domingo, junho 09, 2024
Câmeras de Segurança: Interação entre espíritos e encarnados
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segunda-feira, junho 03, 2024
As Leis da Vida - 10
Fonte: Luiz Gasparetto e Lúcio Morigi, Calunga revela As Leis da Vida, Gráfica Vida e Consciência, 2015. ISBN: 978-85-7722-443-2
10. Lei da perfeição: TUDO É PERFEITO
A lei da perfeição também é a lei de que tudo está certo. É a lei da segurança, da justiça, da certeza, da harmonia, do domínio, do absoluto, do poder, da funcionalidade. É a lei em que o funcionamento jamais passa por algum engano, por algum defeito, por alguma inutilidade, por algum caos, por nada.
Absolutamente tudo tem sua função. É como se fosse uma música harmônica em que todos os elementos têm uma interligação tão funcional que a gente chama isso de perfeição.
Quando você parte da ideia de que tudo é perfeito, de que tudo está certo, imediatamente a lei começa a se revelar. Se você entrar no drama de que está tudo errado, de que não tem saída, de que tem problema, então as coisas que você quer não acontecem. Não adianta insistir. O somatório das suas "fés" fica sempre no negativo. Essa lei precisa ser usada em qualquer coisa que você necessite saber, que você precisa entender, qualquer coisa de que você queira uma resposta, uma orientação, enfim, alguma coisa que você precise resolver em seu caminho. Em qualquer dessas situações, afirme: "tudo é perfeito, tudo está certo".
A palavra perfeição é ampla, funcional, certa e justa. Nada é perdido, nada é sem sentido, nada é sem propósito, tudo conta, tudo soma para a sua evolução, mesmo as ilusões.
Quando você começa a dizer que tudo é perfeito, a lei se revela e começa a vir na sua cabeça o entendimento diretamente das fontes da vida. Tudo se encaixa, tudo fica claro, tudo se explica. Você se localiza e age na segurança, porque você aceita e entra na modéstia, e sua vida começa a fluir. A própria lei o orienta, porque ela é a ação do espírito em você.
A lei não esconde nada. Tudo que você precisa saber lhe é revelado. É o ser humano que, no seu arbítrio, escolhe determinadas posturas que cegam. Mesmo assim, as suas escolhas foram perfeitas.
Na lei da perfeição não há vítimas, não há juízes, não há arrependimentos, porquanto não há culpas, não há mágoas, não há ódios, não há vinganças. É a limpeza total interior para que você possa plantar o novo que, com certeza, crescerá com todo vigor e dará os frutos desejados e até mais. É a liberdade total interior, e liberdade interior significa também liberdade exterior.
Pense aí com você e sinta o alívio que dá, a paz que dá, a serenidade que dá, ao saber que você nunca errou, nunca erra e nunca vai errar na sua vida, tendo feito o que tiver, escolha o que escolher.
"Ah, mas eu prejudiquei aquela pessoa." Não! Você não é responsável pelo que o outro atraiu de você. Só os prejudicáveis são prejudicados. Foi a vida, na sua sincronicidade, que juntou vocês dois para vivenciarem aquela experiência e ambos aprenderam algo que precisavam.
Não pode existir perfeição junto com imperfeição. Ou tudo é imperfeito, injusto e está terminando e acabando, ou tudo é perfeito. Tudo não pode ser imperfeito, porque nada está acabando, mas apenas se transformando, evoluindo, expandindo conforme o universo expande, e nisso tem uma ordem, tem uma inteligência envolvida, tem uma justiça.
Tudo é perfeito, tudo está certo. Assuma isso, vista isso, viva isso, ande com isso que tudo perfeito ficará. Se não fosse perfeito, Deus não deixaria acontecer, porque Ele não cria nada que não seja funcional.
Sabe aquele crime que revoltou o país? Ele foi perfeito, foi funcional para ambas as partes.
Aliás, Deus, por meio da natureza, faz coisas até piores. Manda um tsunami, um terremoto, um furacão, uma tempestade que mata milhares de pessoas, e não separa as criancinhas indefesas e inocentes. As pessoas ficam chocadas, mas não revoltadas. Agora, se um crime for praticado por um ser humano, todo mundo se revolta e pede sua condenação imediata, se possível pagando na mesma moeda.
Quando o trabalho é feito pela natureza, dizem: "foi obra da natureza". O ser humano, aos olhos de Deus, também faz parte da natureza.
Do ponto de vista da natureza, tanto faz matar numa guerra, num assalto ou num terremoto. Morte é morte.
No entanto, tudo está perfeito, tudo está certo, tudo é funcional. Se não fosse, Deus não permitiria. Do ponto de vista da espiritualidade, a morte e o tipo de morte não contam nada.
O tempo, tanto aqui como no astral, não é levado em conta, já que somos eternos. Já vimos que cada um, junto com seu espírito, é cem por cento responsável por tudo de bom ou de ruim que acontece em sua vida, seja adulto ou seja criança, porque o espírito não tem idade. Todos trazem consigo o resultado das saus crenças e atitudes desde sempre, inclusive de outras vidas.
Por isso não podemos tirar conclusões dos fatos e acontecimentos simplesmente pelo momento em que ocorrem. Há todo um processo que vem se desenrolando anteriormente e desfechou naquilo que trará novos conhecimentos, novos aprendizados para a próxima etapa da vida, seja aqui na matéria seja no astral, adentrando a próxima encarnação.
Com isso, os envolvidos desenvolvem virtudes, habilidades, faculdades, criam estruturas interiores, expandem a consciência e evoluem. No final, tudo se ajeita, tudo tem um resultado positivo. O assassino, por exemplo, na próxima vida, pode ser pai e devolver a vida que tirou.
Nunca ninguém perde. Tudo soma. É claro, se você não considerar a eternidade da vida e a reencarnação, tudo isso seria muito injusto. Por essa razão, a reeencarnação é uma bênção, uma nova oportunidade, uma prova da generosidade divina.
"Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida que usardes para medir a outros, igualmente medirão a vós" (Mateus 7, 1-2).
Quem aceita a perfeição, aceita a vida como ela é, entra na modéstia, na verdadeira humildade, e tudo começa a fluir a seu favor.
Felicidade é coisa que ocorre para humildes. Acabam-se as críticas, as angústias, as ansiedades, as aflições, os medos fantasiosos, os julgamentos, os juízes, as vítimas, os réus, as cobranças, a pena, a piedade, o dó dos outros e de si mesmo. Só resta a compaixão e o amor. Somos todos inocentes. O perdão deixa de fazer sentido.
Por essa razão que essa é a lei da harmonia. Você vai ser envolvido por uma paz mental, espiritual e emocional tão grande, pelo fato de não resistir a nada, que sua vida não tem outra opção senão fluir cada vez melhor.
"Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal" (Mateus 5, 39).
A Ciência, quando quer, vai, pesquisa e acha a resposta. A lei também não esconde nada. Não há mistérios, há o desconhecido, porque as pessoas não sabem da lei. A lei não esconde nada porque você é a lei viva. Você não é produto da lei, mas a própria lei.
Por isso seu verbo é seu verbo, sua crença é sua crença, sua escolha é sua escolha, sua realidade é sua realidade. Não há nenhuma condição, não há acaso, não há coincidência, não há sorte, não há azar, não há carma. Há o espírito que tem todas as respostas e todas as soluções. Então, você tem que receber seu espírito, incorporar seu espírito, se apossar do seu espírito. Plagiando o apóstolo Paulo em Gálatas 2.20, "não sou eu quem vivo, mas o espirito vive em mim". Se você não usar seu espírito, você não vai chegar a lugar nenhum.
É só você que escolhe, porque você é a lei. Você é o poder vivo do espírito e essa é a condição de qualquer ser humano e não de uns especiais. O ser humano é pura magia, porque o espírito é a magia. Você só não consegue as coisas porque seu somatório das "fés" ainda é baixo.
