terça-feira, junho 11, 2024
Zorba, o Buda
Fonte consultada: Osho, O Livro da sua Vida - Crie o seu próprio caminho para a liberdade, Editora Pensamento-Cultrix, 2019. ISBN: 978-85-316-0975-6
O filme Zorba, o Grego, tornou-se famoso no passado...
Em 1964 foi lançado o filme Zorba, o Grego, que fez enorme sucesso aqui no Brasil. O personagem principal, o ator mexicano Anthony Quinn (Zorba), gostava de desfrutar sua vida física em abundância. Após esse filme, a marca de cueca masculina Zorba tornou-se praticamente sinônimo de cueca aqui no Brasil, assim como Gillete era sinônimo de lâmina de barbear e Bom Bril era sinônimo de palha de aço.
O meu (Osho) conceito de um novo ser humano na Terra é o de alguém que será Zorba, o Grego, e também Gautama, o Buda: o novo ser humano será "Zorba, o Buda" - sensual e espiritual. Físico, absolutamente físico - vivendo plenamente no corpo, com todos os seus sentidos, gostando do corpo e de tudo o que o corpo físico torna possível - e, mesmo assim, haverá alí uma grande consciência, um grande testemunho. Zorba, o Buda - como nunca houve antes.
É disso que eu (Osho) estou falando quando me refiro ao encontro entre o Oriente e o Ocidente, o encontro entre o materialismo e a espiritualidade. Esta é a minha idéia de Zorba, o Buda: a união entre o céu e a terra.
Eu quero que não haja nenhuma cisão entre matéria e espírito, entre o mundano e o sagrado, entre este mundo e o outro mundo. Não quero nenhuma cisão, porque toda cisão cria uma cisão em você. E toda pessoa que esteja dividida de si mesma, acaba ficando louca, ensandecida. Estamos vivendo em um mundo louco e insano. Ele só recuperará a sanidade quando essa cisão puder ser desfeita.
A espécie humana sempre viveu ou acreditando na realidade da alma e no caráter ilusório da matéria, ou na realidade da matéria e no caráter ilusório da alma. Mas ninguém se preocupava em olhar a realidade do ser humano. Nós somos as duas coisas. Não somos só espiritualidade - só consciência - nem somos só matéria. Somos uma harmonia perfeita entre matéria e consciência. Ou talvez matéria e consciência não sejam duas coisas, mas só dois aspectos de uma única realidade (energia inteligente): a matéria é o exterior da consciência e a consciência é a interioridade da matéria. Não existiu no passado nem um único filósofo, sábio ou místico religioso que tenha declarado essa unidade; eles eram todos a favor da divisão do ser humano, e consideravam um lado real e o outro, irreal (maya). Isso criou um clima de esquizofrenia no mundo inteiro.
Você não pode viver como se fosse apenas um corpo. Foi isso que Jesus quis dizer quando afirmou, "Não só de pão vive o homem" - mas essa é só uma meia verdade. Você precisa da sua consciência, não pode viver só de pão, é verdade - mas também você não pode viver sem pão. Você tem as duas dimensões no seu ser e ambas têm de ser satisfeitas, tem de ter a mesma oportunidade de crescimento. Porém, o homem não tem sido aceito na sua totalidade.
Isso tem causado muito sofrimento, angústia e uma enorme escuridão; uma noite que já dura milhares de anos e parece não ter fim. Se ouvir apenas o corpo, você se condena a uma existência sem sentido. Se não ouve o corpo, você sofre - fica com fome, fica pobre, fica com sede. Se ouvir apenas a consciência, o seu crescimento ficará desequilibrado. A sua consciência crescerá, mas o seu corpo vai definhar, e não haverá equilíbrio. Mas é no equilíbrio que está a sua saúde, e no equilíbrio que está a inteireza, é no equilíbrio que está a sua alegria, a sua canção, a sua dança.
O materialista preferiu ouvir o corpo e fazer ouvidos moucos para tudo que se refere à realidade da consciência. O resultado final é uma grande ciência, uma grande tecnologia - uma sociedade afluente, abundância de coisas mundanas, terrenas. E, em meio a toda essa abundância, existe um ser humano pobre e sem alma, completamente perdido - sem saber quem ele é, sem saber por que existe, sentindo-se quase um acidente da natureza, uma anomalia.
A menos que a consciência cresça no mesmo ritmo que a riqueza do mundo material, o corpo ficará pesado demais e a alma, debilitada. Você está oprimido pelas suas próprias invenções, pelas suas próprias descobertas. Em vez de criar uma vida bonita para você, elas criaram uma vida que, aos olhos das pessoas inteligentes, não vale a pena viver.
No passado, o Oriente optou por dar ênfase à consciência e condenar a matéria e tudo que fosse material, inclusive o corpo, relegando-os à condição de maya. Consideravam a matéria um fenômeno ilusório, uma miragem no deserto, que só parece existir, mas não tem realidade em si mesma. O Oriente criou um Gautama Buda, um Mahavira, um Patanjali - um longo rol de pessoas de grande consciência, de grande percepção. Mas também criou milhões de pessoas pobres, famintas, morrendo à mingua, como cães - sem comida, sem água para beber, sem roupas, sem teto.
O homem mais rico do mundo ocidental está em busca da sua própria alma e por dentro sente um vazio - sem amor, só volúpia; sem prece, só palavras que ele aprendeu na escola dominical e repete feito um papagaio. Ele não tem noção de espiritualidade, nenhum sentimento pelos outros seres humanos, nenhuma reverência pela vida, pelos pássaros, pelas árvores, pelos animais. Destruir é tão fácil! Hiroshima e Nagasaki nunca teriam acontecido se as pessoas não fossem vistas como meros objetos.
O Ocidente, em sua ânsia por prosperidade material, perdeu sua alma, sua interioridade. Cercado pela ausência de sentido, pelo tédio, pela angústia, ele não consegue encontrar a sua própria humanidade. Todo sucesso da ciência provou ser inútil - pais a casa está abarrotada de coisas, mas o dono da casa não está alí.
Todos os santos e todos os filósofos - tanto espiritualistas quanto os materialistas - são os responsáveis por esse crime hediondo contra a humanidade.
Zorba, o Buda, é a solução. Ele é a síntese da matéria e da alma. É a declaração de que não existe conflito entre a matéria e a consciência, de que podemos ser prósperos nessas duas dimensões. Podemos ter tudo o que o mundo pode oferecer, tudo o que a ciência e a tecnologia podem produzir, e ainda assim podemos ter tudo o que alguém como Buda descobriu em seu mundo interior - as flores do êxtase, a fragrância da divindade, as asas da liberdade absoluta.
Zorba, o Buda, é o novo ser humano, é o rebelde. A rebelião consiste em acabar com a esquizofrenia da humanidade, em acabar com a divisão entre matéria e espírito - em acabar com a idéia de que a espiritualidade é contra o materialismo e que o materialismo é contra a espiritualidade. É um manifesto de que o corpo e a alma vivem em comunhão. É uma declaração de que toda a existência é tanto material quanto espiritual - ou talvez se trate de uma única energia expressando-se de duas maneiras diferentes, como matéria e como consciência. Quando a energia é purificada, ela se expressa como consciência; quando a energia é bruta, grosseira, densa, ela surge como matéria. Mas toda a existência nada mais é que um campo de energia.
Nós podemos ter os dois mundos ao mesmo tempo. Não precisamos renunciar a este mundo para ganhar o outro; nem temos de negar o outro mundo para aproveitar este. Na verdade, contentar-se só com um deles, quando você pode ter os dois, é ser desnecessariamente pobre.
Zorba, o Buda, é a mais rica das possibilidades. Viveremos nossa natureza ao máximo. Não trairemos a terra nem trairemos o céu. Aproveitaremos tudo o que esta terra tem - todas as flores, todos os prazeres - e também buscaremos todas as estrelas do céu. Trataremos toda a existência como a nossa casa.
Tudo o que a existência contém é para nós, e temos que aproveitar isso de todas as maneiras possíveis - sem nenhuma culpa, sem nenhum conflito, sem ter que fazer escolhas. Aproveite indiscriminadamente tudo o que a matéria é capaz de oferecer e rejubile-se com tudo de que a consciência é capaz.
Marcadores: Alma, consciência, corpo, espiritualidade, ilusão, materialidade, maya, Oaho, opressão, realidade, Zorba
sexta-feira, junho 07, 2024
Alma deixando o Corpo Físico
terça-feira, dezembro 26, 2023
Inflamação do corpo
Todos nós já experimentamos inflamação em algum momento. Vermelhidão, dor ou inchaço. Mas a inflamação também pode assumir um papel silencioso e mortal, com menos sintomas físicos, pois causa estragos na saúde interna.
Infelizmente, este é o tipo de inflamação que a maioria de nós tem tendência e experimenta diariamente… mas quais são as 4 causas principais?
#1 Falta de sono
Um estudo realizado em indivíduos saudáveis que receberam uma redução de 25-50% no período regular de sono de 8 horas demonstrou ter marcadores inflamatórios elevados.
Não é bom…
Mas fica pior. A privação contínua de sono também está ligada ao aparecimento de condições metabólicas como a diabetes, sugerindo ainda que a falta de sono promove inflamação.
#2 Estresse
Estudos mostram que o estresse crônico impede que o corpo seja capaz de regular a resposta inflamatória.
Isto destaca que existe uma forte ligação entre o estresse crônico e a inflamação crônica.
#3 Álcool
O álcool é tóxico para o corpo e o fígado é responsável por decompô-lo e desintoxicá-lo.
Mas pesquisas mostram que durante o processo de desintoxicação, o fígado gera subprodutos que são mais prejudiciais que o próprio álcool…
Foi demonstrado que esses subprodutos causam danos às células do fígado e promovem inflamação.
#4 Uma dieta rica em carboidratos refinados
A dieta é um dos maiores fatores que influenciam a resposta inflamatória do corpo, pois cada alimento contém nutrientes que podem promover ou reduzir a inflamação.
Açúcar refinado e grãos são alimentos pró-inflamatórios. Açúcar e grãos processados alinham-se nas prateleiras de todos os supermercados e padarias, e são usados abundantemente em lanchonetes e restaurantes de fast food.
Como o estilo de vida agitado de hoje depende da conveniência, muitas pessoas comem grãos refinados e açúcar em todas as refeições.
