terça-feira, junho 11, 2024

 

Zorba, o Buda

Fonte consultada:  Osho, O Livro da sua Vida - Crie o seu próprio caminho para a liberdade, Editora Pensamento-Cultrix, 2019. ISBN: 978-85-316-0975-6

 O filme Zorba, o Grego, tornou-se famoso no passado...

Em 1964 foi lançado o filme Zorba, o Grego, que fez enorme sucesso aqui no Brasil. O personagem principal, o ator mexicano Anthony Quinn (Zorba), gostava de desfrutar sua vida física em abundância. Após esse filme, a marca de cueca masculina Zorba tornou-se praticamente sinônimo de cueca aqui no Brasil, assim como Gillete era sinônimo de lâmina de barbear e Bom Bril era sinônimo de palha de aço.

O meu (Osho) conceito de um novo ser humano na Terra é o de alguém que será Zorba, o Grego, e também Gautama, o Buda:  o novo ser humano será "Zorba, o Buda" - sensual e espiritual. Físico, absolutamente físico - vivendo plenamente no corpo, com todos os seus sentidos, gostando do corpo e de tudo o que o corpo físico torna possível - e, mesmo assim, haverá alí uma grande consciência, um grande testemunho. Zorba, o Buda - como nunca houve antes.

É disso que eu (Osho) estou falando quando me refiro ao encontro entre o Oriente e o Ocidente, o encontro entre o materialismo e a espiritualidade. Esta é a minha idéia de Zorba, o Buda: a união entre o céu e a terra.

Eu quero que não haja nenhuma cisão entre matéria e espírito, entre o mundano e o sagrado, entre este mundo e o outro mundo. Não quero nenhuma cisão, porque toda cisão cria uma cisão em você. E toda pessoa que esteja dividida de si mesma, acaba ficando louca, ensandecida. Estamos vivendo em um mundo louco e insano. Ele só recuperará a sanidade quando essa cisão puder ser desfeita.

A espécie humana sempre viveu ou acreditando na realidade da alma e no caráter ilusório da matéria, ou na realidade da matéria e no caráter ilusório da alma. Mas ninguém se preocupava em olhar a realidade do ser humano. Nós somos as duas coisas. Não somos só espiritualidade - só consciência - nem somos só matéria. Somos uma harmonia perfeita entre matéria e consciência. Ou talvez matéria e consciência não sejam duas coisas, mas só dois aspectos de uma única realidade (energia inteligente): a matéria é o exterior da consciência e a consciência é a interioridade da matéria. Não existiu no passado nem um único filósofo, sábio ou místico religioso que tenha declarado essa unidade; eles eram todos a favor da divisão do ser humano, e consideravam um lado real e o outro, irreal (maya). Isso criou um clima de esquizofrenia no mundo inteiro.

Você não pode viver como se fosse apenas um corpo. Foi isso que Jesus quis dizer quando afirmou, "Não só de pão vive o homem" - mas essa é só uma meia verdade. Você precisa da sua consciência, não pode viver só de pão, é verdade - mas também você não pode viver sem pão. Você tem as duas dimensões no seu ser e ambas têm de ser satisfeitas, tem de ter a mesma oportunidade de crescimento. Porém, o homem não tem sido aceito na sua totalidade.

Isso tem causado muito sofrimento, angústia e uma enorme escuridão; uma noite que já dura milhares de anos e parece não ter fim. Se ouvir apenas o corpo, você se condena a uma existência sem sentido. Se não ouve o corpo, você sofre - fica com fome, fica pobre, fica com sede. Se ouvir apenas a consciência, o seu crescimento ficará desequilibrado. A sua consciência crescerá, mas o seu corpo vai definhar, e não haverá equilíbrio. Mas é no equilíbrio que está a sua saúde, e no equilíbrio que está a inteireza, é no equilíbrio que está a sua alegria, a sua canção, a sua dança.

O materialista preferiu ouvir o corpo e fazer ouvidos moucos para tudo que se refere à realidade da consciência. O resultado final é uma grande ciência, uma grande tecnologia - uma sociedade afluente, abundância de coisas mundanas, terrenas. E, em meio a toda essa abundância, existe um ser humano pobre e sem alma, completamente perdido - sem saber quem ele é, sem saber por que existe, sentindo-se quase um acidente da natureza, uma anomalia.

A menos que a consciência cresça no mesmo ritmo que a riqueza do mundo material, o corpo ficará pesado demais e a alma, debilitada. Você está oprimido pelas suas próprias invenções, pelas suas próprias descobertas. Em vez de criar uma vida bonita para você, elas criaram uma vida que, aos olhos das pessoas inteligentes, não vale a pena viver.

No passado, o Oriente optou por dar ênfase à consciência e condenar a matéria e tudo que fosse material, inclusive o corpo, relegando-os à condição de maya. Consideravam a matéria um fenômeno ilusório, uma miragem no deserto, que só parece existir, mas não tem realidade em si mesma. O Oriente criou um Gautama Buda, um Mahavira, um Patanjali - um longo rol de pessoas de grande consciência, de grande percepção. Mas também criou milhões de pessoas pobres, famintas, morrendo à mingua, como cães - sem comida, sem água para beber, sem roupas, sem teto.

O homem mais rico do mundo ocidental está em busca da sua própria alma e por dentro sente um vazio - sem amor, só volúpia; sem prece, só palavras que ele aprendeu na escola dominical e repete feito um papagaio. Ele não tem noção de espiritualidade, nenhum sentimento pelos outros seres humanos, nenhuma reverência pela vida, pelos pássaros, pelas árvores, pelos animais. Destruir é tão fácil! Hiroshima e Nagasaki nunca teriam acontecido se as pessoas não fossem vistas como meros objetos.

O Ocidente, em sua ânsia por prosperidade material, perdeu sua alma, sua interioridade. Cercado pela ausência de sentido, pelo tédio, pela angústia, ele não consegue encontrar a sua própria humanidade. Todo sucesso da ciência provou ser inútil - pais a casa está abarrotada de coisas, mas o dono da casa não está alí.

Todos os santos e todos os filósofos - tanto espiritualistas quanto os materialistas - são os responsáveis por esse crime hediondo contra a humanidade.

Zorba, o Buda, é a solução. Ele é a síntese da matéria e da alma. É a declaração de que não existe conflito entre a matéria e a consciência, de que podemos ser prósperos nessas duas dimensões. Podemos ter tudo o que o mundo pode oferecer, tudo o que a ciência e a tecnologia podem produzir, e ainda assim podemos ter tudo o que alguém como Buda descobriu em seu mundo interior - as flores do êxtase, a fragrância da divindade, as asas da liberdade absoluta.

Zorba, o Buda, é o novo ser humano, é o rebelde. A rebelião consiste em acabar com a esquizofrenia da humanidade, em acabar com a divisão entre matéria e espírito - em acabar com a idéia de que a espiritualidade é contra o materialismo e que o materialismo é contra a espiritualidade. É um manifesto de que o corpo e a alma vivem em comunhão. É uma declaração de que toda a existência é tanto material quanto espiritual - ou talvez se trate de uma única energia expressando-se de duas maneiras diferentes, como matéria e como consciência. Quando a energia é purificada, ela se expressa como consciência; quando a energia é bruta, grosseira, densa, ela surge como matéria. Mas toda a existência nada mais é que um campo de energia.

Nós podemos ter os dois mundos ao mesmo tempo. Não precisamos renunciar a este mundo para ganhar o outro; nem temos de negar o outro mundo para aproveitar este. Na verdade, contentar-se só com um deles, quando você pode ter os dois, é ser desnecessariamente pobre.

Zorba, o Buda, é a mais rica das possibilidades. Viveremos nossa natureza ao máximo. Não trairemos a terra nem trairemos o céu. Aproveitaremos tudo o que esta terra tem - todas as flores, todos os prazeres - e também buscaremos todas as estrelas do céu. Trataremos toda a existência como a nossa casa.

Tudo o que a existência contém é para nós, e temos que aproveitar isso de todas as maneiras possíveis - sem nenhuma culpa, sem nenhum conflito, sem ter que fazer escolhas. Aproveite indiscriminadamente tudo o que a matéria é capaz de oferecer e rejubile-se com tudo de que a consciência é capaz.

