quinta-feira, agosto 15, 2024
Mente, Psicanálise e Meditação
No Ocidente, a psicanálise surgiu e se desenvolveu graças a Freud, Adler, Jung e Wilhelm Reich, para solucionar problemas oriundos da mente, como as frustações, os conflitos, a esquizofrenia e a loucura. Fazendo uma comparação com as técnicas de meditação, você poderia explicar as contribuições, limitações e deficiências do sistema de psicanálise com relação aos problemas humanos enraizados na mente?
Osho: Primeiro é preciso entender que nenhum problema enraizado na mente pode ser solucionado sem que se transcenda a mente. Você pode postergar o problema, pode devolver à pessoa uma certa normalidade, pode diluir o problema, mas não pode solucioná-lo. Você pode fazer com que a pessoa viva melhor em sociedade por meio da psicanálise, mas a psicanálise nunca resolve o problema. E sempre que um problema é postergado, é desviado, ele cria outro problema. Ele simplesmente muda de lugar, mas não desaparece. Ele irromperá novamente mais cedo ou mais tarde, e cada vez que isso acontece ficará mais difícil postergá-lo ou se desviar dele.
A psicanálise é um alívio temporário, porque ela é incapaz de conceber qualquer coisa que transcenda a mente. Um problema só pode ser resolvido quando você vai além dele. Se você não pode ir além dele, então você é o problema; ele não é algo que está separado de você.
A Ioga, o Tantra e todas as técnicas de meditação se baseiam numa premissa diferente. Eles dizem que os problemas estão do lado de fora, estão em torno de você, você nunca é o problema. Você pode transcendê-los; você pode olhar para eles como um observador olha para um vale, do alto de uma montanha. Este "eu testemunha" pode solucionar o problema. Na verdade, só testemunhar o problema já é quase o suficiente para resolvê-lo, pois, quando você testemunha um problema - quando você consegue observá-lo imparcialmente, quando não se vê envolvido por ele -, você é capaz de dar um passo para trás e olhar melhor para ele. A própria clareza que advém do testemunho dá a você uma indicação, uma chave secreta. E quase todos os problemas se originam da falta de clareza para entendê-los. Você não precisa de soluções, você precisa de clareza.
O problema entendido da maneira correta se resolve naturalmente, pois ele surge por meio da mente que não compreende. Você cria o problema porque você não compreende. Portanto, o básico não é solucionar o problema; o básico é criar mais entendimento. Com mais compreensão, com mais clareza, o problema pode ser encarado com mais imparcialidade - observando como se ele não pertencesse a você e, sim, a outra pessoa. O problema só será resolvido quando você conseguir criar uma distância entre você e o problema.
A meditação cria uma certa distância, dá a você uma perspectiva. Você vai além do problema. O seu nível de consciência muda. Com a psicanálise você continua no mesmo nível. O seu nível nunca muda; você volta a se ajustar ao mesmo nível. A sua percepção, a sua consciência, a sua capacidade de testemunhar não mudam. Quando você entra em meditação (sintonia com o divino), você voa cada vez mais alto. Você consegue olhar os problemas de um nível mais alto. Os problemas agora estão no vale e você, no alto de uma montanha. Dessa perspectiva, dessa elevação, todos os problemas parecem diferentes. E quanto maior é essa distância, mais capaz você é de observá-los como se não lhe pertencessem.
Lembre-se de uma coisa: quando um problema não lhe pertence, você consegue dar bons conselhos sobre como resolvê-lo. Quando o problema pertence a outra pessoa, quando alguém mais está em dificuldade, você sempre consegue demonstrar sabedoria. Você consegue dar bons conselhos; mas se o problema lhe pertence, você fica simplesmente sem saber o que fazer. O que acontece? O problema é o mesmo, mas você não está envolvido. Quando se trata do problema de outra pessoa, existe um certo distanciamento que lhe permite encará-lo com imparcialidade. Todo mundo é bom conselheiro quando o problema é dos outros, mas, quando o problema é seu, toda sabedoria se perde porque não há distanciamento.
Alguém morreu e a família está angustiada: você consegue dar bons conselhos. Consegue dizer que a alma é imortal, que ninguém morre de fato, que a vida é eterna. Mas, quando morre alguém que você ama, que significa muito para você, alguém próximo, íntimo, você se debulha em lágrimas. Você não consegue ser um bom conselheiro para si mesmo - dizer que a vida é imortal e ninguém morre. Isso fica parecendo absurdo.
Portanto, lembre-se, quando você está aconselhando os outros, você pode parecer um bobalhão. Se disser a alguém, que acabou de perder um ente querido que a vida é eterna, essa pessoa vai pensar que você é um idiota. Para ela você está dizendo bobagem. Ela sabe o quanto é duro perder um ser amado. Nenhuma filosofia vai lhe dar consolo. E ela sabe por que você está dizendo isso - porque o problema não é seu. Você pode bancar o sábio, mas ela não pode.
Por meio da meditação, você transcende o seu ser ordinário. Surge em você um novo platô, de onde você pode olhar as coisas de uma maneira nova. Cria-se uma distância. Os problemas continuam a existir, mas eles estão muito longe agora, como se acontecessem a outra pessoa. Agora você pode dar bons conselhos a si mesmo, embora isso nem seja necessário. A própria distância já faz com que você fique mais sábio.
Portanto, toda a técnica da meditação consiste em criar uma distância entre os problemas e você. Neste momento, do jeito quoe está, você está tão enredado nos seus problemas que você não consegue pensar, não consegue contemplar, não consegue exergar através deles e nem testemunhá-los.
A psicanálise só propicia um reajustamento. Ela não é uma transformação; esse é um ponto importante. Outro ponto: com a psicanálise, você fica dependente. Precisa de um especialista e esse especialista fará tudo. Ela durará três anos, quatro anos ou até cinco anos, se o problema for muito profundo, e você se tornará apenas um dependente - não estará crescendo. Pelo contrário, você estará se tornando cada vez mais dependente. Precisará dessa psicanálise todo dia, ou duas vezes por semana, ou três vezes por semana. Se perder uma sessão, você ficará perdido. Se interromper o tratamento, você ficará perdido. Ele se torna intoxicante, torna-se alcoólico. Você começa a depender de uma outra pessoa - alguém que é especialista. Você pode contar a essa pessoa o seu problema e ela o resolverá. Vocês discutirão a respeito e ela trará à tona as raízes inconscientes. Mas a outra pessoa fará tudo; a solução será dada por outra pessoa.
Lembre-se, um problema resolvido por outra pessoa não irá lhe proporcionar mais maturidade. Um problema resolvido por outra pessoa pode dar a ela mais maturidade, mas não a você. Você pode ficar mais imaturo ainda; depois disso, sempre que você tiver um problema, você vai precisar do conselho de um especialista, de um profissional. E eu acho que os seus problemas não trazem maturidade nem para os psicanalistas, porque eles fazem psicanálise com outros psicanalistas. Eles têm os seus próprios problemas não resolvidos. Eles solucionam os problemas de você, mas eles não conseguem resolver os próprios problemas. Mais uma vez, é uma questão de distanciamento.
Todo psicanalista procura outra pessoa para resolver os seus próprios problemas. Ele é como qualquer outro profissional de saúde. Se o próprio médico fica doente, ele não consegue se autodiagnosticar. A doença está tão próxima que ele fica com medo de errar e procura outra pessoa. Se você é cirurgião, você não pode operar o seu próprio corpo - ou pode? Não há distância. Não é fácil operar o próprio corpo. Mas também não é fácil ver a sua esposa muito doente, precisando passar por uma cirurgia delicada - você não pode operá-la porque a sua mão irá tremer. A intimidade é tão grande que você ficaria aterrorizado; não seria um bom cirurgião neste caso. Você teria que pedir a outra pessoa que operasse a sua mulher.