Marcadores: álcool, corpo, estresse, inflamação, sono
quarta-feira, abril 05, 2023
Mensagem do Dia
Todos os sintomas (das doenças) são ou o Espírito e a Mente curando o Corpo, ou o Espírito e o Corpo curando a Mente. A chave de todas as curas é meditar com precisão as relações entre causa e efeito. Quando você descobre a causa e faz algo sobre ela, o efeito automaticamente muda*
*Leonard Orr, The Common Sense of Physical Immortality
Os sintomas são a cura em andamento!
Marcadores: causa, corpo, doença, efeito, espírito, lei de causa e efeito, Leonard Orr, mensagens, mente, sintomas
sexta-feira, janeiro 13, 2023
O Funcionamento Orgânico
Fonte: https://bennettleeross.com/health/cosmic-commentaries-of-the-century-225/
Todos nós temos potencial de cura
Geralmente é progressivo, mas às vezes instantâneo
Uma boa nutrição reverte a doença
Evite frituras e açúcar processado
Coma alimentos frescos e orgânicos sempre que possível
Frutas mantêm a vibração mais alta
Alimentos processados e carnes diminuem sua vibração
O café tem componentes bioativos benéficos,
mas é muito pulverizado
Comunhão com a natureza
Estar perto da água ou nas florestas
Reabastece a alma
Assim como o ar fresco e a luz do sol
Ser viciado em drogas farmacêuticas sintéticas
Ou viciado em opiáceos como o fentanil
Fará a alma querer partir
Tomar metanfetamina fará com que você centralize sua vida em torno de sua próxima dose
Comer insetos é tóxico
Os humanos não conseguem digerir a casca externa do esqueleto
A história de João Batista comendo insetos e gafanhotos
É apenas mais uma mentira inventada no sistema de controle
Depois de vibrar em uma frequência mais alta,
você se desconecta automaticamente das frequências mais baixas
O açúcar da fruta ou glicose fornece energia para as células
Enquanto o açúcar processado é difícil de processar
O pâncreas que produz insulina para metabolizá-la fica sobrecarregado
Resultado de radicais livres nocivos
Água envenenada, comida envenenada, ar envenenado
O sistema médico falso
A doutrinação do sistema educacional
O sistema político controlado
Filmes e televisão negativos
São todos projetados para mantê-lo preso em 3D
Quando você mantém frequências positivas, como compaixão e alegria,
pode construir uma nova versão de si mesmo
Quando você imagina o que quer
E coloca no campo quântico
Você pode projetar um novo holograma
Mas você tem que saber que esta estrutura geométrica invisível existe
A crença constituirá a realidade
Seu DNA muda conforme sua onda sonora altera magneticamente a Terra
Haverá uma troca de sequências
E você poderá viver a nova versão
Quando você visualiza e coloca a frequência lá
E amplia a frequência com emoção
Seu eu superior será ativado nesta dimensão
Você tem o poder de baixar novas genéticas
À medida que o sistema negativo desmorona,
você despertará para o seu potencial
Atenda ao chamado
E abrace o propósito de sua alma!
Marcadores: alimentos, corpo, frutas, vibração
sábado, outubro 02, 2021
O Merkaba
O Merkaba / Corpo de Luz / Veículo de Ascensão
- seu próprio disco voador pessoalA merkaba é o seu próprio veículo de ascensão, que você pode ativar por meio de jejum, meditação e controle da respiração. Tem mais de quinze metros de diâmetro e é composto por dois tetraedros em contra-rotação interligados (azul e laranja) que circundam o corpo físico (preto) e são envolvidos pelo corpo espiritual (círculo dourado). O tetraedro superior (azul) é na verdade seu corpo elétrico mental masculino e o tetraedro inferior (laranja) é seu corpo magnético emocional feminino. Eles estão ancorados em seu chacra cardíaco (amor) e são dirigidos e guiados por sua força kundalini e glândula pineal. Quanto mais rápido eles giram, menos visível você se torna, até que seja transportado para a próxima dimensão. Então, se você vir uma luz branca brilhante em forma de disco no céu com cerca de quinze metros de diâmetro, isso pode ser apenas um ser humano que aprendeu a arte de ativar seu merkaba ou corpo de luz.
Ao manter o corpo limpo através do jejum e a mente limpa através da meditação ou oração, as energias de todos os seus vários corpos fluem rápida e harmoniosamente e resultam em grande saúde, imortalidade e até ascensão, que é o estado verdadeiro e pretendido da humanidade.
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Marcadores: chacra, corpo, glândula pineal, jejum, kundalini, merkaba
terça-feira, agosto 07, 2018
Missão e Desfrute
Desfrutar da oportunidade de viver no corpo físico deve ser uma das maiores euforias concedidas pelo Mistério da Vida. Em retribuição a esse encantamento, a esse deslumbramento de desfrutar desse maravilhoso corpo físico, a nossa única missão, o nosso único dever sagrado, é cuidar diuturnamente, com todo o carinho, dessa massa corporal que nos foi presenteada pelo Mistério da Vida.
Esse é o único cuidado real ao qual temos de dedicar todo o nosso precioso tempo de que dispomos, proporcionado pelos Poderes Desconhecidos. Essa é a única MISSÃO REAL que nos foi imposta ao recebermos de presente o nosso corpo, como único MEIO de podermos liquidar os débitos trazidos de vidas anteriores. E não esquecer que este nosso corpo é o retrato fiel de todas as nossas dívidas!
Aproveitar a VIDA é isso: Ter a OUSADIA de enfrentar o confronto com o DESCONHECIDO, com a certeza da vitória, sejam quais forem as consequências dentro desse CAOS que é o Mistério que envolve TUDO e TODAS as coisa e acontecimentos! Isso é VIVER PLENAMENTE!
Marcadores: C., corpo, desfrute, dívida cármica, missão
sábado, março 18, 2017
Os Sete Corpos do Ser Humano
O ser humano possui sete corpos [1] (com os chacras correspondentes):
1. Corpo físico
2. Corpo etéreo (ou emocional)
3. Corpo astral
4. Corpo mental (ou a psique)
5. Corpo espiritual
6. Corpo cósmico
7. Corpo nirvânico
Os quatro primeiros corpos (do físico ao mental) apresentam características distintas para masculino e feminino. Os três últimos corpos (do espiritual ao nirvânico) não apresentam distinção sexual. Quem nasce com corpo físico masculino, possui corpo etéreo feminino, corpo astral masculino e corpo mental feminino. Quem nasce com corpo físico feminino, possui corpo emocional masculino, corpo astral feminino e corpo mental masculino. Vamos apresentar abaixo algumas características de cada um desses sete corpos.
O chacra do corpo físico (muladhar) tem duas potencialidades: a primeira é a natural, que nos é dada com o nascimento; a outra é alcançada pela meditação. A potencialidade natural básica desse chacra é a ânsia sexual do corpo físico. O que fazer em relação a esse princípio central? Há uma outra possibilidade para esse chacra, que é o brahmacharya, o celibato, que é atingido por meio da meditação. O sexo é a possibilidade natural e o celibato é a sua transformação. Quanto mais a mente estiver focada e presa pelo desejo sexual, mais difícil será atingir seu potencial supremo do celibato. O primeiro obstáculo é que, se o meditador se entregar apenas à ordem natural das coisas, ele não poderá se elevar até a possibilidade suprema de seu corpo físico e ficará estagnado no ponto inicial. De um lado, há uma necessidade, e do outro, há uma supressão que leva o meditador a lutar contra a ânsia sexual. A supressão é um obstáculo no caminho da meditação; esse é o obstáculo do primeiro chacra. A transformação não poderá surgir se houver a supressão. Se a supressão é uma obstrução, qual é a solução? O entendimento resolverá o assunto. A transformação se dá dentro de você, quando começa a entender o sexo. Todos os elementos da natureza repousam cegos e inconscientes dentro de nós. Se ficarmos conscientes deles, começará a transformação. A consciência é a alquimia, a alquimia para mudá-los, transformá-los. Se uma pessoa despertar seus desejos sexuais com todas suas faculdades emocionais e intelectuais, o celibato será gerado dentro dela no lugar do sexo. A menos que uma pessoa atinja o celibato em seu primeiro corpo, fica difícil trabalhar as potencialidades dos seus outros centros.
O segundo corpo é o emocional ou o etéreo. Seu potencial natural é o medo, o ódio, a raiva e a violência. Se uma pessoa ficar estagnada no segundo corpo, as condições diretamente opostas de transformação - amor, compaixão, destemor, amabilidade - não poderão ser criadas.
O terceiro plano é o corpo astral. Este tem duas dimensões. Primeiramente, o terceiro corpo gira em volta da dúvida e do pensar. Se forem transformados, a dúvida se tornará confiança e o pensar se tornará percepção.
O quarto plano é o corpo mental ou psique, e o quarto chacra está conectado com o quarto corpo. As qualidades naturais desse plano são a imaginação e o sonhar. Se a imaginação for completamente desenvolvida, ela se tornará determinação, vontade. Se o sonhar se desenvolver completamente, será transformado em visão - visão psíquica. Se uma pessoa desenvolver inteiramente sua capacidade de sonhar, precisará apenas fechar os olhos e poderá perceber coisas. Ela poderá ver até através de uma parede. No começo, ela só sonha que vê além da parede; mais tarde, ela realmente vê além dela. Agora ela pode apenas supor o que você está pensando, mas, após a transformação, ela percebe o que você pensa. Visão significa ver e ouvir coisas sem o uso dos órgãos comuns dos sentidos. Para uma pessoa que desenvolve a visão, as limitações do tempo e do espaço deixam de existir. Nos sonhos, você vai longe. Na visão, você também pode percorrer distâncias, mas haverá uma diferença: nos sonhos, você imagina que foi, mas na visão você realmente vai. O quarto plano, o corpo psíquico, pode realmente estar presente aí. Como não temos ideia da possibilidade suprema desse quarto corpo, no mundo de hoje descartamos o conceito antigo dos sonhos. A experiência antiga era a de que, em um sonho, um dos corpos da pessoa desprende e faz uma viagem.
