quarta-feira, maio 22, 2024
As Leis da Vida - 8
Fonte: Luiz Gasparetto e Lúcio Morigi, Calunga revela As Leis da Vida, Gráfica Vida e Consciência, 2015. ISBN: 978-85-7722-443-2
8. Lei da relatividade: TUDO É RELATIVO
Tudo é relativo. Não há nada absoluto, além da sua eternidade ou da própria lei. O resto é relativo. Uma resposta dada como certa hoje, poderá não ser amenhã. Uma grande verdade espiritual que você tinha na infância, hoje pode ser um grande absurdo, não é mesmo? O que é pecado para uns, para outros é uma liberdade, um grande prazer.
As pessoas mudam, o mercado muda, o tempo muda, os valores mudam, e se você não mudar, aquele seu projeto de vida estará comprometido.
Há um momento certo para alguma coisa acontecer, porque tudo é relativo. Tudo depende da combinação de vários aspectos internos de você, como seu estado emocional, afetivo, psicológico, seus condicionamentos, seus bloqueios, suas revoltas.
Quando você fala "não concordo", já vem porcaria, porque você quer do seu jeito, é teimoso, e aí vai fazendo um rolo danado, e terá uma série de conflitos, mas se você não tiver discordância, analisa tudo abertamente e tira uma conclusão e busca uma ação proporcional às condições daquele momento.
Você quer uma segurança total? Impossível. Você quer que a coisa fique totalmente clara e certinha? Impossível. Você quer uma receita? Você nunca vai ter, porque tudo é relativo e a receita do outro não serve para você.
Você acha mesmo que aquilo que deu certo para o outro vai dar certo para você? Não vai mesmo. Deu certo para ele nas condições dele. As suas condições são completamente diferentes.
Além dessa lei da relatividade, você se lembra da primeira lei, que diz que tudo é único? Você tem seu caminho único. Seu processo é diferente do processo de cada ser humano. A vida não repete.
Aceite que você não é de confiança. Aceite que você é relativo. "Bem, vou por aqui, vou seguir do meu jeito que é único, vou ver como é isso". Aí, a ansiedade se acalma, as cobranças desaparecem junto com as culpas e as desilusões, você já não promete mais, você fica calma, aberta, mais na humildade, e a coisa vai. É uma verdadeira revolução.
Siga sua vontade. A vontade é a voz do espírito dizendo: "é por aí". Você sente que é por aí, então vai. "Ah, mas o outro foi por aí e se deu mal". O outro é o outro no caminho que é só dele. Seu caminho não vai ser igual.
"Ah, mas eu já devia estar fazendo isso". Não devia. Você ainda está na arrogância. Não há nada que mais emperre o fluir das coisas que a arrogância. O seu melhor é o melhor que você sabe e não o que você acha que já devia saber. Isso é seu pior.
O negócio é ficar na sua. Relaxe, não crie expectativa, não se revolte, largue, pois tudo é relativo e tem seu tempo certo, que é aquele em que suas condições permitem.
Tudo aquilo que está acontecendo, o fato, que é um fenômeno da consciência do agora, e o que está nele, não passa de uma percepção segundo seu ponto de vista, e o seu ponto de vista (que é relativo), que é uma crença, pode ser mudado, mudando sua realidade. Você coloca seu crer ali de uma forma diferente da convencional, incorpora esse crer e isso acaba virando realidade.
Não é fantástico isso? A crença tanto pode construir o positivo como desfazer o negativo. Todo mundo acha que aquilo é assim, mas você, na sua convicção, diz: "não, isso é ilusão, é bobagem!"
Pronto! Aquilo desaparece. A gente percebe isso na hipnose. A pessoa é sugestionada de que está com dor de barriga, por exemplo. Então, ela passa a sentir realmente a dor e, ao receber o comando de que é uma ilusão, a dor simplesmente desaparece.