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domingo, maio 05, 2024

 

As Leis da Vida - 4

 Fonte: Luiz Gasparetto e Lúcio Morigi, Calunga revela As Leis da Vida, Gráfica Vida e Consciência, 2015. ISBN: 978-85-7722-443-2

4. Lei da eternidade: TUDO É ETERNO

Deus é eterno. Tudo foi feito por Deus. Tudo é eterno. Não acaba, mas se transforma. É como na Física, que diz que a energia não se perde, se transforma. Acaba um estado da energia e ela muda para outro. É a lei de Lavoisier, e a lei da Física está dentro da lei cósmica, como tudo está.

O mesmo acontece com a gente. A gente é eterno para a frente e para trás. Você sempre existiu. Costuma-se falar do criador, mas ninguém foi criado, você sempre existiu e sempre vai existir. Nem todo esse tempo eterno você estava na consciência. Encontrava-se no estado latente e, num determinado momento, seu espírito resolveu germinar, como uma semente.

Deus é infinito, como é infinita a diversidade divina. Nada é igual a nada, nem mesmo todos os grãos de areia de todos os universos, e nada se repete. Isso não é fantástico?

Ninguém vive sozinho. Todos nós vivemos em grupos estruturados por hierarquias angélicas. Quando a população angélica se estabeleceu, com suas hierarquias organizadas, elas propiciaram o estabelecimento dos devas, que chamamos de elementais, que são os anjos menores. Os anjos menores foram cuidar das arquiteturas dos ambientes.

Nessa estruturação, tudo seguiu e até hoje segue uma ordem. Por exemplo, o menor tem que vir primeiro.Aí eles se juntam para fazer uma nova estrutura. Quando essa estrutura estiver pronta, vem o maior para ajudar a estrutura a funcionar. E assim segue avançando na complexidade. Isso é um modelo cósmico.

Portanto, aqueles que dominam, fazendo parte do principado, que é a essência maior, vieram depois, quando já havia uma estrutura adequada. Os grandes não vieram em primeiro lugar. As grandes figuras da espiritualidade, da Ciência e de todas as áreas, como Jesus,Buda, Confúcio, Einstein, Steve Jobs, etc., quando se estabeleceram aqui, encontraram um ambiente propício para exercer suas funções.

O espírito do ser humano só surgiu na Terra quando já havia uma estrutura física de um animal para acolhê-lo. Os espíritos foram trazidos aqui de outras partes do universo. O homem não veio do macaco e somos todos extraterrestres. Tudo isso foi e continua sendo obra dos anjos e arcanjos, os chamados donos do planeta.

Não existe evolução sem associação. Solidão é uma utopia. Ninguém é autossustentável. Todo mundo depende de todo mundo. E quanto mais evoluir, mais vai ser assim, porém, sempre obedecendo a uma hierarquia.

A hierarquia é uma constituição do universo. Tudo é organizado, tudo se inter-relaciona, tudo está sob controle neste universo. Ao mesmo tempo em que tudo muda e cresce, tudo está seguro. A alma divina segura todos os universos.

Você não é só. É individual mas não é só. Você está dentro de um agregado, que chamamos de familia espiritual, e ninguém está sem essa família. Sempre tem que haver expansão, evolução, pois esta é uma das leis da vida.

Cada célula do nosso corpo é uma individualidade que se agregou. Como qualquer ser vivo, ela tem alma. Ela nasce, morre e reencarna na matéria. Esses seres também têm inteligência animal. Por isso, o agregado dessas inteligências animais em nós é o "bicho interior" de cada um. O agregado que domina esse bicho é o eu consciente. Há momentos em que o bicho domina a cabeça e nos "rodamos a baiana".

Depois tem um agregado que domina a cabeça, que é a alma. A alma, por sua vez, é dominada pela parte do espírito que domina tudo, o Eu Superior, que é a essência divina.

Você é um agregado, uma colônia, uma constelação de bilhões de seres, cujo grande deva é o Eu Superior. Quando o Eu Superior entra na consciência, esporadicamente, você pensa como gênio.

O seu Eu Superior é que escolhe sua vida, sua morte, seu nascimento. É Ele que escolhe seus dons. Então, você é  o que seu Eu Superior é. Todo o resto está subjugado a Ele.

E onde fica Deus nisso tudo? Deus fica junto. Deus não está fora. Tudo é Deus. Você é Deus, a barata é Deus, o santo é Deus, o assassino, na ignorância dele, é Deus, Lúcifer é Deus, os anjos são Deus, a pedra é Deus. Tudo é manifestação de Deus. Deus está em tudo. Tudo teve uma única origem, ou melhor, houve uma única causa no universo. Não existe uma coisa mais sagrada que a outra. Absolutamente tudo é sagrado, porque tudo é a extensão de Deus.

A eternidade é uma transformação que não para nunca. Ela não anda com o tempo. É um continuum, sempre o agora. A eternidade é um eterno presente. O passado e o futuro são uma abstração da mente.

A transformação é a recomposição de cada agora. Nesse espaço do agora, tudo tem que se recombinar. Nunca teve começo e nunca terá fim. É uma característica natural de Deus de nunca ser igual, sem jamais deixar se ser Si mesmo. Se nada pode se repetir, Deus cria e recria o tempo todo.

Nossa mente não entende que há um infinito, um eterno, porque ela só trabalha com o tempo, com o espaço e com formas definidas, e as formas limitam. Foi assim que inventaram equivocadamente um Deus antropomorfo, ou seja, na forma humana. De outro jeito, a mente não conseguiria conceber como era esse Deus.

Deus fez o homem à Sua imagem e semelhança e o homem, por sua vez, fez Deus à imagem e semelhança dele, tanto no formato físico como nas atitudes, o que está completamente equivocado. Deus fez o homem à semelhança d'Ele no poder, no potencial, nas virtudes, nas habilidades, nas faculdades, nas possibilidades. A mente não entende, mas o espírito sabe que tudo se transforma, que Deus não tem forma, que tudo é eterno, que o infinito não tem espaço. A mente usa palavras para definir e as palavras limitam, dão formas.

Por isso Deus não se define. Qualquer definição de Deus O estará limitando. O espírito não define, sente. Em espírito sentimos que Deus é infinito eeterno, pois o espírito é a nossa ligação com o divino.

O máximo que a gente pode estar falando de Deus é de características, e olhe lá. O espírito transcende o cérebro e a mente. Esses limites são parâmetros da educação, para ter disciplina mental, pois sem ela a vida se torna um caos.

Não existe a palavra "acabou". Só existe a palavra "sempre". Por isso as ideias acerca de um céu e de um inferno eternos e estáticos são um absurdo. Tudo se transforma e evolui pela eternidade. O que acaba é o momento que é único, mas ele se transforma em outro momento que também é único, e assim segue pela eternidade. A eternidade é mudança constante.

Ao morrer, a pessoa não vai encontrar Deus, Jesus, Nossa Senhora, santos ou demônios, nem anjos tocando harpa, mas uma realidade muito semelhante à que vivia na Terra.

Outra coisa, por mais ignorante que alguém seja, do tipo daqueles que cometem inúmeros crimes, sempre ele/ela terá uma nova chance, reencarnando tantas vezes quantas forem necessárias, porque, para a espiritualidade, não há bem e não há mal, mas apenas  o funcional, e cada qual passará pelas experiências que forem necessárias ao seu processo evolutivo, graças à generosidade e à justiça divina, evidenciadas pelo fenômenoda reencarnação. Aliás, essa pessoas também é a extensão de Deus. Cada um tem sua hora. De certa forma, isso também define um caminho. Todo mundo tem um caminho próprio.

Crença comum: "Eu não acredito que a gente é eterno. Para mim, morreu, acabou. Dizem que se a pessoa crer, acontece. Então a vida após a morte só vai existir para as pessoas que acreditam nisso? Acho que essa lei de crer e acontecer está furada. Se a vida é eterna para quem crê, ela também deveria ser eterna para quem não crê." Leida eternidade: A lei do crer funciona para a qualidade de vida da pessoa, para as coisas que ela gostaria de ter. Para fatos que já aconteceram, para o que está construindo, para o que já está criado, enfim, para o que existe, crer ou não crer não vai alterar nada.

A eternidade e a vida após a morte, mesmo que a pessoa não acredite, são reais. É como a pessoa não acreditar em terremotos quem nunca sentiu um. A pessoa que não acredita na vida após a morte, ao desencarnar, por força de sua crença, poderá passar certo período sem ver nada, ou dormindo.