O chacra do corpo físico (muladhar) tem duas potencialidades: a primeira é a natural, que nos é dada com o nascimento; a outra é alcançada pela meditação. A potencialidade natural básica desse chacra é a ânsia sexual do corpo físico. O que fazer em relação a esse princípio central? Há uma outra possibilidade para esse chacra, que é o brahmacharya, o celibato, que é atingido por meio da meditação. O sexo é a possibilidade natural e o celibato é a sua transformação. Quanto mais a mente estiver focada e presa pelo desejo sexual, mais difícil será atingir seu potencial supremo do celibato. O primeiro obstáculo é que, se o meditador se entregar apenas à ordem natural das coisas, ele não poderá se elevar até a possibilidade suprema de seu corpo físico e ficará estagnado no ponto inicial. De um lado, há uma necessidade, e do outro, há uma supressão que leva o meditador a lutar contra a ânsia sexual. A supressão é um obstáculo no caminho da meditação; esse é o obstáculo do primeiro chacra. A transformação não poderá surgir se houver a supressão. Se a supressão é uma obstrução, qual é a solução? O entendimento resolverá o assunto. A transformação se dá dentro de você, quando começa a entender o sexo. Todos os elementos da natureza repousam cegos e inconscientes dentro de nós. Se ficarmos conscientes deles, começará a transformação. A consciência é a alquimia, a alquimia para mudá-los, transformá-los. Se uma pessoa despertar seus desejos sexuais com todas suas faculdades emocionais e intelectuais, o celibato será gerado dentro dela no lugar do sexo. A menos que uma pessoa atinja o celibato em seu primeiro corpo, fica difícil trabalhar as potencialidades dos seus outros centros.
O segundo corpo é o emocional ou o etéreo. Seu potencial natural é o medo, o ódio, a raiva e a violência. Se uma pessoa ficar estagnada no segundo corpo, as condições diretamente opostas de transformação - amor, compaixão, destemor, amabilidade - não poderão ser criadas.
O terceiro plano é o corpo astral. Este tem duas dimensões. Primeiramente, o terceiro corpo gira em volta da dúvida e do pensar. Se forem transformados, a dúvida se tornará confiança e o pensar se tornará percepção.
O quarto plano é o corpo mental ou psique, e o quarto chacra está conectado com o quarto corpo. As qualidades naturais desse plano são a imaginação e o sonhar. Se a imaginação for completamente desenvolvida, ela se tornará determinação, vontade. Se o sonhar se desenvolver completamente, será transformado em visão - visão psíquica. Se uma pessoa desenvolver inteiramente sua capacidade de sonhar, precisará apenas fechar os olhos e poderá perceber coisas. Ela poderá ver até através de uma parede. No começo, ela só sonha que vê além da parede; mais tarde, ela realmente vê além dela. Agora ela pode apenas supor o que você está pensando, mas, após a transformação, ela percebe o que você pensa. Visão significa ver e ouvir coisas sem o uso dos órgãos comuns dos sentidos. Para uma pessoa que desenvolve a visão, as limitações do tempo e do espaço deixam de existir. Nos sonhos, você vai longe. Na visão, você também pode percorrer distâncias, mas haverá uma diferença: nos sonhos, você imagina que foi, mas na visão você realmente vai. O quarto plano, o corpo psíquico, pode realmente estar presente aí. Como não temos ideia da possibilidade suprema desse quarto corpo, no mundo de hoje descartamos o conceito antigo dos sonhos. A experiência antiga era a de que, em um sonho, um dos corpos da pessoa desprende e faz uma viagem.
[continua]
Referência:
[1] Osho, Desvendando mistérios: Chacras, kundalini, os sete corpos e outros temas esotéricos, Editora Alaúde, Segunda Edição, 2011. ISBN 978-85-7881-087-0.
Marcadores: celibato, chacra, corpo, Osho, sexo
terça-feira, março 01, 2011
Os Pilares da Saúde
Veja o que Ryuho Okawa [1] tem a dizer a respeito disso.
Sobrevivendo à nossa sociedade moderna e estressante
Um estilo de vida saudável é extremamente importante, um tesouro que o dinheiro não pode comprar (mas pode favorecer...). Um bom controle sobre o corpo e a manutenção de um estilo de vida saudável são as chaves para se viver feliz durante muito tempo. Isso lhe permitirá aproveitar a vida, sem causar incômodos às outras pessoas.
Na maioria das vezes, as pessoas ficam doentes por estarem cometendo exageros (excessos), ou então porque de algum modo se descuidaram. Da mesma maneira, muitos se machucam por falta de atenção ao que estão fazendo. Aqueles que se concentram em demasia no aspecto espiritual às vezes tendem a se preocupar muito pouco com o corpo. No entanto, sem um corpo saudável, fica difícil viver com um sentimento constante de felicidade.
É preciso a conscientização de que o espírito e o corpo estão intimamente interligados. No outro mundo (o espiritual), somente o espírito existe, mas, neste em que estamos agora (o físico), o corpo e o espírito influenciam-se mutuamente. Assim, se a mente, que é o nosso coração espiritual, estiver doente, o corpo também adoecerá e, quando o corpo está doente, o estado da mente também piora.
Atualmente, está aumentando o número de pessoas que morrem de câncer, e a realidade é que, em quase todos os casos, as causas são estresse (stress) espiritual, ansiedade e angústia.
A mente, que é o nosso coração espiritual, é capaz de materializar as coisas por meio dos nossos pensamentos; por esse motivo, o estado mental afeta instantaneamente o nosso corpo, causando alterações no estado físico. Se o espírito, que se expressa através da mente, ficar doente, o corpo também ficará.
Não estou querendo dizer, de maneira nenhuma, que "pessoas más ficam com câncer". O problema é que, numa sociedade estressante como a nossa, é muito difícil controlar a mente, e sem perceber acabamos nos sentindo continuamente pressionados. Em muitos casos, essa pressão (estresse), a exaustão espiritual, o medo, as preocupações desnecessárias a respeito do futuro e as dúvidas em geral, fazem com que surjam as doenças.
Se a condição espiritual se deteriora, o corpo começa a refletir isso. Há muitos casos de pessoas que ficam doentes porque a empresa em que trabalhavam faliu ou porque estão muito endividadas. Nessas circunstâncias, o estado mental das pessoas é afetado muito antes do corpo.
Do mesmo modo, quando o corpo fica doente, o coração espiritual gradualmente se deteriora, resultando em mais e mais descontentamento e queixas. Por isso, às vezes a pessoa acaba dirigindo palavras ásperas aos outros, descarregando a raiva em cima deles, gerando um ambiente desarmônico ao seu redor. Em resumo, se o corpo está doente, a mente, nosso coração espiritual, também está.
É por esse motivo que precisamos tomar consciência de que, tal como é ensinado no budismo, "neste mundo, o corpo e o espírito estão unidos, não podem ser separados e influenciam-se mutuamente". Portanto, é extremamente importante cuidarmos do corpo.
Uma alimentação adequada, a dose certa de exercícios físicos e um descanso apropriado (com a consequente redução do estresse) são os segredos (os três pilares) da saúde. É necessário estar sempre atento à alimentação, praticar exercícios físicos regularmente e dormir o suficiente. A nutrição, os exercícios e o descanso formam uma base muito importante cujo equilíbrio deve ser mantido para proporcionar um estilo de vida saudável. É simples assim! Se a condição física estiver ruim, significa que houve desequilíbrio entre esses três fatores. Portanto, é preciso tomar consciência disso e esforçar-se para manter o equilíbrio.
Na maioria das vezes, as pessoas ficam doentes por estarem cometendo exageros (excessos), ou então porque de algum modo se descuidaram. Da mesma maneira, muitos se machucam por falta de atenção ao que estão fazendo. Aqueles que se concentram em demasia no aspecto espiritual às vezes tendem a se preocupar muito pouco com o corpo. No entanto, sem um corpo saudável, fica difícil viver com um sentimento constante de felicidade.
É preciso a conscientização de que o espírito e o corpo estão intimamente interligados. No outro mundo (o espiritual), somente o espírito existe, mas, neste em que estamos agora (o físico), o corpo e o espírito influenciam-se mutuamente. Assim, se a mente, que é o nosso coração espiritual, estiver doente, o corpo também adoecerá e, quando o corpo está doente, o estado da mente também piora.
Atualmente, está aumentando o número de pessoas que morrem de câncer, e a realidade é que, em quase todos os casos, as causas são estresse (stress) espiritual, ansiedade e angústia.
A mente, que é o nosso coração espiritual, é capaz de materializar as coisas por meio dos nossos pensamentos; por esse motivo, o estado mental afeta instantaneamente o nosso corpo, causando alterações no estado físico. Se o espírito, que se expressa através da mente, ficar doente, o corpo também ficará.
Não estou querendo dizer, de maneira nenhuma, que "pessoas más ficam com câncer". O problema é que, numa sociedade estressante como a nossa, é muito difícil controlar a mente, e sem perceber acabamos nos sentindo continuamente pressionados. Em muitos casos, essa pressão (estresse), a exaustão espiritual, o medo, as preocupações desnecessárias a respeito do futuro e as dúvidas em geral, fazem com que surjam as doenças.
Se a condição espiritual se deteriora, o corpo começa a refletir isso. Há muitos casos de pessoas que ficam doentes porque a empresa em que trabalhavam faliu ou porque estão muito endividadas. Nessas circunstâncias, o estado mental das pessoas é afetado muito antes do corpo.
Do mesmo modo, quando o corpo fica doente, o coração espiritual gradualmente se deteriora, resultando em mais e mais descontentamento e queixas. Por isso, às vezes a pessoa acaba dirigindo palavras ásperas aos outros, descarregando a raiva em cima deles, gerando um ambiente desarmônico ao seu redor. Em resumo, se o corpo está doente, a mente, nosso coração espiritual, também está.
É por esse motivo que precisamos tomar consciência de que, tal como é ensinado no budismo, "neste mundo, o corpo e o espírito estão unidos, não podem ser separados e influenciam-se mutuamente". Portanto, é extremamente importante cuidarmos do corpo.
Uma alimentação adequada, a dose certa de exercícios físicos e um descanso apropriado (com a consequente redução do estresse) são os segredos (os três pilares) da saúde. É necessário estar sempre atento à alimentação, praticar exercícios físicos regularmente e dormir o suficiente. A nutrição, os exercícios e o descanso formam uma base muito importante cujo equilíbrio deve ser mantido para proporcionar um estilo de vida saudável. É simples assim! Se a condição física estiver ruim, significa que houve desequilíbrio entre esses três fatores. Portanto, é preciso tomar consciência disso e esforçar-se para manter o equilíbrio.
Referência:
[1] Ryuho Okawa, Curando a Si Mesmo: A Verdadeira Relação entre o Corpo e o Espírito, Editora Cultrix, 2010. ISBN 978-85-316-1102-5.