Por que isso acontece? Você é um bom cirurgião, já fez muitas cirurgias. Mas não pode operar nem a sua mulher e nem o seu filho, pois a distância não é grande o suficiente - é como se não houvesse distância nenhuma, e sem essa distância é impossível ser imparcial para resolver o problema. Por isso o psicanalista pode ajudar outras pessoas, mas precisa procurar ajuda, precisa de outro psicanalista, quando está com seus próprios problemas.
É estranho pensar que até uma pessoa como Wilhelm Reich tenha enlouquecido no fim da vida. Não dá para pensar em Gautama Buda ficando louco - acha que dá? Se alguém como Buda pudesse enlouquecer, então não haveria como escaparmos desse sofrimento. É inconcebíver pensar em Buda ficando louco.
Veja a vida de Sigmund Freud. Ele é o pai e fundador da psicanálise; estudou profundamente os problemas. Mas, no que diz respeito a ele próprio, nem um único problema foi solucionado. Nem um único problema foi solucionado! O medo era um problema para ele, assim como é para todo mundo. Ele tinha muito medo e estava sempre nervoso. A raiva também era um problema para ele, assim como é para qualquer pessoa. Os seus acessos de raiva eram tão fortes que ele chegava a ter síncopes. Esse homem sabia muito sobre a mente humana, mas, quando se tratava dele próprio, esse conhecimento parecia inútil.
Jung também saía de si quando estava muito preocupado; ele costumava ter ataques. Qual era o problema? A distância é sempre o problema. Eles viviam pensando em problemas, mas não tinham ampliado a sua consciência. Eles pensavam de modo intelectual, racional, lógico, e chegavam a uma conclusão.Às vezes essas conclusões podiam estar corretas, mas não é esse o ponto. Eles não cresceram do ponto de vista da consciência, não transcenderam em nenhum sentido. E, a menos que você transcenda, os problemas não podem ser resolvidos; eles só podem ser ajustados.
Freud disse, nos últimos dias da sua vida, que o homem é incurável. Segundo ele, podemos esperar, no máximo, que ele seja um ser ajustado; não nos resta outra esperança. Isso é o máximo! O homem não pode ser feliz, ele disse. Podemos, na melhor das hipóteses, dar um jeito para que ele não seja tão infeliz. Isso é tudo. Que tipo de solução pode resultar de uma atitude dessas? E ele disse isso depois de quarenta anos de experiência com seres humanos! Concluiu que não há nada que se possa fazer pelo ser humano, que somos infelizes por natureza e permaneceremos sempre nessa condição.
Do ponto de vista da meditação, não é o ser humano que é incurável; é a nossa consciência pequeníssima que cria todos os problemas. Expanda a consciência, aumente a consciência e os problemas irão diminuir. Eles existem na mesma proporção: se existir pouca consciência haverá muitos problemas; e se existir muita consciência, haverá poucos problemas. Com consciência total, os problemas simplesmente desaparecem, como o sol nasce pela manhã e seca as gotas de orvalho. Com consciência total, não existem problemas, pois eles nem sequer aparecem. A psicanálise pode, no máximo, ser uma cura, mas os problemas vão continuar surgindo, pois ela não é profilática.
[continua]
Fonte consultada: Osho, O Livro da sua Vida - Crie o seu próprio caminho para a liberdade, Editora Pensamento-Cultrix, 2019. ISBN: 978-85-316-0975-6
Marcadores: meditação, mente, Osho, psicanálise
segunda-feira, agosto 05, 2024
A Nova Realidade
Nossa mente tem o potencial de criar uma realidade que se sintoniza com as nossas creaças. O Efeito Placebo é uma prova disso: ao acreditarmos que algo é um remédio eficaz para a nossa doença, a nossa doença é eliminada. Portanto, para vivenciarmos nossa realidade da Nova Terra de quinta dimensão (com todos os seus benefícios), precisamos mudar nossa mentalidade de terceira dimensão, elevando a frequência eletromagnética dos nossos sentimentos. Os controladores trevosos da sociedade, sabendo disso, organizam eventos para manter nossa frequência em baixos níveis, estimulando a competição e guerras entre as pessoas, ao invés da cooperação/colaboração entre todos os seres humanos. Torneios esportivos, como as Olimpíadas, são organizados com o objetivo de estimular a competição (não a cooperação), baixando nossa frequência corporal e dificultando a nossa ascensão para a Terra maravilhosa já disponível para nós, se vibrarmos em altas frequências. Precisamos primeiramente crer para, posteriormente, poder viver a nossa melhor realidade. Seja otimista! Livre-se do pessimismo! A nova realidade requer uma nova mentalidade.
Marcadores: colaboração, competição, cooperação, crença, mente, otimismo, pessimismo, placebo, quinta dimensão, realidade, terra, trevosos
terça-feira, julho 16, 2024
Fato e Mente
Existe o FATO externo e existe a INTERPRETAÇÃO desse fato que é feita internamente por nossa MENTE (via cérebro), utilizando o filtro constituído pelo nosso LIVRE ARBÍTRIO. Com o uso do livre arbítrio a nossa mente pode gerar sinais elétricos encefálicos POSITIVOS (otimistas) que acionam nossas GLÂNDULAS ENDÓCRINAS para elas gerarem substâncias químicas que irão contribuir para nossa SAÚDE e bem estar. Se a nossa mente faz uma interpretação negativa (pessimista) dos fatos, as glândulas endócrinas irão gerar substâncias químicas que serão distribuídas por todo o corpo e irão contribuir para gerar nossas DOENÇAS e todas as situações negativas que enfrentamos (mal estar).
A nossa mente atual está funcionando limitada pelo acúmulo das memórias limitantes (geralmente inconscientes) acumuladas de nosso passado. Essa estrutura limitante pode ser rompida através da intervenção consciente de nossa ALMA. Tudo que existe emanou da fonte única que chamamos Deus. Se um fato aconteceu, Deus permitiu, com um bom propósito. Qual é esse propósito? O propósito é alertar você, para que você veja os aspectos positivos daquele acontecimento e possa, assim, EVOLUIR. No final, irá sempre valer o ditado "assim dentro, como fora" e a realidade externa que você sente irá refletir a sua condição interna corporal. O ditado também funciona no sentido inverso "assim fora, como dentro". Portanto, arrume bem o seu ambiente externo ("jogue o lixo no lixo") para que seu ambiente interno gere saúde e bem estar, e não doença e mal estar.
Definição: LIXO é tudo aquilo que você não usa, tudo aquilo que você não movimenta. Se desfaça do seu lixo ambiente para melhorar a sua saúde. Tenha uma vida minimizada, tendo apenas coisas que você realmente usa.
Fonte consultada: https://saudeperfeitarfs.blogspot.com/2024/07/aula-1-como-superar-ansiedade-o.html
Marcadores: Alma, Deus, doença, evolução, fato, glândulas endócrinas, lixo, memória, mente, saúde
sexta-feira, abril 19, 2024
As Leis da Vida - 2
Fonte: Luiz Gasparetto e Lúcio Morigi, Calunga revela As Leis da Vida, Gráfica Vida e Consciência, 2015. ISBN: 978-85-7722-443-2
2. Lei da Transformação: TUDO MUDA
Nada é estático no universo. Nada é constante no universo. A única coisa constante é a Lei. Tudo se transforma, tudo está em movimento, tudo é sempre novo. Quer você queira quer não, tudo vai mudar na sua vida, seja o momento bom ou seja ele ruim. Tudo é momentâneo, tudo é circunstancial.
