Sunday, October 14, 2018
Políticos no Além
Quando as pessoas, e os políticos em particular, despertam no além, geralmente percebem quantas besteiras fizeram enquanto possuíam um corpo físico [1].
A verdadeira revolução não derrama sangue e foi deflagrada há quase dois mil anos. A não-violência (adotada por Martin Luther King e mahatma Gandhi) é o único caminho, embora mais longo. Quando tivermos que erguer a cabeça contra o poder corrupto, contra a tirania, contra o despotismo, não nos esqueçamos de que a tirania, o despotismo e o poder corrupto são doenças. Evidentemente, se alguém tem um acesso de loucura que ameaça destruir bens e seres humanos, é preciso contê-lo, mas é necessário que o amemos. Conter os loucos não é violentá-los nem matá-los.
Os sistemas autoritários de todos os tempos têm como pretexto para sua implantação a segurança. Essa é a palavra chave de todos eles. A propósito de segurança, eles impõem a insegurança e o medo. A segurança deles se nutre de insegurança daqueles a quem dominam. Os sistemas autoritários, reinem eles nos países ou nas famílias, têm como protótipos o medo e a insegurança, principais responsáveis por sua implantação.
Decepcionar é, também, cometer violência. É possível matar sem dar um tiro e sem provocar uma lesão no corpo. O assassínio também se verifica quando destruímos a fé, quando falseamos a verdade em nosso proveito, quando não somos fiéis a nós mesmos.
Hipocrisia é também uma forma de violência; tripúdio sobre os sentimentos alheios é, igualmente, uma das formas mais repulsivas de violência. E a não-violência é o mais difícil, é o mais longo, mas é o único e o melhor dos caminhos.
Há, no plano espiritual que cerca os mundos, um nível em que são registrados pensamentos, palavras e emoções dos habitantes desses mundos. Os ocultistas chamam a esse nível de registro acásico, memória da natureza, o nome não importa. No além, um orador, inflamado, era sustentado por entidades tenebrosas que, igualmente, lhe usavam as forças para a vampirização e toda espécie de malefícios, inclusive a incrementação de profundas discórdias sociais e a potencialização de vírus maléficos, que provocavam doenças. As forças expedidas pelo orador casam-se às forças semelhantes a ele. Essas energias combinam-se e constituem uma psicosfera carregada de negatividade, de ódio. Toda essa dinâmica do mal provoca verdadeiras catástrofes, convulsões sociais, guerras, e até fenômenos naturais de consequências funestas que têm, como contribuição e componente, essas forças que partem da alma humana. A palavra, o pensamento e a emoção podem matar, podem arruinar e podem destruir.
O homem realizou maravilhosas conquistas na área da tecnologia e, sob alguns aspectos, no campo social, mas nada avançou no que se refere ao seu lado transcendente e espiritual. Os monstros por ele gerados, ontem, continuam vivos hoje no cerne do seu ser, e ele não se aplicou ao trabalho alquímico da transmutação dessas energias; por isso, elas o perseguem. Ele terá que se haver com elas para transmutá-las e não para lhes ceder campo. Se essa segunda coisa acontece, ele retém sua marcha evolutiva, retarda-se, porém não recua (não retrocede); vai recapitular, recapitular, até aprender. Os enigmas que você traz em sua alma, só você pode decifrá-los; as charadas que você construiu para si mesmo, só você pode resolvê-las; ninguém as resolverá por você. Nos bancos escolares da vida espiritual, não existe a cola, e ai daquele que, por travessura estudantil, tente recorrer a ela! Será compelido, pelo azorrague da vida e da Lei, a avançar, porque não avançar seria morrer, e a morte é uma palavra que não existe no dicionário cósmico.
O esquecimento do passado é uma bênção, quando ainda não se está suficientemente maduro para compreendê-lo e ultrapassá-lo. O que está dentro de nós não morre, transforma-se!
O totalitarismo é a presença absoluta do estado não só na economia, mas nas consciências. É a sufocação de todas as liberdades em função de uma só ideologia e de um só modo de viver. Às vezes até de um só modo de se vestir. O totalitarismo pretendia que alguns cidadãos constituíssem uma espécie de elite, não a propósito de suas virtudes ou da sua sabedoria, mas a propósito de sua inteligência e de seu poder; essa elite devia dominar as massas. Saiba que, quanto mais livre for sua alma, tanto mais rapidamente ela evoluirá. O totalitarismo, na maioria dos casos, muda de direção; quando não consegue oprimir pelo estado, oprime pelas grandes corporações.