Mas, a realidade está lá, e mais cedo ou mais tarde ela vai precisar acordar para essa realidade. "É, mas se ela não acreditar que morreu, já que ela se vê viva?" É muito fácil. É só trazer algum parente que morreu muito antes para conversar com ela.

No astral não há nada de misticismo e mistérios, mas muita Ciência e espiritualidade. É um mundo tão concreto e tão real quanto este, apenas vibrando em outra frequência energética.

Toda dor, todo sofrimento, são decorrentes de ilusões, e a ilusão não se sustenta. Um dia ela acaba, já que é uma invenção da sua cabeça. Podemos concluir, assim, que o bem-estar é eterno, porque é baseado em verdades, enquanto o sofrimento é passageiro. Em oudtros termos, o paraíso é eterno, e o inferno é circunstancial.

Crença comum: "Os bons, que ajudam os outros, vão para o céu, e os maus, para o inferno, pela eternidade." Lei da eternidade: Primeiro, não há dor que dure para sempre. Segundo, o conceito de pessoa boa, mormente aqui no Brasil, é aquela que se doa para o próximo, e quanto mais tirar de si para ajudar o outro, mais seu conceito sobe. Há uma diferença radical entre esse tipo de ajuda e a verdadeira ajuda. Antes de tudo, ajudar não é assumir o outro.

Existe uma ciência pra ajudar os outros, senão em vez de ajudar, acaba atrapalhando mais. Muitas pessoas estão com sua casa completamente bagunçada e querem arrumar a dos outros. A verdadeira ajuda começa arrumando-se a própria casa. Assim, a energia boa se propaga, afetando quem estiver em volta.

Para ser uma verdadeira ajuda, você precisa deixar que a pessoa peça, senão é intromissão na vida dela. É falta de educação. Essa mania que você tem de ajudar, de ser bonzinho, acaba atrapalhando, pois tira da pessoa a oportunidade de crescer por si só.

Para ajudar é preciso dar só se estiver sobrando. Não pode tirar de você pra dar ao outro. Se tirar de você, estará dando um recado à vida: "Pode tirar de mim!". Na verdadeira ajuda, todos têm que ganhar. Sentir-se bem é melhor que fazer o bem. Sentir-se bem fazendo o bem é o máximo.

Sacrificar-se pelo próximo faz mal. Quem se sacrifica pelo outro acredita que o sacrifício é um bem. Como a crença é o que conta, a vida sempre vai responder com esse suposto bem, ou seja, com mais sacrifício.

Depois que a pessoa morre, o que conta é o que ela fez para si e não para os outros. Ninguém vai ficar bem por causa dos outros, mas por sua própria causa.

Se você deixar a mente vagueando ao sabor do pensamento, no automático, fatalmente ela tenderá à morbidez e você cairá. Se aí no seu mundo é assim, quando você chegar ao astral piorará, porque a matéria de lá tem mais plasticidade devido à força de coesão dos átomos e moléculas ser menor, fazendo com que as ilusões se materializem mais rápido. Chegando ao astral, tudo continua a mesma coisa, só que mais intensamente, até que a pessoa discipline sua mente e mude suas crenças e atitudes.

Deus não perdoa nem condena ninguém. Tudo que a pessoa fizer, Ele não verá como um erro, mas como uma experiência válida, um aprendizado, pois foi tudo Ele que criou, e Deus não cria nada inútil.

Quem se culpar, se condenar, terá que pagar. É a crença dele. Quem se absolver estará absolvido. Cada qual que use a inteligência que Ele deu da menaira que lhe convier.

Deus não castiga, mas também Deus não protege a ignorância e cada um é responsável pelo que lhe sucede. A única forma de o ignorante aprender é experimentando mais dor. Sem esse estímulo, ele ficaria cada vez mais relapso, relaxado, mimado e sua inteligência, ou capacidade, por mínimas que fosse, não seria estimulada a se desenvolver.

Tudo no universo é troca. Esse negócio de fazer sem interesse é pura balela. Sempre haverá um motivo, uma condição pra pessoa fazer algo por alguém, por isso ninguém faz nada desinteressadamente. O verdadeiro amor liberta.

Portanto, por ocasião da morte, a pessoa leva consigo apenas suas crenças e atitudes. A que acredita no sacrifício, mesmo que seja para o bem do próximo, continuará no sacrifício. A que acredita na alegria, e que seu bem-estar está em primeiro lugar, pois cada um é responsável pelo que de bom ou de ruim ocorre consigo, continuará na alegria.

Crença comum: "Quem luta e quem sofre vai para o céu". Lei da eternidade: Quem acredita na luta vai continuar lutando, e quem valoriza o sacrifício por meio de suas atitudes diárias, acredita no sacrifício e vai continuar se sacrificando. Felizmente, no astral as pessoas continuam aprendendo, e quem tiver um pouquinho de lucidez, vai perceber que a luta e o sacrifício só servem para atrair mais luta e mais sacrifício. Essa pessoa vai precisar mudar seu ponto de vista e suas crenças a esse respeito.

Crença comum: "Graças a Deus ele descansou! Passou desta para melhor". Lei da eternidade: Não é verdade. É exatamente o contrário. Do jeito que a pessoa morre, ela chega no astral. Se morrer doente, com dores, chega lá com a doença e mais sofrimento ainda, porque, além das dores físicas, soma-se a dor da saudade dos familiares que ficaram aqui e a energia densa da dor do lamento dos parentes pela sua morte.

Crença comum: "Quem sacrifica esta vida ganha a outra". Lei da eternidade: Ganha uma vida pior, pois acredita no sacrifício, e a morte não altera as crenças da pessoa. Se o seu sacrifício é feito na intenção de ganhar a outra vida, você está fazendo um péssimo negócio. 

Só conta o que a pessoa faça para si e não para os outros. Caso a pessoa faça para os outros com prazer, aí conta, porque ela acredita no prazer e não no sacrifício. Ajudar é uma beleza, é muito prazeroso e gratificante, desde que seja feito com alegria e satisfação.

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sábado, maio 04, 2024

 

As Leis da Vida - 3


Fonte: Luiz Gasparetto e Lúcio Morigi, Calunga revela As Leis da Vida, Gráfica Vida e Consciência, 2015. ISBN: 978-85-7722-443-2

3. Lei da Evolução: TUDO EVOLUI

Tudo muda, mas não muda simplesmente por mudar. Há uma inteligência nesse processo de mudança. Muda para evoluir. Tudo evolui. Tudo segue o trajeto do universo que se expande.

Assim, tudo segue esse caminho: do simples para  o complexo, do caótico para o organizado, do pior para o melhor, do ignorante para o sábio, do atrasado para o avançado, do impotente para o poderoso, da criança ao adulto, do bruto para o polido.

A consciência de cada um, nas experiências cotidianas, vai se expandindo, e quanto mais expandida, mais evoluída será. Sua vida atual é melhor que todas as anteriores. Então, o mundo vai estar melhor daqui a cem anos? Com certeza absoluta.

Muitos argumentam que o mundo está mais violento hoje do que nos tempos de seus avós. Está nada! Está muitíssimo mais calmo se considerarmos proporcionalmente os números da violência com o número de habitantes do planeta daquela época e de agora.

O fato é que hoje a midia escancara cada crime que acontece na esquina. Hoje você assiste a uma guerra em tempo real. Desligue sua televisão por um mês e você vai sintonizar um mundo de paz.

Nossa consciência também segue esse trajeto: do latente primitivo e obtuso para o sofisticado, para as qualidades, para as virtudes, para o brilho, para a genialidade, para o iluminado. Quer queira quer não, você vai melhorar. Portanto, não importa o caminho que você faça nem o jeito como você vai, você vai melhorar. Portanto, seja otimista.

"Ah, mas não é bem assim que acontece com a maioria das pessoas, pois acabam tendo uma velhice sofrida e morrem bem pior que no auge da idade". Mas quem disse que a morte é o fim? Se a melhora não vem durante a vida, por conta das crenças erradas que a pessoa cultiva, virá no astral, e se não melhorar no astral, melhora na próxima vida.

A vida é um processo contínuo. Tudo continua. A morte não vem ao caso. É apenas um acidente de percurso, como um casamento, uma formatura, uma viagem, uma perda de emprego. A morte simplesmente  provoca uma mudança de rotina. Há muitas pessoas com a cabeça boa que morrem na velhice com um padrão de vida bem melhor que no auge da idade.

