quarta-feira, agosto 02, 2023

 

A Ausência de Ego


Visto que o ego é uma ficção, há momentos em que a pessoa fica livre dele. Por se tratar de uma ficção, o ego pode ficar presente apenas se a pessoa continuar a mantê-lo. A ficção precisa de bastante manutenção energética. A verdade não precisa de nenhuma manutenção, e é essa a beleza dela. Mas a ficção? É preciso pintá-la constantemente, colocar um suporte aqui e ali, e ela desmorona constantemente. No momento em que a pessoa consegue escorar um lado, o outro começa a desmoronar.

E é isso que as pessoas fazem a vida inteira, ou seja, tentam fazer com que a ficção pareça com a verdade. Ter mais dinheiro, para então poder ter um ego maior, um pouco mais sólido do que o ego do homem pobre. O ego do homem pobre é franzino, ele não pode se dar ao luxo de ter um ego mais robusto. Basta tornar-se o primeiro-ministro ou presidentede um país para que o ego da pessoa infle ao extremo. 

Toda a nossa vida, a busca pelo dinheiro, poder, prestígio, isto e aquilo, não é nada além de uma busca por novas peças de amparo, uma busca por novos apoios, para, de alguma forma, manter a ficção em andamento. E o tempo todo a pessoa sabe que a morte está chegando. O que quer que ela  faça, a morte vai destruir. Mas, mesmo assim, ela continua a ter esperança contra todas as expectativas: talvez todas as outras pessoas morram,  menos ela.

E, de certa maneira, isso é verdade. Nós sempre vemos as outras pessoas morrendo, e nunca nós mesmos, portanto, isso também parece verdadeiro, além de lógico. Essa pessoa morre, aquela pessoa morre, mas nós nunca morremos.Estamos sempre presentes, para sentir pena dos que morreram, vamos ao cemitério para nos despedir deles e, depois,voltamos para casa.

Não se deixe enganar,no entanto, pois todos agem do mesmo jeito.E ninguém é exceção. A morte vem e destrói toda a ficção do nome e da fama do indivíduo. A morte vem e simplesmente apaga tudo, não são deixadas nem mesmo pegadas. O que quer que as pessoas continuem a fazer de suas vidas, não é nada além de escrever sobre a água - nem mesmo na areia, mas sobre a água. Nem mesmo terminam de escrever e ela já se foi.Não podemnem mesmo lê-la, pois, antes que possam lê-la, ela se foi.

Mas as pessoas continuam tentando fazer esses castelos no ar, Como é uma ficção, precisa de constante manutenção, esforço constante, dia e noite. E ninguém pode ser tão cuidadoso durante 24 horas por dia. Então, às vezes, sem que a pessoa perceba, há momentos em que tem um vislumbre da realidade sem que o ego funcione como uma barreira.

Sem a tela do ego, há momentos assim, mas sem que a pessoa perceba, é bom lembrar. Todo mundo, de vez em quando, tem esses momentos.

Por exemplo, toda noite, quando a pessoa cai em sono profundo, e o sono é tão profundo que não pode nem mesmo sonhar, o ego não é mais encontrado, todas as ficções se foram. O sono profundo, sem sonhos, é uma espécie de pequena morte.

No sono sem sonhos, o ego desaparece completamente, porque, quando não há nenhum pensamento, nenhum sonho, como a pessoa pode conduzir uma ficção? Mas o sono sem sonhos é muito pequeno. Em oito horas de  sono saudável não são mais do que duas horas.Mas apenas essas duas horas são revitalizantes. Se a pessoa tem duas horas de sono profundo, sem sonhos, de manhã ela está nova, fresca, viva. A vida tem novamente emoção, o dia parece ser um presente. Tudo parece novo, porque a pessoa está renovada. E tudo parece belo, porque ela está em um lindo espaço.

