quinta-feira, agosto 15, 2024
Mente, Psicanálise e Meditação
No Ocidente, a psicanálise surgiu e se desenvolveu graças a Freud, Adler, Jung e Wilhelm Reich, para solucionar problemas oriundos da mente, como as frustações, os conflitos, a esquizofrenia e a loucura. Fazendo uma comparação com as técnicas de meditação, você poderia explicar as contribuições, limitações e deficiências do sistema de psicanálise com relação aos problemas humanos enraizados na mente?
Osho: Primeiro é preciso entender que nenhum problema enraizado na mente pode ser solucionado sem que se transcenda a mente. Você pode postergar o problema, pode devolver à pessoa uma certa normalidade, pode diluir o problema, mas não pode solucioná-lo. Você pode fazer com que a pessoa viva melhor em sociedade por meio da psicanálise, mas a psicanálise nunca resolve o problema. E sempre que um problema é postergado, é desviado, ele cria outro problema. Ele simplesmente muda de lugar, mas não desaparece. Ele irromperá novamente mais cedo ou mais tarde, e cada vez que isso acontece ficará mais difícil postergá-lo ou se desviar dele.
A psicanálise é um alívio temporário, porque ela é incapaz de conceber qualquer coisa que transcenda a mente. Um problema só pode ser resolvido quando você vai além dele. Se você não pode ir além dele, então você é o problema; ele não é algo que está separado de você.
A Ioga, o Tantra e todas as técnicas de meditação se baseiam numa premissa diferente. Eles dizem que os problemas estão do lado de fora, estão em torno de você, você nunca é o problema. Você pode transcendê-los; você pode olhar para eles como um observador olha para um vale, do alto de uma montanha. Este "eu testemunha" pode solucionar o problema. Na verdade, só testemunhar o problema já é quase o suficiente para resolvê-lo, pois, quando você testemunha um problema - quando você consegue observá-lo imparcialmente, quando não se vê envolvido por ele -, você é capaz de dar um passo para trás e olhar melhor para ele. A própria clareza que advém do testemunho dá a você uma indicação, uma chave secreta. E quase todos os problemas se originam da falta de clareza para entendê-los. Você não precisa de soluções, você precisa de clareza.
O problema entendido da maneira correta se resolve naturalmente, pois ele surge por meio da mente que não compreende. Você cria o problema porque você não compreende. Portanto, o básico não é solucionar o problema; o básico é criar mais entendimento. Com mais compreensão, com mais clareza, o problema pode ser encarado com mais imparcialidade - observando como se ele não pertencesse a você e, sim, a outra pessoa. O problema só será resolvido quando você conseguir criar uma distância entre você e o problema.
A meditação cria uma certa distância, dá a você uma perspectiva. Você vai além do problema. O seu nível de consciência muda. Com a psicanálise você continua no mesmo nível. O seu nível nunca muda; você volta a se ajustar ao mesmo nível. A sua percepção, a sua consciência, a sua capacidade de testemunhar não mudam. Quando você entra em meditação (sintonia com o divino), você voa cada vez mais alto. Você consegue olhar os problemas de um nível mais alto. Os problemas agora estão no vale e você, no alto de uma montanha. Dessa perspectiva, dessa elevação, todos os problemas parecem diferentes. E quanto maior é essa distância, mais capaz você é de observá-los como se não lhe pertencessem.
Lembre-se de uma coisa: quando um problema não lhe pertence, você consegue dar bons conselhos sobre como resolvê-lo. Quando o problema pertence a outra pessoa, quando alguém mais está em dificuldade, você sempre consegue demonstrar sabedoria. Você consegue dar bons conselhos; mas se o problema lhe pertence, você fica simplesmente sem saber o que fazer. O que acontece? O problema é o mesmo, mas você não está envolvido. Quando se trata do problema de outra pessoa, existe um certo distanciamento que lhe permite encará-lo com imparcialidade. Todo mundo é bom conselheiro quando o problema é dos outros, mas, quando o problema é seu, toda sabedoria se perde porque não há distanciamento.
Alguém morreu e a família está angustiada: você consegue dar bons conselhos. Consegue dizer que a alma é imortal, que ninguém morre de fato, que a vida é eterna. Mas, quando morre alguém que você ama, que significa muito para você, alguém próximo, íntimo, você se debulha em lágrimas. Você não consegue ser um bom conselheiro para si mesmo - dizer que a vida é imortal e ninguém morre. Isso fica parecendo absurdo.
Portanto, lembre-se, quando você está aconselhando os outros, você pode parecer um bobalhão. Se disser a alguém, que acabou de perder um ente querido que a vida é eterna, essa pessoa vai pensar que você é um idiota. Para ela você está dizendo bobagem. Ela sabe o quanto é duro perder um ser amado. Nenhuma filosofia vai lhe dar consolo. E ela sabe por que você está dizendo isso - porque o problema não é seu. Você pode bancar o sábio, mas ela não pode.
Por meio da meditação, você transcende o seu ser ordinário. Surge em você um novo platô, de onde você pode olhar as coisas de uma maneira nova. Cria-se uma distância. Os problemas continuam a existir, mas eles estão muito longe agora, como se acontecessem a outra pessoa. Agora você pode dar bons conselhos a si mesmo, embora isso nem seja necessário. A própria distância já faz com que você fique mais sábio.
Portanto, toda a técnica da meditação consiste em criar uma distância entre os problemas e você. Neste momento, do jeito quoe está, você está tão enredado nos seus problemas que você não consegue pensar, não consegue contemplar, não consegue exergar através deles e nem testemunhá-los.
A psicanálise só propicia um reajustamento. Ela não é uma transformação; esse é um ponto importante. Outro ponto: com a psicanálise, você fica dependente. Precisa de um especialista e esse especialista fará tudo. Ela durará três anos, quatro anos ou até cinco anos, se o problema for muito profundo, e você se tornará apenas um dependente - não estará crescendo. Pelo contrário, você estará se tornando cada vez mais dependente. Precisará dessa psicanálise todo dia, ou duas vezes por semana, ou três vezes por semana. Se perder uma sessão, você ficará perdido. Se interromper o tratamento, você ficará perdido. Ele se torna intoxicante, torna-se alcoólico. Você começa a depender de uma outra pessoa - alguém que é especialista. Você pode contar a essa pessoa o seu problema e ela o resolverá. Vocês discutirão a respeito e ela trará à tona as raízes inconscientes. Mas a outra pessoa fará tudo; a solução será dada por outra pessoa.
Lembre-se, um problema resolvido por outra pessoa não irá lhe proporcionar mais maturidade. Um problema resolvido por outra pessoa pode dar a ela mais maturidade, mas não a você. Você pode ficar mais imaturo ainda; depois disso, sempre que você tiver um problema, você vai precisar do conselho de um especialista, de um profissional. E eu acho que os seus problemas não trazem maturidade nem para os psicanalistas, porque eles fazem psicanálise com outros psicanalistas. Eles têm os seus próprios problemas não resolvidos. Eles solucionam os problemas de você, mas eles não conseguem resolver os próprios problemas. Mais uma vez, é uma questão de distanciamento.
Todo psicanalista procura outra pessoa para resolver os seus próprios problemas. Ele é como qualquer outro profissional de saúde. Se o próprio médico fica doente, ele não consegue se autodiagnosticar. A doença está tão próxima que ele fica com medo de errar e procura outra pessoa. Se você é cirurgião, você não pode operar o seu próprio corpo - ou pode? Não há distância. Não é fácil operar o próprio corpo. Mas também não é fácil ver a sua esposa muito doente, precisando passar por uma cirurgia delicada - você não pode operá-la porque a sua mão irá tremer. A intimidade é tão grande que você ficaria aterrorizado; não seria um bom cirurgião neste caso. Você teria que pedir a outra pessoa que operasse a sua mulher.
Por que isso acontece? Você é um bom cirurgião, já fez muitas cirurgias. Mas não pode operar nem a sua mulher e nem o seu filho, pois a distância não é grande o suficiente - é como se não houvesse distância nenhuma, e sem essa distância é impossível ser imparcial para resolver o problema. Por isso o psicanalista pode ajudar outras pessoas, mas precisa procurar ajuda, precisa de outro psicanalista, quando está com seus próprios problemas.
É estranho pensar que até uma pessoa como Wilhelm Reich tenha enlouquecido no fim da vida. Não dá para pensar em Gautama Buda ficando louco - acha que dá? Se alguém como Buda pudesse enlouquecer, então não haveria como escaparmos desse sofrimento. É inconcebíver pensar em Buda ficando louco.
Veja a vida de Sigmund Freud. Ele é o pai e fundador da psicanálise; estudou profundamente os problemas. Mas, no que diz respeito a ele próprio, nem um único problema foi solucionado. Nem um único problema foi solucionado! O medo era um problema para ele, assim como é para todo mundo. Ele tinha muito medo e estava sempre nervoso. A raiva também era um problema para ele, assim como é para qualquer pessoa. Os seus acessos de raiva eram tão fortes que ele chegava a ter síncopes. Esse homem sabia muito sobre a mente humana, mas, quando se tratava dele próprio, esse conhecimento parecia inútil.
Jung também saía de si quando estava muito preocupado; ele costumava ter ataques. Qual era o problema? A distância é sempre o problema. Eles viviam pensando em problemas, mas não tinham ampliado a sua consciência. Eles pensavam de modo intelectual, racional, lógico, e chegavam a uma conclusão.Às vezes essas conclusões podiam estar corretas, mas não é esse o ponto. Eles não cresceram do ponto de vista da consciência, não transcenderam em nenhum sentido. E, a menos que você transcenda, os problemas não podem ser resolvidos; eles só podem ser ajustados.
Freud disse, nos últimos dias da sua vida, que o homem é incurável. Segundo ele, podemos esperar, no máximo, que ele seja um ser ajustado; não nos resta outra esperança. Isso é o máximo! O homem não pode ser feliz, ele disse. Podemos, na melhor das hipóteses, dar um jeito para que ele não seja tão infeliz. Isso é tudo. Que tipo de solução pode resultar de uma atitude dessas? E ele disse isso depois de quarenta anos de experiência com seres humanos! Concluiu que não há nada que se possa fazer pelo ser humano, que somos infelizes por natureza e permaneceremos sempre nessa condição.