Quando você está no espírito, você tem harmonia, tem a perfeição, porque não lhe falta nada, pois a lei é sábia. Como a lei é sábia, toda sabedoria é sua. Basta estar na postura do espírito que a ideia, a visão, a explicação, a inteligência, a inspiração e a solução vêm.
E vêm para cada um do seu jeito, conforme a lei de individualidade. Cada um é seu próprio mestre, sua própria fonte, porque a individualidade é sagrada. A essência de Deus é a individualidade.
Quando você declara, afirma e coloca fé, você cria e descria. É o maior poder que existe no universo. É o poder divino agindo por meio do seu espírito.
Mesmo os que não estão no espírito, estão criando sem saber, só que a criação é limitada. Quem está no espírito cria sem limites, porque o espírito é ilimitado.
Você pode dizer o seguinte: " o espírito em mim é amor, é saúde, é cura, é paz, é sabedoria, é conhecimento, é abundância, é solução, é certeza de agir, é o melhor, é o justo, é liberdade, é o poder e domínio". Tudo que precisar você deve falar.
Não há o profano. Tudo é sagrado, porque tudo é do espírito. Não há futilidade, mas utilidade. O espirito permeia tudo e torna tudo perfeito. Para que isso possa ser viabilizado, os preconceitos precisam ser abandonados. Os conceitos de divisão, os conceitos de que isso é assim, é assado, não poderão mais existir, porque tudo é relativo e individual.
Assim, você vai rompendo o seu modo de olhar, para ir adquirindo o modo do espírito, que é o seu modo. Seja ungido pelo seu espírito. Só o espírito tem o reino de Deus.
Crença comum: "Me sinto tão culpado por ter feito aquilo...". Lei da perfeição: Na lei da perfeição, você nunca errou. Fez somente o que era possível fazer na época, segundo seus conhecimentos de então. "Ah, mas eu sabia e mesmo assim fiz". Você não sabia cem por cento. Numa fração de segundo, você fez aquela escolha, porque ainda havia um resquício de desconhecimento.
Quem sabe cem por cento, não tem como agir senão dentro do conhecimento, porque o espírito é sempre justo.
Einstein disse que "a mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original".
Diante disso se conclui que, quando se tem o conhecimento, não tem como agir fora dele. Ninguém tem absolutamente culpa de nada.
Somos todos inocentes. Todo mundo só faz o que sabe, dentro do seu grau de evolução. As culpas são apenas distorções da consciência, porquanto, ilusões.
Tudo está certo, tudo está perfeito no seu devido lugar. Se não fosse para acontecer, seu espírito não deixaria, e aquilo que aconteceu foi de grande utilidade para você.
Crença comum: "Viu como você prejudicou aquela pessoa?" Lei da perfeição: Ninguém prejudica ninguém. É o outro que é prejudicável. Tudo é perfeito e funcional e tem sua utilidade. Cada um é cem por cento responsável por tudo que acontece em sua vida.
As pessoas atraem outras que as prejudicam, porque elas se prejudicam se desvalorizando, se criticando, se abandonando, contemporizando, dizendo sim aos outros e não para si, fazendo tipo para obter apoio, consideração, afeto, aplauso, amor.
Como a vida nos trata como nós nos tratamos e não como tratamos os outros, aparecem os "prejudicadores".
Os outros não nos prejudicam. Só vêm nos mostrar o que estamos fazendo contra nós mesmos. São companheiros de jornada.
Crença comum: "Preciso tanto me encontrar com ele para lhe pedir perdão." Lei da perfeição: Ninguém erra com ninguém, por isso perdoar não faz sentido. Perdoar não é sublime. Sublime é entender que cada um atrai para si as experiências de que precisa para evoluir e que cada um é responsável por tudo que ocorre em sua vida.
Só o orgulhoso perdoa, porque está julgando o outro, dizendo que ele errou consigo. E se o outro errar de novo? E se errar dez vezes? Vai passar a vida perdoando? Por trás do perdão geralmente tem um recado: "eu o perdoo, mas não faça mais isso comigo, viu?".
Quando alguém pergunta "Você me perdoa?", significa que a pessoa se considera inferior e culpada, e que o erro é um mal. Mesmo que o suposto infrator te perdoe, não adianta nada, porque seu espírito entende que você é devedor, que errou e fatalmente será cobrado.
Além disso, você está delegando seu poder ao outro. Normalmente as pessoas perdoam, mas permanecem resignadas, ou seja, continuam ligadas no assunto. Não importa o que o outro fez comigo. O que importa é como eu trabalho a situação aqui dentro de mim.
Se eu fico ligado ao outro, estou lhe delegando o meu poder. É uma questão de inteligência. "Não, você não me deve nada. Não precisa me pedir desculpas. Já está perdoado. Você é que precisa ver isso aí consigo."
Ao transcendermos o perdão, na consciência de que o outro não foi responsável pelo que de desagradável nos ocorreu, estamos praticando uma das mais belas virtudes, que é a verdadeira humildade, e tendo os mais nobres sentimentos: o verdadeiro amor e a compaixão.
Com o tempo deixaremos de atrair a agressividade dos outros, pois eles não terão mais nada para nos mostrar. Sublime é não precisar perdoar.
Crença comum: "Se eu sou responsável por tudo de ruim que acontece em minha vida, então posso deixar o outro fazer de mim gato e sapato e está tudo bem?". Lei da perfeição:...
[continua]
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domingo, maio 05, 2024
As Leis da Vida - 4
Fonte: Luiz Gasparetto e Lúcio Morigi, Calunga revela As Leis da Vida, Gráfica Vida e Consciência, 2015. ISBN: 978-85-7722-443-2
4. Lei da eternidade: TUDO É ETERNO
Deus é eterno. Tudo foi feito por Deus. Tudo é eterno. Não acaba, mas se transforma. É como na Física, que diz que a energia não se perde, se transforma. Acaba um estado da energia e ela muda para outro. É a lei de Lavoisier, e a lei da Física está dentro da lei cósmica, como tudo está.
O mesmo acontece com a gente. A gente é eterno para a frente e para trás. Você sempre existiu. Costuma-se falar do criador, mas ninguém foi criado, você sempre existiu e sempre vai existir. Nem todo esse tempo eterno você estava na consciência. Encontrava-se no estado latente e, num determinado momento, seu espírito resolveu germinar, como uma semente.
Deus é infinito, como é infinita a diversidade divina. Nada é igual a nada, nem mesmo todos os grãos de areia de todos os universos, e nada se repete. Isso não é fantástico?
Ninguém vive sozinho. Todos nós vivemos em grupos estruturados por hierarquias angélicas. Quando a população angélica se estabeleceu, com suas hierarquias organizadas, elas propiciaram o estabelecimento dos devas, que chamamos de elementais, que são os anjos menores. Os anjos menores foram cuidar das arquiteturas dos ambientes.
Nessa estruturação, tudo seguiu e até hoje segue uma ordem. Por exemplo, o menor tem que vir primeiro.Aí eles se juntam para fazer uma nova estrutura. Quando essa estrutura estiver pronta, vem o maior para ajudar a estrutura a funcionar. E assim segue avançando na complexidade. Isso é um modelo cósmico.
Portanto, aqueles que dominam, fazendo parte do principado, que é a essência maior, vieram depois, quando já havia uma estrutura adequada. Os grandes não vieram em primeiro lugar. As grandes figuras da espiritualidade, da Ciência e de todas as áreas, como Jesus,Buda, Confúcio, Einstein, Steve Jobs, etc., quando se estabeleceram aqui, encontraram um ambiente propício para exercer suas funções.
O espírito do ser humano só surgiu na Terra quando já havia uma estrutura física de um animal para acolhê-lo. Os espíritos foram trazidos aqui de outras partes do universo. O homem não veio do macaco e somos todos extraterrestres. Tudo isso foi e continua sendo obra dos anjos e arcanjos, os chamados donos do planeta.