O que acontece nessas duas horas, quando a pessoa cai em sono profundo, o que Patanjali [e o yoga] chama[m] de sushupti, sono sem sonhos? O ego desaparece. E o desaparecimento do ego revitaliza a pessoa, rejuvenesce-a. Com o desaparecimento do ego, mesmo que em profunda inconsciência, a pessoa tem uma prova de Deus. Patanjali diz que não há muita diferença entre sushupti, sono sem sonhos, e samadhi, o estado supremo do budismo, embora haja uma diferença. A diferença é a consciência. No sono sem sonhos a pessoa está inconsciente, em samadhi, a pessoa está consciente, mas o estado é o mesmo. A pessoa move-se para Deus, move-se para o centro universal. Ela desaparece da periferia e vai para o centro. E apenas esse contato com o centro a rejuvenece.

Como o ego é uma ficção, ele às vezes desaparece. O tempo maior é  o do sono sem sonhos. Portanto, tenha em mente que o sono é muito valioso, e não o perca, de jeito nenhum.

A segunda maior fonte de experiências sem ego é o sexo, o amor. Isso foi destruído pelos padres, eles o condenaram, por isso, não é mais uma experiência tão grandiosa. Esse tipo de condenação, por tanto tempo, condicionou as mentes das pessoas. Mesmo quando estão fazendo amor, no fundo sabem que estão fazendo algo errado. Alguma culpa está à espreita em algum lugar. E isso é assim até mesmo para a geração mais moderna, mais contemporânea, até mesmo para a mais jovem.

Superficialmente, as pessoas podem ter se revoltado contra a sociedade; superficialmente, podem não ser mais conformistas. No entanto, as coisas se aprofundaram, não é uma questão de revoltar-se superficialmente. Podem deixar o cabelo comprido, isso não vai ajudar muito. Podem tornar-se hippies e parar de tomar banho, isso não vai ajudar muito. Podem rejeitar a ordem vigente de todas as formas possíveis que imaginarem, mas isso não vai realmente ajudar, porque as coisas se aprofundaram muito e todas essas são medidas supreficiais.

Por milhares de anos foi dito que o sexo é o maior dos pecados. Isso se tornou parte do sangue, dos ossos e da medula do homem. Assim, mesmo que a pessoa saiba conscientemente que não há nada de errado nisso, o inconsciente a mantém um pouco afastada, com medo, com sentimento de culpa, e ela não consegue se concentrar totalmente nisso.

Se a pessoa consegue desfrutar do ato de amor totalmente, o ego desaparece, porque no clímax, no mais alto clímax do ato de amor, a pessoa é pura energia. A mente não consegue funcionar. É tamanha a explosão de energia que a mente fica desorientada, não sabe mais o que fazer. A mente é perfeitamente capaz de permanecer em funcionamento em situações normais, mas, quando alguma coisa muito nova e muito vital acontece, ela para. E o sexo é o que há de mais vital.

Se a pessoa puder se aprofundar no ato sexual, o ego desaparece. Essa é a beleza de se fazer amor, que é outra fonte de um vislumbre de Deus, assim como o sono profundo, mas muito mais valioso, porque, no sono profundo, a pessoa fica inconsciente. Ao fazer amor, ela fica consciente, porém, sem a mente.

Por isso, a grande ciência do Tranta tornou-se possível. Patanjali e o yoga trabalharam nas linhas do sono profundo. Escolheram esse caminho para transformar o sono profundoem um estado consciente, de modo quea pessoa saiba quem ela é, e saiba que está no centro. O tantra escolheu o ato de amor como uma janela em direção a Deus.

O caminho do yoga é muito longo, porque transformar o sono inconsciente em consciência é muito árduo, e pode levar muitas vidas...

Mas o tantra escolheu um caminho muito mais curto, o mais curto, e muito mais agradável também! O ato de fazer amor pode abrir a janela. Tudo o que é preciso é desarraigar os condicionamentos que os padres incutiram nas pessoas. Os padres os incutiram nas pessoas para que eles pudessem se tornar mediadores e agentes entre elas e Deus, de modo que o contato direto das pessoas fosse cortado. Claro que as pessoas precisariam de alguém para conectá-las, e assim o padre se tornaria poderoso. E o padre foi poderoso ao longo dos séculos.