Não existe erro. A gente só faz o que sabe. Você nunca errou. Hoje você faz diferente porque aprendeu com o "erro". Todo "erro" é captalizado para a evolução, para o sucesso da pessoa.

Do ponto de vista cósmico, tudo conta, tudo faz parte do processo. Ninguém salva ninguém. Nenhuma religião salva ninguém porque ninguém está perdido. Ninguém se perde. Está onde precisa estar, no seu caminho, no seu jeito, de acordo com o grau de consciência, de evolução dele.

A individualidade é sagrada no universo. Portanto, seja diferente, seja a ovelha negra. Você não precisa de pastor. O pastor só sabe o que é bom para ele. Você é seu próprio guia. Só o diferente aparece. Só o diferente se destaca e tem sucesso. Você não é uma ovelha comum.

Evoluir é tomar consciência do que já é. É descobrir. Tirar o que cobre, e o que cobre simplesmente é a ignorância.

Não adianta se agarrar no que dizem por aí. O que é para você só será para você. Já está escrito em você. Então, relaxe. Só vai ser o que já é, mas que ainda não emergiu. Seu caminho jamais será igual ao do outro.

Quando você se compara e quer fazer do jeito do outro, esta fantasiando e indo contra a lei da vida segundo a qual tudo é único. Pare de se comparar, para de exigir de você o que não é seu. Isso é se amar. Isso é ser seu melhor amigo.

Faça o que fizer de errado, isso está certo e você vai melhorar, evoluir. É a lei. Você não vai perder aquilo que fez de errado. Apenas vai transformá-lo em algo melhor. É assim o processo de expansão da consciência.

Deus é infinito e as possibilidades são infinitas. Tudo já é em Deus, mas nós vamos descobrindo no processo evolutivo. Para nós é novidade, mas Deus já sabia.

Quer evoluir mais rápido? Viva no aqui e agora. Curta o aqui e agora. Quem não curtir uma rosa não terá um jardim. Quanto mais tempo ficar curtindo aquilo, mais você ficará positivo e mais as coisas acontecerão. O domínio dos seus poderes é que faz a evolução.

Por falar em evolução, imediatamente vem à mente a evolução das espécies, segundo a Ciência, mais especificamente a evolução do ser humano. E a pergunta que emerge é: o homem veio do macaco?

Não. O homem veio do mesmo ser que originou o macaco. Ambos têm origem comum, mas em determinado instante os macacos seguiram um caminho e os humanos seguiram outro. Se não fosse assim, o macaco atual poderia evoluir e se tornar humano, mas isso nunca vai ocorrer.

Somos todos extraterrestres. Foi dessa maneira que desapareceram tantas raças, como os sumérios, os egípcios e alguns povos indígenas. Os quenão se transformaram e não se adaptaram aos novos propósitos dos criadores da Terra tiveram que deixá-la, e migraram para outros planetas ou para outras dimensões. A Terra tem três dimensões físicas: uma em que a evolução ocorre muito lentamente, uma intermediária, que é a que habitamos, e outra acelerada, onde vibram seres mais evoluídos, e tudo acontece muito rápido. Cada Terra física tem seus astrais correspondentes. É o plano astral que molda o plano material.

No astral também se constroem cidades, as pessoas se organizam em sociedade, há estudos, ciências, artes e, como aqui, lá também tudo evolui. Dessa forma, o que existe no mundo físico já passou pelo astral, e tudo que é vivo aqui volta para o astral. Na verdade, nunca saiu do astral. Da matéria sim, do astral não, porqueo fato de agente encarnar não quer dizer que saiu do astral.

A matéria limita nossa mente e não percebemos o astal, mas quem está no astral percebe o material e percebe também que os dois planos não estão separados. Quando você reencarna, você vai para uma viagem, mas não sai do astral, porque você fica nos dois. A diferença é que, quem está no astral não está nos dois, mas quem está na matéria está nos dois.

Nós estamos ao mesmo tempo no físico e no astral, por isso precisamos dormir. Toda vez que dormimos vamos para o mundo astral. É lá que repomos nossas energias, nos refazemos e voltamos, senão não aguentaríamos. A pessoa pode passar cinquenta dias sem comer que sobrevive, mas não sobrevive uma semana sem dormir.

O mundo físico é um estado peculiar, não é nosso estado natural. Quando chegamos ao astral, iremos perceber que tudo é astral. É quw a matéria tem um poder de sedução muito forte. Ela tem um poder de pressão tão denso, tão cheio de sensações, que dá a impressão de que estamos aqui. A gente está no astral com a impressão de que está só na matéria.

A matéria é só uma passagem. O habitat de todo mundo é o astral. A Terra física é só um adendo da Terra astral. Viemos para o mundo físico para facilitar o processo de evolução, porque aqui tudo é mais lento, menos dinâmico devido à densidade da matéria. Ou seja, a matéria existe para servir aos propósitos de contenção e disciplina. Sem nenhuma disciplina mental, a vida da pessoa no astral se torna um verdadeiro inferno.

A Terra, ficando mais pura, ficará mais acelerada, favorecendo os que aqui ficarão e outros seres mais evoluídos que pretendem viver aqui. Os que não conseguirem se adaptar às mudanças serão transferidos para outros planetas ou para a Terra mais densa. Sem dúvida, os que migrarem rão dominar os povos que lá estiverem, pois aqui é mais acelerado que lá.

Pode-se perguntar: "Será que antes de encarnar, ou mesmo em outras vidas, eu não fiz uma espécie de contrato segundo o qual, faça eu o que fizer, nesta encarnação não vou me tornar rico, ou não vou emagrecer, ou não vou curar tal doença, ou não vou ser feliz no amor, no intuito de desenvolver certas virtudes, certas faculdades ou habilidades, porque essa experiência me libertará mais e atenderá aos anseios do meu espírito?"

De acordo com o Calunga, decididamente a resposta é "não". Essa é uma crença muito limitadora. Não existe nenhuma espécie de contrato nesse sentido. Todo poder está no aqui e agora. O passado não pode de maneira alguma prevalecer sobre o presente.

Querer não é poder. Muita gente quer muito porque acredita que não vai ter. Quanto mais a pessoa acredita que não, mais ela quer. Quem quer muito é porque já tem um grande "não" dentro de si. Repare as pessoas que têm as coisas com facilidade. Elas não têm esse querer ansioso. Elas não fazem força para ter, porque creem que já são ou que já têm.

Por isso a filosofia chinesa prega o não desejo. Cabe aqui o exemplo do ar na mão. Se você quiser segurá-lo fechando a mão, ele irá escapar; se você abrir a mão, ela fica cheia de ar. Do ponto de vista da espiritualidade, quando você crê que é para você, a coisa vem. Crer não é simplesmene dizer "eu creio", mas sentir no corpo que aquilo é para você. É estar convicto daquilo. Já está no plano divino.

Crença comum: "Aquela pessoa fez isso, fez aquilo, por isso precisa pagar". Lei da evolução: Não é errado errar. Todos só fazem o que sabem, no seu devido grau de evolução. Do ponto de vista da espiritualidade, não há erro, mas aprendizado. O que as pessoas chamam de erro, na verdade, é uma tentativa de acertar. Ela está tão somente na ignorância.

Onde houver ignorância, haverá dor. A dor é o próprio estímulo para a pessoa sair da ignorância e não ter mais dor. Ninguém está pagando nada pra ninguém. Só está se exercitando para sair da ignorância.

Diante da infinita sabedoria divina e do espírito, nós não passamos de criancinhas aprendendo as coisas. Diante da infinita generosidade e bondade divinas, Deus aplaude tudo que as pessoas fazem.

É como um bebê que está aprendendo a andar e cai. Os pais não vão bater nele porque ele errou. Ao contrário, vai aplaudi-lo, apoiá-lo e, se precisar, socorrê-lo. Ele está apenas tentando acertar. Os pais sabem que dentro de um mês ele estará andando.

Deus age da mesma forma conosco e cobra de ninguém. E por que iria cobrar, se Ele sabe que mais pra frente todos melhorarão, ou seja, sairão da ignorância? O tombo do bebê é apenas um estímulo para ele aprender a andar de forma segura.

Crença comum: "É meu carma, fazer o que?". Lei da evolução: Não existe carma. Não existe o "faz, paga". Ninguém cobra nada de ninguém. É a própria pessoa que cobra de si, porque ainda não conhece a lei da individualidade, a lei da perfeição e a lei do crer. A pessoa está tão-somente colhendo os frutos de suas crenças e atitudes.

