quinta-feira, novembro 12, 2009
Veículos Elétricos no Brasil
De 9 a 11 de novembro de 2009, realizou-se na sede da CPFL Energia, na cidade de Campinas - SP, o Sexto Seminário e Exposição de Veículos Elétricos, simultaneamente com o Primeiro Workshop de Tecnologias de Veículos Elétricos. Visitei rapidamente o local desses eventos para tomar conhecimento do estado da arte brasileiro na área de veículos elétricos. Eis o que descobri:
1. Exite um Instituto Nacional de Eficiência Energética - INEE [1],[2] que é uma organização não governamental sem fins lucrativos, que reune pessoas e instituições interessadas em fomentar a transformação e o uso eficiente de todas as formas de energia no Brasil.
2. O INEE criou a Associação Brasileira de Veículos Elétricos - ABVE [3],[4] que tem como missão promover a utilização de veículos elétricos para o transporte energeticamente eficiente, economicamente competitivo e ambientalmente favorável.
3. A CPFL Energia [5] apresentou, neste evento, uma pequena camioneta desenvolvida pela empresa, que funciona com energia elétrica suprida por baterias recarregáveis (foto abaixo). Os Correios vão testar este veículo elétrico para entregar correspondências [6]. O convênio foi assinado entre a empresa e a CPFL Energia nesta semana, durante o 6o. Seminário e Exposição de Veículos Elétricos, realizado em Campinas (SP). Um dos carros expostos no evento será testado pelos Correios por dois meses. Os automóveis foram desenvolvidos pela CPFL e pela Edra Automóveis.
4. A CPFL, em parceria com a Unicamp, já projetou e construiu uma motoneta elétrica (foto abaixo). Essa tecnologia já foi repassada para várias indústrias nacionais, que já estão fabricando esta motocicleta elétrica [7]. Temos os seguintes fabricantes nacionais de motos elétricas: Motor Z, de São Bernardo do Campo (SP), Bramont, de Manaus (AM) e GPS Electric Movement, de Natal (RN).
(duplo clique amplia a figura)
7. Um ônibus elétrico também estava exposto no evento. Acredito que a energia elétrica, encaminhada para armazenamento nas baterias deste veículo, era obtida pelo processo de célula de combustível de hidrogênio (não me informei a respeito, no local. Volto a dar maiores informações posteriormente).
8. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ também estava presente neste evento [15]. Estava representada pelo Prof. Dr. Luiz Artur Pecorelli Peres [15], coordenador do Grupo de Estudos de Veículos Elétricos (GRUVE) [16], no Centro de Ciência e Tecnologia da Faculdade de Engenharia (CCTFEN), onde funciona o Laboratório de Sistemas de Propulsão Veicular e Fontes Eletroquímicas (LSPV).
Enquanto os veículos com motor magnético de Perendev não chegam ao público [17], a nossa melhor opção para emissão nula (para redução do dióxido de carbono CO2 na atmosfera) continua sendo os veículos elétricos, já disponíveis no mercado.
Informações mais recentes (de 19.11.2009) [18]:
Na mesma semana em que boa parte do País se viu às escuras por causa de um novo apagão, a CPFL Energia apresentou o Aris, um utilitário 100% elétrico. Desenvolvido em parceria com a Edra Automotores, o "caminhãozinho" é equipado com motor elétrico de corrente alternada, com 18 cavalos de potência, importado da Itália, alimentado por baterias de fosfato de ferro e lítio de 84 V e 200 A/h, importadas da China. A recarga da bateria, que pode ser considerada "o coração" do carro, pode ser feita em qualquer tomada elétrica e não leva mais do que cinco horas.
Apresentado durante o Sexto Seminário e Exposição de Veículos Elétricos, que aconteceu em Campinas, o Aris, fabricado em alumínio, com um design que causa boa impressão, pode rodar entre 90 e 120 quilômetros e atingir uma velocidade máxima de até 80 km/h. A distância entre-eixos é de apenas 2,24 m e seu peso é 600 quilogramas, incluindo as baterias.
De acordo com o vice-presidente de gestão de energia da CPFL Energia, Paulo Cezar Tavares, foram necessários cinco meses para a concepção do projeto e a montagem do protótipo. "O motor elétrico é mais eficiente que o movido a gasolina e a expectativa é que nos próximos meses possamos fazer uma produção em larga escala", comentou o executivo.
