terça-feira, março 19, 2024
Mensagem de Mãe Maria - 18.03.2024
Amados Filhos,
Que as bênçãos do amor tragam paz aos vossos corpos, mentes e corações.
Encontrar a felicidade é a meta de todos os Filhos da Terra. Todavia, para que isso ocorra é preciso que possais compreender o que representa, para vós humanos, VIVER.
Viver, amados, é crescer sempre, em verdade e em espírito, através das lições que vos são oferecidas a cada dia de vossas jornadas. É olhar para os acontecimentos do dia-a-dia aceitando os desafios que eles representam. É alimentar a certeza de que tudo o que ocorre é o reflexo de vossas escolhas no presente e no passado, nesta ou em outra vida. É assumir a responsabilidade sobre vossos pensamentos, sentimentos e ações com a consciência de que são eles que criam vossa realidade e a realidade refletida em vosso planeta.
Viver é amar, sem impor qualquer condição, é compreender sem julgar, é estender a mão aos que precisam do vosso amparo, é reconhecer que a vossa felicidade só será plena quando vossos irmãos também despertarem do sono que os mantém no mundo da ilusão.
Muito fizestes e muito ainda precisa ser feito por vós, amados.
É hora de assumir, pois, o compromisso de ser feliz, ajudando a restaurar o equilíbrio na Mãe Terra, oferecendo amor a Mãe Natureza, cuidando do solo sagrado em que fincastes vossas raízes, recuperando a pureza do ar, que de tão contaminado por toda sorte de poluentes mais mata do que alimenta a vida, purificando as águas desse ser que vos abriga, água que precisa resgatar a misericórdia, que vós humanos dela retirastes, para que ela possa, novamente, ser a condutora da longevidade que tanto buscais ao longo da jornada.
Estendei a mão aos vossos irmãos, ajudando-os a compreender o sentido da vida, mostrando, com vossos exemplos, que a compreensão leva à solidariedade, eis que a consciência de que sois todos parte de um corpo maior vos mostra que a irmandade entre os Filhos da Terra
precisa ser exercitada sem qualquer separação.
Este é o mundo que vos espera, o mundo da igualdade, o mundo onde todos se reconhecem como peças de uma enorme engrenagem, e conscientes de suas missões compreendem o papel a exercitar para que nada falte a cada componente do todo.
Bem-amados, o mundo da verdade vos aguarda, e nele todos os seres que vem acompanhando a longa jornada dos Filhos da Terra, e que já se rejubilam, pois reconhecem que todos vós estais a um passo da vitória, eis que falta muito pouco para consumardes a ascensão.
Bem-amados, que vossas orações sigam alimentando todos aqueles que precisam de ajuda, em todos os reinos e dimensões, para que se cumpra a vontade do Pai em cada um de vós.
Bem-amados, Eu vos deixo agora derramando sobre todos vós as minhas bênçãos e envolvendo a todos no meu manto de proteção, porque Eu Sou Maria, Vossa Mãe.
SP-18-03-2024-Mensagem de Mãe Maria-14-2024 recebida por Jane M. Ribeiro.
Marcadores: amar, ascensão, despertar, felicidade, longevidade, Mãe Maria, Mãe Terrena, solidariedade, verdade, viver
sexta-feira, dezembro 08, 2023
Emoções e Saúde
A felicidade deveria ser o estado normal de saúde do ser humano. Alegria e felicidade são essenciais para a saúde. Pouco adianta seguir uma dieta perfeita, se seu estado mental for tal que pejudique e impeça a digestão. Melancolia e rabugice levam a uma sepultura precoce.
Emoções e sensações devem normalmente serem traduzidas para ações. Se forem cultivadas por si mesmas, sem nenhum propósito além disso, enfraquecem e destroem tanto a mente quanto o corpo. Emoções intensas e sentimentalismo funcionam da mesma maneira que as bebidas alcoólicas e têm os mesmos resultados malignos.
As emoções religiosas, muitas vezes usadas como fonte de emoções prazerosas, são muito destrutivas para o sistema nervoso. Elas resultaram em insanidade em muitos casos. Qualquer religião que leve ao emocionalismo, à histeria, ao transe, à catalepsia, etc. não é religião, mas mania. São Paulo admoestou todos os cristãos a exercitarem o “espírito de uma mente sã”.
O autocontrole é a grande lei da higiene mental, e quem não aprendeu a controlar as suas emoções está permitindo que elas encurtem a sua vida. Tenha em mente que emoções falsas, sejam elas de arte, música, amor ou de alguma outra natureza, são tão enfraquecedoras quanto as emoções religiosas.
O medo é a mais destrutiva de todas as emoções. Ele entorpece e paralisa o corpo e desperdiça energia nervosa como poucas outras coisas fazem. Muitas vezes tem sido a causa de morte súbita em indivíduos fracos. Há uma semelhança impressionante entre um grande medo e o congelamento. Em ambos os casos o rosto fica pálido, os dentes batem, o corpo treme (arrepios), fica contraído e curvado, o peito fica contraído, a respiração é lenta e vem em suspiros curtos.
O medo também é usado como uma arma psicológica poderosa para controlar a população: veja, por exemplo, a disseminação de medo da pandemia que foi feita na população global para que aceitassem tomar a vacina venenosa da covid-19 [que possui veneno de cobra, para induzir os coágulos sanguíneos].
O medo afeta muito o coração. Em um caso de morte de um animal, por medo, presenciado por mim, o coração foi rompido.
O estômago deixa de funcionar sob o medo. Muitas experiências mostraram que o medo interfere e prejudica as funções das glândulas que secretam os sucos digestivos. Observe o ressecamento da boca, por causa da secreção salivar suspensa, com o medo.
Não só os músculos e glândulas envolvidos na digestão são prejudicados pelo medo, mas também os músculos e glândulas de todo o corpo. Os seres humanos, devido aos seus sistemas nervosos mais organizados, são mais rápida e profundamente afetados pelas emoções do que os gatos ou outros animais, e os resultados são mais abrangentes.
Como outro exemplo dos efeitos do medo sobre a secreção, há o conhecido embranquecimento dos cabelos naqueles que ficaram profundamente chocados pelo medo ou por algum grande horror. Homens condenados à morte muitas vezes ficam com cabelos grisalhos em poucos dias [caso famoso: Maria Antonieta embranqueceu os cabelos na véspera de ser guilhotinada]. Essa perda de cor do cabelo se deve à suspensão da secreção de minúsculas glândulas na raiz do cabelo. O medo causa essa suspensão. O medo muitas vezes resulta numa descarga súbita e involuntária do conteúdo dos intestinos e da bexiga ("se cagou de medo"). A apreensão causa micção frequente e muitas vezes produz diarreia.
Há muitas coisas que as pessoas temem – a morte, o “além”, o “fim do mundo”, a pobreza, a escuridão e mil e uma coisas. Contudo, não faz diferença nos resultados do medo o que a pessoa teme.
A preocupação é um pequeno medo. Prejudica a secreção e excreção e deprime todas as funções do corpo. As secreções são alteradas e a nutrição prejudicada. Os venenos se acumulam no corpo. Nenhuma das funções do corpo é desempenhada adequadamente sob tal estado de espírito. O apetite fica prejudicado e a digestão fica enfraquecida.
O açúcar aparece frequentemente na urina durante estados emocionais, excitação nervosa ou após um choque profundo. Mesmo uma leve tensão nervosa, como a que acompanha a realização de um exame na escola ou na faculdade, pode causar o aparecimento de açúcar na urina. Também pode causar diarreia, micção frequente e perda de apetite.
O ciúme é uma curiosa combinação de medo, raiva e desejo de ter e manter. Não há dúvida de que é uma manifestação estritamente natural e normal, encontrada entre os animais inferiores. A pessoa ciumenta tem medo de perder, fica zangada com a ideia de perder e deseja ter e manter aquilo que teme estar prestes a ser perdido. A pessoa ciumenta geralmente sofre todos os tormentos do Inferno de Dante e muitas vezes causa o mesmo sofrimento aos outros.
A pessoa ciumenta desenvolve rapidamente um ódio intenso por aqueles que teme, e isto, somado ao medo, à raiva e à autopiedade já presentes, forma uma poderosa combinação de emoções destrutivas que prejudicam todas as forças e funções da vida. Muitas vezes baseia-se em coisas imaginárias ou numa visão unilateral da vida. Tende, quando não controlado pela razão e pela inteligência, a ampliar enormemente toda injustiça real ou imaginária. A inveja é verdadeiramente um fogo consumidor.
Sabemos que as emoções são frequentemente a causa dos distúrbios das glândulas endócrinas. A raiva está entre as emoções que têm maior efeito sobre essas glândulas.
O estado mental das criaturas solitárias é difícil de descrever, mas seus efeitos no corpo são facilmente aparentes. Elas não recuperam a saúde até que sejam educadas para superar a autopiedade. Elas não aproveitam a vida. Elas não apreciam seus alimentos. Tudo o que comem discorda delas. Seus intestinos nunca funcionam adequadamente. Elas nunca dormem bem. Elas são vítimas de introspecção constante. Estão continuamente descobrindo novos sintomas, novas dores, novas preocupações. Elas têm uma vida miserável, de fato. E sua miséria se deve ao fato de que sentem pena de si mesmas e desejam que os outros também sintam pena delas.
[continua]
Fonte consultada:
Herbert M. Shelton, Living Life to Live It Longer, Health Research Mokelumne Hill, California, 1962.
Marcadores: autopiedade, ciúme, emoção, felicidade, inveja, medo, preocupação, saúde
sábado, julho 29, 2023
O que é o ego?
O ego é exatamente o oposto do verdadeiro eu. O ego não é a pessoa. O ego é a decepção criada pela sociedade para que as pessoas possam continuar vivendo na fantasia e nunca se perguntarem a respeito da realidade. Se o homem não abandonar o ego, nunca vai chegar a conhecer a si mesmo.
Quando nascemos, temos nosso eu autêntico. Depois, a sociedade cria um falso eu: você é cristão, você é branco, você é alemão, faz parte da raça escolhida por Deus e deve governar o mundo e assim por diante. Ela cria uma falsa ideia de quem são as pessoas. Ela lhes dá um nome e, em torno do nome, cria ambições, condicionamentos.
E, pouco a pouco, uma vez que leva quase um terço da vida, a sociedade trabalha o ego dos indivíduos através da escola, da igreja, da faculdade... No momento em que volta da universidade para casa, você já esqueceu completamente seu ser inocente. Você agora é um grande ego com uma medalha de ouro, é da primeira classe, está no topo da universidade. Agora está pronto par ir para o mundo.
Esse ego tem todos os desejos, ambições e vontades para estar sempre no topo de tudo. O homem é explorado por esse ego. E isso nunca lhe permite nem mesmo um vislumbre de seu eu autêntico, real, e sua vida está lá, em sua autenticidade. Portanto, esse ego produz apenas infelicidade, sofrimento, luta, frustação, loucura, suicídio, assassinato, todos os tipos de crime.
A pessoa que busca a verdade tem de começar exatamente a partir desse ponto: descartar tudo o que lhe foi dito pela sociedade em relação a quem ela é. Com certeza, ela não é nada disso, pois ninguém pode saber quem o outro é, exceto ele próprio. Nem os pais, nem os professores, nem os padres. A não ser você mesmo, ninguém sabe nada sobre você, e o que quer que tenham dito a seu respeito está errado.
Coloque isso de lado. Desmantele todo o ego! Ao destruir o ego você vai descobrir seu ser. E essa descoberta é a maior possível, porque dá início a uma peregrinação totalmente nova em direção à felicidade suprema, rumo à vida eterna.
É possível optar pela frustação, pelo sofrimento, pela infelicidade e, então, continuar a alimentar o ego. Ou pode escolher a paz, o silêncio, a felicidade, mas, nesse caso, é preciso recuperar a inocência.
Fonte: Osho, O livro do ego: Liberte-se da ilusão, Editora BestSeller, Rio de Janeiro, 2022. ISBN: 978-85-7684-710-6.
Marcadores: ego, eu, felicidade, infelicidade, socieade, sofrimento
domingo, abril 23, 2023
VITAL FROSI - OS REAIS VALORES DA VIDA - 22/04/2023
Marcadores: audio, dinheiro, felicidade, preço, valores, Vital Frosi
terça-feira, outubro 05, 2021
Mensagem de Mãe Maria - 05.10.2021
Que as bênçãos do amor tragam paz aos vossos corpos, mentes e corações.
Marcadores: envelhecimento, evolução, felicidade, liberdade, Mãe Maria, passado, paz, presente, sabedoria, tempo
quarta-feira, agosto 01, 2018
Mistério da Vida
Marcadores: C., dinheiro, felicidade, missão, vida
terça-feira, março 01, 2011
A Ambição
O Real ou o Simbólico?
Por exemplo: a sociedade lhe diz para você ser ambicioso, ajuda-o a se tornar ambicioso. Ambição significa viver na esperança, viver no amanhã, significa que o hoje precisa ser sacrificado pelo amanhã.
Porém, o hoje é tudo o que sempre existe, o agora é o único tempo em que você sempre está, o único tempo em que você sempre estará. Se você deseja viver, é agora ou nunca!