Marcadores: coração, corpo, espírito, estresse, felicidade, mente, Ryuho Okawa, saúde
segunda-feira, janeiro 31, 2011
Cure-se TODOS os Dias
A cada 24 horas praticamos um grande número de agressões contra nosso corpo, porque vivemos em uma sociedade patogênica. Devido a isso, com o passar do tempo, nosso corpo vai acumulando problemas que irão diminuindo a eficiência de seu uso. Veja uma pequena lista dessas agressões:
1. Alimentação bucal inadequada, que inclui comidas cozidas e industrializadas.
2. Alimentação mental inadequada, que inclui leituras de jornais, ver televisão, ouvir rádio, conversar com pessoas pessimistas, etc. Isso pode gerar estresse (stress, tensão) excessivo, com consequências danosas ao corpo.
3. Poluição do ar e sonora
4. Bloqueios do contato do corpo com o ambiente, através do uso de roupas e calçados, o que dificulta a respiração cutânea (tão importante quanto a pulmonar).
Porém, durante cada 24 horas, também fazemos algumas coisas a favor de nosso corpo, o que nos possibilita vivermos algumas dezenas de anos. Uma dessas coisas benéficas, é o nosso jejum diário que fazemos enquanto estamos dormindo: exatamente por isso, a nossa primeira refeição do dia é chamada de desjejum. Enquanto dormimos, não atrapalhamos o corpo e ele tem condições de iniciar uma limpeza interna, fazendo com que nos levantemos da cama nos sentindo melhor do que quando fomos dormir.
Uma forma de colaborar para uma maior limpeza do corpo é extendermos o jejum diário noturno por mais tempo, inclusive por alguns dias seguidos. Quando isso é feito, ocorre algo que leva muitas pessoas a desistir desse processo de limpeza, que é um desconforto temporário que amedronta muita gente. Por que ocorre esse desconforto?
O que ocorre é o seguinte: durante o jejum, a energia que seria utilizada em outras atividades é canalizada pela inteligência do corpo para fazer uma faxina interna. Essa faxina consiste em desalojar substâncias extranhas ao corpo (toxinas e microorganismos patogênicos) para que elas sejam expelidas do corpo (via intestino, bexiga e pele/mucosas). O deslocamento das toxinas até o local de sua expulsão é feita pelos sistemas circulatório e linfático. Quando as toxinas estão em trânsito nesses sistemas, nos sentimos desconfortáveis. Este é o preço que devemos pagar para nos livrarmos dos erros cometidos no passado contra o nosso corpo. Porém, Deus é bondoso: o tempo de desconforto para eliminar problemas é muito menor do que o tempo que levamos contruindo os problemas corporais correspondentes.
Uma outra forma de colaborar com o nosso corpo é ingerir bucalmente substâncias adequadas, como frutas cruas. Existem outros elementos (como água, água oxigenada) que podemos ingerir para colaborar com o processo de limpeza interna de nosso corpo. Nesse sentido, um leitor deste blog me sugeriu a ingestão de uma certa substância que irei testar e informarei do resultado posteriormente.
Marcadores: agressões, corpo, jejum, toxinas
segunda-feira, janeiro 24, 2011
O Corpo
O ser humano está no corpo, mas não é o corpo. O corpo é lindo, tem de ser amado e respeitado, mas a pessoa não pode se esquecer de que ela não é o corpo, ela é só quem mora nele. O corpo é um templo que o hospeda, mas você não é uma parte dele. Ele é uma contribuição da terra, enquanto você vem do céu. Em você, como em todos os seres encarnados, a terra e o céu se encontram: trata-se de um caso de amor entre ambos.
No momento em que você morre, nada morre de fato. Só quem está de fora tem essa falsa impressão. O corpo volta para a terra para passar por um breve repouso e a alma volta para o céu para ter também um pequeno repouso. Várias outras vezes o encontro acontecerá. De milhões de formas diferentes, o mesmo jogo continuará. É um acontecimento eterno, nunca termina.
No entanto, se alguém fica muito identificado com o corpo, isso cria infelicidade. Se você começar a achar que é o próprio corpo, a vida fica pesada demais. Coisas pequenas passam a incomodar, qualquer dorzinha é forte demais: basta um arranhão para a pessoa ficar agitada e desorientada.
É preciso manter uma pequena distância entre você e o seu corpo. Essa distância é criada quando a pessoa fica consciente do fato de que ela não pode ser o corpo. "Eu estou consciente dele, portanto ele é um objeto da minha consciência, e qualquer coisa que seja objeto da minha consciência não pode ser a minha consciência. Ela está observando, testemunhando e tudo o que é testemunhado está separado de mim".
Quando essa experiência se aprofunda, a infelicidade começa a desaparecer e evaporar. A dor e o prazer se aproximam, o sucesso e o fracasso se tornam a mesma coisa, a vida e a morte já não são diferentes. A pessoa não tem escolha; vive num estado sereno de ausência de escolhas. Essa tem sido a busca de todas as religiões. Nesse estado, Deus desce à terra. Na Índia, nós o chamamos de samádi; no Japão, de satori; os místicos cristãos o chamam de êxtase.
A palavra "êxtase" é muito significativa, quer dizer "movimento para fora". O movimento para fora do seu próprio corpo, com a consciência de que você está separado dele. No momento em que isso acontece, você volta a fazer parte do paraíso perdido: o paraíso é recuperado.
Fonte: Osho, Corpo e Mente em Equilíbrio, Editora Sextante, 2008. ISBN 978-85-7542-349-3.
Marcadores: Alma, corpo, êxtase, Índia, infelicidade, Japão, Osho
terça-feira, janeiro 18, 2011
A Pressa
Quem se identifica com o corpo está sempre com pressa. Por isso existe essa pressa no Ocidente, essa obsessão pela velocidade. Basicamente, trata-se de uma identificação com o corpo, mas você não é o seu corpo. A vida não pára, escapa das suas mãos - faça algo e faça agora; ande rápido, senão vai perdê-la. E encontre maneiras melhores e mais rápidas de fazer algo... e por aí vai... A velocidade virou mania. A única preocupação é saber como chegar num lugar mais rápido. Ninguém se importa em conhecer a razão por que você quer chegar. E, no momento em que você chega lá, começa logo a pensar em outro lugar para ir.
A mente vive num estado constantemente febril. Isso ocorre porque nós nos identificamos com a periferia e nós sabemos que o corpo vai morrer. A morte nos assombra. No Ocidente, a morte ainda é um tabu. Um tabu foi quebrado - o do sexo -, mas o segundo tabu, mais profundo do que o primeiro, ainda persiste. É preciso um outro Freud para quebrá-lo. As pessoas não falam da morte ou, quando falam, usam eufemismos - dizem que a pessoa está com Deus, foi para o céu, descansou. Mas, se a pessoa só viveu no corpo, ela não foi a lugar algum. Está morta, simplesmente morta - é pó sobre pó.
O corpo é pesado, muito proeminente, aparente, visível, palpável, tangível. A consciência não é visível nem está na superfície. É preciso buscá-la, mergulhar fundo. É preciso fazer esforço, é preciso ter uma dedicação constante para explorar o próprio ser. Trata-se de uma jornada, mas, depois que você começa a se sentir como uma consciência, você passa a viver num mundo completamente diferente. Você deixa de ter pressa, porque a consciência é eterna, e você deixa de se preocupar, porque a consciência não conhece doença, morte, derrota. Não há necessidade de buscar qualquer outra coisa. Ao corpo falta tudo, por isso ele inventa desejo após desejo; o corpo é um mendigo. Mas a consciência é um imperador: possui o mundo todo, é o mestre.
Depois de conhecer a face de seu ser interior, você relaxa. A vida deixa de ser desejo e passa a ser celebração. Tudo já está lá: as estrelas, a Lua, o Sol, as montanhas, os rios, as pessoas. Você tem de começar a viver. É disso que trata a vida: a exploração da consciência. Ela é um tesouro enterrado. E, naturalmente, quando tem um tesouro, você o mantém enterrado bem fundo para que ninguém o roube. Deus colocou a consciência bem no fundo do seu ser. O corpo é só o portão, não é a câmara real mais interior. Mas muitas pessoas vivem apenas no portão e acham que isso é a vida; nunca entram na casa do seu ser.
Deixe que a vida seja uma jornada para o interior do seu próprio ser. Use o corpo, ame o corpo: ele é um belo mecanismo, uma dádiva preciosa que contém grandes mistérios, mas não se identifique com ele. O corpo é como um avião e você é o piloto. O avião é belo e muito útil, mas o piloto não é o avião e ele tem de se lembrar de que é algo separado, que está distante, muito longe. Ele é o mestre do veículo.
Use o corpo como um veículo, mas deixe que a consciência reine absoluta.
Fonte: Osho, Corpo e Mente em Equilíbrio, Editora Sextante, 2008. ISBN 978-85-7542-349-3.
Marcadores: consciência, corpo, mente, morte, Osho, pressa, rapidez
segunda-feira, janeiro 17, 2011
Harmonia de Corpo, Mente e Alma
Seu corpo é energia, sua mente é energia, sua alma é energia. Onde está a diferença entre essas três coisas? Está só no ritmo, na frequência, no comprimento de onda. O corpo é denso, e é uma energia que funciona de um modo visível.
A mente é apenas um pouco mais sutil, mas não muito mais, porque é possível fechar os olhos e ver os seus pensamentos passando. Eles não são visíveis como o corpo, que é público. Seus pensamentos são particulares, ninguém mais pode vê-los, só você ou pessoas que tenham experiência de ver pensamentos. A terceira e última camada dentro de você é a sua consciência (associada à alma), que não é visível nem mesmo para você. Ela não pode ser reduzida a um objeto, ela é inteiramente subjetiva.
Quando essas três energias funcionam em harmonia, você é uma pessoa saudável e inteira. Se elas não funcionarem em sintonia e de acordo umas com as outras, você fica doente, você deixa de ser inteiro. E ser inteiro é ser puro.
Todo o meu empenho é no sentido de ajudá-lo para que seu corpo, sua mente e sua consciência possam todos dançar num só ritmo, numa comunhão, numa profunda harmonia - nunca em conflito, mas em cooperação.
Consciência é energia, a mais pura energia. A mente não é tão pura e o corpo é menos puro ainda. Mas você só pode conhecer essa consciência se fizer dessas três camadas um cosmos, não um caos. As pessoas estão vivendo o caos: o corpo delas diz uma coisa, quer ir numa determinada direção; a mente está completamente esquecida do corpo porque, durante séculos, ensinaram que ele é um inimigo pecaminoso que deve ser destruído.
Essas idéias o impedem de perceber seu corpo numa dança ritmada consigo mesmo. Essas são idéias tolas, estúpidas, prejudiciais e venenosas, mas vêm sendo ensinadas há tanto tempo que se tornaram parte da mente coletiva.
