quinta-feira, agosto 15, 2024
Mente, Psicanálise e Meditação
No Ocidente, a psicanálise surgiu e se desenvolveu graças a Freud, Adler, Jung e Wilhelm Reich, para solucionar problemas oriundos da mente, como as frustações, os conflitos, a esquizofrenia e a loucura. Fazendo uma comparação com as técnicas de meditação, você poderia explicar as contribuições, limitações e deficiências do sistema de psicanálise com relação aos problemas humanos enraizados na mente?
Osho: Primeiro é preciso entender que nenhum problema enraizado na mente pode ser solucionado sem que se transcenda a mente. Você pode postergar o problema, pode devolver à pessoa uma certa normalidade, pode diluir o problema, mas não pode solucioná-lo. Você pode fazer com que a pessoa viva melhor em sociedade por meio da psicanálise, mas a psicanálise nunca resolve o problema. E sempre que um problema é postergado, é desviado, ele cria outro problema. Ele simplesmente muda de lugar, mas não desaparece. Ele irromperá novamente mais cedo ou mais tarde, e cada vez que isso acontece ficará mais difícil postergá-lo ou se desviar dele.
A psicanálise é um alívio temporário, porque ela é incapaz de conceber qualquer coisa que transcenda a mente. Um problema só pode ser resolvido quando você vai além dele. Se você não pode ir além dele, então você é o problema; ele não é algo que está separado de você.
A Ioga, o Tantra e todas as técnicas de meditação se baseiam numa premissa diferente. Eles dizem que os problemas estão do lado de fora, estão em torno de você, você nunca é o problema. Você pode transcendê-los; você pode olhar para eles como um observador olha para um vale, do alto de uma montanha. Este "eu testemunha" pode solucionar o problema. Na verdade, só testemunhar o problema já é quase o suficiente para resolvê-lo, pois, quando você testemunha um problema - quando você consegue observá-lo imparcialmente, quando não se vê envolvido por ele -, você é capaz de dar um passo para trás e olhar melhor para ele. A própria clareza que advém do testemunho dá a você uma indicação, uma chave secreta. E quase todos os problemas se originam da falta de clareza para entendê-los. Você não precisa de soluções, você precisa de clareza.
O problema entendido da maneira correta se resolve naturalmente, pois ele surge por meio da mente que não compreende. Você cria o problema porque você não compreende. Portanto, o básico não é solucionar o problema; o básico é criar mais entendimento. Com mais compreensão, com mais clareza, o problema pode ser encarado com mais imparcialidade - observando como se ele não pertencesse a você e, sim, a outra pessoa. O problema só será resolvido quando você conseguir criar uma distância entre você e o problema.
A meditação cria uma certa distância, dá a você uma perspectiva. Você vai além do problema. O seu nível de consciência muda. Com a psicanálise você continua no mesmo nível. O seu nível nunca muda; você volta a se ajustar ao mesmo nível. A sua percepção, a sua consciência, a sua capacidade de testemunhar não mudam. Quando você entra em meditação (sintonia com o divino), você voa cada vez mais alto. Você consegue olhar os problemas de um nível mais alto. Os problemas agora estão no vale e você, no alto de uma montanha. Dessa perspectiva, dessa elevação, todos os problemas parecem diferentes. E quanto maior é essa distância, mais capaz você é de observá-los como se não lhe pertencessem.
Lembre-se de uma coisa: quando um problema não lhe pertence, você consegue dar bons conselhos sobre como resolvê-lo. Quando o problema pertence a outra pessoa, quando alguém mais está em dificuldade, você sempre consegue demonstrar sabedoria. Você consegue dar bons conselhos; mas se o problema lhe pertence, você fica simplesmente sem saber o que fazer. O que acontece? O problema é o mesmo, mas você não está envolvido. Quando se trata do problema de outra pessoa, existe um certo distanciamento que lhe permite encará-lo com imparcialidade. Todo mundo é bom conselheiro quando o problema é dos outros, mas, quando o problema é seu, toda sabedoria se perde porque não há distanciamento.
Alguém morreu e a família está angustiada: você consegue dar bons conselhos. Consegue dizer que a alma é imortal, que ninguém morre de fato, que a vida é eterna. Mas, quando morre alguém que você ama, que significa muito para você, alguém próximo, íntimo, você se debulha em lágrimas. Você não consegue ser um bom conselheiro para si mesmo - dizer que a vida é imortal e ninguém morre. Isso fica parecendo absurdo.
