quinta-feira, dezembro 06, 2007
Graus Superiores da Clarividência
Fonte: Omraam Mikhaël Aïvanhov, Acerca do Invisível, Edições Prosveta, Lisboa, 1988.
Já refletistes sobre o fato de que, para podermos ver tudo o que existe à nossa volta, é preciso que raios luminosos venham incidir sobre os objetos ou sobre os seres para os tornar visíveis? Certas pessoas chamam ao Sol de lâmpada do Universo, para exprimir a idéia de que é graças a ele que o mundo é iluminado e nós vemos tudo o que nos rodeia. E quando não podemos ser iluminados pelo sol, necessitamos de uma outra fonte de luz: lâmpada elétrica, velas, lanternas, faróis, etc.
Portanto, os objetos só são visíveis na medida em que a luz incide sobre eles e os ilumina; é uma lei do mundo físico e é também uma lei do mundo espiritual. Mas no mundo espiritual não existem lâmpadas que possamos acender tal como acendemos a da nossa escada ou a do nosso quarto. Se quisermos ver no mundo espiritual temos de projetar uma luz a partir de nós próprios. Eis o motivo porque só muito poucos seres podem ver no plano espiritual: as pessoas, em geral, esperam que os objetos estejam iluminados, não sabem projetar os raios que lhes permitirão ver. Na realidade, todos os objetos do plano astral, mental, causal, etc., emitem luz, mas as suas emissões não podem ser captadas pelos nossos olhos físicos. Cabe a nós, portanto, desenvolver os nossos órgãos sutis, acender as nossas lâmpadas interiores para projetar raios que, ao incidir sobre a superfície dos objetos ou sobre as criaturas, os tornarão visíveis para nós.
Existem múltiplas formas de visão, a que se dá nomes diferentes consoante os planos a que se aplicam. No nível mais elevado manifesta-se a visão do espírito, a que chamamos intuição. Esta visão não é material, óbvio, e muitas vezes o homem nem tem consciência de que vê. Mas, na realidade, vê. Quando recebe subitamente a revelação de uma verdade superior, divina, é porque conseguiu projetar muito longe, muito alto, raios emitidos por ele próprio que lhe fazem ver, no Universo, leis, correspondências, uma estrutura. É a luz do espírito que ilumina a realidade divina e permite compreendê-la.
A um outro nível, a visão chama-se sensação, pois a sensação provém também de uma espécie de radiação que vós projetais sobre os objetos ou sobre as criaturas. Quando os sentis, vibrais em uníssono com eles, tomais consciência da sua existência, da sua presença, e é como se os vísseis.
Existe, finalmente, uma terceira forma de visão que consiste em apreender a existência, no plano etérico e no plano astral, de luminosidades, de cores, de objetos, de entidades que se deslocam. Mas, em geral, aqueles que têm estas visões não compreendem o que vêem, não sabem interpretá-las, é preciso que alguém os ajude a fazê-lo, ou, se as interpretam, muitas vezes cometem erros. Portanto, essa clarividência não serve de muito, freqüentemente até trava os seres na sua evolução.
Existem, pois, diferentes graus de visão. O grau mais elevado é a intuição, que é simultaneamente uma compreensão e uma sensação do mundo divino. É por aí que há que começar, para depois, armado com esta compreensão e esta sensação superiores, se descer até à visão dos planos etérico e mental a fim de os percorrer e de os estudar.
Na realidade, pode dizer-se que existem duas escolas: uma que ensina a desenvolver a clarividência começando pelos planos inferiores para chegar progressivamente à visão celeste, a outra que ensina primeiro a esforçar-se por chegar à Causa Primordial, à Fonte da vida, ao próprio Deus, para depois se descer à matéria. Na minha opinião, este último método é preferível, comporta menos perigos, pois quando tiverdes o vosso pensamento e o vosso coração concentrados no Senhor, Ele permitir-vos-á conhecer todas as regiões do Universo e nelas trabalhar sem riscos. E mesmo que queirais conhecer o Inferno e os espíritos que lá habitam, o próprio Deus vo-lo mostrará sob a sua proteção.