Por isso a minha insistência na dança e na música, porque somente na dança será possível sentir seu corpo, sua mente e você funcionando em conjunto. Há uma alegria infinita quando todos eles funcionam em conjunto, uma riqueza imensa.
A consciência é a forma mais elevada de energia. Quando todas essas três energias funcionam em conjunto, a quarta vem à tona. A quarta está sempre presente quando essas três funcionam juntas - ela nada mais é do que essa unidade orgânica.
No Oriente, simplesmente chamamos essa quarta energia de "a quarta" - turiya. Não damos qualquer outro nome. As três outras têm nome, a quarta não tem. Conhecer essa quarta é conhecer a Deus. Deus existe quando você está numa unidade orgânica orgástica. Deus não existe quando você está em caos, em desarmonia, em conflito. Quando você é uma casa que se volta contra si mesma, não há Deus algum presente.
Quando você está extremamente feliz consigo mesmo, feliz com o que é, extasiado com o que é, grato pelo que é, todas as suas energias estão dançando juntas; quando você é uma orquestra de todas as suas energias, Deus existe. Esse sentimento de total unidade é Deus. Deus não é uma pessoa em algum lugar, é a experiência das três energias formando uma unidade de tal modo que surja uma quarta. E a quarta é mais do que a soma das outras partes.
Se você dissecar uma pintura, só se deparará com a tela e as várias cores de tinta, mas uma pintura não é simplesmente a soma da tela e das cores, é algo mais. Esse "algo mais" é expresso por meio da pintura, da cor, da tela, do artista - esse "algo mais" é a beleza. Disseque um botão de rosa e encontrará todas as substâncias químicas que o constituem, mas a beleza desaparecerá. A beleza não é constituída apenas pela soma das partes, é algo mais.
O todo é mais do que a soma das partes. Ele se expressa por meio das partes, mas é mais que isso. Deus é aquilo que está além, é esse acréscimo. Não é uma questão de teologia e não pode ser decidido pela argumentação lógica. É preciso sentir a beleza, a música, a dança. No limite, é preciso sentir a dança no seu próprio corpo, na sua mente, na sua alma. Aprenda a tocar essas três energias para que se tornem uma orquestra e Deus se fará presente. Aprenda a fundir corpo, mente e alma, descubra formas de funcionar como uma unidade.
Praticantes de corrida, às vezes, passam por uma grandiosa experiência de meditação. Se você já se deliciou com uma corrida de manhã cedo, quando o ar está fresco, puro e todo mundo está acordando, despertando, e você está correndo... Seu corpo funciona belamente, o ar está fresco, um novo dia nasce depois da escuridão da noite e tudo canta à sua volta. Você se sente tão vivo... Chega um momento em que o corredor desaparece, só fica a corrida. O corpo, a mente e a alma começam a funcionar juntos; de repente, um orgasmo interior acontece.
Aqueles que correm podem, portanto, ter acidentalmente a experiência da quarta energia, da turiya. Se estiverem atentos, os corredores podem chegar perto da meditação com mais facilidade do que qualquer outra pessoa. Correr ou nadar podem ser de extrema ajuda quando essas atividades são transformadas em meditação. Esqueça as antigas idéias sobre meditação, esqueça que sentar sob uma árvore numa postura de ioga é meditação. Esse é só um dos jeitos e pode ser bom para algumas pessoas, mas não para todas. Para uma criancinha, isso não é meditação, é uma tortura. Para um jovem animado, vibrante, isso é uma repressão e não meditação. Talvez para um homem velho, muito vivido, cujas energias estejam em declínio, isso possa ser meditação.
As pessoas são diferentes. Para alguém que tem um nível mais baixo de energia, sentar-se embaixo de uma árvore, numa posição de ioga, pode ser a melhor meditação, porque é a que menos despende energia. Quando a coluna vertebral está ereta, num ângulo de 90 graus com relação à terra, seu corpo gasta a menor quantidade de energia possível. Se você pender para um dos lados ou para a frente, seu corpo começa a gastar mais energia, porque a gravidade começa a puxá-lo para baixo. Você precisa se segurar para não cair. Isso gasta energia. Sentar-se com as mãos unidas sobre o colo também é muito útil para pessoas de baixa energia porque, quando as mãos estão se tocando, a eletricidade do corpo começa a se propagar em círculos, movendo-se dentro de você.
A energia está sempre saindo pelos dedos, ela nunca é liberada a partir de coisas com o formato bem arredondado (isso é conhecido pelos cientistas - físicos e engenheiros elétricos - como poder das pontas). Por exemplo, sua cabeça retém bem a energia elétrica. A energia é liberada pelos dedos dos pés e das mãos (que constituem "pontas" do seu corpo, assim como o pênis). Numa determinada postura de ioga, os pés ficam juntos, de modo que a energia sai por um pé e entra pelo outro; uma mão libera a energia que entra pela outra mão que esteja em contato. Você é abastecido por sua própria energia, forma um círculo interno de energia. Isso é muito tranquilizante.
A postura de ioga é a mais relaxante que existe. É até mais relaxante do que o sono porque, quando você dorme (na posição horizontal), todo o seu corpo sente uniformemente a atração da gravidade. A posição horizontal relaxa o corpo de uma maneira totalmente diferente, pois o leva de volta aos tempos antigos, quando você era um animal e vivia constantemente nessa posição.
É por isso que, deitado, você não consegue pensar direito. Experimente. Você pode sonhar com facilidade, mas não pode pensar com facilidade. Para pensar, você precisa estar sentado. Quanto mais ereto você se sentar, maior a possibilidade de pensar. Pensar é um advento tardio na história humana, que só ocorreu quando o homem passou a andar na vertical. Enquanto ele estava acostumado com a postura horizontal, apenas sonhava. Então agora, ao deitar, você começa a sonhar e pára de pensar. É um tipo de relaxamento, porque o pensamento pára, você regride em termos de consciência.
A postura de ioga é uma boa meditação para aqueles que têm pouca energia, que estão doentes, velhos, que já viveram toda uma vida e agora estão se aproximando da morte.
Correr pode ser uma meditação - praticar jogging, dançar, nadar, sexo, qualquer coisa pode ser uma meditação. Minha definição de meditação é a seguinte: sempre que o corpo, a mente e a alma estão funcionando juntos, no mesmo ritmo, trata-se de uma meditação, porque isso provoca o aparecimento da quarta energia. E, se você está consciente de que faz essa atividade como uma meditação - não como parte dos Jogos Olímpicos -, isso é extremamente belo.
Qualquer que seja a meditação, o princípio básico precisa preencher sempre este requisito: o corpo, a mente e a consciência, todos os três, têm de funcionar numa unidade. De repente, a quarta energia aparece: pode chamá-la de Deus, nirvana, Tao, como você preferir.
Fonte: Osho, Corpo e Mente em Equilíbrio, Editora Sextante, 2008. ISBN 978-85-7542-349-3.
Marcadores: Alma, consciência, corpo, dança, Deus, eletricidade, energia, gravidade, harmonia, ioga, meditação, mente, música, Osho, pensar, poder das pontas, sono, Todo
sábado, janeiro 15, 2011
No Centro e Na Periferia
"Meditação nada mais é do que um artifício para que você descubra a si mesmo", Osho
O corpo, em si, não é nada. Ele torna-se luminoso em função de algo que está por trás dele. A glória não está no corpo em si, ele é apenas um anfitrião. Sua glória decorre do hóspede que ele abriga. Esquecer-se do hóspede é pura indulgência. Lembrar-se é amar o seu corpo, e celebrá-lo passa a fazer parte do culto ao corpo.
O atual culto ao corpo não tem sentido. As pessoas procuram comida saudável, massagens, rolfing e mil e uma coisas que possam dar algum significado à vida. Mas olhe nos olhos das pessoas: há um grande vazio nelas. Dá para ver que elas não percebem esse significado. Não existe qualquer fragrância ali, a flor ainda não floresceu. Lá no fundo são como um deserto: estão perdidas, sem saber o que fazer. Não param de fazer coisas para o corpo, mas isso não está surtindo o efeito desejado.
Se falta o centro, então pode-se continuar decorando a periferia. Isso pode enganar aos outros, mas você não pode satisfazer a si mesmo. Pode até se enganar de vez em quando, porque nossas próprias mentiras, quando repetidas muitas vezes, começam a parecer verdades. Mas você não pode se satisfazer, não pode obter o contentamento. O homem moderno está tentando de tudo para aproveitar a vida, mas parece não haver qualquer alegria envolvida. Lembre-se: sempre que você estiver tentando aproveitar a vida, na verdade você a deixará escapar. Quando você estiver tentando alcançar a felicidade, você a deixará passar. Fazer esforço para atingir a felicidade é um absurdo, porque a felicidade já está aqui e nada pode ser "feito" para atingi-la. Não há nada a fazer, apenas permitir que ela aconteça. Ela já está acontecendo, está à sua volta, dentro, fora, só a felicidade existe. Nada mais é real. Observe, olhe atentamente este mundo, as árvores, os pássaros, as rochas, os rios, as estrelas, a Lua e o Sol, as pessoas, os animais - olhe com atenção: a existência é feita da essência da felicidade, da alegria. Ela é feita de êxtase. Não há nada a fazer quanto a isso. Seu próprio esforço de fazer pode ser uma barreira para alcançá-la. Relaxe e ela o preencherá; relaxe e a felicidade correrá ao seu encontro; relaxe e ela transbordará de você.
O homem moderno está empenhado nessa busca, tentando conseguir algo da vida, tentando agarrá-la. Isso não vai funcionar, porque o caminho não é esse. Você não pode agarrar a vida, você tem de se render a ela. Você não pode conquistar a vida. Você tem de ser corajoso a ponto de ser derrotado por ela. A derrota é uma vitória nesse caso, e o esforço para ser vitorioso, no final será apenas sua derrocada final e absoluta.
A vida não pode ser conquistada, porque a parte não pode conquistar o todo. É como se uma pequena gota de água quisesse conquistar o oceano. Sim, a gota de água pode cair no oceano e se tornar o oceano, mas não pode conquistá-lo. Na verdade, se quiser conquistá-lo, ela terá de mergulhar dentro dele, escorregar para dentro dele.
O homem moderno está tentando encontrar a felicidade, por isso se preocupa tanto com o corpo. É quase uma obsessão. Ele está fazendo um grande esforço para estabelecer algum contato com a felicidade por meio do corpo, mas isso não é possível.