Aos tiranos, lembrai-vos de que vossos pretensos serviçais vos temem, vos bajulam, mas vos odeiam. Não digo que vos amam, afirmo que vos odeiam. Sem o saberdes, estais sendo apunhalados pelas costas por aqueles que dizem obedecer-vos, porque ninguém suporta o jugo de uma tirania. Apercebei-vos de vossa própria escravidão e não mais escravizareis os outros. Que os violentos de todas as procedências ouçam a voz que, há dois mil anos, se levantou no monte, afirmando: "Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a Terra". Que sejamos felicitados pela nossa paz e que não nos esqueçamos de que a não-violência é o mais longo, é o mais difícil de todos os caminhos, mas é o único caminho.
Os xenófobos são bitolados, a ninguém mais vêem senão ao seu povo: "Tudo pelo meu país, o resto que se arranje". Os apátridas são soltos, desenraizados, não se prendem a nada, porque tanto se lhes dá. O seu egoísmo não lhes permitem olhar senão para si mesmos. Os patriotas ou nacionalistas, os "verdadeiros nacionalistas e patriotas", cultuam o universo a partir do seu quintal, porque sabem que matar um povo ou uma cultura é matar a humanidade. Os xenófobos são doentes, porque nada vêem senão o seu próprio umbigo cultural e se apegam às suas pátrias, não tanto pela cultura, mas pelas riquezas de que possam desfrutar, por serem filhos dessas pátrias. Soltos, os apátridas estão desorientados. Quem é solto vai para onde o vento o leva, não tem destino certo; seu destino não é o da evolução, mas o da dispersão. Ao contrário, os verdadeiros patriotas ou nacionalistas sabem desferir altos vôos, porque se lembram de onde aprenderam a construir as suas próprias asas, sabem compartilhar com os outros aquilo que é só seu, sabem ser livres, sendo ao mesmo tempo solidários.
Que sejamos felicitados pela paz. Oremos pelo país e pelo mundo.
A verdadeira revolução não derrama sangue e foi deflagrada há quase dois mil anos. A não-violência (adotada por Martin Luther King e mahatma Gandhi) é o único caminho, embora mais longo. Quando tivermos que erguer a cabeça contra o poder corrupto, contra a tirania, contra o despotismo, não nos esqueçamos de que a tirania, o despotismo e o poder corrupto são doenças. Evidentemente, se alguém tem um acesso de loucura que ameaça destruir bens e seres humanos, é preciso contê-lo, mas é necessário que o amemos. Conter os loucos não é violentá-los nem matá-los.
Os sistemas autoritários de todos os tempos têm como pretexto para sua implantação a segurança. Essa é a palavra chave de todos eles. A propósito de segurança, eles impõem a insegurança e o medo. A segurança deles se nutre de insegurança daqueles a quem dominam. Os sistemas autoritários, reinem eles nos países ou nas famílias, têm como protótipos o medo e a insegurança, principais responsáveis por sua implantação.
Decepcionar é, também, cometer violência. É possível matar sem dar um tiro e sem provocar uma lesão no corpo. O assassínio também se verifica quando destruímos a fé, quando falseamos a verdade em nosso proveito, quando não somos fiéis a nós mesmos.
Hipocrisia é também uma forma de violência; tripúdio sobre os sentimentos alheios é, igualmente, uma das formas mais repulsivas de violência. E a não-violência é o mais difícil, é o mais longo, mas é o único e o melhor dos caminhos.
Há, no plano espiritual que cerca os mundos, um nível em que são registrados pensamentos, palavras e emoções dos habitantes desses mundos. Os ocultistas chamam a esse nível de registro acásico, memória da natureza, o nome não importa. No além, um orador, inflamado, era sustentado por entidades tenebrosas que, igualmente, lhe usavam as forças para a vampirização e toda espécie de malefícios, inclusive a incrementação de profundas discórdias sociais e a potencialização de vírus maléficos, que provocavam doenças. As forças expedidas pelo orador casam-se às forças semelhantes a ele. Essas energias combinam-se e constituem uma psicosfera carregada de negatividade, de ódio. Toda essa dinâmica do mal provoca verdadeiras catástrofes, convulsões sociais, guerras, e até fenômenos naturais de consequências funestas que têm, como contribuição e componente, essas forças que partem da alma humana. A palavra, o pensamento e a emoção podem matar, podem arruinar e podem destruir.