Cada um responde por seus atos. Cada um, junto com seu espírito, é cem por cento responsável por tudo de bom ou de ruim que acontece em sua vida. Responder significa ser responsável. É um ponto de vista totalmente diferente do carma.

No carma, a pessoa está pagando, por isso é tida como vítima. Na responsabilidade, ela está apenas respondendo, ou seja, ela é o agente. Como vítima não há muito o que fazer, como agente a pessoa detém o poder e, na medida em que ela muda suas crenças, os resultados são outros e, nessas experiências, ela evolui. Ou seja, no carma a pessoa é vítima, portanto o poder está fora dela.

Na autorresponsabilidade, a pessoa é  o agente e, assim, detém o poder. No conceito de autoresponsabilidade, ninguém agride ninguém. São apenas companheiros de jornada tentando aprender e evoluir.

Em outras palavras, o "agressor" apenas vem dizer para  o "agredido" o que ele está fazendo contra si e que está na hora de mudar suas crenças e atitudes para não atrair mais agressividade. Esta é uma visão libertadora, enquanto no carma a suposta vítima está  presa na própria crença.

Crença comum: "Com tanta violência, a vida  dos nossos filhos e netos vai ser um caos". Lei da evolução: Vai nada. Vai ser muito melhor que hoje. Proporcionalmente ao número de habitantes do planeta, o mundo hoje está bem  menos violento que nos tempos dos nossos avós. É que as pessoas adoram uma tragédia e ficam ligadas na mídia, vendo violência e as desgraças do povo.

Hoje, qualquer crime que acontece na periferia da Grande São Paulo, que tem em torno de vinte milhões de habitantes, é transmitido pela televisão. As guerras são vistas em tempo real.

A vida atual de cada um é melhor que todas as anteriores. O mundo vai estar bem melhor no futuro. Agora, se a pessoa acredita que a vida será cada vez pior, para ela será, porque a realidade de cada um é feita de acordo com suas crenças.

Crença comum: "O aquecimento global vai acabar com o planeta". Lei da evolução: Vai nada. A lei da evolução não permite. A Terra já passou por outros fenômenos piores e não acabou. É muita pretensão do homem achar que pode destruir o planeta, como se não houvesse uma sabedoria superior cuidando de tudo.

Se os anjos construtores e donos da Terra quisessem, poderiam interferir a qualquer momento e acabar com o aquecimento global. Só não o fazem porque não é necessário. Eles só interferem se o planeta correr risco real de extinção.

Crença comum: "Só a dor faz a pessoa evoluir". Lei da evolução: Não necessariamente. Ou vai pelo amor, ou vai pela dor. No atual estágio evolutivo do planeta, a dor conta muito no processo de expansão da consciência das pessoas, pois há muita ignorância, isto é, falta de conhecimento.

Onde há lucidez, conhecimento, esclarecimento, não há dor. Quando se usa a inteligência, a dor deixa de funcionar como estímulo. O espírito só lança mão da dor porque a pessoa não entende outra linguagem.

Exemplo: O preconceituoso, apesar de todos os esclarecimentos a respeito, apesar dos fatos e exemplos evidenciarem que sua atitude é desfavorável, na sua ignorância não tem o discernimento necessário para perceber que aquilo é prejudicial. Sua inteligência ainda não consegue alcançar as mensagens, então, só sofrendo na própria pele para tomar consciência.

Com o uso da inteligência, do discernimento, do bom senso, as pessoas podem evoluir pelas experiências dos outros, por meio de uma leitura, de um aconselhamento, de um curso, evitando, assim, a vivência dolorosa.

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segunda-feira, abril 22, 2024

 

As Leis da Vida - 3

 Fonte: Luiz Gasparetto e Lúcio Morigi, Calunga revela As Leis da Vida, Gráfica Vida e Consciência, 2015. ISBN: 978-85-7722-443-2

3. Lei da Evolução: TUDO EVOLUI

Tudo muda, mas não muda simplesmente por mudar. Há uma inteligência nesse processo de mudança. Muda para evoluir. Tudo evolui. Tudo segue o trajeto do universo que se expande.

Assim, tudo segue esse caminho: do simples para  o complexo, do caótico para o organizado, do pior para o melhor, do ignorante para o sábio, do atrasado para o avançado, do impotente para o poderoso, da criança ao adulto, do bruto para o polido.

A consciência de cada um, nas experiências cotidianas, vai se expandindo, e quanto mais expandida, mais evoluída será. Sua vida atual é melhor que todas as anteriores. Então, o mundo vai estar melhor daqui a cem anos? Com certeza absoluta.

Muitos argumentam que o mundo está mais violento hoje do que nos tempos de seus avós. Está nada! Está muitíssimo mais calmo se considerarmos proporcionalmente os números da violência com o número de habitantes do planeta daquela época e de agora.

O fato é que hoje a midia escancara cada crime que acontece na esquina. Hoje você assiste a uma guerra em tempo real. Desligue sua televisão por um mês e você vai sintonizar um mundo de paz.

Nossa consciência também segue esse trajeto: do latente primitivo e obtuso para o sofisticado, para as qualidades, para as virtudes, para o brilho, para a genialidade, para o iluminado. Quer queira quer não, você vai melhorar. Portanto, não importa o caminho que você faça nem o jeito como você vai, você vai melhorar. Portanto, seja otimista.

"Ah, mas não é bem assim que acontece com a maioria das pessoas, pois acabam tendo uma velhice sofrida e morrem bem pior que no auge da idade". Mas quem disse que a morte é o fim? Se a melhora não vem durante a vida, por conta das crenças erradas que a pessoa cultiva, virá no astral, e se não melhorar no astral, melhora na próxima vida.

A vida é um processo contínuo. Tudo continua. A morte não vem ao caso. É apenas um acidente de percurso, como um casamento, uma formatura, uma viagem, uma perda de emprego. A morte simplesmente  provoca uma mudança de rotina. Há muitas pessoas com a cabeça boa que morrem na velhice com um padrão de vida bem melhor que no auge da idade.

Não existe erro. A gente só faz o que sabe. Você nunca errou. Hoje você faz diferente porque aprendeu com o "erro". Todo "erro" é captalizado para a evolução, para o sucesso da pessoa.

Do ponto de vista cósmico, tudo conta, tudo faz parte do processo. Ninguém salva ninguém. Nenhuma religião salva ninguém porque ninguém está perdido. Ninguém se perde. Está onde precisa estar, no seu caminho, no seu jeito, de acordo com o grau de consciência, de evolução dele.

A individualidade é sagrada no universo. Portanto, seja diferente, seja a ovelha negra. Você não precisa de pastor. O pastor só sabe o que é bom para ele. Você é seu próprio guia. Só o diferente aparece. Só o diferente se destaca e tem sucesso. Você não é uma ovelha comum.

Evoluir é tomar consciência do que já é. É descobrir. Tirar o que cobre, e o que cobre simplesmente é a ignorância.

Não adianta se agarrar no que dizem por aí. O que é para você só será para você. Já está escrito em você. Então, relaxe. Só vai ser o que já é, mas que ainda não emergiu. Seu caminho jamais será igual ao do outro.

Quando você se compara e quer fazer do jeito do outro, esta fantasiando e indo contra a lei da vida segundo a qual tudo é único. Pare de se comparar, para de exigir de você o que não é seu. Isso é se amar. Isso é ser seu melhor amigo.

Faça o que fizer de errado, isso está certo e você vai melhorar, evoluir. É a lei. Você não vai perder aquilo que fez de errado. Apenas vai transformá-lo em algo melhor. É assim o processo de expansão da consciência.

Deus é infinito e as possibilidades são infinitas. Tudo já é em Deus, mas nós vamos descobrindo no processo evolutivo. Para nós é novidade, mas Deus já sabia.

Quer evoluir mais rápido? Viva no aqui e agora. Curta o aqui e agora. Quem não curtir uma rosa não terá um jardim. Quanto mais tempo ficar curtindo aquilo, mais você ficará positivo e mais as coisas acontecerão. O domínio dos seus poderes é que faz a evolução.

Por falar em evolução, imediatamente vem à mente a evolução das espécies, segundo a Ciência, mais especificamente a evolução do ser humano. E a pergunta que emerge é: o homem veio do macaco?