Mas a nossa sociedade o torna ambicioso. Desde a infância, quando você vai à escola e a ambição é colocada em você, você fica para sempre envenenado: enriqueça, seja poderoso, seja alguém. Ninguém lhe diz que você já tem a capacidade total para ser feliz; todos dizem que você pode ter a capacidade de ser feliz somente se satisfizer certas condições, como ter muito dinheiro, uma casa grande, um carrão, isso e aquilo, e somente então você poderá ser feliz.
A felicidade nada tem a ver com essas coisas; ela não é uma conquista, mas a sua própria natureza. Os animais estão felizes sem nenhum dinheiro, e não são Rockefellers. E nenhum Rockefeller é tão feliz como um veado ou um cachorro. Os animais não têm poder político, não são primeiros-ministros e presidentes, mas são felizes. As árvores são felizes; se não fosse assim, elas teriam deixado de florescer. Elas ainda florescem, a primavera ainda vem, e elas ainda dançam, ainda cantam, ainda despejam seu ser aos pés do divino. A prece delas é contínua, a veneração delas está sempre acontecendo, mas elas não vão a nenhuma igreja, pois não há necessidade disso. Deus vem a elas. No vento, na chuva, no sol, Deus vem a elas.
Somente o ser humano não é feliz, pois ele vive na ambição, e não na realidade. A ambição é um truque, um truque para distrair a nossa mente. Com isso, a vida simbólica substitui a vida real.
Observe isso na vida. A mãe não pode amar o filho tanto quanto ele deseja que ela o ame, pois a mãe vive na cabeça. Sua vida não foi gratificante, sua vida amorosa foi um desastre, ela não foi capaz de florescer; viveu na ambição e tentou controlar o seu homem, possuí-lo; tem sido ciumenta e não uma mulher amorosa. Se ela não tem sido uma mulher amorosa, como repentinamente ela poderá ser amorosa com o filho?
Eu estava lendo um livro de R.D. Laing, The facts of life (Os fatos da vida), que ele me enviou. No livro ele se refere a um experimento no qual um psicanalista perguntou a muitas mães: "Quando seu filho estava para nascer, você estava realmente em um espírito de boas-vindas, estava pronta para aceitar a criança?" Ele fez um questionário: "A gravidez foi acidental ou você a desejou?" Noventa e nove por cento das mulheres responderam: "Foi acidental, não a desejávamos". Depois: "Quando a gravidez aconteceu, você estava hesitante? Você queria a criança ou queria abortar? Você tinha clareza a esse respeito?" Muitas delas disseram que hesitaram por semanas, avaliando se faziam um aborto ou se tinham a criança. Então a criança nasceu... elas não puderam decidir. Talvez houvesse outras considerações, como uma consideração religiosa, pois o aborto poderia ser um pecado, poderia levá-las ao inferno. Elas podiam ser católicas, e a idéia de que o aborto é assassinato as impediu de fazê-lo. Ou poderia haver considerações sociais, ou o marido queria a criança, ou quiseram a criança como uma continuidade de seus egos, mas a criança não era desejada. Raramente houve uma mãe que dissesse: "Sim, a criança foi muito bem-vinda. Eu estava esperando por ela e estava feliz".
Ora, uma criança nasce sem ser bem-vinda, e desde o começo a mãe estava em dúvida se a teria ou não... Isso deve trazer consequências, a criança deve sentir essas tensões. Quando a mãe pensava no aborto, a criança deve ter ficado magoada, pois ela já é parte do corpo da mãe, e toda vibração atingirá a criança. Ou, quando a mãe pensa e hesita e está para decidir o que fazer e o que não fazer, a criança também sentirá um tremor, um chacoalho, pois está entre a vida e a morte. Então de algum jeito a criança nasce, e a mãe pensa que foi apenas acidental; eles tentaram o controle da natalidade, tentaram isso e aquilo, mas tudo fracassou e a criança está ali, e eles têm de tolerar.
Essa tolerância não é amor. A criança sente falta do amor desde o início, e a mãe também se sente culpada, pois não está dando tanto amor como seria o natural. Então ela começa a substituir, forçando a criança a comer demais; ela não pode preencher a alma da criança com amor e tenta empanturrar o corpo dela com comida. Trata-se de um substituto, e você pode observar: as mães são muito obsessivas. A criança diz: "Não estou com fome", e a mãe insiste em forçar. Ela não dá ouvidos à criança, não a escuta e substitui: não pode dar amor, então dá comida. A criança cresce, e a mãe não pode amar, então lhe dá dinheiro. O dinheiro se torna um substituto do amor.
E a criança também acaba aprendendo que o dinheiro é mais importante do que o amor. Se ela não tiver amor, não há com o que se preocupar, mas precisa ter dinheiro. Na vida, ela será gananciosa, correrá atrás de dinheiro como uma maníaca. Ela não se importará com o amor e dirá: "O mais importante primeiro. Primeiro eu preciso ter uma boa conta bancária, preciso ter esse tanto de dinheiro, e somente então eu posso me dar ao luxo de amar".
Ora, o amor não precisa de dinheiro; você pode amar como você é. E, se você acha que o amor precisa de dinheiro e você corre atrás dele, um dia poderá ter dinheiro e, de repente, se sentirá vazio, porque todos os seus anos foram desperdiçados acumulando dinheiro. E eles não foram apenas desperdiçados; todos esses anos foram anos de desamor; portanto, você praticou o desamor. Agora você tem dinheiro, mas não sabe mais amar, esqueceu-se da própria linguagem do sentimento, da linguagem do amor, da linguagem do êxtase.
Sim, o homem pode comprar uma bela mulher, a mulher pode comprar um belo homem, mas isso não é amor. Você pode comprar a mulher mais bela do mundo, mas isso não é amor. E ela se aproximará de você não porque o ama, mas por causa de sua conta bancária.
O dinheiro é um símbolo; o poder, o poder político, é um símbolo; a respeitabilidade é um símbolo. Essas não são realidades, mas projeções humanas; não são coisas objetivas, não têm nenhuma objetividade. Essas coisas não existem e são apenas sonhos projetados por uma mente infeliz.
Se você deseja ficar extasiado, você terá de abandonar o simbólico. Livrar-se do simbólico é livrar-se da sociedade, livrar-se do simbólico é tornar-se um indivíduo. Ao livrar-se do simbólico você tomou coragem de entrar no real, e somente o real é real; o simbólico não é real.
Fonte: Osho, Alegria: A Felicidade que Vem de Dentro, Editora Cultrix, 2006. ISBN 978-85-316-0887-2.
Marcadores: ambição, amor, felicidade, Osho, realidade, simbólico, sociedade, subjetividade
Os Pilares da Saúde
Veja o que Ryuho Okawa [1] tem a dizer a respeito disso.
Na maioria das vezes, as pessoas ficam doentes por estarem cometendo exageros (excessos), ou então porque de algum modo se descuidaram. Da mesma maneira, muitos se machucam por falta de atenção ao que estão fazendo. Aqueles que se concentram em demasia no aspecto espiritual às vezes tendem a se preocupar muito pouco com o corpo. No entanto, sem um corpo saudável, fica difícil viver com um sentimento constante de felicidade.
É preciso a conscientização de que o espírito e o corpo estão intimamente interligados. No outro mundo (o espiritual), somente o espírito existe, mas, neste em que estamos agora (o físico), o corpo e o espírito influenciam-se mutuamente. Assim, se a mente, que é o nosso coração espiritual, estiver doente, o corpo também adoecerá e, quando o corpo está doente, o estado da mente também piora.
Atualmente, está aumentando o número de pessoas que morrem de câncer, e a realidade é que, em quase todos os casos, as causas são estresse (stress) espiritual, ansiedade e angústia.
A mente, que é o nosso coração espiritual, é capaz de materializar as coisas por meio dos nossos pensamentos; por esse motivo, o estado mental afeta instantaneamente o nosso corpo, causando alterações no estado físico. Se o espírito, que se expressa através da mente, ficar doente, o corpo também ficará.
Não estou querendo dizer, de maneira nenhuma, que "pessoas más ficam com câncer". O problema é que, numa sociedade estressante como a nossa, é muito difícil controlar a mente, e sem perceber acabamos nos sentindo continuamente pressionados. Em muitos casos, essa pressão (estresse), a exaustão espiritual, o medo, as preocupações desnecessárias a respeito do futuro e as dúvidas em geral, fazem com que surjam as doenças.
Se a condição espiritual se deteriora, o corpo começa a refletir isso. Há muitos casos de pessoas que ficam doentes porque a empresa em que trabalhavam faliu ou porque estão muito endividadas. Nessas circunstâncias, o estado mental das pessoas é afetado muito antes do corpo.
Do mesmo modo, quando o corpo fica doente, o coração espiritual gradualmente se deteriora, resultando em mais e mais descontentamento e queixas. Por isso, às vezes a pessoa acaba dirigindo palavras ásperas aos outros, descarregando a raiva em cima deles, gerando um ambiente desarmônico ao seu redor. Em resumo, se o corpo está doente, a mente, nosso coração espiritual, também está.
É por esse motivo que precisamos tomar consciência de que, tal como é ensinado no budismo, "neste mundo, o corpo e o espírito estão unidos, não podem ser separados e influenciam-se mutuamente". Portanto, é extremamente importante cuidarmos do corpo.
Uma alimentação adequada, a dose certa de exercícios físicos e um descanso apropriado (com a consequente redução do estresse) são os segredos (os três pilares) da saúde. É necessário estar sempre atento à alimentação, praticar exercícios físicos regularmente e dormir o suficiente. A nutrição, os exercícios e o descanso formam uma base muito importante cujo equilíbrio deve ser mantido para proporcionar um estilo de vida saudável. É simples assim! Se a condição física estiver ruim, significa que houve desequilíbrio entre esses três fatores. Portanto, é preciso tomar consciência disso e esforçar-se para manter o equilíbrio.
Referência:
[1] Ryuho Okawa, Curando a Si Mesmo: A Verdadeira Relação entre o Corpo e o Espírito, Editora Cultrix, 2010. ISBN 978-85-316-1102-5.
Marcadores: coração, corpo, espírito, estresse, felicidade, mente, Ryuho Okawa, saúde
sábado, fevereiro 05, 2011
Troque sua Infelicidade pela Felicidade
"O pior cego é aquele que não quer ver", ditado popular
Resposta: A infelicidade tem muitas coisas a lhe dar, as quais a felicidade não pode dar. Na verdade, a felicidade tira muitas coisas de você, ela tira tudo o que você já teve, tudo o que você já foi; a felicidade o destrói. A infelicidade alimenta o seu ego, e a felicidade é basicamente um estado de ausência de ego. Esse é o problema, o ponto crucial do problema. É por isso que as pessoas acham difícil ser felizes, é por isso que milhões de pessoas no mundo precisam viver infelizes... decidiram viver infelizes. Isso lhe dá um ego muito cristalizado, fortalecido. Quando infeliz, você existe, feliz, você não existe. Na infelicidade há cristalização; na felicidade você fica difuso.
Se isso for entendido, então as coisas ficam muito claras. A felicidade o torna alguém especial; a felicidade é um fenômeno universal, não há nada de especial nela. As árvores são felizes, os animais são felizes, os pássaros são felizes, toda a existência é feliz, exceto o ser humano. Ao ser infeliz, o ser humano se torna algo muito especial, extraordinário.
A infelicidade o torna capaz de atrair a atenção das outras pessoas. Sempre que você está infeliz, você recebe atenção, simpatia, amor. Todos começam a cuidar de você. Quem deseja magoar uma pessoa infeliz? Quem tem inveja de uma pessoa infeliz? Quem deseja se opor a uma pessoa infeliz? Isso seria muito maldoso.
A pessoa infeliz é protegida, amada, amparada. Há um grande investimento na infelicidade. Se a esposa não for infeliz, o marido tende a simplesmente ignorá-la. Se ela é infeliz, o marido não pode se dar ao luxo de negligenciá-la. Se o marido é infeliz, toda a família, a esposa, os filhos, todos ficam à sua volta, preocupados com ele; isso dá um grande conforto. A pessoa infeliz sente que não está só, que tem família, amigos.
Quando você está doente, deprimido, infeliz, os amigos vêm visitá-lo, confortá-lo, consolá-lo. Quando você está feliz, os mesmos amigos ficam com inveja de você. Quando você está realmente feliz, você percebe que o mundo inteiro se voltou contra você.
Ninguém gosta de uma pessoa feliz, pois ela machuca o ego dos outros. Os outros começam a sentir: "Você ficou feliz e nós ainda estamos nos arrastando na escuridão, na infelicidade, no inferno. Como você ousa ser feliz quando todos estão em tamanha aflição?!".
O mundo inteiro é constituído de pessoas infelizes, e ninguém é corajoso o suficiente para deixar o mundo inteiro contra si; isso é muito perigoso, muito arriscado. É melhor se apegar à infelicidade, pois ela o mantém como parte não destoante da multidão. Feliz, você é um indivíduo; infeliz, você é parte da multidão, seja ela hindu, muçulmana, cristã, indiana, árabe, japonesa...