Do ponto de vista da meditação, não é o ser humano que é incurável; é a nossa consciência pequeníssima que cria todos os problemas. Expanda a consciência, aumente a consciência e os problemas irão diminuir. Eles existem na mesma proporção: se existir pouca consciência haverá muitos problemas; e se existir muita consciência, haverá poucos problemas. Com consciência total, os problemas simplesmente desaparecem, como o sol nasce pela manhã e seca as gotas de orvalho. Com consciência total, não existem problemas, pois eles nem sequer aparecem. A psicanálise pode, no máximo, ser uma cura, mas os problemas vão continuar surgindo, pois ela não é profilática.
[continua]
Fonte consultada: Osho, O Livro da sua Vida - Crie o seu próprio caminho para a liberdade, Editora Pensamento-Cultrix, 2019. ISBN: 978-85-316-0975-6
Marcadores: meditação, mente, Osho, psicanálise
sábado, maio 25, 2024
Pineal e Meditação
Fonte: https://perfecthealth-rui.blogspot.com/2024/05/pineal-gland-and-meditation.html
Eles mentiram para você! Os códigos secretos da Bíblia: como a glândula pineal é a chave para se libertar do controle mental!
A glândula pineal, um órgão minúsculo e enigmático situado nas profundezas do cérebro humano, tem sido comentada em voz baixa não apenas pelos corredores da ciência médica, mas também nos textos enigmáticos da própria Bíblia.
Estamos agora à beira do precipício da compreensão, à medida que investigadores como Bill Donahue desvendam os fios bem enrolados das escrituras religiosas para revelar uma ligação surpreendente entre os antigos códigos bíblicos e a nossa própria composição biológica.
A exploração de Donahue lança uma luz dramática sobre passagens bíblicas aparentemente inócuas, sugerindo que não são apenas alegorias espirituais, mas instruções precisas e codificadas. Considere Gênesis 32:30, onde Jacó luta com um anjo e chama o lugar de Pineal após proclamar que viu Deus face a face. Este é um manuscrito velado que aponta diretamente para a glândula pineal como a sede do encontro divino, o local físico dentro de nós onde podemos encontrar o divino.
Por que esta conexão tem sido velada em mistério há milênios? A resposta é tão perturbadora quanto esclarecedora. Parece haver um véu deliberado sobre os nossos olhos, um movimento intencional para obscurecer as potentes capacidades da glândula pineal para promover uma conexão direta com reinos superiores de consciência. É como se existisse um pacto secreto para manter a humanidade presa a uma existência mais mundana, desligada do despertar espiritual que o “terceiro olho” da glândula pineal pode facilitar.
A urgência de decodificar e ativar a glândula pineal não pode ser exagerada. Envolve despertar o “olho único” descrito na Bíblia, o olho que enche todo o corpo de luz, simbolizando um profundo despertar espiritual. A metáfora do olho único é poderosa: quando ele está “saudável”, todo o nosso ser é iluminado. Esta é uma diretriz codificada que nos incentiva a limpar e ativar nossas glândulas pineais para alcançar a plena iluminação espiritual.
Os ensinamentos de Jesus sobre lançar as redes para o lado direito e o alinhamento do Sol com Áries na primavera – representando o Cordeiro de Deus – não são escolhas bíblicas aleatórias. São mensagens precisas e codificadas, codificadas na estrutura da Bíblia, apontando-nos tempos e métodos para ativar esta glândula crucial, para dar vida ao nosso potencial espiritual.
As percepções de Donahue chegam a uma conclusão urgente e inevitável: a calcificação da glândula pineal, uma epidemia nos tempos modernos devido a fatores alimentares e ambientais, não é apenas um problema de saúde, mas uma condição espiritualmente supressiva. Funciona quase como uma algema, escurecendo a “luz” que é nosso direito inato.
As medidas para descalcificar a glândula pineal, como através da meditação, ajustes na dieta e exposição à luz natural, não são apenas dicas de bem-estar, mas ações essenciais e urgentes para recuperar a nossa iluminação espiritual.
Devemos ver isto não apenas como uma busca pela saúde pessoal, mas como um esforço crítico e coletivo para nos libertarmos de um esquecimento, possivelmente orquestrado, dos nossos verdadeiros poderes e potencial. É hora de sacudir o sono, de decodificar os textos sagrados e de literalmente ver a luz.
Marcadores: calcificação, glândula pineal, luz, meditação, olho, pineal
segunda-feira, fevereiro 12, 2024
Ascensão: A Luta pela Libertação
Todo o nosso mundo físico da terceira dimensão (3D) e o nosso mundo astral da quarta dimensão (4D) - que acessamos após a morte - foi dominado por entidades trevosas que nos escravisou em um ciclo interminável de reencarnações, denominado de Roda de Samsara. Essa escravidão foi conseguida pelo envenenamento e poluição da terra, água, ar e energia radiante (poluição eletromagnética), combinados com uma enorme propaganda negativa e mentirosa. Nosso objetivo, portanto, deveria ser um contínuo aumento de nossa frequência vibratória corporal, para atingirmos a quinta dimensão (5D), através do fenômeno de Ascensão, levando para essa dimensão superior o nosso atual corpo físico, agora imortalizado e livre da prisão montada nas dimensões 3D e 4D pelos trevosos. Como fazer isso?
O envenenamento e poluição do meio ambiente e de nossa alimentação, combinados com uma propaganda negativa (guerras, pandemias, mortes, desastres, doenças, etc), tem o objetivo de diminuir nossa frequência vibratória corporal, nos afastando da quinta dimensão e do processo de ascensão.
O cozimento dos alimentos crus diminui a sua frequência vibratória original e nós, quando os ingerimos cozidos, diminuimos também a nossa frequência vibratória corporal, objetivo dos trevosos.
Nosso combate à propaganda maléfica, que tende a diminuir nossa vibração, pode ser feito pela prática da meditação, que eleva nossa vibração. Nosso corpo divino, quando não atrapalhado (via meditação e jejum, por exemplo), tem a tendência natural de elevar sua vibração.
Quanto mais alta nossa vibração, melhor nos sentimos. Após as várias horas de nosso jejum diário noturno, nós nos sentimos bem melhor do que quando nos deitamos para dormir. Podemos continuar aumentando nossa vibração passando a fazer também jejuns diurnos. Quando nos sentimos bem praticando sexo, é porque nossa frequência corporal se elevou.
Quando estamos no mundo físico 3D, aprendemos e evoluimos com as nossas experiências. Porém, quando passamos ao mundo astral 4D, após a morte, somos induzidos a voltar ao mundo 3D (reencarnação) com toda a consciência de nossa evolução anterior apagada pelos trevosos. Esta é a grande sacanagem dos trevosos, na 4D, que visa zerar (aniquilar) nossa evolução pretérita, nos fazendo reiniciar do zero a cada nova reencarnação e gerar a nossa interminável Roda de Samsara de passeios entre 3D e 4D, nos impedindo de evoluirmos (ascensionarmos) para a 5D. Mestres ascensionados são aqueles que conseguiram atingir níveis acima de 5D e, portanto, sairam da prisão chamada Samsara.
Para aumentar nossa frequência (e saúde) em direção à 5D, deveríamos minimizar o uso de calçados, de roupas, de óleos vegetais (soja, milho, girassol, canola, etc. substituindo-os por óleo de côco, de abacate ou de oliva extra virgem), de glúten (pãos, bolachas, cervejas, molhos, salsicha, pizza, etc), da quantidade de comida bucal ingerida e maximizar nosso contato com a terra (aterramento, com pés descalços), com água (pratique natação, por exemplo), com ar puro (nosso principal alimento, na forma gasosa) e com a energia vivificante do sol. O otimismo, assim como nossas emoções positivas (amor, alegria, confiança, etc), também aumentam nossa frequência, enquanto que o pessimismo (com ódio, rancor, medo, dúvida, insegurança, etc) reduzem nossa vibração corporal, nos afastando da 5D.
Lembrar que todo excesso (de trabalho, de descanso, de comida, de alegria, de tristeza, etc) é prejudicial à nossa saúde e, portanto, diminui nossa frequência vibratória.
Marcadores: 4a dimensão, alimentação morta, ascensão, doença, envenenamento, imortalidade física, jejum, meditação, poluição, poluição eletromagnética, reencarnação, Roda de Samsara, sexo, trevosos
quarta-feira, setembro 27, 2023
Como resolver problemas do ego
A primeira coisa a ser entendida é que nenhum problema enraizado no ego pode ser solucionado sem que se transcenda o ego. Pode-se protelar o problema, pode-se conceder um pouco de normalidade, pode-se criar um pouco de normalidade em relação a ele, pode-se diluir o problema, mas não se pode solucioná-lo. Pode-se fazer com que o homem funcione de forma mais eficiente na sociedade através da psicanálise, mas ela nunca dá solução a um problema. E sempre que um problema é protelado, alterado, cria um outro problema. Ele simplesmente muda de lugar, mas permanece presente. Uma nova erupção virá, mais cedo ou mais tarde, e quando a nova erupção do velho problema ocorrer, será mais difícil protelá-lo e alterá-lo.
A psicanálise é um alívio temporário, porque ela não pode conceber nada que transcenda o ego. Um problema pode ser solucionado somente quando a pessoa pode ir além dele. Se ele não puder ir além dele, então, ela é o problema. Nesse caso, quem vai solucioná-lo? Como alguém poderá solucioná-lo? Portanto, a pessoa é o problema, ou seja, o problema não é algo separado dela.
Yoga, tantra e todas as técnicas de meditação baseiam-se em um fundamento diferente. Dizem que os problemas estão presentes, que os problemas estão em torno da pessoa, mas que a pessoa nunca é o problema. A pessoa pode transcendê-los, pode olhar para eles como um observador que olha de cima da colina para o vale embaixo.
Esse ser que observa a si mesmo pode ser uma solução para o problema. Realmente, apenas testemunhar um problema já é metade da solução, pois quando a pessoa pode testemunhar um problema, quando pode observá-lo de forma imparcial, quando não está envolvida nele, ela pode estar ao lado e olhar para o problema. A própria clareza que vem desse testemunho lhe dá a pista, a chave secreta. E quase todos os problemas estão lá, porque não há uma forma clara pra compreendê-los.