Vós direis: "Mas por que é que está a falar em conhecer o Inferno?". Para atingir o topo da evolução, os grandes iniciados são obrigados a descer até ao Inferno. Se evitarem o Inferno com receio daquilo que os ameaça, têm lacunas, não possuem o conhecimento total da criação. Claro que, antes de descer, eles deverão ter desenvolvido certas qualidades indispensáveis: o saber, a força, o autodomínio... e sobretudo deverão possuir uma aura poderosa, que os protege. Os espíritos inferiores e mesmo os demônios tremem diante de um Iniciado porque sentem que ele tem o fogo, tem o poder do raio. Porisso mantêm-se à distância enquanto ele percorre essas regiões onde lhe são reveladas a natureza e a manifestação do mal, as leis do karma e os castigos infligidos às criaturas que transgrediram as regras divinas. O próprio Jesus desceu aos infernos, onde libertou almas.
Aqueles que querem desenvolver a clarividência começando pelos planos inferiores por vezes utilizam drogas para excitar certos centros psíquicos, e isso é muito perigoso. Primeiro, porque essas drogas atacam o sistema nervoso, e segundo, porque as criaturas que habitam as regiões dos planos etérico e astral não gostam de ser vistas e observadas, e muitas vezes são bastante hostis para com aqueles que as incomodam. Porisso fazem tudo para os transviar e atormentar a fim de os obrigar a voltar para trás. É assim que milhares de pessoas são vítimas de algumas migalhas de conhecimento que colheram em livros. Aqueles que procuram penetrar nessas regiões sem ter desenvolvido meios de defesa eficazes,como a luz e o autodomínio, não só estão expostos a forças inimigas, como são retardados na sua evolução.
Um vedadeiro Iniciado sabe que se trabalhar incessantemente para se purificar, para desenvolver a sabedoria, o amor, o autodomínio, um dia atingirá o topo. E, uma vez aí chegado, a matéria do seu ser estará de tal forma depurada que se impregnará da quinta-essência da Alma Universal. Esta quinta-essência na qual tudo se registra dá-lhe a possibilidade de ver e de sentir alquilo que ele deseja conhecer. Assim, pelo seu trabalho, ele obteve o poder mas também a clarividência.
Aliás - isso vê-se bem - a clarividência dos médiuns limita-se sempre mais ou menos ao plano astral, é incapaz de penetrar nos mistérios do Universo. Quando se pede a um médium que atinja regiões muito distantes para responder a questões de ordem espiritual, cósmica, a maior parte das vezes ele é incapaz de o fazer. Pois bem, uma clarividência uqe não pode servir para a elevação do ser humano não tem nenhum interesse para um verdadeiro espiritualista. É porisso que ele não se detém nela, e até fecha os olhos quando atravessa as regiões do plano astral.
Compreendei-me bem, pois tudo isto é muito sério: antes de vos lançarder em toda a espécie de experiências psíquicas que podem ser muito perigosas para vós, exercitai-vos primeiro de molde a serdes senhores de vós próprios, a vigiar os vossos desejos, as vossas aspirações. Nessa altura, estareis seguros de que, mesmo expostos a perigos, sabereis defender-vos. Mas se não tiverdes exercitado, sereis vulneráveis e ireis inevitavelmente soltar gritos, lamentando-vos por todo o lado em relação àquilo que vos aconteceu. Eu recebo imensas cartas de pessoas que me contam que são perseguidas por monstros, que vivem no Inferno e, evidentemente, não compreendem como isso lhes aconteceu. No entanto, é simples: ao procurarem penetrar no mundo astral por razões "pouco católicas" - a curiosidade, as cobiças - atraíram entidades que realmente as fazem viver no Inferno, pois o Inferno é exatamente isso: o mundo astral inferior.
Na Escola Divina, ensina-se ao discípulo que ele deve ter como primeira preocupação possuir raízes sólidas, sem as quais ficará exposto aos tremores de terra, aos tornados, aos ciclones. Ora, as verdadeiras raízes do homem estão no Céu, e porisso o discípulo deve, antes de mais nada, ligar-se ao Criador, à pura luz celeste, a fim de fazer penetrar profundamente as suas raízes no mundo divino. Assim, quando ele descer para explorar as outras regiões, terá um ponto de suspensão de tal forma sólido, estará tão bem ligado ao Céu, que nenhuma força hostil será capaz de o derrubar. Sim, o essencial é fazer penetrar profundamente as raízes no Céu.