Não existe evolução sem associação. Solidão é uma utopia. Ninguém é autossustentável. Todo mundo depende de todo mundo. E quanto mais evoluir, mais vai ser assim, porém, sempre obedecendo a uma hierarquia.
A hierarquia é uma constituição do universo. Tudo é organizado, tudo se inter-relaciona, tudo está sob controle neste universo. Ao mesmo tempo em que tudo muda e cresce, tudo está seguro. A alma divina segura todos os universos.
Você não é só. É individual mas não é só. Você está dentro de um agregado, que chamamos de familia espiritual, e ninguém está sem essa família. Sempre tem que haver expansão, evolução, pois esta é uma das leis da vida.
Cada célula do nosso corpo é uma individualidade que se agregou. Como qualquer ser vivo, ela tem alma. Ela nasce, morre e reencarna na matéria. Esses seres também têm inteligência animal. Por isso, o agregado dessas inteligências animais em nós é o "bicho interior" de cada um. O agregado que domina esse bicho é o eu consciente. Há momentos em que o bicho domina a cabeça e nos "rodamos a baiana".
Depois tem um agregado que domina a cabeça, que é a alma. A alma, por sua vez, é dominada pela parte do espírito que domina tudo, o Eu Superior, que é a essência divina.
Você é um agregado, uma colônia, uma constelação de bilhões de seres, cujo grande deva é o Eu Superior. Quando o Eu Superior entra na consciência, esporadicamente, você pensa como gênio.
O seu Eu Superior é que escolhe sua vida, sua morte, seu nascimento. É Ele que escolhe seus dons. Então, você é o que seu Eu Superior é. Todo o resto está subjugado a Ele.
E onde fica Deus nisso tudo? Deus fica junto. Deus não está fora. Tudo é Deus. Você é Deus, a barata é Deus, o santo é Deus, o assassino, na ignorância dele, é Deus, Lúcifer é Deus, os anjos são Deus, a pedra é Deus. Tudo é manifestação de Deus. Deus está em tudo. Tudo teve uma única origem, ou melhor, houve uma única causa no universo. Não existe uma coisa mais sagrada que a outra. Absolutamente tudo é sagrado, porque tudo é a extensão de Deus.
A eternidade é uma transformação que não para nunca. Ela não anda com o tempo. É um continuum, sempre o agora. A eternidade é um eterno presente. O passado e o futuro são uma abstração da mente.
A transformação é a recomposição de cada agora. Nesse espaço do agora, tudo tem que se recombinar. Nunca teve começo e nunca terá fim. É uma característica natural de Deus de nunca ser igual, sem jamais deixar se ser Si mesmo. Se nada pode se repetir, Deus cria e recria o tempo todo.
Nossa mente não entende que há um infinito, um eterno, porque ela só trabalha com o tempo, com o espaço e com formas definidas, e as formas limitam. Foi assim que inventaram equivocadamente um Deus antropomorfo, ou seja, na forma humana. De outro jeito, a mente não conseguiria conceber como era esse Deus.
Deus fez o homem à Sua imagem e semelhança e o homem, por sua vez, fez Deus à imagem e semelhança dele, tanto no formato físico como nas atitudes, o que está completamente equivocado. Deus fez o homem à semelhança d'Ele no poder, no potencial, nas virtudes, nas habilidades, nas faculdades, nas possibilidades. A mente não entende, mas o espírito sabe que tudo se transforma, que Deus não tem forma, que tudo é eterno, que o infinito não tem espaço. A mente usa palavras para definir e as palavras limitam, dão formas.
Por isso Deus não se define. Qualquer definição de Deus O estará limitando. O espírito não define, sente. Em espírito sentimos que Deus é infinito eeterno, pois o espírito é a nossa ligação com o divino.
O máximo que a gente pode estar falando de Deus é de características, e olhe lá. O espírito transcende o cérebro e a mente. Esses limites são parâmetros da educação, para ter disciplina mental, pois sem ela a vida se torna um caos.
Não existe a palavra "acabou". Só existe a palavra "sempre". Por isso as ideias acerca de um céu e de um inferno eternos e estáticos são um absurdo. Tudo se transforma e evolui pela eternidade. O que acaba é o momento que é único, mas ele se transforma em outro momento que também é único, e assim segue pela eternidade. A eternidade é mudança constante.
Ao morrer, a pessoa não vai encontrar Deus, Jesus, Nossa Senhora, santos ou demônios, nem anjos tocando harpa, mas uma realidade muito semelhante à que vivia na Terra.
Outra coisa, por mais ignorante que alguém seja, do tipo daqueles que cometem inúmeros crimes, sempre ele/ela terá uma nova chance, reencarnando tantas vezes quantas forem necessárias, porque, para a espiritualidade, não há bem e não há mal, mas apenas o funcional, e cada qual passará pelas experiências que forem necessárias ao seu processo evolutivo, graças à generosidade e à justiça divina, evidenciadas pelo fenômenoda reencarnação. Aliás, essa pessoas também é a extensão de Deus. Cada um tem sua hora. De certa forma, isso também define um caminho. Todo mundo tem um caminho próprio.
Crença comum: "Eu não acredito que a gente é eterno. Para mim, morreu, acabou. Dizem que se a pessoa crer, acontece. Então a vida após a morte só vai existir para as pessoas que acreditam nisso? Acho que essa lei de crer e acontecer está furada. Se a vida é eterna para quem crê, ela também deveria ser eterna para quem não crê." Leida eternidade: A lei do crer funciona para a qualidade de vida da pessoa, para as coisas que ela gostaria de ter. Para fatos que já aconteceram, para o que está construindo, para o que já está criado, enfim, para o que existe, crer ou não crer não vai alterar nada.
A eternidade e a vida após a morte, mesmo que a pessoa não acredite, são reais. É como a pessoa não acreditar em terremotos quem nunca sentiu um. A pessoa que não acredita na vida após a morte, ao desencarnar, por força de sua crença, poderá passar certo período sem ver nada, ou dormindo.
Mas, a realidade está lá, e mais cedo ou mais tarde ela vai precisar acordar para essa realidade. "É, mas se ela não acreditar que morreu, já que ela se vê viva?" É muito fácil. É só trazer algum parente que morreu muito antes para conversar com ela.
No astral não há nada de misticismo e mistérios, mas muita Ciência e espiritualidade. É um mundo tão concreto e tão real quanto este, apenas vibrando em outra frequência energética.
Toda dor, todo sofrimento, são decorrentes de ilusões, e a ilusão não se sustenta. Um dia ela acaba, já que é uma invenção da sua cabeça. Podemos concluir, assim, que o bem-estar é eterno, porque é baseado em verdades, enquanto o sofrimento é passageiro. Em oudtros termos, o paraíso é eterno, e o inferno é circunstancial.
Crença comum: "Os bons, que ajudam os outros, vão para o céu, e os maus, para o inferno, pela eternidade." Lei da eternidade: Primeiro, não há dor que dure para sempre. Segundo, o conceito de pessoa boa, mormente aqui no Brasil, é aquela que se doa para o próximo, e quanto mais tirar de si para ajudar o outro, mais seu conceito sobe. Há uma diferença radical entre esse tipo de ajuda e a verdadeira ajuda. Antes de tudo, ajudar não é assumir o outro.
Existe uma ciência pra ajudar os outros, senão em vez de ajudar, acaba atrapalhando mais. Muitas pessoas estão com sua casa completamente bagunçada e querem arrumar a dos outros. A verdadeira ajuda começa arrumando-se a própria casa. Assim, a energia boa se propaga, afetando quem estiver em volta.
Para ser uma verdadeira ajuda, você precisa deixar que a pessoa peça, senão é intromissão na vida dela. É falta de educação. Essa mania que você tem de ajudar, de ser bonzinho, acaba atrapalhando, pois tira da pessoa a oportunidade de crescer por si só.