A mente moderna é muito competitiva (deveríamos ser cooperativos, colaborativos e não competitivos). Não é necessário ser, de fato, apaixonado pelo corpo - isso pode ser apenas uma competição com as outras pessoas. Como os outros estão fazendo coisas, você também tem de fazer... A mente contemporânea é a mais fútil e ambiciosa que já existiu neste mundo. É muito básica e mundana. É por isso que o homem de negócios é tão onipresente. Todo o resto passou para o segundo plano, enquanto o homem de negócios, o homem que controla o dinheiro, é a realidade mais presente - os buscadores de Deus. Na Europa, os aristocratas eram a realidade mais presente - cultos, estudados, alertas, em sintonia com os sutis matizes da vida: música, arte, poesia, escultura, arquitetura, danças clássicas, línguas, o grego e o latim. O aristocrata, que tinha sido condicionado, durante séculos, pelos valores mais elevados da vida, era a realidade mais presente na Europa. Na Rússia soviética, o proletariado, os tiranizados, os oprimidos, os operários eram a realidade mais presente. No Ocidente, hoje, é o homem de negócios, aquele que controla o dinheiro.
O dinheiro é o mais competitivo dos reinos. Não é preciso ter cultura, só dinheiro. Não é preciso saber nada sobre música e poesia. Não é preciso saber nada sobre literatura, história, religião e filosofia antigas. Se tiver uma conta bancária bem grande, você é importante. Você pode comprar um Van Gogh ou um Picasso, não pelo fato de ser um Picasso, mas porque os vizinhos também compraram. Eles têm um quadro de Picasso na sala de estar: como suportar não ter um também? Talvez você nada saiba sobre arte - pode nem mesmo saber como pendurá-lo, qual é o lado certo. Pode nem ter idéia se é um Picasso autêntico. Talvez nem olhe para ele, mas, como os outros têm um e estão falando sobre Picasso, é preciso mostrar a sua cultura. O dinheiro e os vizinhos parecem ser o único critério para decidir qualquer coisa: o carro, a casa, os quadros, a decoração. As pessoas não têm uma sauna no banheiro de casa porque amam o próprio corpo, mas porque está na moda - todo mundo tem. Quem não tiver vai parecer pobre. Se alguém tem uma casa nas montanhas, é preciso ter uma também. Talvez você nem saiba o que vai fazer nas montanhas ou ache aquilo um tédio. Ou vai levar a TV para lá e assistir aos mesmos programas que você vê em sua casa. Que diferença faz o lugar onde você está sentado?
Já observou uma criança correndo, gritando, dançando sem qualquer razão em especial - sem causa? Se perguntar por que ela está tão feliz, ela não será capaz de responder. Será que é preciso ter uma causa para ser feliz? Ela ficará chocada com a sua pergunta. Dará de ombros e seguirá seu caminho, continuando a cantar e a dançar. A criança não tem nada. Não é o primeiro-ministro ou o presidente da República. Ela não possui nada - talvez algumas conchas ou pedrinhas que tenha pego na praia, isso é tudo.
A vida do homem moderno acaba quando a vida acaba. Quando o corpo chega ao fim, a pessoa também chega. Por isso as pessoas têm muito medo da morte. Por causa do medo da morte, o homem moderno está tentando de todas as maneiras prolongar a vida, às vezes por períodos absurdos. Existem pessoas que estão vegetando nos hospitais, nos asilos. Não estão vivendo: estão mortas há muito tempo. A vida está sendo mantida pelos médicos, pelos remédios, pelos equipamentos modernos. De alguma forma, estão apenas adiando a morte.
O medo da morte é imenso. Depois de partir, você irá embora para sempre e nada mais restará - porque o homem moderno só conhece o corpo, e nada mais. Se só conhece o corpo, você vai ser muito pobre. Primeiro, sempre terá medo da morte - então como vai gostar realmente da vida? O medo estará sempre presente. É a vida que traz a morte e você não consegue vivê-la plenamente. Se a morte acaba com tudo, se essa é a sua compreensão e modo de pensar, sua vida será de correria e de eterna busca. Como a morte está sempre chegando, você não pode ter paciência. Daí a mania de velocidade - tudo tem de ser feito depressa, porque a morte está se aproximando: procure fazer o máximo possível. Procure sobrecarregar seu ser com a maior quantidade possível de experiências antes de morrer porque, depois, acabou.
Isso não tem sentido e, evidentemente, causa angústia e ansiedade. Se, depois da morte do corpo, não restar mais nada, nada do que você fizer pode ser muito profundo. Nada que você fizer o satisfará. Se a morte é o fim e depois não restar mais nada, a vida não pode ter sentido ou significado. Será uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, sem significado.
O ser humano consciente sabe que está no corpo, mas não é o corpo. Ele ama o corpo, pois é o seu abrigo, sua casa, seu lar. Ele não é contra o corpo porque seria tolice ficar contra a própria casa, mas também não é materialista. É realista, mas não materialista. Ele sabe que, na morte, nada morre de fato. A morte vem, mas a vida continua. Sua vida é imortal.
Camus escreveu que o único problema metafísico real do ser humano é o suicídio. Concordo. Se o corpo é a única realidade, e não existe dentro de você nada que vá além dele, então essa é a coisa mais importante a se considerar. Por que não cometer suicídio? Por que esperar até os 90 anos? E por que sofrer com tantos problemas e infortúnios nesse meio-tempo? Se a morte é certa, por que não morrer hoje? Por que acordar outra vez amanhã de manhã? Isso parece ser em vão.
O homem moderno está constantemente correndo de um lado para outro para conseguir, de algum jeito, agarrar todas as experiências possíveis. Corre o mundo, vai de cidade em cidade, de país em país, de hotel em hotel. Nessa busca, ele corre de guru em guru, de igreja em igreja, porque a morte está chegando. Ao mesmo tempo em que há uma louca perseguição que nunca se acaba, há também a profunda preocupação de que tudo seja inútil - porque a morte irá acabar com tudo. Se a pessoa tiver vivido em ostentação ou na pobreza, se foi inteligente ou não, se foi um grande amante ou deixou de ser, que diferença faz? A morte por fim chega e nivela a todos - o sábio e o tolo, os prudentes e os pecadores, os iluminados e os estúpidos, todos vão para baixo da terra e desaparecem para sempre. Então, para que tudo isso? Que diferença faz ser alguém como Buda, como Jesus ou como Judas? Jesus morreu na cruz, Judas se matou no dia seguinte: ambos desapareceram embaixo da terra.
Por outro lado, há sempre o medo de que você possa deixar escapar algo que os outros conquistaram; há a profunda preocupação de que, mesmo que você consiga algo, nada seja obtido. Mesmo se chegar, não chegará a lugar algum, pois a morte vem e acaba com tudo.
O homem consciente vive no corpo, ama o corpo, celebra-o, mas sabe que não é o corpo. Sabe que existe algo nele que sobreviverá a todas as mortes. Sabe que existe algo nele que é eterno e que o tempo não pode destruir. Passa a sentir isso por meio da meditação, do amor, da prece. Passa a sentir isso no interior do seu próprio ser. Não tem medo da morte porque sabe o que é a vida. Não corre atrás da felicidade porque sabe que Deus está enviando milhões de oportunidades, basta que ele permita que elas aconteçam.
A vida está pronta para acontecer. Você está criando tantas barreiras, e a maior delas é querer correr atrás das coisas. Sempre que a vida chega e bate à sua porta, você não está (geralmente você está envolvido com o passado ou com o futuro). Vive correndo atrás da vida, a vida correndo atrás de você e os dois nunca se encontram.
Exista... simplesmente exista, e tenha paciência...
Fonte: Osho, Corpo e Mente em Equilíbrio, Editora Sextante, 2008. ISBN 978-85-7542-349-3.
O atual culto ao corpo não tem sentido. As pessoas procuram comida saudável, massagens, rolfing e mil e uma coisas que possam dar algum significado à vida. Mas olhe nos olhos das pessoas: há um grande vazio nelas. Dá para ver que elas não percebem esse significado. Não existe qualquer fragrância ali, a flor ainda não floresceu. Lá no fundo são como um deserto: estão perdidas, sem saber o que fazer. Não param de fazer coisas para o corpo, mas isso não está surtindo o efeito desejado.
Se falta o centro, então pode-se continuar decorando a periferia. Isso pode enganar aos outros, mas você não pode satisfazer a si mesmo. Pode até se enganar de vez em quando, porque nossas próprias mentiras, quando repetidas muitas vezes, começam a parecer verdades. Mas você não pode se satisfazer, não pode obter o contentamento. O homem moderno está tentando de tudo para aproveitar a vida, mas parece não haver qualquer alegria envolvida. Lembre-se: sempre que você estiver tentando aproveitar a vida, na verdade você a deixará escapar. Quando você estiver tentando alcançar a felicidade, você a deixará passar. Fazer esforço para atingir a felicidade é um absurdo, porque a felicidade já está aqui e nada pode ser "feito" para atingi-la. Não há nada a fazer, apenas permitir que ela aconteça. Ela já está acontecendo, está à sua volta, dentro, fora, só a felicidade existe. Nada mais é real. Observe, olhe atentamente este mundo, as árvores, os pássaros, as rochas, os rios, as estrelas, a Lua e o Sol, as pessoas, os animais - olhe com atenção: a existência é feita da essência da felicidade, da alegria. Ela é feita de êxtase. Não há nada a fazer quanto a isso. Seu próprio esforço de fazer pode ser uma barreira para alcançá-la. Relaxe e ela o preencherá; relaxe e a felicidade correrá ao seu encontro; relaxe e ela transbordará de você.
O homem moderno está empenhado nessa busca, tentando conseguir algo da vida, tentando agarrá-la. Isso não vai funcionar, porque o caminho não é esse. Você não pode agarrar a vida, você tem de se render a ela. Você não pode conquistar a vida. Você tem de ser corajoso a ponto de ser derrotado por ela. A derrota é uma vitória nesse caso, e o esforço para ser vitorioso, no final será apenas sua derrocada final e absoluta.
A vida não pode ser conquistada, porque a parte não pode conquistar o todo. É como se uma pequena gota de água quisesse conquistar o oceano. Sim, a gota de água pode cair no oceano e se tornar o oceano, mas não pode conquistá-lo. Na verdade, se quiser conquistá-lo, ela terá de mergulhar dentro dele, escorregar para dentro dele.
O homem moderno está tentando encontrar a felicidade, por isso se preocupa tanto com o corpo. É quase uma obsessão. Ele está fazendo um grande esforço para estabelecer algum contato com a felicidade por meio do corpo, mas isso não é possível.
