Se você se condena, como você poderá se desenvolver, como você poderá se tornar maduro? E se você se condena, como poderá venerar a existência? Se você não puder venerar a existência dentro de você, você será incapaz de venerar a existência nos outros; será impossível.

Você só pode se tornar parte do todo se tiver um grande respeito pelo Deus que reside dentro de você. Você é um anfitrião, Deus é seu convidado. Ao amar a si mesmo, você saberá: Deus o escolheu para ser um veículo. Ao escolher você para ser um veículo, ele já o respeitou, já o amou. Ao criar você, ele demonstrou seu amor por você. Ele não fez você acidentalmente; ele o fez com um certo destino, com um certo potencial, com uma certa glória que você precisa atingir. Sim, Deus criou o ser humano à sua própria imagem. O ser humano precisa se tornar um deus. A menos que o ser humano se torne um deus, não haverá preenchimento, contentamento.

Mas como você pode se tornar um deus? Seus sacerdotes dizem que você é um pecador, uma perdição, que você inevitavelmente irá para o inferno. E eles o deixam com muito medo de amar a si mesmo. Esse é o truque deles, cortar a própria raiz do amor. Eles são muito espertos. A profissão mais ardilosa no mundo é a dos sacerdotes. Eles dizem: "Ame os outros". Ora, isso será artificial, sintético, um fingimento, uma representação.

Eles dizem: "Ame a humanidade, sua terra natal, sua nação, a vida, a existência, Deus". Grandes palavras, mas completamente sem significado. Você já se deparou com a humanidade? Você sempre se depara com seres humanos - e infelizmente condenou o primeiro ser humano que encontrou, você.

Você não se respeita, não se ama. Agora você desperdiça toda a sua vida condenando os outros. É por isso que as pessoas são tão críticas. Elas se criticam, e como podem evitar de encontrar as mesmas faltas nos outros? Na verdadem, elas as encontrarão e as aumentarão; elas as tornarão tão grandes quanto possível. Essa parece ser a única escapatória para, de alguma maneira, livrar a cara; isso precisa ser feito. Por isso existe tanto criticismo e tanta falta de amor.

Eu digo que esse é um dos sutras mais profundos de Buda, e somente uma pessoa desperta como ele pode dar a você esse discernimento.

Ele diz: Ame a si mesmo... Essa pode se tornar a base para uma transformação radical. Não tenha medo de amar a si mesmo. Ame totalmente e você ficará surpreso: o dia em que você se livrar de toda autocondenação e autodesrespeito, em que você se livrar da idéia do pecado original, em que puder pensar em si mesmo como alguém valioso e amado pela existência, será um dia de grande bênção. Desse dia em diante, você começará a perceber as pessoas assim como elas são de verdade e terá compaixão. E essa não será uma compaixão cultivada; será um fluxo natural e espontâneo.

Uma pessoa que se ama pode facilmente se tornar meditativa, porque meditação significa estar consigo mesmo. Se você se odiar - como você se odeia, como lhe disseram para fazer e você fez religiosamente -, se você se odiar, como poderá ficar com você mesmo? E meditar nada mais é do que apreciar sua bela solitude. Celebrar a si mesmo, é isso o que a meditação é.

A meditação não é um relacionamento; o outro não é necessário, a pessoa é suficiente em si mesma, é banhada em sua própria glória, em sua própria luz. Ela está simplesmente feliz por estar viva, por existir.

O maior milagre do mundo é este: você existe, eu existo. Existir é o maior milagre, e a meditação abre as portas para esse grande milagre. Mas somente uma pessoa que ama a si mesma pode meditar; do contrário, você está sempre fugindo de si mesmo, evitando a si mesmo. Quem quer olhar para uma face feia e quem quer penetrar num ser feio? Quem quer penetrar fundo em sua própria lama, em sua própria escuridão? Quem quer entrar no inferno que você julga ser? Você quer manter tudo isso coberto com belas flores e sempre fugir de si mesmo.

Por isso as pessoas estão continuamente procurando companhia. Elas não conseguem ficar com elas mesmas e querem ficar com outras pessoas. As pessoas estão procurando qualquer tipo de companhia; se elas puderem evitar a companhia delas mesmas, qualquer coisa servirá. Elas sentarão num cinema durante três horas, assistindo algo completamente idiota; lerão um romance policial por horas, desperdiçando seu tempo. Lerão o mesmo jornal repetidamente, apenas para se manterem ocupadas; jogarão cartas e xadrez apenas para matar o tempo, como se tivessem muito tempo!

Nós não temos muito tempo, não temos tempo suficiente para nos desenvolver, para ser, para nos alegrar.

Mas este é um dos problemas básicos criados por uma educação equivocada: evite a si mesmo. As pessoas ficam sentadas em frente à TV, grudadas na poltrona durante quatro, cinco, até seis horas. Na média, o norte-americano assiste à televisão durante cinco horas por dia, e essa doença se espalhará por todo o mundo. E o que você está vendo? E o que você está ganhando com isso? Queimando seus olhos...

