domingo, maio 04, 2008

 

A Terra Oca - 6


O segundo fator importante sobre a compressão relaciona-se com o fato que a atração para baixo é mais intensa na superfície de um planeta. Nesta posição nós sentimos nosso peso total, porque a massa total do planeta nos puxa para baixo contra a superfície. Daqui, a atração para baixo (para o centro) vai reduzindo-se com a profundidade. Portanto, a mesma matéria (o nosso corpo, por exemplo) vai ficando cada vez mais leve quanto mais para baixo vamos nos deslocando no planeta. Portanto, a matéria, quando localizada na superfície, pesa mais que em qualquer outro lugar dentro do planeta. Isto significa que a matéria da superfície possui o maior poder de compressão. Quando o planeta aumenta de tamanho, tanto a gravidade como a compressão aumentam. Mas a compressão no centro apenas irá continuar a crescer somente se a pressão para baixo chegar até lá.

O terceiro fator importante com relação à compressão é que, conforme o planeta vai crescendo em tamanho, a matéria no seu interior vai perdendo peso. Vamos acompanhar uma dada matéria que estava, inicialmente, na superfície. Com a chegada de mais matéria, esta matéria da superfície acaba ficando enterrada dentro do planeta em crescimento. Agora, a distribuição de massa em torno dessa matéria inicial modifica-se. Agora, nem toda a massa planetária está abaixo dela puxando-a para baixo em direção ao centro. Como camadas de novas matérias surgiram por cima, essas novas camadas atraem essa matéria inicial (inicialmente na superfície) para cima, neutralizando parte da força que puxava para baixo, devido à matéria de baixo. Camadas acrescentadas no outro lado da superfície (de formato próximo do esférico) do planeta possuem muito pouco efeito adicional na puxada para baixo, por causa da queda rápida da força gravitacional com o quadrado da distância (conforme equação apresentada anteriormente).

Como a atração para baixo dá à matéria o seu peso, qualquer redução dessa força faz com que a matéria fique mais leve. Isso é precisamente o que acontece quando matérias adicionais acumulam-se na superfície. O crescimento planetário aumenta a atração da matéria acima do ponto considerado, fazendo com que a matéria que fica mais abaixo perca peso. Este fato de que a matéria da superfície vai perdendo peso quando ela vai sendo enterrada, tem significado vital. O ponto crucial aqui é que, uma vez que a matéria passa a ficar mais leve, ela não tem mais a capacidade de comprimir ainda mais a matéria abaixo de si.

Com o planeta continuando a crescer, a matéria interna continua a diminuir de peso. Compressão adicional mais para baixo e no centro agora não é mais possível. Mas, ao mesmo tempo, os novos materiais que chegam à superfície ficam sujeitos a uma gravidade cada vez maior. Seu peso adicional comprime as camadas imediatamente abaixo, tornando-os progressivamente mais densos que as camadas anteriormente mais abaixo. O resultado final é que, ao nos afastarmos do centro, as matérias vão ficando cada vez mais densas.

O quarto fator importante, com relação à compressão, é que a resistência da massa precisa ser suplantada para a compressão poder ocorrer. Massa tem resistência (inércia). Para a compressão ocorrer, o valor da atração para baixo precisa ser forte o suficiente para suplantar a resistência de fricção contida na massa. Se isso não ocorrer, a compressão não pode ocorrer. Um peso na superfície é transferido para as camadas imediatamente abaixo, causando uma certa amplitude de compressão. Mas, por si só, não é possível para essa mesma pressão na superfície comprimir camadas mais para baixo gerando uma mesma densidade (será uma densidade menor). Da mesma forma que um aparelho de rolo compressor de fazer ruas e estradas, seu poder de compressão decresce com a profundidade. Como resultado, a pressão superficial é gasta apenas na compressão das camadas mais externas da massa planetária. Isto gera o "efeito de superfície" (efeito superficial), já comentado anteriormente.

O peso adicional da matéria que chega ao planeta não pode comprimir material abaixo da região do efeito superficial. Aqui, a atração acarretada pelo material da superfície trabalha de forma reversa e o peso da matéria interna começa a diminuir.

Com o crescimento do planeta, a intensidade de sua gravidade aumenta. Essa gravidade extra cria um peso superficial extra. Este peso superficial maior causa um aumento da compressão próximo a essa superfície. Portanto, a região próxima à superfície torna-se cada vez mais densa. Isto produz uma estrutura que é cada vez mais externamente comprimida (e, não, centalmente comprimida, que ocorria quando o planeta era bem pequeno), conforme sugerido na figura abaixo [1].


[continua]

Referência:
[1] Kevin & Matthew Taylor, The Land of No Horizon, website: www.tlonh.com, 2001.

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