Começai, pois, por vos desenvolver no mundo do espírito e da alma, e só depois descei ao plano astral para ver os espíritos da Natureza e todas as entidades que nele trabalham. Nessa altura, já não haverá perigo, todos aqueles que não gostam de ser vistos, que não gostam de ser observados, nada podem fazer contra vós: vêem que sois um ser potente, algo formidável, e então, não só não ousam medir forças convosco, como, pelo contrário, começam a obedecer-vos e, graças à sua ajuda, vós podeis empreender grandes trabalhos espirituais.
Sois vós que, através da vossa vida espiritual, deveis projetar a luz que vos permitirá ver os objetos e as criaturas do mundo invisível. Se essa luz estiver obscurecida pelos vossos pensamentos e sentimentos inferiores, apenas vereis aquilo que corresponde a esses pensamentos e a esses sentimentos. A clarividência é dada a cada um em função do seu grau de evolução, e se ainda andais a patinhar nas regiões inferiores do plano astral, apenas encontrareis as entidades que povoam essa região - montes de bichos que grunhem, monstros que se devoram uns aos outros, feras que se despedaçam - e sofrereis.
Não se deve crer que, porque um homem ou uma mulher possuem qualidades mediúnicas, podem ter acesso a todas as regiões do mundo invisível. Não, na clarividência existem níveis que correspondem ao grau de pureza que o clarividente conseguiu atingir: quanto mais se purifica, mais vê as regiões celestes. Não é desejável, pois, tornar-se clarividente se não se for puro e capaz de se dominar.
Se quereis entrar em contato com as entidades celestes, ve o esplendor divino, deveis purificar-vos, alargar a vossa consciência e trabalhar para o mais alto ideal: a fraternidade entre os homens, o Reino de Deus. Nesse momento, as vossas emanações tornar-se-ão puras, as vossas vibrações serão mais sutis, e os espíritos luminosos não só vos deixarão chegar até eles, como virão visitar-vos, pois encontrarão em vós o seu alimento.
Só desenvolvereis a verdadeira clarividência se vos elevardes até ao cume do vosso ser: o vosso Eu superior. Diariamente, pensai que conseguis elevar-vos até ele, que vos identificais com ele: mantendes-vos lá no cimo e de lá mergulhais o vosso olhar no Universo. Como o vosso Eu superior tem a possibilidade de tudo penetrar, de tudo conhecer, pouco a pouco muitas das coisas que vós aprendestes sem vos dardes conta começarão a descer até à vossa consciência, e ficareis maravilhados, extasiados, com tudo aquilo que vos sentireis capazes de descobrir e de compreender.
A melhor visão é aquela que os olhos do espírito vos darão. É claro que, ao princípio, aparentemente, nada vereis, nada apreendereis, mas estareis a preparar o terreno para a verdadeira clarividência.
Portanto, os objetos só são visíveis na medida em que a luz incide sobre eles e os ilumina; é uma lei do mundo físico e é também uma lei do mundo espiritual. Mas no mundo espiritual não existem lâmpadas que possamos acender tal como acendemos a da nossa escada ou a do nosso quarto. Se quisermos ver no mundo espiritual temos de projetar uma luz a partir de nós próprios. Eis o motivo porque só muito poucos seres podem ver no plano espiritual: as pessoas, em geral, esperam que os objetos estejam iluminados, não sabem projetar os raios que lhes permitirão ver. Na realidade, todos os objetos do plano astral, mental, causal, etc., emitem luz, mas as suas emissões não podem ser captadas pelos nossos olhos físicos. Cabe a nós, portanto, desenvolver os nossos órgãos sutis, acender as nossas lâmpadas interiores para projetar raios que, ao incidir sobre a superfície dos objetos ou sobre as criaturas, os tornarão visíveis para nós.
Existem múltiplas formas de visão, a que se dá nomes diferentes consoante os planos a que se aplicam. No nível mais elevado manifesta-se a visão do espírito, a que chamamos intuição. Esta visão não é material, óbvio, e muitas vezes o homem nem tem consciência de que vê. Mas, na realidade, vê. Quando recebe subitamente a revelação de uma verdade superior, divina, é porque conseguiu projetar muito longe, muito alto, raios emitidos por ele próprio que lhe fazem ver, no Universo, leis, correspondências, uma estrutura. É a luz do espírito que ilumina a realidade divina e permite compreendê-la.
A um outro nível, a visão chama-se sensação, pois a sensação provém também de uma espécie de radiação que vós projetais sobre os objetos ou sobre as criaturas. Quando os sentis, vibrais em uníssono com eles, tomais consciência da sua existência, da sua presença, e é como se os vísseis.