Por isso, é fundamental prestar atenção ao que você está fazendo com as suas ideias. Toda ideia é uma crença que vai virar realidade. Analise, questione o que você está fazendo. Como está a coisa? Como é que é? O que está vendo ali? Que coisa é essa? Use o poder da crença para construir uma realidade melhor para você.
"Fiz tal coisa, agora vem uma consequência, mas eu não acredito nessa consequência. Não boto fé nisso. Estou noutra". E aquela consequência acaba não acontecendo. Deixe os outros dizerem que vai dar errado, porque você fez assim. Eles estão viciados na normalidade. Não levam em conta a lei da relatividade.
[continua]
Marcadores: leis, relatividade, segurança, teoria da relatividade, vida
quinta-feira, abril 25, 2024
Problema de carro elétrico
Fonte: https://halturnerradioshow.com/index.php/en/component/content/article/driver-had-to-kick-out-window-to-exit-tesla-after-it-shut-down-then-went-on-fire?catid=17&Itemid=220
O motorista teve que arrancar a janela para sair do Tesla depois que ele foi desligado e pegou fogo
O motorista de um Tesla (veículo elétrico) foi forçado a arrancar a janela do lado do motorista para escapar do carro depois que o veículo desligou-se - e então pegou fogo! Aparentemente, as maçanetas que realmente abrem as portas não funcionariam!
Um breve vídeo abaixo mostra o incidente quando estava acontecendo, onde você pode ouvir o motorista dizer que teve que chutar a janela. (Ele teria morrido queimado? = forno icinerador!)
É mais seguro ter um veículo com abertura MANUAL (não elétrica) dos vidros! Outro problema: carros elétricos atuais podem ser facilmente controlados à distância, como drones!
https://twitter.com/i/status/1783388207050068284
https://twitter.com/i/status/1783016086322979235
Marcadores: carro elétrico, segurança, Tesla
domingo, março 12, 2023
A Segurança Bancária
Se depositarmos dinheiro em um banco, esse não é mais nosso dinheiro - é tecnicamente um empréstimo que estamos fazendo ao banco e somos considerados credores do banco. Isso não é loucura? Depositamos nosso dinheiro em um banco pensando que é o lugar mais seguro para guardá-lo, mas as letras miúdas nos dizem que na verdade estamos emprestando nosso dinheiro ao banco e, se eles o perderem por qualquer motivo, só podemos recuperar esse dinheiro até o limite que a corporação de seguro de depósito de cada país cobre por conta corrente.
Marcadores: bancos, empréstimo, segurança
terça-feira, janeiro 17, 2023
O Jogador
Fonte: Osho, O Livro do Homem, Ícone Editora, 2000. ISBN 85-274-0616-0
O que significa viver perigosamente?
Viver perigosamente significa viver. Se você não vive perigosamente você não vive.
Você floresce apenas no perigo. Você nunca floresce na segurança; apenas na insegurança.
Se você começa a obter segurança, você se torna uma água parada. Então sua energia não está mais circulando. Então você está receoso, porque ninguém sabe como ir em direção ao desconhecido. E por que correr risco? - o conhecido é mais seguro. Então você se torna obcecado pelo familiar. Você continua ficando farto com isto, você fica entediado com isto, você se sente miserável, mas isso ainda parece familiar e confortável. Pelo menos é conhecido. O desconhecido cria um tremor em você. Qualquer idéia em relação ao desconhecido e você começa a se sentir inseguro.
Há apenas dois tipos de pessoas no mundo. As pessoas que querem viver confortavelmente... Elas estão procurando a morte, elas querem um túmulo confortável. E as pessoas que querem viver. Elas escolhem viver perigosamente, porque a vida só floresce quando há risco.
Você já escalou montanha?