Se tudo é único e tudo muda, o que passou passou. Sinto muito, mas aquele momento maravilhoso que você teve foi único e não vai se repetir. Aquele sofrimento não vai mais acontecer daquela forma. Poderá ser semelhante, se você não mudar suas crenças e atitudes, mas não será igual.
O que isso quer dizer? Que o novo sempre vem, que o passado já era, que o passado virou ilusão. Por isso o lamento faz tão mal. Quem canta seus males espanta e quem lamenta seus males aumenta.
E por essa razão a saudade é tão prejudicial. Ter uma boa lembrança de momentos da infância ou da juventude, beleza. Você se sente bem, conta para os outros e até ri.
Mas ficar sofrendo de saudade? Ficar se lamentando daquilo que ocorreu? Sabe aquela pessoa que adora contar um drama por que passou? Quem gosta de ficar enaltecendo o passado está preso lá. E quem está preso não vai pra frente. Assim, o presente, que é real, onde podemos realmente transformar, construir algo positivo, é anulado, e o futuro, que depende do presente, estará comprometido.
Tudo muda. Você já não é mais o mesmo de um minuto atrás. O universo todo é só movimento. Se tudo muda, a memória é apenas uma ilusão. O que você guardou de ruim ou de bom da infância não conta mais nada, a não ser que você fique alimentando aquilo com o lamento, aí conta para o pior. Você guardou o fato com a cabeça que tinha na ocasião, nas circunstâncias que havia na época.
Hoje, porém, a sua cabeça é outra, as circunstâncias são outras e nada daquilo existe mais, a não ser na sua memória, como um arquivo de computador, tomando o espaço destinado a novos projetos. Mande tudo isso para a lixeira e delete também o que estiver na lixeira. Esvazie a memória para dar lugar ao novo.
Você quer guardar alguma coisa do passado? Então, guarde só as fotografias, que é para de vez em quando você se reunir com as amigas e morrer de rir das roupas, dos cabelos, de como você era magra.
A cabeça que você tinha no passado era para ser exatamente aquela que foi. Tudo o que você fez ou deixou de fazer foi perfeito. Você fez o que sabia. Não era para ser diferente. Então, é insensatez ficar se lamentando, pois, por se tratar de uma ilusão, perjudica o presente e, consequentemente, seu avanço.
Há um motivo para você querer repetir. É para se sentir segura. Quando se conhece o terreno em que se está pisando, há mais segurança. Na verdade é uma falsa segurança, porque o terreno não é mais o mesmo, já mudou. Então, você vai repetir e vai se dar mal porque vem a desilusão.
Perceba a grande variabilidade, a grande diversidade da vida, e você quer repetir? Não quer mudar? Tem gente que muda para melhorar e tem gente que não muda para não piorar. A situação não está boa, mas é melhor não mexer porque pode piorar. Em qual dos casos você se encaixa? O acomodado, o avesso a mudanças, sempre vai ter uma vida medíocre.
Outra grande ilusão é querer planejar o futuro. Isso é tão ilusório quanto viver do passado. Hoje você tem uma cabeça, no próximo mês ela não será mais a mesma.
Quando percebemos que tudo é único, que tudo muda, não vamos mais nos segurar em nada nem em ninguém. Desapego não é dispor de bens materiais. Desapego é não se prender a ideias, a nada, a ninguém. Quem se apega fica parado, presa e não progride em nenhuma área da vida.
Desapego é a faculdade de não se prender às ideias, não tem nada a ver com a utilização de bens materiais. Sem dúvida, é preciso ter bom senso para lidar com as posses materiais para que elas não o dominem. Porém, não é o fato de ter posses que caracteriza o apego, mas o fato de estar preso ao mental da coletividade, ao mental inferior, onde ressoam muitas crenças de pessoas segundo as quais a materialidade é tudo, desconsiderando a existência do espiritual.
Desapego é a faculdade de mudar a frequência do aparelho mental, do mental inferior para o Mental Superior. A alegria é a boa sintonia da frequência da Alma. O desânimo e a tristeza são decorrentes de pensamentos e ideias características do mental inferior, onde abundam as ilusões.
Apegada é a pessoa que está dominada pelo senso comum, pela mente coletiva, pelo mental inferior, como por exemplo a que cultiva as seguintes ideias: só o que conta é o material; sou mulher, portanto posso isso, não posso aquilo; isso é imoral, aquilo não; sou pai, por isso devo proceder assim; sou casado, por isso não posso isso, aquilo; sou empresário, por isso tenho que me comportar assim, assim; sou religioso, por isso devo e não devo fazer isso, aquilo.
Quando você estiver num momento bom, curta aquilo intensamente, porque vai mudar. Quando estiver passando por um momento ruim, relaxe, porque aquilo também vai mudar. Logo, querer controlar é pura falta de bom senso, pois como é possível controlar algo que, com certeza, vai mudar?
Então largue, relaxe. Largue o passado para não sofrer de angústia. Largue o futuro para não ter ansiedade. Tudo isso interfere negativamente no presente e atrapalha o processo de materialização daquilo que você tanto deseja. O passado é coisa da mente que atrapalha o espírito a agir.
O espírito só entra em ação no processo de materialização quando a mente não interfere. Espírito e mente não ocupam o mesmo espaço. Os dois não se misturam. Ou é um ou é outro. O espírito sempre obedece. Como ele é sutil, sempre cede espaço para algo mais denso. Dessa forma, largue, ceda, não resista, para que seu espírito possa agir.
Se tudo se transforma, se tudo muda, qual a razão de você se apegar a alguém, a algo, aos fatos, às ideias? Não faz nenhum sentido, não é mesmo? Apego é só uma ilusão na sua fantasia. É querer tornar sua uma coisa que não é. Você não tem nada, senão aquilo que está dentro de você.
Quando a gente gosta de alguém ou de algo, é a alma de verdade gostando desse alguém ou de alguma coisa. A alma sente um fenômeno de identificação. Eu sou a coisa e a coisa sou eu, de tão familiar que é o sentimento de gostar, o sentimento do amor. É tão familiar que a alma acha que é essa coisa.
Então, ela sente que tem ou faz todo o esforço para ter, mas como não tem, como isso não é possível, porque tudo passa, tudo é independente, a gente tem sempre uma grande desilusão. Desse modo, não confunda o sentimento de empatia com o objeto ou a pessoa amada, com posse. Você só tem o sentimento, a empatia. Você não pode nem nunca poderá ter nada.
Todas as coisas materiais que você usufrui são temporárias, porque tudo se decompõe, tudo se transforma, ainda mais com a aceleração da tecnologia. Na hora está aqui, tem seu valor e você usufrui. Você tem um aparelho que toca música. Você tem o uso dele até o dia em que o aparelho não for mais utilizável. Aí acabou. Só fica o resto do sabor, e este também acaba.
O que fica? Ficam as transformações que o sabor lhe fez. Você ficou mais suave por causa da música, você desenvolveu sensibilidade, desenvolveu aspectos do seu espírito. Há um acréscimo de habilidades. Essas habilidades você tem. Como as desenvolveu, não tem nem mesmo memória, pois ela fica corrompida e perdida, porque tudo passa. A consciência só tem consistência no aqui e agora, depois ela dissolve, deixando o espaço para o novo (para evitar cristalizar conceitos errados?). Nunca mais seremos os mesmos. Não há jeito de voltar, de segurar.
