Monday, January 08, 2018

 

Enquanto Dormes


Trechos do livro de Leni W. Saviscki [1]

Jesus disse: "Nenhum fio de cabelo cai de vossas cabeças sem que o Pai o saiba". Tudo o que acontece no plano físico, primeiro se concretiza no Astral. Aquilo que chamamos de "desgraça", na verdade foi um mal necessário. O que realmente tem valor e é imortal é o espírito, onde reside a vida. Quem estava naquele momento dentro da aeronave que caiu? Inocentes? Não, ou então a Lei Divina seria como a dos homens, injusta e falível.  Agruparam-se naquele momento no avião todos os espíritos que precisavam passar por aquela experiência, para seu aprendizado, seja por resquícios cármicos trazidos de vivências passadas ou por freio necessário à vivência atual. Tal fato fica claro quando se descobre que algumas pessoas que viajariam  naquele voo, por algum motivo, o perderam, ou quando se noticia que, milagrosamente, alguém sobreviveu ao desastre. Sendo assim, o responsável pelas nossas desgraças ou pelas nossas conquistas somos nós mesmos, ninguém mais. Da Terra se leva a vida que ali se levou e, consequentemente, cada um terá o desencarne da maneira como é necessário.  Muito sofrimento seria evitado se todos abrissem os ouvidos e compreendessem que a vida é imortal; que a chamada morte é somente uma passagem em que se perde o uniforme usado na Terra e que, do outro lado, continuamos vivos e atuantes.

Algumas vezes a mente física consegue captar e trazer à tona boa parte da sabedoria gravada em seu inconsciente, região onde guardamos toda nossa história de vida, desde que adquirimos consciência na forma hominal, senão antes disso. 

Como não existem penas perpétuas nem castigo divino, pois Deus é Pai e não carrasco, também podemos curar as feridas que trazemos em nós, curando as feridas dos outros, antes que a Lei nos pegue endividados e precisemos ressarcir com a mesma moeda ("olho por olho, dente por dente"). O objetivo da reencarnação não é voltar para pagar contas atrasadas, mas aprender a lição ignorada anteriormente e, dessa forma, desapegar do ego, auxiliando a todos a fazer o mesmo a fim de ajudar a melhorar o mundo. É desse jeito que ressarcimos, total ou parcialmente, o nosso saldo devedor.

O corpo físico é o templo que abriga nosso espírito na Terra; por isso, deve ser respeitado e bem cuidado. Porém, sendo templo, não é divindade. Quando os valores se invertem e esquecemos do que é imortal para endeusar somente o que é perecível, estamos nos condenando a perder os dois, pois no momento em que se devolve à terra o que é da terra (via morte), o espírito, que continua vivo, sente-se à deriva, já que perdeu seu comandante. E quem deve comandar nossa existência é nosso espírito, exercício que deve ser aprendido ainda pela grande maioria. 

O espírito que desencarna não se transforma em santo, muito menos em fantasma. Não desaparece nem evapora. Apenas se despe do uniforme carnal que não lhe serve mais, para seguir em corpo fluídico, invisível aos nossos olhos físicos. Mas esse "seguir" não significa que todos que morrem conseguem imediatamente se desvincular do plano terreno. Para os que têm essa dificuldade, são necessários atenção e tempo especial dos socorristas, que, por sua vez, necessitam do auxílio imprescindível dos encarnados, principalmente dos familiares e amigos, nas primeiras horas pós-morte. 

Qualquer dor que causamos ontem vem bater na nossa porta hoje, em busca de ressarcimento. Por isso, não existem vítimas diante das leis supremas. Existem, sim, devedores com saldo negativo, trazido do Além-túmulo. A melhor fórmula medicamentosa existente em nosso mundo é o perdão, pois por meio dele conseguimos nos libertar de um fardo do passado. 

