sexta-feira, outubro 09, 2009
A Poluição Doméstica
A poluição do ar é comumente associada a ambientes externos, mas dentro de casa podemos estar expostos a substâncias poluentes em quantidade maior do que no meio externo. Pequenos atos, como ligar o fogão e aparelhos eletroeletrônicos e usar produtos de limpeza podem liberar substâncias que podem causar danos aos seres humanos.
O ozônio gasoso é uma forma de oxigênio que ocorre naturalmente na nossa atmosfera. Ele é usado largamente em terapias bioxidativas [1] e no tratamento da água distribuída à população (ao invés de usar o cloro, tóxico ao ser humano). Hoje, mais de 2.500 municípios no mundo todo purificam suas fontes de água pública com ozônio, como Los Angeles, Paris, Montreal, Moscou, Kiev, Cingapura, Bruxelas, Florença, Turim, Marselha, Manchester e Amsterdã.
Estudos científicos realizados nos Estados Unidos têm enfatizado os efeitos negativos do ozônio (excessivo) na nossa respiração. Esta pode ser uma das razões para que os médicos e outras pessoas pensem que o ozônio é não apenas uma substância inútil na medicina como também perigoso para ser utilizado no corpo humano em qualquer situação. Isso não é verdade, conforme pode ser conferido em [1], onde verificamos que inúmeras doenças podem ser curadas usando este elemento [assim como com o peróxido de hidrogênio, a nossa água oxigenada].
Quanto à inalação do ozônio, convém lembrar que os nossos pulmões são os órgãos mais sensíveis ao ozônio. Os médicos, ao usarem o ozônio, alertam para o fato de que inalar o ozônio nos pulmões (em excesso) pode trazer alterações na densidade dos tecidos dos pulmões, danificando as delicadas membranas pulmonares, irritando o epitélio (a camada superficial da membrana mucosa) na traquéia e brônquios e causar efisema. No entanto, na Rússia, em certos casos, pequenas quantidades de ozônio adicionadas ao oxigênio são usadas em inalações terapêuticas de rápida aplicação. Essa prática é adotada em pacientes que sofrem de intoxicação por monóxido de carbono. Os médicos têm se surpreendido com os resultados. Nenhum efeito negativo foi observado. Uma das formas mais seguras de utilizar o ozônio costuma ser a insuflação retal.
O ozônio tem um efeito protetor quando situado na alta atmosfera (estratosfera), a cerca de 12 mil metros de altitude, constituindo a conhecida "camada de ozônio". Neste local, o ozônio impede que a radiação solar ultravioleta (UV-C e UV-B) penetre na atmosfera inferior (troposfera) e atinja, com intensidade danosa à nossa saúde, a superfície terrestre onde estamos. O ozônio troposférico costuma ser formado a partir de reações químicas que ocorrem na atmosfera entre óxidos de nitrogênio (oriundos principalmente de processo de combustão, como emissões de veículos automotores) e compostos orgânicos voláteis (produtos de evaporação de solventes e combustíveis, como gasolina e álcool), explica o professor da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp Edson Tomaz [2]. "Para que essas reações ocorram é necessária a presença da luz, mais especificamente da radiação ultravioleta (UV)", completa o pesquisador.
O professor acrescenta que alguns equipamentos, como copiadoras a laser e máquinas de solda, podem produzir pequenas quantidades desse gás. "Dentro de casa não há fontes significativas de geração direta de ozônio. Há, no entanto, emissões de precursores de ozônio, como os compostos orgânicos voláteis, devido à evaporação de solventes e produtos de uso domésticos, bem como emissões gasosas vindas de pinturas recentes", comenta.
Entre os poluentes domésticos, Tomaz cita o monóxido de carbono gerado na combustão de aquecedores e fogões. "Isto justifica a necessidade da ventilação doméstica e da manutenção preventiva", observa.
Impressoras, fotocopiadoras, luzes ultravioletas e sistemas de purificação do ar são outros exemplos de equipamentos que emitem poluentes em ambientes domésticos. "Os escapamentos dos carros emitem ozônio, assim como os temporais, com raios e descargas elétricas, também causam a formação de ozônio", comenta o professor Hilton Silveira do Cepagri da Universidade Estadual de Campinas.
Para minimizar os efeitos negativos desses poluentes em ambientes domésticos, a melhor saída é evitar o uso e armazenamento de solventes ou de produtos que contenham solventes e cuidar dos equipamentos que queimam combustíveis, como o gás liquefeito de petróleo (o gás de cozinha). Como as emissões mais intensas são principalmente devido aos veículos, deve-se escolher um veículo menos poluente na hora da compra, racionalizar o seu uso e mantê-lo em condições adequadas de uso, via manutenção, para reduzir as suas emissões danosas".
Mas o ozônio também tem efeitos benéficos na baixa atmosfera. O pesquisador Hilton Silveira acrescenta que o gás, em pequenas quantidades, é também bem conhecido por sua ação bactericida. "É um gás altamente sensível à luz. Quando a luz incide no ozônio, a radiação ultravioleta é absorvida e ele se transforma em O2 (oxigênio biatômico) , mais oxigênio monoatômico (O), e porisso a camada de ozônio filtra os raios UV do Sol", explica o pesquisador.
Referências:
[1] Roberto Cesar Leite, Terapias Bioxidativas, Corpo Mente Publicações, 1999.
[2] Patrícia Azevedo, De olho na poluição doméstica, Jornal Correio Popular, pg. A12, Campinas - SP, 9 de outubro de 2009.
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