A mente moderna é muito competitiva (deveríamos ser cooperativos, colaborativos e não competitivos). Não é necessário ser, de fato, apaixonado pelo corpo - isso pode ser apenas uma competição com as outras pessoas. Como os outros estão fazendo coisas, você também tem de fazer... A mente contemporânea é a mais fútil e ambiciosa que já existiu neste mundo. É muito básica e mundana. É por isso que o homem de negócios é tão onipresente. Todo o resto passou para o segundo plano, enquanto o homem de negócios, o homem que controla o dinheiro, é a realidade mais presente - os buscadores de Deus. Na Europa, os aristocratas eram a realidade mais presente - cultos, estudados, alertas, em sintonia com os sutis matizes da vida: música, arte, poesia, escultura, arquitetura, danças clássicas, línguas, o grego e o latim. O aristocrata, que tinha sido condicionado, durante séculos, pelos valores mais elevados da vida, era a realidade mais presente na Europa. Na Rússia soviética, o proletariado, os tiranizados, os oprimidos, os operários eram a realidade mais presente. No Ocidente, hoje, é o homem de negócios, aquele que controla o dinheiro.
O dinheiro é o mais competitivo dos reinos. Não é preciso ter cultura, só dinheiro. Não é preciso saber nada sobre música e poesia. Não é preciso saber nada sobre literatura, história, religião e filosofia antigas. Se tiver uma conta bancária bem grande, você é importante. Você pode comprar um Van Gogh ou um Picasso, não pelo fato de ser um Picasso, mas porque os vizinhos também compraram. Eles têm um quadro de Picasso na sala de estar: como suportar não ter um também? Talvez você nada saiba sobre arte - pode nem mesmo saber como pendurá-lo, qual é o lado certo. Pode nem ter idéia se é um Picasso autêntico. Talvez nem olhe para ele, mas, como os outros têm um e estão falando sobre Picasso, é preciso mostrar a sua cultura. O dinheiro e os vizinhos parecem ser o único critério para decidir qualquer coisa: o carro, a casa, os quadros, a decoração. As pessoas não têm uma sauna no banheiro de casa porque amam o próprio corpo, mas porque está na moda - todo mundo tem. Quem não tiver vai parecer pobre. Se alguém tem uma casa nas montanhas, é preciso ter uma também. Talvez você nem saiba o que vai fazer nas montanhas ou ache aquilo um tédio. Ou vai levar a TV para lá e assistir aos mesmos programas que você vê em sua casa. Que diferença faz o lugar onde você está sentado?
Já observou uma criança correndo, gritando, dançando sem qualquer razão em especial - sem causa? Se perguntar por que ela está tão feliz, ela não será capaz de responder. Será que é preciso ter uma causa para ser feliz? Ela ficará chocada com a sua pergunta. Dará de ombros e seguirá seu caminho, continuando a cantar e a dançar. A criança não tem nada. Não é o primeiro-ministro ou o presidente da República. Ela não possui nada - talvez algumas conchas ou pedrinhas que tenha pego na praia, isso é tudo.
A vida do homem moderno acaba quando a vida acaba. Quando o corpo chega ao fim, a pessoa também chega. Por isso as pessoas têm muito medo da morte. Por causa do medo da morte, o homem moderno está tentando de todas as maneiras prolongar a vida, às vezes por períodos absurdos. Existem pessoas que estão vegetando nos hospitais, nos asilos. Não estão vivendo: estão mortas há muito tempo. A vida está sendo mantida pelos médicos, pelos remédios, pelos equipamentos modernos. De alguma forma, estão apenas adiando a morte.
O medo da morte é imenso. Depois de partir, você irá embora para sempre e nada mais restará - porque o homem moderno só conhece o corpo, e nada mais. Se só conhece o corpo, você vai ser muito pobre. Primeiro, sempre terá medo da morte - então como vai gostar realmente da vida? O medo estará sempre presente. É a vida que traz a morte e você não consegue vivê-la plenamente. Se a morte acaba com tudo, se essa é a sua compreensão e modo de pensar, sua vida será de correria e de eterna busca. Como a morte está sempre chegando, você não pode ter paciência. Daí a mania de velocidade - tudo tem de ser feito depressa, porque a morte está se aproximando: procure fazer o máximo possível. Procure sobrecarregar seu ser com a maior quantidade possível de experiências antes de morrer porque, depois, acabou.
Isso não tem sentido e, evidentemente, causa angústia e ansiedade. Se, depois da morte do corpo, não restar mais nada, nada do que você fizer pode ser muito profundo. Nada que você fizer o satisfará. Se a morte é o fim e depois não restar mais nada, a vida não pode ter sentido ou significado. Será uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, sem significado.
O ser humano consciente sabe que está no corpo, mas não é o corpo. Ele ama o corpo, pois é o seu abrigo, sua casa, seu lar. Ele não é contra o corpo porque seria tolice ficar contra a própria casa, mas também não é materialista. É realista, mas não materialista. Ele sabe que, na morte, nada morre de fato. A morte vem, mas a vida continua. Sua vida é imortal.
Camus escreveu que o único problema metafísico real do ser humano é o suicídio. Concordo. Se o corpo é a única realidade, e não existe dentro de você nada que vá além dele, então essa é a coisa mais importante a se considerar. Por que não cometer suicídio? Por que esperar até os 90 anos? E por que sofrer com tantos problemas e infortúnios nesse meio-tempo? Se a morte é certa, por que não morrer hoje? Por que acordar outra vez amanhã de manhã? Isso parece ser em vão.
O homem moderno está constantemente correndo de um lado para outro para conseguir, de algum jeito, agarrar todas as experiências possíveis. Corre o mundo, vai de cidade em cidade, de país em país, de hotel em hotel. Nessa busca, ele corre de guru em guru, de igreja em igreja, porque a morte está chegando. Ao mesmo tempo em que há uma louca perseguição que nunca se acaba, há também a profunda preocupação de que tudo seja inútil - porque a morte irá acabar com tudo. Se a pessoa tiver vivido em ostentação ou na pobreza, se foi inteligente ou não, se foi um grande amante ou deixou de ser, que diferença faz? A morte por fim chega e nivela a todos - o sábio e o tolo, os prudentes e os pecadores, os iluminados e os estúpidos, todos vão para baixo da terra e desaparecem para sempre. Então, para que tudo isso? Que diferença faz ser alguém como Buda, como Jesus ou como Judas? Jesus morreu na cruz, Judas se matou no dia seguinte: ambos desapareceram embaixo da terra.
Por outro lado, há sempre o medo de que você possa deixar escapar algo que os outros conquistaram; há a profunda preocupação de que, mesmo que você consiga algo, nada seja obtido. Mesmo se chegar, não chegará a lugar algum, pois a morte vem e acaba com tudo.
O homem consciente vive no corpo, ama o corpo, celebra-o, mas sabe que não é o corpo. Sabe que existe algo nele que sobreviverá a todas as mortes. Sabe que existe algo nele que é eterno e que o tempo não pode destruir. Passa a sentir isso por meio da meditação, do amor, da prece. Passa a sentir isso no interior do seu próprio ser. Não tem medo da morte porque sabe o que é a vida. Não corre atrás da felicidade porque sabe que Deus está enviando milhões de oportunidades, basta que ele permita que elas aconteçam.
A vida está pronta para acontecer. Você está criando tantas barreiras, e a maior delas é querer correr atrás das coisas. Sempre que a vida chega e bate à sua porta, você não está (geralmente você está envolvido com o passado ou com o futuro). Vive correndo atrás da vida, a vida correndo atrás de você e os dois nunca se encontram.
Exista... simplesmente exista, e tenha paciência...
Fonte: Osho, Corpo e Mente em Equilíbrio, Editora Sextante, 2008. ISBN 978-85-7542-349-3.
Marcadores: Alma, corpo, felicidade, imortalidade, mente, Osho
quinta-feira, dezembro 30, 2010
Riso e Saúde
"Rir é o melhor remédio", ditado popular
A sociedade mutilou seu corpo, sua mente - tudo. Deram a você apenas algumas escolhas, deixaram apenas algumas pequenas aberturas e só é possível olhar através delas. Nunca deixam que você veja a totalidade das coisas.
O senso de humor reunirá as partes que foram separadas, colará seus fragmentos, deixando-o inteiro. Não reparou nisso? Quando você dá uma boa risada, de repente todos os fragmentos desaparecem e você se torna uma coisa só. Quando você ri, sua alma e seu corpo se tornam uma coisa só - eles riem juntos. Quando você pensa, seu corpo e sua alma estão separados. Quando chora, seu corpo e sua alma também são uma coisa só, funcionando em harmonia. Lembre-se sempre: todas essas coisas são boas, fazem bem, pois fazem de você um só todo. Rir, chorar, dançar, cantar - tudo isso faz de você um conjunto em que tudo funciona em harmonia.
Sua cabeça pode estar pensando enquanto o corpo continua fazendo mil coisas diferentes. Você pode comer enquanto a sua mente pensa e, então, ocorre uma divisão, algo negativo. Você anda na rua e, enquanto o corpo anda, a sua mente está pensando. Não que esteja pensando na rua, nas árvores que o cercam, no sol, nas pessoas em volta de você - você está pensando em outras coisas, está em um outro mundo.
Mas, ao rir, se a sua risada for de fato profunda - se não for uma pseudo-risada, que só acontece nos lábios -, você sentirá de repente seu corpo e sua alma funcionando juntos. A risada não está só no seu corpo, ela penetra no fundo do seu ser. Surge de você e se espalha por toda a circunferência. Você é um só, quando ri.
Minha definição de saúde é que, quando você não percebe a existência do seu corpo, você está saudável. O mesmo vale para a mente saudável. Só uma mente insana pode ser sentida. Quando a mente está sã, silenciosa, não é possível senti-la. Quando o corpo e a mente estão silenciosos, é possível sentir a alma com mais facilidade, com uma risada. Não há por que ser sério.
Aproveite a vida, ria das coisas ridículas à sua volta. Ria durante todo o trajeto até o templo de Deus. Aqueles que riram bastante (como os fundadores do Tantra) chegaram lá - as pessoas sérias ainda estão perambulando por aí, com a cara amarrada.
Fonte: Osho, Corpo e Mente em Equilíbrio, Editora Sextante, 2008. ISBN 978-85-7542-349-3.
