terça-feira, julho 16, 2024
Conhecimento e Religião
A verdadeira religião só pode ser uma só, assim como a ciência. Por exemplo, você não tem uma física muçulmana, uma física hindu, uma física cristã, isso é pura maluquice. Mas é o que as religiões têm feito - e elas fizeram deste mundo um hospício.
Se a ciência é uma só, então por que a ciência espiritual (religião) não é uma só também? A ciência explora o mundo objetivo e a religião explora o mundo subjetivo. O funcionamento delas é o mesmo, o que muda é a direção e a dimensão. Numa era mais iluminada não haverá nada parecido com a religião atual, haverá apenas duas ciências: a ciência objetiva e a ciência subjetiva. A ciência objetiva lida com as coisas e a ciência subjetiva lida com o ser.
O erro mais básico de todas as atuais religiões é que nenhuma delas teve coragem suficiente para aceitar que existem coisas que não sabemos. Elas todas fingem saber tudo, fingem que são oniscientes. Por que isso aconteceu? Porque, se admitirem que não sabem algo, colocarão um ponto de interrogação na mente dos fiéis. Se elas não sabem uma coisa, então quem sabe? Talvez elas não saibam outras coisas também. Quem garante? Para garantir, todas elas fingem que sabem tudo, que são oniscientes.
O que existe de mais belo na ciência é que ela não finge ser onisciente. A ciência aceita as suas limitações humanas. Ela sabe até que ponto sabe e está ciente de que existe muito mais a descobrir.
Esse é o maior erro de todas as religiões: elas têm enganado a humanidade alardeando que sabem tudo.
Mas todos os dias elas são desmascaradas, assim como a sua falta de conhecimento; por isso elas lutam tanto contra qualquer tipo de progresso do conhecimento.
Uma das maiores qualidades de um homem realmente religioso é o seu grande senso de humor. Só os idiotas são sérios; é inevitável que sejam sérios. Para ser capaz de rir você precisa de um pouquinho de inteligência.
Todas as religiões do mundo têm de fingir que sabem tudo. Se algo existe, elas sabem. E sabem com perfeição; não poderia ser de outro modo.
O erro básico cometido por todas as religiões é não ter coragem de aceitar que o conhecimento delas é limitado. Elas não são capazes de admitir a própria ignorância acerca de nenhuma questão. Têm sido tão arrogantes que continuam dizendo que sabem tudo e ficam criando histórias fictícias à guisa de conhecimento.
Nenhuma religião tem coragem de dizer, "Sabemos até certo ponto, mas há muita coisa que ainda não sabemos; talvez no futuro isso mude. E além desse conhecimento há um espaço que permanecerá incognoscível para sempre".
Se as religiões tivessem essa humildade, o mundo seria totalmente diferente. A humanidade não estaria nessa mixórdia; não haveria tanta angústia. No mundo todo as pessoas vivem angustiadas. O que há para dizer a respeito do inferno? Nós já estamos vivendo no inferno! Quanto mais sofrimento pode haver por lá? E as pessoas responsáveis por isso são consideradas religiosas. Elas continuam fingindo, encenando o mesmo teatro. Depois de séculos de ciência invadindo o território das religiões, destruindo sistematicamente o seu suposto conhecimento, vislumbrando novos fatos, novas realidades, o papa ainda é suposto infalível.
Um segundo ponto, é que todas essas religiões têm sido contra a dúvida. Elas, na verdade, têm medo da dúvida. Só um intelecto impotente pode ter medo da dúvida. pois a dúvida é um desafio, uma oportunidade de questionar.
Todas elas têm dizimado a dúvida e forçado a mente de todo mundo a pensar que, se você tem dúvida, você acabará indo para o inferno e sofrendo lá pela eternidade. "Nunca duvide". A crença é fundamental, a fé, a fé absoluta - não adianta ter só um pouco de fé, você precisa ter fé absoluta. O que elas estão pedindo aos seres humanos? Algo completamente desumano. Um ser humano inteligente - como ele pode acreditar totalmente? Contra que dúvida ele estaria lutando para poder acreditar totalmente?
Existe a dúvida e ela não é destruída pela crença. A dúvida só é eliminada pela experiência.
As religiões dizem: acredite. Eu digo: investigue. Elas dizem: não duvide. Eu digo: duvide inicialmente de tudo, duvide até o fim, até chegar, conhecer, sentir e vivenciar. Então não haverá mais necessidade de reprimir a dúvida; ela evapora naturalmente. Você não precisa mais acreditar, você sabe.
Mas é isso o que todas as religiões pregam - elimine a dúvida e acredite, não investigue.
No momento em que você elimina a dúvida, você destrói algo de imenso valor, pois é a dúvida que vai ajudá-lo a questionar e descobrir. Ao eliminar a dúvida, você corta a própria raiz do questionamento; ele deixa de existir.
No Japão existe uma técnica curiosa, chamada Bonsai: corta-se periodicamente a raiz de uma árvore que seria muito grande e ela fica sempre pequena (árvore-anã), mas continua envelhecendo. Existem árvores bonsai com centenas de anos!
Esta atividade de bonsai no Japão mostra o que as religiões têm feito com o homem. Elas têm cortado as suas raízes para que o homem não cresça - só envelheça. E a primeira raiz que elas cortam é a da dúvida; quando essa raiz é cortada, deixa de existir questionamento (que leva à evolução).
Aceite-se. Respeite-se. Deixe que a sua natureza siga o seu curso. Não force nada, não reprima nada. Duvide - porque a dúvida não é pecado, é um sinal de inteligência. Duvide e não pare de questionar até chegar a uma resposta.
Uma coisa eu posso dizer: quem questiona, chega a uma resposta. Isso é absolutamente certo; nunca deixou de acontecer. Ninguém terminou de mãos vazias depois de um questionamento autêntico.
Sem uma autêntica religiosidade, você só pode vegetar, não pode viver de verdade. Você continua sendo superficial, não consegue atingir nenhuma profundidade, nenhuma autenticidade. Você não sabe nada sobre as suas próprias profundezas. Você sabe de si mesmo por meio dos outros, do que eles dizem. Assim como você conhece o seu rosto fitando a sua imagem no espelho, você conhece a si mesmo por intermédio da opinião alheia; você não se conhece diretamente. E as opiniões das quais você depende são de pessoas que vivem em situação parecida à sua; elas também não se conhecem.