Portanto, lembre-se, quando você está aconselhando os outros, você pode parecer um bobalhão. Se disser a alguém, que acabou de perder um ente querido que a vida é eterna, essa pessoa vai pensar que você é um idiota. Para ela você está dizendo bobagem. Ela sabe o quanto é duro perder um ser amado. Nenhuma filosofia vai lhe dar consolo. E ela sabe por que você está dizendo isso - porque o problema não é seu. Você pode bancar o sábio, mas ela não pode.
Por meio da meditação, você transcende o seu ser ordinário. Surge em você um novo platô, de onde você pode olhar as coisas de uma maneira nova. Cria-se uma distância. Os problemas continuam a existir, mas eles estão muito longe agora, como se acontecessem a outra pessoa. Agora você pode dar bons conselhos a si mesmo, embora isso nem seja necessário. A própria distância já faz com que você fique mais sábio.
Portanto, toda a técnica da meditação consiste em criar uma distância entre os problemas e você. Neste momento, do jeito quoe está, você está tão enredado nos seus problemas que você não consegue pensar, não consegue contemplar, não consegue exergar através deles e nem testemunhá-los.
A psicanálise só propicia um reajustamento. Ela não é uma transformação; esse é um ponto importante. Outro ponto: com a psicanálise, você fica dependente. Precisa de um especialista e esse especialista fará tudo. Ela durará três anos, quatro anos ou até cinco anos, se o problema for muito profundo, e você se tornará apenas um dependente - não estará crescendo. Pelo contrário, você estará se tornando cada vez mais dependente. Precisará dessa psicanálise todo dia, ou duas vezes por semana, ou três vezes por semana. Se perder uma sessão, você ficará perdido. Se interromper o tratamento, você ficará perdido. Ele se torna intoxicante, torna-se alcoólico. Você começa a depender de uma outra pessoa - alguém que é especialista. Você pode contar a essa pessoa o seu problema e ela o resolverá. Vocês discutirão a respeito e ela trará à tona as raízes inconscientes. Mas a outra pessoa fará tudo; a solução será dada por outra pessoa.
Lembre-se, um problema resolvido por outra pessoa não irá lhe proporcionar mais maturidade. Um problema resolvido por outra pessoa pode dar a ela mais maturidade, mas não a você. Você pode ficar mais imaturo ainda; depois disso, sempre que você tiver um problema, você vai precisar do conselho de um especialista, de um profissional. E eu acho que os seus problemas não trazem maturidade nem para os psicanalistas, porque eles fazem psicanálise com outros psicanalistas. Eles têm os seus próprios problemas não resolvidos. Eles solucionam os problemas de você, mas eles não conseguem resolver os próprios problemas. Mais uma vez, é uma questão de distanciamento.
Todo psicanalista procura outra pessoa para resolver os seus próprios problemas. Ele é como qualquer outro profissional de saúde. Se o próprio médico fica doente, ele não consegue se autodiagnosticar. A doença está tão próxima que ele fica com medo de errar e procura outra pessoa. Se você é cirurgião, você não pode operar o seu próprio corpo - ou pode? Não há distância. Não é fácil operar o próprio corpo. Mas também não é fácil ver a sua esposa muito doente, precisando passar por uma cirurgia delicada - você não pode operá-la porque a sua mão irá tremer. A intimidade é tão grande que você ficaria aterrorizado; não seria um bom cirurgião neste caso. Você teria que pedir a outra pessoa que operasse a sua mulher.
Por que isso acontece? Você é um bom cirurgião, já fez muitas cirurgias. Mas não pode operar nem a sua mulher e nem o seu filho, pois a distância não é grande o suficiente - é como se não houvesse distância nenhuma, e sem essa distância é impossível ser imparcial para resolver o problema. Por isso o psicanalista pode ajudar outras pessoas, mas precisa procurar ajuda, precisa de outro psicanalista, quando está com seus próprios problemas.
É estranho pensar que até uma pessoa como Wilhelm Reich tenha enlouquecido no fim da vida. Não dá para pensar em Gautama Buda ficando louco - acha que dá? Se alguém como Buda pudesse enlouquecer, então não haveria como escaparmos desse sofrimento. É inconcebíver pensar em Buda ficando louco.