Quem quer que coloque as pessoas em contato com o poder, o poder real, vai se tornar poderoso. Deus é o poder real, a fonte de todos os poderes. O padre permaneceu muito poderoso ao longo dos tempos, mais poderoso do que os reis. Agora, o cientista tomou o lugar do padre, porque, agora, ele sabe como conectá-las com a natureza. Mas o padre tem que desconectá-las primeiro, de modo que nenhuma linha privada individual permaneça entre elas e Deus. Ele estragou as fontes interiores das pessoas.Ele tornou-se muito poderoso, mas toda a humanidade ficou sem desejo sexual, sem amor, cheia de culpa.

É preciso abandonar essa culpa completamente. Ao fazer amor, a pessoa deve pensar em oração, meditação, Deus. Ao fazer amor, deve queimar incenso, entoar um mantra, cantar, dançar. O quanto há que ser um templo, um lugar sagrado. E o ato sexual não pode ser uma coisa apressada. A pessoa deve se aprofundar nele, saboreá-lo da forma mais lenta e mais graciosa possível. E ela vai se surpreender, Ela tem a chave.

Deus não enviou as pessoas ao mundo sem chaves. Mas essas chaves têm de ser usadas, as pessoas têm de colocá-las na fechadura e virá-las.

O amor é um outro fenômeno, um dos que tem maior potencial, no qual o ego desaparece e você permanece consciente, completamente consciente, pulsante, vibrante. Você não é mais um indivíduo, está perdido na energia do todo.

Depois, aos poucos, deve-se deixar que isso se torne o próprio modo de vida. O que acontece no auge do amor tem de se tornar a disciplina da pessoa, não apenas uma experiência, mas uma disciplina. Então, o que quer que a pessoa esteja fazendo ou por onde quer que esteja cominhando... no início da manhã, com o sal nascente, tenha o mesmo sentimento, a mesma fusão com a existência. Deitada no chão, o céu cheio de estrelas, tenha a mesma fusão novamente. Deitada na terra, sinta-se como pertencente à terra.

Pouco a pouco, o ato sexual deve lhe dar a pista de como é estar apaixonado pela existência em si. E, então, o ego é conhecido como uma ficção, é usado como uma ficção. E se a pessoa faz uso dele como uma ficção, não há nenhum perigo.

Existem alguns outros momentos em que o ego escapa da sua própria vontade. Em momentos de grande perigo, por exemplo. Digamos que a pessoa esteja dirigindo e, de repente, vê que vai acontecer um acidente. Ela perde o controle do carro e parece que não há nenhuma possibilidade de se salvar. Vai colidir com a árvore ou com o caminhão que se aproxima, ou vai cair no rio, isso é absolutamente certo. Nesses momentos, o ego desaparece de repente.

É por isso que há uma grande atração para se envolver em situações perigosas. As pessoas escalam o Evereste. Trata-se de uma meditação profunda, embora elas possam não compreender isso. O montanhismo é de grande importância. Escalar montanhas é perigoso e, quanto mais perigoso, mais bonito. Os indivíduos têm vislumbres, grandes vislumbres de ausência de ego. Sempre que o perigo está próximo, a mente para. A mente consegue pensar somente quando a pessoa não está em perigo, pois não há nada a dizer em perigo. O perigo torna as pessoas espontâneas e, nessa espontaneidade, elas de repente sabem que não são o ego.

Se a pessoa tem um coração estético, então a beleza vai abrir as portas. Basta que uma pessoa olhe uma linda mulher ou um belo homem que passa, apenas por um único momento, um flash de beleza e, de repente, o ego desaparece.

Ou ver uma flor de lótus na lagoa, ou ver o pôr do sol ou um pássaro voando, qualquer coisa que acione a sensibilidade interior, qualquer coisa que possua a pessoa, por um momento, de forma tão profunda que ela esquece de si própria, e, nesse caso, também o ego escapa. É uma ficção, e a pessoa tem que conduzi-la. Se ela esquecer por um momento, o ego escapa.