Para ajudar é preciso dar só se estiver sobrando. Não pode tirar de você pra dar ao outro. Se tirar de você, estará dando um recado à vida: "Pode tirar de mim!". Na verdadeira ajuda, todos têm que ganhar. Sentir-se bem é melhor que fazer o bem. Sentir-se bem fazendo o bem é o máximo.
Sacrificar-se pelo próximo faz mal. Quem se sacrifica pelo outro acredita que o sacrifício é um bem. Como a crença é o que conta, a vida sempre vai responder com esse suposto bem, ou seja, com mais sacrifício.
Depois que a pessoa morre, o que conta é o que ela fez para si e não para os outros. Ninguém vai ficar bem por causa dos outros, mas por sua própria causa.
Se você deixar a mente vagueando ao sabor do pensamento, no automático, fatalmente ela tenderá à morbidez e você cairá. Se aí no seu mundo é assim, quando você chegar ao astral piorará, porque a matéria de lá tem mais plasticidade devido à força de coesão dos átomos e moléculas ser menor, fazendo com que as ilusões se materializem mais rápido. Chegando ao astral, tudo continua a mesma coisa, só que mais intensamente, até que a pessoa discipline sua mente e mude suas crenças e atitudes.
Deus não perdoa nem condena ninguém. Tudo que a pessoa fizer, Ele não verá como um erro, mas como uma experiência válida, um aprendizado, pois foi tudo Ele que criou, e Deus não cria nada inútil.
Quem se culpar, se condenar, terá que pagar. É a crença dele. Quem se absolver estará absolvido. Cada qual que use a inteligência que Ele deu da menaira que lhe convier.
Deus não castiga, mas também Deus não protege a ignorância e cada um é responsável pelo que lhe sucede. A única forma de o ignorante aprender é experimentando mais dor. Sem esse estímulo, ele ficaria cada vez mais relapso, relaxado, mimado e sua inteligência, ou capacidade, por mínimas que fosse, não seria estimulada a se desenvolver.
Tudo no universo é troca. Esse negócio de fazer sem interesse é pura balela. Sempre haverá um motivo, uma condição pra pessoa fazer algo por alguém, por isso ninguém faz nada desinteressadamente. O verdadeiro amor liberta.
Portanto, por ocasião da morte, a pessoa leva consigo apenas suas crenças e atitudes. A que acredita no sacrifício, mesmo que seja para o bem do próximo, continuará no sacrifício. A que acredita na alegria, e que seu bem-estar está em primeiro lugar, pois cada um é responsável pelo que de bom ou de ruim ocorre consigo, continuará na alegria.
Crença comum: "Quem luta e quem sofre vai para o céu". Lei da eternidade: Quem acredita na luta vai continuar lutando, e quem valoriza o sacrifício por meio de suas atitudes diárias, acredita no sacrifício e vai continuar se sacrificando. Felizmente, no astral as pessoas continuam aprendendo, e quem tiver um pouquinho de lucidez, vai perceber que a luta e o sacrifício só servem para atrair mais luta e mais sacrifício. Essa pessoa vai precisar mudar seu ponto de vista e suas crenças a esse respeito.
Crença comum: "Graças a Deus ele descansou! Passou desta para melhor". Lei da eternidade: Não é verdade. É exatamente o contrário. Do jeito que a pessoa morre, ela chega no astral. Se morrer doente, com dores, chega lá com a doença e mais sofrimento ainda, porque, além das dores físicas, soma-se a dor da saudade dos familiares que ficaram aqui e a energia densa da dor do lamento dos parentes pela sua morte.
Crença comum: "Quem sacrifica esta vida ganha a outra". Lei da eternidade: Ganha uma vida pior, pois acredita no sacrifício, e a morte não altera as crenças da pessoa. Se o seu sacrifício é feito na intenção de ganhar a outra vida, você está fazendo um péssimo negócio.
Só conta o que a pessoa faça para si e não para os outros. Caso a pessoa faça para os outros com prazer, aí conta, porque ela acredita no prazer e não no sacrifício. Ajudar é uma beleza, é muito prazeroso e gratificante, desde que seja feito com alegria e satisfação.
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sexta-feira, abril 19, 2024
As Leis da Vida - 2
Fonte: Luiz Gasparetto e Lúcio Morigi, Calunga revela As Leis da Vida, Gráfica Vida e Consciência, 2015. ISBN: 978-85-7722-443-2
2. Lei da Transformação: TUDO MUDA
Nada é estático no universo. Nada é constante no universo. A única coisa constante é a Lei. Tudo se transforma, tudo está em movimento, tudo é sempre novo. Quer você queira quer não, tudo vai mudar na sua vida, seja o momento bom ou seja ele ruim. Tudo é momentâneo, tudo é circunstancial.
Se tudo é único e tudo muda, o que passou passou. Sinto muito, mas aquele momento maravilhoso que você teve foi único e não vai se repetir. Aquele sofrimento não vai mais acontecer daquela forma. Poderá ser semelhante, se você não mudar suas crenças e atitudes, mas não será igual.
O que isso quer dizer? Que o novo sempre vem, que o passado já era, que o passado virou ilusão. Por isso o lamento faz tão mal. Quem canta seus males espanta e quem lamenta seus males aumenta.
E por essa razão a saudade é tão prejudicial. Ter uma boa lembrança de momentos da infância ou da juventude, beleza. Você se sente bem, conta para os outros e até ri.
Mas ficar sofrendo de saudade? Ficar se lamentando daquilo que ocorreu? Sabe aquela pessoa que adora contar um drama por que passou? Quem gosta de ficar enaltecendo o passado está preso lá. E quem está preso não vai pra frente. Assim, o presente, que é real, onde podemos realmente transformar, construir algo positivo, é anulado, e o futuro, que depende do presente, estará comprometido.
Tudo muda. Você já não é mais o mesmo de um minuto atrás. O universo todo é só movimento. Se tudo muda, a memória é apenas uma ilusão. O que você guardou de ruim ou de bom da infância não conta mais nada, a não ser que você fique alimentando aquilo com o lamento, aí conta para o pior. Você guardou o fato com a cabeça que tinha na ocasião, nas circunstâncias que havia na época.
Hoje, porém, a sua cabeça é outra, as circunstâncias são outras e nada daquilo existe mais, a não ser na sua memória, como um arquivo de computador, tomando o espaço destinado a novos projetos. Mande tudo isso para a lixeira e delete também o que estiver na lixeira. Esvazie a memória para dar lugar ao novo.
Você quer guardar alguma coisa do passado? Então, guarde só as fotografias, que é para de vez em quando você se reunir com as amigas e morrer de rir das roupas, dos cabelos, de como você era magra.
A cabeça que você tinha no passado era para ser exatamente aquela que foi. Tudo o que você fez ou deixou de fazer foi perfeito. Você fez o que sabia. Não era para ser diferente. Então, é insensatez ficar se lamentando, pois, por se tratar de uma ilusão, perjudica o presente e, consequentemente, seu avanço.
Há um motivo para você querer repetir. É para se sentir segura. Quando se conhece o terreno em que se está pisando, há mais segurança. Na verdade é uma falsa segurança, porque o terreno não é mais o mesmo, já mudou. Então, você vai repetir e vai se dar mal porque vem a desilusão.
Perceba a grande variabilidade, a grande diversidade da vida, e você quer repetir? Não quer mudar? Tem gente que muda para melhorar e tem gente que não muda para não piorar. A situação não está boa, mas é melhor não mexer porque pode piorar. Em qual dos casos você se encaixa? O acomodado, o avesso a mudanças, sempre vai ter uma vida medíocre.
Outra grande ilusão é querer planejar o futuro. Isso é tão ilusório quanto viver do passado. Hoje você tem uma cabeça, no próximo mês ela não será mais a mesma.
Quando percebemos que tudo é único, que tudo muda, não vamos mais nos segurar em nada nem em ninguém. Desapego não é dispor de bens materiais. Desapego é não se prender a ideias, a nada, a ninguém. Quem se apega fica parado, presa e não progride em nenhuma área da vida.