Ninguém é filho de ninguém, e ninguém é de ninguém. Tudo é passageiro e circunstancial. Todos somos apenas companheiros de jornada. Tudo muda e você quer continuar segurando. Porém, tem um lado bom disso tudo: seja qual for a sua dor, saiba que ela vai acabar, que ela vai se transformar.
"Ah, mas pode ficar pior". Geralmente, não! Geralmente vai ficar melhor. Quando a função disciplinar da dor acaba, transforma você, então ela deixa de existir. As coisas boas também. Elas fazem as coisas que precisam fazer em você e somem. Aquela alegria, o amor por alguém vão embora, porque você se enjoa daquilo, pois a mesmice deixa tudo muito igual. Somem pelo fato de não haver mais diferenças, contrastes.
A lei é o agora. Quanto mais sua mente estrutura seu funcionamento dentro da lei, mais sábio você se torna, mais poderoso, mais firme e mais forte para fazer o que você quer. Essa é a evolução. Quanto mais desapegado você for, mais amoroso, mais generoso você se torna. Amor é uma coisa de dentro para fora. Você gosta por gostar, porque o gostar já está na sua alma. É espntâneo. O gostar não depende de nada exterior a você. "Ai, eu gosto de gostar!"
Ao se prender aos fatos, às pessoas, às ideias, você está impedindo seu espírito de realizar aquilo que você quer. Você sai da lei do destino, qual seja, que há um propósito divino em cada um, pleno de realizações. Então, deixe ir, deixe passar. Aquelas circunstâncias não exitem mais. São tão-somente uma interpretação sua.
A realidade está fluindo de acordo com as pessoas e as crenças delas, nas pessoas em grupos afinizados, como na família (daí as "doenças hereditárias"...), numa cidade, num país. As afinidades constroem uma realidade que faz as pessoas se unirem a ela desta ou daquela maneira.
Na Terra, em que todo mundo é fruto do coletivo, poucos são os que têm força de ser originais, de ser si mesmos. O mundo é dos fortes. Forte não é aquele que sabe dar porrada. Forte é aquele que tem capacidade de bancar e tem firmeza. Quem é assim escreve seu destino.
Toda transformação ocorre em ciclos. Como tudo é periódico, os ciclos são evolutivos, como se fossem ciclos superpostos que não se encontram, como numa espiral. A transformação é que gera os ciclos. Ela impulsiona para as desigualdades. Por isso o clima mudou. O ciclo é outro. Vai mudar, nunca vai se repetir. Esse ciclo parece que é igual, mas nunca é, é só semelhante.
As transformações seguem. Você está se transformando. Por isso, se você quer que as transformações fluam com graça, com leveza, com prazer, e que se desenvolvam, não tente mudar. Quando você tenta mudar, você atrapalha o fluxo natural. Tudo que é forçado emperra. As mudanças vêm naturalmente.
Se, por um lado, a diferença pode prevalecer, por outro, nossa tentativa é de permanecer. A gente quer permanecer para se sentir segura. A gente não quer que nada mude para ficar segura, mas é uma falsa segurança. Segurança verdadeira é caminhar com as mudanças.
Quer ficar segura? Caminhe com as mudanças. Jamais se prenda a nada, jamais fique demais com uma ideia, jamais fique demais com uma pessoa, a não ser que esteja ganhando. Varie. Você pode gostar e viver com certa frequência, mas varie. Flua com os instintos. Flua com o novo. Quanto mais você permitir ver tudo novo, mais você vai fluir com suavidade nas transformações. Isso significa juventude.
A juventude pode estar num idoso, naquele que tem disposição, um mecanismo físico em ordem, uma saúde que não precisa de cuidados médicos. Esse tipo de indivíduo, embora tenha sofrido as transformações normais da matéria, sofreu-as com suavidade.
Há idoso com 90, 100, 105 anos que continuam fumando e permanecem inteiraços. O que é isso? É a juventude. O conceito verdadeiro de juventude é a capacidade de se transformar, de seguir as transformações com tal abertura e leveza, que se renova constantemente.
O que falta nesses idosos que estão doentes é motivação, é dança, é ação, é alegria, é interesse, é largar o que acreditaram e começar a aprender tudo de novo. Uma nova paixão é extraordinária, um novo interesse, nem que seja pelos gatos, rejuvenesce.
Portanto, tudo que a pessoa experimenta de novo a mantém fluindo com suavidade. Fluir no tempo com suavidade é juventude interior, e o interior reflete no exterior. Quando alguém morre e vai para o astral num bagaço, por causa da vida que teve, chegando lá com lucidez, melhora. A transformação que a morte produz é sempre uma experiência que ajuda muito a se renovar. Por que?
Porque tem que largar tudo, tem que repensar uma série de dúvidas,porque a vida continua. Então, a pessoa vai se renovando, senão o espírito vai se apagando. Dessa forma, a gente sente que o melhor é fluir com as mudanças.
Por outro lado, aquela pessoa que fica encalhada vai se cansando, vai se deformando, envelhecendo e perdendo a aparência jovem. O povo, em geral, não gosta do novo. Gosta de novidade que não mexa com ela, porque distrai,mas mudar sua rotina, não.
Só se dá bem na vida quem segue o exemplo dela, qual seja, a constante renovação, a constante transformação, a apreciação do novo, pois a vida abomina a mesmice, e quem não estiver de acordo com ela está contra ela. A mesmice é amiga da indiferença, que anula os contrastes, e sem contrastes não há consciência, não há vida.
Sobre o arrependimento de ter feito (ou não) algo no passado: Tudo se transforma no universo. Não há nada estático, mas as pessoas insistem em segurar um passado que já virou ilusão, o qual as impede de progredir na vida, porque aquilo fica lá tomando espaço para o novo se estabelecer. Não há como voltar ao passado para refazer o que foi feito. Então, o jeito é largar o passado pra lá, mesmo porque, segundo a lei da perfeição, tudo que foi feito foi perfeito.
Sobre preocupação com o futuro: Preocupar-se com o futuro faz tão mal quanto ficar ligado no passado. O espaço no subconsciente que a pessoa precisa para plantar o novo e edificar um bom presente, e assim ter um futuro melhor, é tomado por essas crenças ilusórias de que o futuro precisa ser garantido hoje. A pessoa que vive no futuro, prejudica o seu presente. Nada é garantido pela sua mente. Não são os pais que vão garantir o futuro dos filhos. Os filhos terão o futuro deles de acordo com as crenças e escolhas deles.
Tudo muda, tudo se transforma, porque o arbítrio, as escolhas mudam a todo instante e são elas que vão moldar o futuro. A atitude tem que ser exatamente o contrário, se a pessoa quiser ter um futuro melhor que o presente. É viver no aqui e agora, sentir o presente e não se pré-ocupar. Desta forma, o presente fica bom e o futuro também fica bom. É preciso deixar o futuro nas mãos do espírito e confiar, porque o espírito, esse sim, garante tudo, já que ele tem todas as respostas e todas as soluções.
Sobre não gostar de mudanças e o novo trazer insegurança: A pessoa que tem esse tipo de atitude, que no fundo é uma crença muito negativa, não tem o direito de esperar nada de bom da vida. É uma adepta da mesmice, do conformismo. Essa sensação de segurança é totalmente falsa, ilusória. Ela não sabe, mas já está desistindo de viver.