E é bom que haja uns poucos momentos em que o ego escapa e a pessoa tem um vislumbre da verdade e do real. É devido a esses vislumbres que a religião não morreu. Não é por causa dos padres, pois eles fizeram de tudo para matá-la. Aqueles que vão à igreja, à mesquita e ao templo, não vão por causa dos chamados religiosos. Eles não são religiosos, são impostores.

A religião não morreu por causa de alguns momentos que acontecem mais ou menos com quase todos. É preciso observá-los mais, absorver mais o espírito daqueles momentos, permitir mais momentos como aqueles, criar espaços par que aqueles momentos aconteçam mais vezes. Esse é o verdadeiro caminho para buscar a Deus.

Fonte: Osho, O livro do ego: Liberte-se da ilusão, Editora BestSeller, Rio de Janeiro, 2022. ISBN: 978-85-7684-710-6.



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terça-feira, janeiro 17, 2023

 

O Jogador

 Fonte: Osho, O Livro do Homem, Ícone Editora, 2000. ISBN 85-274-0616-0


O que significa viver perigosamente?

Viver perigosamente significa viver. Se você não vive perigosamente você não vive.

Você floresce apenas no perigo. Você nunca floresce na segurança; apenas na insegurança.

Se você começa a obter segurança, você se torna uma água parada. Então sua energia não está mais circulando. Então você está receoso, porque ninguém sabe como ir em direção ao desconhecido. E por que correr risco? - o conhecido é mais seguro. Então você se torna obcecado pelo familiar. Você continua ficando farto com isto, você fica entediado com isto, você se sente miserável, mas isso ainda parece familiar e confortável. Pelo menos é conhecido. O desconhecido cria um tremor em você. Qualquer idéia em relação ao desconhecido e você começa a se sentir inseguro.

Há apenas dois tipos de pessoas no mundo. As pessoas que querem viver confortavelmente... Elas estão procurando a morte, elas querem um túmulo confortável. E as pessoas que querem viver. Elas escolhem viver perigosamente, porque a vida só floresce quando há risco.

Você já escalou  montanha?

Quanto mais alto você escala, mais frescor você sente, mais jovem você se sente. Quanto maior o perigo de cair, quanto maior o abismo, mais vivo você fica... entre a vida e a morte, quando você está apenas pendurado entre a vida e a morte. Então não há tédio, então não há poeira do passado, hão há desejo pelo futuro. Então o momento presente é muito cruciante, como uma chama. É suficiente. Você vive no aqui e agora...  ou surfando ou esquiando: onde quer que haja risco de perder a vida, há um tremendo regozijo porque o risco de perder a vida o faz tremendamente vivo. É por isso que as pessoas são atraídas por esportes perigosos.

As pessoas escalam montanhas. Alguém perguntou a Hillary: "Por que você tentou escalar o Everest? Por que?" Hillary disse: "Porque é um constante desafio."

Era arriscado, muitas pessoas morreram antes. Por quase sessenta, setenta anos, grupos de pessoas têm ido lá, e era quase morte certa. Mas as pessoas ainda continuam indo. Qual era a atração?

Alcançando o mais alto, indo para longe da vida estável, da rotina, você se torna selvagem novamente, você se torna novamente parte do mundo animal. Você vive como um tigre ou um leão ou como um rio. Você novamente voa como um pássaro em direção aos céus, cada vez mais distante. E a cada momento, a segurança, o saldo bancário, a esposa, o marido, a família, a sociedade, a igreja, a respeitabilidade - vão se desvanecendo, tornando-se mais e mais distantes. Você se torna só.

É por isso que as pessoas são tão interessadas em esportes. Mas isto também não é realmente um perigo porque você pode se tornar muito hábil.

Você pode aprender, você pode ser treinado. É um risco calculado. Você pode treinar para escalar e pode tomar todas as precauções. Ou dirigindo, dirigindo em alta velocidade. Você pode ir a cento e sessenta quilômetros por hora. É perigoso, é emocionante. Mas você pode se tornar realmente habilidoso, e o perigo é só para os que estão de fora; não para você. E mesmo se houver, é ínfimo.