Existe, finalmente, uma terceira forma de visão que consiste em apreender a existência, no plano etérico e no plano astral, de luminosidades, de cores, de objetos, de entidades que se deslocam. Mas, em geral, aqueles que têm estas visões não compreendem o que vêem, não sabem interpretá-las, é preciso que alguém os ajude a fazê-lo, ou, se as interpretam, muitas vezes cometem erros. Portanto, essa clarividência não serve de muito, freqüentemente até trava os seres na sua evolução.
Existem, pois, diferentes graus de visão. O grau mais elevado é a intuição, que é simultaneamente uma compreensão e uma sensação do mundo divino. É por aí que há que começar, para depois, armado com esta compreensão e esta sensação superiores, se descer até à visão dos planos etérico e mental a fim de os percorrer e de os estudar.
Na realidade, pode dizer-se que existem duas escolas: uma que ensina a desenvolver a clarividência começando pelos planos inferiores para chegar progressivamente à visão celeste, a outra que ensina primeiro a esforçar-se por chegar à Causa Primordial, à Fonte da vida, ao próprio Deus, para depois se descer à matéria. Na minha opinião, este último método é preferível, comporta menos perigos, pois quando tiverdes o vosso pensamento e o vosso coração concentrados no Senhor, Ele permitir-vos-á conhecer todas as regiões do Universo e nelas trabalhar sem riscos. E mesmo que queirais conhecer o Inferno e os espíritos que lá habitam, o próprio Deus vo-lo mostrará sob a sua proteção.
Vós direis: "Mas por que é que está a falar em conhecer o Inferno?". Para atingir o topo da evolução, os grandes iniciados são obrigados a descer até ao Inferno. Se evitarem o Inferno com receio daquilo que os ameaça, têm lacunas, não possuem o conhecimento total da criação. Claro que, antes de descer, eles deverão ter desenvolvido certas qualidades indispensáveis: o saber, a força, o autodomínio... e sobretudo deverão possuir uma aura poderosa, que os protege. Os espíritos inferiores e mesmo os demônios tremem diante de um Iniciado porque sentem que ele tem o fogo, tem o poder do raio. Porisso mantêm-se à distância enquanto ele percorre essas regiões onde lhe são reveladas a natureza e a manifestação do mal, as leis do karma e os castigos infligidos às criaturas que transgrediram as regras divinas. O próprio Jesus desceu aos infernos, onde libertou almas.
Aqueles que querem desenvolver a clarividência começando pelos planos inferiores por vezes utilizam drogas para excitar certos centros psíquicos, e isso é muito perigoso. Primeiro, porque essas drogas atacam o sistema nervoso, e segundo, porque as criaturas que habitam as regiões dos planos etérico e astral não gostam de ser vistas e observadas, e muitas vezes são bastante hostis para com aqueles que as incomodam. Porisso fazem tudo para os transviar e atormentar a fim de os obrigar a voltar para trás. É assim que milhares de pessoas são vítimas de algumas migalhas de conhecimento que colheram em livros. Aqueles que procuram penetrar nessas regiões sem ter desenvolvido meios de defesa eficazes,como a luz e o autodomínio, não só estão expostos a forças inimigas, como são retardados na sua evolução.
Um vedadeiro Iniciado sabe que se trabalhar incessantemente para se purificar, para desenvolver a sabedoria, o amor, o autodomínio, um dia atingirá o topo. E, uma vez aí chegado, a matéria do seu ser estará de tal forma depurada que se impregnará da quinta-essência da Alma Universal. Esta quinta-essência na qual tudo se registra dá-lhe a possibilidade de ver e de sentir alquilo que ele deseja conhecer. Assim, pelo seu trabalho, ele obteve o poder mas também a clarividência.
Aliás - isso vê-se bem - a clarividência dos médiuns limita-se sempre mais ou menos ao plano astral, é incapaz de penetrar nos mistérios do Universo. Quando se pede a um médium que atinja regiões muito distantes para responder a questões de ordem espiritual, cósmica, a maior parte das vezes ele é incapaz de o fazer. Pois bem, uma clarividência uqe não pode servir para a elevação do ser humano não tem nenhum interesse para um verdadeiro espiritualista. É porisso que ele não se detém nela, e até fecha os olhos quando atravessa as regiões do plano astral.