O homem realizou maravilhosas conquistas na área da tecnologia e, sob alguns aspectos, no campo social, mas nada avançou no que se refere ao seu lado transcendente e espiritual. Os monstros por ele gerados, ontem, continuam vivos hoje no cerne do seu ser, e ele não se aplicou ao trabalho alquímico da transmutação dessas energias; por isso, elas o perseguem. Ele terá que se haver com elas para transmutá-las e não para lhes ceder campo. Se essa segunda coisa acontece, ele retém sua marcha evolutiva, retarda-se, porém não recua (não retrocede); vai recapitular, recapitular, até aprender. Os enigmas que você traz em sua alma, só você pode decifrá-los; as charadas que você construiu para si mesmo, só você pode resolvê-las; ninguém as resolverá por você. Nos bancos escolares da vida espiritual, não existe a cola, e ai daquele que, por travessura estudantil, tente recorrer a ela! Será compelido, pelo azorrague da vida e da Lei, a avançar, porque não avançar seria morrer, e a morte é uma palavra que não existe no dicionário cósmico.
O esquecimento do passado é uma bênção, quando ainda não se está suficientemente maduro para compreendê-lo e ultrapassá-lo. O que está dentro de nós não morre, transforma-se!
O totalitarismo é a presença absoluta do estado não só na economia, mas nas consciências. É a sufocação de todas as liberdades em função de uma só ideologia e de um só modo de viver. Às vezes até de um só modo de se vestir. O totalitarismo pretendia que alguns cidadãos constituíssem uma espécie de elite, não a propósito de suas virtudes ou da sua sabedoria, mas a propósito de sua inteligência e de seu poder; essa elite devia dominar as massas. Saiba que, quanto mais livre for sua alma, tanto mais rapidamente ela evoluirá. O totalitarismo, na maioria dos casos, muda de direção; quando não consegue oprimir pelo estado, oprime pelas grandes corporações.
Aos tiranos, lembrai-vos de que vossos pretensos serviçais vos temem, vos bajulam, mas vos odeiam. Não digo que vos amam, afirmo que vos odeiam. Sem o saberdes, estais sendo apunhalados pelas costas por aqueles que dizem obedecer-vos, porque ninguém suporta o jugo de uma tirania. Apercebei-vos de vossa própria escravidão e não mais escravizareis os outros. Que os violentos de todas as procedências ouçam a voz que, há dois mil anos, se levantou no monte, afirmando: "Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a Terra". Que sejamos felicitados pela nossa paz e que não nos esqueçamos de que a não-violência é o mais longo, é o mais difícil de todos os caminhos, mas é o único caminho.
Os xenófobos são bitolados, a ninguém mais vêem senão ao seu povo: "Tudo pelo meu país, o resto que se arranje". Os apátridas são soltos, desenraizados, não se prendem a nada, porque tanto se lhes dá. O seu egoísmo não lhes permitem olhar senão para si mesmos. Os patriotas ou nacionalistas, os "verdadeiros nacionalistas e patriotas", cultuam o universo a partir do seu quintal, porque sabem que matar um povo ou uma cultura é matar a humanidade. Os xenófobos são doentes, porque nada vêem senão o seu próprio umbigo cultural e se apegam às suas pátrias, não tanto pela cultura, mas pelas riquezas de que possam desfrutar, por serem filhos dessas pátrias. Soltos, os apátridas estão desorientados. Quem é solto vai para onde o vento o leva, não tem destino certo; seu destino não é o da evolução, mas o da dispersão. Ao contrário, os verdadeiros patriotas ou nacionalistas sabem desferir altos vôos, porque se lembram de onde aprenderam a construir as suas próprias asas, sabem compartilhar com os outros aquilo que é só seu, sabem ser livres, sendo ao mesmo tempo solidários.
Que sejamos felicitados pela paz. Oremos pelo país e pelo mundo.
Que a paz esteja convosco!
Referência:
[1] Luiz Antônio Millecco (1932-2005), Políticos no Além, Editora Lachâtre, 2018.
Labels: evolução, morte, paz, políticos, registro akáshico, segurança, tirania, totalitarismo, violência
Saturday, January 06, 2018
O Fim e o Início
Todos nós caminhamos da investigação do mundo das formas para o conhecimento do mundo da alma. Cada fim é, em verdade, um novo início. O início e o fim são elos indissolúveis da cadeia de evolução individual e social que marca a trajetória da humanidade. Nunca o fim corresponde ao término, ao apagar das luzes, a ele sempre se sucede um novo início, uma outra história, que se faz sobre cinzas e pó, sobre monumentos destruídos; com as pedras de um templo se constrói outro. Nas nossas vidas se dá o mesmo. De um fato nasce outro; de um sentimento, de uma experiência, nascem outros. Nada jamais se acaba, tudo é uma grande sucessão no universo divino que caminha sob leis harmoniosas.