Tavares informou ainda que existe um projeto para que o Aris seja utilizado por empresas de transportes. "Um veículo será emprestado para os Correios testarem. O modelo é ideal para o uso urbano e comercial", disse ele. O grande entrave para a produção em série de um carro elétrico é o seu custo, que teria que ser repassado, em boa parte, para o consumidor, além da alta carga tributária. Hoje, se o Aris fosse colocado à venda, ele custaria algo em torno de R$ 60 mil.
Também na semana passada, a Citroën apresentou o C-Zero, carro 100% elétrico que começará a ser vendido na Europa no primeiro trimestre do ano que vem (2010). Sua denominação faz referência às características de todos os veículos elétricos, ou seja, zero de consumo de combustível, de emissão de poluentes e de barulho - o que também acontece com o brasileiro Aris.
O motor do modelo, que foi desenvolvido em conjunto com a Mitsubishi, é alimentado por baterias de lítio e gera 64 cv de potência. Com um comprimento de 3,48 m, o C-ZERO alcança uma velocidade máxima de 130 km/h, e faz de 0 a 100 km/h em aproximadamente 15 segundos. A sua autonomia é de aproximadamente 130 km. Tudo isso, segundo a fabricante, permitem que ele também possa se aventurar fora das cidades. Desde o último dia 10, os interessados no modelo já podem acessar o site www.c-zero. citroen.com, para agendar um teste drive e fazer uma reserva de compra.

A também francesa Renault anunciou que deve começar a fabricar, no ano que vem (2010), o Twizy ZE, protótipo elétrico que foi mostrado no último Salão de Frankfurt. Dono de um estilo futurista e destinado a duas pessoas, o carrinho conta com motor elétrico de 20 cv e suas baterias garantem uma autonomia de 100 km. Ele atinge 75 km/h de velocidade máxima e será fabricado na Espanha.
Referências:
[1] http://INEE.org.br
[2] http://inee.org.br/down_loads/veh/Edi%C3%A7%C3%A3o0_REVISTA_HIBRIDA.pdf
[3] http://ABVE.org.br
[4] http://www.abve.org.br/links/ListaLinks.asp?classe=0
[5] http://www.cpfl.com.br
[6] Jornal Folha de S. Paulo, Seção Mercado Aberto, pg. B2, 11 de novembro de 2009.
[7] Veja um vídeo sobre veículos elétricos em http://g1.globo.com/jornaldaglobo/0,,MUL1258017-16021,00-CARRO+ELETRICO+APONTA+PARA+O+FUTURO+DA+INDUSTRIA+AUTOMOBILISTICA.html
[8] http://www.motor-z.com.br (aparentemente este site está com algum problema...)
[9] http://www.grupozeppini.com.br/
[10] http://www.blogiveco.com.br/
[11] Revista Força Iveco, Ano 6, No. 35, pg. 40, 2009.
[12] http://www2.itaipu.gov.br/ve/
[13] http://www.triciclopompeo.com.br/
[14] http://www.weg.net/br/Media-Center/Noticias/Produtos-e-Solucoes/Triciclo-Pompeo-e-o-mais-novo-veiculo-eletrico-brasileiro
[15] http://www.eng.uerj.br/entrevistas/pecorelli/
[16] http://www.gruve.eng.uerj.br/
[17] Veja, por ex., a postagem "Energia Livre e Gratuita" deste blog, de 07 de dezembro de 2007
[18] Antônio Fornazieri Jr., Elétricos: cada vez mais próximos, Jornal Correio Popular, Caderno Motor, pg. E8, 19 de novembro de 2009.
2. O INEE criou a Associação Brasileira de Veículos Elétricos - ABVE [3],[4] que tem como missão promover a utilização de veículos elétricos para o transporte energeticamente eficiente, economicamente competitivo e ambientalmente favorável.
3. A CPFL Energia [5] apresentou, neste evento, uma pequena camioneta desenvolvida pela empresa, que funciona com energia elétrica suprida por baterias recarregáveis (foto abaixo). Os Correios vão testar este veículo elétrico para entregar correspondências [6]. O convênio foi assinado entre a empresa e a CPFL Energia nesta semana, durante o 6o. Seminário e Exposição de Veículos Elétricos, realizado em Campinas (SP). Um dos carros expostos no evento será testado pelos Correios por dois meses. Os automóveis foram desenvolvidos pela CPFL e pela Edra Automóveis.