Nós, espíritos desencarnados, quando autorizados pela Grande Energia, temos a plasticidade de um corpo astral modificável na aparência e na forma, porém mantendo sempre a essência e o objetivo de nossa missão, que é o que realmente interessa. A casa de caridade que trabalha com a espiritualidade, seja ela um terreiro de umbanda ou outro templo qualquer, é um hospital de almas. Para lá se encaminham os necessitados de cura para suas dores emocionais, mentais ou espirituais e, por que não, também físicas. O ser humano atual não sabe mais parar, muito menos introspectar-se, razão pela qual também sofre. O espelho disso são os consultórios médicos e terapêuticos sempre lotados e, da mesma forma, os centros espiritualistas. As pessoas não se conhecem porque não se olham e, se o fazem, não se enxergam. Resta então buscar alguém que lhes diga o que está errado nelas ou que lhes receite um remédio, um alívio. Mas, para certas dores, não há calmante; há, sim, mudanças de atitude a serem feitas, ou seja, uma reeducação. Quando silenciamos nossa mente e conseguimos nos conectar com nosso "eu" superior, já terapeutizamos, com esse gesto, cinquenta por cento de nossas dores. Nessa condição de quietude, nos tornamos aptos e acessíveis aos espíritos que ali estão presentes para o auxílio fraterno.

Todos nós temos um mestre interior muito sábio e, quando aprendemos a ouvi-lo, nos surpreendemos com as mudanças positivas que ocorrerão em nossa existência. As entidades que ali estão são seres dispostos ao auxílio, mas acima de tudo aprenderam a respeitar o livre-arbítrio do outro e por isso só podem ajudar a quem estiver apto a receber essa ajuda. Nem Jesus curou a todos, mas somente aqueles que tinham fé e merecimento. Quando os templos entenderem que não se ajuda "resolvendo" o problema do sofredor, mas que é preciso fazê-lo compreender como se processa a autocura, as filas de sofredores diminuirão, dos dois lados da vida.

Se existe um crime que se possa praticar contra a evolução de um ser, é lhe negar informações, é deixar de ensiná-lo, de lhe apontar o caminho. Por outro lado, cuidado com a imposição. É preciso respeitar o livre-arbítrio e, se um espírito se nega ao aprendizado, nada lhe imponha, mas também não o carregue no colo. É assim que o Grande Pai faz com Seus filhos: dá a todos as mesmas oportunidades e os deixa livres para escolher, isentando-se no entanto de estancar sua dor se esta foi sua escolha. 

O objetivo da luz não é "combater" as trevas, mas sempre foi e sempre será, enquanto essa dualidade habitar nosso mundo, transmutá-la, mesmo porque não podemos prescindir do auxílio paradoxal do Astral inferior que, fustigando muitos seres, os estimula à evolução. Apesar da aparência caótica de nosso mundo físico e astral na atualidade terrena, o time da luz atua com melhor e mais qualificado número de seres, o que está exigindo das trevas tremendo esforço e desgaste de suas falanges, facilitando o socorro dos dissidentes cansados da luta. 

Erros passados são vento que já foi embora e a cada dia o Sol nasce de novo, trazendo vida e esperança. Ninguém tem o poder de mudar o outro, mas pode e deve mudar a si próprio e que essa mudança seja sempre para melhor. E a melhor maneira de ensinar é pelo exemplo. Quanto mais cedo nos aperfeiçoarmos, mais cedo sairemos da roda reencarnatória. Mas enquanto nela estiverem, abençoem o corpo físico que lhes permite adquirir novos aprendizados e ao mesmo tempo drenar os desajustes cármicos do corpo espiritual.