Mas estes riscos são apenas riscos físicos, apenas o corpo está envolvido.

Quando digo a você, viva perigosamente, eu quero dizer para não arriscar-se apenas no aspecto físico, mas no psicológico, e finalmente no espiritual. Religiosidade é um risco espiritual. Vai a alturas de onde pode não haver retorno.

Quando eu digo viver perigosamente, quero dizer para não viver a vida da respeitabilidade ordinária, comum - você é prefeito de uma cidade, ou um membro de cooperativa. Isto não é vida. Ou você é um ministro, ou você tem uma boa profissão e está ganhando bem e o dinheiro continua acumulando no banco e tudo está indo perfeitamente bem.

Simplesmente veja - você está morrendo e nada está acontecendo.

As pessoas podem respeitar você, e quando você morrer, um grande cortejo lhe seguirá. Bom, isso é tudo. E nos jornais sua foto será publicada e haverá editoriais, e então as pessoas esquecerão de você. E você viveu toda sua vida só por essas coisas.

Observe - uma pessoa pode perder a vida toda para coisas comuns, mundanas. Ser espiritual significa compreender que não deveria ser dada muita importância a estas pequenas coisas. Eu não estou dizendo que  estas coisas não têm significado. Eu estou dizendo que são significativas, mas não tanto quanto você imagina.

Dinheiro é necessário. É uma necessidade. Mas dinheiro não é o objetivo e não pode ser o objetivo. Uma casa é necessária, certamente. É uma necessidade. Eu não sou um ascético e não quero que vocês destruam suas casas e fujam para o Himalaia. A casa é necessária - mas a casa é necessária para vocês.

Não interpretem mal.

Como vejo pessoas, a coisa toda tem estado às avessas. Elas vivem como se fossem necessárias para a casa. Elas continuam trabalhando para a casa. Como se elas fossem necessárias para o saldo bancário - elas simplesmente continuam acumulando dinheiro e então elas morrem. E elas não viveram. Elas não tiveram nenhum momento de vibração, uma vida transbordante. Elas estavam apenas aprisionadas na segurança, na familiaridade, na respeitabilidade.

Então se você se sente entediado, é natural. As pessoas vêm até mim e elas dizem que se sentem muito entediadas. Elas estão enjoadas. O que fazer? Elas acham que é só repetir um mantra, e elas se tornarão vivas novamente. Não é tão fácil.

Elas terão que mudar todo o padrão de vida.

Ame, mas não ache que amanhã a mulher estará disponível para você. Não espere isso. Não reduza a mulher em esposa.

Então você está vivendo perigosamente.

Não reduza o homem em marido, porque um marido é uma coisa feia. Deixe seu homem ser seu homem e sua mulher ser sua mulher. E não faça seu amanhã um prognóstico. Não espere nada e esteja pronto para tudo. É o que quero dizer quando digo para viver perigosamente. O que fazemos?

Nós nos apaixonamos por uma mulher e imediatamente nós começamos a ir para a corte, ou ao escritório de registro, ou para a igreja para se casar. Eu não estou dizendo para não se casar. É uma formalidade. Bom, satisfaz a sociedade. Mas no fundo da sua mente, nunca possua uma mulher. Nunca por um momento diga: "Você pertence a mim" - porque, como pode uma pessoa pertencer a você? E quando você começar possuir a mulher, ela começará possuir você. Então ambos não estão mais se amando. Vocês estão apenas esmagando e matando um ao outro, paralisando um ao outro.

Ame - mas não reduza seu amor em casamento. Trabalhe - o trabalho é uma necessidade - mas não deixe o trabalho tornar-se sua única vida.

A brincadeira deveria fazer parte da sua vida, seu ponto central.

O trabalho deveria ser um meio para a brincadeira. Trabalhe no escritório e trabalhe na fábrica e trabalhe na loja, mas apenas para divertir, uma oportunidade para brincar. Não deixe sua vida ser reduzida apenas a uma rotina de trabalho - porque o objetivo da vida é a brincadeira.