Em atos de violência só existe perdedor - perde a raça humana a oportunidade de desenvolver as faculdades superiores e sujeita-se, ainda, ao império dos instintos, às origens do reino animal.
Não é nada sábio cultivar o saudosismo (e muitas "tradições") e negar-se a acompanhar a marcha da vida. Os ciclos de nascimento e morte se sucedem individualmente. Cada um de nós desperta nesta vida recolhendo as mesmas condições em que viveu. Conforme o plantio é a colheita; a natureza não tem leis diferentes, ela é geral e homogênea.
O medo se liga à necessidade de conservação. Quando tememos uma mudança, surge forte o medo, é o instinto de conservação, que vai desde a conservação física até a conservação dos valores e crenças que nos sustentam no âmbito moral. Entendendo a si próprio, será mais fácil entender as dificuldades dos outros. A natureza não possui duas leis; a que serve para você serve, também, para seu próximo.
Todos os nossos sentimentos possuem direção, força e sentido. Se você os jogar para fora, em situações destrutivas, o efeito será o de uma veia aberta, escorrendo uma energia vital, deixando-o debilitado, produzindo sofrimento.
Efetivamente não possuímos senão aquilo que trouxemos conosco para este mundo. Como tudo é proporcional aos nossos méritos, se as pessoas são vazias interiormente, miseráveis hão de ter sido as condições em que chegaram. As pessoas não compreendem o elementar: que o homem realmente só possui de seu o que pode levar ao mundo material, o restante é empréstimo temporário que pertence ao mundo das formas físicas e fica com elas. A ninguém é pedido o que esteja além de suas forças.
Todos os problemas que surgem são desafios para ampliarmos nossas capacidades. Vamos encarar a dificuldade como uma boa oportunidade de crescimento.
Somos apenas semeadores nos corações alheios e agricultores dos nossos próprios corações. Não é possível cultivar em solo alheio. Se você jogou suas sementes, seja pela palavra, seja, principalmente, pelo exemplo de sua vivência, sua parte está realizada. A escolha das sementes a cultivar e o cuidado que dará a elas é tarefa da alçada de liberdade individual do outro (uso de seu livre arbítrio). Se ele não é ou não está como você gostaria ou sonhou, aguarde o tempo e compreenda que o trabalho de crescimento e auto-aprimoramento é pessoal, individual e intransferível. Realize o seu, é o que a vida lhe solicita fazer.
Chorar não resolve nada exteriormente, mas em muitas situações de crise, ameniza o universo interior, restabelecendo a harmonia e o controle das emoções. Esvazia alguns sentimentos cuja carga de energia se torna muito concentrada. Quando o calor é intenso demais, ele prenuncia ventos e chuva, que recolocarão as forças climáticas em ordem. As nossas lágrimas escoam os sentimentos exacerbados. Ninguém é fraco por chorar. É uma reação natural a um excesso de emoções a serem administradas, assim como nosso organismo tem outros mecanismos para livrar-se dos outros excessos que praticamos. As lágrimas não significam fraqueza ou doença, são simples reações da nossa natureza. Elas são um carinho do Criador, que nos deu esse mecanismo para aliviar e equilibrar nosso mundo interior. As lágrimas são o alívio de dores intoleráveis. Imagine o quanto sofre quem não chora.
Dizem que o homem a tudo se acostuma, mas a verdade é que há momentos em que se tolera muita coisa desagradável. O homem só se acostuma ao que lhe dá prazer; a dor e o sofrimento são, sempre e quando muito, apenas tolerados.
A guerra se alimenta da guerra. Nós a criamos e, cedo ou tarde, elas cobram seu preço, que é a vida de seu autor. O ódio que alguém carrega no peito é o mesmo que contamina seus adversários. As emoções são contagiosas. E lembre-se, o que existe e nos cerca no mundo exterior, foi atraído pelo nosso interior.
Quando sobrevém um momento turbulento em nossas vidas, devemos pensar que, se ele não viesse, seria pior, pois sofreríamos mais e permaneceríamos como pessoas mortas, sem exercitar nossas inteligências em busca da compreensão do melhor. O trabalho é constante na vida e, mesmo após a morte do corpo, o espírito prossegue em atividade. Vida é movimento. Morte é não atividade.