Todas as criaturas humanas reencarnadas no planeta têm os mesmos direitos e deveres em relação ao dinheiro. Ele existe para assegurar aos homens a evolução. Seu objetivo é nobre e salutar, mas para isso precisa que ele se movimente de mão em mão, assegurando o progresso e a evolução. Sendo a moeda a retribuição do esforço, do trabalho, do suor do homem, ela é abençoada. Muitas vezes as pessoas amaldiçoam o dinheiro, acusando-o das desgraças humanas, seja na falta dele ou no excesso, quando isso lhes causa transtornos, como o sequestro, o roubo, o latrocínio etc. Porém, a ele não podemos culpar, mas sim ao mau uso dele pelo homem, ainda muito egoísta. Tanto não sabe mover essa energia, aquele que o despreza, como aquele que o endeusa; aquele que não o valoriza quando o tem, gastando com coisas supérfluas, como aquele que o retém de maneira abusiva. A Lei da Ação e Reação, que equilibra o Universo, nos revela que o miserável de hoje pode ter sido o mau rico de ontem. O rico de hoje o é por merecimento ou por provação, e, dependendo de como agirá com essa energia,criará seu amanhã. Na matemática da vida, existem dois conjuntos de operações carmáticas e perigosas: a subtração e a adição são carmáticas, ou seja, o "tirar dos outros para acumular para si". Duas, no entanto, são evolutivas e benéficas: o dividir e o multiplicar, ou seja, "distribuindo os dons que me são confiados eu, consequentemente, os multiplico", promovendo o progresso. O homem, nos dias de hoje, em seu materialismo desenfreado, na sua ganância de "ter" em detrimento do "ser", esqueceu sua origem divina e nisso reside todo o seu equívoco. O deus-dinheiro tornou-se o único objetivo de todas as lutas e conquistas, a despeito de que "o que veio do pó, ao pó retornará". O que é perene e eterno é seu espírito e não seu corpo. Do outro lado da cortina que divisa a vida material da espiritual, a moeda é outra. Para lá, cada um vai levar "a vida que viveu na Terra". Enganam-se as criaturas que pensam que o dinheiro tudo compra e lhes dá poder acima do bem e do mal. Acima de nós, há um poder maior e absoluto que a tudo comanda, que visa somente ao bem de todos e que está atento e podendo interferir quando o livre-arbítrio dos homens extrapola os limites permitidos. Ismael, um preposto de Jesus, na condição de espírito evoluído,foi conclamado pelo Mestre para ser o anjo tutela do Brasil, a pátria do Cruzeiro do Sul, comandando esse projeto de luz. Esta terra é abençoada, pois apesar de todas as distorções e do egoísmo de alguns homens, nossa gente é pacífica e trabalhadora. As religiões aqui se multiplicam, dando suporte à fé e levando o Evangelho ao coração daqueles que os têm humildes.

Para crer é preciso conhecer. A ignorância e o bitolamento de ideias só recebem incentivo das trevas. Façamos um mundo melhor nos melhorando. A dor não tem só objetivo de resgatar ou drenar erros pretéritos, mas é, principalmente, a oportunidade de um "acordar" os nossos talentos ocultos, a capacidade interior que jaz escondida e que, por meio dela, pode vir à tona. Quando aproveitada como ensinamento, o resultado é  um salto evolutivo; é o crescimento do espírito que passa a compreender a necessidade de se manter no bem. O valor da voz, sendo ela um dos sentidos divinos dados ao homem, deveria ser usada somente para construir, jamais para destruir. 

Além da paz, busque a sabedoria. O homem não erra porque é ruim, mas porque é ignorante. Ignorante das leis, do amor, da vida. Enquanto o espírito não se educa, e isso quase sempre ocorre na dor, ele continua a se encarcerar, seja na carne ou fora dela. O modelo de prisão usado pelos homens, na sua maioria, não educa nem salva ninguém. Ela tem sido uma faculdade do crime, onde quem entra no primário sai de lá diplomado. Além disso, ninguém está lá injustamente. A Lei da Ação e Reação realiza a justiça independentemente das leis humanas. A mesma dor que os animais sentem, quando aprisionados e maltratados, sente o homem. 

O morto não morreu, pois somos todos imortais. A vida palpita ainda mais viva do lado de lá, onde estão os chamados mortos. A interferência existente entre os  dois mundos é muito maior do que a maioria dos homens supõem. Tudo que existe, pré-existe além da matéria. Nada se perde, tudo se renova. O planejamento sideral prevê com séculos de antecedência todos os acontecimentos que se desenrolarão no plano físico, incentivando sempre o progresso. Tudo o que o homem já conhece não significa nada diante daquilo que ele ainda virá a conhecer.

