Monday, January 09, 2012
Sociedade e Alegria
A sociedade tem criado uma mente repressiva, uma mente negativa em relação à vida, uma mente contrária à alegria. A sociedade é muito contrária ao sexo. Por que a sociedade é tão contrária ao sexo? - porque se você permite que as pessoas tenham prazer sexual, não consegue transformá-las em escravos. É impossível - uma pessoa alegre não pode ser transformada em um escravo. Esse é o truque. Apenas as pessoas tristes podem ser escravas. Uma pessoa alegre é livre; tem um tipo de independência de si mesma.
Você não pode recrutar pessoas alegres para a guerra. Impossível. Por que elas deveriam ir para a guerra? Mas se uma pessoa reprimiu sua sexualidade, ela está pronta para ir à guerra porque não consegue gostar da vida. Ela se tornou incapaz de gostar, assim é incapaz de ser criativa. Agora, ela só consegue fazer uma coisa: destruir. Todas as suas energias se tornaram venenosas e destrutivas. Está pronta para ir à guerra - não apenas pronta, mas está esperando para ir. Ela quer matar, quer destruir. Na verdade, enquanto destruir seres humanos, ela sentirá uma grande alegria de entrada. Essa entrada poderia ser no amor, e teria sido bela. Quando você penetra no corpo de uma mulher ao fazer amor, é uma coisa. É espiritual. Mas quando as coisas dão errado e você penetra o corpo de alguém com uma espada, é feio, é violento, é destrutivo. Mas você está procurando um substituto para a penetração.
Se a sociedade pode ter total liberdade em relação à alegria, ninguém será destrutivo. As pessoas que amam de modo bonito nunca são destrutivas. E as pessoas que puderem amar de maneira bonita e ter a alegria de viver não serão competitivas. Esses são os problemas.
É por isso que as pessoas primitivas não são tão competitivas. Elas estão aproveitando suas vidas. Quem se importa em ter uma casa maior? Quem se importa em ter mais dinheiro no banco? Para que? Você está feliz com sua mulher ou com seu homem e está tendo alegria na vida. Quem quer se sentar no mercado de trabalho por horas e horas, dia após dia, ano após ano, esperando que, um dia, tenha um bom dinheiro na conta para poder se aposentar e viver a vida? Esse dia nunca chegará. Não poderá chegar, porque durante toda a sua vida, você se manteve um cético.
Lembre-se de que as pessoas de negócios são céticas. Elas dedicaram tudo ao dinheiro. Mas um homem que conhece o amor, a emoção do amor e o êxtase dele não será competitivo. Ele será feliz se puder ter seu pão de cada dia. É esse o sentido da oração de Jesus: "O pão nosso de cada dia dai-nos hoje". Isso é mais do que suficiente. Mas Jesus parece tolo. Ele deveria ter pedido: "Dai-nos uma conta bancária com mais dinheiro". Ele só pede o pão de cada dia? Um homem alegre nunca pede mais do que isso. A alegria é muito compensadora.
Apenas os seres não-realizados são competitivos, porque eles pensam que a vida não é aqui, é lá. "Eu preciso chegar a Brasília para me tornar o presidente", ou à Casa Branca para me tornar isso ou aquilo. "Preciso chegar lá, a alegria está lá" - porque eles sabem que não existe alegria aqui. Por isso, eles não param. Estão sempre tentando, e nunca alcançam. E o homem que conhece a alegria, está aqui. Por que ele deveria ir a Brasília? Para quê? Ele está muito feliz onde está. Suas necessidades são muito pequenas. Ele não tem desejos. Certamente tem necessidades, mas não desejos. As necessidades podem ser realizadas, os desejos, nunca. As necessidades são naturais, os desejos são pervertidos.
Essa sociedade toda depende de uma coisa, e é a repressão sexual; caso contrário, a economia será destruída, sabotada.