Do dito "mal" sempre haverá de nascer um bem maior, uma vez que o mal é apenas e tão-somente a ausência do bem. A vida é cheia de lições e cada um aprende aquela que é mais necessária a si naquele momento. Ninguém é realmente feliz perseverando numa conduta distanciada da harmonia com as leis naturais. Tudo possui seu tempo certo. O tempo serve a todos nós. Nele nos movemos e cada um aprende e experimenta uma lição diferente. Ainda que, em uma mesma circunstância, se reúnam dez pessoas, por exemplo, cada uma delas terá um aprendizado diferente. O tempo oportuniza iguais condições a todos, indistintamente. Aceite as pessoas. Lembre-se que elas têm o direito de errar. O Criador não espera a angelitude em nós, senão com a contribuição de muito tempo e muitas existências.
As pessoas estão se exercitando no crescimento, não se aflija pela experiência alheia. Só podemos ser de fato úteis a nossos irmãos em aprendizado doloroso quando somos capazes de não nos abater ante as dores necessárias ao desenvolvimento do ser. Ainda que sejam acerbas, são lições. Uma vez aprendidas, não mais será preciso repeti-las; é assim que a dor do presente se converte em prazer no futuro. É o grande objetivo das lutas na vida desenvolver nossas capacidades, fazer-nos evoluir, ensinando os caminhos do progresso.
Lembrar sempre que a posse das coisas da matéria é transitória e de todo mal nasce um bem e do erro, um progresso. A vida tem um sabor mais agradável quando se cultiva a coragem e a alegria. Isolando-nos fugimos da luta real. Sozinho, distante de tudo e de todos que nos incomodam, é fácil crer que atingimos grandes alturas espirituais e podemos sair pelo mundo afora a fazer conversões, curas e sei lá o que mais. Só que estamos cegos de nós mesmos, pois é no contato com nossos irmãos e suas dificuldades que podemos conhecer e avaliar as nossas. É na luta de inteligências que transformamos e desenvolvemos as capacidades superiores da alma. É assim que evoluímos.
A fúria é uma expressão do medo, ela destrói de dentro para fora. Muitas pessoas morrem num ataque de fúria. O medo que sentem é tão forte, lhes dá uma sensação tão aterradora que, desesperados, começam a quebrar e destruir o que têm pela frente; apenas desconhecem que essa força, antes de explodir no exterior, já explodiu no interior de sua constituição, quebrando, arrebentando e destruindo órgãos vitais. A raiva é seu instinto de defesa, de conservação, preparando-se para reagir a um ataque. Ela faz parte da nossa constituição espiritual, ainda; aceite-a, conheça-a, não lute contra ela. Discipline-a com o apoio da razão, veja a vida em sua expressão maior e os seres humanos com os quais convive exatamente como são: aprendizes, falhos como nós mesmos, sujeitos às leis sábias da vida que nos conduzirão a todos, embora cada um a seu tempo, a um mesmo fim de aprendizado, evolução e felicidade. Confie no que conhece. Sinta, experimente as verdades que estuda. O mundo não precisa de salvadores, precisa de homens conscientes de si e dispostos à mudança pessoal.
Se Deus consente e espera, por que nós deveríamos agir de outra forma? A casca do orgulho é grossa e pesada. É difícil aceitar que não podemos tudo e que também a nossa justiça tem limites. Aceite o outro como ele é, fale a sua verdade, se questionado, ou quando ela for aceita. Se rejeitada, deixe-o em paz. Isso também é humildade.
Há, em cada um de nós, as mesmas perguntas: Por que o sofrimento? Por que as lutas? Os nomes que damos ao sofrimento - perda, desilusão, morte, dor, doença, decepção, tristeza, amargura - importam apenas no contexto pessoal, definem um estado momentâneo, porque a palavra de entendimento universal para essas e outras situações é: sofrimento. Assim também as lutas que denominamos - problemas familiares, divergência de opinião, incompatibilidade de gênios, conflitos políticos, sociais, econômicos, miséria, riqueza, conflito de gerações, diferenças culturais, guerras internas e externas - tudo isso podemos resumir como lutas da existência humana. E tudo porque de um lado está um ser e do outro lado também está um ser, e eles manifestam diferentes experiências evolutivas. E simplesmente não se compreendem, pois, ao invés de cantar glórias à diversidade, querem impor a igualdade a qualquer custo, sem atentar que a natureza nos aponta a absoluta impossibilidade de tal realização, já que não há um ser absolutamente igual ao outro. Não existe! Entretanto, na diversidade da criação reina a harmonia em todo o universo. Só o universo do homem sobre a Terra, por não admitir a diversidade e aprender com ela, vive em luta permanente. Nessa refrega desenvolvemos o intelecto e os sentimentos, até que exaustos deles aprendemos a evitá-los, desenvolvendo condutas compreensivas das diversidades de manifestação dos seres. Sofremos e lutamos para nosso aprendizado e evolução - lei divina universal -, para cultivarmos o bom uso da liberdade, sabedores que somos os construtores do nosso destino, evitando os charcos que anteriormente nos fizeram sofrer ou lutar. O Criador, o Deus Supremo, não importa o nome pelo qual o designamos, é a essência do amor, e a vida é a expressão desse amor. Ele não nos criou para lutar e sofrer, essas são necessidades evolutivas do nosso atual momento. Quanto antes aprendermos a viver a essência divina, a acordar o anjo que vive em cada um, mais rápido nos libertaremos dos grilhões das lutas e dos sofrimentos.