Soluções não são necessárias. O que se necessita é clareza.
Um problema devidamente compreendido está resolvido, porque um problema surge através de uma mente que não compreende.
Você cria o problema porque não o compreende. Então, a questão não é solucionar o problema, a questão é criar maior compreensão. E se houver maior compreensão e maior clareza, e o problema puder ser enfrentado de forma imparcial, observado como se não pertencesse a você, como se pertencesse a outra pessoa, se você puder criar uma distância entre o problema e você - somente então o problema poderá ser resolvido.
A meditação cria uma distância, dá à pessoa uma perspectiva. Ela vai além do problema. O nível de consciência muda.
Através da psicanálise a pessoa permanece no mesmo nível. O nível nunca muda, a pessoa está ajustada no mesmo nível novamente. Sua percepção, sua consciência, sua capacidade de testemunhar não mudam. À medida que entra na meditação, ela se desloca cada vez mais alto. E pode olhar de cima para seus problemas. Eles agora estão no vale, e a pessoa se deslocou para uma colina. A partir dessa perspectiva, dessa altura, todos os problemas parecem diferentes. E quanto mais a distância cresce, mais a pessoa se torna capaz de observá-los, como se eles não lhe pertencessem.
É bom lembrar que quando um problema não lhe pertence, você sempre pode dar conselhos de como resolvê-lo. Quando o problema pertence a outra pessoa, quando é o outro que está com dificuldade, você é sempre sábio, e pode dar conselhos muito bons. No entanto, se o problema pertence a você mesmo, você simplesmente não sabe o que fazer. O que aconteceu? O problema é o mesmo, mas agora é você que está envolvido nele. Quando se tratava de um problema de outra pessoa, você tinha uma distância a partir da qual podia olhar para o problema de forma imparcial. Todo mundo é bom conselheiro para os outros, mas quando acontece consigo mesmo, toda a sabedoria é perdida em função da perda do distanciamento.
Alguém morreu e a família encontra-se angustiada: uma pessoa que não é da família pode dar bons conselhos. Pode dizer que a alma é imortal, pode dizer que nada morre e que a vida é eterna. No entanto, quando morre alguém que essa pessoa ama, que significa algo para ela, que era próxima, íntima, ela bate no peito sem parar de chorar. Agora ela não consegue dar o mesmo conselho para si, ou seja, que a vida é imortal e que ninguém nunca morre. Agora isso parece absurdo.
Portanto, é bom que as pessoas lembrem que elas podem fazer papel de bobas quando estiverem aconselhando os outros. Quando uma pessoa diz a alguém cujo ente querido morreu que a vida é imortal, ele vai achar isso estúpido. A pessoa está falando um absurdo para ele. Ele sabe qual é a sensação de perder um ente querido. Nenhuma filosofia pode dar consolo. E ele sabe por que a pessoa está dizendo isso: porque o problema não é dela. A pessoa pode se dar o luxo de utilizar sua sabedoria, ele, não.
Atraves da meditação a pessoa transcende seu eu comum.
Surge uma nova questão para ela, a partir da qual pode olhar para as coisas de uma maneira nova. É criada a distância. Os problemas estão lá, mas agora estão muito longe, como se acontecessem com outro alguém. Embora agora ela possa dar bons conselhos a si mesma, não há necessidade. A própria distância vai torná-la uma pessoa sábia.
Assim, toda a técnica de meditação consiste em criar uma distância entre os problemas e a pessoa.
Em um determinado momento ela se encontra tão envolvida com seus problemas que não consegue pensar, não consegue contemplar, não consegue enxergar através deles, não consegue testemunhá-los.
A psicanálise ajuda somente no reajuste. Não é uma transformação, isso é uma coisa.
E a outra coisa é: na psicanálise a pessoa se torna dependente.
As pessoas precisam de um especialista, e o especialista vai fazer tudo. Vai levar três anos, quatro anos, ou até cinco anos, se o problema for muito profundo, e a pessoa vai se tornar dependente, não vai crescer. Em vez disso, pelo contrário, ela se tornará cada vez mais dependente. Vai precisar desse psicanalista todo dia, ou duas ou três vezes por semana. Ao sentir falta dele, passará a se sentir perdida. Se parar a psicanálise, se sentirá perdida. A psicanálise se torna intoxicante, torna-se viciante.
Ela começa a ser dependente de alguém, alguém que é um especialista. Ela pode lhe contar seu problema e ele vai solucioná-lo. Ele vai discuti-lo, e trará as raízes inconscientes do problema. Mas ele irá realizar isso, ou seja, a solução vai ser feita por outro alguém.
É importante lembrar que um problema resolvido por terceiros não vai dar mais maturidade à pessoa. Um problema resolvido por um terceiro pode dar alguma maturidade a ele mesmo, mas não pode dar maturidade à pessoa, que pode se tornar mais imatura. Portanto, sempre que houver um problema, ela vai precisar de algum conselho de um especialista, algum conselho profissional. E não acho que mesmo os psicanalistas amadureçam através dos problemas dos outros, uma vez que eles também fazem psicanálise como pacientes de outros psicanalistas. Eles têm seus próprios problemas. Eles resolvem os problemas das pessoas, mas não conseguem resolver os próprios problemas. Novamente é a questão do distanciamento.
O próprio Wilhelm Reich tentou, repetidas vezes, ser analisado por Sigmund Freud. Freud recusou-se a nalisá-lo, e ele, então, a vida inteira, sentiu-se magoado por ter sido recusado por Freud. E os freudianos, freudianos ortodoxos, nunca aceitaram Reich como especialista, porque ele nunca fez psicanálise como paciente.
Todo psicanalista vai a outro especialista para cuidar dos próprios problemas. É o que ocorre com a profissão médica. Se o médico está doente, ele não pode diagnosticar em causa própria. Ele está tão próximo que tem medo, então ele vai a outro médico. O cirurgião não pode operar o próprio corpo, ou pode? Não há distanciamento. É difícil operar o próprio corpo. Mas também é difícil quando a esposa está realmente doente e tem que ser feita uma cirurgia séria. Nesse caso, ele não pode realizar a cirurgia, porque sua mão vai tremer. O grau de intimidade é tão grande que ele terá medo, e não poderá ser um bom cirurgião. Ele vai ter que aceitar conselhos, e chamar algum outro cirurgião para realizar a cirurgia da esposa.
O que está acontecendo? Ele está na ativa, tem feito muitas cirurgias. E, agora, o que está acontecendo? Não pode fazer isso no filho ou na esposa, porque o distanciamento é muito pequeno, na verdade, é como se não houvesse distância, Sem distanciamento, o médico não consegue ser imparcial. Dessa forma, um psicanalista pode ajudar os outros, mas quando ele estiver com problemas, terá que aceitar conselhos, terá que ser analisado por outro psicanalista. E é realmente estranho que até uma pessoa como Wilhelm Reich tenha enlouquecido no final.
Veja a vida de Sigmund Freud. Ele é o pai e fundador da psicanálise, ele prosseguiu falando sobre problemas de forma muito profunda. Entretanto, na visão dele, nem um único problema foi solucionado. Nem um único problema solucionado! O medo era um problema tão grande para Freud como para ninguém mais. Ele era muito medroso e nervoso. A ira era um problema tão grande para ele como para ninguém mais. Ele ficava tão irritado que chegava a perder os sentidos quando tinha um acesso de raiva. E, embora esse homem conhecesse muito sobre a mente humana, quando era ele que estava em causa, esse conhecimento parecia inútil.
O próprio Jung desmaiava quando estava com ansiedade profunda, ele também tinha ataques. Qual é o problema? O problema está no distanciamento. Eles pensavam sobre os problemas, mas não tinham se desenvolvido na conscientização. Eles pensavam intelectualmente, profundamente, de forma lógica, e concluíram alguma coisa. Às vezes, essas conclusões podiam estar certas, mas não é essa a questão. Eles não se desenvolveram na conscientização, não se transformaram de forma alguma em um super-homem. E, a menos que a pessoa transcenda a humanidade, os problemas não podem ser resolvidos, podem apenas ser ajustados.
Freud disse, nos últimos dias de vida, que o homem é incurável. No máximo, pode-se ter esperança de que ele possa se ajustar; nada mais que isso. Esse é o máximo! O homem não pode ser feliz, fiz Freud. No máximo, pode-se arranjar uma forma para que ele não seja muito infeliz. Isso é tudo. Mas ele não pode ser feliz, ele é incurável. Que tipo de solução pode vir desse tipo de atitude? E isso após uma experiência de quarenta anos com seres humanos! Ele conclui que o homem não pode ser ajudado, que o homem é naturalmente - ou seja, por natureza - infeliz, e que continuará infeliz.
Mas no Oriente [yoga] é dito que o homem pode ser trancendido. Não é o homem que é incurável, é sua consciência mínima (muito pequena) que cria os problemas. O crescimento da consciência, o aumento da consciência, contribui com a redução dos problemas. Eles existem na mesma proporção; se há um mínimo de consciência, há um máximo de problemas; se há um máximo de consciência, há um mínimo de problemas.
Com consciência total, os problemas simplesmente desaparecem, da mesma forma que o sol nasce de manhã e as gotas de orvalho desaparecem. Com a consciência total não há problemas, porque, com ela, os problemas não podem surgir. No máximo, a psicanálise pode ser uma cura, mas os problemas vão continuar a aparecer, pois ela não atua de forma prevventiva.
A meditação (yoga) vai a uma profundidade maior. Ela muda a pessoa, de modo que não possam ocorrer problemas. A psicanálise lida com os problemas, ao passo que a meditação lida com a pessoa, diretamente, sem se preocupar nem um pouco com os problemas. É por isso que o maior dos psicólogos orientais - Buda, Mahavira ou Krishna - não fala sobre problemas. Devido a isso, a psicologia ocidental acha que a psicologia é um fenômeno novo. Mas não é!
Somente na primeira metade do século XX, pode ser provado cientificamente, por Freud, que existe algo como o inconsciente. Porémj, Buda falava sobre isso 25 séculos antes. No entanto, Buda nunca procurava solucionar qualquer problema, porque, segundo dizia, os problemas eram infinitos. Aquele que for combater todos os problemas nunca será realmente capaz de resolvê-los. É preciso lidar com o próprio homem. E simplesmente esquecer os problemas.