Feliz? Você sabe o que é felicidade? Ela é hindu, cristã, muçulmana? Felicidade é simplesmente felicidade. A pessoa é transportada para um outro mundo, não é mais parte deste mundo que a mente humana criou, não é mais parte do passado, da feia história, deixa de ser parte do tempo. Quando você está realmente feliz e pleno, o tempo e o espaço desaparecem.
Albert Einstein disse que no passado os cientistas costumavam achar que havia duas realidades: espaço e tempo. Mas ele afirmou que essas duas realidades não são duas, e sim as duas faces da mesma realidade. Daí ele ter cunhado a palavra espaço-tempo; uma única palavra. O tempo nãda mais é do que a quarta dimensão do espaço. Einstein não era um místico; do contrário ele teria introduzido também a terceira realidade: o transcendental, nem espaço nem tempo. Essa também existe, e eu a chamo de testemunho. E uma vez que essas três estejam presentes, você tem toda a trindade, tem o conceito de trimurti, as três faces de Deus. Então você tem todas as quatro dimensões; a realidade tem quatro dimensões: três dimensões do espaço e a quarta dimensão do tempo.
Mas há uma coisa a mais, a qual não pode ser chamada de quinta dimensão, pois não é a quinta realidade; ela é o todo, o transcendental. Quando você está extasiado, você começa a penatrar no transcendental. Ele não é social, não é tradicional e nada tem a ver com a mente humana.
Sua pergunta é significativa: "O que é esse apego à infelicidade?"
Existem razões. Investigue a sua infelicidade, observe e você será capaz de descobrir quais são as razões. E investigue esses momentos em que, de vez em quando, você se permite a satisfação de estar alegre; então perceba quais são as diferenças.
Você notará algumas coisas: quando você está infeliz, é um conformista. A sociedade adora isso, as pessoas o reverenciam, você tem grande respeitabilidade, pode até mesmo se tornar um santo; daí seus santos serem todos infelizes, a aflição está claramente escrita em sua face, em seus olhos. Por eles serem infelizes, eles são contra toda a alegria, condenam toda a alegria como hedonismo, condenam cada possibilidade de alegria como um pecado. Eles são infelizes e gostariam de ver todo mundo infeliz. Na verdade, apenas em um mundo infeliz eles podem ser considerados santos! Em um mundo feliz eles teriam de ser hospitalizados, de ser tratados mentalmente. Eles são patológicos.
Vi muitos santos e investiguei a vida dos santos do passado. Noventa e nove por cento deles são simplesmente anormais: neuróticos ou mesmo psicóticos. Mas eles são respeitados, e são respeitados por sua infelicidade, lembre-se. Quanto mais infelicidades eles passam, mais são respeitados. Houve santos que espancavam seus corpos com um chicote todos os dias, e pessoas se juntavam para ver essa grande austeridade, esse ascetismo, essa penitência. O maior deles era aquele que tinha feridas por todo o corpo, e essas pessoas eram consideradas santas! Houve santos que destruíram seus olhos, pois é por meio dos olhos que a pessoa fica ciente da beleza, e surge a sexualidade. E eles eram respeitados por terem destruído seus olhos. Foi-lhes dado olhos para ver a beleza da existência, mas eles decidiram ficar cegos. Houve santos que cortaram seus órgãos genitais e foram muito respeitados, imensamente respeitados, pela simples razão de terem sido autodestrutivos, violentos consigo mesmos. Essas pessoas eram psicologicamente doentes.
Investigue a sua infelicidade e descobrirá certos elementos fundamentais. Ela lhe dá respeito, as pessoas se sentem mais amigáveis em relação a você, mais solidárias, você terá mais amigos se for infeliz. Este é um mundo muito estranho, algo está fundamentalmente errado com ele. Isso não deveria ser assim; a pessoa feliz deveria ter mais amigos, mas seja você feliz e as pessoas ficam com inveja de você, deixam de ser amigáveis. Elas se sentem trapaceadas, você tem algo que não está disponível a elas. Por que você é feliz? Assim, através dos tempos aprendemos um mecanismo sutil de reprimir a felicidade e de expressar a infelicidade. Isso se tornou nossa segunda natureza.
Você precisa abandonar todo esse mecanismo. Aprenda a ser feliz, aprenda a respeitar as pessoas felizes e a lhes prestar mais atenção. Esse será um grande serviço à humanidade. Não seja muito solidário com as pessoas infelizes. Se alguém for infeliz, ajude, mas não se compadeça, não lhe dê a idéia de que a infelicidade é algo de valor. Deixe que ele saiba perfeitamente bem que você o está ajudando, mas "Faço isso não porque o respeito, mas simplesmente porque você está infeliz". E você não está fazendo nada, exceto tentando trazer a pessoa para fora de seu infelicidade, pois a infelicidade é feia. Deixe que a pessoa sinta que a infelicidade é feia, que ser infeliz não é algo virtuoso, que ela não está fazendo um grande serviço à humanidade dessa forma.
Seja feliz, respeite a felicidade e ajude as pessoas a entender que a felicidade é o objetivo da vida. Sempre que você perceber uma pessoa bem-aventurada, respeita-a; ela é sagrada. E sempre que você sentir uma reunião feliz e festiva de pessoas, considere aquele lugar sagrado.
Temos de aprender uma linguagem totalmente nova, e somente então esta velha e enferrujada humanidade poderá mudar. Precisamos aprender a linguagem da saúde, da inteireza, da felicidade. Isso será difícil, pois nossos investimentos no oposto são grandes.
Essa é uma das questões mais fundamentais que uma pessoa pode formular. Ela também é estranha, pois deveria ser fácil abandonar o sofrimento, a angústia, a infelicidade. Não deveria ser difícil: você não quer ser infeliz, então deve haver alguma profunda complicação por trás disso. A complicação é que desde a sua infância não lhe permitiram ser feliz, ser bem-aventurado, ser alegre.
Você foi forçado a ser sério, e a seriedade implica em tristeza. Você foi forçado a fazer coisas que nunca quis fazer, mas era impotente, fraco, dependente das pessoas; naturalmente você precisou fazer o que elas diziam. Você fez aquelas coisas contra a sua vontade, de uma maneira infeliz e com profunda resistência. Contra si mesmo, você foi forçado a fazer tantas coisas que, aos poucos, algo ficou claro a você: tudo o que for contra você está certo, e tudo o que não for contra você fatalmente está errado. E toda essa educação constantemente o preencheu com tristeza, o que não é algo natural.
Ser alegre é natural, assim como ser saudável é natural. Quando você está saudável, você não vai ao médico perguntar: "Por que estou saudável?" Não há necessidade de fazer nunhuma pergunta sobre a sua saúde. Mas, quando você está doente, imediatamente pergunta: "por que estou doente? Qual é a razão, a causa da minha enfermidade?", já que isso não é natural.
Está perfeitamente certo perguntar pelo motivo de você estar infeliz, mas não está certo perguntar por que você está profundamente feliz. Você cresceu em uma sociedade insana, onde ser profundamente feliz sem razão é algo considerado loucura. Se você estiver simplesmente sorrindo sem nenhuma razão, as pessoas acharão que há um parafuso solto em sua cabeça: "Por que você está sorrindo, por que está parecendo tão feliz?" E, se você disser a verdade: "Não sei, estou simplesmente feliz", essa sua resposta irá apenas reforçar a idéia delas de que algo está muito errado com você.
Mas, se você estiver infeliz, ninguém lhe perguntará por que você está infeliz. Estar infeliz é natural na nossa sociedade, todos estão; não é nada especial de sua parte, você não está fazendo algo singular.
Inconscietemente essa idéia vai se assentando em você, que a infelicidade é natural e que a sensação de plenitude não é natural. A plenitude precisa ser provada; a infelicidade não precisa de prova. Lentamente essa idéia penetra mais fundo em você, em seu sangue, em seus ossos, em sua medula, embora naturalmente ela seja contra você. Assim, você foi forçado a ser esquizofrênico, algo contra a sua natureza foi forçado sobre você. Você foi desviado de si mesmo para algo que você não é.
Isso cria toda a infelicidade da humanidade: todos estão onde não deveriam estar, todos são o que não deveriam ser. E por não poder estar onde você precisa estar, onde é seu direito inato de estar, a pessoa fica infeliz. E ao estar nesse estado de se afastar cada vez mais de si mesmo, você se esquece do caminho de volta para casa. Assim, onde você está agora você considera como sendo o seu lar; a infelicidade se tornou o seu lar, a angústia se tornou a sua natureza. O sofrimento foi aceito como saúde, e não como doença.
E quando alguém diz: "Abandone essa vida miserável, abandone esse sofrimento que você está carregando desnecessariamente", surge uma questão muito significativa: "Isso é tudo o que temos! Se abandonarmos essa vida atual, perderemos nossa identidade. Pelo menos agora eu sou alguém, alguém infeliz, alguém triste, alguém em sofrimento. Se eu abandonar tudo isso, ficarei sem saber qual é a minha identidade. Quem sou eu? Não sei o caminho de volta para casa, e você tirou a hipocrisia, o falso lar criado pela sociedade".
Ninguém quer ficar despido no meio da rua; é melhor ser infeliz, pelo menos você tem algo para usar, embora seja o tormento... mas não tem problema, todos os outros estão usando o mesmo tipo de roupa. Para os que podem custear, sua infelicidade é cara; e aqueles que não podem custeá-la são duplamente infelizes: eles precisam viver em um tipo pobre de infelicidade, sem muito do que se gabar.
Dessa maneira, há os infelizes ricos e os infelizes pobres. E os infelizes pobres estão dando tudo de si para de alguma maneira chegar ao status de infelizes ricos. Esses são os únicos tipos disponíveis na nossa sociedade.
O terceiro tipo foi completamente esquecido. O terceiro é a sua realidade verdadeira, e ela não tem infelicidade em si.
Você me pergunta por que o ser humano não pode abandonar sua infelicidade. Isso acontece pela simples razão de que ela é tudo o que ele tem. Você quer torná-lo ainda mais pobre? Ele já é pobre. Há o rico infeliz; ele tem um infelicidade pequena e minúscula da qual não pode se gabar, e você está lhe pedindo para abandonar até mesmo isso. Então ele será um ninguém, será vazio, um nada.
E todas as culturas, todas as sociedades, todas as religiões cometeram um crime contra a humanidade: elas criaram em todos um medo do nada, do vazio.
A verdade é que o nada é a porta da riqueza verdadeira, é a porta da plenitude, e a porta precisa ser um nada. A parede existe, mas não se pode entrar nela; você simplesmente bateria a cabeça e poderia ter algumas costelas fraturadas. Por que você não pode entrar na parede? Porque ela não tem o vazio, é sólida; ela objeta. É por isso que chamamos as coisas de "objetos": eles objetam, não permitem que você passe através deles, impedem-no.
Uma porta precisa ser não-objetiva, precisa ser vazia. Uma porta significa que não há nada para impedi-lo, você pode entrar.
E por termos sido condicionados de que o vazio é algo ruim, que o nada é algo ruim, pelo condicionamento fomos impedidos de abandonar a infelicidade, de abandonar a angústia, de abandonar todo o sofrimento e apenas ser um nada.
No momento em que você for um nada, você se tornará a porta, uma porta para o divino, para si mesmo, que leva a seu lar, que o conecta novamente com a sua natureza intrínseca. A natureza intrínseca do ser humano é o estado de plenitude.
O estado de plenitude não é algo a ser alcançado. Ele já está presente, nós nascemos nele e não o perdemos, apenas nos distanciamos dele, mantendo nossas costas para nós mesmos.
Ele está exatamente atrás de nós; uma pequena virada sua e uma grande revolução...
E, no que se refere a mim, essa não é uma questão teórica. Eu aceitei o nada como uma porta, à qual eu chamo de meditação, que nada mais é do que um outro nome para o nada. E, no momento em que o nada acontece, subitamente você fica de cara consigo mesmo e toda a infelicidade desaparece.
A primeira coisa que você faz é simplesmente rir de si mesmo, que idiota você tem sido... Essa infelicidade nunca existiu; você a estava criando com uma mão e estava tentando destruí-la com a outra e, naturalmente, você estava dividido, em uma condição esquizofrênica.
Isso é absolutamente fácil e simples: a coisa mais simples na existência é ser você mesmo. Não há necessidade de esforço; o esforço atrapalha; você já o é.
Apenas uma lembrança... apenas se livre de todas as idéias estúpidas que a sociedade lhe impôs. E isso é tão simples quanto uma cobra escorregar para fora de sua velha pele e nem mesmo olhar para trás. Trata-se apenas de uma pele velha.
Se você entender isso, isso pode acontecer neste exato momento, pois neste exato momento você pode perceber que não existe nenhuma infelicidade, nenhuma angústia.
Você está em silêncio diante da porta do nada; apenas mais um passo para dentro e você encontra o maior tesouro, o qual está esperando por você há milhares de vidas.
Fonte: Osho, Alegria: A Felicidade que Vem de Dentro, Editora Cultrix, 2006. ISBN 978-85-316-0887-2.