A guerra desaparecerá, e com ela todo o arsenal de guerra, e a política se tornará sem sentido, e os políticos não serão mais importantes. O dinheiro não terá valor se as pessoas puderem amar. Como elas não podem amar, o dinheiro torna-se o substituto, o dinheiro torna-se o amor delas. Então existe uma estratégia sutil. O sexo deve ser reprimido, caso contrário, toda a estrutura da sociedade desabará.
Apenas o amor solto no mundo trará a revolução adequada. O comunismo não deu certo, o fascismo não deu certo, o capitalismo não deu certo. Todos os "ismos" falharam porque, no fundo, todos eles reprimem o sexo. Neste ponto, não há diferença - nenhuma diferença entre Washington e Moscou, Beijing e Délhi - nenhuma diferença. Todos eles concordam com uma coisa: que o sexo tem de ser controlado, que as pessoas não têm a permissão de ter uma alegria inocente no sexo. Para mudar o equilíbrio, vem o tantra; o tantra é um remédio, por isso ele enfatiza tanto o sexo. As tão conhecidas religiões dizem que o sexo é pecado, e o tantra diz que o sexo é o único fenômeno sagrado. O tantra é um remédio. O zen não é um remédio. O zen é o estado em que a doença já desapareceu - e é claro, com a doença, o remédio também. Quando você está curado de sua doença, você não continua carregando a prescrição e o frasco de remédio por aí. Você os joga fora. Eles vão para o cesto de lixo.
A sociedade comum é contra o sexo. O tantra vem pra ajudar a humanidade, para devolver o sexo à humanidade. E quando o sexo é devolvido, o zen aparece. O zen não tem qualquer atitude. O zen é saúde pura.
Fonte: Osho, Entregue-se ao amor, Editora Celebris, 2006. ISBN 85-89219-59-3.
Labels: alegria, Osho, sexo, sociedade, Tantra, Zen
Saturday, February 05, 2011
Troque sua Infelicidade pela Felicidade
"O pior cego é aquele que não quer ver", ditado popular
Resposta: A infelicidade tem muitas coisas a lhe dar, as quais a felicidade não pode dar. Na verdade, a felicidade tira muitas coisas de você, ela tira tudo o que você já teve, tudo o que você já foi; a felicidade o destrói. A infelicidade alimenta o seu ego, e a felicidade é basicamente um estado de ausência de ego. Esse é o problema, o ponto crucial do problema. É por isso que as pessoas acham difícil ser felizes, é por isso que milhões de pessoas no mundo precisam viver infelizes... decidiram viver infelizes. Isso lhe dá um ego muito cristalizado, fortalecido. Quando infeliz, você existe, feliz, você não existe. Na infelicidade há cristalização; na felicidade você fica difuso.
Se isso for entendido, então as coisas ficam muito claras. A felicidade o torna alguém especial; a felicidade é um fenômeno universal, não há nada de especial nela. As árvores são felizes, os animais são felizes, os pássaros são felizes, toda a existência é feliz, exceto o ser humano. Ao ser infeliz, o ser humano se torna algo muito especial, extraordinário.
A infelicidade o torna capaz de atrair a atenção das outras pessoas. Sempre que você está infeliz, você recebe atenção, simpatia, amor. Todos começam a cuidar de você. Quem deseja magoar uma pessoa infeliz? Quem tem inveja de uma pessoa infeliz? Quem deseja se opor a uma pessoa infeliz? Isso seria muito maldoso.
A pessoa infeliz é protegida, amada, amparada. Há um grande investimento na infelicidade. Se a esposa não for infeliz, o marido tende a simplesmente ignorá-la. Se ela é infeliz, o marido não pode se dar ao luxo de negligenciá-la. Se o marido é infeliz, toda a família, a esposa, os filhos, todos ficam à sua volta, preocupados com ele; isso dá um grande conforto. A pessoa infeliz sente que não está só, que tem família, amigos.
Quando você está doente, deprimido, infeliz, os amigos vêm visitá-lo, confortá-lo, consolá-lo. Quando você está feliz, os mesmos amigos ficam com inveja de você. Quando você está realmente feliz, você percebe que o mundo inteiro se voltou contra você.