A visita do tédio não demora, depois vem o sentimento de inutilidade, em seguida a depressão, e vai precisar compensar isso com psicotrópicos. Ela fica de frente contra a lei da transformação, em que nada é estático, tudo muda, tudo se transforma e o novo sempre vem. Essa pessoa é uma verdadeira estátua.
A vida só segue aquilo que a gente manda. Só se sente seguro quem se adapta ao novo, às mudanças (aprender a usar um computador, por exemplo), porque o espírito é um eterno insatisfeito. Ele sempre quer o melhor do melhor do melhor. E para melhorar é preciso mudar.
Sobre a pessoa apegada às coisas, aos filhos, à família: Quando tomamos consciência de que nada é estático, de que tudo muda e se transforma, de que tudo é único, não vamos mais nos segurar em nada, nem em ninguém.
No entanto, as pessoas têm um conceito equivocado sobre o desapego. Desapego não é dispor de bens materiais, dispor de companhias agradáveis, de coisas prazerosas da vida, do conforto. Aliás, ter tudo isso é um sinal de prosperidade.
Desapego é não se prender a idéias, a nada, a ninguém. Quem se apega fica parada, presa e não progride em nenhuma área da vida, já que tudo muda. Desapego é a faculdade de não se prender às ideias. O pensamento vive de ideias e imagens. O ser humano não é uma ideia e nem uma imagem.
Desapego não tem nada a ver com a posse e o manejo de bens materiais. Sem dúvida, é preciso ter bom senso para lidar com as posses para que elas não dominem a gente.
Não é o fato de ter posses que caracteriza o apego, mas o fato de estar presa ao mental da coletividade, o mental inferior, onde ressoam muitas crenças de pessoas, segundo as quais a materialidade é tudo, desconsiderando a existência do espiritual.
O apego se caracteriza pela submissão da pessoa à mente coletiva, como a que cultiva idéias como: "só o que conta é o material; sou mulher, portanto posso isso, não posso aquilo; isso é imoral, aquilo não; sou pai, por isso devo proceder assim; sou casado, por isso não posso isso, aquilo".
Tudo são ideias, pensamentos. Se perguntarem às pessoas quem elas são, vão dizer um monte de pensamentos a respeito delas mesmas: "Sou isso porque faço isso, nasci em tal família, estudei aquilo, trabalho lá, tenho tal religião". Acham que têm um elo com o que fazem, com o que foram, com a família, com o trabalho, mas é tudo ilusão.
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terça-feira, abril 16, 2024
As Leis da Vida - 2
Fonte: Luiz Gasparetto e Lúcio Morigi, Calunga revela As Leis da Vida, Gráfica Vida e Consciência, 2015. ISBN: 978-85-7722-443-2
2. Lei da Transformação: TUDO MUDA
Nada é estático no universo. Nada é constante no universo. A única coisa constante é a Lei. Tudo se transforma, tudo está em movimento, tudo é sempre novo. Quer você queira quer não, tudo vai mudar na sua vida, seja o momento bom ou seja ele ruim. Tudo é momentâneo, tudo é circunstancial.
Se tudo é único e tudo muda, o que passou passou. Sinto muito, mas aquele momento maravilhoso que você teve foi único e não vai se repetir. Aquele sofrimento não vai mais acontecer daquela forma. Poderá ser semelhante, se você não mudar suas crenças e atitudes, mas não será igual.
O que isso quer dizer? Que o novo sempre vem, que o passado já era, que o passado virou ilusão. Por isso o lamento faz tão mal. Quem canta seus males espanta e quem lamenta seus males aumenta.
E por essa razão a saudade é tão prejudicial. Ter uma boa lembrança de momentos da infância ou da juventude, beleza. Você se sente bem, conta para os outros e até ri.
Mas ficar sofrendo de saudade? Ficar se lamentando daquilo que ocorreu? Sabe aquela pessoa que adora contar um drama por que passou? Quem gosta de ficar enaltecendo o passado está preso lá. E quem está preso não vai pra frente. Assim, o presente, que é real, onde podemos realmente transformar, construir algo positivo, é anulado, e o futuro, que depende do presente, estará comprometido.
Tudo muda. Você já não é mais o mesmo de um minuto atrás. O universo todo é só movimento. Se tudo muda, a memória é apenas uma ilusão. O que você guardou de ruim ou de bom da infância não conta mais nada, a não ser que você fique alimentando aquilo com o lamento, aí conta para o pior. Você guardou o fato com a cabeça que tinha na ocasião, nas circunstâncias que havia na época.
Hoje, porém, a sua cabeça é outra, as circunstâncias são outras e nada daquilo existe mais, a não ser na sua memória, como um arquivo de computador, tomando o espaço destinado a novos projetos. Mande tudo isso para a lixeira e delete também o que estiver na lixeira. Esvazie a memória para dar lugar ao novo.
Você quer guardar alguma coisa do passado? Então, guarde só as fotografias, que é para de vez em quando você se reunir com as amigas e morrer de rir das roupas, dos cabelos, de como você era magra.
A cabeça que você tinha no passado era para ser exatamente aquela que foi. Tudo o que você fez ou deixou de fazer foi perfeito. Você fez o que sabia. Não era para ser diferente. Então, é insensatez ficar se lamentando, pois, por se tratar de uma ilusão, perjudica o presente e, consequentemente, seu avanço.
Há um motivo para você querer repetir. É para se sentir segura. Quando se conhece o terreno em que se está pisando, há mais segurança. Na verdade é uma falsa segurança, porque o terreno não é mais o mesmo, já mudou. Então, você vai repetir e vai se dar mal porque vem a desilusão.
Perceba a grande variabilidade, a grande diversidade da vida, e você quer repetir? Não quer mudar? Tem gente que muda para melhorar e tem gente que não muda para não piorar. A situação não está boa, mas é melhor não mexer porque pode piorar. Em qual dos casos você se encaixa? O acomodado, o avesso a mudanças, sempre vai ter uma vida medíocre.
Outra grande ilusão é querer planejar o futuro. Isso é tão ilusório quanto viver do passado. Hoje você tem uma cabeça, no próximo mês ela não será mais a mesma.
Quando percebemos que tudo é único, que tudo muda, não vamos mais nos segurar em nada nem em ninguém. Desapego não é dispor de bens materiais. Desapego é não se prender a ideias, a nada, a ninguém. Quem se apega fica parado, presa e não progride em nenhuma área da vida.
Desapego é a faculdade de não se prender às ideias, não tem nada a ver com a utilização de bens materiais. Sem dúvida, é preciso ter bom senso para lidar com as posses materiais para que elas não o dominem. Porém, não é o fato de ter posses que caracteriza o apego, mas o fato de estar preso ao mental da coletividade, ao mental inferior, onde ressoam muitas crenças de pessoas segundo as quais a materialidade é tudo, desconsiderando a existência do espiritual.
Desapego é a faculdade de mudar a frequência do aparelho mental, do mental inferior para o Mental Superior. A alegria é a boa sintonia da frequência da Alma. O desânimo e a tristeza são decorrentes de pensamentos e ideias características do mental inferior, onde abundam as ilusões.
Apegada é a pessoa que está dominada pelo senso comum, pela mente coletiva, pelo mental inferior, como por exemplo a que cultiva as seguintes ideias: só o que conta é o material; sou mulher, portanto posso isso, não posso aquilo; isso é imoral, aquilo não; sou pai, por isso devo proceder assim; sou casado, por isso não posso isso, aquilo; sou empresário, por isso tenho que me comportar assim, assim; sou religioso, por isso devo e não devo fazer isso, aquilo.