Veja a vida de Sigmund Freud. Ele é o pai e fundador da psicanálise; estudou profundamente os problemas. Mas, no que diz respeito a ele próprio, nem um único problema foi solucionado. Nem um único problema foi solucionado! O medo era um problema para ele, assim como é para todo mundo. Ele tinha muito medo e estava sempre nervoso. A raiva também era um problema para ele, assim como é para qualquer pessoa. Os seus acessos de raiva eram tão fortes que ele chegava a ter síncopes. Esse homem sabia muito sobre a mente humana, mas, quando se tratava dele próprio, esse conhecimento parecia inútil.
Jung também saía de si quando estava muito preocupado; ele costumava ter ataques. Qual era o problema? A distância é sempre o problema. Eles viviam pensando em problemas, mas não tinham ampliado a sua consciência. Eles pensavam de modo intelectual, racional, lógico, e chegavam a uma conclusão.Às vezes essas conclusões podiam estar corretas, mas não é esse o ponto. Eles não cresceram do ponto de vista da consciência, não transcenderam em nenhum sentido. E, a menos que você transcenda, os problemas não podem ser resolvidos; eles só podem ser ajustados.
Freud disse, nos últimos dias da sua vida, que o homem é incurável. Segundo ele, podemos esperar, no máximo, que ele seja um ser ajustado; não nos resta outra esperança. Isso é o máximo! O homem não pode ser feliz, ele disse. Podemos, na melhor das hipóteses, dar um jeito para que ele não seja tão infeliz. Isso é tudo. Que tipo de solução pode resultar de uma atitude dessas? E ele disse isso depois de quarenta anos de experiência com seres humanos! Concluiu que não há nada que se possa fazer pelo ser humano, que somos infelizes por natureza e permaneceremos sempre nessa condição.
Do ponto de vista da meditação, não é o ser humano que é incurável; é a nossa consciência pequeníssima que cria todos os problemas. Expanda a consciência, aumente a consciência e os problemas irão diminuir. Eles existem na mesma proporção: se existir pouca consciência haverá muitos problemas; e se existir muita consciência, haverá poucos problemas. Com consciência total, os problemas simplesmente desaparecem, como o sol nasce pela manhã e seca as gotas de orvalho. Com consciência total, não existem problemas, pois eles nem sequer aparecem. A psicanálise pode, no máximo, ser uma cura, mas os problemas vão continuar surgindo, pois ela não é profilática.
[continua]
Fonte consultada: Osho, O Livro da sua Vida - Crie o seu próprio caminho para a liberdade, Editora Pensamento-Cultrix, 2019. ISBN: 978-85-316-0975-6
Marcadores: meditação, mente, Osho, psicanálise
quinta-feira, maio 23, 2024
Os Sonhos
Deus nos fez para sermos alegres e felizes. Se não estamos permanentemente nesta condição, é porque estamos usando inadequadamente o presente que Ele nos deu, o livre arbítrio. Se fizermos uma auto-análise rigorosa poderemos idenficar nossos hábitos que estão nos afastando da alegria e da felicidade. O problema com a auto-análise é que ela sempre é feita com a contaminação das nossas crenças enraizadas, nossos preconceitos, que acaba distorcendo a análise. A psicoanálise freudiana procura investigar esta área através da interpretação dos sonhos. Para a pessoa comum esta via é bastante complicada. Porém, o ditado esotérico "Assim fora, como dentro" pode nos auxiliar em nossa auto-avaliação.
Diariamente, nossa essência passeia entre dois mundos: durante nosso período de vigília, vivemos na fisicalidade (3D), nosso mundo "de dentro", e, durante nosso período de sono, vamos passear no mundo astral (4D), nosso mundo "de fora". É comum retermos algumas lembranças (amostras) de nossos passeios astrais através do que nós chamamos "sonhos". Agora, se lançarmos mão do "Assim fora, como dentro", se nossos sonhos não são lindos, coloridos, alegres e felizes (lá fora), isso significa que nossa vida encarnada (aqui dentro) não anda nada boa: está na hora de proceder a uma auto-análise honesta para melhorar a nossa saúde física e mental.