Lidar com o próprio ser e ajudá-lo a crescer. À medida que o ser cresce, à medida que se torna mais consciente, os problemas vão se soltando e a pessoa não precisa se preocupar com eles.
Por exemplo, uma pessoa é esquizofrênica, rachada, dividida. A psicanálise irá lidar com essa divisão, vai fazer com que essa divisão possa ser trabalhada, vai ajustar esse homem para que ele possa ter um comportamento normal, de modo que ele possa viver em sociedade de forma tranquila. A psicanálise enfrentará o problema, a esquizofrenia. Caso esse homem venha a Buda, Buda não falará sobre o estado esquizofrênico. Ele dirá: "Medite para que o seu ser interior se torne único. Quando o ser interior se tornar único, a divisão vai desaparecer na periferia". A divisão está lá, mas não é a causa, é só o efeito. Em algum lugar profundo no ser há uma dualidade, e ela provocou a rachadura na periferia.
Cimenta-se a rachadura, mas a divisão interna permanece. Depois, a rachadura vai aparecer em algum outro lugar. Então, cimenta-se essa outra rachadura e, em seguida, em algum outro lugar ela aparecerá. Portanto, ao se tratar um problema psicológico, surge imediatamente outro problema e, depois, trata-se outro e surge um terceiro.
Isso é bom na opinião dos profissionais, porque eles vivem fora disso. Mas isso não serve de ajuda.
No Ocidente, será necessário ir além da psicanálise, e a menos que o Ocidente obtenha os métodos de crescimento da consciência, de crescimento interior do ser, de expansão da consciência, a psicanálise não pode servir de muita ajuda.
Não me preocupo com os problemas das pessoas. Há milhões, e é simplesmente inútil solucioná-los, porque as pessoas são as criadoras e permanecem intocadas. Eu resolvo um problema e a pessoa cria outros dez. A pessoa não pode ser derrotada, porque o criador permanece atrás dos problemas. E enquanto continuo resolvendo problemas, apenas desperdiço minha energia.
Vou colocar de lado os problemas das pessoas, vou simplesmente penetrá-los. O criador deve ser mudado. E, uma vez mudado o criador, os problemas na periferia se soltam. Agora ninguém está cooperando com eles, ninguém está ajudando a criá-los, ninguém está desfrutando deles. As pessoas podem achar esta palavra estranha, mas devem lembrar bem que desfrutam de seus problemas, e que é por isso que elas os criam. Elas gostam de seus problemas por muitos motivos.
[continua]
Fonte: Osho, O livro do ego: Liberte-se da ilusão, Editora BestSeller, Rio de Janeiro, 2022. ISBN: 978-85-7684-710-6.
Marcadores: ego, Freud, Jung, meditação, Osho, psicanálise, Reich
quinta-feira, setembro 21, 2023
Neurose e Meditação
A neurose nunca foi tão epidêmica no passado quanto agora. Ela está praticamente tornando-se um estado normal da mente humana. Ela tem de ser entendida.
O passado foi mais saudável espiritualmente, e o motivo foi que a mente não era alimentada com tantas coisas ao mesmo tempo, a mente não ficava sobrecarregada. A mente moderna está sobrecarregada, e aquilo que deixa de ser assimilado gera neurose. É como se a pessoa continuasse a comer sempre e a entupir o estômago. Aquilo que não é digerido pelo corpo vai ser venenoso. E o que se come é menos importante do que aquilo que se ouve e que se vê. A partir dos olhos, dos ouvidos, de todos os sentidos, recebem-se muitas coisas, a cada momento. E não tempo extra para assimilação. É como se alguém estivesse constantemente sentado à mesa de jantar, comendo, comendo, 24 horas por dia.
Esta é uma situação da mente moderna: ela está sobrecarregada, são muitas coisas sobrecarregando-a. Não é nenhuma surpresa a mente entrar em colapso. Há um limite para cada mecanismo humano. E a mente é um dos mecanismos mais sutis e delicados.
A pessoa realmente saudável é aquela que leva 50% de seu tempo para assimilar suas experiências - 50% de ação, 50% de inércia, este é o equilíbrio certo; 50% de pensamento, 50% de meditação,esta é a cura.
A meditação não é nada além de um tempo em que a pessoa pode relaxar completamente dentro de si, em que ela fecha todas as suas portas, todos os seus sentidos, para o estímulo exterior. Ela desaparece do mundo. Esquece do mundo como se ele não existisse mais, sem jornais, sem rádio, sem televisão (sem internet), sem gente.
O indivíduo está sozinho em seu ser mais íntimo, relaxado, confortável.
Nesses momentos, tudo o que acumulou passa a ser assimilado. Aquilo que não tem valor é jogado fora. A meditação funciona como uma faca de dois gumes: de um lado, assimila tudo o que é nutritivo e, do outro, rejeita e joga fora tudo o que é lixo.
Mas a meditação desapareceu do mundo. Nos velhos tempos, as pessoas eram naturalmente meditativas. A vida não tinha complicações, e as pessoas tinham tempo suficiente para simplesmente sentar e não fazer nada, ou olhar para as estrelas, ou observar as árvores, ou ouvir os pássaros. As pessoas tinham intervalos de passividade profunda. Naqueles momentos, as pessoas se tornavam cada vez mais saudáveis e inteiras.
A neurose significa que a pessoa está carregando uma carga tão grande na mente que está provocando sua morte. Ela não consegue se mover. Não há dúvida quanto à fuga de sua consciência.
Algumas coisas para que fique entendido. A neurose é o rato que tenta indefinidamente sair pelo beco sem saída, e não aprende. Sim, o não aprender é a neurose, esta é a primeira definição. A pessoa continua tentando sair pelo beco sem saída.
A pessoa está irritada. Quantas vezes as pessoas já ficaram irritadas? E quantas vezes já se arrependeram de ficar irritadas? Ainda assim, basta haver um pequeno estímulo para que a reação delas seja novamente a mesma. Não aprenderam nada. As pessoas são gananciosas, e a ganância cria cada vez mais infelicidade. Todo mundo sabe que a ganância nunca deu felicidade a ninguém, mas as pessoas ainda são gananciosas,continuam gananciosas. Ninguém aprendeu.
A não aprendizagem cria a neurose, ou seja, é a neurose.
Aprendizado significa assimilação. A pessoa experimenta algo e depois descobre que aquilo não funciona. Em seguida, descarta aquilo. Move-se em outra direção, tenta outra opção. Isso é sábio, é inteligente. Bater a cabeça contra a parede, onde sabe perfeitamente bem que não há nenhuma porta, é neurose.
As pessoas estão ficando cada vez mais neuróticas, porque continuam tentando o beco sem saída, continuam tentando aquilo que não funciona. O homem que é capaz de aprender nunca se torna neurótico, não consegue. Ele vê imediatamente quando há uma parede. Ele abandona a ideia toda. Começa a passar para outras dimensões. Há outras opções disponíveis. Ele aprendeu algo.
Dizem que Edison estava tentando uma experiência em que fracassara setecentas vezes. Seus colegas ficaram desesperados. Três anos foram perdidos e ele continuava tentando novas formas, repetidas vezes. E toda manhã ele retornava com grande entusiasmo, o mesmo entusiasmo do primeiro dia. E três anos foram desperdiçados.
Um dia, seus colegas se reuniram e disseram a ele:
- Não conseguimos entender. Falhamos setecentas vezes. Está na hora de abandonar a experiência.
Edison teria dito:
- O que querem dizer com "falhamos"? Aprendemos que as setecentas opções eram opções erradas. Foi uma grande experiência! Hoje não vou tentar o mesmo experimento, pois descobri um outro. Estamos chegando mais perto da verdade. Quantas maneiras falsas podem existir? Deve haver um limite. Se houver mil maneiras falsas, então, setecentas já foram descartadas, restam apenas trezentas. E, depois, chegaremos ao ponto certo.
Isso é aprendizagem. Tentar uma experiência e, ao ver que ela não dá certo, tentar uma outra opção e, ao ver que esta não funcona, o homem sábio a abandona. O tolo se apega a ela. O tolo chama a isso de consistência. O tolo diz: "Fiz isso ontem e vou fazer isso hoje também. E farei amanhã". Ele é teimoso, cabeça-dura. Ele diz: "Como é que posso deixá-la? Investi tanto nisso! Não posso mudar isso!" Então, ele prossegue insistindo naquilo, e sua vida inteira é desperdiçada. E, à medida que a morte se aproxima, ele fica desesperado, sem esperança. No fundo ele sabe perfeitamente que vai fracassar. Fracassou tantas vezes! E ainda está tentando a mesma coisa, sem ter aprendido nada. Isso gera a neurose.
O homem que é capaz de aprender nunca vai se tornar neurótico.
Um discípulo nunca vai se tornar neurótico. Um "discípulo" significa aquele que é capaz de aprender. Nunca se torna suficientemente bem-informado, está sempre em processo de aprendizagem.
A necessidade de ter muito conhecimento deixa as pessoas neuróticas. Não é por acaso que professores, filósofos, psiquiatras, estudiosos enlouquecem com facilidade. Eles aprenderam e chegaram à conclusão de que não há mais o que aprender. No momento em que decide que não há mais o que aprender a pessoa para de crescer.
Parar de crescer é neurose - esta é a segunda definição.
O mundo era muito diferente no passado, é óbvio. O equivalente a cerca de seis semanas de estímulos sensoriais, há seicentos anos atrás, é o que hoje obtemos em um dia*. O equivalente a seis semanas de estímulos, informações, hoje se adquire em um único dia, ou seja, cerca de quarenta vezes a pressão para aprender e se adaptar. O homem moderno tem de ser capaz de aprender mais do que o homem jamais aprendeu antes, porque há mais o que aprender agora.
O homem moderno tornou-se capaz de se adaptar a novas situações todos os dias, porque o mundo está mudando muito rapidamente. É um grande desafio.