Marcadores: alegria, ego, felicidade, hedonismo, infelicidade, Osho, santos
sábado, janeiro 15, 2011
No Centro e Na Periferia
O atual culto ao corpo não tem sentido. As pessoas procuram comida saudável, massagens, rolfing e mil e uma coisas que possam dar algum significado à vida. Mas olhe nos olhos das pessoas: há um grande vazio nelas. Dá para ver que elas não percebem esse significado. Não existe qualquer fragrância ali, a flor ainda não floresceu. Lá no fundo são como um deserto: estão perdidas, sem saber o que fazer. Não param de fazer coisas para o corpo, mas isso não está surtindo o efeito desejado.
Se falta o centro, então pode-se continuar decorando a periferia. Isso pode enganar aos outros, mas você não pode satisfazer a si mesmo. Pode até se enganar de vez em quando, porque nossas próprias mentiras, quando repetidas muitas vezes, começam a parecer verdades. Mas você não pode se satisfazer, não pode obter o contentamento. O homem moderno está tentando de tudo para aproveitar a vida, mas parece não haver qualquer alegria envolvida. Lembre-se: sempre que você estiver tentando aproveitar a vida, na verdade você a deixará escapar. Quando você estiver tentando alcançar a felicidade, você a deixará passar. Fazer esforço para atingir a felicidade é um absurdo, porque a felicidade já está aqui e nada pode ser "feito" para atingi-la. Não há nada a fazer, apenas permitir que ela aconteça. Ela já está acontecendo, está à sua volta, dentro, fora, só a felicidade existe. Nada mais é real. Observe, olhe atentamente este mundo, as árvores, os pássaros, as rochas, os rios, as estrelas, a Lua e o Sol, as pessoas, os animais - olhe com atenção: a existência é feita da essência da felicidade, da alegria. Ela é feita de êxtase. Não há nada a fazer quanto a isso. Seu próprio esforço de fazer pode ser uma barreira para alcançá-la. Relaxe e ela o preencherá; relaxe e a felicidade correrá ao seu encontro; relaxe e ela transbordará de você.
O homem moderno está empenhado nessa busca, tentando conseguir algo da vida, tentando agarrá-la. Isso não vai funcionar, porque o caminho não é esse. Você não pode agarrar a vida, você tem de se render a ela. Você não pode conquistar a vida. Você tem de ser corajoso a ponto de ser derrotado por ela. A derrota é uma vitória nesse caso, e o esforço para ser vitorioso, no final será apenas sua derrocada final e absoluta.
A vida não pode ser conquistada, porque a parte não pode conquistar o todo. É como se uma pequena gota de água quisesse conquistar o oceano. Sim, a gota de água pode cair no oceano e se tornar o oceano, mas não pode conquistá-lo. Na verdade, se quiser conquistá-lo, ela terá de mergulhar dentro dele, escorregar para dentro dele.
O homem moderno está tentando encontrar a felicidade, por isso se preocupa tanto com o corpo. É quase uma obsessão. Ele está fazendo um grande esforço para estabelecer algum contato com a felicidade por meio do corpo, mas isso não é possível.
A mente moderna é muito competitiva (deveríamos ser cooperativos, colaborativos e não competitivos). Não é necessário ser, de fato, apaixonado pelo corpo - isso pode ser apenas uma competição com as outras pessoas. Como os outros estão fazendo coisas, você também tem de fazer... A mente contemporânea é a mais fútil e ambiciosa que já existiu neste mundo. É muito básica e mundana. É por isso que o homem de negócios é tão onipresente. Todo o resto passou para o segundo plano, enquanto o homem de negócios, o homem que controla o dinheiro, é a realidade mais presente - os buscadores de Deus. Na Europa, os aristocratas eram a realidade mais presente - cultos, estudados, alertas, em sintonia com os sutis matizes da vida: música, arte, poesia, escultura, arquitetura, danças clássicas, línguas, o grego e o latim. O aristocrata, que tinha sido condicionado, durante séculos, pelos valores mais elevados da vida, era a realidade mais presente na Europa. Na Rússia soviética, o proletariado, os tiranizados, os oprimidos, os operários eram a realidade mais presente. No Ocidente, hoje, é o homem de negócios, aquele que controla o dinheiro.
O dinheiro é o mais competitivo dos reinos. Não é preciso ter cultura, só dinheiro. Não é preciso saber nada sobre música e poesia. Não é preciso saber nada sobre literatura, história, religião e filosofia antigas. Se tiver uma conta bancária bem grande, você é importante. Você pode comprar um Van Gogh ou um Picasso, não pelo fato de ser um Picasso, mas porque os vizinhos também compraram. Eles têm um quadro de Picasso na sala de estar: como suportar não ter um também? Talvez você nada saiba sobre arte - pode nem mesmo saber como pendurá-lo, qual é o lado certo. Pode nem ter idéia se é um Picasso autêntico. Talvez nem olhe para ele, mas, como os outros têm um e estão falando sobre Picasso, é preciso mostrar a sua cultura. O dinheiro e os vizinhos parecem ser o único critério para decidir qualquer coisa: o carro, a casa, os quadros, a decoração. As pessoas não têm uma sauna no banheiro de casa porque amam o próprio corpo, mas porque está na moda - todo mundo tem. Quem não tiver vai parecer pobre. Se alguém tem uma casa nas montanhas, é preciso ter uma também. Talvez você nem saiba o que vai fazer nas montanhas ou ache aquilo um tédio. Ou vai levar a TV para lá e assistir aos mesmos programas que você vê em sua casa. Que diferença faz o lugar onde você está sentado?
Já observou uma criança correndo, gritando, dançando sem qualquer razão em especial - sem causa? Se perguntar por que ela está tão feliz, ela não será capaz de responder. Será que é preciso ter uma causa para ser feliz? Ela ficará chocada com a sua pergunta. Dará de ombros e seguirá seu caminho, continuando a cantar e a dançar. A criança não tem nada. Não é o primeiro-ministro ou o presidente da República. Ela não possui nada - talvez algumas conchas ou pedrinhas que tenha pego na praia, isso é tudo.
A vida do homem moderno acaba quando a vida acaba. Quando o corpo chega ao fim, a pessoa também chega. Por isso as pessoas têm muito medo da morte. Por causa do medo da morte, o homem moderno está tentando de todas as maneiras prolongar a vida, às vezes por períodos absurdos. Existem pessoas que estão vegetando nos hospitais, nos asilos. Não estão vivendo: estão mortas há muito tempo. A vida está sendo mantida pelos médicos, pelos remédios, pelos equipamentos modernos. De alguma forma, estão apenas adiando a morte.
O medo da morte é imenso. Depois de partir, você irá embora para sempre e nada mais restará - porque o homem moderno só conhece o corpo, e nada mais. Se só conhece o corpo, você vai ser muito pobre. Primeiro, sempre terá medo da morte - então como vai gostar realmente da vida? O medo estará sempre presente. É a vida que traz a morte e você não consegue vivê-la plenamente. Se a morte acaba com tudo, se essa é a sua compreensão e modo de pensar, sua vida será de correria e de eterna busca. Como a morte está sempre chegando, você não pode ter paciência. Daí a mania de velocidade - tudo tem de ser feito depressa, porque a morte está se aproximando: procure fazer o máximo possível. Procure sobrecarregar seu ser com a maior quantidade possível de experiências antes de morrer porque, depois, acabou.
Isso não tem sentido e, evidentemente, causa angústia e ansiedade. Se, depois da morte do corpo, não restar mais nada, nada do que você fizer pode ser muito profundo. Nada que você fizer o satisfará. Se a morte é o fim e depois não restar mais nada, a vida não pode ter sentido ou significado. Será uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, sem significado.
O ser humano consciente sabe que está no corpo, mas não é o corpo. Ele ama o corpo, pois é o seu abrigo, sua casa, seu lar. Ele não é contra o corpo porque seria tolice ficar contra a própria casa, mas também não é materialista. É realista, mas não materialista. Ele sabe que, na morte, nada morre de fato. A morte vem, mas a vida continua. Sua vida é imortal.
Camus escreveu que o único problema metafísico real do ser humano é o suicídio. Concordo. Se o corpo é a única realidade, e não existe dentro de você nada que vá além dele, então essa é a coisa mais importante a se considerar. Por que não cometer suicídio? Por que esperar até os 90 anos? E por que sofrer com tantos problemas e infortúnios nesse meio-tempo? Se a morte é certa, por que não morrer hoje? Por que acordar outra vez amanhã de manhã? Isso parece ser em vão.
O homem moderno está constantemente correndo de um lado para outro para conseguir, de algum jeito, agarrar todas as experiências possíveis. Corre o mundo, vai de cidade em cidade, de país em país, de hotel em hotel. Nessa busca, ele corre de guru em guru, de igreja em igreja, porque a morte está chegando. Ao mesmo tempo em que há uma louca perseguição que nunca se acaba, há também a profunda preocupação de que tudo seja inútil - porque a morte irá acabar com tudo. Se a pessoa tiver vivido em ostentação ou na pobreza, se foi inteligente ou não, se foi um grande amante ou deixou de ser, que diferença faz? A morte por fim chega e nivela a todos - o sábio e o tolo, os prudentes e os pecadores, os iluminados e os estúpidos, todos vão para baixo da terra e desaparecem para sempre. Então, para que tudo isso? Que diferença faz ser alguém como Buda, como Jesus ou como Judas? Jesus morreu na cruz, Judas se matou no dia seguinte: ambos desapareceram embaixo da terra.
Por outro lado, há sempre o medo de que você possa deixar escapar algo que os outros conquistaram; há a profunda preocupação de que, mesmo que você consiga algo, nada seja obtido. Mesmo se chegar, não chegará a lugar algum, pois a morte vem e acaba com tudo.
O homem consciente vive no corpo, ama o corpo, celebra-o, mas sabe que não é o corpo. Sabe que existe algo nele que sobreviverá a todas as mortes. Sabe que existe algo nele que é eterno e que o tempo não pode destruir. Passa a sentir isso por meio da meditação, do amor, da prece. Passa a sentir isso no interior do seu próprio ser. Não tem medo da morte porque sabe o que é a vida. Não corre atrás da felicidade porque sabe que Deus está enviando milhões de oportunidades, basta que ele permita que elas aconteçam.
A vida está pronta para acontecer. Você está criando tantas barreiras, e a maior delas é querer correr atrás das coisas. Sempre que a vida chega e bate à sua porta, você não está (geralmente você está envolvido com o passado ou com o futuro). Vive correndo atrás da vida, a vida correndo atrás de você e os dois nunca se encontram.
Exista... simplesmente exista, e tenha paciência...
Fonte: Osho, Corpo e Mente em Equilíbrio, Editora Sextante, 2008. ISBN 978-85-7542-349-3.
Marcadores: Alma, corpo, felicidade, imortalidade, mente, Osho
terça-feira, novembro 02, 2010
As Virtudes do Egoísmo
Pensa-se que o egoísmo só possui características negativas. No entanto, se você não for egoísta, você não será altruísta, lembre-se. Se você não for egoísta, não será abnegado, lembre-se. Somente uma pessoa profundamente egoísta pode ser altruísta. Mas isso precisa ser entendido, pois parece um paradoxo.
O que significa ser egoísta? O primeiro ponto básico é ficar centrado em si mesmo. O segundo, é sempre procurar pela própria felicidade. Se você ficar centrado em si mesmo, você será egoísta em tudo o que fizer. Você pode servir pessoas, mas fará isso somente porque sente prazer, porque gosta de fazer isso; você se sente feliz e bem-aventurado ao fazer isso e faz porque quer fazer. Você não está fazendo uma obrigação, não está servindo à humanidade. Você certamente não é um grande mártir e não está se sacrificando. Esses são todos termos sem sentido para você. Você está simplesmente feliz à sua própria maneira, você se sente bem com isso. Você vai ao hospital e serve os enfermos de lá, ou vai aos pobres e os serve, mas você adora fazer isso. É assim que você cresce. No fundo, você se sente alegre, silencioso e feliz consigo mesmo.
Uma pessoa autocentrada está sempre procurando a sua própria felicidade. E esta é a beleza: quanto mais você procurar a sua própria felicidade, mais você ajudará os outros a serem felizes. Porque essa é a única maneira de ser feliz neste mundo. Se todos à sua volta forem infelizes, você não poderá ser feliz, porque o ser humano não é uma ilha. Ele é parte de um vasto continente. Se você quiser ser feliz, precisará ajudar quem o cerca a ser feliz. Então, e somente então, você poderá ser feliz.
Você precisa criar uma atmosfera de felicidade à sua volta. Se todos forem infelizes, como você poderá ser feliz? Você será certamente afetado; você não é uma pedra, mas um ser muito delicado, muito sensível. Se todos à sua volta estiverem infelizes, a infelicidade deles o afetará. A infelicidade é tão contagiosa quanto qualquer doença. A bem-aventurança também é contagiosa como qualquer doença. Se você ajudar os outros a serem felizes, no final você se ajudará a ser feliz. Uma pessoa que está profundamente interessada em sua própria felicidade, sempre estará interessada também na felicidade dos outros, mas não por causa deles. No fundo, ela estará interessada nela mesma, e por isso ela ajuda. Se for ensinado a todos no mundo a serem egoístas, todo o mundo será feliz e a infelicidade será impossível.