Ninguém gosta de uma pessoa feliz, pois ela machuca o ego dos outros. Os outros começam a sentir: "Você ficou feliz e nós ainda estamos nos arrastando na escuridão, na infelicidade, no inferno. Como você ousa ser feliz quando todos estão em tamanha aflição?!".
O mundo inteiro é constituído de pessoas infelizes, e ninguém é corajoso o suficiente para deixar o mundo inteiro contra si; isso é muito perigoso, muito arriscado. É melhor se apegar à infelicidade, pois ela o mantém como parte não destoante da multidão. Feliz, você é um indivíduo; infeliz, você é parte da multidão, seja ela hindu, muçulmana, cristã, indiana, árabe, japonesa...
Feliz? Você sabe o que é felicidade? Ela é hindu, cristã, muçulmana? Felicidade é simplesmente felicidade. A pessoa é transportada para um outro mundo, não é mais parte deste mundo que a mente humana criou, não é mais parte do passado, da feia história, deixa de ser parte do tempo. Quando você está realmente feliz e pleno, o tempo e o espaço desaparecem.
Albert Einstein disse que no passado os cientistas costumavam achar que havia duas realidades: espaço e tempo. Mas ele afirmou que essas duas realidades não são duas, e sim as duas faces da mesma realidade. Daí ele ter cunhado a palavra espaço-tempo; uma única palavra. O tempo nãda mais é do que a quarta dimensão do espaço. Einstein não era um místico; do contrário ele teria introduzido também a terceira realidade: o transcendental, nem espaço nem tempo. Essa também existe, e eu a chamo de testemunho. E uma vez que essas três estejam presentes, você tem toda a trindade, tem o conceito de trimurti, as três faces de Deus. Então você tem todas as quatro dimensões; a realidade tem quatro dimensões: três dimensões do espaço e a quarta dimensão do tempo.
Mas há uma coisa a mais, a qual não pode ser chamada de quinta dimensão, pois não é a quinta realidade; ela é o todo, o transcendental. Quando você está extasiado, você começa a penatrar no transcendental. Ele não é social, não é tradicional e nada tem a ver com a mente humana.
Sua pergunta é significativa: "O que é esse apego à infelicidade?"
Existem razões. Investigue a sua infelicidade, observe e você será capaz de descobrir quais são as razões. E investigue esses momentos em que, de vez em quando, você se permite a satisfação de estar alegre; então perceba quais são as diferenças.
Você notará algumas coisas: quando você está infeliz, é um conformista. A sociedade adora isso, as pessoas o reverenciam, você tem grande respeitabilidade, pode até mesmo se tornar um santo; daí seus santos serem todos infelizes, a aflição está claramente escrita em sua face, em seus olhos. Por eles serem infelizes, eles são contra toda a alegria, condenam toda a alegria como hedonismo, condenam cada possibilidade de alegria como um pecado. Eles são infelizes e gostariam de ver todo mundo infeliz. Na verdade, apenas em um mundo infeliz eles podem ser considerados santos! Em um mundo feliz eles teriam de ser hospitalizados, de ser tratados mentalmente. Eles são patológicos.
Vi muitos santos e investiguei a vida dos santos do passado. Noventa e nove por cento deles são simplesmente anormais: neuróticos ou mesmo psicóticos. Mas eles são respeitados, e são respeitados por sua infelicidade, lembre-se. Quanto mais infelicidades eles passam, mais são respeitados. Houve santos que espancavam seus corpos com um chicote todos os dias, e pessoas se juntavam para ver essa grande austeridade, esse ascetismo, essa penitência. O maior deles era aquele que tinha feridas por todo o corpo, e essas pessoas eram consideradas santas! Houve santos que destruíram seus olhos, pois é por meio dos olhos que a pessoa fica ciente da beleza, e surge a sexualidade. E eles eram respeitados por terem destruído seus olhos. Foi-lhes dado olhos para ver a beleza da existência, mas eles decidiram ficar cegos. Houve santos que cortaram seus órgãos genitais e foram muito respeitados, imensamente respeitados, pela simples razão de terem sido autodestrutivos, violentos consigo mesmos. Essas pessoas eram psicologicamente doentes.