Marcadores: auto-crítica, fisicalidade, Freud, mundo astral, psicanálise, saúde, sonhos, sono
quarta-feira, setembro 27, 2023
Como resolver problemas do ego
A primeira coisa a ser entendida é que nenhum problema enraizado no ego pode ser solucionado sem que se transcenda o ego. Pode-se protelar o problema, pode-se conceder um pouco de normalidade, pode-se criar um pouco de normalidade em relação a ele, pode-se diluir o problema, mas não se pode solucioná-lo. Pode-se fazer com que o homem funcione de forma mais eficiente na sociedade através da psicanálise, mas ela nunca dá solução a um problema. E sempre que um problema é protelado, alterado, cria um outro problema. Ele simplesmente muda de lugar, mas permanece presente. Uma nova erupção virá, mais cedo ou mais tarde, e quando a nova erupção do velho problema ocorrer, será mais difícil protelá-lo e alterá-lo.
A psicanálise é um alívio temporário, porque ela não pode conceber nada que transcenda o ego. Um problema pode ser solucionado somente quando a pessoa pode ir além dele. Se ele não puder ir além dele, então, ela é o problema. Nesse caso, quem vai solucioná-lo? Como alguém poderá solucioná-lo? Portanto, a pessoa é o problema, ou seja, o problema não é algo separado dela.
Yoga, tantra e todas as técnicas de meditação baseiam-se em um fundamento diferente. Dizem que os problemas estão presentes, que os problemas estão em torno da pessoa, mas que a pessoa nunca é o problema. A pessoa pode transcendê-los, pode olhar para eles como um observador que olha de cima da colina para o vale embaixo.
Esse ser que observa a si mesmo pode ser uma solução para o problema. Realmente, apenas testemunhar um problema já é metade da solução, pois quando a pessoa pode testemunhar um problema, quando pode observá-lo de forma imparcial, quando não está envolvida nele, ela pode estar ao lado e olhar para o problema. A própria clareza que vem desse testemunho lhe dá a pista, a chave secreta. E quase todos os problemas estão lá, porque não há uma forma clara pra compreendê-los.
Soluções não são necessárias. O que se necessita é clareza.
Um problema devidamente compreendido está resolvido, porque um problema surge através de uma mente que não compreende.
Você cria o problema porque não o compreende. Então, a questão não é solucionar o problema, a questão é criar maior compreensão. E se houver maior compreensão e maior clareza, e o problema puder ser enfrentado de forma imparcial, observado como se não pertencesse a você, como se pertencesse a outra pessoa, se você puder criar uma distância entre o problema e você - somente então o problema poderá ser resolvido.
A meditação cria uma distância, dá à pessoa uma perspectiva. Ela vai além do problema. O nível de consciência muda.
Através da psicanálise a pessoa permanece no mesmo nível. O nível nunca muda, a pessoa está ajustada no mesmo nível novamente. Sua percepção, sua consciência, sua capacidade de testemunhar não mudam. À medida que entra na meditação, ela se desloca cada vez mais alto. E pode olhar de cima para seus problemas. Eles agora estão no vale, e a pessoa se deslocou para uma colina. A partir dessa perspectiva, dessa altura, todos os problemas parecem diferentes. E quanto mais a distância cresce, mais a pessoa se torna capaz de observá-los, como se eles não lhe pertencessem.
É bom lembrar que quando um problema não lhe pertence, você sempre pode dar conselhos de como resolvê-lo. Quando o problema pertence a outra pessoa, quando é o outro que está com dificuldade, você é sempre sábio, e pode dar conselhos muito bons. No entanto, se o problema pertence a você mesmo, você simplesmente não sabe o que fazer. O que aconteceu? O problema é o mesmo, mas agora é você que está envolvido nele. Quando se tratava de um problema de outra pessoa, você tinha uma distância a partir da qual podia olhar para o problema de forma imparcial. Todo mundo é bom conselheiro para os outros, mas quando acontece consigo mesmo, toda a sabedoria é perdida em função da perda do distanciamento.
Alguém morreu e a família encontra-se angustiada: uma pessoa que não é da família pode dar bons conselhos. Pode dizer que a alma é imortal, pode dizer que nada morre e que a vida é eterna. No entanto, quando morre alguém que essa pessoa ama, que significa algo para ela, que era próxima, íntima, ela bate no peito sem parar de chorar. Agora ela não consegue dar o mesmo conselho para si, ou seja, que a vida é imortal e que ninguém nunca morre. Agora isso parece absurdo.