4. A CPFL, em parceria com a Unicamp, já projetou e construiu uma motoneta elétrica (foto abaixo). Essa tecnologia já foi repassada para várias indústrias nacionais, que já estão fabricando esta motocicleta elétrica [7]. Temos os seguintes fabricantes nacionais de motos elétricas: Motor Z, de São Bernardo do Campo (SP), Bramont, de Manaus (AM) e GPS Electric Movement, de Natal (RN).
(duplo clique amplia a figura)A empresa Motor Z [8], do Grupo Zeppini [9], ingressou neste setor de motos elétricas em março de 2007 e, nos primeiros sete meses, atingiu a marca de 1.000 unidades vendidas. Ela possui 50 revendedoras distribuídas por 12 estados brasileiros.
5. Esteve também nesse evento a empresa Iveco (do grupo Fiat Automóveis) [10], que, em parceria com a Itaipu Binacional, costruiu o caminhão elétrico Daily Elétrico (foto abaixo), com capacidade de carga útil de até 2,5 toneladas [11]. O veículo tem autonomia de 100 km, antes de nova recarga de suas baterias.
(duplo clique para ampliar imagem)
5. Esteve também nesse evento a empresa Iveco (do grupo Fiat Automóveis) [10], que, em parceria com a Itaipu Binacional, costruiu o caminhão elétrico Daily Elétrico (foto abaixo), com capacidade de carga útil de até 2,5 toneladas [11]. O veículo tem autonomia de 100 km, antes de nova recarga de suas baterias.
(duplo clique para ampliar imagem)Dois veículos Fiat Palio Weekend, adaptados pela parceria Fiat/Itaipu Binacional para funcionar com energia elétrica fornecida por baterias, estavam expostos nesse evento [12].
6. A Fiel Indústria de Veículos Ltda. distribuiu folhetos de um triciclo elétrico chamado Pompéo [13]. Esta empresa está sediada em Curitiba - PR. Este veículo possui um motor elétrico fabricado pela empresa brasileira WEG [14], que também tinha um stand no citado evento.
6. A Fiel Indústria de Veículos Ltda. distribuiu folhetos de um triciclo elétrico chamado Pompéo [13]. Esta empresa está sediada em Curitiba - PR. Este veículo possui um motor elétrico fabricado pela empresa brasileira WEG [14], que também tinha um stand no citado evento.
7. Um ônibus elétrico também estava exposto no evento. Acredito que a energia elétrica, encaminhada para armazenamento nas baterias deste veículo, era obtida pelo processo de célula de combustível de hidrogênio (não me informei a respeito, no local. Volto a dar maiores informações posteriormente).
8. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ também estava presente neste evento [15]. Estava representada pelo Prof. Dr. Luiz Artur Pecorelli Peres [15], coordenador do Grupo de Estudos de Veículos Elétricos (GRUVE) [16], no Centro de Ciência e Tecnologia da Faculdade de Engenharia (CCTFEN), onde funciona o Laboratório de Sistemas de Propulsão Veicular e Fontes Eletroquímicas (LSPV).
Enquanto os veículos com motor magnético de Perendev não chegam ao público [17], a nossa melhor opção para emissão nula (para redução do dióxido de carbono CO2 na atmosfera) continua sendo os veículos elétricos, já disponíveis no mercado.
Informações mais recentes (de 19.11.2009) [18]:
Na mesma semana em que boa parte do País se viu às escuras por causa de um novo apagão, a CPFL Energia apresentou o Aris, um utilitário 100% elétrico. Desenvolvido em parceria com a Edra Automotores, o "caminhãozinho" é equipado com motor elétrico de corrente alternada, com 18 cavalos de potência, importado da Itália, alimentado por baterias de fosfato de ferro e lítio de 84 V e 200 A/h, importadas da China. A recarga da bateria, que pode ser considerada "o coração" do carro, pode ser feita em qualquer tomada elétrica e não leva mais do que cinco horas.