PS: O Boletim da FAPERJ, de 27 de janeiro de 2011, trouxe uma reportagem relacionada ao tema acima. Eis a introdução:
O senso de humor reunirá as partes que foram separadas, colará seus fragmentos, deixando-o inteiro. Não reparou nisso? Quando você dá uma boa risada, de repente todos os fragmentos desaparecem e você se torna uma coisa só. Quando você ri, sua alma e seu corpo se tornam uma coisa só - eles riem juntos. Quando você pensa, seu corpo e sua alma estão separados. Quando chora, seu corpo e sua alma também são uma coisa só, funcionando em harmonia. Lembre-se sempre: todas essas coisas são boas, fazem bem, pois fazem de você um só todo. Rir, chorar, dançar, cantar - tudo isso faz de você um conjunto em que tudo funciona em harmonia.
Sua cabeça pode estar pensando enquanto o corpo continua fazendo mil coisas diferentes. Você pode comer enquanto a sua mente pensa e, então, ocorre uma divisão, algo negativo. Você anda na rua e, enquanto o corpo anda, a sua mente está pensando. Não que esteja pensando na rua, nas árvores que o cercam, no sol, nas pessoas em volta de você - você está pensando em outras coisas, está em um outro mundo.
Mas, ao rir, se a sua risada for de fato profunda - se não for uma pseudo-risada, que só acontece nos lábios -, você sentirá de repente seu corpo e sua alma funcionando juntos. A risada não está só no seu corpo, ela penetra no fundo do seu ser. Surge de você e se espalha por toda a circunferência. Você é um só, quando ri.
Minha definição de saúde é que, quando você não percebe a existência do seu corpo, você está saudável. O mesmo vale para a mente saudável. Só uma mente insana pode ser sentida. Quando a mente está sã, silenciosa, não é possível senti-la. Quando o corpo e a mente estão silenciosos, é possível sentir a alma com mais facilidade, com uma risada. Não há por que ser sério.
Aproveite a vida, ria das coisas ridículas à sua volta. Ria durante todo o trajeto até o templo de Deus. Aqueles que riram bastante (como os fundadores do Tantra) chegaram lá - as pessoas sérias ainda estão perambulando por aí, com a cara amarrada.
Fonte: Osho, Corpo e Mente em Equilíbrio, Editora Sextante, 2008. ISBN 978-85-7542-349-3.
PS: O Boletim da FAPERJ, de 27 de janeiro de 2011, trouxe uma reportagem relacionada ao tema acima. Eis a introdução:
| Uma 'enfermaria do riso' para aliviar a dor das crianças nos hospitais | ||
| Palhaços da 'Enfermaria do Riso' aliviam a tensão de crianças internadas em três hospitais do município do Rio de Janeiro. A iniciativa, lançada há mais de uma década pela Escola de | Teatro da UniRio, já atende a cerca de 800 pessoas por mês, sendo o primeiro programa do País de formação de estudantes universitários de teatro para atuação em ambiente hospitalar. Mais >> | |
Marcadores: Alma, corpo, FAPERJ, humor, mente, Osho, riso, saúde
sábado, outubro 02, 2010
Meditações do Osho - 30
Você não é o seu corpo nem é a mente; você é a testemunha de tudo. A menos que uma pessoa cresça cada vez mais como testemunha, ela nunca saberá que é uma alma.
Você só toma consciência dos olhos quando você vê. Se ficar com os olhos fechados, você os esquecerá. Se uma criança nunca tiver a chance de usar as pernas, ela não será capaz de andar e as esquecerá.
É pelo uso de determinada faculdade que nos tornamos cientes dela. Vendo, percebemos que temos olhos; ouvindo, percebemos que temos ouvidos; cheirando, percebemos que temos nariz. E exatamente desse modo, testemunhando, percebemos que temos uma alma. Testemunhar é a função da alma.
Esta tem sido a busca no Oriente: como se tornar uma testemunha de tudo, apenas um observador, um mero observador sem identificação. Você só olha para o corpo e a mente e todas as suas funções, atividades e movimentos, mas é apenas como um observador na beira da estrada - o trânsito vai passando. Você não é o carro que passa, nem o caminhão, nem o ônibus, nem as pessoas, nem os búfalos, nem as vacas - ninguém. Você é simplesmente o observador na beira da estrada.
Isto é meditação: ver seu complexo mente-corpo sem se identificar com ele. E logo um fenômeno totalmente diferente é vivenciado: a existência da alma. Este é meu trabalho aqui: tornar vocês cientes de que vocês são deuses e deusas, de que são seres eternos, imortais.
Fonte: Osho, Meditações para a Noite, Verus Editora, Campinas-SP, 2006.
Marcadores: corpo, deuses, imortalidade, meditação, mente, observador, Osho, testemunha, vida eterna
sábado, setembro 11, 2010
Meditações do Osho - 15
O corpo nasce e o corpo morre; a mente nasce e a mente morre. Mas você não é o corpo nem a mente. Você é algo transcendental a ambos, algo que nunca morre e nunca nasce. Você sempre existiu e sempre existirá.
No momento em que se começa a sentir isso, toda a sua perspectiva de vida muda. O que era importante até aquele instante se torna irrelevante: dinheiro, poder, prestígio, tudo isso. E o que antes nunca fora importante ganha, de repente, grande importância: amor, compaixão, meditação, oração, divindade.
Lembre-se de que dentro de você há algo que é eterno, imortal.
Fonte: Osho, Meditações para a Noite, Verus Editora, Campinas-SP, 2006.
Marcadores: corpo, imortalidade, meditação, mente, Osho
quarta-feira, agosto 04, 2010
A Insônia
Alguém perguntou ao Osho: "Não durmo bem e sempre acordo entre 3 e 4 horas da manhã"
E o Osho respondeu:
Você sempre acorda entre 3 e 4 horas da manhã? Ora, então aproveite esse tempo para meditar. Sempre aproveite as oportunidades para fazer alguma coisa. Seja criativo com relação a tudo. Se não conseguir dormir, não há razão para se forçar a dormir. O sono é uma dessas energias que não podem ser controladas. Se tentar controlá-lo, você ficará agitado. Se fizer alguma coisa para conseguir dormir, isso se tornará um empecilho, porque o sono é contra o fazer; ele é um estado de não-fazer. Por isso, se você fizer algum esforço como, por exemplo, contar carneirinhos, repetir um mantra, virar-se de um lado para o outro, começar a chamar por Deus e a rezar, isso tudo só vai mantê-lo mais acordado. Isso não ajuda em nada, mas é o que as pessoas normalmente fazem. O meu ponto de vista é totalmente diferente. Para começar, se você perdeu o sono, isso significa que o seu corpo está perfeitamente descansado.
"Mas eu me sinto exausto!"
Essa é uma informação dada por sua mente, não tem nada a ver com o seu corpo. Só a idéia de que não dormiu direito já o deixa cansado, mas não é falta de sono. O mecanismo do corpo, o seu organismo, tem sua própria sabedoria. Por exemplo, se você está comendo e o seu corpo diz "Chega!" mas você responde "Estou magro e fraco, tenho de comer mais", isso está errado. Você pode comer, pode forçar-se a comer um pouco mais, pode se empanturrar, mas o seu organismo não está preparado para isso e irá rejeitar a comida.
Se o corpo não tem vontade de comer, é melhor ouvi-lo; ele sabe mais do que você. Ele tem o conhecimento instintivo de que, se você comer no momento, será perigoso. Pode ser que algo esteja acontecendo nos intestinos e o corpo queira se desintoxicar antes de receber mais comida. Talvez você tenha comido algo estragado. Você já se alimentou o suficiente e seu corpo ainda não teve tempo de digerir tudo. Ele não precisa da mais trabalho nesse momento; se ele tiver de se esforçar mais, talvez o mecanismo todo entre em colapso e não consiga dar conta do recado. Por isso, ele diz: "Nada de comida, não tenho apetite!" Mas você se enche de comida mesmo sem apetite, porque acha que precisa comer. Coloca mais tempero para tornar o alimento mais saboroso ou vai a algum bom restaurante. Você está tentando enganar o seu corpo, e isso é burrice! O mesmo acontece com o sono.
Se você dorme e às 3 ou 4 horas da manhã acorda, isso significa apenas que o seu corpo já está descansado. O sono do corpo acabou; agora, é a mente que está criando dificuldade para você. Então, aproveite esse horário. Fique deitado em silêncio; desfrute do silêncio da noite! Em vez de ficar preocupado porque perdeu o sono, aproveite esse momento para meditar. Você não precisa se levantar; descanse, mas ouça... os sons da noite estão ali, além do silêncio da noite. O barulho do tráfego está ali, mas as pessoas não; todo mundo está dormindo. Isso é maravilhoso! Você está sozinho - é como se você estivesse nas montanhas - com a escuridão e sua atmosfera suave. Desfrute isso e relaxe nesse sentimento.
Se você proceder de outra forma, ficará infeliz - mais uma vez terá perdido o sono; mais uma vez ficará cansado no dia seguinte e preocupado, com tensão, angústia e ansiedade. Essas coisas não deixarão que você durma mais uma vez.
Quando você estiver totalmente concentrado nos sons da noite, lentamente cairá no sono outra vez, não porque é a sua vontade, não porque quer. Não estou dizendo que você tem de meditar para conseguir dormir, não é isso. Não existe essa coisa de "faça isso para que aconteça aquilo". Estou dizendo para aproveitar a situação! E, de repente, você descobrirá que o sono veio. O fato de vir ou não vir, contudo, é irrelevante. Faça isso durante três semanas apenas e todo o cansaço desaparecerá. Isso é uma coisa mental. Desde o período da manhã, você está cultivando essa idéia de que está cansado. Claro, ficará mais e mais cansado. Terá receio de tudo, de se envolver em qualquer coisa. Já está cansado; então, se fizer algo mais, ficará ainda mais cansado. Você está criando neurose à sua volta.
As pessoas têm necessidades diferentes com respeito ao sono e à comida. O meu pai mesmo não conseguia dormir depois das 3 horas. Ele se deitava por volta das 11 da noite e dormia três, quatro horas no máximo. Minha mãe ficava preocupada, mas eu disse a meu pai para se sentar e meditar. Então, ele ficava sentado depois das 3 horas da manhã e essa tornou-se a sua porta para o divino. Durante anos, ele meditou das 3 às 7 horas - ficava quase como uma estátua, esquecido do corpo.
Com o tempo essa se tornou a maior experiência de sua vida: nem mesmo o sono poderia proporcioná-la. Ele se sentia extremamente disposto às 3 horas, era assim que seu mecanismo trabalhava. Esse período da noite tornou-se o mais precioso de todos. Ele usou esse tempo de maneira certa.
Fonte: Osho, Corpo e mente em equilíbrio, Editora Sextante, 2008.
Marcadores: corpo, insônia, mente, noite