A Terra. Jardim de diversidades humanas. Quanto nos oferece de aprendizado! É sobre o solo dela, envergando corpos à base de carbono, que precisamos desenvolver conscientemente nossa capacidade de amar. Justamente porque existem todas as espécies é que esta é a escola de redenção. Daqui saímos aptos a viver num mundo ainda material, onde ainda experimentamos sensações e desejos, mas livres das paixões desordenadas que escravizam moralmente tantas criaturas; já estaremos livres do orgulho que cala os sentimentos, das torturas indizíveis e cruéis da inveja, do ciúme; o medo perderá seu império; a ira cederá lugar à ponderação e ao equilíbrio no comportamento humano; a justiça será conhecida e praticada por todos, as desigualdades sociais desaparecerão, pois, cientes da verdade maior, todos quererão apenas o suficiente dos bens do mundo físico; o Criador, independente do nome sob o qual seja cultuado, será bandeira de união e não de guerra. O Criador vive em estado intuitivo nas nossas consciências; poucos esforçam-se para tentar compreendê-lo e as suas leis. Sabemos que a maldade não passa de ausência do bem, entendemos que não são caracteres maus, são irrefletidos, inconsequentes, maliciosos, desatentos ao aproveitamento do tempo e das oportunidades que recebem de avançar. O endurecimento e o apego às coisas da Terra acabam por gerar nossa dor e infelicidade.
Em atos de violência só existe perdedor - perde a raça humana a oportunidade de desenvolver as faculdades superiores e sujeita-se, ainda, ao império dos instintos, às origens do reino animal.
Não é nada sábio cultivar o saudosismo (e muitas "tradições") e negar-se a acompanhar a marcha da vida. Os ciclos de nascimento e morte se sucedem individualmente. Cada um de nós desperta nesta vida recolhendo as mesmas condições em que viveu. Conforme o plantio é a colheita; a natureza não tem leis diferentes, ela é geral e homogênea.
O medo se liga à necessidade de conservação. Quando tememos uma mudança, surge forte o medo, é o instinto de conservação, que vai desde a conservação física até a conservação dos valores e crenças que nos sustentam no âmbito moral. Entendendo a si próprio, será mais fácil entender as dificuldades dos outros. A natureza não possui duas leis; a que serve para você serve, também, para seu próximo.
Todos os nossos sentimentos possuem direção, força e sentido. Se você os jogar para fora, em situações destrutivas, o efeito será o de uma veia aberta, escorrendo uma energia vital, deixando-o debilitado, produzindo sofrimento.
Efetivamente não possuímos senão aquilo que trouxemos conosco para este mundo. Como tudo é proporcional aos nossos méritos, se as pessoas são vazias interiormente, miseráveis hão de ter sido as condições em que chegaram. As pessoas não compreendem o elementar: que o homem realmente só possui de seu o que pode levar ao mundo material, o restante é empréstimo temporário que pertence ao mundo das formas físicas e fica com elas. A ninguém é pedido o que esteja além de suas forças.
Todos os problemas que surgem são desafios para ampliarmos nossas capacidades. Vamos encarar a dificuldade como uma boa oportunidade de crescimento.
Somos apenas semeadores nos corações alheios e agricultores dos nossos próprios corações. Não é possível cultivar em solo alheio. Se você jogou suas sementes, seja pela palavra, seja, principalmente, pelo exemplo de sua vivência, sua parte está realizada. A escolha das sementes a cultivar e o cuidado que dará a elas é tarefa da alçada de liberdade individual do outro (uso de seu livre arbítrio). Se ele não é ou não está como você gostaria ou sonhou, aguarde o tempo e compreenda que o trabalho de crescimento e auto-aprimoramento é pessoal, individual e intransferível. Realize o seu, é o que a vida lhe solicita fazer.