Quanto mais alto você escala, mais frescor você sente, mais jovem você se sente. Quanto maior o perigo de cair, quanto maior o abismo, mais vivo você fica... entre a vida e a morte, quando você está apenas pendurado entre a vida e a morte. Então não há tédio, então não há poeira do passado, hão há desejo pelo futuro. Então o momento presente é muito cruciante, como uma chama. É suficiente. Você vive no aqui e agora... ou surfando ou esquiando: onde quer que haja risco de perder a vida, há um tremendo regozijo porque o risco de perder a vida o faz tremendamente vivo. É por isso que as pessoas são atraídas por esportes perigosos.
As pessoas escalam montanhas. Alguém perguntou a Hillary: "Por que você tentou escalar o Everest? Por que?" Hillary disse: "Porque é um constante desafio."
Era arriscado, muitas pessoas morreram antes. Por quase sessenta, setenta anos, grupos de pessoas têm ido lá, e era quase morte certa. Mas as pessoas ainda continuam indo. Qual era a atração?
Alcançando o mais alto, indo para longe da vida estável, da rotina, você se torna selvagem novamente, você se torna novamente parte do mundo animal. Você vive como um tigre ou um leão ou como um rio. Você novamente voa como um pássaro em direção aos céus, cada vez mais distante. E a cada momento, a segurança, o saldo bancário, a esposa, o marido, a família, a sociedade, a igreja, a respeitabilidade - vão se desvanecendo, tornando-se mais e mais distantes. Você se torna só.
É por isso que as pessoas são tão interessadas em esportes. Mas isto também não é realmente um perigo porque você pode se tornar muito hábil.
Você pode aprender, você pode ser treinado. É um risco calculado. Você pode treinar para escalar e pode tomar todas as precauções. Ou dirigindo, dirigindo em alta velocidade. Você pode ir a cento e sessenta quilômetros por hora. É perigoso, é emocionante. Mas você pode se tornar realmente habilidoso, e o perigo é só para os que estão de fora; não para você. E mesmo se houver, é ínfimo.
Mas estes riscos são apenas riscos físicos, apenas o corpo está envolvido.
Quando digo a você, viva perigosamente, eu quero dizer para não arriscar-se apenas no aspecto físico, mas no psicológico, e finalmente no espiritual. Religiosidade é um risco espiritual. Vai a alturas de onde pode não haver retorno.
Quando eu digo viver perigosamente, quero dizer para não viver a vida da respeitabilidade ordinária, comum - você é prefeito de uma cidade, ou um membro de cooperativa. Isto não é vida. Ou você é um ministro, ou você tem uma boa profissão e está ganhando bem e o dinheiro continua acumulando no banco e tudo está indo perfeitamente bem.
Simplesmente veja - você está morrendo e nada está acontecendo.
As pessoas podem respeitar você, e quando você morrer, um grande cortejo lhe seguirá. Bom, isso é tudo. E nos jornais sua foto será publicada e haverá editoriais, e então as pessoas esquecerão de você. E você viveu toda sua vida só por essas coisas.
Observe - uma pessoa pode perder a vida toda para coisas comuns, mundanas. Ser espiritual significa compreender que não deveria ser dada muita importância a estas pequenas coisas. Eu não estou dizendo que estas coisas não têm significado. Eu estou dizendo que são significativas, mas não tanto quanto você imagina.
Dinheiro é necessário. É uma necessidade. Mas dinheiro não é o objetivo e não pode ser o objetivo. Uma casa é necessária, certamente. É uma necessidade. Eu não sou um ascético e não quero que vocês destruam suas casas e fujam para o Himalaia. A casa é necessária - mas a casa é necessária para vocês.
Não interpretem mal.
Como vejo pessoas, a coisa toda tem estado às avessas. Elas vivem como se fossem necessárias para a casa. Elas continuam trabalhando para a casa. Como se elas fossem necessárias para o saldo bancário - elas simplesmente continuam acumulando dinheiro e então elas morrem. E elas não viveram. Elas não tiveram nenhum momento de vibração, uma vida transbordante. Elas estavam apenas aprisionadas na segurança, na familiaridade, na respeitabilidade.