Desapego é a faculdade de não se prender às ideias, não tem nada a ver com a utilização de bens materiais. Sem dúvida, é preciso ter bom senso para lidar com as posses materiais para que elas não o dominem. Porém, não é o fato de ter posses que caracteriza o apego, mas o fato de estar preso ao mental da coletividade, ao mental inferior, onde ressoam muitas crenças de pessoas segundo as quais a materialidade é tudo, desconsiderando a existência do espiritual.
Desapego é a faculdade de mudar a frequência do aparelho mental, do mental inferior para o Mental Superior. A alegria é a boa sintonia da frequência da Alma. O desânimo e a tristeza são decorrentes de pensamentos e ideias características do mental inferior, onde abundam as ilusões.
Apegada é a pessoa que está dominada pelo senso comum, pela mente coletiva, pelo mental inferior, como por exemplo a que cultiva as seguintes ideias: só o que conta é o material; sou mulher, portanto posso isso, não posso aquilo; isso é imoral, aquilo não; sou pai, por isso devo proceder assim; sou casado, por isso não posso isso, aquilo; sou empresário, por isso tenho que me comportar assim, assim; sou religioso, por isso devo e não devo fazer isso, aquilo.
Quando você estiver num momento bom, curta aquilo intensamente, porque vai mudar. Quando estiver passando por um momento ruim, relaxe, porque aquilo também vai mudar. Logo, querer controlar é pura falta de bom senso, pois como é possível controlar algo que, com certeza, vai mudar?
Então largue, relaxe. Largue o passado para não sofrer de angústia. Largue o futuro para não ter ansiedade. Tudo isso interfere negativamente no presente e atrapalha o processo de materialização daquilo que você tanto deseja. O passado é coisa da mente que atrapalha o espírito a agir.
O espírito só entra em ação no processo de materialização quando a mente não interfere. Espírito e mente não ocupam o mesmo espaço. Os dois não se misturam. Ou é um ou é outro. O espírito sempre obedece. Como ele é sutil, sempre cede espaço para algo mais denso. Dessa forma, largue, ceda, não resista, para que seu espírito possa agir.
Se tudo se transforma, se tudo muda, qual a razão de você se apegar a alguém, a algo, aos fatos, às ideias? Não faz nenhum sentido, não é mesmo? Apego é só uma ilusão na sua fantasia. É querer tornar sua uma coisa que não é. Você não tem nada, senão aquilo que está dentro de você.
Quando a gente gosta de alguém ou de algo, é a alma de verdade gostando desse alguém ou de alguma coisa. A alma sente um fenômeno de identificação. Eu sou a coisa e a coisa sou eu, de tão familiar que é o sentimento de gostar, o sentimento do amor. É tão familiar que a alma acha que é essa coisa.
Então, ela sente que tem ou faz todo o esforço para ter, mas como não tem, como isso não é possível, porque tudo passa, tudo é independente, a gente tem sempre uma grande desilusão. Desse modo, não confunda o sentimento de empatia com o objeto ou a pessoa amada, com posse. Você só tem o sentimento, a empatia. Você não pode nem nunca poderá ter nada.
Todas as coisas materiais que você usufrui são temporárias, porque tudo se decompõe, tudo se transforma, ainda mais com a aceleração da tecnologia. Na hora está aqui, tem seu valor e você usufrui. Você tem um aparelho que toca música. Você tem o uso dele até o dia em que o aparelho não for mais utilizável. Aí acabou. Só fica o resto do sabor, e este também acaba.
O que fica? Ficam as transformações que o sabor lhe fez. Você ficou mais suave por causa da música, você desenvolveu sensibilidade, desenvolveu aspectos do seu espírito. Há um acréscimo de habilidades. Essas habilidades você tem. Como as desenvolveu, não tem nem mesmo memória, pois ela fica corrompida e perdida, porque tudo passa. A consciência só tem consistência no aqui e agora, depois ela dissolve, deixando o espaço para o novo (para evitar cristalizar conceitos errados?). Nunca mais seremos os mesmos. Não há jeito de voltar, de segurar.
Ninguém é filho de ninguém, e ninguém é de ninguém. Tudo é passageiro e circunstancial. Todos somos apenas companheiros de jornada. Tudo muda e você quer continuar segurando. Porém, tem um lado bom disso tudo: seja qual for a sua dor, saiba que ela vai acabar, que ela vai se transformar.
"Ah, mas pode ficar pior". Geralmente, não! Geralmente vai ficar melhor. Quando a função disciplinar da dor acaba, transforma você, então ela deixa de existir. As coisas boas também. Elas fazem as coisas que precisam fazer em você e somem. Aquela alegria, o amor por alguém vão embora, porque você se enjoa daquilo, pois a mesmice deixa tudo muito igual. Somem pelo fato de não haver mais diferenças, contrastes.
A lei é o agora. Quanto mais sua mente estrutura seu funcionamento dentro da lei, mais sábio você se torna, mais poderoso, mais firme e mais forte para fazer o que você quer. Essa é a evolução. Quanto mais desapegado você for, mais amoroso, mais generoso você se torna. Amor é uma coisa de dentro para fora. Você gosta por gostar, porque o gostar já está na sua alma. É espntâneo. O gostar não depende de nada exterior a você. "Ai, eu gosto de gostar!"
Ao se prender aos fatos, às pessoas, às ideias, você está impedindo seu espírito de realizar aquilo que você quer. Você sai da lei do destino, qual seja, que há um propósito divino em cada um, pleno de realizações. Então, deixe ir, deixe passar. Aquelas circunstâncias não exitem mais. São tão-somente uma interpretação sua.
A realidade está fluindo de acordo com as pessoas e as crenças delas, nas pessoas em grupos afinizados, como na família (daí as "doenças hereditárias"...), numa cidade, num país. As afinidades constroem uma realidade que faz as pessoas se unirem a ela desta ou daquela maneira.
Na Terra, em que todo mundo é fruto do coletivo, poucos são os que têm força de ser originais, de ser si mesmos. O mundo é dos fortes. Forte não é aquele que sabe dar porrada. Forte é aquele que tem capacidade de bancar e tem firmeza. Quem é assim escreve seu destino.
Toda transformação ocorre em ciclos. Como tudo é periódico, os ciclos são evolutivos, como se fossem ciclos superpostos que não se encontram, como numa espiral. A transformação é que gera os ciclos. Ela impulsiona para as desigualdades. Por isso o clima mudou. O ciclo é outro. Vai mudar, nunca vai se repetir. Esse ciclo parece que é igual, mas nunca é, é só semelhante.
As transformações seguem. Você está se transformando. Por isso, se você quer que as transformações fluam com graça, com leveza, com prazer, e que se desenvolvam, não tente mudar. Quando você tenta mudar, você atrapalha o fluxo natural. Tudo que é forçado emperra. As mudanças vêm naturalmente.
Se, por um lado, a diferença pode prevalecer, por outro, nossa tentativa é de permanecer. A gente quer permanecer para se sentir segura. A gente não quer que nada mude para ficar segura, mas é uma falsa segurança. Segurança verdadeira é caminhar com as mudanças.
Quer ficar segura? Caminhe com as mudanças. Jamais se prenda a nada, jamais fique demais com uma ideia, jamais fique demais com uma pessoa, a não ser que esteja ganhando. Varie. Você pode gostar e viver com certa frequência, mas varie. Flua com os instintos. Flua com o novo. Quanto mais você permitir ver tudo novo, mais você vai fluir com suavidade nas transformações. Isso significa juventude.
A juventude pode estar num idoso, naquele que tem disposição, um mecanismo físico em ordem, uma saúde que não precisa de cuidados médicos. Esse tipo de indivíduo, embora tenha sofrido as transformações normais da matéria, sofreu-as com suavidade.
Há idoso com 90, 100, 105 anos que continuam fumando e permanecem inteiraços. O que é isso? É a juventude. O conceito verdadeiro de juventude é a capacidade de se transformar, de seguir as transformações com tal abertura e leveza, que se renova constantemente.