Referência:
[1] Leni W. Saviscki, Enquanto Dormes, Editora do Conhecimento, 2010. ISBN: 978-85-7618-196-5.

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Thursday, December 15, 2011

 

Sopre as cinzas... deixe-as ao vento!


Quem feriu você já feriu e já passou.

Lá na frente, essa pessoa encontrará o inevitável retorno e, pelas mãos de outrem, se merecer, será ferida também.

A Vida se encarregará de lhe dar o troco e você, talvez, jamais fique sabendo disso.

O que importa, de verdade, é o que você sentiu e, mais importante, é o que você ainda sente: Mágoa? Rancor? Ressentimento? Ódio?

Você consegue perceber que esses sentimentos foram escolhidos por você? Somos nós que escolhemos o que sentir diante de agressões e ofensas.

Quem nos faz o mal é responsável pelo que faz, mas nós somos responsáveis pelo que sentimos. Essa responsabilidade tem a ver com o Amor que devemos e temos que sentir por nós mesmos.

O ofensor fez o que fez e o momento passou, mas o que ficou aí dentro de você?
MÁGOA!

Você sabia que, de todas as drogas, ela é a mais cancerígena? Pela sua própria saúde, jogue-a fora.

RANCOR!
Ele é como um alimento preparado com veneno irreconhecível: mais dia, menos dia, você poderá contrair doenças de cujas origens nem suspeitará.

RESSENTIMENTO!
Pois imagine-se vivendo dentro de um ambiente constantemente poluído, enfumaçado, repleto de bactérias e de incontáveis tipos de vírus: é isso que seu coração e seus pulmões estão tentando aguentar. Até quando você acha que eles vão resistir?

ÓDIO!
Seus efeitos são paralisantes. Seu sistema imunológico entrará em conflito com esse veneno que, com o tempo, poderá colocar você face a face com a morte e talvez, muito tarde, você venha a perceber que melhor seria ter deixado que seu agressor colhesse os frutos do próprio plantio.

Por seu próprio Bem e pelo seu Bem, perdoe. O perdão o libertará e o fará livre para ser feliz. Esqueça o mal que lhe foi feito. Deixe o seu ofensor de lado e não pense nele com ímpetos de vingança. Siga a sugestão: Se deseja ser feliz por um dia, vingue-se. Se deseja ser feliz por toda a vida, PERDOE.

Mude seu destino. Não permita que emoções negativas dominem os seus sentimentos. Seja o (a) comandante da sua nave! Escolha o melhor caminho para a sua "viagem".

Fonte: O Pensamento, Revista oficial do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, pg. 13, Ano 103, No. 6, Novembro/Dezembro 2011.

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Saturday, February 12, 2011

 

Ego e Perdão


"A chave para a tristeza é viver com a mente focada no passado ou no futuro"


Perguntaram ao Osho: Por que é tão difícil perdoar, deixar de se apegar a mágoas que já passaram?

A resposta dele: O ego existe na infelicidade e, quanto maior a infelicidade, mais alimento o ego recebe. Nos momentos de plenitude, de alegria, o ego desaparece totalmente, e vive-versa: se o ego desaparece, o estado de plenitude começa a banhar você. Se você quiser permanecer no seu ego, você não poderá perdoar, não poderá esquecer, particularmente as suas mágoas, as feridas, os insultos, as humilhações, os pesadelos. Não apenas você não poderá perdoar, mas os exagerará, os enfatizará. Você tenderá a se esquecer de tudo o que foi belo em sua vida, não se lembrará dos inúmeros momentos alegres; no que se refere ao ego, esses momentos não têm nenhum propósito. A alegria é como veneno para o ego, e a infelicidade é como vitaminas para ele.

Você terá de entender todo o mecanismo do seu ego. Se você tentar perdoar, esse não é o perdão verdadeiro. Com uso do esforço, você apenas reprime. Você pode perdoar somente quando você entende a estupidez de todo o jogo que segue em frente dentro de sua mente. O absurdo total de tudo isso precisa ser percebido completamente; se não for assim, você reprimirá de um lado, e ele começará a vir de um outro lado; você reprimirá de uma forma, e ele se afirmará de uma outra forma, às vezes de uma maneira tão sutil que é praticamente impossível reconhecer que se trata da mesma velha estrutura, tão renovada e decorada que parece praticamente nova.

