sexta-feira, janeiro 18, 2008
Lições do Bambu - 5
O BAMBU CURVA-SE NO VENDAVAL PARA NÃO QUEBRAR
Talvez seja essa uma das características mais conhecidas do bambu. Os antigos chineses aprenderam a importância da flexibilidade ao observar como essa planta se comporta numa ventania. Perceberam que uma árvore rígida quebra-se com um vento muito forte. O bambu não. Ele se curva e, depois que o vendaval passa, volta intacto à posição original. Inspiradas no bambu, todas as artes marciais chinesas ou derivadas delas, exercitam, entre outras coisas, a maleabilidade do corpo.
Flexibilidade é a capacidade de se adaptar às circunstâncias da vida, significa não ter posturas rígidas em termos físicos ou psíquicos. Uma pessoa de moral rígida demais também pode se "quebrar" como um carvalho ao vento. Ela pode seguir seus princípios com tanta dureza que as pessoas não conseguirão permanecer a seu lado. Não é raro uma pessoa de moral muito rígida se intrometer na vida alheia, ditar regras absurdas, criticar todo mundo, se tornar um guardião ensandecido da moral e dos bons costumes. Enfim, um tirano. Ou, no mínimo, um tremendo... chato! Tudo isso quebra o encanto da vida - e da própria pessoa.
Uma pessoa rígida não é feliz. Não se permite os prazeres normais da vida. Não balança leve e solta como o bambu ao vento. Ela fica dura, feito um tronco seco. Inflexível. Não se adapta às mudanças naturais, não revê seus conceitos, não aprende novas idéias, não descobre formas alternativas de resolver suas questões. Não vive uma relação nova, uma nova forma de se relacionar, não descobre novos prazeres. Não experimenta um itinerário diferente, um roteiro turístico inusitado, um restaurante novo, um prato desconhecido, um sabor exótico. E impede aos outros de viver essas alegrias.
O rigor da inflexibilidade pode estar presente em vários campos da vida. Podemos ser rígidos em termos de crenças, filosofia, política, métodos, educação, comportamento, valores, critérios, sentimentos. Em todas essas áreas, não importa qual seja, sofremos o mesmo risco de quebrar, se formos duros demais.
Segundo os sábios orientais, rigidez é sinal de morte (um cadáver é rígido). Uma pessoa rígida não vive, está morta, é como o tronco de uma árvore seca. Flexibilidade é sinal de vida. Uma planta viva é flexível, uma planta morta é rígida. Um bebê é flexível e cheio de vida, o idoso é mais duro e sem a mesma vivacidade da criança. O cadáver é rígido, daí a expressão latina morte rigens, rigidez da morte, rigidez cadavérica, que os médicos usam para descrever o estado gélido e teso de um corpo depois que o sangue pára de circular. O cadáver é frio. Uma pessoa rígida é fria: não demonstra sentimentos. Mas, no fundo, sofre por qualquer sinal de crítica ou de rejeição. E reage sendo mais rígida, mais inflexível.
Somente uma planta flexível consegue se curvar. Somente uma pessoa sábia e humilde é capaz de ser flexível e aprender com o comportamento do bambu. No geral, uma pessoa flexível vive mais e melhor.
[continua]
Fonte: Roberto Otsu, A Sabedoria da Natureza: Taoísmo, I Ching, Zen e os Ensinamentos Essênios, Editora Ágora, 2006.
Flexibilidade é a capacidade de se adaptar às circunstâncias da vida, significa não ter posturas rígidas em termos físicos ou psíquicos. Uma pessoa de moral rígida demais também pode se "quebrar" como um carvalho ao vento. Ela pode seguir seus princípios com tanta dureza que as pessoas não conseguirão permanecer a seu lado. Não é raro uma pessoa de moral muito rígida se intrometer na vida alheia, ditar regras absurdas, criticar todo mundo, se tornar um guardião ensandecido da moral e dos bons costumes. Enfim, um tirano. Ou, no mínimo, um tremendo... chato! Tudo isso quebra o encanto da vida - e da própria pessoa.
Uma pessoa rígida não é feliz. Não se permite os prazeres normais da vida. Não balança leve e solta como o bambu ao vento. Ela fica dura, feito um tronco seco. Inflexível. Não se adapta às mudanças naturais, não revê seus conceitos, não aprende novas idéias, não descobre formas alternativas de resolver suas questões. Não vive uma relação nova, uma nova forma de se relacionar, não descobre novos prazeres. Não experimenta um itinerário diferente, um roteiro turístico inusitado, um restaurante novo, um prato desconhecido, um sabor exótico. E impede aos outros de viver essas alegrias.