Essas religiões criaram uma sociedade de pessoas cegas e continuam insistindo em dizer que você não precisa de olhos. Jesus tinha olhos; então por que os cristãos precisam de olhos? Tudo o que você precisa fazer é acreditar em Jesus; ele o conduzirá ao paraíso, você só precisa segui-lo. Não lhe deixam pensar, porque pensando você pode se desviar. Se você pensar, você fatalmente se desviará do caminho que eles querem que você siga, pois isso atiçará a sua dúvida, aguçará o seu intelecto. E isso é muito perigoso para as chamadas religiões. Essas religiões querem você entorpecido, morto, arrastando-se pela vida; elas o querem sem nenhuma inteligência. Mas elas sabem muito bem camuflar tudo isso com uma linda palavra: fé. A fé nada mais é do que o suicídio da inteligência.
A verdadeira religião não pede que você tenha fé; a verdadeira religião pede que você vivencie. A verdadeira religião ajudará você a encontrar a verdade.
E, lembre-se, a minha verdade pode nunca ser a sua verdade, pois não há maneira de transferir a verdade de uma pessoa para outra. A verdade de Maomé é a verdade de Maomé; ela não será sua só porque você se tornou maometano. Para você, a verdade dele não passará de uma crença. Jesus podia ter sido apenas um fanático, um neurótico. Esse é um ponto com que todos os psiquiatras, psicólogos e psicanalistas concordam: que Jesus é um caso a se estudar. Declarar-se o único filho bem-amado de Deus, declarar "Eu sou o messias que veio para redimir este mundo dos seus pecados" - você acha isso normal?
A verdade se revela à inteligência superior. Mas, se desde a mais tenra idade você é ensinado a acreditar, isso o deixa incapacitado, você é destruído. Se, desde cedo, você é condicionado a ter fé, você perde a sua alma. Passa então a vegetar, não vive mais. E é exatemente isso o que milhões de pessoas estão fazendo ao redor do mundo: vegetando.
Que vida você pode ter? Você nem ao menos conhece a si mesmo. Você não sabe de onde veio, nem para onde vai, nem a finalidade de tudo isso. Quem impediu você de saber? Não foi o demônio, mas sim os papas, os sacerdotes, os padres, os rabinos eles, sim, são os verdadeiros demônios.
Nenhuma religião tem a coragem de dizer: "Existem coisas sobre as quais você pode perguntar; só não espere uma resposta. A vida é um mistério".
Todo o meu empenho aqui é ajudar você a voltar a ser um ignorante (desaprender o que te ensinaram errado).
As religiões fizeram de você uma pessoa instruída, e foi esse o mal. Elas lhe transmitiram com tanta facilidade e simplicidade todo o catecismo cristão que você é capaz de repeti-lo em uma hora, tal qual um papagaio. Mas você não chegará à verdade, a real, aquela que o cerca externa e interiormente. Esse catecismo não vai transmiti-la a você.
Mas deixar de lado todo o conhecimento que você aprendeu é o maior problema, porque ele alimenta o seu ego. O ego quer todo o conhecimento na mão dele. E quando digo que você precisa deixar de lado toda a sua erudição e se tornar novamente uma criança, eu quero dizer que você tem de começar do ponto em que o rabino ou o padre o desorientou.
Você tem de ser outra vez inocente, ignorante, alheio a tudo, para que as perguntas possam começar a aflorar outra vez. O questionamento volta então a ser vibrante e, isso acontecendo, você deixa de vegetar. A vida passa a ser uma exploração, uma grande aventura.
Fonte consultada: Osho, O Livro da sua Vida - Crie o seu próprio caminho para a liberdade, Editora Pensamento-Cultrix, 2019. ISBN: 978-85-316-0975-6
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quinta-feira, junho 20, 2024
Uma Breve História da Religião
Fonte consultada: Osho, O Livro da sua Vida - Crie o seu próprio caminho para a liberdade, Editora Pensamento-Cultrix, 2019. ISBN: 978-85-316-0975-6
Sobre corpo e alma...
A religião passou por muitas fases. A primeira fase foi a mágica, e ela não terminou ainda. Muitas tribos aborígines ao redor do mundo ainda vivem nessa primeira fase da religião, que se baseia em rituais mágicos de sacrifício para os deuses. Trata-se de um tipo de suborno para que os deuses ajudem ou protejam você. Qualquer coisa que, aos seus olhos, tem valor - seja comida, roupas, seus filhos, ornamentos, o que for -, você oferece aos deuses. Não que algum deus receba alguma coisa, evidentemente; mas o sacerdote recebe - ele é o mediador, ele é que lucra com isso. E o mais estranho é que, durante pelo menos dez mil anos, essa religião mágica, ritualística, cativou a mente humana.
São muitas as falhas dessas religiões - 99 por cento das tentativas não dão em nada. Por exemplo, as chuvas não caem na época certa; então a religião mágica acredita que, fazendo um sacrifício ritual, os deuses ficarão satisfeitos e a chuva cairá. De vez em quando a chuva de fato cai - mas também cai na região em que as pessoas não estão apaziguando os deuses nem fazendo rituais. Ela cai até mesmo nas terras dos inimigos das pessoas que pediram a ajuda dos deuses.
O sacerdote certamente é muito mais astuto que as pessoas que ele está explorando. Ele sabe perfeitamente bem o que está realmente acontecendo. Os sacerdotes nunca acreditam em Deus, lembre-se, eles não podem acreditar, mas fingem que acreditam mais do que todo mundo. Eles têm de fazer isso, essa é a profissão deles. Quanto mais a fé, mais multidões ele atrai, por isso ele finge. Mas eu nunca conheci um sacerdote que acreditasse na existência de um Deus. Como ele pode acreditar? Todo dia ele vê que só raramente, por mera coincidência, um ritual ou uma prece é bem-sucedida! A maioria não surte nenhum efeito. Mas ele sabe como explicar isso aos pobres: "O ritual de vocês não foi feito da maneira certa. Vocês não estavam cheios de pensamentos puros enquanto o realizaram".
Ora, quem está cheio de pensamentos puros? E o que é um pensamento puro? Por exemplo, no ritual jainista, as pessoas têm de jejuar. Mas, enquanto elas realizam o ritual, elas estão pensando em comida - esse é um pensamento impuro. Ora, uma pessoa faminta pensando em comida... Eu não sei como um pensamento desses pode ser impuro. É o pensamento certo. Na verdade, a pessoa está errada em continuar o ritual numa hora dessas, ela devia correr para um restaurante!