Mas isso sempre foi assim; mesmo se a televisão não existisse, haveria outras coisas. O problema é o mesmo: como evitar a si mesmo? Porque a pessoa se sente muito feia. E quem a fez ficar tão feia? Seus pretensos religiosos, seus papas. Eles são responsáveis por distorcerem suas faces, e foram bem-sucedidos, tornaram todos feios.

Toda criança nasce bela e, então, começamos a distorcer sua beleza, mutilando-a e paralisando-a de muitas maneiras, distorcendo sua proporção, tornando-a desequilibrada. Mais cedo ou mais tarde ela fica tão desgostosa consigo mesma que aceita ficar com qualquer um. O sujeito pode procurar uma prostituta apenas para evitar a si mesmo.

Ame a si mesmo, diz Buda. E isso pode transformar todo o mundo, pode destruir todo o feio passado, pode anunciar uma nova era, pode ser o princípio de uma nova humanidade.

Daí a minha insistência no amor - mas o amor começa com você mesmo. Depois ele pode continuar se espalhando, se espalhando por conta própria. Você não precisa fazer nada para espalhá-lo.

Ame a si mesmo, diz Buda e, logo depois, ele acrescenta: e observe. Isto é meditação, é o nome que Buda dá à meditação. Mas o primeiro requisito é se amar e, depois, observar. Se você não se amar e começar a observar, você vai querer se suicidar! Muitos budistas pensam em suicídio, pois não prestam atenção na primeira parte do sutra e, imediatamente, pulam para a segunda parte: "Observe a si mesmo". Na verdadem, nunca me deparei com um único comentário sobre o Dhammapada, sobre esses sutras de Buda, que desse qualquer atenção à sua primeira parte: Ame a si mesmo.

Sócrates diz: "Conheça a si mesmo". Buda diz: "Ame a si mesmo". Buda está muito mais correto, porque a menos que você ame a si mesmo, nunca se conhecerá. O conhecer virá somente mais tarde. O amor prepara o terreno, é a possibilidade de se conhecer, é o caminho correto para se conhecer.

Ninguém acha - nem mesmo os budistas - que amar a si mesmo precisa ser a base para conhecer a si mesmo, para observar a si mesmo, pois, a menos que você se ame, você não conseguirá se encarar. Você evitará. Isso porque o observar pode, ele próprio, ser uma maneira de evitar a si mesmo.

Primeiro: Ame a si mesmo e observe, hoje, amanhã e sempre.

Crie uma energia amorosa à sua volta. Ame o seu corpo, ame a sua mente, ame todo o seu mecanismo, todo o seu organismo. Amar significa aceitar como é. Não tentar reprimir. Reprimimos somente quando odiamos algo, quando somos contra algo. Não reprima, porque se você reprimir, como você irá observar? E não conseguimos olhar nos olhos do inimigo; só conseguimos olhar nos olhos de nosso amado. Se você não se amar, você não será capaz de olhar em seus próprios olhos, em sua própria face, em sua própria realidade.

Observar é meditar, é o nome que Buda dá à meditação. Observar é a senha de Buda. Ele diz: fique atento, fique alerta, não seja inconsciente, não se comporte de maneira sonolenta, não continue funcionando como uma máquina, como um robô. E é assim que as pessoas estão vivendo.

As pessoas estão vivendo inconscientemente, elas não estão conscientes do que estão dizendo, do que estão fazendo; elas não são observadoras. As pessoas ficam supondo e não vêem; elas não têm discernimento, não podem ter. O discernimento só acontece por meio de grande observação; então, pode-se ver até com os olhos fechados. No momento, você não pode ver nem mesmo com os olhos abertos. Você conclui, supõe, impõe, projeta.

Grace está deitada no divã do psiquiatra.
"Feche os olhos e relaxe", diz o médico, "e irei tentar um experimento".
Ele pegou seu chaveiro de bolso e levemente balançou as chaves. "O que este som lembra?", perguntou.
"Sexo", ela sussurrou.
Então, ele encostou levemente o chaveiro na palma da mão da moça, e o corpo dela enrijeceu.
"E isso?", perguntou o psiquiatra.
"Sexo", Grace murmurou nervosa.
"Agora, abra os olhos", instruiu o médico, "e me diga por que o que fiz fez você pensar em sexo".
Hesitantemente, suas pálpebras se abriram. Grace viu o molho de chaves na mão do psiquiatra e enrubesceu.
"Be-bem, para começar", ela gagejou, "pensei que o primeiro som fosse o zíper da sua calça se abrindo..."

Sua mente está constantemente projetando, projetando a si mesma. Ela está constantemente interferindo na realidade, dando-lhe uma cor, uma configuração e uma forma que não lhe é própria. Sua mente nunca permite que você perceba aquilo que é; ela permite que você perceba somente aquilo que ela deseja perceber.