Portanto, é bom que as pessoas lembrem que elas podem fazer papel de bobas quando estiverem aconselhando os outros. Quando uma pessoa diz a alguém cujo ente querido morreu que a vida é imortal, ele vai achar isso estúpido. A pessoa está falando um absurdo para ele. Ele sabe qual é a sensação de perder um ente querido. Nenhuma filosofia pode dar consolo. E ele sabe por que a pessoa está dizendo isso: porque o problema não é dela. A pessoa pode se dar o luxo de utilizar sua sabedoria, ele, não.
Atraves da meditação a pessoa transcende seu eu comum.
Surge uma nova questão para ela, a partir da qual pode olhar para as coisas de uma maneira nova. É criada a distância. Os problemas estão lá, mas agora estão muito longe, como se acontecessem com outro alguém. Embora agora ela possa dar bons conselhos a si mesma, não há necessidade. A própria distância vai torná-la uma pessoa sábia.
Assim, toda a técnica de meditação consiste em criar uma distância entre os problemas e a pessoa.
Em um determinado momento ela se encontra tão envolvida com seus problemas que não consegue pensar, não consegue contemplar, não consegue enxergar através deles, não consegue testemunhá-los.
A psicanálise ajuda somente no reajuste. Não é uma transformação, isso é uma coisa.
E a outra coisa é: na psicanálise a pessoa se torna dependente.
As pessoas precisam de um especialista, e o especialista vai fazer tudo. Vai levar três anos, quatro anos, ou até cinco anos, se o problema for muito profundo, e a pessoa vai se tornar dependente, não vai crescer. Em vez disso, pelo contrário, ela se tornará cada vez mais dependente. Vai precisar desse psicanalista todo dia, ou duas ou três vezes por semana. Ao sentir falta dele, passará a se sentir perdida. Se parar a psicanálise, se sentirá perdida. A psicanálise se torna intoxicante, torna-se viciante.
Ela começa a ser dependente de alguém, alguém que é um especialista. Ela pode lhe contar seu problema e ele vai solucioná-lo. Ele vai discuti-lo, e trará as raízes inconscientes do problema. Mas ele irá realizar isso, ou seja, a solução vai ser feita por outro alguém.
É importante lembrar que um problema resolvido por terceiros não vai dar mais maturidade à pessoa. Um problema resolvido por um terceiro pode dar alguma maturidade a ele mesmo, mas não pode dar maturidade à pessoa, que pode se tornar mais imatura. Portanto, sempre que houver um problema, ela vai precisar de algum conselho de um especialista, algum conselho profissional. E não acho que mesmo os psicanalistas amadureçam através dos problemas dos outros, uma vez que eles também fazem psicanálise como pacientes de outros psicanalistas. Eles têm seus próprios problemas. Eles resolvem os problemas das pessoas, mas não conseguem resolver os próprios problemas. Novamente é a questão do distanciamento.
O próprio Wilhelm Reich tentou, repetidas vezes, ser analisado por Sigmund Freud. Freud recusou-se a nalisá-lo, e ele, então, a vida inteira, sentiu-se magoado por ter sido recusado por Freud. E os freudianos, freudianos ortodoxos, nunca aceitaram Reich como especialista, porque ele nunca fez psicanálise como paciente.
Todo psicanalista vai a outro especialista para cuidar dos próprios problemas. É o que ocorre com a profissão médica. Se o médico está doente, ele não pode diagnosticar em causa própria. Ele está tão próximo que tem medo, então ele vai a outro médico. O cirurgião não pode operar o próprio corpo, ou pode? Não há distanciamento. É difícil operar o próprio corpo. Mas também é difícil quando a esposa está realmente doente e tem que ser feita uma cirurgia séria. Nesse caso, ele não pode realizar a cirurgia, porque sua mão vai tremer. O grau de intimidade é tão grande que ele terá medo, e não poderá ser um bom cirurgião. Ele vai ter que aceitar conselhos, e chamar algum outro cirurgião para realizar a cirurgia da esposa.
O que está acontecendo? Ele está na ativa, tem feito muitas cirurgias. E, agora, o que está acontecendo? Não pode fazer isso no filho ou na esposa, porque o distanciamento é muito pequeno, na verdade, é como se não houvesse distância, Sem distanciamento, o médico não consegue ser imparcial. Dessa forma, um psicanalista pode ajudar os outros, mas quando ele estiver com problemas, terá que aceitar conselhos, terá que ser analisado por outro psicanalista. E é realmente estranho que até uma pessoa como Wilhelm Reich tenha enlouquecido no final.
