quarta-feira, junho 13, 2007

 

Expansão da Consciência - 1


No nosso dia-a-dia a nossa consciência fica limitada, voltada aos acontecimentos diários. No entanto, a expansão de nossa consciência (gerando um maior esclarecimento sobre a realidade em que estamos inseridos) além desses limites usuais é possível. Quando esta expansão é vivenciada, passamos a ter contato, e certeza, de muitos outros aspectos da vida que nos são desconhecidos no momento. Conforme o autor consultado, esta expansão da consciência recebe os mais variados nomes, como "estados alterados de consciência" (altered states of consciousness), "estados especiais de vigília", experiência visionária (Aldous Huxley), estados de expansão da consciência, iluminação, samadhi, satori, nirvana, sétimo céu, etc.

As formas de nossa consciência penetrar nesse estado expandido (alterado com relação à situação normal diária) podem ser as mais variadas possíveis, indo desde um processo espontâneo (sem envolver qualquer esforço da pessoa, um déjà-vu [1], por exemplo), passando por uso de substâncias específicas, até o uso de meditação.

A nossa atividade mental rotineira costuma se constituir em um obstáculo para vivenciar essa consciência mais expandida. Durante o período dedicado à meditação, a mente fica menos agitada e, sem este bloqueio, a consciência pode mais facilmente se libertar das amarras usuais. As técnicas de meditação foram bastante desenvolvidas e utilizadas no Oriente, e constitui um instrumento no caminho utilizado para atingir a iluminação, muito apreciado pelos iogues. Durante a meditação nós não atrapalhamos o funcionamento normal do nosso organismo, e ele consegue, portanto, dirigir-se ao estado de equilíbrio original (divino). Geralmente, durante nosso estado de vigília, nós somos especialistas em complicar o funcionamento normal do corpo.

Certamente, o método mais utilizado para induzir o surgimento deste estado alterado de consciência (visando sua expansão, rompendo as limitações usuais implantadas pela sociedade) é o que usa a ingestão de determinadas substâncias. Isto ocorre porque, desta forma, pode-se atingir essa expansão da percepção de uma forma muito rápida, deixando esta experiência mais fácil de ser monitorada por pesquisadores. O lado negativo disso é que pode haver efeitos colaterais danosos ao organismo físico. O etnólogo Carlos Castañeda, por exemplo, recorreu à sua iniciação por um feiticeiro, ingerindo cogumelos alucinógenos, tendo escrito muitos livros a respeito de suas experiências. O psiquiatra tchecoslovaco Stanislav Grof [5] serviu-se de drogas psicodélicas, principalmente o LSD. Pessoas mais inclinadas para o lado religioso têm preferido tomar chás de Ayahuasca [2], como os seguidores do Santo Daime e União do Vegetal.

Um caso espontâneo de maior abertura da consciência humana, induzido pelo ambiente e similar a um déjà-vu, está relatado em [3]. "Por volta do fim da Segunda Guerra Mundial, o general George S. Patton [4], herói do desembarque e notável estrategista norte-americano, foi convidado a visitar um dos mais célebres campos de batalha da Segunda Guerra Púnica, entre Roma e Cartago, no centro da Itália, perto do rio Metauro. Ele lá esteve em companhia de grande número de membros do governo e de oficiais militares. Encontrava-se presente, também, um coronel historiador, requisitado para fazer reviver, nos menores detalhes, a batalha para o general Patton. Ele desempenhava vivamente o seu papel, descrevendo com precisão a posição das tropas em confronto e seus respectivos movimentos: aqui, as legiões romanas; lá embaixo, os elefantes de Aníbal; aqui a cavalaria de Asdrúbal, irmão de Aníbal, acorreu em reforço. O general Patton, com sobrancelhas cerradas, que seguia com extrema atenção as explicações do historiador, gritou subitamente; "Nada disso! A cavalaria de Asdrúbal não estava aqui, mas lá!" Ele apontava, então, outro ponto do campo de batalha. O historiador retrucou com todo respeito de que era capaz, mas com uma ponta de irritação: "Existem sobre essa batalha numerosas obras e todas concordam em que a cavalaria de Asdrúbal estava bem colocada, lá, onde acabo de indicar, meu general." Patton gritou em resposta: "Pois bem, eu lhe digo que ela não estava aqui, e sim lá! Eu sei. EU ESTAVA LÁ!!" Isto não foi dito em tom de ironia e os presentes ficaram atônitos. Soube-se, mais tarde - ele escreveu em suas memórias - que o general Patton acreditava em reencarnação. O que terá se passado, naquele dia, que lhe deu tanta certeza de ter estado presente, naquele preciso lugar, dezoito séculos antes?" [Déjà-vu]

[continua em outra postagem]

Referências:

[1]
Déjà vu é usualmente pensado como uma impressão/sensação de já ter visto ou experimentado algo antes, que aparentemente está a ser experimentado pela primeira vez. Se assumimos que a experiência é, na verdade, uma recordação, então o déjà vu ocorre provavelmente porque uma experiência original não foi completamente codificada. Nesse caso, parece provável que a situação presente está disparando a recordação de um fragmento do passado que se baseia numa experiência real, mas da qual temos apenas uma memória vaga. A experiência pode ser perturbadora, principalmente se a memória está tão fragmentada que não há conexões fortes entre esse fragmento e outras memórias ou nenhuma conexão consciente pode ser feita entre a situação atual e a memória implicita.

Ou seja, a sensação de já ter estado lá é muitas vezes devida ao fato de lá ter realmente estado, mas ter esquecido a experiência original porque não prestou atenção na experiência original. A experiência original pode ter ocorrido apenas alguns minutos ou segundos antes. Por outro lado, a experiência de déjà vu pode ser devida a ter visto imagens ou ouvido relatos vivos muitos anos antes, talvez em vidas passadas. Essas experiências podem ser parte de uma fraca recordação de infância, erradamente acreditada como tendo ocorrido numa vida passada, só porque se "sabe" que não ocorreu nesta vida.

Finalmente, é possivel que a sensação que se tem seja disparada por uma ação neuroquimica no cérebro, que não está ligada a nenhuma experiência do passado. Sente-se estranho e associa-se a sensação com já ter experimentado isso antes, mesmo se a experiência seja completamente nova. Ou seja, déjà vu ("já visto", em francês) pode, também, não envolver um reconhecimento de algo que já se viu antes.

[2] http://pt.wikipedia.org/wiki/Ayahuasca

[3] Patrick Drouot, Reencarnação e Imortalidade: Das Vidas Passadas às Vidas Futuras, Editora Record/Nova Era, 1994.

[4] http://pt.wikipedia.org/wiki/George_S._Patton

[5] http://pt.wikipedia.org/wiki/Stanislav_Grof

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