Um grande desafio, se aceito, vai ajudar bastante na expansão da consciência. Ou o homem moderno vai ser totalmente neurótico ou o homem moderno vai ser transformado pela própria pressão. Depende de como ele lida com isso. Uma coisa é certa: nãõ tem como voltar atrás. Os estímulos sensoriais vão continuar a crescer cada vez mais (ele acertou: hoje todo mundo está permanentemente na internet, com o telefone celular na mão). O homem obterá cada vez mais informações, e a vida mudará em um ritmo cada vez mais rápido. E ele terá de ser capaz de aprender coisas novas, de se adaptar a coisas novas.
No passado, o homem vivia em um mundo praticamente estático. Tudo era estático. O homem deixava o mundo exatamente como seu pai deixava para ele. Não teria mudado nada absolutamente. Nada havia mudado. Não havia motivo para aprender muito. Um pouco de aprendizado já era o suficiente. E, com isso, o ser humano tinha espaços em sua mente, espaços vazios que ajudavam as pessoas a permanecerem sãs. Agora não há mais espaço vazio, a menos que alguém o crie intencionalmente.
A meditação é necessária mais do que nunca nos dias de hoje.
A meditação é tão necessária que é quase uma questão de vida ou morte.
No passado, a meditação era um luxo, tanto que poucas pessoas, como um Buda, um Mahavira, um Krishna, se interessavam por isso. Outros mantinham-se naturalmente em silêncio, eram naturalmente felizes e sãos. Não havia a necessidade de se pensar em meditação, pois, de forma inconsciente, eles estavam meditando. A vida se movia de forma tão silenciosa, tão devagar, que até as pessoas mais estúpidas eram capazes de se adaptar a ela. Agora, a mudança é extremamente rápida, com uma velocidade tal que até os mais inteligentes sentem dificuldade de se adaptar. A cada dia a vida é diferente, e as pessoas têm que aprender de novo, têm de aprender repetidas vezes.
Nunca podem parar de aprender agora, e tem que ser um processo para toda a vida.
Como não sucumbir a essa pressão? A pessoa precisará ter momentos meditativos, de modo intencional. Se uma pessoa não meditar pelo menos uma hora por dia, então a neurose não ocorrerá por acaso, será criada pela própria pessoa.
Durante uma hora a pessoa deve desaparecer do mundo em seu próprio ser. Durante uma hora ela deve ficar tão sozinha que nada penetre nela, nenhuma memória,nenhum pensamento, nenhuma imaginação, uma hora sem nenhum conteúdo em sua consciência, e isso vai rejuvenescê-la e recarregá-la. Isso vai liberar novas fontes de energia nela, de modo que ela venha a estar de volta no mundo mais jovem, mais revigorada, com maior capacidade de aprender, com mais admiração em seus olhos, com mais reverência em seu coração - como uma criança novamente.
Essa pressão de aprender e o velho hábito de não aprendizagem estão levando as pessoas à loucura. A mente moderna é realmente sobrecarregada, e não há tempo para digeri-la, para assimilá-la dentro do próprio ser. É aí que a meditação entra e se torna mais significativa do que nunca.
Sem dar tempo par que a mente descanse em meditação, as pessoas reprimem todas as mensagens que vão sendo despejadas nela constantemente. Elas se recusam a aprender, dizem que não têm tempo. Então, as mensagens começam a acumular (muito comum na minha caixa de entrada de emails). Se elas não têm tempo suficiente para ouvir as mensagens que a mente recebe de forma contínua, elas começam a se acumular, assim como arquivos que se acumulam em cima da mesa (no computador), pilhas de cartas (emails) que se acumulam na mesa, porque não houve tempo suficiente para lê-las e respondê-las. É exatamente assim que a mente se torna atravancada: são tantos arquivos (sites) à espera de serem analisados, tantas cartas (emails) a serem lidas, a serem respondidas, tantos desafios a serem adotados, a serem enfrentados!
Ouvi dizer que certa vez Mulla Nasruddin disse o seguinte: "Se acontecer algo de errado hoje, eu não terei tempo, durante pelo menos três meses, de analisar isso. Tantas coisas erradas já aconteceram e que estão à espera! Se acontecer algo de errado hoje, não terei tempo de analisar durante três meses, pelo menos."
Uma fila. É possível ver essa fila dentro de cada um, e ela vai crescendo. E quanto maior a fila, menor é o espaço que se tem; quanto maior a fila, maior é o barulho no interior, porque tudo o que a pessoa tiver acumulado exige a sua atenção.
Isso geralmente começa por volta dos 5 anos de idade, quando o verdadeiro aprendizado praticamente para, e dura até a morte. Antigamente, isso não era problema. Cinco ou sete anos eram suficientes para se aprender tudo o que era necessário na vida, era o que bastava. O aprendizado de sete anos fazia setenta anos de vida. No entanto, agora isso não é possível.
As pessoas não podem parar de aprender porque sempre acontecem coisas novas, e não se pode enfrentar coisas novas com velhas ideias. Não se pode depender dos pais e de seu conhecimento, não se pode nem mesmo depender dos professores na escola ou na universidade, porque o que eles estão falando já está desatualizado. Já aconteceram muito mais coisas.
Agora, os alunos não podem depender dos professores, e as crianças não podem depender de seus pais, e, consequentemente, uma grande rebelião está a caminho em todo o mundo. Os alunos não podem mais respeitar seus professores, a não ser que esses professores aprendam de forma continuada. Eles não podem ser respeitados. Respeitados pelo que? Não há nenhuma razão. E as crianças não podem respeitar seus pais, porque a abordagem dos pais parece muito primitiva. Crianças pequenas estão ficando conscientes de que o que os pais dizem está desatualizado. Os pais vão ter que aprender continuamente, se quiserem ajudar seus filhos a crescer, e os professores também vão ter que aprender constantemente. Agora, ninguém pode parar de aprender. E essa velocidade vai aumentar de forma constante.
Assim, em primeiro lugar, a aprendizagem não deve ser interrompida, pois, do contrário, a pessoa fica neurótica, uma vez que deixar de aprender significa que se está acumulando informações que não foram assimiladas, digeridas, e que não se tornaram seu sangue, seus ossos, sua essência. Vão ficar em volta da pessoa com grande insistência para serem assimiladas.
Em segundo lugar, a pessoa vai precisar de tempo para relaxar. Essa pressão é grande demais. Será necessário se afastar por algum tempo dela. O sono não pode mais ajudar a pessoa, porque o sono, em si, está ficando sobrecarregado. O dia é tão sobrecarregado que, quando a pessoa vai dormir, apenas o corpo cai mole na cama, mas a mente continua a resolver coisas. Isso é o que se chama de sonhar: não é nada além de um esforço desesperado da mente para resolver coisas, porque a pessoa não vai ter tempo disponível para tal.
É preciso relaxar conscientemente em meditação. Poucos minutos de meditação profunda vão mantê-las distante da neurose.
Na meditação, a mente desatravanca, as experiências são digeridas e a sobrecarga desaparece, e a mente fica revigorada e jovem, clara e limpa.
No passado, o volume de entrada era um décimo do tempo de alguém, e o tempo de meditação era de nove décimos. Agora, é o inverso: o volume de entrada é de nove décimos e o tempo de meditação é de um décimo.
É muito raro o homem realmente relaxar. É muito raro sentar-se em silêncio, sem fazer nada. Mesmo aquele tempo de um décimo de meditação inconsciente está desaparecendo. Quando isso acontecer, o homem vai ficar completamente louco. E isso já está acontecendo.
O que quero dizer com tempo de meditação inconsciente? É simplesmente ir até o jardim, brincar com os filhos, esse é o tempo de meditação inconsciente. Ou nadar na piscina, esse é o tempo de meditação inconsciente. Ou aparar a grama, ouvir os pássaros, esse é o tempo de meditação inconsciente. Isso também está desaparecendo, porque, sempre que as pessoas têm algum tempo, elas estão sentadas em frente à TV (hoje, consultando seus telefones celulares), grudadas em seus assentos.
E informações perigosíssimas são colocadas na mente da pessoa através da TV (hoje, através da internet), informações que ela não vai serr capaz de digerir. Ou a pessoa lê jornais,e absorve todo o tipo de absurdo. Sempre que tem tempo, liga o rádio ou a TV. Ou, um dia sente-se muito bem e quer relaxar, então vai ao cinema. Que tipo de relaxamento é esse? O cinema não permitirá que ela relaxe, porque as informações lhe são lançadas constantemente.
O relaxamento ocorre quando não é lançada nenhuma informação para a pessoa.
Ouvir um cuco vai dar certo, porque nenhuma informação é absorvida pela pessoa. Ouvir música vai dar certo, porque não lhe é lançada nenhuma informação. A música não tem linguagem, é puro som. Não oferece nenhuma mensagem, simplesmente dá prazer à pessoa. Dança vai ser bom, música vai ser bom, trabalhar no jardim vai ser bom, brincar com as crianças vai ser bom. Ou simplesmente sentar-se, sem fazer nada, vai ser bom. Esta é a cura. E, se for feito de modo consciente, o impacto será maior.
É preciso criar um equilíbrio.
A neurose é um estado da mente em desequilíbrio: atividade demais e falta de inatividade, masculino demais e ausência de feminino, yang demais e muito pouco yin. E o indivíduo tem que ser meio a meio. Tem que manter um equilíbrio profundo. É preciso uma simetria dentro de si. Tem que ser metade homem, metade mulher, para nunca ficar neurótico.
A individualidade não é nem masculina, nem feminina, é a simples união. Esforce-se para alcançá-la entre o tempo despendido fazendo algo versus o tempo despendido sem fazer nada. Essa é a totalidade. Isso é o que Buda chamou de seu Caminho do Meio. Basta estar exatamente no meio. E é preciso lembrar que a pessoa pode ficar desequilibrada no outro extremo também, ou seja, pode se tornar inativa demais. Isso também será perigoso. Ela tem suas próprias armadilhas e seus perigos. Se a pessoa se torna inativa demais, sua vida perde a dança, sua vida perde a alegria, e ela começa a morrer.
Portanto, não estou dizendo para a pessoa se tornar inativa, estou dizendo que deixe haver um equilíbrio entre a ação e a inércia. É preciso permitir que elas se equilibrem entre si e que a pessoa fique exatamente no meio. A pessoa deve deixar que elas sejam duas asas de seu ser. Nenhuma asa deve ser maior do que a outra.