O que falta nesses idosos que estão doentes é motivação, é dança, é ação, é alegria, é interesse, é largar o que acreditaram e começar a aprender tudo de novo. Uma nova paixão é extraordinária, um novo interesse, nem que seja pelos gatos, rejuvenesce.
Portanto, tudo que a pessoa experimenta de novo a mantém fluindo com suavidade. Fluir no tempo com suavidade é juventude interior, e o interior reflete no exterior. Quando alguém morre e vai para o astral num bagaço, por causa da vida que teve, chegando lá com lucidez, melhora. A transformação que a morte produz é sempre uma experiência que ajuda muito a se renovar. Por que?
Porque tem que largar tudo, tem que repensar uma série de dúvidas,porque a vida continua. Então, a pessoa vai se renovando, senão o espírito vai se apagando. Dessa forma, a gente sente que o melhor é fluir com as mudanças.
Por outro lado, aquela pessoa que fica encalhada vai se cansando, vai se deformando, envelhecendo e perdendo a aparência jovem. O povo, em geral, não gosta do novo. Gosta de novidade que não mexa com ela, porque distrai,mas mudar sua rotina, não.
Só se dá bem na vida quem segue o exemplo dela, qual seja, a constante renovação, a constante transformação, a apreciação do novo, pois a vida abomina a mesmice, e quem não estiver de acordo com ela está contra ela. A mesmice é amiga da indiferença, que anula os contrastes, e sem contrastes não há consciência, não há vida.
Sobre o arrependimento de ter feito (ou não) algo no passado: Tudo se transforma no universo. Não há nada estático, mas as pessoas insistem em segurar um passado que já virou ilusão, o qual as impede de progredir na vida, porque aquilo fica lá tomando espaço para o novo se estabelecer. Não há como voltar ao passado para refazer o que foi feito. Então, o jeito é largar o passado pra lá, mesmo porque, segundo a lei da perfeição, tudo que foi feito foi perfeito.
Sobre preocupação com o futuro: Preocupar-se com o futuro faz tão mal quanto ficar ligado no passado. O espaço no subconsciente que a pessoa precisa para plantar o novo e edificar um bom presente, e assim ter um futuro melhor, é tomado por essas crenças ilusórias de que o futuro precisa ser garantido hoje. A pessoa que vive no futuro, prejudica o seu presente. Nada é garantido pela sua mente. Não são os pais que vão garantir o futuro dos filhos. Os filhos terão o futuro deles de acordo com as crenças e escolhas deles.
Tudo muda, tudo se transforma, porque o arbítrio, as escolhas mudam a todo instante e são elas que vão moldar o futuro. A atitude tem que ser exatamente o contrário, se a pessoa quiser ter um futuro melhor que o presente. É viver no aqui e agora, sentir o presente e não se pré-ocupar. Desta forma, o presente fica bom e o futuro também fica bom. É preciso deixar o futuro nas mãos do espírito e confiar, porque o espírito, esse sim, garante tudo, já que ele tem todas as respostas e todas as soluções.
Sobre não gostar de mudanças e o novo trazer insegurança: A pessoa que tem esse tipo de atitude, que no fundo é uma crença muito negativa, não tem o direito de esperar nada de bom da vida. É uma adepta da mesmice, do conformismo. Essa sensação de segurança é totalmente falsa, ilusória. Ela não sabe, mas já está desistindo de viver.
A visita do tédio não demora, depois vem o sentimento de inutilidade, em seguida a depressão, e vai precisar compensar isso com psicotrópicos. Ela fica de frente contra a lei da transformação, em que nada é estático, tudo muda, tudo se transforma e o novo sempre vem. Essa pessoa é uma verdadeira estátua.
A vida só segue aquilo que a gente manda. Só se sente seguro quem se adapta ao novo, às mudanças (aprender a usar um computador, por exemplo), porque o espírito é um eterno insatisfeito. Ele sempre quer o melhor do melhor do melhor. E para melhorar é preciso mudar.
Sobre a pessoa apegada às coisas, aos filhos, à família: Quando tomamos consciência de que nada é estático, de que tudo muda e se transforma, de que tudo é único, não vamos mais nos segurar em nada, nem em ninguém.
No entanto, as pessoas têm um conceito equivocado sobre o desapego. Desapego não é dispor de bens materiais, dispor de companhias agradáveis, de coisas prazerosas da vida, do conforto. Aliás, ter tudo isso é um sinal de prosperidade.
Desapego é não se prender a idéias, a nada, a ninguém. Quem se apega fica parada, presa e não progride em nenhuma área da vida, já que tudo muda. Desapego é a faculdade de não se prender às ideias. O pensamento vive de ideias e imagens. O ser humano não é uma ideia e nem uma imagem.
Desapego não tem nada a ver com a posse e o manejo de bens materiais. Sem dúvida, é preciso ter bom senso para lidar com as posses para que elas não dominem a gente.
Não é o fato de ter posses que caracteriza o apego, mas o fato de estar presa ao mental da coletividade, o mental inferior, onde ressoam muitas crenças de pessoas, segundo as quais a materialidade é tudo, desconsiderando a existência do espiritual.
O apego se caracteriza pela submissão da pessoa à mente coletiva, como a que cultiva idéias como: "só o que conta é o material; sou mulher, portanto posso isso, não posso aquilo; isso é imoral, aquilo não; sou pai, por isso devo proceder assim; sou casado, por isso não posso isso, aquilo".
Tudo são ideias, pensamentos. Se perguntarem às pessoas quem elas são, vão dizer um monte de pensamentos a respeito delas mesmas: "Sou isso porque faço isso, nasci em tal família, estudei aquilo, trabalho lá, tenho tal religião". Acham que têm um elo com o que fazem, com o que foram, com a família, com o trabalho, mas é tudo ilusão.
Marcadores: desapego, espírito, futuro, leis, mente, movimento, passado, presente, saudade, transformação
Marcadores: apego, desapego, espírito, futuro, leis, mente, movimento, passado, presente, saudade, transformação
terça-feira, abril 16, 2024
As Leis da Vida - 2
Fonte: Luiz Gasparetto e Lúcio Morigi, Calunga revela As Leis da Vida, Gráfica Vida e Consciência, 2015. ISBN: 978-85-7722-443-2
2. Lei da Transformação: TUDO MUDA
Nada é estático no universo. Nada é constante no universo. A única coisa constante é a Lei. Tudo se transforma, tudo está em movimento, tudo é sempre novo. Quer você queira quer não, tudo vai mudar na sua vida, seja o momento bom ou seja ele ruim. Tudo é momentâneo, tudo é circunstancial.
Se tudo é único e tudo muda, o que passou passou. Sinto muito, mas aquele momento maravilhoso que você teve foi único e não vai se repetir. Aquele sofrimento não vai mais acontecer daquela forma. Poderá ser semelhante, se você não mudar suas crenças e atitudes, mas não será igual.
O que isso quer dizer? Que o novo sempre vem, que o passado já era, que o passado virou ilusão. Por isso o lamento faz tão mal. Quem canta seus males espanta e quem lamenta seus males aumenta.
E por essa razão a saudade é tão prejudicial. Ter uma boa lembrança de momentos da infância ou da juventude, beleza. Você se sente bem, conta para os outros e até ri.
Mas ficar sofrendo de saudade? Ficar se lamentando daquilo que ocorreu? Sabe aquela pessoa que adora contar um drama por que passou? Quem gosta de ficar enaltecendo o passado está preso lá. E quem está preso não vai pra frente. Assim, o presente, que é real, onde podemos realmente transformar, construir algo positivo, é anulado, e o futuro, que depende do presente, estará comprometido.
Tudo muda. Você já não é mais o mesmo de um minuto atrás. O universo todo é só movimento. Se tudo muda, a memória é apenas uma ilusão. O que você guardou de ruim ou de bom da infância não conta mais nada, a não ser que você fique alimentando aquilo com o lamento, aí conta para o pior. Você guardou o fato com a cabeça que tinha na ocasião, nas circunstâncias que havia na época.