O ego vive no negativo, pois ele é basicamente um fenômeno negativo; ele existe ao você dizer "não". O "não" é a alma do ego. E como você pode dizer não para um estado de plenitude? Você pode dizer não para a infelicidade, para a agonia da vida, mas como você pode dizer não para as flores, para as estrelas, para os pores-do-sol e para tudo o que é belo e divino? E toda a existência está repleta dessas coisas, ela está repleta de rosas, mas você insiste em apanhar apenas os espinhos, pois tem feito um grande investimento nesses espinhos. Por um lado você diz: "Não, não quero essa infelicidade!", e por outro lado insiste em se apegar a ela. E por séculos lhe disseram para perdoar.

Mas o ego pode viver por meio do perdão, pode começar a ter um novo alimento graças à seguinte idéia: "Eu perdoei, perdoei até mesmo meus inimigos. Não sou uma pessoa comum". E lembre-se perfeitamente bem: um dos fundamentos da vida é que a pessoa comum acha que não é comum; a pessoa média acha que não está na média. No momento em que você aceita a sua ordinariedade, você se torna extraordinário; no momento em que você aceita a sua ignorância, o primeiro raio de luz penetra em seu ser, a primeira flor desabrocha e a primavera não estará distante.

Jesus diz: "Perdoe seus inimigos, ame seus inimigos". E ele está certo, pois, se você puder perdoar os seus inimigos, você ficará livre deles; do contrário, eles ficarão a assombrá-lo. A inimizade é um tipo de relacionamento; ela entra mais fundo do que seu pretenso amor.

Ainda hoje uma outra pessoa me perguntou: "Osho, por que um caso de amor harmonioso parece ser monótono e decadente?". Pela simples razão de ele ser harmonioso! Para o ego, ele perde toda a atração; parece que ele não existe. Algum conflito é necessário, alguma contenda é necessária, alguma violência é necessária, algum ódio é necessário. O amor, o seu pretenso amor, não vai muito fundo; ele tem a profundidade da sua pele, ou talvez nem seja tão profundo. Mas o seu ódio vai muito fundo, tão fundo quanto o seu ego.

Jesus está certo quando diz: "Perdoe", mas ele foi mal interpretado por séculos. Buda diz a mesma coisa, e todas as pessoas despertas fatalmente dirão a mesma coisa. A linguagem usada pode diferir, eras diferentes, épocas diferentes, pessoas diferentes... Naturalmente elas precisam falar linguagens diferentes, mas o âmago essencial não pode ser diferente. Se você não puder perdoar, isso significa que você viverá permanentemente com os seus inimigos, com as suas mágoas, com as suas dores.

Assim, por um lado você deseja esquecer e perdoar, pois a única maneira de esquecer é perdoando; se você não perdoar, você não poderá esquecer. Mas por outro lado, há um envolvimento mais profundo, e, a menos que você perceba esse envolvimento, Jesus ou Buda não serão de ajuda para você. As belas afirmações deles serão lembradas por você, mas não se tornarão parte do seu estilo de vida, não circularão no seu sangue, em seus ossos, em sua medula, não serão parte do seu ambiente espiritual; essas afirmações permanecerão alienígenas, algo imposto de fora; belas, pelo menos elas têm apelo intelectual, mas existencialmente você continuará a viver da mesma maneira de sempre.

O primeiro ponto a ser lembrado é que o ego é o fenômeno mais negativo da existência, como a escuridão. A escuridão não tem existência positiva; ela é simplesmente a ausência de luz. A luz tem uma existência positiva; é por isso que nada pode ser feito diretamente com a escuridão. Se o seu quarto estiver repleto de escuridão, você não poderá colocá-la para fora do quarto, não poderá jogá-la fora, não poderá destruí-la diretamente por nenhum meio. Se você tentar lutar contra ela, você será derrotado. A escuridão não pode ser derrotada pela luta direta. Você pode ser um grande lutador, mas ficará surpreso ao saber que não pode derrotar a escuridão; é impossível, pela simples razão de que a escuridão não existe. Se você quiser fazer alguma coisa com a escuridão, você terá de fazer via luz. Se você não quer a escuridão, traga a luz; e, se você quer a escuridão, apague a luz. Mas sempre faça algo com a luz; nada pode ser feito diretamente com a escuridão. O negativo não existe, e assim é o ego.