O rigor da inflexibilidade pode estar presente em vários campos da vida. Podemos ser rígidos em termos de crenças, filosofia, política, métodos, educação, comportamento, valores, critérios, sentimentos. Em todas essas áreas, não importa qual seja, sofremos o mesmo risco de quebrar, se formos duros demais.
Segundo os sábios orientais, rigidez é sinal de morte (um cadáver é rígido). Uma pessoa rígida não vive, está morta, é como o tronco de uma árvore seca. Flexibilidade é sinal de vida. Uma planta viva é flexível, uma planta morta é rígida. Um bebê é flexível e cheio de vida, o idoso é mais duro e sem a mesma vivacidade da criança. O cadáver é rígido, daí a expressão latina morte rigens, rigidez da morte, rigidez cadavérica, que os médicos usam para descrever o estado gélido e teso de um corpo depois que o sangue pára de circular. O cadáver é frio. Uma pessoa rígida é fria: não demonstra sentimentos. Mas, no fundo, sofre por qualquer sinal de crítica ou de rejeição. E reage sendo mais rígida, mais inflexível.
Somente uma planta flexível consegue se curvar. Somente uma pessoa sábia e humilde é capaz de ser flexível e aprender com o comportamento do bambu. No geral, uma pessoa flexível vive mais e melhor.
[continua]
Fonte: Roberto Otsu, A Sabedoria da Natureza: Taoísmo, I Ching, Zen e os Ensinamentos Essênios, Editora Ágora, 2006.
Marcadores: bambu
Comments:
<< Home
Rui,
espero que não leva a mal isto que vou dizer,
os seus textos são bons, mas ...
voce poderia reduzir a quantidade? :-)
vou explicar..
há pessoas que vêm ao seu blog ler, e comentar,
mas nem vêm todos os dias, so podem vir alguns dias, e quando eles voltam ao blog, ja tem dezenas de textos novos, e as pessoas ficam "perdidas" sem saber qual texto haviam comentado, e se você replicou os comentarios..
depois só l~em os textos recentes, porque nao encontraram os antigos, etc.
se voce andar num ritmo mais acelerado, as pessoas que só vêm ao blog algumas vezes, "perdem-se" no meio de tantos textos, ou então não comentam, porque depois o texto fica para trás quando surgem temas novos, etc.
voce poderia dar tempo de eles comentarem :-)
se uma pessoa vier de 3 em 3 dias, nesse intervalo de três dias, ela "perde" os textos antigos ,etc..
podem pesquisar no blog textos anteriores, mas como são muitos, não encontram o "tal" que haviam comentado etc.
isto ja algumas pessoas que lêm os seus textos, comentaram comigo :-)
nao é uma critica, é uma opinião..
e volto a repetir,
os textos são bons..
abraço
espero que não leva a mal isto que vou dizer,
os seus textos são bons, mas ...
voce poderia reduzir a quantidade? :-)
vou explicar..
há pessoas que vêm ao seu blog ler, e comentar,
mas nem vêm todos os dias, so podem vir alguns dias, e quando eles voltam ao blog, ja tem dezenas de textos novos, e as pessoas ficam "perdidas" sem saber qual texto haviam comentado, e se você replicou os comentarios..
depois só l~em os textos recentes, porque nao encontraram os antigos, etc.
se voce andar num ritmo mais acelerado, as pessoas que só vêm ao blog algumas vezes, "perdem-se" no meio de tantos textos, ou então não comentam, porque depois o texto fica para trás quando surgem temas novos, etc.
voce poderia dar tempo de eles comentarem :-)
se uma pessoa vier de 3 em 3 dias, nesse intervalo de três dias, ela "perde" os textos antigos ,etc..
podem pesquisar no blog textos anteriores, mas como são muitos, não encontram o "tal" que haviam comentado etc.
isto ja algumas pessoas que lêm os seus textos, comentaram comigo :-)
nao é uma critica, é uma opinião..
e volto a repetir,
os textos são bons..
abraço
as espigas de trigo também fazem isso, quanto mais crescem, e mais pesadas são no topo, mais elas se curvam..
eu uma vez escrevi um verso, assim :
" O sol não se pôe,
o Horizonte é que se curva perante sua imagem»
silvio
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eu uma vez escrevi um verso, assim :
" O sol não se pôe,
o Horizonte é que se curva perante sua imagem»
silvio
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