Chorar não resolve nada exteriormente, mas em muitas situações de crise, ameniza o universo interior, restabelecendo a harmonia e o controle das emoções. Esvazia alguns sentimentos cuja carga de energia se torna muito concentrada. Quando o calor é intenso demais, ele prenuncia ventos e chuva, que recolocarão as forças climáticas em ordem. As nossas lágrimas escoam os sentimentos exacerbados. Ninguém é fraco por chorar. É uma reação natural a um excesso de emoções a serem administradas, assim como nosso organismo tem outros mecanismos para livrar-se dos outros excessos que praticamos. As lágrimas não significam fraqueza ou doença, são simples reações da nossa natureza. Elas são um carinho do Criador, que nos deu esse mecanismo para aliviar e equilibrar nosso mundo interior. As lágrimas são o alívio de dores intoleráveis. Imagine o quanto sofre quem não chora.
Dizem que o homem a tudo se acostuma, mas a verdade é que há momentos em que se tolera muita coisa desagradável. O homem só se acostuma ao que lhe dá prazer; a dor e o sofrimento são, sempre e quando muito, apenas tolerados.
A guerra se alimenta da guerra. Nós a criamos e, cedo ou tarde, elas cobram seu preço, que é a vida de seu autor. O ódio que alguém carrega no peito é o mesmo que contamina seus adversários. As emoções são contagiosas. E lembre-se, o que existe e nos cerca no mundo exterior, foi atraído pelo nosso interior.
Quando sobrevém um momento turbulento em nossas vidas, devemos pensar que, se ele não viesse, seria pior, pois sofreríamos mais e permaneceríamos como pessoas mortas, sem exercitar nossas inteligências em busca da compreensão do melhor. O trabalho é constante na vida e, mesmo após a morte do corpo, o espírito prossegue em atividade. Vida é movimento. Morte é não atividade.
Do dito "mal" sempre haverá de nascer um bem maior, uma vez que o mal é apenas e tão-somente a ausência do bem. A vida é cheia de lições e cada um aprende aquela que é mais necessária a si naquele momento. Ninguém é realmente feliz perseverando numa conduta distanciada da harmonia com as leis naturais. Tudo possui seu tempo certo. O tempo serve a todos nós. Nele nos movemos e cada um aprende e experimenta uma lição diferente. Ainda que, em uma mesma circunstância, se reúnam dez pessoas, por exemplo, cada uma delas terá um aprendizado diferente. O tempo oportuniza iguais condições a todos, indistintamente. Aceite as pessoas. Lembre-se que elas têm o direito de errar. O Criador não espera a angelitude em nós, senão com a contribuição de muito tempo e muitas existências.
As pessoas estão se exercitando no crescimento, não se aflija pela experiência alheia. Só podemos ser de fato úteis a nossos irmãos em aprendizado doloroso quando somos capazes de não nos abater ante as dores necessárias ao desenvolvimento do ser. Ainda que sejam acerbas, são lições. Uma vez aprendidas, não mais será preciso repeti-las; é assim que a dor do presente se converte em prazer no futuro. É o grande objetivo das lutas na vida desenvolver nossas capacidades, fazer-nos evoluir, ensinando os caminhos do progresso.
Lembrar sempre que a posse das coisas da matéria é transitória e de todo mal nasce um bem e do erro, um progresso. A vida tem um sabor mais agradável quando se cultiva a coragem e a alegria. Isolando-nos fugimos da luta real. Sozinho, distante de tudo e de todos que nos incomodam, é fácil crer que atingimos grandes alturas espirituais e podemos sair pelo mundo afora a fazer conversões, curas e sei lá o que mais. Só que estamos cegos de nós mesmos, pois é no contato com nossos irmãos e suas dificuldades que podemos conhecer e avaliar as nossas. É na luta de inteligências que transformamos e desenvolvemos as capacidades superiores da alma. É assim que evoluímos.