É por isso que eu não sugiro que você perdoe; não digo que você deveria amar e não odiar, não digo para você abandonar todos os seus pecados e se tornar virtuoso. A humanidade sempre tentou tudo isso e fracassou completamente. Meu trabalho é totalmente diferente; eu digo: Traga a luz para o seu ser, não se preocupe com todos esses fragmentos da escuridão.

E o ego está no próprio centro da escuridão; o ego é o centro da escuridão. Você pode trazer a luz, tornar-se mais consciente, mais alerta, e o método é a meditação. Se não for assim, você ficará reprimindo, e tudo o que é reprimido precisa ser reprimido repetidamente, e esse é um exercício inútil, completamente inútil. O que foi reprimido começará a aflorar a partir de um outro lugar; ele encontrará algum outro ponto mais fraço em você para se expressar.

Você pergunta: "Por que é tão difícil perdoar, deixar de se apegar a mágoas que já passaram?". Pela simples razão de que elas são tudo o que você tem. E você insiste em jogar com suas velhas feridas, de tal modo que elas permaneçam frescas em sua memória. Você nunca permite que elas se curem.

Um homem estava sentado em um compartimento de um trem, e à sua frente estava sentado um padre com uma cesta de piquenique a seu lado. O homem não tinha mais nada a fazer, e então ficou observando o padre.
Depois de algum tempo o padre abriu a cesta de piquenique e pegou uma pequena toalha, que colocou cuidadosamente sobre os joelhos. Então ele pegou uma tigela de vidro e a colocou sobre a toalha; depois pegou uma faca e uma maçã, descascou-a, cortou-a e colocou os seus pedaços dentro da tigela. Então ele pegou a tigela, ergueu-a e jogou os pedaços da maçã pela janela. Depois ele pegou uma banana, descascou-a, cortou-a, colocou na tigelae jogou-a pela janela. Fez o mesmo com uma pêra, com uma pequena lata de amoras e abacaxi e um vidro de creme, jogando-os todos pela janela depois de prepará-los cuidadosamente. Então ele limpou a tigela, chacoalhou a toalha e colocou-as de volta na cesta de piquenique.
O homem, que assombrado observava o padre fazer isso, finalmente perguntou: "Desculpe, padre, mas o que você estava fazendo?"
Ao que o padre calmamente respondeu: "Uma salada de frutas".
"Mas você jogou tudo pela janela!", exclamou o homem.
"Sim", disse o padre, "eu detesto salada de frutas!".

Na vida, as pessoas insistem em carregar coisas que detestam. Elas vivem em seus ódios, ficam cutucando suas feridas para que elas não sarem, não permitem que elas sarem; toda a vida delas depende de seu passado.

A menos que você comece a viver no presente, você não será capaz de esquecer e de perdoar o passado. Não sugiro que você deva esquecer e perdoar tudo o que aconteceu no passado; essa não é a minha abordagem. Eu digo: Viva o presente! Essa é a maneira positiva de abordar a existência: viver o presente. Essa é uma outra maneira de dizer para você ser mais meditativo, mais consciente, mais alerta, pois quando você está alerta, consciente, você está no presente.