Investigue a sua infelicidade e descobrirá certos elementos fundamentais. Ela lhe dá respeito, as pessoas se sentem mais amigáveis em relação a você, mais solidárias, você terá mais amigos se for infeliz. Este é um mundo muito estranho, algo está fundamentalmente errado com ele. Isso não deveria ser assim; a pessoa feliz deveria ter mais amigos, mas seja você feliz e as pessoas ficam com inveja de você, deixam de ser amigáveis. Elas se sentem trapaceadas, você tem algo que não está disponível a elas. Por que você é feliz? Assim, através dos tempos aprendemos um mecanismo sutil de reprimir a felicidade e de expressar a infelicidade. Isso se tornou nossa segunda natureza.
Você precisa abandonar todo esse mecanismo. Aprenda a ser feliz, aprenda a respeitar as pessoas felizes e a lhes prestar mais atenção. Esse será um grande serviço à humanidade. Não seja muito solidário com as pessoas infelizes. Se alguém for infeliz, ajude, mas não se compadeça, não lhe dê a idéia de que a infelicidade é algo de valor. Deixe que ele saiba perfeitamente bem que você o está ajudando, mas "Faço isso não porque o respeito, mas simplesmente porque você está infeliz". E você não está fazendo nada, exceto tentando trazer a pessoa para fora de seu infelicidade, pois a infelicidade é feia. Deixe que a pessoa sinta que a infelicidade é feia, que ser infeliz não é algo virtuoso, que ela não está fazendo um grande serviço à humanidade dessa forma.
Seja feliz, respeite a felicidade e ajude as pessoas a entender que a felicidade é o objetivo da vida. Sempre que você perceber uma pessoa bem-aventurada, respeita-a; ela é sagrada. E sempre que você sentir uma reunião feliz e festiva de pessoas, considere aquele lugar sagrado.
Temos de aprender uma linguagem totalmente nova, e somente então esta velha e enferrujada humanidade poderá mudar. Precisamos aprender a linguagem da saúde, da inteireza, da felicidade. Isso será difícil, pois nossos investimentos no oposto são grandes.
Essa é uma das questões mais fundamentais que uma pessoa pode formular. Ela também é estranha, pois deveria ser fácil abandonar o sofrimento, a angústia, a infelicidade. Não deveria ser difícil: você não quer ser infeliz, então deve haver alguma profunda complicação por trás disso. A complicação é que desde a sua infância não lhe permitiram ser feliz, ser bem-aventurado, ser alegre.
Você foi forçado a ser sério, e a seriedade implica em tristeza. Você foi forçado a fazer coisas que nunca quis fazer, mas era impotente, fraco, dependente das pessoas; naturalmente você precisou fazer o que elas diziam. Você fez aquelas coisas contra a sua vontade, de uma maneira infeliz e com profunda resistência. Contra si mesmo, você foi forçado a fazer tantas coisas que, aos poucos, algo ficou claro a você: tudo o que for contra você está certo, e tudo o que não for contra você fatalmente está errado. E toda essa educação constantemente o preencheu com tristeza, o que não é algo natural.
Ser alegre é natural, assim como ser saudável é natural. Quando você está saudável, você não vai ao médico perguntar: "Por que estou saudável?" Não há necessidade de fazer nunhuma pergunta sobre a sua saúde. Mas, quando você está doente, imediatamente pergunta: "por que estou doente? Qual é a razão, a causa da minha enfermidade?", já que isso não é natural.