No entanto, o padre tem uma explicação muito simples para justificar o fracasso do ritual. Deus nunca falha, ele está sempre pronto para proteger você - ele é o provedor, o criador, o mantenedor; ele nunca deixa você na mão. Mas você falha com ele! Embora você esteja fazendo a prece ou realizando o ritual, você está cheio de pensamentos impuros. E as pessoas sabem que o sacerdote está certo - eles realmente estavam pensando em comida, ou numa bela mulher que passava e de repente surgiu a idéia de que ela era bonita e brotou o desejo de possuí-la. Eles afugentaram os pensamentos, mas já era tarde demais; já havia acontecido. Todo mundo sabe que tem pensamentos impuros.
Ora, eu não vejo nada de impuro nisso. Se uma mulher bonita passa por um espelho, o espelho também refletirá a beleza da mulher - o espelho é "impuro"? A sua mente é um espelho, ela simplesmente reflete. E a sua tem consciência de tudo que está acontecendo à sua volta. Ela comenta, está sempre fazendo um comentário. A sua mente diz que a mulher é bonita - e, se você sente desejo pelo belo, eu não vejo nada demais nisso. Se você sentir desejo pelo feio, aí sim há alguma coisa errada; você é doente. A beleza tem de ser apreciada. Quando você vê uma bela pintura, você tem vontade de possuí-la. Quando você vê qualquer coisa bonita, o pensamento é quase automático, "Se essa coisa linda fosse minha..." Ora, esses pensamentos são naturais! Mas o sacerdote dirá, "A chuva não veio por causa dos seus pensamentos impuros" - e você fica absolutamente desarmado. Você sabe que teve "pensamentos impuros", fica com vergonha de si mesmo. Pois Deus está sempre certo.
Contudo, esses seus pensamentos também estavam passando pela sua cabeça nas ocasiões de sucesso, em que a chuva de fato caiu; você era a mesma pessoa de sempre. Se estava com fome, você estava pensando em comida; se estava com sede, você estava pensando em beber água. Esses pensamentos também lhe ocorreram quando a chuva veio, mas ninguém se incomodou com os seus "maus" pensamentos. O sacerdote começa a elogiar você, a sua grande austeridade, a sua prece fervorosa: "Deus ouviu as suas preces". E o seu ego fica tão inchado que você não diz, "Mas e os meus pensamentos 'impuros'?" Quem pensaria em mencionar pensamentos impuros se foi bem-sucedido e teve as suas preces atendidas?
A religião mágica é uma das mais primitivas que existem, mas ainda há resquícios dela na atual segunda fase; não há uma distinção muito clara entre uma e outra. A segunda fase é a pseudo-religião: o Hinduísmo, o Cristianismo, o Islamismo, o Judaísmo, o Jainismo, o Budismo, o Sikhismo - são mais de trezentos "ismos" ao todo. Estas são as pseudo-religiões. Elas foram um pouco mais longe do que a religião mágica.
A religião mágica é simplesmente ritualística. É um esforço para persuadir Deus a ajudar você. O inimigo vai invadir o seu país, não chove há muito tempo ou chove demais e os rios estão transbordando e as plantações estão sendo destruídas - sempre que você se vê em dificuldade, você pede ajuda a Deus. Mas a religião mágica não é uma disciplina imposta para você. Por isso as religiões mágicas não são repressoras. Elas ainda não estão interessadas na sua transformação, em mudar você.
As pseudo-religiões desviam a atenção de Deus e se voltam para você. Deus continua em cena, mas tem um papel mais secundário. Para o adepto da religião mágica, Deus está muito próximo; ele pode conversar com ele, pode persuadi-lo. As pseudo-religiões ainda carregam a idéia de Deus, mas agora ele está mais distante - muito mais distante. Agora, o único jeito de alcançá-lo não é realizando rituais, mas promovendo uma mudança significativa no seu estilo de vida. As pseudo-religiões começam a moldar você e a mudá-lo.
As religiões mágicas deixam que as pessoas sejam como são - é por isso que os adeptos dessas religiões são mais naturais, menos falsos, mas mais primitivos, rudes, incultos. As pessoas que pertencem às pseudo-religiões são mais sofisticadas, mais instruídas, mais educadas. A religião, para elas, não é apenas um ritual, é toda uma filosofia de vida.
O uso da repressão começa nesse ponto, na segunda fase da religião. Por que todos os religiosos usaram a repressão como estratégia básica? Para que? É muito importante entender esse fenômeno da repressão, porque as religiões sempre diferem uma da outra de um jeito ou de outro, num ou noutro aspecto. Não existem duas religiões que concordem em alguma coisa, a não ser no quesito repressão. Portanto, a repressão parece ser o maior recurso que elas têm nas mãos. O que fazem com ela?
A repressão é um mecanismo para escravizar você, para converter a humanidade a um regime de escravidão psicológica e espiritual. Muito antes de Sigmund Freud descobrir o fenômeno da repressão, as religiões já o usavam havia cinco mil anos, e com sucesso. A metodologia é simples - fazê-lo se voltar contra você mesmo. Depois que você se volta contra você mesmo, muitas coisas estão fadadas a acontecer. Primeiro, você vai se enfraquecer. Você nunca mais será a mesma pessoa forte que já foi um dia. Antes você era um só, agora você não é nem dois, mas muitos. Antes você era uma única entidade indivisa, completa; agora você é uma multidão. Você ouve a voz do seu pai dentro de você, vinda de um fragmento; ouve a voz da sua mãe, vinda de outro fragmento, e dentro de você eles ainda estão brigando entre si - embora possam nem estar mais neste mundo. Todos os seus professores têm um compartimento dentro de você, e todos os sacerdotes com que já cruzou, todos os monges, todos os bons samaritanos, moralistas - eles todos têm um lugar dentro de você, que são pequenas fortalezas. Seja quem for que o tenha impressionado, essa pessoa passa a ser um fragmento dentro de você. Agora você é muitas pessoas - mortas, vivas, fictícias, de livros que você leu, de escrituras sagradas - que não passam de uma ficção religiosa, como a ficção científica. Se você se voltar para dentro, vai descobrir que você está perdido em meio a uma grande multidão. Não consegue nem se reconhecer em meio a essa gente toda, nem saber qual é a sua face original. Eles todos fingem ser você, eles todos têm rostos iguais ao seu. Falam a sua língua e vivem brigando uns com os outros. Você vira um campo de batalha.