Então se você se sente entediado, é natural. As pessoas vêm até mim e elas dizem que se sentem muito entediadas. Elas estão enjoadas. O que fazer? Elas acham que é só repetir um mantra, e elas se tornarão vivas novamente. Não é tão fácil.
Elas terão que mudar todo o padrão de vida.
Ame, mas não ache que amanhã a mulher estará disponível para você. Não espere isso. Não reduza a mulher em esposa.
Então você está vivendo perigosamente.
Não reduza o homem em marido, porque um marido é uma coisa feia. Deixe seu homem ser seu homem e sua mulher ser sua mulher. E não faça seu amanhã um prognóstico. Não espere nada e esteja pronto para tudo. É o que quero dizer quando digo para viver perigosamente. O que fazemos?
Nós nos apaixonamos por uma mulher e imediatamente nós começamos a ir para a corte, ou ao escritório de registro, ou para a igreja para se casar. Eu não estou dizendo para não se casar. É uma formalidade. Bom, satisfaz a sociedade. Mas no fundo da sua mente, nunca possua uma mulher. Nunca por um momento diga: "Você pertence a mim" - porque, como pode uma pessoa pertencer a você? E quando você começar possuir a mulher, ela começará possuir você. Então ambos não estão mais se amando. Vocês estão apenas esmagando e matando um ao outro, paralisando um ao outro.
Ame - mas não reduza seu amor em casamento. Trabalhe - o trabalho é uma necessidade - mas não deixe o trabalho tornar-se sua única vida.
A brincadeira deveria fazer parte da sua vida, seu ponto central.
O trabalho deveria ser um meio para a brincadeira. Trabalhe no escritório e trabalhe na fábrica e trabalhe na loja, mas apenas para divertir, uma oportunidade para brincar. Não deixe sua vida ser reduzida apenas a uma rotina de trabalho - porque o objetivo da vida é a brincadeira.
Brincar significa fazer algo com fim em si mesmo.
Você vem até a mim para meditar, e você leva a meditação também como um trabalho. Você pensa que alguma coisa tem que ser feita para alcançar Deus. Isto é um absurdo!
Meditação não pode ser feita dessa maneira. Você tem que brincar, você tem que levar como uma brincadeira. Quando você desfruta, a meditação progride. Quando você leva como um trabalho, como uma obrigação a ser feita - porque você tem que fazer, você tem que alcançar moksha, nirvana, a libertação - então novamente você tem trazido suas tolices para o mundo da brincadeira.
Meditação é brincadeira. Você desfruta com o fim em si mesmo.
Se você desfruta muito mais coisas com o fim em si mesmo, você estará mais vivo. É claro, sua vida será sempre um risco, perigoso. Mas isto é como a vida tem que ser. O risco faz parte. De fato a melhor parte é o risco. A mais bela parte é o risco. E cada momento é um risco. Você talvez não esteja consciente. Você inspira, você expira. Há risco. Mesmo expirando, quem sabe se a respiração voltará ou não? Não é certo, não há garantia.
Mas existem umas poucas pessoas para quem toda religião é segurança. Mesmo se elas falarem em Deus, elas falam em Deus como a suprema segurança. Se elas pensam em Deus, elas pensam somente porque elas estão receosas. Se elas vão rezar e meditar, estão indo a fim de serem registradas como boas pessoas no livro de Deus.
"Se houver um Deus, ele saberá que eu era um assíduo frequentador da igreja, um fiel assíduo. Eu posso reivindicar isto." Mesmo suas preces são um meio.
Viver perigosamente significa viver a vida como se cada momento fosse seu próprio fim. Cada momento tem seu próprio valor intrínseco. E você não está receoso. Você sabe que a morte existe e você aceita o fato da morte existir, e você não está se escondendo da morte.