Está perfeitamente certo perguntar pelo motivo de você estar infeliz, mas não está certo perguntar por que você está profundamente feliz. Você cresceu em uma sociedade insana, onde ser profundamente feliz sem razão é algo considerado loucura. Se você estiver simplesmente sorrindo sem nenhuma razão, as pessoas acharão que há um parafuso solto em sua cabeça: "Por que você está sorrindo, por que está parecendo tão feliz?" E, se você disser a verdade: "Não sei, estou simplesmente feliz", essa sua resposta irá apenas reforçar a idéia delas de que algo está muito errado com você.
Mas, se você estiver infeliz, ninguém lhe perguntará por que você está infeliz. Estar infeliz é natural na nossa sociedade, todos estão; não é nada especial de sua parte, você não está fazendo algo singular.
Inconscietemente essa idéia vai se assentando em você, que a infelicidade é natural e que a sensação de plenitude não é natural. A plenitude precisa ser provada; a infelicidade não precisa de prova. Lentamente essa idéia penetra mais fundo em você, em seu sangue, em seus ossos, em sua medula, embora naturalmente ela seja contra você. Assim, você foi forçado a ser esquizofrênico, algo contra a sua natureza foi forçado sobre você. Você foi desviado de si mesmo para algo que você não é.
Isso cria toda a infelicidade da humanidade: todos estão onde não deveriam estar, todos são o que não deveriam ser. E por não poder estar onde você precisa estar, onde é seu direito inato de estar, a pessoa fica infeliz. E ao estar nesse estado de se afastar cada vez mais de si mesmo, você se esquece do caminho de volta para casa. Assim, onde você está agora você considera como sendo o seu lar; a infelicidade se tornou o seu lar, a angústia se tornou a sua natureza. O sofrimento foi aceito como saúde, e não como doença.
E quando alguém diz: "Abandone essa vida miserável, abandone esse sofrimento que você está carregando desnecessariamente", surge uma questão muito significativa: "Isso é tudo o que temos! Se abandonarmos essa vida atual, perderemos nossa identidade. Pelo menos agora eu sou alguém, alguém infeliz, alguém triste, alguém em sofrimento. Se eu abandonar tudo isso, ficarei sem saber qual é a minha identidade. Quem sou eu? Não sei o caminho de volta para casa, e você tirou a hipocrisia, o falso lar criado pela sociedade".
Ninguém quer ficar despido no meio da rua; é melhor ser infeliz, pelo menos você tem algo para usar, embora seja o tormento... mas não tem problema, todos os outros estão usando o mesmo tipo de roupa. Para os que podem custear, sua infelicidade é cara; e aqueles que não podem custeá-la são duplamente infelizes: eles precisam viver em um tipo pobre de infelicidade, sem muito do que se gabar.
Dessa maneira, há os infelizes ricos e os infelizes pobres. E os infelizes pobres estão dando tudo de si para de alguma maneira chegar ao status de infelizes ricos. Esses são os únicos tipos disponíveis na nossa sociedade.
O terceiro tipo foi completamente esquecido. O terceiro é a sua realidade verdadeira, e ela não tem infelicidade em si.
Você me pergunta por que o ser humano não pode abandonar sua infelicidade. Isso acontece pela simples razão de que ela é tudo o que ele tem. Você quer torná-lo ainda mais pobre? Ele já é pobre. Há o rico infeliz; ele tem um infelicidade pequena e minúscula da qual não pode se gabar, e você está lhe pedindo para abandonar até mesmo isso. Então ele será um ninguém, será vazio, um nada.
E todas as culturas, todas as sociedades, todas as religiões cometeram um crime contra a humanidade: elas criaram em todos um medo do nada, do vazio.
A verdade é que o nada é a porta da riqueza verdadeira, é a porta da plenitude, e a porta precisa ser um nada. A parede existe, mas não se pode entrar nela; você simplesmente bateria a cabeça e poderia ter algumas costelas fraturadas. Por que você não pode entrar na parede? Porque ela não tem o vazio, é sólida; ela objeta. É por isso que chamamos as coisas de "objetos": eles objetam, não permitem que você passe através deles, impedem-no.