Apresentado durante o Sexto Seminário e Exposição de Veículos Elétricos, que aconteceu em Campinas, o Aris, fabricado em alumínio, com um design que causa boa impressão, pode rodar entre 90 e 120 quilômetros e atingir uma velocidade máxima de até 80 km/h. A distância entre-eixos é de apenas 2,24 m e seu peso é 600 quilogramas, incluindo as baterias.
De acordo com o vice-presidente de gestão de energia da CPFL Energia, Paulo Cezar Tavares, foram necessários cinco meses para a concepção do projeto e a montagem do protótipo. "O motor elétrico é mais eficiente que o movido a gasolina e a expectativa é que nos próximos meses possamos fazer uma produção em larga escala", comentou o executivo.
Tavares informou ainda que existe um projeto para que o Aris seja utilizado por empresas de transportes. "Um veículo será emprestado para os Correios testarem. O modelo é ideal para o uso urbano e comercial", disse ele. O grande entrave para a produção em série de um carro elétrico é o seu custo, que teria que ser repassado, em boa parte, para o consumidor, além da alta carga tributária. Hoje, se o Aris fosse colocado à venda, ele custaria algo em torno de R$ 60 mil.
Os franceses estão chegando
Também na semana passada, a Citroën apresentou o C-Zero, carro 100% elétrico que começará a ser vendido na Europa no primeiro trimestre do ano que vem (2010). Sua denominação faz referência às características de todos os veículos elétricos, ou seja, zero de consumo de combustível, de emissão de poluentes e de barulho - o que também acontece com o brasileiro Aris.
O motor do modelo, que foi desenvolvido em conjunto com a Mitsubishi, é alimentado por baterias de lítio e gera 64 cv de potência. Com um comprimento de 3,48 m, o C-ZERO alcança uma velocidade máxima de 130 km/h, e faz de 0 a 100 km/h em aproximadamente 15 segundos. A sua autonomia é de aproximadamente 130 km. Tudo isso, segundo a fabricante, permitem que ele também possa se aventurar fora das cidades. Desde o último dia 10, os interessados no modelo já podem acessar o site www.c-zero. citroen.com, para agendar um teste drive e fazer uma reserva de compra.

A também francesa Renault anunciou que deve começar a fabricar, no ano que vem (2010), o Twizy ZE, protótipo elétrico que foi mostrado no último Salão de Frankfurt. Dono de um estilo futurista e destinado a duas pessoas, o carrinho conta com motor elétrico de 20 cv e suas baterias garantem uma autonomia de 100 km. Ele atinge 75 km/h de velocidade máxima e será fabricado na Espanha.
Referências:
[1] http://INEE.org.br
[2] http://inee.org.br/down_loads/veh/Edi%C3%A7%C3%A3o0_REVISTA_HIBRIDA.pdf
[3] http://ABVE.org.br
[4] http://www.abve.org.br/links/ListaLinks.asp?classe=0
[5] http://www.cpfl.com.br
[6] Jornal Folha de S. Paulo, Seção Mercado Aberto, pg. B2, 11 de novembro de 2009.
[7] Veja um vídeo sobre veículos elétricos em http://g1.globo.com/jornaldaglobo/0,,MUL1258017-16021,00-CARRO+ELETRICO+APONTA+PARA+O+FUTURO+DA+INDUSTRIA+AUTOMOBILISTICA.html
[8] http://www.motor-z.com.br (aparentemente este site está com algum problema...)
[9] http://www.grupozeppini.com.br/
[10] http://www.blogiveco.com.br/
[11] Revista Força Iveco, Ano 6, No. 35, pg. 40, 2009.
[12] http://www2.itaipu.gov.br/ve/
[13] http://www.triciclopompeo.com.br/
[14] http://www.weg.net/br/Media-Center/Noticias/Produtos-e-Solucoes/Triciclo-Pompeo-e-o-mais-novo-veiculo-eletrico-brasileiro
[15] http://www.eng.uerj.br/entrevistas/pecorelli/
[16] http://www.gruve.eng.uerj.br/
[17] Veja, por ex., a postagem "Energia Livre e Gratuita" deste blog, de 07 de dezembro de 2007
[18] Antônio Fornazieri Jr., Elétricos: cada vez mais próximos, Jornal Correio Popular, Caderno Motor, pg. E8, 19 de novembro de 2009.
Marcadores: energia elétrica, Perendev, veículos elétricos