Quando você estiver num momento bom, curta aquilo intensamente, porque vai mudar. Quando estiver passando por um momento ruim, relaxe, porque aquilo também vai mudar. Logo, querer controlar é pura falta de bom senso, pois como é possível controlar algo que, com certeza, vai mudar?
Então largue, relaxe. Largue o passado para não sofrer de angústia. Largue o futuro para não ter ansiedade. Tudo isso interfere negativamente no presente e atrapalha o processo de materialização daquilo que você tanto deseja. O passado é coisa da mente que atrapalha o espírito a agir.
O espírito só entra em ação no processo de materialização quando a mente não interfere. Espírito e mente não ocupam o mesmo espaço. Os dois não se misturam. Ou é um ou é outro. O espírito sempre obedece. Como ele é sutil, sempre cede espaço para algo mais denso. Dessa forma, largue, ceda, não resista, para que seu espírito possa agir.
Se tudo se transforma, se tudo muda, qual a razão de você se apegar a alguém, a algo, aos fatos, às ideias? Não faz nenhum sentido, não é mesmo? Apego é só uma ilusão na sua fantasia. É querer tornar sua uma coisa que não é. Você não tem nada, senão aquilo que está dentro de você.
Quando a gente gosta de alguém ou de algo, é a alma de verdade gostando desse alguém ou de alguma coisa. A alma sente um fenômeno de identificação. Eu sou a coisa e a coisa sou eu, de tão familiar que é o sentimento de gostar, o sentimento do amor. É tão familiar que a alma acha que é essa coisa.
Então, ela sente que tem ou faz todo o esforço para ter, mas como não tem, como isso não é possível, porque tudo passa, tudo é independente, a gente tem sempre uma grande desilusão. Desse modo, não confunda o sentimento de empatia com o objeto ou a pessoa amada, com posse. Você só tem o sentimento, a empatia. Você não pode nem nunca poderá ter nada.
Todas as coisas materiais que você usufrui são temporárias, porque tudo se decompõe, tudo se transforma, ainda mais com a aceleração da tecnologia. Na hora está aqui, tem seu valor e você usufrui. Você tem um aparelho que toca música. Você tem o uso dele até o dia em que o aparelho não for mais utilizável. Aí acabou. Só fica o resto do sabor, e este também acaba.
O que fica? Ficam as transformações que o sabor lhe fez. Você ficou mais suave por causa da música, você desenvolveu sensibilidade, desenvolveu aspectos do seu espírito. Há um acréscimo de habilidades. Essas habilidades você tem. Como as desenvolveu, não tem nem mesmo memória, pois ela fica corrompida e perdida, porque tudo passa. A consciência só tem consistência no aqui e agora, depois ela dissolve, deixando o espaço para o novo (para evitar cristalizar conceitos errados?). Nunca mais seremos os mesmos. Não há jeito de voltar, de segurar.
Ninguém é filho de ninguém, e ninguém é de ninguém. Tudo é passageiro e circunstancial. Todos somos apenas companheiros de jornada. Tudo muda e você quer continuar segurando. Porém, tem um lado bom disso tudo: seja qual for a sua dor, saiba que ela vai acabar, que ela vai se transformar.
"Ah, mas pode ficar pior". Geralmente, não! Geralmente vai ficar melhor. Quando a função disciplinar da dor acaba, transforma você, então ela deixa de existir. As coisas boas também. Elas fazem as coisas que precisam fazer em você e somem. Aquela alegria, o amor por alguém vão embora, porque você se enjoa daquilo, pois a mesmice deixa tudo muito igual. Somem pelo fato de não haver mais diferenças, contrastes.
A lei é o agora. Quanto mais sua mente estrutura seu funcionamento dentro da lei, mais sábio você se torna, mais poderoso, mais firme e mais forte para fazer o que você quer. Essa é a evolução. Quanto mais desapegado você for, mais amoroso, mais generoso você se torna. Amor é uma coisa de dentro para fora. Você gosta por gostar, porque o gostar já está na sua alma. É espntâneo. O gostar não depende de nada exterior a você. "Ai, eu gosto de gostar!"
Ao se prender aos fatos, às pessoas, às ideias, você está impedindo seu espírito de realizar aquilo que você quer. Você sai da lei do destino, qual seja, que há um propósito divino em cada um, pleno de realizações. Então, deixe ir, deixe passar. Aquelas circunstâncias não exitem mais. São tão-somente uma interpretação sua.
A realidade está fluindo de acordo com as pessoas e as crenças delas, nas pessoas em grupos afinizados, como na família (daí as "doenças hereditárias"...), numa cidade, num país. As afinidades constroem uma realidade que faz as pessoas se unirem a ela desta ou daquela maneira.
Na Terra, em que todo mundo é fruto do coletivo, poucos são os que têm força de ser originais, de ser si mesmos. O mundo é dos fortes. Forte não é aquele que sabe dar porrada. Forte é aquele que tem capacidade de bancar e tem firmeza. Quem é assim escreve seu destino.
Toda transformação ocorre em ciclos. Como tudo é periódico, os ciclos são evolutivos, como se fossem ciclos superpostos que não se encontram, como numa espiral. A transformação é que gera os ciclos. Ela impulsiona para as desigualdades. Por isso o clima mudou. O ciclo é outro. Vai mudar, nunca vai se repetir. Esse ciclo parece que é igual, mas nunca é, é só semelhante.
As transformações seguem. Você está se transformando. Por isso, se você quer que as transformações fluam com graça, com leveza, com prazer, e que se desenvolvam, não tente mudar. Quando você tenta mudar, você atrapalha o fluxo natural. Tudo que é forçado emperra. As mudanças vêm naturalmente.
Se, por um lado, a diferença pode prevalecer, por outro, nossa tentativa é de permanecer. A gente quer permanecer para se sentir segura. A gente não quer que nada mude para ficar segura, mas é uma falsa segurança. Segurança verdadeira é caminhar com as mudanças.
Quer ficar segura? Caminhe com as mudanças. Jamais se prenda a nada, jamais fique demais com uma ideia, jamais fique demais com uma pessoa, a não ser que esteja ganhando. Varie. Você pode gostar e viver com certa frequência, mas varie. Flua com os instintos. Flua com o novo. Quanto mais você permitir ver tudo novo, mais você vai fluir com suavidade nas transformações. Isso significa juventude.
A juventude pode estar num idoso, naquele que tem disposição, um mecanismo físico em ordem, uma saúde que não precisa de cuidados médicos. Esse tipo de indivíduo, embora tenha sofrido as transformações normais da matéria, sofreu-as com suavidade.
Há idoso com 90, 100, 105 anos que continuam fumando e permanecem inteiraços. O que é isso? É a juventude. O conceito verdadeiro de juventude é a capacidade de se transformar, de seguir as transformações com tal abertura e leveza, que se renova constantemente.
O que falta nesses idosos que estão doentes é motivação, é dança, é ação, é alegria, é interesse, é largar o que acreditaram e começar a aprender tudo de novo. Uma nova paixão é extraordinária, um novo interesse, nem que seja pelos gatos, rejuvenesce.
Portanto, tudo que a pessoa experimenta de novo a mantém fluindo com suavidade. Fluir no tempo com suavidade é juventude interior, e o interior reflete no exterior. Quando alguém morre e vai para o astral num bagaço, por causa da vida que teve, chegando lá com lucidez, melhora. A transformação que a morte produz é sempre uma experiência que ajuda muito a se renovar. Por que?