Veja a vida de Sigmund Freud. Ele é o pai e fundador da psicanálise, ele prosseguiu falando sobre problemas de forma muito profunda. Entretanto, na visão dele, nem um único problema foi solucionado. Nem um único problema solucionado! O medo era um problema tão grande para Freud como para ninguém mais. Ele era muito medroso e nervoso. A ira era um problema tão grande para ele como para ninguém mais. Ele ficava tão irritado que chegava a perder os sentidos quando tinha um acesso de raiva. E, embora esse homem conhecesse muito sobre a mente humana, quando era ele que estava em causa, esse conhecimento parecia inútil.
O próprio Jung desmaiava quando estava com ansiedade profunda, ele também tinha ataques. Qual é o problema? O problema está no distanciamento. Eles pensavam sobre os problemas, mas não tinham se desenvolvido na conscientização. Eles pensavam intelectualmente, profundamente, de forma lógica, e concluíram alguma coisa. Às vezes, essas conclusões podiam estar certas, mas não é essa a questão. Eles não se desenvolveram na conscientização, não se transformaram de forma alguma em um super-homem. E, a menos que a pessoa transcenda a humanidade, os problemas não podem ser resolvidos, podem apenas ser ajustados.
Freud disse, nos últimos dias de vida, que o homem é incurável. No máximo, pode-se ter esperança de que ele possa se ajustar; nada mais que isso. Esse é o máximo! O homem não pode ser feliz, fiz Freud. No máximo, pode-se arranjar uma forma para que ele não seja muito infeliz. Isso é tudo. Mas ele não pode ser feliz, ele é incurável. Que tipo de solução pode vir desse tipo de atitude? E isso após uma experiência de quarenta anos com seres humanos! Ele conclui que o homem não pode ser ajudado, que o homem é naturalmente - ou seja, por natureza - infeliz, e que continuará infeliz.
Mas no Oriente [yoga] é dito que o homem pode ser trancendido. Não é o homem que é incurável, é sua consciência mínima (muito pequena) que cria os problemas. O crescimento da consciência, o aumento da consciência, contribui com a redução dos problemas. Eles existem na mesma proporção; se há um mínimo de consciência, há um máximo de problemas; se há um máximo de consciência, há um mínimo de problemas.
Com consciência total, os problemas simplesmente desaparecem, da mesma forma que o sol nasce de manhã e as gotas de orvalho desaparecem. Com a consciência total não há problemas, porque, com ela, os problemas não podem surgir. No máximo, a psicanálise pode ser uma cura, mas os problemas vão continuar a aparecer, pois ela não atua de forma prevventiva.
A meditação (yoga) vai a uma profundidade maior. Ela muda a pessoa, de modo que não possam ocorrer problemas. A psicanálise lida com os problemas, ao passo que a meditação lida com a pessoa, diretamente, sem se preocupar nem um pouco com os problemas. É por isso que o maior dos psicólogos orientais - Buda, Mahavira ou Krishna - não fala sobre problemas. Devido a isso, a psicologia ocidental acha que a psicologia é um fenômeno novo. Mas não é!
Somente na primeira metade do século XX, pode ser provado cientificamente, por Freud, que existe algo como o inconsciente. Porémj, Buda falava sobre isso 25 séculos antes. No entanto, Buda nunca procurava solucionar qualquer problema, porque, segundo dizia, os problemas eram infinitos. Aquele que for combater todos os problemas nunca será realmente capaz de resolvê-los. É preciso lidar com o próprio homem. E simplesmente esquecer os problemas.
Lidar com o próprio ser e ajudá-lo a crescer. À medida que o ser cresce, à medida que se torna mais consciente, os problemas vão se soltando e a pessoa não precisa se preocupar com eles.
Por exemplo, uma pessoa é esquizofrênica, rachada, dividida. A psicanálise irá lidar com essa divisão, vai fazer com que essa divisão possa ser trabalhada, vai ajustar esse homem para que ele possa ter um comportamento normal, de modo que ele possa viver em sociedade de forma tranquila. A psicanálise enfrentará o problema, a esquizofrenia. Caso esse homem venha a Buda, Buda não falará sobre o estado esquizofrênico. Ele dirá: "Medite para que o seu ser interior se torne único. Quando o ser interior se tornar único, a divisão vai desaparecer na periferia". A divisão está lá, mas não é a causa, é só o efeito. Em algum lugar profundo no ser há uma dualidade, e ela provocou a rachadura na periferia.