Brincar significa fazer algo com fim em si mesmo.

Você vem até a mim para meditar, e você leva a meditação também como um trabalho. Você pensa que alguma coisa tem que ser feita para alcançar Deus. Isto é um absurdo!

Meditação não pode ser feita dessa maneira. Você tem que brincar, você tem que levar como uma brincadeira. Quando você desfruta, a meditação progride. Quando você leva como um trabalho, como uma obrigação a ser feita - porque você tem que fazer, você tem que alcançar moksha, nirvana, a libertação - então novamente você tem trazido suas tolices para o mundo da brincadeira.

Meditação é brincadeira. Você desfruta com o fim em si mesmo.

Se você desfruta muito mais coisas com o fim em si mesmo, você estará mais vivo. É claro, sua vida será sempre um risco, perigoso. Mas isto é como a vida tem que ser. O risco faz parte. De fato a melhor parte é o risco. A mais bela parte é o risco. E cada momento é um risco. Você talvez não esteja consciente. Você inspira, você expira. Há risco. Mesmo expirando, quem sabe se a respiração voltará ou não? Não é certo, não há garantia.

Mas existem umas poucas pessoas para quem toda religião é segurança. Mesmo se elas falarem em Deus, elas falam em Deus como a suprema segurança. Se elas pensam em Deus, elas pensam somente porque elas estão receosas. Se elas vão rezar e meditar, estão indo a fim de serem registradas como boas pessoas no livro de Deus.

"Se houver um Deus, ele saberá que eu era um assíduo frequentador da igreja, um fiel assíduo. Eu posso reivindicar isto." Mesmo suas preces são um meio.

Viver perigosamente significa viver a vida como se cada momento fosse seu próprio fim. Cada momento tem seu próprio valor intrínseco. E você não está receoso. Você sabe que a morte existe e você aceita o fato da morte existir, e você não está se escondendo da morte.

Na verdade, você vai e se depara com a morte. Você desfruta daqueles momentos de encontro com a morte - fisicamente, psicologicamente, espiritualmene.

Desfrutar esses momentos onde você entrou diretamente em contato com a morte, onde a morte se torna quase uma realidade, é o que eu me refiro quando digo para viver perigosamente.

O Amor traz você cara a cara com a morte. A meditação traz você cara a cara com a morte. Ir a um mestre é ir de encontro com a própria morte.

Estes que são corajosos, vão impetuosamente. Eles buscam todas oportunidades de perigo. Toda sua filosofia de vida não é aquela das companhias de seguros.  Sua filosofia de vida é aquela de um alpinista, de um piloto de asa-delta, de um surfista. E não é só nos mares do lado de fora, que eles surfam; eles surfam em seus mares internos. E não não é só lá fora que escalam Alpes e Himalaias; eles buscam os picos internos.

Mas lembre-se de uma coisa - nunca se esqueça da arte do risco, nunca. Sempre permaneça capaz de arriscar. E onde quer que você possa encontrar uma oportunidade de arriscar, nunca perca, e você nunca será um perdedor.

O risco é a única garantia de estar realmente vivo.

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terça-feira, abril 19, 2011

 

O Desconhecido


Lembre-se sempre, confie no desconhecido. O conhecido é a mente. O desconhecido não pode ser a mente. Pode ser outra coisa, mas não a mente. O que é certo sobre a mente é que ela é conhecimento acumulado. Portanto, se você chegar numa bifurcação, por exemplo, e a mente disser, "Siga por aqui, você já conhece este caminho" -, essa é a sua mente. Se ouvir o seu ser, você preferirá seguir o caminho desconhecido. O ser é sempre aventureiro. A mente é muito ortodoxa, muito conservadora. Ela quer andar nos trilhos, no caminho já tantas vezes percorrido - o caminho que oferece a menor resistência.

Então ouça sempre o desconhecido. E reúna coragem para enfrentá-lo.