Na verdade, você vai e se depara com a morte. Você desfruta daqueles momentos de encontro com a morte - fisicamente, psicologicamente, espiritualmene.
Desfrutar esses momentos onde você entrou diretamente em contato com a morte, onde a morte se torna quase uma realidade, é o que eu me refiro quando digo para viver perigosamente.
O Amor traz você cara a cara com a morte. A meditação traz você cara a cara com a morte. Ir a um mestre é ir de encontro com a própria morte.
Estes que são corajosos, vão impetuosamente. Eles buscam todas oportunidades de perigo. Toda sua filosofia de vida não é aquela das companhias de seguros. Sua filosofia de vida é aquela de um alpinista, de um piloto de asa-delta, de um surfista. E não é só nos mares do lado de fora, que eles surfam; eles surfam em seus mares internos. E não não é só lá fora que escalam Alpes e Himalaias; eles buscam os picos internos.
Mas lembre-se de uma coisa - nunca se esqueça da arte do risco, nunca. Sempre permaneça capaz de arriscar. E onde quer que você possa encontrar uma oportunidade de arriscar, nunca perca, e você nunca será um perdedor.
O risco é a única garantia de estar realmente vivo.
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domingo, outubro 14, 2018
Políticos no Além
A verdadeira revolução não derrama sangue e foi deflagrada há quase dois mil anos. A não-violência (adotada por Martin Luther King e mahatma Gandhi) é o único caminho, embora mais longo. Quando tivermos que erguer a cabeça contra o poder corrupto, contra a tirania, contra o despotismo, não nos esqueçamos de que a tirania, o despotismo e o poder corrupto são doenças. Evidentemente, se alguém tem um acesso de loucura que ameaça destruir bens e seres humanos, é preciso contê-lo, mas é necessário que o amemos. Conter os loucos não é violentá-los nem matá-los.
Os sistemas autoritários de todos os tempos têm como pretexto para sua implantação a segurança. Essa é a palavra chave de todos eles. A propósito de segurança, eles impõem a insegurança e o medo. A segurança deles se nutre de insegurança daqueles a quem dominam. Os sistemas autoritários, reinem eles nos países ou nas famílias, têm como protótipos o medo e a insegurança, principais responsáveis por sua implantação.
Decepcionar é, também, cometer violência. É possível matar sem dar um tiro e sem provocar uma lesão no corpo. O assassínio também se verifica quando destruímos a fé, quando falseamos a verdade em nosso proveito, quando não somos fiéis a nós mesmos.
Hipocrisia é também uma forma de violência; tripúdio sobre os sentimentos alheios é, igualmente, uma das formas mais repulsivas de violência. E a não-violência é o mais difícil, é o mais longo, mas é o único e o melhor dos caminhos.
Há, no plano espiritual que cerca os mundos, um nível em que são registrados pensamentos, palavras e emoções dos habitantes desses mundos. Os ocultistas chamam a esse nível de registro acásico, memória da natureza, o nome não importa. No além, um orador, inflamado, era sustentado por entidades tenebrosas que, igualmente, lhe usavam as forças para a vampirização e toda espécie de malefícios, inclusive a incrementação de profundas discórdias sociais e a potencialização de vírus maléficos, que provocavam doenças. As forças expedidas pelo orador casam-se às forças semelhantes a ele. Essas energias combinam-se e constituem uma psicosfera carregada de negatividade, de ódio. Toda essa dinâmica do mal provoca verdadeiras catástrofes, convulsões sociais, guerras, e até fenômenos naturais de consequências funestas que têm, como contribuição e componente, essas forças que partem da alma humana. A palavra, o pensamento e a emoção podem matar, podem arruinar e podem destruir.