Hoje, porém, a sua cabeça é outra, as circunstâncias são outras e nada daquilo existe mais, a não ser na sua memória, como um arquivo de computador, tomando o espaço destinado a novos projetos. Mande tudo isso para a lixeira e delete também o que estiver na lixeira. Esvazie a memória para dar lugar ao novo.
Você quer guardar alguma coisa do passado? Então, guarde só as fotografias, que é para de vez em quando você se reunir com as amigas e morrer de rir das roupas, dos cabelos, de como você era magra.
A cabeça que você tinha no passado era para ser exatamente aquela que foi. Tudo o que você fez ou deixou de fazer foi perfeito. Você fez o que sabia. Não era para ser diferente. Então, é insensatez ficar se lamentando, pois, por se tratar de uma ilusão, perjudica o presente e, consequentemente, seu avanço.
Há um motivo para você querer repetir. É para se sentir segura. Quando se conhece o terreno em que se está pisando, há mais segurança. Na verdade é uma falsa segurança, porque o terreno não é mais o mesmo, já mudou. Então, você vai repetir e vai se dar mal porque vem a desilusão.
Perceba a grande variabilidade, a grande diversidade da vida, e você quer repetir? Não quer mudar? Tem gente que muda para melhorar e tem gente que não muda para não piorar. A situação não está boa, mas é melhor não mexer porque pode piorar. Em qual dos casos você se encaixa? O acomodado, o avesso a mudanças, sempre vai ter uma vida medíocre.
Outra grande ilusão é querer planejar o futuro. Isso é tão ilusório quanto viver do passado. Hoje você tem uma cabeça, no próximo mês ela não será mais a mesma.
Quando percebemos que tudo é único, que tudo muda, não vamos mais nos segurar em nada nem em ninguém. Desapego não é dispor de bens materiais. Desapego é não se prender a ideias, a nada, a ninguém. Quem se apega fica parado, presa e não progride em nenhuma área da vida.
Desapego é a faculdade de não se prender às ideias, não tem nada a ver com a utilização de bens materiais. Sem dúvida, é preciso ter bom senso para lidar com as posses materiais para que elas não o dominem. Porém, não é o fato de ter posses que caracteriza o apego, mas o fato de estar preso ao mental da coletividade, ao mental inferior, onde ressoam muitas crenças de pessoas segundo as quais a materialidade é tudo, desconsiderando a existência do espiritual.
Desapego é a faculdade de mudar a frequência do aparelho mental, do mental inferior para o Mental Superior. A alegria é a boa sintonia da frequência da Alma. O desânimo e a tristeza são decorrentes de pensamentos e ideias características do mental inferior, onde abundam as ilusões.
Apegada é a pessoa que está dominada pelo senso comum, pela mente coletiva, pelo mental inferior, como por exemplo a que cultiva as seguintes ideias: só o que conta é o material; sou mulher, portanto posso isso, não posso aquilo; isso é imoral, aquilo não; sou pai, por isso devo proceder assim; sou casado, por isso não posso isso, aquilo; sou empresário, por isso tenho que me comportar assim, assim; sou religioso, por isso devo e não devo fazer isso, aquilo.
Quando você estiver num momento bom, curta aquilo intensamente, porque vai mudar. Quando estiver passando por um momento ruim, relaxe, porque aquilo também vai mudar. Logo, querer controlar é pura falta de bom senso, pois como é possível controlar algo que, com certeza, vai mudar?
Então largue, relaxe. Largue o passado para não sofrer de angústia. Largue o futuro para não ter ansiedade. Tudo isso interfere negativamente no presente e atrapalha o processo de materialização daquilo que você tanto deseja. O passado é coisa da mente que atrapalha o espírito a agir.
O espírito só entra em ação no processo de materialização quando a mente não interfere. Espírito e mente não ocupam o mesmo espaço. Os dois não se misturam. Ou é um ou é outro. O espírito sempre obedece. Como ele é sutil, sempre cede espaço para algo mais denso. Dessa forma, largue, ceda, não resista, para que seu espírito possa agir.
Se tudo se transforma, se tudo muda, qual a razão de você se apegar a alguém, a algo, aos fatos, às ideias? Não faz nenhum sentido, não é mesmo? Apego é só uma ilusão na sua fantasia. É querer tornar sua uma coisa que não é. Você não tem nada, senão aquilo que está dentro de você.
Quando a gente gosta de alguém ou de algo, é a alma de verdade gostando desse alguém ou de alguma coisa. A alma sente um fenômeno de identificação. Eu sou a coisa e a coisa sou eu, de tão familiar que é o sentimento de gostar, o sentimento do amor. É tão familiar que a alma acha que é essa coisa.
Então, ela sente que tem ou faz todo o esforço para ter, mas como não tem, como isso não é possível, porque tudo passa, tudo é independente, a gente tem sempre uma grande desilusão. Desse modo, não confunda o sentimento de empatia com o objeto ou a pessoa amada, com posse. Você só tem o sentimento, a empatia. Você não pode nem nunca poderá ter nada.
Todas as coisas materiais que você usufrui são temporárias, porque tudo se decompõe, tudo se transforma, ainda mais com a aceleração da tecnologia. Na hora está aqui, tem seu valor e você usufrui. Você tem um aparelho que toca música. Você tem o uso dele até o dia em que o aparelho não for mais utilizável. Aí acabou. Só fica o resto do sabor, e este também acaba.
O que fica? Ficam as transformações que o sabor lhe fez. Você ficou mais suave por causa da música, você desenvolveu sensibilidade, desenvolveu aspectos do seu espírito. Há um acréscimo de habilidades. Essas habilidades você tem. Como as desenvolveu, não tem nem mesmo memória, pois ela fica corrompida e perdida, porque tudo passa. A consciência só tem consistência no aqui e agora, depois ela dissolve, deixando o espaço para o novo (para evitar cristalizar conceitos errados?). Nunca mais seremos os mesmos. Não há jeito de voltar, de segurar.
Ninguém é filho de ninguém, e ninguém é de ninguém. Tudo é passageiro e circunstancial. Todos somos apenas companheiros de jornada. Tudo muda e você quer continuar segurando. Porém, tem um lado bom disso tudo: seja qual for a sua dor, saiba que ela vai acabar, que ela vai se transformar.
"Ah, mas pode ficar pior". Geralmente, não! Geralmente vai ficar melhor. Quando a função disciplinar da dor acaba, transforma você, então ela deixa de existir. As coisas boas também. Elas fazem as coisas que precisam fazer em você e somem. Aquela alegria, o amor por alguém vão embora, porque você se enjoa daquilo, pois a mesmice deixa tudo muito igual. Somem pelo fato de não haver mais diferenças, contrastes.
A lei é o agora. Quanto mais sua mente estrutura seu funcionamento dentro da lei, mais sábio você se torna, mais poderoso, mais firme e mais forte para fazer o que você quer. Essa é a evolução. Quanto mais desapegado você for, mais amoroso, mais generoso você se torna. Amor é uma coisa de dentro para fora. Você gosta por gostar, porque o gostar já está na sua alma. É espntâneo. O gostar não depende de nada exterior a você. "Ai, eu gosto de gostar!"
Ao se prender aos fatos, às pessoas, às ideias, você está impedindo seu espírito de realizar aquilo que você quer. Você sai da lei do destino, qual seja, que há um propósito divino em cada um, pleno de realizações. Então, deixe ir, deixe passar. Aquelas circunstâncias não exitem mais. São tão-somente uma interpretação sua.
A realidade está fluindo de acordo com as pessoas e as crenças delas, nas pessoas em grupos afinizados, como na família (daí as "doenças hereditárias"...), numa cidade, num país. As afinidades constroem uma realidade que faz as pessoas se unirem a ela desta ou daquela maneira.