Se você quiser ser saudável, não poderá viver permanentemente entre enfermos. Como você poderá ser saudável? Será impossível, é contra as leis da natureza. Você precisa ajudar os outros a serem saudáveis. Na saúde, sua saúde se torna possível. Por isso, quando você sabe o caminho da saúde, naturalmente você sente um grande impulso para divulgar esse caminho para todos.
Ensine a todos a serem egoístas - o altruísmo cresce a partir daí. Em última instância, o altruísmo é egoísmo. No começo ele pode parecer altruísmo, mas no final, ele satisfaz você. E então, a felicidade pode ser multiplicada; tanto quanto for a quantidade de pessoas felizes à sua volta, essa mesma felicidade recai sobre você. Você pode ficar soberbamente feliz.
E uma pessoa feliz está tão satisfeita que deseja ficar em paz para ser feliz. Ela quer que sua própria privacidade seja preservada, quer viver com as flores, com a poesia e com a música. Por que ela deveria se importar em ir para guerras, ser morta e matar os outros? Por que ela deveria ser assassina e suicida? Somente pessoas altruístas podem fazer isso, porque elas nunca conheceram a bem-aventurança que é possível a elas. Elas nunca tiveram experiência do que é ser, do que é celebrar. Elas nunca dançaram, nunca respiraram a vida, nunca conheceram um vislumbre divino; todos esses vislumbres vêm de uma profunda felicidade, de uma profunda saciedade e contentamento.
Uma pessoa apenas altruísta não tem raiz, não tem centro; ela está numa profunda neurose. Ela vai contra a natureza e não pode ser saudável e inteira. Ela está lutando contra a corrente da vida, do ser, da existência - está tentando ser altruísta. Ela não pode ser altruísta, pois somente uma pessoa egoísta pode ser altruísta.
Quando se tem felicidade, pode-se compartilhá-la; quando não se tem, como compartilhá-la? Para compartilhar, em primeiro lugar a pessoa precisa tê-la. Uma pessoa altruísta está sempre séria, no fundo está doente, em angústia. Ela perdeu sua própria vida. E lembre-se, sempre que você perde sua vida, você se torna assassino, suicida. Sempre que uma pessoa vive infeliz, ela tem vontade de destruir (a si e aos outros).
A infelicidade é destrutiva; a felicidade é criativa. Existe somente uma criatividade, e essa é a da bem-aventurança, do contentamento, do deleite. Quando você está em deleite, deseja criar algo (um filho?), talvez um brinquedo para crianças, talvez um poema, uma pintura, uma canção, qualquer coisa. Sempre que você estiver muito encantado com a vida, como expressar isso? Você cria algo, uma coisa ou outra. Mas, quando você está infeliz, você deseja esmagar e destruir algo. Neste caso, você gostaria de ser um político, um soldado, gostaria de criar alguma situação na qual possa ser destrutivo.
É por isso que, de vez em quando, emergem guerras em algum lugar no mundo. Trata-se de uma grande doença. E todos os políticos ficam falando sobre paz - eles preparam a guerra e falam de paz. Na verdade, eles dizem: "Estamos preparando a guerra para preservar a paz". Muito irracional! Se você estiver preparando a guerra, como poderá preservar a paz? Para preservar a paz, a pessoa deveria preparar a paz, óbvio.
Por isso, no mundo inteiro a nova geração (os jovens) é um grande perigo para o sistema vigente. Ela está interessada somente em ser feliz, está interessada no amor, na meditação, na música, na dança... No mundo inteiro, os políticos estão muito alertas. A nova geração não está interessada em política, direita ou esquerda. Não, ela de maneira nenhuma está interessada nisso. Ela não é comunista, não pertence a nenhum ismo.
A pessoa feliz pertence a si mesma. Por que ela deveria pertencer a alguma organização? Esse é o caminho da pessoa infeliz, pertencer a alguma organização, a alguma multidão. Por não ter raiz dentro de si mesma, ela não pertence... e isso lhe dá uma ansiedade muito profunda; ela sente que deveria pertencer. Ela cria um pertencer substituto; ela se afilia a um partido político, a uma sociedade secreta, a um partido revolucionário ou a qualquer coisa, como uma religião. Agora ela sente que pertence: existe uma multidão na qual ela está enraizada.
A pessoa deveria estar enraizada nela mesma, pois essas raízes se estendem da pessoa para a existência. Se você pertencer a uma multidão, pertencerá a um beco sem saída; a partir daí, não será possível nenhum desenvolvimento adicional. Aí é o fim, o final da estrada.
Portanto, eu não lhe ensino a ser altruísta, pois sei que, se você for egoísta, naturalmente você será altruísta. Se você não for egoísta, significa que você perdeu a si mesmo; agora você não pode entrar em contato com mais ninguém, pois o contato básico (com você mesmo) está faltando, perdeu-se o primeiro passo.
Esqueça-se do mundo, da sociedade, das utopias, de Karl Marx. Esqueça-se de tudo isso. Você estará aqui (no mundo físico) somente por alguns anos. Desfrute, deleite-se, seja feliz, dance e ame. E a partir do seu amor e da sua dança, a partir de seu profundo egoísmo, você começará um transbordar de energia. E, então, você será capaz de compartilhar com os outros.
Eu costumo dizer, o amor é uma das coisas mais egoístas que existem.
Fonte: Osho, Amor, Liberdade e Solitude, Editora Cultrix, 2006. ISBN 978-85-316-0913-8.
Marcadores: altruísmo, egoísmo, felicidade, Osho
domingo, outubro 03, 2010
Felicidade e Infelicidade
Você é feliz? Você sabe o que á a felicidade? Ela é de origem hindu, cristã ou muçulmana? A felicidade é simplesmente a felicidade. A pessoa feliz, na verdade, não pertence a tempo algum. O êxtase faz o tempo e o espaço desaparecerem.
A infelicidade pode lhe dar muitas coisas que a felicidade não pode. A infelicidade alimenta a sua personalidade, enquanto a felicidade é basicamente um estado de ausência de personalidade. E este é o problema, o verdadeiro dilema.
A infelicidade o torna especial. Quando você está doente, deprimido, infeliz, os seus amigos vêm visitá-lo e consolá-lo. Mas quando você está realmente feliz, o mundo todo se volta contra você. A pessoa feliz é uma espécie de "afronta" à infelicidade comum alheia.
E, naturalmente, como o mundo é feito de pessoas infelizes, ninguém é corajoso o bastante para suportar toda a humanidade torcendo contra. É perigoso e arriscado. É muito melhor agarrar-se à infelicidade. Feliz, você é apenas um indivíduo. Infeliz, você faz parte de uma grande multidão.
Olhe para sua própria infelicidade e observe que ela é algo que lhe traz respeito. As pessoas ficam mais simpáticas e atenciosas, o que é muito estranho. Se você insistir em ser feliz, você vai virar alvo de muita inveja e as pessoas não serão nada amigáveis. Elas se sentirão enganadas: você possui algo que não está ao alcance delas. Assim, acabamos aprendendo um mecanismo sutil: reprimir a felicidade e expressar a infelicidade transformou-se em nossa segunda natureza.
Fonte: Osho, Uma farmácia para a alma, Editora Sextante, 2006, ISBN 85-7542-218-9.
Marcadores: felicidade, infelicidade, personalidade
domingo, setembro 26, 2010
O Iceberg
O iceberg é uma "montanha de gelo" que flutua no mar, próximo aos polos terrestres. A parte externa do iceberg, a que fica acima do nível do mar e que podemos observar diretamente, é muito menor do que a sua parte interna, muito maior e que fica submersa, que fica oculta de nossa visão direta. Devido a essa característica, o movimento do iceberg não se dá devido aos ventos externos (acima do nível do mar) mas devido à presença de correntes marítimas internas (abaixo do nível do mar).
Podemos fazer uma boa analogia do iceberg com a natureza do ser humano. Cada ser humano é constituído por um mundo externo, composto por nossas atitudes e ações, comportamento e aquisições materiais e intelectuais. Esse nosso mundo externo representa também nosso corpo físico, mente e personalidade (nossos papeis sociais). O nosso mundo interno, muito maior que o mundo externo, é constituído por nossos pensamentos, emoções, sentimentos e nosso Eu interior (nosso Eu Verdadeiro). O mundo interno representa também nossa alma. É nesse mundo interno onde reside a nossa felicidade, constituída por nossa alegria interna, paz interior e visão interior.
Quem cria o seu dia? Quem conduz a sua vida? Dependendo da pessoa, pode ser o seu mundo externo ou o seu mundo interno. Mas é importante notar que o que acontece dentro de nós (no nosso mundo interior) irá criar o que acontece fora de nós. Portanto, ao nos melhorar iremos melhorar o mundo que nos rodeia. Nesse sentido, Platão já dizia "Viva de acordo com um desses valores máximos: beleza, verdade, amor, liberdade, justiça, igualdade, paz, e você terá Felicidade".
Quando ocorreu o grande tsunami na Ásia, em 2004, alguns mergulhadores estavam dentro do mar (no mundo interior) e se salvaram, mal percebendo a sua passagem devastadora na superfície. Quando voltaram à superfície verificaram o grande estrago que tinha ocorrido fora, na superfície marítima (mundo externo) pela passagem da grande perturbação conhecida por tsunami. Da mesma forma, quando nos firmamos no nosso mundo interno de forma adequada conseguimos suplantar facilmente as perturbações que ocorrem no mundo externo.
Fonte: Palestra na Brahma Kumaris, proferida por Marcos Adriano Infantozzi, intitulada "Novas inteligências (intelectual, emocional e espiritual) - ferramentas para desenvolver o equilíbrio interno", Campinas - SP, 26.09.10.
Marcadores: Alma, corpo físico, felicidade, iceberg, mente, tsunami
quinta-feira, julho 22, 2010
A Missão de Vida
Marcadores: amor, anjo da guarda, Equipe de Supervisão, felicidade, missão, morte, qualidade de vida
quarta-feira, julho 07, 2010
O Condicionamento Destrutivo
O único dever que você tem é o de ser feliz. Faça disso uma religião. Se você não é feliz, não importa o que faça, algo deve estar errado e alguma mudança drástica se faz necessária. Deixe que a felicidade decida.
Eu sou um hedonista. E a felicidade é o único critério que o ser humano possui.
Portanto, sempre observe o que acontece quando você faz alguma coisa: se você ficou em paz, tranquilo, à vontade, relaxado, aquela era realmente a coisa certa a fazer. Esse é o critério, nada mais. É importante lembrar-se, contudo, de que aquilo que é certo para você pode não ser para uma outra pessoa. Aquilo que é fácil para você pode não ser para outra pessoa, mas alguma outra coisa será fácil para ela. Não pode haver uma lei universal para isso. Cada um tem de descobrir por si mesmo. O que é fácil para você?
Esse é um dos mais complexos problemas humanos. Ele precisa ser examinado a fundo e não é algo apenas teórico, mas algo que lhe diz respeito. É assim que todos têm agido - sempre escolhendo o caminho errado, escolhendo ficar tristes, deprimidos, infelizes. Devem existir razões profundas para isso, e de fato existem.
A primeira razão diz respeito ao modo como os seres humanos são criados. Se você for infeliz, irá ganhar alguma coisa com isso. Se for feliz, você perderá.
Desde o início, uma criança atenta percebe essa diferença. Sempre que está infeliz, todos são compreensivos com ela e ela ganha essa compreensão. Todos tentam demonstrar afeto e a criança recebe amor. Mais do que isso, sempre que ela fica infeliz, todo mundo é simpático e ela recebe atenção. A atenção funciona como um alimento para o ego, como um estimulante alcoólico. A atenção lhe dá energia, você sente que é alguém. Por isso tanta necessidade, tanto desejo de obter atenção.
Se todos estão te olhando, você se torna importante. Se ninguém o olhar, é como se você não estivesse ali: deixa de existir, vira um não-ser. O fato de as pessoas estarem olhando, estarem preocupadas, lhe dá energia.
O ego só existe no relacionamento. Quanto mais as pessoas prestam atenção em você, maior fica o seu ego. Se ninguém o olhar, seu ego se dissolve. Se todo mundo esquecer completamente de você, como o ego pode existir? Daí a necessidade de sociedades, associações, clubes: eles existem para dar atenção às pessoas que não a conseguem de outras formas.
Desde a mais tenra infância, a criança aprende a fazer política. A política é: pareça infeliz e irá atrair simpatia, todos serão atenciosos com você. Pareça doente e ficará importante. A criança doente fica prepotente: toda família deve lhe obedecer, o que quer que diga se torna a lei.
Quando ela está feliz, ninguém a ouve. Quando está saudável, ninguém liga para ela. Quando está perfeita, ninguém lhe dá atenção. Desde o começo, optamos pela infelicidade, pela tristeza, pelo pessimismo, pelo lado sombrio da vida. E essa é uma das razões.
A segunda razão está relacionada ao seguinte: sempre que você está feliz, exultante, extasiado e inebriado, todo mundo sente inveja. Isso significa que todos ficam hostis: num segundo, todos viram inimigos. Então você aprendeu a não parecer tão extasiado para evitar que todos virem inimigos: aprendeu a não mostrar a felicidade, a não rir. Olhe para as pessoas quando elas riem: é um gesto calculado, não é uma risada que sacode a barriga, não vem das profundezas do ser. Primeiro olham para você, avaliam e, então, riem. E riem de uma forma que seja tolerada, que não seja considerada imprópria, que não desperte inveja.