No Ocidente, a ação tornou-se grande demais, e a inércia desapareceu. No Oriente, a inércia tornou-se muito grande, e a ação desapareceu. O Ocidente conhece a abundância, a riqueza, do lado de fora, e a pobreza do lado de dentro, enquanto o Oriente conhece a riqueza, a abundância do lado de dentro, e a pobreza do lado de fora. Ambos estão no sofrimento porque ambos escolheram os extremos.
A minha abordagem não é nem oriental, nem ocidental, a minha abordagem não é nem masculina, nem feminina, a minha abordagem não é nem de ação, nem de inércia, a minha abordagem é de total equilíbrio, simetria, no ser. Por isso, eu digo: não deixem o mundo. Estejam no mundo,no entanto, não pertençam a ele. Isso é o que os taoístas chamam de wei-wu-wei, ação através da inação, é o encontro do yin com o yang, da anima com o animus, e que traz a iluminação. O desequilíbrio é a neurose, o equilíbrio é a iluminação.
*Osho faleceu em 1990, aos 59 anos. Relatou essas ideias nos anos 1980. Hoje a situação está muito mais crítica, com o advento da internet.
Fonte: Osho, O livro do ego: Liberte-s da ilusão, Editora BestSeller, Rio de Janeiro, 2022. ISBN: 978-85-7684-710-6.
Marcadores: Edison, meditação, neurose
sexta-feira, junho 09, 2023
A Ciência Espiritual - 1
Fonte: Aage Nost, Spiritual Science, higher conscious thinking, and how to access the universal consciousness. Learn how to expand the power of the mind at every level of existence, Outskirts Press, 2015. ISBN: 978-1-4787-4863-2.
A liberdade sempre começa na mente e de lá nós criamos nossa própria liberdade.
Qualquer coisa imperfeita pode ser restaurada removendo o erro que causou a imperfeição.
A igreja criou um "Deus" do lado de fora, e separado de nós.
Assuma a responsabilidade por qualquer coisa que acontece com você, "boa" ou "má". Ela veio da sua mente. Você trouxe ela para você pelo modo que você pensa, age, fala e interage com a Consciência Universal.
Você irá viver a vida que você falar e que pensa que você merece.
A alma é inteiramente espiritual e em uma realidade espiritual, existe apenas experiências, não coisas como "bem" e "mal".
A melhor maneira de minar o Ego, é começar ignorando o Ego das outras pessoas. A não-reação ao Ego das outras pessoas não é um sinal de fraqueza, mas um sinal de fortaleza.
Existe uma moral para a estória do Ego? Existe muitas. Apenas lembre-se que o Ego não é você, e tudo o que você combate você está dando poder e energia para isso, e você irá fortalecer isso. É muito melhor "parar de pensar" no inimigo, do que o combater. Neste caso, "não pensar" significa mais uma ausência de pensamento, através da meditação, e isso permite que a Consciência Universal apague os programas mentais prejudiciais do subconsciente.
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domingo, abril 09, 2023
Cura: Parar, Acalmar-se e Descamsar
O ato de se acalmar produz o repouso, e o descanso é um pré-requisito para a cura. Quando os animais selvagens estão feridos, eles procuram um lugar escondido para deitar, e descansam completamente por muitos dias (fazem jejum). Não pensam em comida nem em mais nada. Apenas descansam, e com isso obtêm a cura de que precisam. Quando nós, seres humanos, ficamos doentes, nos preocupamos o tempo todo. Procuramos médicos e remédios, mas não paramos. Mesmo quando vamos para a praia ou para as montanhas com a intenção de descansar, não chegamos realmente a repousar, e voltamos mais cansados do que partimos. Temos que aprender a repousar. A posição deitada não é a única posição de descanso que existe. Podemos descansar muito bem durante meditações sentados ou caminhando. A meditação não deve ser um trabalho árduo. Simplesmente permita que seu corpo e sua mente descansem, como o animal no mato. Não lute. Não há necessidade de fazer nada nem realizar nada. Eu estou escrevendo um livro, mas não estou lutando. Estou descansando. Pratiquem tudo de uma forma que não seja cansativa, mas que seja capaz de proporcionar descanso ao corpo, às emoções e à consciência. Nosso corpo e mente sabem curar a si mesmos se lhes dermos uma oportunidade para isso.
Parar, acalmar-se e descansar são pré-requisitos para a cura. Se não conseguirmos parar, nosso ritmo de destruição simplesmente vai prosseguir. O mundo precisa imensamente de cura. Os indivíduos, comunidades e países estão cada vez mais necessitados de cura.
Marcadores: cura, descansar, jejum, meditação, mente
domingo, janeiro 29, 2023
Entregue-se ao Amor
Fonte: Osho, Entregue-se ao Amor, Editora Rideel, 2006.
Por que, todas as vezes que faço sexo, sinto que alguma coisa está errada?
Alguma coisa parece estar errada porque você não se envolveu, ou não foi longe o suficiente. Você faz sexo com uma mente condicionada. Nunca foi capaz de fundir-se nele nem por um momento sequer. Faz sexo com toda a culpa que os sacerdotes criaram em sua mente. Não o faz com inocência; não o faz como um virgem.
Você pode ficar surpreso ao me ouvir usar a palavra "virgem". Virgem é a pessoa que consegue fazer sexo com inocência. Não tem nada a ver com virgindade física; é algo imensa e profundamente psicológico, quase tocando a barreira do espiritual. Virgindade significa fazer sexo sem as idéias que as outras pessoas impuseram em você.
Neste aspecto, é muito raro encontrar uma pessoa virgem, porque as sociedades contaminaram a todos. Você ouviu conceitos contrários ao sexo - ouviu que sexo é um pecado, que o sexo é feio, que o sexo é animal, que o sexo não é divino, que o sexo é a barreira entre você e Deus. Com todos esses conceitos, como você consegue fazer sexo com tantas coisas lhe detendo? Um grande grupo de sacerdotes lhe influenciando - como consegue fazê-lo? Só faz parcialmente.
Mas, mesmo quando faz sexo, seus sacerdotes ficam falando dentro de você, gritando com você, condenando você. Isso é que é a consciência. Sua tão famosa consciência nada mais é do que a voz dos sacerdotes que foi colocada dentro de você. Isso é um dos maiores prejuízos causados à humanidade em todos os tempos.
Você pode estar fazendo sexo, mas não está sozinho. O sacerdote está puxando as cordas atrás de você: ele está dizendo: "Isso é pecado. Você vai sofrer no inferno." Você está fazendo sexo e está imaginando o fogo do inferno. Como conseguir e envolver no sexo?
Não consegue fazê-lo e nem consegue transcendê-lo - porque a transcendência requer primeiramente um envolvimento. Apenas aqueles que se envolvem totalmente conseguem a transcendência. O conhecimento, a experiência, ajudam você a transcender. A experiência liberta.
Quando você não está fazendo sexo, sua mente fantasia - porque a mente precisa da experiência. É um desejo natural, uma vontade natural; a mente quer se realizar. E quando você faz sexo, o sacerdote o detém.
Você sai frustrado. E por causa de sua frustração, quer mais. Esse é um dilema que o sacerdote criou na humanidade. O sacerdote tem sido o maior inimigo da humanidade.
Você nunca transcenderá o sexo. Você pode se tornar pervertido, mas não pode transcender o sexo. A transcendência só acontece quando você se envolve totalmente nele, quando o vê totalmente e vê sua momentaneidade - e percebe que não era bem o sexo que desejava, mas algo a mais. Sexo foi apenas uma desculpa para experimentar algo a mais. Quando você experimenta o sexo completamente, você se torna mais consciente do algo a mais.
O que é esse algo a mais? Na alegria orgásmica do sexo, o tempo desaparece, o ego desaparece - essas duas coisas desaparecem. Esse é o maior desejo em você. Quando descobre que, no sexo profundo, duas coisas desaparecem - ego e tempo... Você não tem consciência do tempo, você entra na eternidade; e você não tem consciência da separação; o ego não está funcionando - essa é a alegria. Quando entende que essa é a raiz da alegria, você se livra do sexo. Porque agora o que importa é que você pode abandonar o ego e o tempo sem entrar no sexo. E o sexo pode fazer com que isso aconteça apenas por um momento, e, então, a escuridão aparece. A luz vem apenas por um momento.
Mas através da meditação, essa luz se torna uma realidade em você. Você começa a viver fora do tempo e fora do ego. O que você consegue em um orgasmo por um momento, Buda consegue manter vinte e quatro horas por dia. É por isso que ele não precisa de sexo. Isso é a transcendência.
A transcendência só torna-se possível quando você conhece o segredo do sexo. O segredo é que se trata de um equipamento natural e biológico para deixá-lo consciente da meditação. Foi através do orgasmo que a meditação foi descoberta. A primeira pessoa que descobriu a meditação pode tè-la descoberto através do sexo; não existe outro caminho - porque o sexo é um fenômeno natural. A meditação é uma descoberta, é um fenômeno natural. Vai além da natureza, é uma transcendência.
Você não começará a transcender ao sexo até que comece a sentir que ele não tem nada de errado. A idéia de que ele não é certo é da sociedade, da religião que, por acaso, você recebe ao nascer. É dada pelos outros a você, e esses outros a receberam de outros.
Sempre que alguma coisa é reprimida, ela se torna ainda mais atraente. A repressão não pode lhe ajudar com relação à transcendência. Apenas a expressão pode levá-lo à transcendência.
Deixe o sacerdote ir embora. O sacerdote tem de ser deixado de lado, todos os sentimentos de culpa têm de ser deixados de lado. E sei que isso é difícil, porque essa é toda sua mente, e toda a sociedade o apoia. A sociedade inteira acredita no sacerdote. Você vai se sentir muito sozinho ao deixá-lo de lado, sentirá muito medo - porque ao deixá-lo de lado, você não será mais um na multidão. Você não vai mais ser um carneiro, se tornará um indivíduo. E é assustador estar sozinho.
É por isso que as pessoas seguem o pastor. O pastor segue repetindo velhas bobagens, superstições, coisas sem sentido. Ele vai repetindo coisas ruins, mas continuamos acreditando - porque se não acreditarmos ficamos sozinhos. E as pessoas têm muito medo de ficarem sozinhas.