Porque tem que largar tudo, tem que repensar uma série de dúvidas,porque a vida continua. Então, a pessoa vai se renovando, senão o espírito vai se apagando. Dessa forma, a gente sente que o melhor é fluir com as mudanças.
Por outro lado, aquela pessoa que fica encalhada vai se cansando, vai se deformando, envelhecendo e perdendo a aparência jovem. O povo, em geral, não gosta do novo. Gosta de novidade que não mexa com ela, porque distrai,mas mudar sua rotina, não.
Só se dá bem na vida quem segue o exemplo dela, qual seja, a constante renovação, a constante transformação, a apreciação do novo, pois a vida abomina a mesmice, e quem não estiver de acordo com ela está contra ela. A mesmice é amiga da indiferença, que anula os contrastes, e sem contrastes não há consciência, não há vida.
Sobre o arrependimento de ter feito (ou não) algo no passado: Tudo se transforma no universo. Não há nada estático, mas as pessoas insistem em segurar um passado que já virou ilusão, o qual as impede de progredir na vida, porque aquilo fica lá tomando espaço para o novo se estabelecer. Não há como voltar ao passado para refazer o que foi feito. Então, o jeito é largar o passado pra lá, mesmo porque, segundo a lei da perfeição, tudo que foi feito foi perfeito.
Sobre preocupação com o futuro: Preocupar-se com o futuro faz tão mal quanto ficar ligado no passado. O espaço no subconsciente que a pessoa precisa para plantar o novo e edificar um bom presente, e assim ter um futuro melhor, é tomado por essas crenças ilusórias de que o futuro precisa ser garantido hoje. A pessoa que vive no futuro, prejudica o seu presente. Nada é garantido pela sua mente. Não são os pais que vão garantir o futuro dos filhos. Os filhos terão o futuro deles de acordo com as crenças e escolhas deles.
Tudo muda, tudo se transforma, porque o arbítrio, as escolhas mudam a todo instante e são elas que vão moldar o futuro. A atitude tem que ser exatamente o contrário, se a pessoa quiser ter um futuro melhor que o presente. É viver no aqui e agora, sentir o presente e não se pré-ocupar. Desta forma, o presente fica bom e o futuro também fica bom. É preciso deixar o futuro nas mãos do espírito e confiar, porque o espírito, esse sim, garante tudo, já que ele tem todas as respostas e todas as soluções.
Sobre não gostar de mudanças e o novo trazer insegurança: A pessoa que tem esse tipo de atitude, que no fundo é uma crença muito negativa, não tem o direito de esperar nada de bom da vida. É uma adepta da mesmice, do conformismo. Essa sensação de segurança é totalmente falsa, ilusória. Ela não sabe, mas já está desistindo de viver.
A visita do tédio não demora, depois vem o sentimento de inutilidade, em seguida a depressão, e vai precisar compensar isso com psicotrópicos. Ela fica de frente contra a lei da transformação, em que nada é estático, tudo muda, tudo se transforma e o novo sempre vem. Essa pessoa é uma verdadeira estátua.
A vida só segue aquilo que a gente manda. Só se sente seguro quem se adapta ao novo, às mudanças (aprender a usar um computador, por exemplo), porque o espírito é um eterno insatisfeito. Ele sempre quer o melhor do melhor do melhor. E para melhorar é preciso mudar.
Sobre a pessoa apegada às coisas, aos filhos, à família: Quando tomamos consciência de que nada é estático, de que tudo muda e se transforma, de que tudo é único, não vamos mais nos segurar em nada, nem em ninguém.
No entanto, as pessoas têm um conceito equivocado sobre o desapego. Desapego não é dispor de bens materiais, dispor de companhias agradáveis, de coisas prazerosas da vida, do conforto. Aliás, ter tudo isso é um sinal de prosperidade.
Desapego é não se prender a idéias, a nada, a ninguém. Quem se apega fica parada, presa e não progride em nenhuma área da vida, já que tudo muda. Desapego é a faculdade de não se prender às ideias. O pensamento vive de ideias e imagens. O ser humano não é uma ideia e nem uma imagem.
Desapego não tem nada a ver com a posse e o manejo de bens materiais. Sem dúvida, é preciso ter bom senso para lidar com as posses para que elas não dominem a gente.
Não é o fato de ter posses que caracteriza o apego, mas o fato de estar presa ao mental da coletividade, o mental inferior, onde ressoam muitas crenças de pessoas, segundo as quais a materialidade é tudo, desconsiderando a existência do espiritual.
O apego se caracteriza pela submissão da pessoa à mente coletiva, como a que cultiva idéias como: "só o que conta é o material; sou mulher, portanto posso isso, não posso aquilo; isso é imoral, aquilo não; sou pai, por isso devo proceder assim; sou casado, por isso não posso isso, aquilo".
Tudo são ideias, pensamentos. Se perguntarem às pessoas quem elas são, vão dizer um monte de pensamentos a respeito delas mesmas: "Sou isso porque faço isso, nasci em tal família, estudei aquilo, trabalho lá, tenho tal religião". Acham que têm um elo com o que fazem, com o que foram, com a família, com o trabalho, mas é tudo ilusão.
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segunda-feira, outubro 16, 2023
A Simplicidade
Ser um Buda, ser iluminado, é o fenômeno mais comum. Quando digo "comum", quero dizer: tem que ser assim. Se parece muito extraordinário é por culpa do homem, é porque ele cria muitas dificuldades, e as adora.
Primeiro, ele cria o obstáculo, depois, tenta atravessá-lo. E então se sente bastante eufórico. Em primeiro lugar, não há nenhum obstáculo. Porém, como o ego dele não vai se sentir bem, ele tem que criar um longo caminho para chegar ao ponto que era o mais próximo, o mais íntimo. E ele nunca tinha perdido!
Portanto, o homem não deve procurar algo misterioso. Deve apenas ser simples e inocente. E, com isso, toda a existência se abre para ele. O homem não vai enlouquecer, ele pode simplesmente sorrir para o absurdo da coisa toda que estava tão perto, mas não pôde alcançá-la. E não havia nenhum obstáculo. Foi um milagre como ele continuou perdendo.
É preciso olhar para a mente, a mente é o problema. A mente quer algo especial. E, devido a esse desejo, a mente continua a criar coisas especiais. Na realidade, não há nada de especial: ou toda a realidade é especial ou nada é especial.
Portanto, não deseje o misterioso. Na verdade, não se deve desejar nada. Basta ficar à vontade, em casa, com a realidade como ela é.
Seja comum, ser comum é maravilhoso, porque assim não há tensão, não há angústia. Ser comum é muito misterioso, porque é bem simples.
Para mim, meditação é um lazer, um jogo, não uma tarega. Mas para as pessoas continua a ser uma tarefa, pois pensam em termos de trabalho. Vai ser bom compreender a diferença entre trabalho e lazer.
O trabalho é orientado para uma finalidade, e não é suficiente por si só. Deve levar a algum lugar, a alguma felicidade, a algum objetivo, ter alguma finalidade. É uma ponte, um meio. Em si, não tem sentido. O significado está escondido no objetivo.
O lazer é totalmente diferente. Não há objetivo para ele, ou ele próprio é o objetivo. A felicidade não está além dele, fora dele, basta estar nele para estar feliz. O lazer não vai propiciar ao homem nenhuma felicidade fora dele, não há significado além dele, tudo o que está lá é intrínseco, interno. A pessoa se diverte não por causa de alguma razão, mas porque aproveita o aqui e agora. Não tem finalidade alguma.