A fúria é uma expressão do medo, ela destrói de dentro para fora. Muitas pessoas morrem num ataque de fúria. O medo que sentem é tão forte, lhes dá uma sensação tão aterradora que, desesperados, começam a quebrar e destruir o que têm pela frente; apenas desconhecem que essa força, antes de explodir no exterior, já explodiu no interior de sua constituição, quebrando, arrebentando e destruindo órgãos vitais. A raiva é seu instinto de defesa, de conservação, preparando-se para reagir a um ataque. Ela faz parte da nossa constituição espiritual, ainda; aceite-a, conheça-a, não lute contra ela. Discipline-a com o apoio da razão, veja a vida em sua expressão maior e os seres humanos com os quais convive exatamente como são: aprendizes, falhos como nós mesmos, sujeitos às leis sábias da vida que nos conduzirão a todos, embora cada um a seu tempo, a um mesmo fim de aprendizado, evolução e felicidade. Confie no que conhece. Sinta, experimente as verdades que estuda. O mundo não precisa de salvadores, precisa de homens conscientes de si e dispostos à mudança pessoal.
Se Deus consente e espera, por que nós deveríamos agir de outra forma? A casca do orgulho é grossa e pesada. É difícil aceitar que não podemos tudo e que também a nossa justiça tem limites. Aceite o outro como ele é, fale a sua verdade, se questionado, ou quando ela for aceita. Se rejeitada, deixe-o em paz. Isso também é humildade.
Há, em cada um de nós, as mesmas perguntas: Por que o sofrimento? Por que as lutas? Os nomes que damos ao sofrimento - perda, desilusão, morte, dor, doença, decepção, tristeza, amargura - importam apenas no contexto pessoal, definem um estado momentâneo, porque a palavra de entendimento universal para essas e outras situações é: sofrimento. Assim também as lutas que denominamos - problemas familiares, divergência de opinião, incompatibilidade de gênios, conflitos políticos, sociais, econômicos, miséria, riqueza, conflito de gerações, diferenças culturais, guerras internas e externas - tudo isso podemos resumir como lutas da existência humana. E tudo porque de um lado está um ser e do outro lado também está um ser, e eles manifestam diferentes experiências evolutivas. E simplesmente não se compreendem, pois, ao invés de cantar glórias à diversidade, querem impor a igualdade a qualquer custo, sem atentar que a natureza nos aponta a absoluta impossibilidade de tal realização, já que não há um ser absolutamente igual ao outro. Não existe! Entretanto, na diversidade da criação reina a harmonia em todo o universo. Só o universo do homem sobre a Terra, por não admitir a diversidade e aprender com ela, vive em luta permanente. Nessa refrega desenvolvemos o intelecto e os sentimentos, até que exaustos deles aprendemos a evitá-los, desenvolvendo condutas compreensivas das diversidades de manifestação dos seres. Sofremos e lutamos para nosso aprendizado e evolução - lei divina universal -, para cultivarmos o bom uso da liberdade, sabedores que somos os construtores do nosso destino, evitando os charcos que anteriormente nos fizeram sofrer ou lutar. O Criador, o Deus Supremo, não importa o nome pelo qual o designamos, é a essência do amor, e a vida é a expressão desse amor. Ele não nos criou para lutar e sofrer, essas são necessidades evolutivas do nosso atual momento. Quanto antes aprendermos a viver a essência divina, a acordar o anjo que vive em cada um, mais rápido nos libertaremos dos grilhões das lutas e dos sofrimentos.
A Terra. Jardim de diversidades humanas. Quanto nos oferece de aprendizado! É sobre o solo dela, envergando corpos à base de carbono, que precisamos desenvolver conscientemente nossa capacidade de amar. Justamente porque existem todas as espécies é que esta é a escola de redenção. Daqui saímos aptos a viver num mundo ainda material, onde ainda experimentamos sensações e desejos, mas livres das paixões desordenadas que escravizam moralmente tantas criaturas; já estaremos livres do orgulho que cala os sentimentos, das torturas indizíveis e cruéis da inveja, do ciúme; o medo perderá seu império; a ira cederá lugar à ponderação e ao equilíbrio no comportamento humano; a justiça será conhecida e praticada por todos, as desigualdades sociais desaparecerão, pois, cientes da verdade maior, todos quererão apenas o suficiente dos bens do mundo físico; o Criador, independente do nome sob o qual seja cultuado, será bandeira de união e não de guerra. O Criador vive em estado intuitivo nas nossas consciências; poucos esforçam-se para tentar compreendê-lo e as suas leis. Sabemos que a maldade não passa de ausência do bem, entendemos que não são caracteres maus, são irrefletidos, inconsequentes, maliciosos, desatentos ao aproveitamento do tempo e das oportunidades que recebem de avançar. O endurecimento e o apego às coisas da Terra acabam por gerar nossa dor e infelicidade.
Ana Cristina Vargas, O Fim e o Início - Os Quatro Cantos do Mundo - Tahuantinsuyo, Boa Nova Editora, abril 2005.
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