Não. O homem veio do mesmo ser que originou o macaco. Ambos têm origem comum, mas em determinado instante os macacos seguiram um caminho e os humanos seguiram outro. Se não fosse assim, o macaco atual poderia evoluir e se tornar humano, mas isso nunca vai ocorrer.

Somos todos extraterrestres. Foi dessa maneira que desapareceram tantas raças, como os sumérios, os egípcios e alguns povos indígenas. Os quenão se transformaram e não se adaptaram aos novos propósitos dos criadores da Terra tiveram que deixá-la, e migraram para outros planetas ou para outras dimensões. A Terra tem três dimensões físicas: uma em que a evolução ocorre muito lentamente, uma intermediária, que é a que habitamos, e outra acelerada, onde vibram seres mais evoluídos, e tudo acontece muito rápido. Cada Terra física tem seus astrais correspondentes. É o plano astral que molda o plano material.

No astral também se constroem cidades, as pessoas se organizam em sociedade, há estudos, ciências, artes e, como aqui, lá também tudo evolui. Dessa forma, o que existe no mundo físico já passou pelo astral, e tudo que é vivo aqui volta para o astral. Na verdade, nunca saiu do astral. Da matéria sim, do astral não, porqueo fato de agente encarnar não quer dizer que saiu do astral.

A matéria limita nossa mente e não percebemos o astal, mas quem está no astral percebe o material e percebe também que os dois planos não estão separados. Quando você reencarna, você vai para uma viagem, mas não sai do astral, porque você fica nos dois. A diferença é que, quem está no astral não está nos dois, mas quem está na matéria está nos dois.

Nós estamos ao mesmo tempo no físico e no astral, por isso precisamos dormir. Toda vez que dormimos vamos para o mundo astral. É lá que repomos nossas energias, nos refazemos e voltamos, senão não aguentaríamos. A pessoa pode passar cinquenta dias sem comer que sobrevive, mas não sobrevive uma semana sem dormir.

O mundo físico é um estado peculiar, não é nosso estado natural. Quando chegamos ao astral, iremos perceber que tudo é astral. É quw a matéria tem um poder de sedução muito forte. Ela tem um poder de pressão tão denso, tão cheio de sensações, que dá a impressão de que estamos aqui. A gente está no astral com a impressão de que está só na matéria.

A matéria é só uma passagem. O habitat de todo mundo é o astral. A Terra física é só um adendo da Terra astral. Viemos para o mundo físico para facilitar o processo de evolução, porque aqui tudo é mais lento, menos dinâmico devido à densidade da matéria. Ou seja, a matéria existe para servir aos propósitos de contenção e disciplina. Sem nenhuma disciplina mental, a vida da pessoa no astral se torna um verdadeiro inferno.

A Terra, ficando mais pura, ficará mais acelerada, favorecendo os que aqui ficarão e outros seres mais evoluídos que pretendem viver aqui. Os que não conseguirem se adaptar às mudanças serão transferidos para outros planetas ou para a Terra mais densa. Sem dúvida, os que migrarem rão dominar os povos que lá estiverem, pois aqui é mais acelerado que lá.

Pode-se perguntar: "Será que antes de encarnar, ou mesmo em outras vidas, eu não fiz uma espécie de contrato segundo o qual, faça eu o que fizer, nesta encarnação não vou me tornar rico, ou não vou emagrecer, ou não vou curar tal doença, ou não vou ser feliz no amor, no intuito de desenvolver certas virtudes, certas faculdades ou habilidades, porque essa experiência me libertará mais e atenderá aos anseios do meu espírito?"

De acordo com o Calunga, decididamente a resposta é "não". Essa é uma crença muito limitadora. Não existe nenhuma espécie de contrato nesse sentido. Todo poder está no aqui e agora. O passado não pode de maneira alguma prevalecer sobre o presente.

Querer não é poder. Muita gente quer muito porque acredita que não vai ter. Quanto mais a pessoa acredita que não, mais ela quer. Quem quer muito é porque já tem um grande "não" dentro de si. Repare as pessoas que têm as coisas com facilidade. Elas não têm esse querer ansioso. Elas não fazem força para ter, porque creem que já são ou que já têm.

Por isso a filosofia chinesa prega o não desejo. Cabe aqui o exemplo do ar na mão. Se você quiser segurá-lo fechando a mão, ele irá escapar; se você abrir a mão, ela fica cheia de ar. Do ponto de vista da espiritualidade, quando você crê que é para você, a coisa vem. Crer não é simplesmene dizer "eu creio", mas sentir no corpo que aquilo é para você. É estar convicto daquilo. Já está no plano divino.

Crença comum: "Aquela pessoa fez isso, fez aquilo, por isso precisa pagar". Lei da evolução: Não é errado errar. Todos só fazem o que sabem, no seu devido grau de evolução. Do ponto de vista da espiritualidade, não há erro, mas aprendizado. O que as pessoas chamam de erro, na verdade, é uma tentativa de acertar. Ela está tão somente na ignorância.

Onde houver ignorância, haverá dor. A dor é o próprio estímulo para a pessoa sair da ignorância e não ter mais dor. Ninguém está pagando nada pra ninguém. Só está se exercitando para sair da ignorância.

Diante da infinita sabedoria divina e do espírito, nós não passamos de criancinhas aprendendo as coisas. Diante da infinita generosidade e bondade divinas, Deus aplaude tudo que as pessoas fazem.

É como um bebê que está aprendendo a andar e cai. Os pais não vão bater nele porque ele errou. Ao contrário, vai aplaudi-lo, apoiá-lo e, se precisar, socorrê-lo. Ele está apenas tentando acertar. Os pais sabem que dentro de um mês ele estará andando.

Deus age da mesma forma conosco e cobra de ninguém. E por que iria cobrar, se Ele sabe que mais pra frente todos melhorarão, ou seja, sairão da ignorância? O tombo do bebê é apenas um estímulo para ele aprender a andar de forma segura.

Crença comum: "É meu carma, fazer o que?". Lei da evolução: Não existe carma. Não existe o "faz, paga". Ninguém cobra nada de ninguém. É a própria pessoa que cobra de si, porque ainda não conhece a lei da individualidade, a lei da perfeição e a lei do crer. A pessoa está tão-somente colhendo os frutos de suas crenças e atitudes.

Cada um responde por seus atos. Cada um, junto com seu espírito, é cem por cento responsável por tudo de bom ou de ruim que acontece em sua vida. Responder significa ser responsável. É um ponto de vista totalmente diferente do carma.

No carma, a pessoa está pagando, por isso é tida como vítima. Na responsabilidade, ela está apenas respondendo, ou seja, ela é o agente. Como vítima não há muito o que fazer, como agente a pessoa detém o poder e, na medida em que ela muda suas crenças, os resultados são outros e, nessas experiências, ela evolui. Ou seja, no carma a pessoa é vítima, portanto o poder está fora dela.

Na autorresponsabilidade, a pessoa é  o agente e, assim, detém o poder. No conceito de autoresponsabilidade, ninguém agride ninguém. São apenas companheiros de jornada tentando aprender e evoluir.

Em outras palavras, o "agressor" apenas vem dizer para  o "agredido" o que ele está fazendo contra si e que está na hora de mudar suas crenças e atitudes para não atrair mais agressividade. Esta é uma visão libertadora, enquanto no carma a suposta vítima está  presa na própria crença.

Crença comum: "Com tanta violência, a vida  dos nossos filhos e netos vai ser um caos". Lei da evolução: Vai nada. Vai ser muito melhor que hoje. Proporcionalmente ao número de habitantes do planeta, o mundo hoje está bem  menos violento que nos tempos dos nossos avós. É que as pessoas adoram uma tragédia e ficam ligadas na mídia, vendo violência e as desgraças do povo.

Hoje, qualquer crime que acontece na periferia da Grande São Paulo, que tem em torno de vinte milhões de habitantes, é transmitido pela televisão. As guerras são vistas em tempo real.

A vida atual de cada um é melhor que todas as anteriores. O mundo vai estar bem melhor no futuro. Agora, se a pessoa acredita que a vida será cada vez pior, para ela será, porque a realidade de cada um é feita de acordo com suas crenças.

Crença comum: "O aquecimento global vai acabar com o planeta". Lei da evolução: Vai nada. A lei da evolução não permite. A Terra já passou por outros fenômenos piores e não acabou. É muita pretensão do homem achar que pode destruir o planeta, como se não houvesse uma sabedoria superior cuidando de tudo.