A força do indivíduo único acabou. Você está sempre num dilema. Aonde quer que você vá, será derrotado, e grandes parcelas do seu ser estarão contra você. Em tudo que fizer, você estará sempre contando com o apoio da minoria. Isso significa que a maioria vai querer uma revanche - e de fato vai dá-la.
O problema é que você não consegue fazer nada com base na sua integridade sem que alguém mais tarde não o condene, não diga que você é um burro, um idiota.
Então, a primeira coisa é que as pseudo-religiões acabaram com a integridade, com a inteireza, com a força do ser humano. Isso é necessário caso você queira escravizar as pessoas - pessoas fortes não podem ser escravizadas. E trata-se de uma escravidão muito sutil, tanto psicológica como espiritual. Você não precisa de algemas nem de correntes nem celas, nada disso - as pseudo-religiões têm esquemas muito mais sofisticados. E elas começam a entrar em ação desde o momento em que você nasce; não perdem tempo.
As religiões condenaram o sexo, condenaram o gosto pela comida - condenaram tudo de que você pode gostar - música, arte, canto, dança. Se observar este mundo afora e pesquisar todas as condenações de todas as religiões, você verá: juntas, elas condenaram o ser humano inteiro. Nenhuma partezinha dele foi deixada de fora.
Sim, cada religião só condenou um pedacinho - porque, se condenasse a pessoa toda, ela poderia simplesmente ficar histérica. Você tem de ter uma medida, para que ela se condene e sinta culpa, e depois queira se libertar dessa culpa e se disponha a pedir a sua ajuda. Você não pode condená-la a tal ponto que ela simplesmente fuja de você ou se jogue no mar e acabe com a própria vida. Isso não seria um bom negócio.
Depois que se sente culpado, você cai nas garras do sacerdote. Não pode mais fugir, porque ele é o único que pode livrar você das suas partes pecaminosas, que pode torná-lo capaz de se postar diante de Deus sem se envergonhar. Ele cria a ficção de Deus. Cria a ficção da culpa. Cria a ficção de que um dia você estará diante de Deus, por isso você deverá estar cristalino e puro, num estado em que possa se postar diante dele sem sentir medo ou vergonha.
Quando a religião se tornar científica, ela não irá mais para o plural (religiões). Nesse caso, ela será simplesmente religião e funcionará justamente ao contrário das pseudo-religiões. Sua função será livrá-lo de Deus, livrá-lo do céu e do inferno, livrá-lo do conceito de pecado original, livrá-lo da própria idéia de que você e a natureza estão separados - livrá-lo de qualquer tipo de repressão.
Com toda essa liberdade, você conseguirá compreender a expressão do seu ser natural, seja ela qual for. Não há por que se sentir envergonhado. O universo quer que você seja do seu jeito, é por isso que você é desse jeito. O universo precisa que você seja desse jeito, do contrário ele teria criado outra pessoa, não você. Portanto, no meu entender, não ser você mesmo é a única coisa irreligiosa que você pode fazer.
Seja você mesmo sem se impor condições, sem se prender por amarras - seja simplesmente você mesmo e você será religioso, porque será saudável, será inteiro. Você não precisa de sacerdote, não precisa de psicanalista, não precisa de ajuda de ninguém, pois você não está doente, não é defeituoso, não vive paralisado. Todo defeito e toda paralisia desaparecem quando você encontra a liberdade.
A religião verdadeira pode ser condensada em uma única frase: liberdade total para você mesmo (assim como Deus tem liberdade total).
Exprima o que você sente e o que pensa de todas as maneiras possíveis, sem sentir medo. Não há nada a temer, não há ninguém para puni-lo ou recompensá-lo. Se você expressar o seu ser da maneira mais verdadeira possível, no seu fluxo natural, você será imediatamente recompensado - não no amanhã, mas hoje, no aqui e agora.
Você só é punido quando vai contra a sua natureza. Mas essa punição é um auxílio, é simplesmente uma indicação de que você se distanciou da sua natureza, de que você se desviou um pouco, perdeu o rumo - então volte. A punição não é uma vingança, não! A punição é só um esforço da natureza para despertá-lo. "Ei, o que você está fazendo?" Alguma coisa está errada, alguma coisa está contra você. É por isso que surge a dor, a ansiedade, a angústia.
Quando você é natural e se expressa assim como as árvores e os pássaros - que têm mais sorte, porque nenhum pássaro nunca quis ser sacerdote e nenhuma árvore jamais teve a idéia de ser psicanalista -, assim como as árvores, os pássaros e as nuvens, você se sentirá em casa na existência.
E estar em casa é o ponto principal da religião.
Marcadores: Osho, religião, repressão
quinta-feira, junho 13, 2024
Osho: Sobre Religiões
Fonte consultada: Osho, O Livro da sua Vida - Crie o seu próprio caminho para a liberdade, Editora Pensamento-Cultrix, 2019. ISBN: 978-85-316-0975-6
Zorba, o Buda, não segue religiões...
As religiões estão necessariamente dividindo as pessoas, criando uma dualidade na mente humana. Esse é o jeito que elas têm de explorar você. Se você for uma pessoa inteira, religião nenhuma pode controlá-lo. Mas, se você estiver fragmentado, então toda a sua força está destruída, todo o seu poder, toda a sua dignidade é esfacelada. Depois disso você pode virar um cristão, hindu, muçulmano. Se deixarem que você fique assim, como chegou a este mundo - natural, sem nenhuma interferência dos supostos líderes religiosos, você terá liberdade, independência, integridade. Não pode ser escravizado. E todas as suas velhas religiões não estão fazendo nada além de escravizar você.
Para escravizá-lo, eles têm que criar um conflito dentro de você, de modo que você comece a brigar consigo mesmo. Quando você se volta contra você, duas coisas fatalmente acontecem. Primeiro, você se sentirá infeliz, pois nenhuma parte de você pode jamais sair vitoriosa, você sempre será derrotado. Segundo, você ficará com tanto sentimento de culpa que não se sentirá digno de ser chamado de um ser humano de verdade, autêntico. É isso o que os líderes religiosos querem. Essa sua pfofunda sensação de desmerecimento é o que faz deles líderes. Você não pode depender de si mesmo porque sabe que você não pode fazer nada sozinho. Você não pode fazer o que a sua natureza quer, pois a sua religião proíbe; também não pode fazer o que a sua religião quer, porque isso vai contra a sua natureza. Você se vê numa situação de total impotência: é preciso outra pessoa para assumir a responsabilidade por você.