O sacerdote tem sido forte, não porque ele é forte, mas porque você é fraco. O poder dele encontra-se na sua fraqueza. Quando você ficar forte, o sacerdote desaparecerá.
Você não sabe como participar corretamente, por isso existe o problema. Não conhece a linguagem da participação, a arte de colocar-se em sintonia com a energia da outra pessoa, de conectar-se com a outra pessoa em todos os níveis de energia possíveis - não apenas do corpo, mas da mente, da alma; não apenas dos centros mais baixos, mas dos mais altos também.
Mas ninguém foi ensinado. E lembre-se, nos animais, o sexo é um instinto; no homem, é uma arte. No homem tudo é uma arte, nos animais, tudo é um instinto. Por exemplo, se levar um búfalo ao pasto, ele comerá certas gramas e deixará todo o resto. A escolha dele é predeterminada. Ele não está escolhendo; a escolha é mecânica, ele funciona como um robô. É instintivo.
Com o homem, nada é instintivo. O homem se livrou do instinto - e esse é um grande fenômeno. A sua glória é não mais ser instintivo. Você tem uma certa liberdade.
É por isso que o homem come todos os tipos de coisas. Nenhum animal come como o homem; todo animal tem uma alimentação específica. Apenas o homem come todos os tipos de coisas - imagináveis e inimagináveis. Não dá para acreditar! Eu tenho analisado os hábitos das pessoas do mundo todo, e eu sinto que não existe nada no mundo que não seja consumido em algum lugar.
Instintivamente, o homem deveria ser vegetariano - porque seus intestinos mostram que ele deveria ser vegetariano, ele não deveria comer carne. Os animais que comem carne têm intestinos pequenos. O homem tem um intestino muito grande. O intestino grande pertence aos vegetarianos, porque o animal que come carne pode comer uma vez e é o suficiente para o dia todo. O leão come apenas uma vez por dia, mas o macaco o dia todo, segue comendo - porque quando você come vegetais, precisa comer uma quantidade muito maior. Grande parte dos vegetais não é aproveitada pelo organismo; apenas uma pequena parte é absorvida. A carne pode ser absorvida totalmente; já é algo absorvido. Algum outro animal já teve o trabalho de absorvê-la, você está comendo algo pronto. Mas se come vegetais, demora muito tempo para absorvê-los, e precisa de uma passagem mais longa para que possa permanecer em seu corpo por mais tempo.
Fisiologicamente, o homem é vegetariano, mas o instinto já não decide mais. Até o sexo não é mais um instinto. É por isso que encontramos tantas variações no homem - não é possível encontrá-las nos animais. Os animais não são homossexuais, os animais não são bissexuais. E lembre-se, não estou falando do animal que vive no zoológico - porque, no zoológico, eles aprendem com os seres humanos. Estou falando sobre os animais selvagens. Nos zoológicos, é possível encontrar animais fazendo todos os tipos de coisas; é um estado não-natural. Mas, na selva, eles sempre são heterossexuais.
Por que o homem tem tantas maneiras de se relacionar - heterossexual, auto-sexual, homossexual, bissexual, a dois ou em grupos? O homem tem a liberdade de escolher. E essa escolha pode torná-lo doente ou um buda. Depende de você, de como usa sua liberdade.
A liberdade é um fenômeno perigoso - muito importante, mas perigoso também. Você pode cair abaixo dos animais e subir além dos deuses- essa é a liberdade. Nenhum animal pode ir abaixo do estado em que se encontra. Apenas Adão e Eva caíram; os outros animais ainda vivem no Jardim do Éden. Nenhum outro animal já comeu o fruto da árvore do conhecimento - nem mesmo a serpente que convenceu Adão e Eva, ela ainda não o comeu. Ainda está no Jardim do Éden. Já ouviu falar da queda da serpente? Ainda não aconteceu.
O homem tem uma liberdade imensa, é por isso que ele pode cair. Ele não está mais preso aos instintos, é muito solto. Ele não é como uma árvore, enraizada, fixa; ele pode se movimentar, é uma árvore ambulante. Suas raízes não são fixas, são flutuantes. Isso é ótimo - mas poucas pessoas usam isso corretamente.
Você pode cair como Adão e Eva, ou pode subir como Jesus.
O sexo tem de ser aprendido. E não há ninguém para ensiná-lo, não há escolas. Nenhuma escola pode existir! Todo mundo pode envenenar você contra o sexo, ninguém tem a permissão de ensinar a você a respeito do sexo. Ninguém tem a permissão de torná-lo ema arte requintada - que ele é.
O homem precisa ser ensinado a respeito de tudo. O homem não tem instintos predeterminados, então tudo é possível. E se não receber direções claras, terá de andar às cegas no escuro.
A escola de Pitágoras era uma escola na qual ensinava-se como transcender ao sexo, indo nele a fundo. É por isso que ele foi torturado, perseguido sua vida inteira, de uma cidade a outra. Ele fugiu sua vida toda, de uma ilha a outra. E, por fim, ele teve de transformar aquilo em algo secreto. Não havia a necessidade de torná-lo secreto, porque ele estava tendo belas experiências. Ele queria se relacionar com as pessoas, mas algumas pessoas não estavam prontas nem mesmo para ouvir. É por isso que se tornou secreto.
O segredo é apenas uma medida de segurança. Pitágoras teve de manter segredo. Então, apenas aqueles que eram mais próximos dele conheciam os verdadeiros segredos. Nem mesmo Lysis os menciona. E tudo que ele diz... você fica surpreso. Parece que nada vale a pena ser guardado como segredo. Ele diz coisas simples: "Cuide de sua saúde" - qual o segredo nisso? Ou então: "Mantenha-se sempre centrado" - para que manter isso em segredo?
No dia em que Pitágoras morreu, a escola toda foi queimada. Seus discípulos foram mortos, massacrados, e toda a tradição que ele tornara viva no Ocidente pela primeira vez... ele procurou no Oriente durante anos - dedicou sua vida inteira à busca. Todos aqueles ensinamentos secretos foram destruídos.
O homem tem de ser ensinado a fazer tudo - a comer, a amar, a ser. Se ninguém ensiná-lo, ele permanece como um descuidado, ele permanece sendo algo muito estranho, vago, ambíguo - algo incerto, algo sempre hesitante. Ele continua fazendo algumas coisas porque é capaz de sentir alguns inpulsos de seu instinto mas não tem uma direção clara, não tem um sentido de direção.l
Você tem de aprender o que é o sexo. E quando eu digo isso, as pessoas entendem que estou dizendo que elas não conheceram o sexo. Não, você o conheceu - mas seu conhecimento é muito superficial. Seu conhecimento não é de fato uma arte, não é de fato uma filosofia. Você pode ter alguns filhos também, assim pode pensar que sabe o que é sexo por ter filhos.
Ter filhos não quer dizer que você saiba o que é o sexo. Ter filhos é tão simples quando acender e apagar a luz. Só por acender e apagar a luz, não pense que sabe o que é eletricidade. Ou você pensa que sabe o que é eletricidade só por que sabe acender e apagar a luz? Algumas pessoas pensam assim, pensam que sabe o que é eletricidade.
O sexo é um fenômeno muito mais profundo do que a eletricidade. A eletricidade que você conhece é uma réplica material do sexo, o sexo é a réplica espiritual dela. A eletricidade que você conhece é um fenômeno morto. O sexo é vivo: é a eletricidade mais a vida. É uma síntese muito maior - ainda tem de ser descoberta.
Há três mil anos, a ciência do tantra tem sido desenvolvida em fragmentos, mas a sociedade sempre a destrói. Ela tem muito medo de dar aos homens grandes segredos que os tornarão indivíduos independentes.
Você não sabe o que o sexo é. Por favor, diga adeus a todos os sacerdotes, livre-se dos absurdos que você tem ouvido a respeito do sexo. Experimente começar de novo, de modo inocente. Entre nele com meditação - é uma oração. Ele é uma das coisas mais sagradas, a mais sagrada das sagradas, porque é por meio do sexo que a vida chega, e é por meio do sexo que você pode penetrar na fonte da vida. Se você for fundo no sexo, encontrará Deus. Encontrará as mãos de Deus em algum lugar no fundo da experiência sexual.
O sexo tem de ser uma meditação e você tem de aprender sua arte, cante, dance, celebre. O sexo não pode ser algo fugaz, não deve ser uma coisa do tipo atropelamento sem socorro - como vem sendo feito. Saboreie o sexo. Ele tem de ser um grande ritual. Foi assim que os rituais tântricos surgiram. Prepare-se para ele. Torne-se mais sensível, aberto, quieto. Quando você está fazendo amor, está entrando no templo de Deus. Entre apenas quando estiver envolvido, caso contrário, não.
Não faça-o com luxúria, faça com envolvimento - então será capaz de conhecer o segredo do sexo. Não faça para explorar a outra pessoa, faça para compartilhar. Não faça como se o sexo fosse um tipo de alívio - essa é a forma mais inferior do sexo. A forma mais suprema não é o alívio, mas o êxtase. O alívio é negativo.
Sim, o sexo o alivia de uma certa energia, mas somente o alivia - e você terá perdido a parte positiva. A parte positiva é quando essa energia nutre você - não só o alivia, mas faz bem, cria algo superior em você. Quando o sexo é usado apenas como um alívio, como um descarrego, é a parte mais inferior dele.
A forma mais superior é extremamente criativa: a energia não é arrancada de seu ser, ela é reciclada em planos mais elevados. A energia faz um vôo, começa a elevar-se acima da gravitação. Começa a penetrar em seus chakras mais elevados. Não é apenas um alívio, mas um vôo de êxtase. E então, você descobre que no momento mais profundo do orgasmo, o ego e o tempo desaparecem. Quando você percebe isso, não vai mais precisar de sexo. O sexo revelou seus segredos, lhe deu a chave ,a chave de ouro.
Agora você pode usar essa chave de ouro sem entrar em nenhuma atividade sexual. Agora você pode sentar-se em Zasen, agora você pode sentar-se em silêncio, deixando seu ego de lado e esquecendo-se do tempo. E alcançará as mesmas alturas e ficará cada vez mais nessas alturas.