Se os anjos construtores e donos da Terra quisessem, poderiam interferir a qualquer momento e acabar com o aquecimento global. Só não o fazem porque não é necessário. Eles só interferem se o planeta correr risco real de extinção.

Crença comum: "Só a dor faz a pessoa evoluir". Lei da evolução: Não necessariamente. Ou vai pelo amor, ou vai pela dor. No atual estágio evolutivo do planeta, a dor conta muito no processo de expansão da consciência das pessoas, pois há muita ignorância, isto é, falta de conhecimento.

Onde há lucidez, conhecimento, esclarecimento, não há dor. Quando se usa a inteligência, a dor deixa de funcionar como estímulo. O espírito só lança mão da dor porque a pessoa não entende outra linguagem.

Exemplo: O preconceituoso, apesar de todos os esclarecimentos a respeito, apesar dos fatos e exemplos evidenciarem que sua atitude é desfavorável, na sua ignorância não tem o discernimento necessário para perceber que aquilo é prejudicial. Sua inteligência ainda não consegue alcançar as mensagens, então, só sofrendo na própria pele para tomar consciência.

Com o uso da inteligência, do discernimento, do bom senso, as pessoas podem evoluir pelas experiências dos outros, por meio de uma leitura, de um aconselhamento, de um curso, evitando, assim, a vivência dolorosa.

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domingo, abril 14, 2024

 

As Leis da Vida - 1

Fonte: Luiz Gasparetto e Lúcio Morigi, Calunga revela As Leis da Vida, Vida e Consciência Gráfica, 2015. ISBN: 978-85-7722-443-2

Nossa liberdade só é adquirida com conhecimento. O conhecimento traz a lucidez da luz, o esclarecimento, e a escuridão acaba saindo. Se soubermos como lidar com as coisas, conseguimos andar. Onde há saber, conhecimento, esclarecimento, não há dor. Toda dor é fruto da ignorância, das trevas, onde não há luz. Quanto mais conhecimento temos da vida, mais nos viramos, mais temos liberdade, poder e progresso.

O que é lei? Lei é o que faz as coisas funcionar. É o como funciona. Lei é função. Lei é o que regulamenta, e regulamentar é uma função. A vida só funciona dentro de certas leis. Se quisermos melhorar e progredir, precisamos agir dentro dessas leis. Onde há ignorância, há dor. Onde há conhecimento e prática desse conhecimento, o resultado é sempre bom. Vamos agora conhecer as Dez Leis da Vida.

1. Lei da Unicidade: Tudo é Único

Tudo é único, logo, não há nada igual em todo o universo. Você é única, o mosquito é único, a pedra é única. Duas folhas de árvore, em todas as florestas do mundo, também não são iguais. Se a criatividade divina é infinita, qual a razão de se repetirem duas coisas? Há semelhantes, mas não iguais. A semelhança é necessária na vida, na natureza, para sua própria funcionalidade. 

Trazendo essa lei para nosso comportamento e para nossas atitudes diárias, se absolutamente nada é igual, nenhuma comparação faz o menor sentido. Isso faz toda diferença. Comparar-se, então, é antinatural, e tudo que é contra a natureza é prejudicial. Comparar-se aos outros é rejeitar-se, é desvalorizar-se, é não aceitar sua individualidade, atributo essencial do espírito.

Sexos há apenas dois - masculino e feminino -, porém, sexualidade há tantas quantas as pessoas que houver no planeta. Cada indivíduo expressa sua sexualidade a seu modo. Não há dois heterossexuais ou dois homossexuais com a mesma sexualidade. A sexualidade é absolutamente individual.

A igualdade não existe, mas para a própria funcionalidade da vida, existe a semelhança. Semelhante nunca é igual. Quando dizemos que os iguais se atraem, não é verdade. São os afins que se juntam. Os afins encontram proximidade, não igualdade.

O maior mal que você pode fazer para si é se comparar, porque assim você estará se rejeitando, não se aceitando, se negando. Se a comparação é uma grande ilusão que faz muito mal, então não se justifica nenhuma espécie de complexo, principalmente o complexo de inferioridade.

Não adianta se esquivar, você vai ter uma vida única, tudo o que vai acontecer vai ser único e só vai acontecer daquela maneira com você. Diga constantemente: "Eu sou única; não sou igual a ninguém; não sou mais nem menos que ninguém, só sou diferente; minha individualidade é sagrada; eu me respeito e me aceito do jeito que sou; o que o outro pensa de mim só interessa a ele".

O universo é a vida onde a vivência, os contrastes começam a se realizar. Para haver consciência é preciso haver contraste. Não se faz espetáculo de fogos de artifício ao meio-dia. O fato de tudo ser diferente no universo é que faz a consciência existir. O mal só existe devido à existência do bem. Sem o contraste, não há percepção, não há consciência. Realidade é contraste.

Você quer estabilidade? Não vai ter! O ambiente não deixa nada ficar parado. Tudo é interdependente, então não tem como parar. O ambiente, através de seus contrastes, força a mudança. Por isso a indiferença do outro é a pior coisa para alguém. Na indiferança não há contraste.

O esquecimento voluntário, isto é, fingir que não está vendo, provoca uma reação, que é a dor. No caso, a dor é o estímulo para a pessoa perceber: olha o que você está fazendo contra si! A dor é um grande contraste. Há vida na dor. O sistema sensório, seja para produzir prazer, seja para produzir dor, é vida.

Quanto à afetividade, eu existo porque você existe. Você não só existe aqui na minha frente, como também é diferente de mim. Se todos os seres fossem iguais, eu não teria noção de mim. Eu existo porque nós somos diferentes. É porque você é diferente de mim que eu me vejo.

A afetividade é contato. No meu toque houve contraste. Esse contraste, esse contato produz uma reação no espírito, uma sensação que se chama afeto. Afeto é contraste. A afetividade só acontece aí dentro de você. São as suas sensações que importam. Só suas sensações, seus sentimentos, é que são seus. Por que você quer tanto os sentimentos dos outros? Não vão servir para nada. A afetividade e o amor verdadeiros são espontâneos. Não depende das condições do outro. Agora, o outro precisa mudar para que mereça sua afetividade? Se cada um é único, se cada um tem sua sagrada individualidade, como você pode fazer exigências ao outro? O que adianta ter uma manifestação afetiva externa se você não se sustenta afetivamente por dentro?

O que atrai ou repele as pessoas é o padrão energético. Todo mundo gosta de estar com uma pessoa nutritiva. A pessoa é nutritiva porque sua afetividade flui, e flui porque ela respeita sua individualidade e não exige que os outros sacrifiquem a deles para satisfazerem suas vontades.

Afeto é toque, toque é contraste e contraste faz você existir, perceber, sentir. Existir é o estado de percepção da consciência. Quanto mais você sentir o toque, mais você está viva, mais você existe. A bênção da sua vida é a existência desse povo todo diferente de você, porque quanto mais eles são eles, mais você é você. A vida a cerca de diferentes para que você seja mais você mesma, e ela vai lhe trazer um monte de coisas diferentes, senão você dorme e apaga a consciência.

Por isso, você nunca vai ter sossego. Acaba uma coisa, vem outra. "Ah, mas agora que eu ia sossegar?" Não. Se sossegar, você dorme, emperra a evolução. Dessa forma, o estímulo é constante. Se não for pela inteligência, fatalmente será pela dor, pelo desconforto. Para o universo, essa dor é um toque afetivo.

As diferenças, que no fundo são toques, são a manifestação do amor divino. Assim, quando você aceita o semelhante como ele é, você o faz existir. Quando você o rejeita, você o mata. Se você quiser matar alguma coisa em si, como uma maldade dos outros, é só ser indiferente.

A indiferença é uma grande arma humana de enorme utilidade, que você pode usar para o bem, contra a maldade humana. Na indiferença, você tira o contraste e, sem contraste, a coisa deixa de existir. Em vez de ficar aí na revolta, no ódio que a corrói, joga indiferença naquilo. Na indiferença você mata qualquer mal pela raiz. Isso é evoluir pela inteligência. Isso é elegância espiritual. Isso é compaixão. Quando você não usa a inteligência para evoluir, aparece outra coisa no lugar, a dor, já que a evolução é inevitável. Igual a ontem não vai mais acontecer. Uma situação nunca será igual à outra, porque as variáveis envolvidas são inúmeras.