A sua idade cronológica continua aumentando, mas a sua idade mental sofre um atraso, fica parada em torno dos 13 anos. Pessoas com esse atraso mental precisam muito de alguém que as guie, alguém que as leve a conhecer o objetivo da vida, o sentido da vida. Elas próprias são incapazes. Os líderes religiosos nunca poderiam ter pensado no encontro entre Zorba e Buda, pois esse seria o fim de sua liderança e o fim das suas pretensas religiões.
Zorba, o Buda, é o fim de todas as religiões. É o início de um novo tipo de religiosidade que não precisa de rótulos - nem Cristianismo, nem Judaísmo, nem Budismo. Ela consiste em simplesmente se alegrar, desfrutar esse imenso universo, dançar com as árvores, brincar na praia com as marolas, catar conchinhas só pelo prazer que isso dá. A maresia, o frescor da areia, o sol nascendo, uma boa caminhada - o que mais você quer? Para mim, isso é religião - ter prazer com o ar, ter prazer com o mar, ter prazer com a areia, ter prazer com o sol - porque não existe outro Deus que não seja a própria existência.
Não existe conflito entre Zorba e Buda. O conflito foi criado pelas chamadas religiões. Existe algum conflito entre o corpo e a alma? Existe algum conflito entre a sua vida e a sua consciência? Existe algum conflito entre a sua mão direita e a sua mão esquerda? É tudo uma coisa só, uma unidade orgânica.
O seu corpo não merece a sua condenação, mas a sua gratidão, pois ele é a coisa mais grandiosa da vida, a mais milagrosa, a maneira como ele funciona é simplesmente inacreditável. Todas as partes do seu corpo funcionam como uma orquestra. E a sua alma não é algo que esteja em oposição ao seu corpo. Se o seu corpo é a casa, a alma é o hóspede, e não há por que o hóspede e o anfitrião brigarem o tempo todo. Mas a religião não podia existir sem essa sua briga consigo mesmo.
Você é uma unidade orgânica - quer dizer, o seu materialismo não está em oposição à espiritualidade - que tem basicamente o propósito de banir todas as religiões organizadas da terra. Quando o seu corpo e a sua alma começarem a caminhar lado a lado, dançando juntos, você se transforma em Zorba, o Buda. A partir daí você pode aproveitar tudo o que existe nesta vida, tudo o que existe fora de você, e também pode aproveitar tudo o que existe dentro do seu ser.
Na realidade, o dentro e o fora operam em dimensões totalmente diferentes; eles nunca entram em conflito. Mas milhares de anos de condicionamento - ouvindo as pessoas lhe dizendo que, se você quer o interior, tem de renunciar ao exterior - criaram raízes profundas dentro de você. Se você pode desfrutar o interior, qual o problema em desfrutar também o exterior? O prazer é o mesmo; ele é o elo de ligação entre o interior e o exterior.
Ouvir uma boa música, contemplar uma bela pintura ou admirar um dançarino como Nijinsky - tudo isso está fora de você, mas não é, de maneira alguma, um obstáculo para a sua alegria interior. Pelo contrário, é uma grande ajuda. Uma bela música pode começar a tocar as fibras do seu coração. O exterior e o interior não estão divididos. Trata-se de uma única energia, dois aspectos da mesma existência.
Zorba pode se transformar num Buda com mais facilidade que qualquer Papa. Não existe nenhuma possibilidade de o Papa, e de seus supostos santos, se tornarem realmente espirituais. Eles não conhecem nem mesmo as alegrias do corpo - como você pode achar que eles serão capazes de conhecer as alegrias sutis do espírito? O corpo é a escola onde você aprende a nadar, engolindo água.
Você precisa recordar a vida de Buda. Até os 29 anos, ele era um Zorba puro. Tinha as mulheres mais lindas do reino, dúzias delas. Todo o palácio era cheio de música e de dança. Ele tinha as melhores iguarias, as melhores roupas, lindos palácios, imensos jardins. Gozava muito mais a vida do que o pobre Zorba, o Grego. Dia após dia, esse príncipe chamado Sidarta vivia em meio ao luxo, cercado de tudo o que se pode imaginar. Ele vivia um mundo de sonho. Foi essa experiência que fez dele um Buda.
Este fato não costuma ser analisado dessa maneira. Ninguém dá atenção à essa primeira parte da vida dele - que é a sua própria base. Ele se enfastiou. Conheceu todos os prazeres do mundo exterior; agora ele queria algo mais, algo mais profundo, que não existia no mundo lá fora. Para ir mais fundo, você precisa mergulhar. Na idade de 29 anos, ele deixou o palácio no meio da noite e saiu em busca do espiritual. Ele era um Zorba saindo à cata de Buda.
Zorba, o Grego, nunca se tornou um Buda simplesmente porque sua condição de Zorba ficou incompleta. Ele era um belo homem, cheio de disposição, mas era pobre. Ele queria viver a vida plenamente, mas não teve oportunidade. Ele dançou, cantou, mas não conheceu as nuances mais elevadas da música. Não conheceu a dança em que o dançarino deixa de existir.
O Zorba dentro do Buda, conheceu o que havia de mais excelso e mais profundo no mundo exterior. Ciente de tudo isso, ele estava pronto para empreender a sua busca interior. O mundo era bom, mas não tão bom assim; algo ainda estava faltando. O mundo oferecia vislumbres momentâneos, e o Buda queria algo eterno. Todas as suas alegrias findavam com a morte, e ele queria conhecer algo que não acabasse com a morte.
É possível que você seja um Zorba e que pare nesse ponto. Mas também é possível que você não seja um Zorba e comece a buscar o Buda - neste caso, você não vai encontrá-lo. Só um Zorba pode encontrar o Buda; de outro modo, você não tem força suficiente: você não viveu no mundo exterior, você o evitou. Você é um escapista.