Uma porta precisa ser não-objetiva, precisa ser vazia. Uma porta significa que não há nada para impedi-lo, você pode entrar.
E por termos sido condicionados de que o vazio é algo ruim, que o nada é algo ruim, pelo condicionamento fomos impedidos de abandonar a infelicidade, de abandonar a angústia, de abandonar todo o sofrimento e apenas ser um nada.
No momento em que você for um nada, você se tornará a porta, uma porta para o divino, para si mesmo, que leva a seu lar, que o conecta novamente com a sua natureza intrínseca. A natureza intrínseca do ser humano é o estado de plenitude.
O estado de plenitude não é algo a ser alcançado. Ele já está presente, nós nascemos nele e não o perdemos, apenas nos distanciamos dele, mantendo nossas costas para nós mesmos.
Ele está exatamente atrás de nós; uma pequena virada sua e uma grande revolução...
E, no que se refere a mim, essa não é uma questão teórica. Eu aceitei o nada como uma porta, à qual eu chamo de meditação, que nada mais é do que um outro nome para o nada. E, no momento em que o nada acontece, subitamente você fica de cara consigo mesmo e toda a infelicidade desaparece.
A primeira coisa que você faz é simplesmente rir de si mesmo, que idiota você tem sido... Essa infelicidade nunca existiu; você a estava criando com uma mão e estava tentando destruí-la com a outra e, naturalmente, você estava dividido, em uma condição esquizofrênica.
Isso é absolutamente fácil e simples: a coisa mais simples na existência é ser você mesmo. Não há necessidade de esforço; o esforço atrapalha; você já o é.
Apenas uma lembrança... apenas se livre de todas as idéias estúpidas que a sociedade lhe impôs. E isso é tão simples quanto uma cobra escorregar para fora de sua velha pele e nem mesmo olhar para trás. Trata-se apenas de uma pele velha.
Se você entender isso, isso pode acontecer neste exato momento, pois neste exato momento você pode perceber que não existe nenhuma infelicidade, nenhuma angústia.
Você está em silêncio diante da porta do nada; apenas mais um passo para dentro e você encontra o maior tesouro, o qual está esperando por você há milhares de vidas.
Fonte: Osho, Alegria: A Felicidade que Vem de Dentro, Editora Cultrix, 2006. ISBN 978-85-316-0887-2.
Labels: alegria, ego, felicidade, hedonismo, infelicidade, Osho, santos
Saturday, January 29, 2011
A Alegria
Normalmente, o que consideramos como alegria não é alegria; no máximo se trata de entretenimento, e é apenas uma maneira de evitar a si mesmo, de intoxicar a si mesmo, de mergulhar em algo para que você possa se esquecer da sua infelicidade, de sua preocupação, de sua angústia, de sua ansiedade.
Todos os tipos de entretenimento são considerados como sendo alegria, mas eles não são! Tudo o que vem de fora não é alegria, não pode ser; tudo o que depende de algo externo não é alegria, não pode ser. A alegria surge de sua própria essência; ela é absolutamente independente de qualquer circunstância externa. E ela não é uma fuga de si mesmo, mas é realmente encontrar a si mesmo. A alegria surge apenas quando você chega em casa.
Assim, tudo o que é conhecido como alegria é apenas o contrário, o diamentralmente oposto, e não é alegria. Na verdade, por não ter alegria, você procura os entretenimentos.
Aconteceu de um dos maiores romancistas russos, Maxim Gorki, visitar os Estados Unidos. Foi-lhe mostrado todos os tipos de divertimentos que os americanos criaram para se entreterem, para se perderem. O seu guia esperava que ele ficasse muito feliz, porém, quanto mais Maxim Gorki via o que o guia lhe mostrava, mais infeliz e triste ele parecia.
O guia lhe perguntou: "O que há? Você não pode entender?"
Maxim Gorki respondeu: "Posso entender, e é por isso que estou me sentindo triste. Este país não deve ter qualquer alegria; senão, não haveria necessidade de tantos entretenimentos".