O homem realizou maravilhosas conquistas na área da tecnologia e, sob alguns aspectos, no campo social, mas nada avançou no que se refere ao seu lado transcendente e espiritual. Os monstros por ele gerados, ontem, continuam vivos hoje no cerne do seu ser, e ele não se aplicou ao trabalho alquímico da transmutação dessas energias; por isso, elas o perseguem. Ele terá que se haver com elas para transmutá-las e não para lhes ceder campo. Se essa segunda coisa acontece, ele retém sua marcha evolutiva, retarda-se, porém não recua (não retrocede); vai recapitular, recapitular, até aprender. Os enigmas que você traz em sua alma, só você pode decifrá-los; as charadas que você construiu para si mesmo, só você pode resolvê-las; ninguém as resolverá por você. Nos bancos escolares da vida espiritual, não existe a cola, e ai daquele que, por travessura estudantil, tente recorrer a ela! Será compelido, pelo azorrague da vida e da Lei, a avançar, porque não avançar seria morrer, e a morte é uma palavra que não existe no dicionário cósmico.
O esquecimento do passado é uma bênção, quando ainda não se está suficientemente maduro para compreendê-lo e ultrapassá-lo. O que está dentro de nós não morre, transforma-se!
O totalitarismo é a presença absoluta do estado não só na economia, mas nas consciências. É a sufocação de todas as liberdades em função de uma só ideologia e de um só modo de viver. Às vezes até de um só modo de se vestir. O totalitarismo pretendia que alguns cidadãos constituíssem uma espécie de elite, não a propósito de suas virtudes ou da sua sabedoria, mas a propósito de sua inteligência e de seu poder; essa elite devia dominar as massas. Saiba que, quanto mais livre for sua alma, tanto mais rapidamente ela evoluirá. O totalitarismo, na maioria dos casos, muda de direção; quando não consegue oprimir pelo estado, oprime pelas grandes corporações.
Aos tiranos, lembrai-vos de que vossos pretensos serviçais vos temem, vos bajulam, mas vos odeiam. Não digo que vos amam, afirmo que vos odeiam. Sem o saberdes, estais sendo apunhalados pelas costas por aqueles que dizem obedecer-vos, porque ninguém suporta o jugo de uma tirania. Apercebei-vos de vossa própria escravidão e não mais escravizareis os outros. Que os violentos de todas as procedências ouçam a voz que, há dois mil anos, se levantou no monte, afirmando: "Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a Terra". Que sejamos felicitados pela nossa paz e que não nos esqueçamos de que a não-violência é o mais longo, é o mais difícil de todos os caminhos, mas é o único caminho.
Os xenófobos são bitolados, a ninguém mais vêem senão ao seu povo: "Tudo pelo meu país, o resto que se arranje". Os apátridas são soltos, desenraizados, não se prendem a nada, porque tanto se lhes dá. O seu egoísmo não lhes permitem olhar senão para si mesmos. Os patriotas ou nacionalistas, os "verdadeiros nacionalistas e patriotas", cultuam o universo a partir do seu quintal, porque sabem que matar um povo ou uma cultura é matar a humanidade. Os xenófobos são doentes, porque nada vêem senão o seu próprio umbigo cultural e se apegam às suas pátrias, não tanto pela cultura, mas pelas riquezas de que possam desfrutar, por serem filhos dessas pátrias. Soltos, os apátridas estão desorientados. Quem é solto vai para onde o vento o leva, não tem destino certo; seu destino não é o da evolução, mas o da dispersão. Ao contrário, os verdadeiros patriotas ou nacionalistas sabem desferir altos vôos, porque se lembram de onde aprenderam a construir as suas próprias asas, sabem compartilhar com os outros aquilo que é só seu, sabem ser livres, sendo ao mesmo tempo solidários.
Que sejamos felicitados pela paz. Oremos pelo país e pelo mundo.
Referência:
[1] Luiz Antônio Millecco (1932-2005), Políticos no Além, Editora Lachâtre, 2018.