Para mim, ser um Zorba é o início da jornada, e tornar-se um Buda é o cumprimento da meta. Não crie uma cisão na sua vida, não condene nada que se refira ao corpo. Viva - não a contragosto - viva totalmente, intensamente.O próprio ato de viver o preparará para a outra busca. Você não tem de ser um asceta,não tem de abandonar a sua mulher, o seu marido, os seus filhos. Toda essa baboseira tem sido ensinada há séculos, e quantas pessoas - dos milhões de monges e freiras - quantas dessas pessoas floresceram? Nenhuma!
Viva a vida sem dividi-la. E primeiro vem o corpo, primeiro vem o seu mundo exterior. No momento que a criança nasce, ela abre os olhos, e a primeira coisa que ela vê é todo o panorama da existência em torno dela. Ela vê tudo, exceto ela mesma - isso é apenas para gente mais experiente. É para quem já viu tudo que havia para ver fora, viveu e se libertou.
A liberdade com relação ao mundo exterior não se conquista por meio do escapismo. Essa liberdade conquista-se vivendo a vida intensamente; depois disso, não há lugar nenhum para onde ir. Só uma dimensão ainda permanece, e é natural que você queira seguir nessa direção. Existe a sua condição de Buda, a sua iluminação.
Sem Zorba não existe Buda. Zorba, evidentemente, não é o fim. Ele é a preparação para o Buda. Ele é as raízes; Buda é o florescimento. Não destrua as raízes; do contrário, não haverá nenhuma flor. São as raízes que mandam a seiva para as flores. Todas as cores das flores vêm das raízes; e todo o perfume das flores vem das raízes.
Não divida. Raízes e flores são as duas extremidades de um único fenômeno.
Marcadores: Buda, Osho, religião, Zorba
domingo, junho 09, 2024
Fé, Crença e Dúvida
Fonte: Osho, O Livro da sua Vida - Crie o seu próprio caminho para a liberdade, Editora Pensamento-Cultrix, 2019. ISBN: 978-85-316-0975-6
A fé de uma semente de mostarda pode remover montanhas...
Eu não acredito na crença. Minha filosofia é baseada no saber, e saber é uma dimensão totalmente diferente da crença. Ela tem início na dúvida, não na crença. No momento em que você acredita em algo, você pára de fazer perguntas. A crença é um dos piores venenos para a inteligência humana (você acredita em vacinas?)
Todas as religiões se baseiam na crença; só a ciência se baseia na dúvida. E eu gostaria que a inquirição religiosa também fosse científica, baseada na dúvida, pois desse modo não precisaríamos acreditar (em muitos mentirosos, controladores da nossa sociedade); poderíamos, desta forma, algum dia conhecer a verdade do nosso ser, e a verdade de todo o universo.
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quarta-feira, junho 05, 2024
A Conquista da Verdade
Do livro "Truth Conquer"
O homem egípcio tinha um cocar que simbolizava a feminilidade sagrada. A feminilidade é sagrada porque representa o portal para a matéria física. A mulher é de natureza magnética e o homem é de natureza elétrica. O feminino é atração e o masculino é ação.
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quarta-feira, maio 29, 2024
A Conquista da Verdade
Do livro "Truth Conquer"
O homem egípcio tinha um cocar que simbolizava a feminilidade sagrada. A feminilidade é sagrada porque representa o portal para a matéria física. A mulher é de natureza magnética e o homem é de natureza elétrica. O feminino é atração e o masculino é ação.
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sexta-feira, maio 17, 2024
Evolução e Religião
Fonte: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, Evolução em Dois Mundos, Publicado pela Federação Espírita Brasileira, 6ª edição, 1958.
À medida que a responsabilidade se lhe apossou do espírito, iluminou-se a consciência do homem.
A inteligência humana entendeu a grandeza do Uninverso e compreendeu a própria humildade, reconhecendo em suas entranhas a ideia inalienável de Deus.
A Espiritualidade Sublime, amparando o homem, jamais lhe menosprezou a sêde de consolo e esclarecimento.
Quanto mais angustiosos se lhe esboçavam os problemas da dor, com a guerra íntima entre a razão e a animalidade, grande massa de Espíritos ilustrados, mas decaídos de outro sistema cósmico, renasceu no tronco genealógico das tribos terrestres, qual enxerto revitalizador, embora isso representasse para eles amarga penitência expiatória.
Constituiu-se, desse modo, a raça humana adâmica, instilando no homem renovadas noções de Deus e da vida.
Depois de longos e porfiados milênios de luta espiritual, surgem no mundo, como grupos por eles organizados, a China pré-histórica e a Índia védica, o antigo Egito e civilizações outras que se perderam no abismo das eras, nos quais a religião assume aspecto enobrecido como ciência moral de aperfeiçoamento, para uma mais alta ascensão da mente humana à Consciência Cósmica.
Dentre todos, desempenha o Egito missão especial, organizando escolas de iniciação mais profunda. A unidade de Deus é o alicerce de toda a religião egípcia, em sua feição superior. Para ela, os atributos divinos são a vontade sábia e poderosa, a liberdade, a grandeza, a magnanimidade incansável, o amor infinito e a imortalidade.
Em síntese, acredita que Deus plasmou os seus próprios membros, que são os deuses conhecidos. Cada um desses deuses secundários pode ser tomado como sendo análogo ao Deus Único.
Os dez mandamentos, recebidos mediunicamente por Moisés, brilham ainda hoje por alicerce de luz na edificação do direito, dentro da ordem social. A palavra da Esfera Superior gravava a lei de causa e efeito para o homem, advertindo-o solenemente:
- Consagra amor supremo ao Pai da Bondade Eterna, n'Ele reconhecendo a tua divina origem.
- Precata-te contra os enganos do antropomorfismo, porque padronizar os atributos divinos absolutos pelos acanhados atributos humanos é cair em perigosas armadilhas da vaidade e do orgulho.
- Abstém-te de envolver o Julgamento Divino na estreiteza de teus julgamentos.
- Recorda o impositivo da meditação em teu favor e em benefício daqueles que te atendem na esfera de trabalho, para que possas assimilar com segurança os valores da experiência.
- Lembra-te de que a dívida para com teus pais terrestres é sempre insolvável, por sua natureza sublime.
- Responsabilizar-te-ás pelas vidas que deliberadamente extinguires (inclusive a sua).
- Foge de obscurecer ou conturbar o sentimento alheio, porque o cálculo delituoso emite ondas de força desorientada que voltarão sobre ti mesmo.
