sábado, setembro 16, 2023
O Medo
Todos os medos são subprodutos da identificação. O homem ama uma mulher e, com o amor, vem o medo na mesma proporção: ela pode deixá-lo, ela pode já ter deixado alguém para ficar com ele. Há um precedente, e talvez ela faça o mesmo com ele. O medo existe, ele sente um nó no estômago. Está apegado demais.
Qual o problema se o mundo acabar? O fim do mundo significa o fim de todos os problemas, o fim de toda perturbação, o fim de todo nó no estômago. Não vejo o problema. Mas eu sei que todos têm muito medo.
Mas a questão é a mesma: o medo é parte da mente. A mente é covarde, e tem de ser covarde, porque não tem nenhuma essência, é vazia e oca, tem medo de tudo. E, basicamente, tem medo de que um dia o indivíduo tenha consciência. Isso vai ser realmente o fim do mundo!
Não é o fim do mundo, mas o fato de o indivíduo tornar-se consciente, e chegar a um estado de meditação em que a mente tenha de desaparecer, é o medo básico da mente. É por causa desse medo que a mente mantém as pessoas distantes da meditação.
O indivíduo pode não estar ciente disso, mas sua mente realmente teme chegar perto de qualquer coisa que possa criar maior conscientização. Esse vai ser o início do fim da mente. Vai ser a morte da mente.
Porém, para o indivíduo, não há medo. A morte da mente será o renascimento dele, o início da vida realmente. Ele deve ficar feliz, deve alegrar-se com a morte da mente, porque não pode existir maior liberdade.
A mente é uma prisão.
A consciência está em sair da prisão, ou em perceber que nunca esteve na prisão, mas apenas pensando que estava. Todos os medos desaparecem.
Nada pode ser tirado de mim. Eu posso ser morto, mas estarei vendo isso acontecer, de modo que o que está sendo morto não sou eu, não é a minha consciência.
A maior descoberta da vida, o tesouro mais precioso, é da consciência. Sem isso o ser humano está fadado a ficar no escuro, cheio de medo. E vai continuar criando novos medos, não há fim para isso. Viverá com medo, morrerá com medo, e nunca será capaz de experimentar a liberdade. E a liberdade foi seu potencial o tempo todo. A qualquer momento o ser humano poderia tê-la reivindicado, mas nunca reivindicou.
É a sua responsabilidade.
Fonte: Osho, O livro do ego: Liberte-s da ilusão, Editora BestSeller, Rio de Janeiro, 2022. ISBN: 978-85-7684-710-6.
Marcadores: consciência, liberdade, medo, mente, Osho