E chegará o dia em que você se tornará um residente permanente desses topos. Esse dia é o dia da grande alegria: quando se tornará um buda.
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terça-feira, janeiro 17, 2023
O Jogador
Fonte: Osho, O Livro do Homem, Ícone Editora, 2000. ISBN 85-274-0616-0
O que significa viver perigosamente?
Viver perigosamente significa viver. Se você não vive perigosamente você não vive.
Você floresce apenas no perigo. Você nunca floresce na segurança; apenas na insegurança.
Se você começa a obter segurança, você se torna uma água parada. Então sua energia não está mais circulando. Então você está receoso, porque ninguém sabe como ir em direção ao desconhecido. E por que correr risco? - o conhecido é mais seguro. Então você se torna obcecado pelo familiar. Você continua ficando farto com isto, você fica entediado com isto, você se sente miserável, mas isso ainda parece familiar e confortável. Pelo menos é conhecido. O desconhecido cria um tremor em você. Qualquer idéia em relação ao desconhecido e você começa a se sentir inseguro.
Há apenas dois tipos de pessoas no mundo. As pessoas que querem viver confortavelmente... Elas estão procurando a morte, elas querem um túmulo confortável. E as pessoas que querem viver. Elas escolhem viver perigosamente, porque a vida só floresce quando há risco.
Você já escalou montanha?
Quanto mais alto você escala, mais frescor você sente, mais jovem você se sente. Quanto maior o perigo de cair, quanto maior o abismo, mais vivo você fica... entre a vida e a morte, quando você está apenas pendurado entre a vida e a morte. Então não há tédio, então não há poeira do passado, hão há desejo pelo futuro. Então o momento presente é muito cruciante, como uma chama. É suficiente. Você vive no aqui e agora... ou surfando ou esquiando: onde quer que haja risco de perder a vida, há um tremendo regozijo porque o risco de perder a vida o faz tremendamente vivo. É por isso que as pessoas são atraídas por esportes perigosos.
As pessoas escalam montanhas. Alguém perguntou a Hillary: "Por que você tentou escalar o Everest? Por que?" Hillary disse: "Porque é um constante desafio."
Era arriscado, muitas pessoas morreram antes. Por quase sessenta, setenta anos, grupos de pessoas têm ido lá, e era quase morte certa. Mas as pessoas ainda continuam indo. Qual era a atração?
Alcançando o mais alto, indo para longe da vida estável, da rotina, você se torna selvagem novamente, você se torna novamente parte do mundo animal. Você vive como um tigre ou um leão ou como um rio. Você novamente voa como um pássaro em direção aos céus, cada vez mais distante. E a cada momento, a segurança, o saldo bancário, a esposa, o marido, a família, a sociedade, a igreja, a respeitabilidade - vão se desvanecendo, tornando-se mais e mais distantes. Você se torna só.
É por isso que as pessoas são tão interessadas em esportes. Mas isto também não é realmente um perigo porque você pode se tornar muito hábil.
Você pode aprender, você pode ser treinado. É um risco calculado. Você pode treinar para escalar e pode tomar todas as precauções. Ou dirigindo, dirigindo em alta velocidade. Você pode ir a cento e sessenta quilômetros por hora. É perigoso, é emocionante. Mas você pode se tornar realmente habilidoso, e o perigo é só para os que estão de fora; não para você. E mesmo se houver, é ínfimo.
Mas estes riscos são apenas riscos físicos, apenas o corpo está envolvido.
Quando digo a você, viva perigosamente, eu quero dizer para não arriscar-se apenas no aspecto físico, mas no psicológico, e finalmente no espiritual. Religiosidade é um risco espiritual. Vai a alturas de onde pode não haver retorno.
Quando eu digo viver perigosamente, quero dizer para não viver a vida da respeitabilidade ordinária, comum - você é prefeito de uma cidade, ou um membro de cooperativa. Isto não é vida. Ou você é um ministro, ou você tem uma boa profissão e está ganhando bem e o dinheiro continua acumulando no banco e tudo está indo perfeitamente bem.
Simplesmente veja - você está morrendo e nada está acontecendo.
As pessoas podem respeitar você, e quando você morrer, um grande cortejo lhe seguirá. Bom, isso é tudo. E nos jornais sua foto será publicada e haverá editoriais, e então as pessoas esquecerão de você. E você viveu toda sua vida só por essas coisas.
Observe - uma pessoa pode perder a vida toda para coisas comuns, mundanas. Ser espiritual significa compreender que não deveria ser dada muita importância a estas pequenas coisas. Eu não estou dizendo que estas coisas não têm significado. Eu estou dizendo que são significativas, mas não tanto quanto você imagina.
Dinheiro é necessário. É uma necessidade. Mas dinheiro não é o objetivo e não pode ser o objetivo. Uma casa é necessária, certamente. É uma necessidade. Eu não sou um ascético e não quero que vocês destruam suas casas e fujam para o Himalaia. A casa é necessária - mas a casa é necessária para vocês.
Não interpretem mal.
Como vejo pessoas, a coisa toda tem estado às avessas. Elas vivem como se fossem necessárias para a casa. Elas continuam trabalhando para a casa. Como se elas fossem necessárias para o saldo bancário - elas simplesmente continuam acumulando dinheiro e então elas morrem. E elas não viveram. Elas não tiveram nenhum momento de vibração, uma vida transbordante. Elas estavam apenas aprisionadas na segurança, na familiaridade, na respeitabilidade.
Então se você se sente entediado, é natural. As pessoas vêm até mim e elas dizem que se sentem muito entediadas. Elas estão enjoadas. O que fazer? Elas acham que é só repetir um mantra, e elas se tornarão vivas novamente. Não é tão fácil.
Elas terão que mudar todo o padrão de vida.
Ame, mas não ache que amanhã a mulher estará disponível para você. Não espere isso. Não reduza a mulher em esposa.
Então você está vivendo perigosamente.
Não reduza o homem em marido, porque um marido é uma coisa feia. Deixe seu homem ser seu homem e sua mulher ser sua mulher. E não faça seu amanhã um prognóstico. Não espere nada e esteja pronto para tudo. É o que quero dizer quando digo para viver perigosamente. O que fazemos?
Nós nos apaixonamos por uma mulher e imediatamente nós começamos a ir para a corte, ou ao escritório de registro, ou para a igreja para se casar. Eu não estou dizendo para não se casar. É uma formalidade. Bom, satisfaz a sociedade. Mas no fundo da sua mente, nunca possua uma mulher. Nunca por um momento diga: "Você pertence a mim" - porque, como pode uma pessoa pertencer a você? E quando você começar possuir a mulher, ela começará possuir você. Então ambos não estão mais se amando. Vocês estão apenas esmagando e matando um ao outro, paralisando um ao outro.
Ame - mas não reduza seu amor em casamento. Trabalhe - o trabalho é uma necessidade - mas não deixe o trabalho tornar-se sua única vida.
A brincadeira deveria fazer parte da sua vida, seu ponto central.
O trabalho deveria ser um meio para a brincadeira. Trabalhe no escritório e trabalhe na fábrica e trabalhe na loja, mas apenas para divertir, uma oportunidade para brincar. Não deixe sua vida ser reduzida apenas a uma rotina de trabalho - porque o objetivo da vida é a brincadeira.
Brincar significa fazer algo com fim em si mesmo.
Você vem até a mim para meditar, e você leva a meditação também como um trabalho. Você pensa que alguma coisa tem que ser feita para alcançar Deus. Isto é um absurdo!
Meditação não pode ser feita dessa maneira. Você tem que brincar, você tem que levar como uma brincadeira. Quando você desfruta, a meditação progride. Quando você leva como um trabalho, como uma obrigação a ser feita - porque você tem que fazer, você tem que alcançar moksha, nirvana, a libertação - então novamente você tem trazido suas tolices para o mundo da brincadeira.
Meditação é brincadeira. Você desfruta com o fim em si mesmo.
Se você desfruta muito mais coisas com o fim em si mesmo, você estará mais vivo. É claro, sua vida será sempre um risco, perigoso. Mas isto é como a vida tem que ser. O risco faz parte. De fato a melhor parte é o risco. A mais bela parte é o risco. E cada momento é um risco. Você talvez não esteja consciente. Você inspira, você expira. Há risco. Mesmo expirando, quem sabe se a respiração voltará ou não? Não é certo, não há garantia.
Mas existem umas poucas pessoas para quem toda religião é segurança. Mesmo se elas falarem em Deus, elas falam em Deus como a suprema segurança. Se elas pensam em Deus, elas pensam somente porque elas estão receosas. Se elas vão rezar e meditar, estão indo a fim de serem registradas como boas pessoas no livro de Deus.
"Se houver um Deus, ele saberá que eu era um assíduo frequentador da igreja, um fiel assíduo. Eu posso reivindicar isto." Mesmo suas preces são um meio.
Viver perigosamente significa viver a vida como se cada momento fosse seu próprio fim. Cada momento tem seu próprio valor intrínseco. E você não está receoso. Você sabe que a morte existe e você aceita o fato da morte existir, e você não está se escondendo da morte.
Na verdade, você vai e se depara com a morte. Você desfruta daqueles momentos de encontro com a morte - fisicamente, psicologicamente, espiritualmene.
Desfrutar esses momentos onde você entrou diretamente em contato com a morte, onde a morte se torna quase uma realidade, é o que eu me refiro quando digo para viver perigosamente.
O Amor traz você cara a cara com a morte. A meditação traz você cara a cara com a morte. Ir a um mestre é ir de encontro com a própria morte.
Estes que são corajosos, vão impetuosamente. Eles buscam todas oportunidades de perigo. Toda sua filosofia de vida não é aquela das companhias de seguros. Sua filosofia de vida é aquela de um alpinista, de um piloto de asa-delta, de um surfista. E não é só nos mares do lado de fora, que eles surfam; eles surfam em seus mares internos. E não não é só lá fora que escalam Alpes e Himalaias; eles buscam os picos internos.
Mas lembre-se de uma coisa - nunca se esqueça da arte do risco, nunca. Sempre permaneça capaz de arriscar. E onde quer que você possa encontrar uma oportunidade de arriscar, nunca perca, e você nunca será um perdedor.
O risco é a única garantia de estar realmente vivo.
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