Até nossos sorrisos são políticos. A risada desapareceu, a felicidade passou a ser um coisa absolutamente desconhecida e é quase impossível chegar ao êxtase, porque não é mais permitido. Se você está infeliz, ninguém vai achar que você é louco. Se está exultante, dançando por aí, todo mundo vai achar que você está louco. Dançar e cantar não são coisas aceitas. Quando alguém vê uma pessoa feliz, logo acha que há algo errado.
Que tipo de sociedade é essa em que é permitido se sentir infeliz mas que acusa aqueles que estão em êxtase de loucos e sem juízo? Por causa da inveja, tentamos, de todas as maneiras possíveis, impedir o êxtase dos outros. Chamamos a tristeza de normalidade. Os psiquiatras poderão ajudar a trazer uma pessoa de volta para a sua infelicidade normal.
A sociedade não pode permitir o êxtase. O êxtase é a maior das revoluções. Se as pessoas ficarem extasiadas, toda a sociedade vai mudar, porque a sociedade está baseada na infelicidade (dos escravos).
Se as pessoas são felizes, elas não podem ser conduzidas à guerra. Alguém feliz vai rir e dizer: "Isso não faz sentido!" Se as pessoas são felizes, não se pode fazer com que fiquem obcecadas por dinheiro. Acharão que é loucura passar a vida toda acumulando algo sem vida como o dinheiro.
Se as pessoas estiverem em êxtase, todo o padrão dessa sociedade terá que mudar. A sociedade existe por causa da infelicidade. A infelicidade é um grande investimento para ela. É para isso que criamos nossos filhos: desde a mais tenra infância, fomentamos uma tendência para a infelicidade. É por isso que todos sempre escolhem esse sentimento.
Em todo o instante existe a opção de ser infeliz ou feliz. Você sempre opta por ser infeliz porque há um investimento; isso se tornou um hábito, um padrão. A infelicidade parece uma descida, o êxtase parece uma subida. O êxtase parece muito difícil de alcançar - mas isso não é verdade. O que acontece é justamente o oposto: o êxtase é a descida e a infelicidade é a subida. A infelicidade é uma coisa muito difícil de alcançar porque é antinatural, mas você a alcançou, fez o impossível. Ninguém quer ser infeliz, mas todo mundo é.
A educação, a cultura, os pais, os professores - eles têm feito um grande trabalho. Têm transformado criadores extasiados em criaturas infelizes. Toda criança nasce extasiada. Toda criança nasce um deus. E todo homem morre louco. Como recuperar a infância, como reivindicá-la? Se você conseguir ser criança outra vez, não haverá mais tristeza.
Não estou dizendo que as crianças nunca sofram - elas sofrem, mas ainda assim não são infelizes. Uma criança pode ficar extremamente infeliz num momento, mas mergulha tão completamente nessa infelicidade, entra em tal comunhão com ela que não há divisão. Não há uma criança separada da infelicidade. Ela não está contemplando o sentimento como algo à parte dela. A criança é a infelicidade - está completamente envolvidda nela. E, quando você e a infelicidade se tornam uma coisa só, a infelicidade não é infelicidade. Se você comunga tão profundamente com ela, até mesmo a infelicidade adquire uma beleza só dela. Quando uma criança que não foi estragada está com raiva, toda a sua energia se torna a raiva: nada é deixado para trás, nada é contido. A criança se moveu e se tornou a raiva: ninguém está manipulando ou controlando essa raiva. Não há uma mente presente. E daí surge a beleza, o fluir da raiva. Uma criança nunca parece feia - até nos momentos de raiva ela é bela. Parece mais intensa, mais viva - um vulcão pronto pra entrar em erupção, um ser atômico, com todo o universo pronto para explodir.
Depois de toda essa raiva, a criança fica silenciosa, totalmente em paz. Ela se descontrai. Podemos achar que estava muito infeliz no momento da raiva, mas a criança não estava infeliz - ela usufruiu da raiva. Sempre que você entrar em comunhão com algo, se sentirá em êxtase. Sempre que se separar de algo, mesmo que seja da felicidade, você ficará infeliz.
Essa é a chave. Ficar separado como um ego é a base de toda a infelicidade; se você ficar em comunhão, fluindo com aquilo que a vida colocar em seu caminho - entranhado nisso tão intensa e completamente que você deixe de existir e se perca nisso - , todas as coisas passam a ser felizes.
A escolha exite, mas até mesmo a consciência disso foi perdida. Fique atento. Cada vez que estiver escolhendo ser infeliz, lembre-se de que é uma opção sua. Imediatamente sentirá a diferença. Seu estado mental terá mudado. Ficará mais fácil se voltar para a felicidade.
Depois que souber que se trata de uma escolha, passará a ser um jogo. Se você gosta de ser infeliz, seja infeliz, mas lembre-se de que é uma escolha sua - por siso não reclame. Ninguém é responsável por isso. Não saia por aí perguntando às pessoas como se faz para não ser infeliz. Não saia por aí questionando mestres e gurus sobre como se faz para ser feliz. Os pretensos gurus só existem porque você é um tolo. Primeiro cria a infelicidade e depois sai perguntando aos outros como se faz para não criá-la. Você continuará a criá-la porque não se dá conta do que está fazendo. A partir de agora, experimente ser feliz e bem-aventurado.
Existem duas maneiras de viver, de ser, de saber: uma é a partir do esforço, da vontade, do ego; a outra é a partir da ausência de esforço, de luta, deixando-se levar pela existência.
Todas as religiões do mundo têm ensinado o primeiro jeito - brigar contra a natureza, contra o mundo, contra o seu próprio corpo, contra a mente. Só assim você poderia atingir a verdade, o supremo, o eterno. Mas existem provas suficientes de que essa vontade de dominar, esse caminho do ego, essa briga e essa guerra são um retumbante fracasso. Em milhões de anos, poucas pessoas atingiram a experiência suprema da vida, tão poucas que só provam a exceção, não a regra. Eu ensino o segundo jeito: não nade contra a corrente da existência, flua com ela. Lutar contra a existência é como tentar nadar rio acima, contra a corrente: a pessoa logo se cansa e não consegue chegar a lugar algum.
Nesta vasta existência, você é menor do que um átomo. Como você pode brigar contra o todo? Você foi criado pelo todo - como pode ser seu inimigo? A natureza é a sua mãe, não pode estar contra você. Seu corpo é sua própria vida, não pode ser contrário a você.
Eu ensino uma amizade com a existência. Não quero que você renuncie ao mundo, porque ele é nosso. Nada na existência é contra você. Basta aprender a arte de viver - não a arte de renunciar, mas a arte de se deleitar. É só uma questão de aprender uma arte para conseguir transformar o veneno em néctar.
Se você acha que, em algum lugar e de alguma forma, o seu corpo, a natureza ou o mundo estão contra você, pense que deve ser ignorância sua, deve haver alguma atitude errada de sua parte. Você não conhece a arte de viver, não se deu conta de que a existência não pode ser sua adversária. Você nasceu graças a ela, vive nela. A existência lhe concedeu tudo e você nem mesmo agradece. Pelo contrário, todas as religiões o ensinam a condená-la desde o princípio.
Qualquer religião que ensine a condenar a vida é venenosa. É contrária a vida, está a serviço da morte. Todas essas religiões são contra a natureza. Por que criam uma lógica segundo a qual, a menos que você se coloque contra este mundo, nunca será capaz de atingir o outro mundo, superior a este? Por que a divisão entre este mundo e o outro mundo? Não há razão para isso.
Se não fosse preciso renunciar a este mundo, mas vivê-lo em sua totalidade, o sacerdote não seria mais necessário. Se é preciso brigar com este mundo, renunciar a ele, então é preciso reprimir seus instintos naturais. Evidentemente, dessa forma você ficará doente. Colocando-se contra a natureza, você nunca estará saudável ou inteiro. Estará sempre dividido e esquizofrênico. Naturalmente, você necessitará de alguém para guiá-lo e ajudá-lo - precisará de um sacerdote.
Quando você se sente culpado, você vai à igreja, à mesquita, à sinagoga e pede ao padre, ao ministro, ao rabino para ajudá-lo porque, na escuridão profunda em que você está - que eles foram responsáveis por criar -, você se sente tão desamparado que precisa de alguém para protegê-lo, alguém que lhe mostre a luz. Você está tão desesperadamente carente que jamais sequer se perguntou se o sacerdote sabe mais do que você ou se ele não passa de um funcionário remunerado.
Seu problema se resume em olhar para dentro de si mesmo, onde está agora. Se você está infeliz, sofrendo, preocupado, angustiado, se falta algo na sua vida, se está descontente, não vê sentido em lugar algum e só está se deixando arrastar em direção à morte...
A escuridão continua ficando mais profunda, a cada dia que passa a morte se aproxima mais - será a hora de pensar em grandes problemas teológicos? É hora de mudar o seu ser. Você não tem muito tempo.
Além disso, os métodos que todas as religiões têm ensinado são beliciosos. Não levam a lugar algum, apenas retiram os prazeres de sua vida. Envenenam qualquer coisa que seja prazerosa. As religiões criaram uma humanidade triste. Eu gostaria que a humanidade estivesse cheia de amor, de música e de dança.
Quero que fique bem entendido que, no meu método, você não tem de brigar contra a corrente, nadando rio acima. Isso é estupidez, você não pode lutar, pois a corrente da natureza é grande demais e forte demais. A melhor maneira é aprender com os cadáveres: eles sabem alguns segredos que as pessoas vivas desconhecem (sempre seguem a corrente...).
Uma pessoa viva que não saiba nadar se afoga. Quando já estão mortas, voltam à superfície. Então há algo que os mortos sabem mas que as pessoas vivas desconhecem. Acontece que o morto está absolutamente entregue. Sequer tenta nadar. Os melhores nadadores flutuam, seguem a corrente como um cadáver, indo para onde que que o rio os leve, sempre correndo para o mar. Não é preciso saber se você está num rio sagrado ou não: sagrado ou profano, todo o rio está destinado a chegar ao mar, mais cedo ou mais tarde. Chamo isso de confiança: confiar que, onde quer que a existência o leve, ela o conduzirá ao caminho certo, ao objetivo certo. Ela não é sua inimiga, então confie que ela o levará sempre para a sua casa, seja ela onde for.
Se toda a humanidade aprender a relaxar, em vez de lutar, aprender a se deixar levar em vez de se esforçar ao máximo, haverá uma grande mudança na qualidade da consciência. Haverá pessoas descontraídas, movendo-se silenciosamente com o fluxo do rio, sem qualquer objetivo em mente, sem ego.
Flutuando de modo tão descontraído, você não pode ter ego. O ego exige esforço: é preciso fazer alguma coisa. O ego é um fazedor e, flutuando, você se torna um não-fazedor. Nessa inação, você ficará surpreso ao ver que as preocupações e infortúnios começam a se dissipar e você passa a se contentar com qualquer coisa que a existência lhe conceda.
Um místico sufi estava viajando. Toda noite, ele agradecia à existência: "Você fez tanto por mim e eu não fui capaz de retribuir, nunca sou capaz de retribuir". Seus discípulos ficavam um pouco revoltados, porque algumas vezes a vida era extremamente dura.
O místico sufi era um rebelde. Aconteceu de ficarem três dias sem comida porque, em toda aldeia por onde passavam, eram rechaçados por não serem muçulmanos ortodoxos. Tinham se juntado a um grupo rebelde de sufis. As pessoas não lhe davam abrigo para passarem a noite e, por isso, tinham de dormir no deserto. Tinham fome e sede há três dias. Ainda assim, na oração vespertina, o místico dizia à existência:
- Estou tão grato. Você nos tem concedido tanto e nós sequer retribuímos.
Um dos discípulos disse:
- Ela não nos dá tanto assim. Diga-nos, por favor, o que a existência nos concedeu nesses últimos três dias. Você está agradecendo à existência pelo quê?
O ancião deu uma risada e disse:
- Você ainda não se deu conta do que a existência nos concedeu. Esses três dias têm sido muito significativos para mim. Estou com fome, sede e não tenho abrigo; fomos rejeitados, condenados. Atiraram pedras em nós e tenho me observado - nenhuma raiva surgiu. Estou agradecendo à existência. Suas dádivas são inestimáveis.Nunca poderei retribuí-las. Três dias de fome, de sede, de falta de sono, com pessoas atirando pedras em nós... e, mesmo assim, não senti animosidade, raiva, ira, falta ou decepção. Só pode ser pela misericórdia e amparo da existência. Esses três dias me revelaram tantas coisas que não teriam sido mostradas se eu tivesse recebido comida, boas-vindas, abrigo e não tivessem atirado pedras em mim - e você me pergunta por que eu agradeço à existência? Agradecerei à existência até quando estiver morrendo, porque mesmo na morte sei que a existência está me revelando mistérios que não mostra em vida, pois a morte não é o fim, mas o clímax da vida.
Aprenda a fluir com a existência e não haverá culpa nem feridas. Não brigue com o seu corpo, ou com a natureza, e você estará em paz, em casa, calmo e sereno.