- Evita a apropriação indébita para que não agraves as próprias dívidas.
- Desterra de teus lábios toda palavra dolosa a fim de que se não transforme, um dia, em tropeço para os teus pés.
- Acautela-te contra a inveja e o despeito, a inconformação e o ciúme, aprendendo a conquistar alegria e traquilidade, ao preço do esforço próprio, porque os teus pensamentos te precedem os passos, plasmando-te hoje, o caminho de amanhã.
Jesus ensina que a felicidade não pode nascer das posses efêmeras que se transferem de mão em mão, e sim da caridade e do entendimento, da modéstia e do trabalho, da tolerância e do perdão, e que o homem deve nascer de novo para progredir na direção da Sabedoria Divina. Proclama que a morte não existe e que a Criação é beleza e segurança, alegria e vitória em plena imortalidade.
Moisés instalara o princípio da justiça, coordenando a vida e influenciando-a de fora para dentro.
Jesus inaugurou na Terra o princípio do amor, a exteriorizar-se do coração, de dentro para fora, traçando-lhe a rota para Deus.
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quarta-feira, abril 10, 2024
O Hábito do Carnivorismo
Se consultarmos o Antigo Testamento da Bíblia Sagrada [Gênesis 1: 29] e estudarmos um pouco de Anatomia Comparada, iremos chegar à conclusão de que o ser humano é, basicamente, um animal frugívoro, isto é, comedor de frutas. O que fez o ser humano desviar-se de sua natureza frugívora para um comportamento carnívoro, passando a comer a carne de animais e de outros seres humanos (canibalismo)? A responsabilidade disso está na Religião. Em português, a palavra Religião [relig+ião] costuma ser interpretada como a ação (-ião) de religação (relig) com o divino. No entanto, em inglês, a palavra Religion [re+lig+ion] pode ser entendida como a ação (-ion) de mentir (-lig) novamente (re), repetidamene, uma mentira depois da outra. Qual a mentira básica da nossa Religião católica? É a afirmação nas escrituras sagradas de que Deus fica feliz, deseja e aprova o nosso holocausto (sacrifício, assassinato) de seres vivos (cordeiros de Deus, seres humanos, etc)! Sejamos racionais: será que o Deus criador do Universo aprovaria, e ficaria feliz, com o nosso assassinato (e consumo) de elementos vivos de sua própria criação? Será que ele necessitaria isso de nós? É óbvio que não! Essa é uma mentira propagada por um ser, que se auto-intitula Senhor Deus, mas que na verdade é um ser maligno poderoso extraterrestre (Anunnaki) conhecido por vários nomes (Enlil, Satanás, Jeová, Baal, etc). Esse demônio (e seus seguidores) estão interessados em destruir a raça humana deste planeta, através de um genocídio constante, via guerras, canibalismo, envenenamento constante da alimentação e do meio ambiente (terra, ar e água) dos humanos. É dito que devemos tentar imitar Deus, e que Deus é Amor: onde está a demonstração do nosso amor pelos animais, quando os matamos rotineiramente para os comer? Por ser contra nossa natureza inata, o carnivorismo regular debilita nossa saúde física e mental.
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terça-feira, outubro 31, 2023
Confiança no caminho
Se você puder confiar, uma coisa ou outra sempre irá acontecer e ajudará no seu crescimento. Suas necessidades serão supridas. Tudo aquilo que for necessário numa determinada época, ser-lhe-á dado, nunca antes. Você somente o recebe quando precisa, e não há sequer um único momento de atraso. Quando você o necessita, você o recebe, imediatamente, instantaneamente! Essa é a beleza da confiança. Pouco a pouco você vai aprendendo como a existência dá a você, como a existência cuida de você. Você não está vivendo em uma existência indiferente. Ela não o ignora. Você está preocupado desnecessariamente; tudo é provido. Uma vez que você descubra a chave de perceber isso, toda preocupação desaparece.
Abaixo vão algumas observações de Osho sobre o conto sufi chamado Mojud: O Homem com a Vida Inexplicável.
Acreditando no impossível, o impossível torna-se possível
Na realidade, as coisas são impossíveis somente porque você não tem a coragem de acreditar. Cada pensamento pode tornar-s uma coisa, e tudo que acontece dentro da consciência pode criar sua realidade externa. Tudo que acontece exteriormente precisa primeiro acontecer interiormente. A semente está absorta no interior e a árvore manifesta-se no exterior.
Se você tem um coração que confia, nada é impossível. Mas você precisa ter um coração confiante. Uma mente confiante não adiantará, porque estruturalmente a mente não pode confiar. Ela é incapaz de confiar. A mente só pode duvidar, desconfiar; a dúvida é algo natural para a mente, é intrínsica à mente. A cabeça nada pode fazer a não ser duvidar. Para a mente, crer não é possível, a mente pode apenas duvidar. A dúvida cresce da mente como as folhas crescem das árvores.
A crença surge no coração. O coração não pode duvidar, só pode confiar. Assim, quando digo que crer pode tornar coisas impossíveis em possíveis, refiro-me a crer pelo coração - um coração inocente, o coração de uma criança que não sabe como dizer "não", que conhece apenas o "sim" - mas não o "sim" contra o "não".
Não que a criança diga "não" por dentro e "sim" por fora, pois isso é da cabeça. Essa é a maneira da cabeça, sim por fora, não por dentro, não por fora, sim por dentro. A cabeça é esquizofrênica. Nunca é total e una.
Quando o coração diz "sim" ele simplesmente diz "sim". Não existe conflito, não existe divisão. O coração está integrado com seu sim; essa é a verdadeira crença, confiança. É um fenômeno do coração. Não é um pensamento, mas um sentimento, e essencialmente, nem mesmo um sentimento, mas um estado de ser. No início, a confiança é um sentimento; em seu florescimento final é um estado de ser.
As chamadas "crenças" permanecem na cabeça, nunca se tornam seus sentimentos, e não podem se tornar seu ser. E a menos que algo se torne seu ser, ele é apenas um sonho inútil. É um desperdício de energia.
Mas, para crer, é necessário arriscar. Você ficará surpreso ao saber disso: a dúvida é muito covarde. Comumente se ouve que as pessoas corajosas duvidam e que as covardes crêem. Isso também é verdade, num certo sentido. A crença mental é covarde, e você conhece apenas os que crêem mentalmente, assim isso corresponde à realidade. Se você entrar nas mesquitas, nas igrejas, nos templos, os encontrará cheios de covardes. Mas a crença real não é covarde, e sim uma grande coragem; ela é heróica.