Marcadores: evolução, morte, paz, políticos, registro akáshico, segurança, tirania, totalitarismo, violência
domingo, abril 17, 2011
A Incerteza da Vida
Sei que você veio aqui em busca de certeza, de alguma doutrina, algum "ismo", algum lugar ao qual pertencer, alguém em quem confiar. Você está aqui por causa do medo que você sente. Você está procurando uma espécie de prisão bonita - de forma que possa viver nela sem nenhuma consciência.
No entanto, eu gostaria de fazer com que você se sentisse ainda mais inseguro, mais incerto - porque é assim que a vida é, é assim que Deus é. Quando há mais insegurança e mais perigo, o único jeito de reagir a isso é apelar para a sua consciência.
São duas as possibilidades. Ou você fecha os olhos e passa a ser dogmático, vira cristão, hindu ou muçulmano... e aí fica como se fosse um avestruz. Isso não muda a vida real; é simplesmente um fechar de olhos. Simplesmente faz de você um estúpido, alguém sem inteligência. E nessa sua falta de inteligência, você se sente seguro - todo idiota se sente seguro. Na verdade, só os idiotas se sentem seguros. O homem que está verdadeiramente vivo sempre se sentirá inseguro. Que segurança pode existir?
A vida não é um processo mecânico; não pode ser predeterminada. Ela é um mistério imprevisível. Ninguém sabe o que acontecerá em seguida. Nem Deus, que você acha que mora em algum lugar no sétimo céu; nem mesmo ele - se ele estiver lá -, nem ele sabe o que vai acontecer!... porque, se ele sabe o que vai acontecer, então a vida é só tapeação, tudo é escrito de antemão, tudo é determinado de antemão. Como ele pode saber o que vai acontecer se o futuro está sempre em aberto? Se Deus sabe o que vai acontecer daqui a pouco, então a vida é só um processo mecânico, morto. Então não existe liberdade, e como pode existir vida sem liberdade? Então não há possibilidade de crescer ou não crescer. Se tudo é predestinado, não existe glória nem grandeza. Você é apenas um robô.
Não, nada é seguro. Essa é a minha mensagem. Nada pode ser seguro, porque uma vida segura seria pior do que a morte. Nada é certo. A vida é cheia de incertezas, cheia de surpresas - e é aí que está a beleza dela! Você nunca chegará ao ponto em que poderá dizer, "Agora estou certo disso". Quando você disser que está certo de alguma coisa, você estará simplesmente declarando a sua própria morte; você estará se suicidando.
A vida continua sempre em marcha, com mil e uma incertezas. É aí que está a liberdade da vida. Não chame a isso de insegurança.
Eu posso entender por que a mente chama a liberdade de "insegurança"... Você já ficou preso numa cela da prisão por alguns meses ou anos? Se já ficou numa cela por alguns anos, você sabe que, no dia de ser solto, o prisioneiro começa a sentir uma incerteza quanto ao futuro. Tudo era garantido na cela; tudo não passava de pura rotina. Ele tinha comida, tinha proteção, não tinha medo de ficar com fome no dia seguinte e de não haver comida - nada disso, tudo era certo. Agora, de repente, depois de muitos anos, o carcereiro vem e diz a ele, "Agora você vai ser solto". Ele começa a tremer. Fora dos muros da prisão, mais uma vez haverá incertezas; mais uma vez ele terá que buscar, procurar; mais uma vez terá que viver em liberdade.
A liberdade dá medo. As pessoas falam sobre a liberdade, mas elas têm medo dela. E um homem não é um homem verdadeiro ainda se ele tem medo da liberdade. Dou a você liberdade; não dou a você segurança. Dou a você entendimento; não dou conhecimento. O conhecimento lhe traz certezas. Se posso dar a você a fórmula, uma fórmula pronta, de que existe um Deus, existe um Espírito Santo e existe um único filho bem-amado, Jesus; existe um inferno e um céu e existem as boas ações e as más ações; cometa um pecado e você irá para o inferno, pratique o que eu chamo de atos virtuosos e você irá para o céu - acabou! -, então você tem certezas. É por isso que tantas pessoas optaram por ser cristãos, hindus, muçulmanos, jainistas - elas não querem liberdade, querem apenas fórmulas fixas.
