Monday, December 14, 2015

 

Distribuição Racial no Brasil


Mapa detalha o endereço da cor da pele no Brasil

Estudantes usam dados do IBGE para mostrar, visualmente, a distribuição de raças no país. Brancos vivem nas áreas mais nobres


(clique na imagem para ampliá-la)

A relação entre a cor da pele e a situação socioeconômica dos brasileiros se revela nos dados do censo realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). E fica evidente quando esses dados são transformados em imagens, como no audacioso projeto de mapa racial realizado pelos estudantes João Paulo Apolinário, Rafael Viana e Tiago Gama. Em pouco mais de um mês, os três jovens levaram a cabo a empreitada e publicaram, na última semana, o resultado - uma ferramenta visual e interativa da distribuição de raças pelo país.

Os jovens, de 23 anos, se inspiraram no mapa racial semelhante, feito nos Estados Unidos, e utilizaram dados de 2010 do IBGE. Nas imagens, cada raça catalogada recebeu uma cor, e cada ponto corresponde a uma pessoa. Os círculos aglutinam os pontos. Ao entrar no endereço virtual no qual o mapa está hospedado - www.patadata.org/maparacial/ - é possível encontrar e "explorar" as informações por cidade ou estado.

"Nosso objetivo, com o mapa, era lançar uma visualização de informação pública", explica João Paulo Apolinário, que estuda comunicação na UnB (Universidade de Brasília). Segundo ele, o trio evitou fazer qualquer tipo de análise profunda e sociológica, mas chegou a certos consensos.

"A ideia era deixar as pessoas verem e tirarem suas próprias conclusões, mas acaba que a gente vai vendo a divisão racial do país. Bairros considerados mais nobres têm concentração maior de pessoas brancas", afirma.

Desde o lançamento, na última semana, o site já teve 25 mil visualizações. "Temos visto as pessoas replicando nas redes sociais, olhando as suas cidades e discutindo as questões", orgulha-se Apolinário.

Para Rafael Viana, estudante de direito da USP (Universidade de São Paulo), a segregação racial no Brasil ainda é menor do que a vista no mapa norte-americano, por exemplo, mas chama atenção o critério da autodeclaração. "Dá para perceber que são poucas pessoas que se declaram pretas. A maior parte se diz parda", afirma.

Os criadores do projeto utilizaram dois milhões de arquivos - com informações geográficas sobrepostas de cada cidade, de forma que seja possível dar zoom em cada uma delas.

Os três jovens já estão engajados em outros projetos que também envolvem visualização de dados. O terceiro integrante do grupo, Tiago Gama, faz mestrado em ciências da computação no Japão. "Muitas mudanças que podemos fazer na sociedade envolvem analisar as coisas de forma mais objetiva, fora do senso comum", define Rafael.

O azul predomina em Campinas
O mapa mostra uma Campinas de cor predominantemente azul - que representa a população branca. Esse grupo aparece de forma mais acentuada nas regiões central e leste. A população negra aparece na região nordeste, particularmente a partir da avenida John Boyd Dunlop. Amarelos e indígenas são poucos.

Fonte: Fabiane Guimarães, Jornal Metro Campinas, www.metrojornal.com.br, pg. 06, Campinas, 14 de dezembro de 2015.


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