A dúvida vem do medo; então como pode ser valente? A dúvida está enraizada no medo. Ela cresce porque existe um desejo ardente de defender a si mesmo,de proteger a si mesmo, de estar seguro. Você pode confiar somente se estiver pronto para penetrar na insegurança, no inexplorado, para navegar no desconhecido sem mapa algum. Confiança significa imensa coragem, e somente uma pessoa corajosa pode ser religiosa, porque somente uma pessoa corajosa pode dizer "sim".
Dúvida é defesa. E mesmo que você seja defendido por ela, você permanece estagnado, não pode se mover - porque cada movimento traz medo, porque cada movimento é um movimento para o desconhecido, para o não-familiar. A dúvida é um subproduto do medo, lembre-se disso.
Então o que é crer? Crer é um subproduto do amor. Somente aqueles que sabem amar sabem crer. O amor vem do coração, e a crença também. A dúvida vem da cabeça, e o medo também. A pessoa que vive na cabeça permanece covarde. Na verdade, por ser covarde, ele mora na cabeça. Ela tem medo de mover-se para o coração porque nunca sabe onde ele a levará.
O coração é um aventureiro, o explorador dos mistérios, o descobridor de tudo que está oculto. O coração está sempre em peregrinação. Ele nunca se satisfaz... tem um descontentamento interno, um descontentamento espiritual. O coração nunca se acomoda em lugar algum. Está profundamente apaixonado pelo movimento, pelo dinamismo.
O coração somente se satisfaz quando chega ao supremo, além do qual não há objetivo. O mundano não pode satisfazê-lo. O coração nunca é convencional, está sempre em revolução. Está sempre saltando de um estado a outro. Está sempre tateando, sempre arriscando. Está sempre disposto a arriscar tudo que tem pelo desconhecido. Seu desejo é conhecer aquilo que verdadeiramente é; e Deus nada mais é do que isto.
O coração anseia pela aventura, pelo perigo, pelo inexplorado, pelo desconhecido, pelo inseguro. Ele almeja a experiência oceânica; quer se dissolver, desaparecer na totalidade. A cabeça é receosa, receia morrer, desaparecer.
Quando você confia, seu inconsciente começa a revelar muitas coisas para você. Ele revela a si mesmo apenas para a mente confiante, para o ser confiante, para a consciência confiante. Religião é a fragrância desta confiança... impecável, absoluta.
O ateísmo é um ato de fraqueza, de impotência. Ele é decadente. Uma sociedade torna-se ateísta somente quando está morrendo, quando perdeu o vigor e a juventude. Quando uma sociedade é jovem, viva e vigorosa, ela almeja o desconhecido, anseia pelo perigo. Ela tenta viver perigosamente, porque essa é a única maneira de verdadeiramente viver.
O ateísmo é sempre covarde. A pessoa realmente corajosa com certeza se tornará religiosa, e a pessoa religiosa certamente é corajosa. Assim, se você encontrar uma pessoa religiosa covarde, então saiba que algo está errado. Uma pessoa covarde não pode ser religiosa. Sua religião nada mais é que uma defesa, uma armadura. Seu sim não está vindo do amor e da coragem, seu sim está vindo do medo. Se fosse possível dizer não, ela diria não. Seu sim está vindo porque a morte está presente, a doença está presente, o perigo está presente. Assim, ela pensa: "O que tenho a perder? Por que não crer? Por que não orar?" Sua oração é falsa, sua oração nada mais é que uma expressão do medo. O medo a leva ao templo, à igreja e ao sacerdote.
Dizer "não" é dizer não às próprias raízes. Se a árvore diz não à terra, qual será seu destino? Ela estará cometendo suicídio. Se a árvore diz não ao sol, qual será seu destino? Ela estará cometendo suicídio. A árvore não pode dizer não ao sol, não pode dizer não à terra. Ela tem que dizer sim ao sol, à terra, aos ventos, às nuvens. Tem que permanecer continuamente numa atitude de sim. Só então pode florescer, permanecer verde e viva, crescer.
O homem está enraizado na existência. Dizer "não" é envenenar seu próprio sistema. Para quem você está dizendo não? - para sua própria terra, para seu próprio céu, para seu próprio sol. Você começará a ficar paralizado. A pessoa realmente corajosa olha ao redor, sente, vê que "Sou parte desta totalidade." Percebendo isso, relaxa no sim, permanece no fluxo. E, pelo seu sim, está pronta a arriscar qualquer coisa, tudo que for necessário.
Procurando, buscando Deus, a verdade, a felicidade suprema, surge várias vezes este momento - arriscar. Toda astúcia estará contra isso. A mente inteira estará contra isso. É melhor arriscar tudo. Se houver apenas uma possibilidade muito, muito pequena de obter amor, mesmo assim deve-se arriscar tudo. E deve-se arriscar tudo repetidamente, muitas vezes, antes que se alcance o amor supremo, Deus.
Comumente procuramos e buscamos Deus apenas dentro de limites: aquilo que é permitido pelas nossas atuais condições, sem nada arriscar. Você está ganhando dinheiro, está tendo sucesso na vida, pode dispensar uma hora para o templo ou para a meditação. De vez em quando pode orar também. Ou pelo menos durante a noite, antes de ir para a cama, pode repetir a mesma oração por dois minutos ecair no sono, e sentir-se muito bem porque está "praticando religião".
Religião não é praticar, é ser. Ou está presente por vinte e quatro horas em seu ser, espalhada por todo ele, ou não está, de forma alguma. Apenas uma oração noturna, antes de ir para a cama, é uma espécie de tapeação que você está fazendo consigo mesmo.
Esse tipo de religião parcial não ajuda. A pessoa tem que estar nela totalmente, e os covardes não podem fazer isso. Assim, deixe-me lembrá-lo: religião é apenas para os valentes, para os vigorosos, para aqueles que têm a alma forte. Não é para os fracos, não é para aqueles que estão sempre negociando. Não é para a mente negociante, é para os jogadores que podem arriscar.
Todo homem é um homem de brilhantes perspectivas, porque todo homem tem Deus como seu florescimento supremo
[continua]
Referência: Osho, Mojud : O Homem com a Vida Inexplicável, Editora Madras.
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