Compreendei-me bem, pois tudo isto é muito sério: antes de vos lançarder em toda a espécie de experiências psíquicas que podem ser muito perigosas para vós, exercitai-vos primeiro de molde a serdes senhores de vós próprios, a vigiar os vossos desejos, as vossas aspirações. Nessa altura, estareis seguros de que, mesmo expostos a perigos, sabereis defender-vos. Mas se não tiverdes exercitado, sereis vulneráveis e ireis inevitavelmente soltar gritos, lamentando-vos por todo o lado em relação àquilo que vos aconteceu. Eu recebo imensas cartas de pessoas que me contam que são perseguidas por monstros, que vivem no Inferno e, evidentemente, não compreendem como isso lhes aconteceu. No entanto, é simples: ao procurarem penetrar no mundo astral por razões "pouco católicas" - a curiosidade, as cobiças - atraíram entidades que realmente as fazem viver no Inferno, pois o Inferno é exatamente isso: o mundo astral inferior.
Na Escola Divina, ensina-se ao discípulo que ele deve ter como primeira preocupação possuir raízes sólidas, sem as quais ficará exposto aos tremores de terra, aos tornados, aos ciclones. Ora, as verdadeiras raízes do homem estão no Céu, e porisso o discípulo deve, antes de mais nada, ligar-se ao Criador, à pura luz celeste, a fim de fazer penetrar profundamente as suas raízes no mundo divino. Assim, quando ele descer para explorar as outras regiões, terá um ponto de suspensão de tal forma sólido, estará tão bem ligado ao Céu, que nenhuma força hostil será capaz de o derrubar. Sim, o essencial é fazer penetrar profundamente as raízes no Céu.
Começai, pois, por vos desenvolver no mundo do espírito e da alma, e só depois descei ao plano astral para ver os espíritos da Natureza e todas as entidades que nele trabalham. Nessa altura, já não haverá perigo, todos aqueles que não gostam de ser vistos, que não gostam de ser observados, nada podem fazer contra vós: vêem que sois um ser potente, algo formidável, e então, não só não ousam medir forças convosco, como, pelo contrário, começam a obedecer-vos e, graças à sua ajuda, vós podeis empreender grandes trabalhos espirituais.
Sois vós que, através da vossa vida espiritual, deveis projetar a luz que vos permitirá ver os objetos e as criaturas do mundo invisível. Se essa luz estiver obscurecida pelos vossos pensamentos e sentimentos inferiores, apenas vereis aquilo que corresponde a esses pensamentos e a esses sentimentos. A clarividência é dada a cada um em função do seu grau de evolução, e se ainda andais a patinhar nas regiões inferiores do plano astral, apenas encontrareis as entidades que povoam essa região - montes de bichos que grunhem, monstros que se devoram uns aos outros, feras que se despedaçam - e sofrereis.
Não se deve crer que, porque um homem ou uma mulher possuem qualidades mediúnicas, podem ter acesso a todas as regiões do mundo invisível. Não, na clarividência existem níveis que correspondem ao grau de pureza que o clarividente conseguiu atingir: quanto mais se purifica, mais vê as regiões celestes. Não é desejável, pois, tornar-se clarividente se não se for puro e capaz de se dominar.
Se quereis entrar em contato com as entidades celestes, ve o esplendor divino, deveis purificar-vos, alargar a vossa consciência e trabalhar para o mais alto ideal: a fraternidade entre os homens, o Reino de Deus. Nesse momento, as vossas emanações tornar-se-ão puras, as vossas vibrações serão mais sutis, e os espíritos luminosos não só vos deixarão chegar até eles, como virão visitar-vos, pois encontrarão em vós o seu alimento.
Só desenvolvereis a verdadeira clarividência se vos elevardes até ao cume do vosso ser: o vosso Eu superior. Diariamente, pensai que conseguis elevar-vos até ele, que vos identificais com ele: mantendes-vos lá no cimo e de lá mergulhais o vosso olhar no Universo. Como o vosso Eu superior tem a possibilidade de tudo penetrar, de tudo conhecer, pouco a pouco muitas das coisas que vós aprendestes sem vos dardes conta começarão a descer até à vossa consciência, e ficareis maravilhados, extasiados, com tudo aquilo que vos sentireis capazes de descobrir e de compreender.
A melhor visão é aquela que os olhos do espírito vos darão. É claro que, ao princípio, aparentemente, nada vereis, nada apreendereis, mas estareis a preparar o terreno para a verdadeira clarividência.