Do conceito de que tudo é único, de que nada é igual, podemos tirar uma importantíssima conclusão: não existe apenas uma realidade. Há uma realidade que está aí, a do senso comum, decorrente do somatório de todas as crenças individuais do planeta. Porém, há tantas realidades quantas as pessoas que houver no planeta, porque a sua realidade é algo individual. A minha realidade jamais será igual à sua.

Não vou negar que a realidade comum tem sua dureza. Ela é o efeito das crenças individuais que, no geral, são totalmente ilusórias. O que você pode esperar de uma ilusão? Dor. Mas a sua realidade não precisa se alinhar a essa realidade comum. Cada um tem suas crenças individuais e diferentes, que farão com que sua realidade individual seja desse ou daquele jeito. A maioria das realidades é semelhante porque as pessoas cultivam crenças semelhantes.

Desse modo, você pode e deve construir uma realidade boa, independentemente dessa que está aí. Para isso é só mudar suas crenças e atitudes. Se fizer isso, tudo que a realidade comum tiver de bom, e há muita coisa boa, você vai usufruir, e tudo que ela tiver de ruim não vai interferir na sua realidade particular.

Quando se fala da lei da unicidade, outro absurdo que salta aos olhos é o "ideal". Ideal é o que cada um põe na sua ideia. Serve para ele, não para você. Toda ideologia é absurda, só serve para quem a inventou, e olhe lá. Não existe o ideal, mas o individual, o natural.

Por essa razão, o comunismo é uma tremenda insensatez. O comunismo é uma aberração diante da natureza humana, da sagrada individualidade, e, sem dúvida nenhuma, todo regime comunista está fadado ao fracasso, como já está acontecendo. Você não é comum. Ninguém é comum.

A idealização é uma afronta à lei da unidade, da individualidade. Ninguém é exemplo, modelo, padrão para ninguém, porque cada um é único e incomparável. Ninguém é normal, porque a normalidade não existe em se tratando da lei da unicidade. Quando você pensa assim, fica sujeito à obrigação de representar papéis contrários à natureza do seu espírito para não fazer feio, para se adequar à sociedade. Em outras palavras, você fica na dependência do olhar, da opinião do outro. Depois não reclame se for manipulada, roubada e rejeitada por eles. Todo complexo de inferioridade tem origem no confronto entre o idal e o natural.

A natureza não vai deixar você doente se você não a agredir. Todo sofrimento provém do desencaixe de sua individualidade, ou seja, todo o seu poder está fixado no exterior e é manipulado por ele.

A inteligência lhe mostra que o princípio da individualidade é o princípio da lucidez. Se você não fosse único, você não teria a sensação de existir. Por isso, a vida superior, a vida melhor, é a aceitação das individualidades, das diferenças e não do ideal, dos modelos, dos padrões. Não só devemos aceitar, como devemos cultivar.

Quem aprecia as diferenças evolui mais rápido, fica cheio de vida. Quanto mais você diz sim para as diferenças, mais a vida diz sim para aquilo que você quer. "Ah, cada um está no seu próprio caminho, como eu estou no meu, que é único". Então, sua individualidade cresce, você adquire mais posse de si, e quanto mais posse de si, mais firmeza e sucesso obtém, sem contar que fica cada vez mais imune a toda espécie de energia densa de encarnado ou de desencarnado.

Ao você aceitar as diferenças, você acaba provocando um fenômeno cósmico de equilíbrio chamado fraternidade. Tudo é a seu favor e você é a favor de tudo. Fraternidade é a aceitação de conviver com as diferenças. É a apreciação das diferenças. Diante disso, na sua família você vai apreciar que elas são diferentes, que elas pensam diferente. Assim, as diferenças delas têm sido uma bênção para você. A intolerância e a teimosia deixam de fazer parte de você. Acabam-se as brigas e as discussões. Daí, para estender a toda a humanidade, é só um pulinho.

Já pensou se a lei da unicidade, que consagra a individualidade, prevalecesse no mundo? As guerras seriam as primeiras a se extinguirem. Fanatismo e radicalismo religioso passariam longe. Seria decretado o fim de qualquer tipo de preconceito e a fraternidade reinaria absoluta num planeta de paz e prosperidade.

Não se compare com outras pessoas. Não existe nada igual em todo o universo. Tudo é único. Você também é única. Por isso você é incomparável. É burrice se comparar. O ideal é uma burrice. O ideal só serve para quem o idealizou. Toda ideologia só serve para quem a inventou. Não existe o ideal, mas o individual. Só tem sucesso quem é diferente, porque o espírito apoia o que é mais sagrado, que é a sua individualidade. Quando você respeita sua individualidade, você está sendo diferente naturalmente. Ninguém deve servir de exemplo para ninguém, porque o outro também é único.

A realidade comum é muito dura, mas não há apenas uma realidade. Há tantas realidades quantas pessoas houver no planeta. As realidades são únicas e individuais. Sua realidade é você quem faz de acordo com suas crenças. A realidade que está aí é o somatório de todas as realidades individuais. Claro que ela é difícil e dura, pois o que mais tem por aí são pessoas acreditando em fantasias, em ilusões, em negatividade. O resultado disso é um senso comum denso. Mas você não precisa necessariamente estar ligado ao senso comum. Mude suas crenças, mude seus pontos de vista, mude suas atitudes, e então você deixa de pertencer à vala comum, sem deixar de conviver com essa realidade.

São confunda sexo com sexualidade. Sexos há apenas dois: masculino e feminino. Sexualidade, cada um tem a sua. Não há duas pessoas no planeta com a mesma sexualidade. Sexualidade é algo individual. Sua sexualidade é única, por isso aceite-a e a trate com carinho. Só assim você vai se dar bem sexual, afetiva, espiritual e socialmente.

Não há sorte, não há azar, não há coincidências, não há acaso. O que existe é a individualidade e como cada um está lidando com ela.

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sábado, setembro 16, 2023

 

O Medo


Todos os medos são subprodutos da identificação. O homem ama uma mulher e, com o amor, vem o medo na mesma proporção: ela pode deixá-lo, ela pode já ter deixado alguém para ficar com ele. Há um precedente, e talvez ela faça o mesmo com ele. O medo existe, ele sente um nó no estômago. Está apegado demais.

Qual o problema se o mundo acabar? O fim do mundo significa o fim de todos os problemas, o fim de toda perturbação, o fim de todo nó no estômago. Não vejo o problema. Mas eu sei que todos têm muito medo.

Mas a questão é a mesma: o medo é parte da mente. A mente é covarde, e tem de ser covarde, porque não tem nenhuma essência, é vazia e oca, tem medo de tudo. E, basicamente, tem medo de que um dia o indivíduo tenha consciência. Isso vai ser realmente o fim do mundo!

Não é o fim do mundo, mas o fato de o indivíduo tornar-se consciente, e chegar a um estado de meditação em que a mente tenha de desaparecer, é o medo básico da mente. É por causa desse medo que a mente mantém as pessoas distantes da meditação.

O indivíduo pode não estar ciente disso, mas sua mente realmente teme chegar perto de qualquer coisa que possa criar maior conscientização. Esse vai ser o início do fim da mente. Vai ser a morte da mente.

Porém, para o indivíduo, não há medo. A morte da mente será o renascimento dele, o início da vida realmente. Ele deve ficar feliz, deve alegrar-se com a morte da mente, porque não pode existir maior liberdade.

A mente é uma prisão.

A consciência está em sair da prisão, ou em perceber que nunca esteve na prisão, mas apenas pensando que estava. Todos os medos desaparecem.

Nada pode ser tirado de mim. Eu posso ser morto, mas estarei vendo isso acontecer, de modo que o que está sendo morto não sou eu, não é a minha consciência.

A maior descoberta da vida, o tesouro mais precioso, é da consciência. Sem isso o ser humano está fadado a ficar no escuro, cheio de medo. E vai continuar criando novos medos, não há fim para isso. Viverá com medo, morrerá com medo, e nunca será capaz de experimentar a liberdade. E a liberdade foi seu potencial o tempo todo. A qualquer momento o ser humano poderia tê-la reivindicado, mas nunca reivindicou.

É a sua responsabilidade.

Fonte: Osho, O livro do ego: Liberte-s da ilusão, Editora BestSeller, Rio de Janeiro, 2022. ISBN: 978-85-7684-710-6.

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