É por isso que somente as crianças conseguem de fato brincar. Quanto mais as pessoas crescem, menor a sua capacidade de brincar. É devido a ter cada vez mais objetivos que as pessoas cada vez mais perguntam: "Por que eu deveria apreciar momentos de lazer?" Cada vez mais elas se tornam orientadas para finalidades: alguma coisa deve ser alcançada por meio disso, pois, por si só, o lazer não tem sentido. O valor intrínseco perde o sentido para elas. Somente as crianças podem, porque não pensam no futuro. Elas podem estar aqui eternamente.
O trabalho é tempo, enquanto o lazer é atemporal.
A meditação deve ser como desfrutar do lazer, e não orientada para objetivos. Não se deve meditar para alcançar algo, pois, dessa forma, todo o sentido é perdido. Não se pode meditar se a intenção for meditar tendo em vista um objetivo. Só é possível meditar se for para desfrutar da meditação em si, e se divertir, se nada tiver que ser alcançado a partir dela, se for belo em si.
A meditação por amor à meditação... daí ela se torna atemporal. E, consequentemente, o ego não pode aparecer.
Sem desejo, a pessoa não pode se projetar para o futuro, sem desejo, a pessoa não pode ter expectativas, e, sem desejo, nunca ficará desapontada. Sem desejo, o tempo realmente desaparece: a pessoa se move de um momento de eternidade para outro momento de eternidade. Não há nenhuma sequência... e, portanto, ela nunca perguntará por que não está acontecendo nada.
Para mim, não cheguei a conhecer o mistério ainda. O próprio lazer é o mistério; o fato de ser atemporal e desprovido de desejo é o mistério. E ser comum é o "objetivo", se me permitem usar a palavra. Ser comum é o objetivo.
Se a pessoa pode ser comum, ela está liberada; consequentemente, não há nenhum sansara para ela, nenhum mundo para ela.
O mundo inteiro é uma luta para ser extraordinário. Alguns tentam na política, alguns tentam na economia, alguns tentam na religião. Mas a cobiça permanece a mesma.
Fonte: Osho, O livro do ego: Liberte-se da ilusão, Editora BestSeller, Rio de Janeiro, 2022. ISBN: 978-85-7684-710-6.
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sábado, setembro 16, 2023
O Medo
Todos os medos são subprodutos da identificação. O homem ama uma mulher e, com o amor, vem o medo na mesma proporção: ela pode deixá-lo, ela pode já ter deixado alguém para ficar com ele. Há um precedente, e talvez ela faça o mesmo com ele. O medo existe, ele sente um nó no estômago. Está apegado demais.
Qual o problema se o mundo acabar? O fim do mundo significa o fim de todos os problemas, o fim de toda perturbação, o fim de todo nó no estômago. Não vejo o problema. Mas eu sei que todos têm muito medo.
Mas a questão é a mesma: o medo é parte da mente. A mente é covarde, e tem de ser covarde, porque não tem nenhuma essência, é vazia e oca, tem medo de tudo. E, basicamente, tem medo de que um dia o indivíduo tenha consciência. Isso vai ser realmente o fim do mundo!
Não é o fim do mundo, mas o fato de o indivíduo tornar-se consciente, e chegar a um estado de meditação em que a mente tenha de desaparecer, é o medo básico da mente. É por causa desse medo que a mente mantém as pessoas distantes da meditação.
O indivíduo pode não estar ciente disso, mas sua mente realmente teme chegar perto de qualquer coisa que possa criar maior conscientização. Esse vai ser o início do fim da mente. Vai ser a morte da mente.
Porém, para o indivíduo, não há medo. A morte da mente será o renascimento dele, o início da vida realmente. Ele deve ficar feliz, deve alegrar-se com a morte da mente, porque não pode existir maior liberdade.
A mente é uma prisão.
A consciência está em sair da prisão, ou em perceber que nunca esteve na prisão, mas apenas pensando que estava. Todos os medos desaparecem.
Nada pode ser tirado de mim. Eu posso ser morto, mas estarei vendo isso acontecer, de modo que o que está sendo morto não sou eu, não é a minha consciência.
A maior descoberta da vida, o tesouro mais precioso, é da consciência. Sem isso o ser humano está fadado a ficar no escuro, cheio de medo. E vai continuar criando novos medos, não há fim para isso. Viverá com medo, morrerá com medo, e nunca será capaz de experimentar a liberdade. E a liberdade foi seu potencial o tempo todo. A qualquer momento o ser humano poderia tê-la reivindicado, mas nunca reivindicou.
É a sua responsabilidade.
Fonte: Osho, O livro do ego: Liberte-s da ilusão, Editora BestSeller, Rio de Janeiro, 2022. ISBN: 978-85-7684-710-6.
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quarta-feira, agosto 30, 2023
A Mente que mente
A mente é simplesmente um biocomputador. Quando a criança nasce, ela não tem mente, nenhuma tagarelice é processada nela. Leva praticamente de três a quatro anos para que seu mecanismo comece a funcionar. E é possível perceber que as meninas começam a falar mais cedo do que os meninos. Elas são as maiores tagarelas. Elas têm um biocomputador de melhor qualidade.
São necessárias informações para alimentar a mente, e é por isso que, quando a pessoa tenta se lembrar de sua vida no passado, ela emperra em algum lugar na idade de quatro anos, se for homem, ou na idade de três anos, se for mulher. Para além disso dá um branco.
A mente acumula seus dados a partir dos pais, da escola, de outras crianças, de vizinhos, de parentes, da sociedade, das igrejas... há fontes em tudo ao redor.
Você pode ligar e desligar qualquer computador, mas não pode desligar a mente. O interruptor não existe. Não há referência sobre quando Deus fez o mundo, e fez o homem, de ele ter feito um interruptor para a mente, de modo que a pessoa pudesse ligá-la e desligá-la. Não há nenhum interruptor, portanto, a mente permanece ligada do nascimento até a morte.
Dê um descanso à mente. Ela precisa disso. E é tão simples: basta que você seja apenas uma testemunha para a mente, através da meditação. Pouco a pouco a mente começa a aprender a se aquietar. E uma vez consciente de que, mantendo-se em silêncio, torna-se poderosa, as palavras dela não serão apenas palavras, elas terão um fundamento, uma riqueza e uma qualidade que nunca tiveram antes. Elas ignoram as barreiras lógicas e alcançam o próprio coração. Assim, a mente é um bom servo, de imenso poder, nas mãos do silêncio.
E o ser é o mestre, e o mestre pode usar a mente sempre que for necessário e desligá-la sempre que não houver necessidade.
A mente está sempre pedindo mais. É um mendigo.
Você não conseguirá satisfazer a si mesmo se ouvir a mente; no entanto, se não ouvir a mente, nesse exato momento a satisfação será toda sua. Pode-se escolher entre o sofrimento da mente... porque a mente permanecerá sempre infeliz, pedindo cada vez mais, pois esse desejo é interminável.
Se a mente da pessoa a domina, mesmo no paraíso ela vai comentar: "Este é o paraíso? Deve haver algo mais!" Todas as coisas parecem muito velhas, podres e usadas, porque estão lá uma eternidade. Todas as pessoas parecem tão tristes e tão sérias, pois também estão lá uma eternidade. Tanta poeira se acumulou sobre elas, que não tem nada para fazer lá, perderam a própria dignidade. Embora tenham alcançado o paraíso, perderam sua condição humana, não podem sorrir.
O riso é proibido no paraíso, sabia?
[continua]
Fonte: Osho, O livro do ego: Liberte-se da ilusão, Editora BestSeller, Rio de Janeiro, 2022. ISBN: 978-85-7684-710-6.