Os cientistas pensavam que nossos olhos, ouvidos, nariz, os outros sentidos e a mente nada mais fossem do que aberturas para a realidade, pontes para a realidade. Mas agora todo o entendimento mudou. Agora eles dizem que nossos sentidos e a mente não são realmente aberturas para a realidade, mas defesas contra a realidade. Somente dois por cento da realidade passa por essas defesas e chega até você; noventa e oito por cento da realidade fica do lado de fora de você. E os dois por cento, que chegam até você e ao seu ser, são alterados. Eles precisam passar por tantas barreiras, precisam amoldar-se a tantas coisas da mente que, quando chegam até você, não são mais os mesmos.

Meditação significa colocar a mente de lado, de tal modo que ela não mais interfira na realidade e você possa perceber as coisas como elas são.

E por que a mente interfere? Ela interfere porque ela é criada pela sociedade, ela é o agente da sociedade em você! A mente não está a seu serviço, lembre-se disso! Ela é a sua mente, mas não está a seu serviço; ela está fazendo uma conspiração da sociedade contra você. A nossa mente foi condicionada pela sociedade, que implantou muitas coisas nela. Ela é a sua mente, mas não funciona como sua serva; ela funciona como serva da sociedade. Se você for cristão, ela funcionará como uma agente da igreja cristã; se você for hindu, ela será hindu; se você for budista, ela será budista. E a realidade não é cristã, hindu ou budista; a realidade é simplesmente como ela é.

Você precisa colocar de lado estas mentes: a mente comunista, a fascista, a católica, a protestante... Existem três mil religiões no mundo, grandes e pequenas, e pequenas seitas e seitas dentro de seitas... três mil no total. Dessa maneira, existem três mil mentes, tipos de mente, e a realidade é uma só, a existência é uma só, a verdade é uma só!!

Meditação significa: coloque a mente de lado e observe. O primeiro passo, ame a si mesmo, o ajudará imensamente. Ao amar a si mesmo, você irá destruir muito do que a sociedade implantou em você. Você se tornará mais livre da sociedade e de seus condicionamentos.

E o segundo passo é: observe, apenas observe. Buda não diz o que precisa ser observado - é tudo! Ao caminhar, observe o seu caminhar. Ao comer, observe seu comer. Ao tomar banho, observe a água, a água caindo sobre você, o toque da água, seu frescor, o calafrio que passa pela espinha - observe tudo, hoje, amanhã e sempre.

E finalmente, chega um momento em que você pode observar mesmo o seu sono. No que se refere ao observar, isso é o máximo. O corpo vai dormir e ainda assim existe um observador desperto, silenciosamente observando o corpo dormindo profundamente. No que se refere ao observar, isso é o máximo. No momento, acontece justamente o contrário: seu corpo está desperto, mas você está dormindo, em profunda sonolência. Então, você estará desperto e seu corpo estará dormindo.

O corpo precisa de repouso, mas sua consciência não precisa de sono. Sua consciência é consciência; ela é o estado de alerta, essa é a sua própria natureza. O corpo se cansa (e se desgasta) porque vive sob a lei da gravidade. É a gravidade que o deixa cansado (e desgastado). É por isso que ao correr rápido, você logo se cansa; ao subir escadas, você logo se cansa, pois a gravidade o puxa para baixo. Na verdade, ficar em pé é cansativo, sentar é cansativo, e quando você se deita na horizontal, somente então existe um pouco mais de repouso para o corpo, porque você fica mais em sintonia (equilíbrio) com a lei da gravidade. Quando você está em pé, na vertical, você está indo contra a lei; o sangue vai para a cabeça, contra a lei, e o coração precisa bater mais forte.

Mas a consciência não funciona sob a lei da gravidade, daí ela nunca se cansar. A gravidade não tem poder sobre a consciência; a consciência não é uma rocha, ela não tem peso. Ela funciona sob uma lei totalmente diferente, a lei da graça ou, como ela é conhecida no Oriente, a lei da levitação. Gravitação significa puxar para baixo, levitação significa puxar para cima.

O corpo está continuamente sendo puxado para baixo e, por isso, finalmente ele precisará se deitar na cova. Esse será o verdadeiro repouso para ele, pó sobre pó. O corpo, dessa forma, retornou à sua fonte, o tumulto cessou; agora não existe mais conflito. Os átomos de seu corpo terão verdadeiro repouso somente no túmulo.

A alma, no entanto, se eleva mais e mais alto. À medida que você se torna mais observador, você começa a ter asas - então, todo o céu é seu.

O ser humano é um encontro da terra com o céu, do corpo com a alma.

Fonte: Osho, Amor, Liberdade e Solitude, Editora Cultrix, 2006. ISBN 978-85-316-0913-8.

Labels: , , , , , , , ,


This page is powered by Blogger. Isn't yours?