Para cumprir seu destino, é preciso ter grande coragem, é preciso destemor. As pessoas que estão cheias de medo não conseguem ir além do conhecido. O conhecido dá uma espécie de conforto, de segurança, porque é conhecido. Você pode estar quase dormindo e mesmo assim continuar a lidar com ele - não é preciso que você esteja acordada; essa é a conveniência do conhecido.

No momento em que você cruza a fronteira do conhecido, o medo desponta, porque agora você será um ignorante, agora você não saberá o que fazer, o que não fazer. Agora você não estará tão seguro de si; erros podem ser cometidos; você poderá se perder. Esse é o medo que faz com que as pessoas se prendam ao conhecido e, uma vez que ela esteja presa ao conhecido, ela está morta.

A vida só pode ser vivida perigosamente - não existe outro jeito de vivê-la. É só por meio do perigo que a vida atinge a maturidade, que ela cresce. A pessoa precisa ser aventureira, estar sempre pronta para pôr em risco o conhecido em favor do desconhecido. E, uma vez que ela prove os prazeres da liberdade e do destemor, nunca se arrependerá, pois então saberá o que significa viver intensamente. Então ela saberá o que significa viver desregradamente. E um único instante dessa intensidade já é mais grafificante do que toda uma eternidade vivendo uma vida medíocre.

Fonte: Osho, Coragem - O Prazer de Viver Perigosamente, Editora Cultrix, 1999.

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quarta-feira, novembro 25, 2009

 

O Fim da Espécie Humana?

"O que você não vê pode estar te prejudicando"

Segundo este filme documentário canadense [1], o nascimento de meninos está diminuindo muito mais que os nascimento de meninas devido à presença de muitos produtos químicos industrializados (principalmente derivados do petróleo, como os plásticos) presentes no nosso meio ambiente, que afetam mais o sexo masculino que o feminino. Ocorrem muito mais abortos de fetos masculinos do que femininos. Isto pode chegar a levar à extinção da raça humana neste planeta, se nada for feito a esse respeito. Veja o vídeo "The Disappearing Male" (O macho em desaparecimento), citado acima, para maiores detalhes. Este mesmo efeito está também ocorrendo com animais do sexo masculino, como sapos, peixes e jacarés.

Em um levantamento mensal que eu fiz do ano de 2001 até o presente (período de nove anos), aqui na cidade de Campinas-SP, sempre há um maior número de falecimentos masculinos que femininos, na faixa de menor idade e no total de falecimentos, todos os meses [2]. Isto se coaduna com a tendência geral de declínio do sexo masculino, indicada no documentário citado acima.

Referência:
[1] http://video.google.com/videoplay?docid=7530701744597358451&ei=7qkNS6fsD4eWqwL9g9kK&q=The+Disappearing+Male+#
[2] Resultados parciais desta minha pesquisa podem ser encontrados em:
1. http://saudeperfeitarfs.blogspot.com/2009/05/o-ultimo-suspiro-1.html
2. http://saudeperfeitarfs.blogspot.com/2009/05/o-ultimo-suspiro-2.html

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segunda-feira, maio 15, 2006

 

A Crise é Ocasião de Oportunidade


A China possui várias tradições de sabedoria milenares. O Taoismo é uma delas. A escrita chinesa é outro repositório de sabedoria. O ideograma para a palavra "Crise" ( vide [1]) é constituído de dois ideogramas: "Momento de grande perigo" junto com "Oportunidade". Isto aplica-se a indivíduos e nações. No Brasil, por exemplo, a "crise do petróleo" de 1973 gerou a oportunidade do lançamento do programa "pró-álcool" de substituição de importação de petróleo por alternativa vegetal, renovável, nacional e menos poluente. Houve, portanto, um salto de qualidade ambiental no país, como conseqüência da solução adequada apresentada para essa crise.