Um homem estava morrendo - de repente, num acidente de estrada. Ninguém sabia que ele era judeu, então chamaram um padre, um padre católico. O padre se curvou bem próximo ao homem - e o homem estava morrendo, nos últimos estertores da morte - e disse:
- Você acredita na Trindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo e em seu filho Jesus?
- Veja só! - respondeu o homem, abrindo os olhos-, eu aqui morrendo e ele fazendo charadas!
Quando a morte bater à sua porta, todas as certezas serão simplesmente charadas e tolices. Não se apegue a nenhuma certeza. A vida é incerteza - sua própria natureza é incerta. E um homem inteligente nunca tem certeza de nada.
A própria disposição para permanecer na incerteza é a coragem. A própria disposição para ficar na incerteza é confiança. A pessoa inteligente é aquela que está sempre alerta, não importa a situação - e a enfrenta com todo o seu coração. Não que ela saiba o que vai acontecer, não que ela saiba, "Faça isso e acontecerá aquilo". A vida não é uma ciência; não é uma cadeia de causas e efeitos. Aqueça a água a cem graus e ela evapora - isso é uma certeza, ciência. Mas na vida real, nada é certo como isso.
Cada pessoa é uma liberdade, uma liberdade desconhecida. É impossível predizer, impossível fazer conjecturas. É preciso viver na consciência e no entendimento.
Você vem até mim em busca de conhecimento; quer fórmulas prontas para que possa se agarrar a elas. Eu não dou nenhuma. Na verdade, se você tiver alguma, eu a tiro de você! Pouco a pouco, destruo suas certezas; pouco a pouco, faço com que você fique cada vez mais hesitante; pouco a pouco, deixo-o cada vez mais inseguro. Essa é a única coisa que tem que ser feita. Essa é a única coisa que um Mestre precisa fazer! - deixá-lo em total liberdade. Em total liberdade, com todas as possibilidades em aberto, com nada pré-fixado... você terá que ficar consciente - não existe outra possibilidade.
Isso é o que eu chamo de entendimento. Se você entender isso, a insegurança passa a ser uma parte intrínseca da vida - e é bom que seja assim, porque faz da vida uma liberdade, faz da vida uma contínua surpresa. Nunca se sabe o que vai acontecer. Isso faz com que você viva em constante assombro. Não chame a isso de incerteza - chame de assombro. Não chame de insegurança - chame de liberdade.
A vida é feita de incertezas e a morte de certeza...
Fonte: Osho, Coragem - O Prazer de Viver Perigosamente, Editora Cultrix, 1999.
Marcadores: abraço da morte, certeza, consciência, dogma, incerteza, insegurança, liberdade, Osho, qualidade de vida, segurança, suicídio
quarta-feira, setembro 22, 2010
Meditações do Osho - 21
A existência é a nossa única segurança. Dinheiro, poder, prestígio - nada é seguro. Família, amigos, até a própria vida - nada é seguro. Estamos cercados de insegurança.
Há só uma coisa que é segura, e não pode ser encontrada em nenhum lugar externo. Ela só pode ser encontrada em nosso âmago, em nosso íntimo. Deus mora lá. Essa é a morada de Deus - o coração de nossos corações!
Conhecer o Deus interior é ir além de toda segurança. Então tudo é seguro e garantido. E, quando tudo é seguro e garantido, a amargura desaparece naturalmente, a ansiedade desaparece, e surge uma grande bem-aventurança. Essa bem-aventurança é o mais profundo anseio de seu ser.
Fonte: Osho, Meditações para a Noite, Verus Editora, Campinas-SP, 2006.
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