Na Terra, em que todo mundo é fruto do coletivo, poucos são os que têm força de ser originais, de ser si mesmos. O mundo é dos fortes. Forte não é aquele que sabe dar porrada. Forte é aquele que tem capacidade de bancar e tem firmeza. Quem é assim escreve seu destino.
Toda transformação ocorre em ciclos. Como tudo é periódico, os ciclos são evolutivos, como se fossem ciclos superpostos que não se encontram, como numa espiral. A transformação é que gera os ciclos. Ela impulsiona para as desigualdades. Por isso o clima mudou. O ciclo é outro. Vai mudar, nunca vai se repetir. Esse ciclo parece que é igual, mas nunca é, é só semelhante.
As transformações seguem. Você está se transformando. Por isso, se você quer que as transformações fluam com graça, com leveza, com prazer, e que se desenvolvam, não tente mudar. Quando você tenta mudar, você atrapalha o fluxo natural. Tudo que é forçado emperra. As mudanças vêm naturalmente.
Se, por um lado, a diferença pode prevalecer, por outro, nossa tentativa é de permanecer. A gente quer permanecer para se sentir segura. A gente não quer que nada mude para ficar segura, mas é uma falsa segurança. Segurança verdadeira é caminhar com as mudanças.
Quer ficar segura? Caminhe com as mudanças. Jamais se prenda a nada, jamais fique demais com uma ideia, jamais fique demais com uma pessoa, a não ser que esteja ganhando. Varie. Você pode gostar e viver com certa frequência, mas varie. Flua com os instintos. Flua com o novo. Quanto mais você permitir ver tudo novo, mais você vai fluir com suavidade nas transformações. Isso significa juventude.
A juventude pode estar num idoso, naquele que tem disposição, um mecanismo físico em ordem, uma saúde que não precisa de cuidados médicos. Esse tipo de indivíduo, embora tenha sofrido as transformações normais da matéria, sofreu-as com suavidade.
Há idoso com 90, 100, 105 anos que continuam fumando e permanecem inteiraços. O que é isso? É a juventude. O conceito verdadeiro de juventude é a capacidade de se transformar, de seguir as transformações com tal abertura e leveza, que se renova constantemente.
O que falta nesses idosos que estão doentes é motivação, é dança, é ação, é alegria, é interesse, é largar o que acreditaram e começar a aprender tudo de novo. Uma nova paixão é extraordinária, um novo interesse, nem que seja pelos gatos, rejuvenesce.
Portanto, tudo que a pessoa experimenta de novo a mantém fluindo com suavidade. Fluir no tempo com suavidade é juventude interior, e o interior reflete no exterior. Quando alguém morre e vai para o astral num bagaço, por causa da vida que teve, chegando lá com lucidez, melhora. A transformação que a morte produz é sempre uma experiência que ajuda muito a se renovar. Por que?
Porque tem que largar tudo, tem que repensar uma série de dúvidas,porque a vida continua. Então, a pessoa vai se renovando, senão o espírito vai se apagando. Dessa forma, a gente sente que o melhor é fluir com as mudanças.
Por outro lado, aquela pessoa que fica encalhada vai se cansando, vai se deformando, envelhecendo e perdendo a aparência jovem. O povo, em geral, não gosta do novo. Gosta de novidade que não mexa com ela, porque distrai,mas mudar sua rotina, não.
Só se dá bem na vida quem segue o exemplo dela, qual seja, a constante renovação, a constante transformação, a apreciação do novo, pois a vida abomina a mesmice, e quem não estiver de acordo com ela está contra ela. A mesmice é amiga da indiferença, que anula os contrastes, e sem contrastes não há consciência, não há vida.
Sobre o arrependimento de ter feito (ou não) algo no passado: Tudo se transforma no universo. Não há nada estático, mas as pessoas insistem em segurar um passado que já virou ilusão, o qual as impede de progredir na vida, porque aquilo fica lá tomando espaço para o novo se estabelecer. Não há como voltar ao passado para refazer o que foi feito. Então, o jeito é largar o passado pra lá, mesmo porque, segundo a lei da perfeição, tudo que foi feito foi perfeito.
Sobre preocupação com o futuro: Preocupar-se com o futuro faz tão mal quanto ficar ligado no passado. O espaço no subconsciente que a pessoa precisa para plantar o novo e edificar um bom presente, e assim ter um futuro melhor, é tomado por essas crenças ilusórias de que o futuro precisa ser garantido hoje. A pessoa que vive no futuro, prejudica o seu presente. Nada é garantido pela sua mente. Não são os pais que vão garantir o futuro dos filhos. Os filhos terão o futuro deles de acordo com as crenças e escolhas deles.
Tudo muda, tudo se transforma, porque o arbítrio, as escolhas mudam a todo instante e são elas que vão moldar o futuro. A atitude tem que ser exatamente o contrário, se a pessoa quiser ter um futuro melhor que o presente. É viver no aqui e agora, sentir o presente e não se pré-ocupar. Desta forma, o presente fica bom e o futuro também fica bom. É preciso deixar o futuro nas mãos do espírito e confiar, porque o espírito, esse sim, garante tudo, já que ele tem todas as respostas e todas as soluções.
Sobre não gostar de mudanças e o novo trazer insegurança: A pessoa que tem esse tipo de atitude, que no fundo é uma crença muito negativa, não tem o direito de esperar nada de bom da vida. É uma adepta da mesmice, do conformismo. Essa sensação de segurança é totalmente falsa, ilusória. Ela não sabe, mas já está desistindo de viver.
A visita do tédio não demora, depois vem o sentimento de inutilidade, em seguida a depressão, e vai precisar compensar isso com psicotrópicos. Ela fica de frente contra a lei da transformação, em que nada é estático, tudo muda, tudo se transforma e o novo sempre vem. Essa pessoa é uma verdadeira estátua.
A vida só segue aquilo que a gente manda. Só se sente seguro quem se adapta ao novo, às mudanças (aprender a usar um computador, por exemplo), porque o espírito é um eterno insatisfeito. Ele sempre quer o melhor do melhor do melhor. E para melhorar é preciso mudar.
Sobre a pessoa apegada às coisas, aos filhos, à família: Quando tomamos consciência de que nada é estático, de que tudo muda e se transforma, de que tudo é único, não vamos mais nos segurar em nada, nem em ninguém.
No entanto, as pessoas têm um conceito equivocado sobre o desapego. Desapego não é dispor de bens materiais, dispor de companhias agradáveis, de coisas prazerosas da vida, do conforto. Aliás, ter tudo isso é um sinal de prosperidade.
Desapego é não se prender a idéias, a nada, a ninguém. Quem se apega fica parada, presa e não progride em nenhuma área da vida, já que tudo muda. Desapego é a faculdade de não se prender às ideias. O pensamento vive de ideias e imagens. O ser humano não é uma ideia e nem uma imagem.
Desapego não tem nada a ver com a posse e o manejo de bens materiais. Sem dúvida, é preciso ter bom senso para lidar com as posses para que elas não dominem a gente.
Não é o fato de ter posses que caracteriza o apego, mas o fato de estar presa ao mental da coletividade, o mental inferior, onde ressoam muitas crenças de pessoas, segundo as quais a materialidade é tudo, desconsiderando a existência do espiritual.
O apego se caracteriza pela submissão da pessoa à mente coletiva, como a que cultiva idéias como: "só o que conta é o material; sou mulher, portanto posso isso, não posso aquilo; isso é imoral, aquilo não; sou pai, por isso devo proceder assim; sou casado, por isso não posso isso, aquilo".
Tudo são ideias, pensamentos. Se perguntarem às pessoas quem elas são, vão dizer um monte de pensamentos a respeito delas mesmas: "Sou isso porque faço isso, nasci em tal família, estudei aquilo, trabalho lá, tenho tal religião". Acham que têm um elo com o que fazem, com o que foram, com a família, com o trabalho, mas é tudo ilusão.
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