Essa situação o ajudará a ficar mais alerta, mais perceptivo, mais consciente, levando-o finalmente ao oceano do despertar definitivo - a libertação.
Todas as religiões o têm ensinado a brigar com o corpo. Qualquer coisa natural é condenada. As religiões pregam que você tem de dar um jeito de fazer alguma coisa não-natural, pois só assim você pode sair da prisão da biologia, da fisiologia, da psicologia, de todos os muros que o cercam. Mas, se você vive em harmonia com o seu corpo, com a sua mente, com o seu coração, então as religiões dizem que você nunca conseguirá ir além de si mesmo. É por isso que eu sou contra todas essas religiões: elas colocaram uma semente envenenada no seu ser para que você viva no corpo mas não goste dele.
O corpo lhe serve durante 70, 80, 90 anos, até mesmo por 100 anos. Não existe outro mecanismo que a ciência tenha sido capaz de inventar que se compare a ele. Com toda a sua complexidade, ele faz milagres em seu benefício o tempo todo, mas jamais recebe um agradecimento seu. Seu corpo é tratado como um inimigo, embora seja seu amigo.
Ele cuida de você de todas as maneiras possíveis, acordado ou dormindo. Mesmo durante o sono, ele não deixa de cuidar de você. Se, enquanto dorme, uma aranha começa a andar na sua perna, a sua perna a joga longe sem incomodá-lo. Mesmo enquanto você dorme, o seu corpo permenece fazendo coisas das quais dificilmente tomamos conhecimento. Você come as coisas mais estranhas sem se preocupar em saber o que acontece depois que você as engole. Não pergunta ao corpo se seu metabolismo será capaz de digerir o que está comendo. Mas, de um modo ou de outro, seu metabolismo continua trabalhando a contento durante quase um século. Ele tem um sistema automático de reposição de peças com defeito. Não é preciso fazer nada, ele funciona por conta própria. O corpo tem uma sabedoria toda dele.
Entretanto, essas religiões continuam dizendo: "É preciso lutar o tempo todo, é preciso nadar contra a correnteza. Não ouça o corpo! Seja lá o que ele disser, faça o oposto". O jainismo prega: "Se o corpo tiver fome, deixe-o com fome, deixe-o faminto, ele precisa ser tratado assim". Isso certamente dá um grande poder a seu ego. Se o corpo quer alimento, diga "não". O "não" tem um grande poder - você é o mestre e reduz o corpo à escravidão: "Seja o que for que eu decida, isso será feito sem a sua interferência".
Não brigue com o corpo. Ele não é um adversário seu, mas seu amigo. É uma dádiva que a natureza lhe concedeu, é parte dela. Você não está ligado apenas à respiração, mas também aos raios do sol, à fragrância das flores, ao luar. Você está ligado a todos os lugares, ninguém é uma ilha. Esqueça essa idéia. Você faz parte de todo esse continente e mesmo assim foi dotado de uma individualidade. É o que chamo de milagre.
Portanto, se estiver em harmonia com o seu corpo, também estará em harmonia com a natureza, com a existência. Em vez de nadar contra a corrente, siga com ela. Entregue-se. Deixe a vida acontecer. Não force nada, em nome de nada. Não perturbe sua harmonia em nome de um livro sagrado, de um ideal sagrado.
Nada vale mais do que estar em harmonia e comunhão com o todo.
Respeite a vida, reverencie a vida. Não existe nada mais sagrado ou divino do que a vida. E ela não consiste em grandes coisas. Esses idiotas religiosos ficam dizendo "Faça coisas grandiosas"; no entanto, a vida consiste em pequenas coisas. A estratégia é clara. Dizem: "Faça coisas grandiosas, algo de grandioso, que faça com que seu nome seja lembrado pela posteridade". É claro que isso agrada ao ego, que é um agente do sacerdote. Todas as igrejas, todas as sinagogas e todos os templos têm um único agente: o ego. Entretanto, a vida consiste em coisas muito pequenas e, se você passou a se interessar por coisas supostamente "grandiosas", isso indica que você está deixando a sua vida passar em branco.
A vida consiste em sorver uma xícara de chá; bater papo com um amigo; fazer uma caminhada pela manhã, sem destino certo, sem objetivo, sem finalidade, sabendo que, a qualquer momento, você pode dar meia-volta ou pode cozinhar para alguém que ama ou para si mesmo, já que você ama o seu corpo. A vida consiste em lavar a roupa; limpar o chão; regar o jardim... Essas coisinhas pequenas.
Você pode fazer algo desnecessário e dizer olá para um estranho - não há por que se dirigir a um estranho. Contudo, aquele que é capaz de dizer olá a um estranho também pode dizer olá para as flores, para as árvores, pode cantar uma canção para os passarinhos. São só coisas pequenas, muito pequenas...
Respeite sua vida. Dessa forma, você estará respeitando também a vida das outras pessoas.
Toda nossa educação - na família, na sociedade, na escola, na universidade - cria uma tensão em nós. E a tensão básica é a de que você não está fazendo aquilo que "tem" que fazer.
Isso continua pela vida toda, perseguindo-o como um pesadelo, sem nunca deixar de assombrá-lo. Se você relaxar, uma voz dirá: "O que está fazendo? Não pode relaxar, tem que fazer alguma coisa". Se estiver fazendo algo, a voz dirá: "O que está fazendo? Você precisa descansar um pouco, senão ficará louco - você já está no seu limite".
Se fizer algo de bom, ela dirá: "Você é um idiota. Não vale a pena fazer nada de bom, pois as pessoas o enganarão". Se fizer algo de ruim, a voz irá dizer: "O que está fazendo? Você está construindo o seu caminho para o inferno e sofrerá por isso". Ela nunca o deixará descansar: faça o que você fizer, ela o condenará.
Esse acusador foi implantado em você. Enquanto não conseguimos nos livrar desse acusador que vive dentro de nós, não poderemos ser verdadeiramente humanos, não poderemos ser realmente felizes nem poderemos participar da celebração que é a existência.
Ninguém pode eliminar esse acusador interno, só você. E esse não é um problema só seu, é um problema de quase todo ser humano. Seja qual for o país em que você nasceu, seja qual for a religião a que pertença, não importa - você pode ser católico, ateu, hindu, muçulmano, jainista, budista, não importa a que tipo de ideologia pertença, a essência é sempre a mesma. A essência é criar uma cisão dentro de si para que uma parte condene a outra. Se você obedecer a uma parte, a outra começará a condená-lo e a vida passa a ser um conflito interior, uma guerra civil.
Essa guerra civil tem de acabar, do contrário não será possível aproveitar toda a beleza, todas as bênçãos da vida. Jamais você conseguirá rir com toda a alegria que está em seu coração, nunca será capaz de amar nem estará totalmente presente em coisa alguma. É só essa presença total que faz com que a pessoa desabroche, com que a primavera chegue e sua vida comece a ter cor, música, poesia.
Somente a partir da totalidade torna-se possível perceber a presença de Deus em tudo o que o cerca. Mas a ironia é que seus pretensos santos, sacerdotes e igrejas criaram uma cisão. Na verdade, a figura do sacerdote tem sido o maior inimigo de Deus na Terra.
Temos de nos livrar de todos os sacerdotes - eles são a causa básica da patologia humana. Deixaram todo mundo nervoso, causaram uma epidemia de neurose. E a neurose passou a reinar de tal modo que nós a achamos natural. Achamos que a vida se resume a isso, que é assim mesmo: um longo e demorado sofrimento, uma existência dolorosa e angustiante. Em outras palavras, a autobiografia de uma tempestade num copo d'água.
Se olharmos para o que chamamos de vida, parecerá que é isso mesmo, porque nunca há sequer uma flor, uma canção no coração, um raio de alegria divina.
Não surpreende o fato de que pessoas inteligentes do mundo todo estejam se perguntando qual o sentido da vida. "Por que deveríamos continuar vivendo? Por que somos tão covardes a ponto de continuar vivos? Por que não temos coragem suficiente para pôr fim a toda essa bobagem? Por que não podemos cometer o suicídio?"
Em nenhuma outra época existiram tantas pessoas convictas de que a vida não tem significado algum. Durante séculos, pelo menos nos últimos 5.000 anos, os sacerdotes têm causado esse mal. Agora, a situação chegou a um clímax. Não é uma situação que provocamos - nós somos as vítimas da História. Se o homem se tornasse um pouco mais consciente, a primeira coisa que faria seria queimar todos os livros de História. Devemos esquecer o passado, foi um pesadelo completo. Vamos começar novamente do zero, como se Adão tivesse nascido outra vez. Comecemos como se estivéssemos mais uma vez no Jardim do Éden, inocentes, não contaminados...
Faça o que a sua natureza quer fazer, o que suas qualidades intrínsecas anseiam por fazer. Não dê ouvidos às escrituras. Ouça seu próprio coração; essa é a única escritura que prescrevo. Ouça com muita atenção, com muita consciência, e nunca estará errado. Ouvindo o seu coração, começará a tomar a direção correta, sem jamais pensar no que está certo ou errado.
Siga-o de qualquer maneira e vá aonde quer que o leve. Ele às vezes o colocará diante de perigos - mas lembre-se de que nesses casos alguns perigos são necessários para seu amadurecimento. Outras vezes o coração o levará a se extraviar - lembre-se, mais uma vez, que esses extravios fazem parte do crescimento. Muitas vezes, você cairá. Coloque-se de pé novamente, pois é assim que se fortalece - caindo e levantando-se outra vez. É assim que você se torna uma pessoa integrada.
Nunca siga regras impostas. Nenhuma regra imposta jamais pode estar certa, porque são inventadas por pessoas que querem dominá-lo. De fato, às vezes surgem pessoas muito iluminadas neste mundo - um Buda, um Jesus, um Krishna, um Maomé. Eles não impuseram regras ao mundo: ofereceram o amor que tinham. Contudo, cedo ou tarde os discípulos se reuniram e começaram a criar códigos de conduta. Depois que o Mestre se foi, depois que a luz se extinguiu e eles ficaram na mais completa escuridão, eles começaram a buscar novas regras para seguir, porque a luz que poderia guiá-los já não estava mais presente. Haviam passado a depender de regras.
O que Jesus fez foi seguir os sussurros do seu coração, mas os cristãos não seguem os sussurros do próprio coração. São imitadores - e, no momento em que você imita, insulta a sua própria humanidade, insulta o seu Deus.
Não seja um imitador, seja sempre original. Não se torne uma cópia. A vida é uma dança se você for original - é esse o seu destino. Não existem dois seres humanos iguais.
Inebrie-se do espírito, do silêncio do Mestre, aprenda a sua graça. Absorva o máximo possível do seu ser, mas não o imite. Inebriando-se de seu espírito, bebendo de seu amor, recebendo sua compaixao, você conseguirá ouvir os sussurros do seu coração. Não passam de murmúrios, pois o coração tem uma voz muito sutil e silenciosa.
Esqueça tudo o que tem ouvido por aí: "Isto está certo e aquilo está errado". A vida não é tão rígida. O que é certo hoje pode ser errado amanhã. A vida não pode ser dividida em compartimentos, não é fácil rotulá-la. Ela não é um laboratório de química onde cada frasco tem um rótulo e o conteúdo de todos eles é conhecido. A vida é um mistério; num dado momento, algo é certo. Numa outra ocasião, tanta água passou pelo Ganges que aquilo não se encaixa mais e passa a ser errado.
Qual é a minha definição de certo? Aquilo que está em harmonia com a existência é o certo; o que está em desarmonia com a existência é errado. Você terá de ficar sempre muito alerta, decidindo a cada momento o que é certo ou errado. Não pode depender de respostas prontas.
A vida passa depressa demais - é dinâmica, não estática. Não é uma poça estagnada: é como o rio Ganges, nunca pára de fluir. Nunca é a mesma em dois momentos consecutivos. A única saída, então, é fazer com que as pessoas fiquem tão alertas que elas próprias possam decidir de que modo responder a uma vida em constante mudança.
Uma antiga história zen:
Havia dois templos rivais. Os dois mestres tinham uma rixa tão grande que diziam a seus seguidores para nunca olharem para o outro templo.
Cada um dos sacerdotes tinha um menino para servi-lo, ir buscar coisas para ele, cumprir pequenas tarefas. O sacerdote de um dos templos disse ao garoto que o servia:
- Nunca fale com o moleque do outro templo. Essas pessoas são perigosas.
Mas garotos são garotos. Um dia, eles se encontraram na estrada e um deles perguntou:
- Para onde você vai?
O outro disse:
- Para onde quer que o vento me leve.
Ele devia ouvir os grandes conceitos zen que se discutiam no templo. "Para onde quer que o vento me leve". Uma grande afirmação, puro Tao.
Mas o outro garoto ficou extremamente embaraçado, ofendido e não soube o que responder. "Bem que o mestre me disse para não falar com essas pessoas, são realmente perigosas. Que tipo de resposta foi essa? Ele me humilhou". O menino voltou ao mestre e contou o que havia acontecido.
- Lamento ter falado com ele. O senhor estava certo, aquelas pessoas são estranhas. Perguntei: "Para onde você vai?" - uma pergunta simples e formal -, e sabia que ele estava indo ao mercado, como eu. Mas ele respondeu: "Para onde quer que o vento me leve".