A consciência não pode estar no passado e não pode estar no futuro. Ela conhece apenas o presente; ela não conhece nenhum passado e nenhum futuro e tem somente um tempo, o presente. Esteja consciente, e à medida que você começar a desfrutar o presente mais e mais, à medida que sentir o bem-estar de permanecer no presente, você deixará de fazer essas coisas estúpidas que todos insistem em fazer. Você deixará de ficar entrando no passado e inevitavelmente esquecerá e perdoará; isso simplesmente desaparecerá por conta própria. Você ficará surpreso: para onde isso foi? E uma vez que o passado deixe de existir, o futuro também desaparecerá, pois o futuro é apenas uma projeção do passado. Livrar-se do passado e do futuro é saborear a liberdade do presente pela primeira vez. E nessa experiência a pessoa fica mais inteira, saudável, todas as feridas são curadas. Subitamente não há mais nenhuma ferida; você começa a sentir um profundo bem-estar surgindo em você. Esse bem-estar é o começo da sua transformação.

Fonte: Osho, Alegria: A Felicidade que Vem de Dentro, Editora Cultrix, 2006. ISBN 978-85-316-0887-2.

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Monday, February 12, 2007

 

O Segredo da Vida, da Luz e do Amor - 22


Os Milagres do Amor


Muitas vezes, ao conversar com alguém, que se queixa de suas infelicidades, eu teria desejo de dizer-lhe que essa pessoa ama pouco e a causa de suas dificuldades e sofrimentos está exatamente nisso. Em geral, as pessoas não compreendem os sérios efeitos produzidos no corpo, na mente e nas circunstâncias pela falta do verdadeiro amor.

Não pretendo afirmar que essas pessoas não tenham afeição, porém esse amor é tão egoista que produz efeito contrário ao que deve produzir normalmente o verdadeiro amor. O amor verdadeiro nunca pode causar sofrimento, porque é tão completo que não exige retribuição, mas assim como é espontaneamente radiado, também é espontaneamente retribuído.

O amor real, que se expressa livre, sincera e esplendidamente, só pode produzir alegria e saúde.

O melhor meio para aprender a amar assim é procurar ver somente o lado bom das pessoas, não dando atenção às suas fraquezas e defeitos. Se você estiver muito fechado em seu egoísmo, preso aos seus hábitos de criticar e ficar contrariado, você terá de lutar muito com o seu eu inferior para vencer essas tendências.

Você deve deixar esses hábitos, abandonar as desinteligências e abrir seu coração ao Amor, expandir e manifestar um amor que não tema, não peça retribuição, seja delicado e forte, compreenda as fraquezas humanas e tenha confiança em Deus manifestado em cada ser humano.

O amor se expressa por uma atitude delicada, simpática e compreensiva dos outros. Leva à tolerância, ao esquecimento das faltas, à disposição generosa e inclinada a perdoar.

Os pensamentos de Amor superam a todos os outros pelo seu dinamismo harmonizante.

As emoções nobres e elevadas e os pensamentos de verdadeiro amor, dão estímulo real ao seu sistema nervoso, facilitando-lhe o trabalho e ajudando-o a dirigir as funções de seu corpo.

O verdadeiro amor operará maravilhas em seu corpo, eliminando as toxinas e renovando as células. Quanto mais você expressar esse amor, mais alegre e agradável se tornará sua vida e mais sua alma se encherá de gratidão pela alegria de viver. O amor pode produzir coisas admiráveis na sua vida prática e nos seus negócios. O poder mágico do amor é tão grande que pode produzir a cura das mais terríveis moléstias.

A lei do amor tem a sua mais completa expressão no perdão das ofensas, que é absolutamente indispensável para agradar a Deus e obter o seu pedido. É muito importante vencer toda idéia de separatividade e unificar-se com todas as expressões de Deus, pois, uma só criatura de que você se considera separado, é um centro de expressão divina de que você se afastará, e esse afastamento pode ser o elo que falte à cadeia pela qual há de vir para si a saúde, a abundância e o bem-estar.

As suas dificuldades na vida provêm de sua separação da Fonte Infinita. Essa separação só pode dar-se nos planos inferiores, isto é, nos planos mental, psíquico e material; porém, isso se dá somente quando sua mente vibra em desarmonia com os seus semelhantes e o perdão é o único meio de estabelecer a harmonia mental e sua reação sobre o psíquico e o material. Portanto, para ser verdadeiro esoterista, você deve elevar os pensamentos ao Espírito de Vida e pedir-lhe que abençoe os que lhe fizeram mal.

[continua]

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