Somente uma pessoa sem alegria precisa de entretenimento. Quanto mais o mundo fica sem alegria, mais precisaremos de televisão, de cinemas, de jogos de futebol, de cidades enfeitadas e mil e uma coisas. Precisamos cada vez mais de bebidas alcoólicas, cada vez mais de novos tipos de drogas, apenas para evitar a infelicidade na qual estamos, apenas para não encarar a angústia na qual estamos, apenas para, de alguma maneira, nos esquecermos de tudo. Mas, ao esquecer, nada é alcançado.
Alegria é entrar em seu próprio ser. No começo é difícil, árduo; no começo você terá de encarar a aflição. O caminho é enorme, porém, quanto mais você penetrar nele, maior será o pagamento, maior será a recompensa.
Quando você aprender a encarar a sua infelicidade, você começará a ser alegre, pois, nesse próprio encarar, a infelicidade começa a desaparecer e você começa a ficar cada vez mais integrado.
Um dia a infelicidade estará presente, e você a encarará - e, de repente, a quebra: você pode perceber a infelicidade separada de você e você separado dela. Você sempre esteve separado; ela era apenas uma ilusão, uma identificação que você teve. Agora você sabe que você não é isso; então há um acesso de alegria, uma explosão de alegria.
Fonte: Osho, Alegria - A Felicidade que Vem de Dentro, Editora Cultrix, 2006. ISBN 978-85-316-0887-2.
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Monday, November 01, 2010
Mensagens da Brahma Kumaris - 6
Alegria
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“A natureza alegre do espírito cativa corações. Pessoas alegres são amadas por si, pelos outros e, principalmente, por Deus. Alegria é um remédio. Ela remedia os conflitos e une os corações partidos. Quando a pessoa é alegre, o mundo fica alegre para ela. Face sorridente, palavras doces, atitude positiva, olhar sincero e relações cordiais são os meios de adicionar espiritualidade às ações. Manter a face alegre não é brincadeira, exige um esforço extraordinário.” - BK Achuthan, Cheerfulness, The World Renewal, August, 2009 |
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Sunday, September 05, 2010
Meditações do Osho - 11
O primeiro passo em direção à verdade é a alegria, uma profunda dança interior. É preciso abandonar tudo que impede essa dança, tudo que impede que a vida se torne uma celebração. E todos nós trazemos muitos condicionamentos que são contrários à bem-aventurança.
Na verdade, a religião se tornou quase um sinônimo de seriedade. As pessoas religiosas parecem tristes, como se fosse pecado rir. Elas não podem cantar, não podem dançar, não podem desfrutar coisa alguma. São contra a vida. Esse não é o modo de encontrar a verdade.
Ame a vida, ame as pequenas coisas da vida, as bem pequenas. Comer, caminhar, dormir - as atividades banais da vida têm de ser transformadas em deleite, têm de ser feitas com tamanha alegria a ponto de se transformarem numa dança. E então a verdade não estará longe, a cada momento ela ficará mais próxima. No instante em que sua bem-aventurança for total, a verdade estará em você. E a verdade liberta.
Fonte: Osho, Meditações para a Noite, Verus Editora, Campinas-SP, 2006.
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Thursday, July 26, 2007
Seja Alegre e Otimista
Se você deseja ter uma vida longa e feliz, seja alegre e otimista. Por que? Porque a Força que criou o nosso corpo físico é piedosa, bondosa e misericordiosa, não deixando que seus filhos fiquem sofrendo por muito tempo e sem necessidade neste nosso meio social. O motivo principal para sermos alegres e otimistas é o simples fato de estarmos vivos (por algum merecimento). Se seu otimismo não chega a tal ponto, procure então enfatizar os bons aspectos de tudo que forma a sua vida, coisas externas e internas, e desenfatizar todos os aspectos que, na sua avaliação, lhe parecem maus e negativos. Certamente, você tem a liberdade de optar (livre arbítrio) em focar sua atenção consciente em um desses dois grandes cestos, um cheio das coisas boas e o outro cheio das coisas más.