Cimenta-se a rachadura, mas a divisão interna permanece. Depois, a rachadura vai aparecer em algum outro lugar. Então, cimenta-se essa outra rachadura e, em seguida, em algum outro lugar ela aparecerá. Portanto, ao se tratar um problema psicológico, surge imediatamente outro problema e, depois, trata-se outro e surge um terceiro.
Isso é bom na opinião dos profissionais, porque eles vivem fora disso. Mas isso não serve de ajuda.
No Ocidente, será necessário ir além da psicanálise, e a menos que o Ocidente obtenha os métodos de crescimento da consciência, de crescimento interior do ser, de expansão da consciência, a psicanálise não pode servir de muita ajuda.
Não me preocupo com os problemas das pessoas. Há milhões, e é simplesmente inútil solucioná-los, porque as pessoas são as criadoras e permanecem intocadas. Eu resolvo um problema e a pessoa cria outros dez. A pessoa não pode ser derrotada, porque o criador permanece atrás dos problemas. E enquanto continuo resolvendo problemas, apenas desperdiço minha energia.
Vou colocar de lado os problemas das pessoas, vou simplesmente penetrá-los. O criador deve ser mudado. E, uma vez mudado o criador, os problemas na periferia se soltam. Agora ninguém está cooperando com eles, ninguém está ajudando a criá-los, ninguém está desfrutando deles. As pessoas podem achar esta palavra estranha, mas devem lembrar bem que desfrutam de seus problemas, e que é por isso que elas os criam. Elas gostam de seus problemas por muitos motivos.
[continua]
Fonte: Osho, O livro do ego: Liberte-se da ilusão, Editora BestSeller, Rio de Janeiro, 2022. ISBN: 978-85-7684-710-6.
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quinta-feira, fevereiro 27, 2020
A Terra é Plana - 7
Abaixo citamos uma série de teorias, supostamente científicas, que procuram afastar Deus de seus mecanismos [1]:
1. Teoria de que a Terra é uma esfera giratória, com os oceanos fora de nível (fora do plano horizontal) devido à teoria da gravidade. Esta é a teoria heliocêntrica. A teoria da Terra plana estacionária (criada por Deus) é a teoria geocêntrica. A teoria heliocêntrica tem o suporte do Talmud e da Cabala. E tudo começou com um Big Bang...sem Deus.
2. Teoria de evolução das espécies, de Charles Darwin. Como essa teoria não funciona para a raça humana, inventou-se a hipótese do "elo perdido" entre o macaco e o homem.
3. Teoria do comunismo, proposta por Moses Mordecai Marx Levi, conhecido como Karl Marx, e, portanto, também conhecido como marxismo. Marx era judeu sionista, um satanista membro da "Liga do Justo", um ramo dos illuminati. O comunismo foi implantado na Rússia por Lenin, um judeu sionista. Marx elogiou o trabalho de Charles Darwin [1].
4. Teoria da psicanálise, proposta por Sigmund Freud, judeu sionista.
5. Experimentos científicos provaram que a Terra não se move (ex: experimento de Michelson-Morley) e que existe um éter (ex: experimento de Sagnac). Para negar esses experimentos, surge o sionista judeu Albert Einstein, com sua teoria da relatividade. Nesta teoria, para ela funcionar, ele afirma (sem qualquer prova) que não existe um éter. No entanto, a atual existência de compassos giroscópicos a laser nos aviões prova que existe um éter e refuta a alegação de Einstein de que não existe éter. A existência do éter destrói a teoria da relatividade e estabelece o experimento de Michelson-Morley como prova de que a Terra é estacionária.
Referência:
[1] Edward Hendrie, The Greatest Lie on Earth: Proof That Our World Is Not a Moving Globe [Expanded Edition], Great Mountain Publishing, 2018. ISBN: 978-1-943056-03-3. 1025 pages, 1369 references.
Marcadores: Albert Einstein, comunismo, Deus, illuminati, psicanálise, Satanás, sistema geocêntrico, sistema heliocêntrico, teoria de evolução das espécies, terra plana