O mestre disse:
- Eu o avisei, mas você não me ouviu. Amanhã, quando ele passar, pergunte: "Para onde você vai?" E ele responderá: "Para onde quer que o vento me leve". Então, seja também um pouquinho mais filosófico. Diga: "E se você não tivesse pernas? Porque a alma não tem corpo e o vento não pode levar a alma a lugar algum!" O que me diz?
O menino passou a noite toda repetindo a frase, preparando-se para o encontro. E, na manhã seguinte, saiu muito cedo, foi até o ponto de encontro e exatamente no mesmo horário o outro menino apareceu. Estava muito feliz, pois agora iria mostrar o que era filosofia de verdade. Então perguntou para onde o outro ia e ficou só esperando...
Mas o menino disse:
- Vou buscar verduras no mercado.
Ora, o que fazer com a filosofia qeu aprendera?
A vida é assim. Não há como se preparar, como estar pronto para ela. Sua beleza e seu encanto é o fato de estar sempre nos pegando desprevenidos.
Eu lhe ensino uma lei intrínseca da vida: obedeça a seu próprio eu, seja uma luz par si mesmo. Se seguir a luz, esse problema nunca surgirá. Desse modo, qualquer coisa que fizer será a coisa certa a fazer e qualquer coisa que deixar de fazer será a coisa certa para não fazer...
O único jeito de ficar em contato com a vida, de não ficar para trás é ter um coração destituído de culpa, um coração inocente. Esqueça tudo o que já te disseram sobre o que tem que ser feito e o que não deve ser feito. Ninguém pode decidir por você.
Evite esses farsantes que decidem por você, tome as rédeas em suas próprias mãos: você decide. Na verdade, é nesse ato de decisão que sua alma nasce. Quando os outros decidem em seu lugar, sua alma continua adormecida e obtusa. Quando você começa a decidir por si mesmo, também começa a ficar mais esperto. Decidir significa assumir riscos, significa que pode estar errado - esse é o risco. Quem sabe o que vai acontecer em seguida?
O que é velho tem garantias. Milhões e milhões de pessoas já fizeram o mesmo: como tantas pessoas poderiam estar erradas? Essa é a garantia. Se muitas pessoas dizem que algo está certo, então deve estar certo mesmo. Assuma todos os riscos necessários para ser um indivíduo e aceite os desafios para que você possa se aperfeiçoar, ficar mais hábil e inteligente.
A verdade não é uma crença - é inteligência absoluta. É o despertar das fontes ocultas da sua vida, é uma experiência iluminadora da sua consciência. Mas você terá de providenciar o espaço certo para que isso aconteça. E o espaço certo é a aceitação de quem você é. Não negue coisa alguma, não fique dividido nem se sinta culpado.
Deveria ser fácil deixar o sofrimento, a angústia e a infelicidade de lado. Você não quer ser infeliz, então não deveria ser difícil. Deve haver alguma complicação oculta. A complicação consiste no fato de que, desde a infância, não deixam que você fique feliz, extasiado, alegre.
Você tem sido obrigado a ser sério, e a seriedade pressupõe tristeza. Você foi obrigado a fazer coisas que nunca quis. Está impotente, fraco, é dependente das outras pessoas - é natural que tenha que fazer o que elas mandam. Contra a própria vontade, foi forçado a fazer tantas coisas que, pouco a pouco, uma questão ficou bem clara: tudo que estiver contra você estará certo e tudo que não estiver contra você estará errado. Ao longo dos anos, você cresceu dessa forma e se encheu de tristeza, o que não é natural.
Ser feliz é ser natural, assim como ser saudável é ser natural. Quando você está saudável, não vai ao médico perguntar: "Doutor, por que estou saudável?" Não há necessidade de fazer perguntas sobre sua saúde. Quando doente, contudo, imediatamente pergunta: "Por que não me sinto bem? Qual a razão, a causa da minha doença?"
É perfeitamente aceitável querer saber por que está infeliz. Errado é querer saber por que está feliz. Na sociedade em que você foi criado, a alegria e a felicidade que não possuem uma razão específica são tachadas de loucura. Se alguém sorri sem um motivo específico, as pessoas acham que você está de miolo mole - por que está sorrindo? Por que essa cara tão feliz? E se a pessoa responder "Não sei, só estou contente", essa resposta só confirmará a idéia de que há algo errado.
Porém, quando alguém está infeliz, ninguém pergunta o motivo. Ser infeliz é considerado natural, todo mundo é. Isso causa todo o sofrimento da humanidade, porque todo mundo está onde nao devia estar, sendo algo que não deveria ser. Como as pessoas não podem estar onde precisam - onde, por direito nato, deveriam estar -, são infelizes. Você tem vivido nesse estado, cada vez mais distanciado de si mesmo. Já esqueceu o caminho de volta para casa. Seja lá onde estiver, acha que está em casa - a infelicidade tornou-se seu lar e a angústia é uma segunda natureza. O sofrimento é aceito como se indicasse saúde, não doença.
Quando alguém lhe diz "Saia dessa vida infeliz, deixe de lado esse sofrimento que está carregando desnecessariamente", uma questão vem à tona: "Isso é tudo que temos! Se deixarmos isso de lado, não seremos ninguém, perderemos a nossa identidade. Pelo menos agora eu sou alguém - sou infeliz, triste, sofrido. Se abandonar tudo isso, terei de descobrir minha identidade. Quem sou eu?" Ninguém quer ficar pelado no meio da rua.
É melhor ser infeliz - pelo menos você tem algo que vestir, embora seja a tristeza... mas não faz mal, todo mundo está vestindo o mesmo tipo de roupa.
Essas são as duas possibilidades.
A terceira possibilidade foi completamente esquecida. A terceira é a sua realidade, e nela não há nem um pingo de infelicidade. A natureza intrínseca do ser humano é o êxtase.
O êxtase não é algo que precise ser alcançado. Já está presente, você nasceu com ele. Nunca o perdemos, apenas nos afastamos demais dele, voltando as costas para nós mesmos. Ele está bem atrás de nós; basta uma pequena virada para que ocorra uma grande revolução.
Existem, porém, falsas religiões ao redor do mundo que dizem que você é infeliz porque, no passado, cometeu más ações. Tudo bobagem. Afinal, por que a existência precisaria esperar uma vida inteira para castigá-lo? Na natureza, as coisas acontecem de imediato. Por acaso você põe a mão no fogo e, na vida seguinte, ela será queimada? Que estranho! Não, você será queimado no mesmo instante, no ato. Causa e efeito estão ligados, não pode haver distância entre eles.
Mas as falsas religiões continuam consolando as pessoas: "Não se preocupem. Pratiquem bons atos, mostrem mais devoção. Vão ao templo ou à igreja e a sua próxima vida não será tão miserável". Parece que ninguém paga à vista, tudo fica para a vida seguinte. E ninguém volta da vida seguinte para dizer: "Essas pessoas só estão falando mentiras".
Religião é dinheiro na mao; não é sequer um cheque.
Cada religião encontrou uma estratégia diferente, mas a razão é sempre a mesma. Cristãos, judeus, muçulmanos dizem às pessoas: "Vocês estão sofrendo porque Adão e Eva cometeram um pecado". O primeiro casal que existiu, milhares de anos atrás... e nem mesmo foi um grande pecado - e você o comete todos os dias. Eles simplesmente comeram maçãs e Deus os tinha proibido de fazer isso. A questão não é a maçã, a questão é que, milhares de anos atrás, alguém desobedeceu a Deus. Essas pessoas foram castigadas, expulsas do Jardim do Éden, do paraíso de Deus. Por que nós estamos sofendo? Porque eles eram nossos antepassados.
A realidade é bem diferente. Não é uma questão de cometer maus atos; a questão é que você foi afastado de si mesmo, de seu êxtase natural. E nenhuma religião quer que você fique em êxtase - do contrário, o que aconteceria às suas disciplinas? O que aconteceria às suas grandes práticas ascetas? Ao dinheiro que você dá para essas entidades?
Se deixar a infelicidade de lado for tão fácil quanto eu digo, todas as falsas religiões perderão seus grandes negócios. Tudo é um negócio para elas. O êxtase tem de ser algo tão difícil, quase impossível de alcançar, de forma que as pessoas só possam ter esperança de atingi-lo numa vida futura, depois de longas e penosas jornadas.
Mas digo por experiência própria: para mim, tudo aconteceu com muita facilidade. Também vivi muitas vidas passadas e certamente devo ter cometido maus atos num número muito maior do que qualquer pessoa - porque não os considero maus atos. Apreciar a beleza, apreciar o sabor, apreciar tudo o que deixa a vida mais fácil de ser vivida, mais cheia de amor, nada disso é ruim para mim.
Quero que você fique mais sensível, mais esteticamente sensível a essas coisas. Elas o tornarão mais humano, o deixarão mais terno, mais grato pela vida.
Não se trata de uma questão teórica para mim. Simplesmente aceitei o nada como uma porta - que chamo de meditação, apenas um outro nome para o nada. E, no momento em que o nada surge repentinamente, em que você fica cara a cara consigo mesmo, toda a infelicidade desaparece.
A primeira coisa que você faz é rir de si mesmo, do idiota que é. Essa infelicidade nunca existiu, você a criou com uma mão e tentou destruí-la com a outra - e, naturalmente, você ficou dividido, num estado de esquizofrenia.
A coisa mais simples da vida é ser você mesmo. Não exige nenhum esforço; você já é você mesmo.
Basta lembrar-se... basta jogar fora todas as idéias estúpidas que a sociedade te impôs. E isso é tão simples quanto uma cobra que troca de pele sem nunca olhar para trás. Trata-se apenas de uma pele velha.
Se você entender, isso pode acontecer neste mesmo instante. Pois, neste exato momento, você consegue ver que não existe infelicidade, não existe angústia (são apenas criações suas). Está em silêncio, parado na porta do nada - dê um passo à frente e encontrará o maior dos tesouros esperando por você há milhares de vidas.
A mente em geral está consciente da dor, mas nunca do êxtase. Se você tem dor de cabeça, você está consciente dela. Se você não tem dor de cabeça, você não se dá conta do bem-estar. Quando o corpo doi, você fica consciente dele, mas quando o corpo está perfeitamente saudável, você não tem consciência da sua saúde.
Essa é a causa básica que faz com que você se sinta tão infeliz: toda a nossa consciência está concentrada na dor. Nós só contamos os espinhos - nunca olhamos para as flores. De algum modo, escolhemos os espinhos e ignoramos as flores. Por uma razão biológica, a natureza fez com que você tivesse consciência da dor para poder evitá-la. De outro modo, sua mão podia ser queimada sem que você notasse, seria difícil sobreviver. A natureza, no entanto, não tem qualquer sistema para deixá-lo consciente do prazer, da alegria, da bem-aventurança. Isso tem que ser aprendido, tem que ser praticado. Trata-se de uma arte.
Deste momento em diante, procure ficar consciente das coisas que são naturais. Por exemplo, seu corpo está saudável: sente-se silenciosamente e tome consciência dele. Sinta o bem-estar. Não há nada de errado com você - aproveite! Faça um esforço deliberado para ter a percepção disso. Você se alimentou bem e o seu corpo está satisfeito, saciado: tome consciência disso.
Quando você está com fome, a natureza o deixa consciente disso, mas não existe um sistema para deixá-lo consciente quando você está saciado, é algo que tem de ser desenvolvido. A natureza precisa aprimorar essa capacidade porque a sobrevivência é tudo o que ela tem em vista - qualquer coisa além disso é luxo. A felicidade é um luxo, o maior luxo que existe.
Observo que é isso que faz com que as pessoas sejam tão infelizes - na verdade, elas não são tão infelizes quanto parecem. Elas têm muitos momentos de grande alegria, mas esses momentos passam em branco, pois elas nunca tomam consciência deles. A memória das pessoas está sempre cheia de dor e de feridas. A mente, sempre cheia de pesadelos. Num período de 24 horas acontecem milhares de coisas pelas quais você daria graças a Deus, mas você sequer se dá conta delas!
Você precisa começar a fazer isso a partir de agora. Ficará surpreso ao ver que a alegria aumentará dia após dia, enquanto a dor e a tristeza diminuirão proporcionalmente, até chegar o dia em que a vida será quase só uma celebração. A dor só surgirá de vez em quando e fará parte do jogo. Você não ficará abalado nem perturbado, apenas aceitará.
Se você aprecia a sensação de saciedade que surge depois que você come, sabe que a fome provoca uma leve dor... e isso é bom. Se você teve uma boa noite de sono e pela manhã se sentiu vivo e revigorado, sabe que, se passar uma noite sem dormir, sentirá um leve mal-estar, mas isso também faz parte do jogo.
Sei por experiência própria que a vida consiste de 99% de alegria e 1% de dor. Contudo, a vida das pessoas normais consiste em 99% de dor e 1% de alegria - está tudo invertido.
Fique cada vez mais consciente do prazer, da felicidade, do lado positivo, das flores, dos pequenos raios de sol em meio às nuvens negras. Seja otimista.
Fonte: Osho, Corpo e mente em equilíbrio, Editora Sextante, 2008.
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