Com relação ao nosso organismo, entramos em crise quando nosso corpo físico passa a não funcionar a contento: quando surge um mal-estar ou uma doença aguda. Uma doença crônica já constitui uma crise permanente. Todos esses sintomas desagradáveis são conseqüência de hábitos doentios que adotamos. Com o passar do tempo, todos os nossos hábitos doentios levam ao aparecimento de doenças. O envelhecimento, por exemplo, é uma doença crônica. Infelizmente, praticamente todas as pessoas só alteram seus hábitos doentios após o aparecimento da crise (doença). Nesta ocasião, temos a oportunidade de usar nosso livre-arbítrio de duas formas: certa ou errada. A maneira errada de enfrentarmos a crise é usarmos remédios para tentar curar a doença. Desta forma, apenas iremos agravar o conjunto total do corpo, pois iremos adicionar mais venenos (todos os remédios são venenos que visam matar os supostos micro-organismos patogênicos, causadores da doença) ao nosso sistema.

A maneira correta de enfrentar a crise é fazermos uma auto-análise criteriosa e identificar o hábito patológico que levou ao surgimento da crise (doença), e alterarmos esse hábito por outro hábito salutar. Dois hábitos que eliminam rapidamente todas as doenças é comer alimentos crus e fazer jejum.

Um abraço, Rui
fragassi@gmail.com

Para saber mais:
1. http://www.abrac.com.br/escrito/fax/ms-08-02-09.pdf
2. http://www.casaconhecimento.com.br/blog/2008/12/crise-perigo-oportunidade/

Referência:
[1]
wpe2.gif (1791 bytes) "CRISE"


O ideograma acima, que se pronuncia "KIKÍ" é o correspondente a "crise" na escrita chinesa.
A escrita chinesa, empregada em quase todos os países do leste asiático, é baseada em símbolos gráficos que traduzem uma idéia, daí serem conhecidos como ideogramas.
Por exemplo, o ideograma wpe3.gif (1224 bytes) (pronuncia-se yamá) é um desenho estilizado de uma
montanha. O símbolo wpe4.gif (1210 bytes) (ki) representa uma árvore.
Alguns ideogramas são de elaboração muito simples como os numerais wpe5.gif (980 bytes) , wpe6.gif (1004 bytes) , wpe7.gif (1028 bytes), etc. Outros são um pouco mais elaborados como em wpe8.gif (1100 bytes) (uê) que significa "em cima" e wpe9.gif (1102 bytes) (shitá) que significa "em baixo".

Outros ainda, são de elaboração um pouco mais complexa pois são formados pela montagem ou justaposição de outros ideogramas.
Encontramos isso em bosque (wpeA.gif (1307 bytes)) que é formado por algumas poucas árvores e na floresta (wpeB.gif (1327 bytes)) que é formado por muitas árvores.

Outro exemplo interessante são algumas variações do ideograma "porta" (wpeC.gif (1287 bytes)). Quando enxergamos a luz do dia através da porta (wpeD.gif (1320 bytes)) temos uma "fresta" ou uma árvore através da porta (wpeE.gif (1358 bytes)) temos "tranquilidade".

"Crise" é representada por 2 ideogramas: wpeF.gif (1267 bytes) e wpe10.gif (1451 bytes) que juntos (wpe11.gif (1800 bytes)) têm o significado de "Momento de grande perigo". O primeiro (wpeF.gif (1267 bytes)) representa "perigo, lugar perigoso, momento de perigo". O segundo (wpe10.gif (1451 bytes)) representa "oportunidade".

Por sua vez, o símbolo de oportunidade (wpe10.gif (1451 bytes)) é formado por árvore (wpe4.gif (1210 bytes)) que representa "estrutura", "organização" e trabalho (wpe12.gif (1386 bytes)) que representa "ação"e "realização". Oportunidade é, portanto, a realização de um trabalho orgranizado, estruturado.

Em resumo, podemos entender a "crise" na visão oriental, como sendo o momento de grande expectativa que prenuncia a realização de um trabalho organizado.


wpe13.gif (2941 bytes)
Roberto Massaru Watanabe
wpe14.gif (1632 bytes): (011) 6671-0466

roberto@ebanataw.com.br
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