Existe um movimento religioso chamado Seicho-No-Iê, fundado pelo mestre Masaharu Taniguchi, que alerta seus seguidores para dizer arigatô (obrigado) para todos os acontecimentos que nos acontecem, pois todos eles trazem ensinamentos de vida que contribuem para a nossa evolução neste planeta. Ao dizer um obrigado de coração, você estará praticando a saudável virtude do agradecimento, algo pouco praticado hoje em dia, mas de um enorme valor terapêutico. É quase inevitável, nestas condições englobando alegria, otimismo e agradecimento, que não apareça um amplo sorriso em seu rosto ao interagir com qualquer outro ser vivo (pessoas ou animais).
[continua]
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Monday, February 12, 2007
O Segredo da Vida, da Luz e do Amor - 22
Os Milagres do Amor
Não pretendo afirmar que essas pessoas não tenham afeição, porém esse amor é tão egoista que produz efeito contrário ao que deve produzir normalmente o verdadeiro amor. O amor verdadeiro nunca pode causar sofrimento, porque é tão completo que não exige retribuição, mas assim como é espontaneamente radiado, também é espontaneamente retribuído.
O amor real, que se expressa livre, sincera e esplendidamente, só pode produzir alegria e saúde.
O melhor meio para aprender a amar assim é procurar ver somente o lado bom das pessoas, não dando atenção às suas fraquezas e defeitos. Se você estiver muito fechado em seu egoísmo, preso aos seus hábitos de criticar e ficar contrariado, você terá de lutar muito com o seu eu inferior para vencer essas tendências.
Você deve deixar esses hábitos, abandonar as desinteligências e abrir seu coração ao Amor, expandir e manifestar um amor que não tema, não peça retribuição, seja delicado e forte, compreenda as fraquezas humanas e tenha confiança em Deus manifestado em cada ser humano.
O amor se expressa por uma atitude delicada, simpática e compreensiva dos outros. Leva à tolerância, ao esquecimento das faltas, à disposição generosa e inclinada a perdoar.
Os pensamentos de Amor superam a todos os outros pelo seu dinamismo harmonizante.
As emoções nobres e elevadas e os pensamentos de verdadeiro amor, dão estímulo real ao seu sistema nervoso, facilitando-lhe o trabalho e ajudando-o a dirigir as funções de seu corpo.
O verdadeiro amor operará maravilhas em seu corpo, eliminando as toxinas e renovando as células. Quanto mais você expressar esse amor, mais alegre e agradável se tornará sua vida e mais sua alma se encherá de gratidão pela alegria de viver. O amor pode produzir coisas admiráveis na sua vida prática e nos seus negócios. O poder mágico do amor é tão grande que pode produzir a cura das mais terríveis moléstias.
A lei do amor tem a sua mais completa expressão no perdão das ofensas, que é absolutamente indispensável para agradar a Deus e obter o seu pedido. É muito importante vencer toda idéia de separatividade e unificar-se com todas as expressões de Deus, pois, uma só criatura de que você se considera separado, é um centro de expressão divina de que você se afastará, e esse afastamento pode ser o elo que falte à cadeia pela qual há de vir para si a saúde, a abundância e o bem-estar.
As suas dificuldades na vida provêm de sua separação da Fonte Infinita. Essa separação só pode dar-se nos planos inferiores, isto é, nos planos mental, psíquico e material; porém, isso se dá somente quando sua mente vibra em desarmonia com os seus semelhantes e o perdão é o único meio de estabelecer a harmonia mental e sua reação sobre o psíquico e o material. Portanto, para ser verdadeiro esoterista, você deve elevar os pensamentos ao Espírito de Vida e pedir-lhe que abençoe os que lhe fizeram mal.
[continua]
Labels: alegria, amor, perdão, saúde, separação
