sexta-feira, maio 19, 2023
Em algum lugar do passado - 6
Em dezembro de 1.953, eu e meus pais pegamos um avião da Nacional e fomos para Maceió, capital do Estado de Alagoas. Nessa época, quase todas as empresas aéreas do Brasil (Nacional, Real, Cruzeiro, Panair do Brasil, Varig, Vasp, etc) usavam aviões DC-3 (Douglas Company), sobras dos Estados Unidos da Segunda Guerra Mundial:
Nesta época, existia em Maceió um coqueiro muito famoso, chamado Gogó da Ema, onde fui fazer pique-nique algumas vezes. Há muito tempo esse coqueiro deixou de existir, devorado pelo mar:
No dia em que chegamos em Maceió, tive uma febre muito alta. Era noite, chovia e meu pai ainda não conhecia nenhuma farmácia ou médico na cidade. Minha mãe sugeriu ele ler o livro do Kuhne (A Nova Ciência de Curar, hoje vendido com o título Cura pela Água, pela Editora Hemus). Ele leu e veio com a solução: banho de tronco seguido por suador (via um monte de cobertores). Após repetir isso três v ezes, minha febre sumiu e meu pai deixou de fumar e impôs o Naturismo em casa e nunca mais procuramos médicos.
Após alguns meses, eu apresentei outro problema grave: não digeria os alimentos ingeridos. Meu pai pegou o avião da Nacional e voou para o Rio e São Paulo, para procurar um outro livro do Kuhne, bem mais raro que o citado acima, chamado A Ciência da Expressão do Rosto. Encontrou-o em São Paulo, onde estava registrada a solução para o meu problema: tomar uma colherinha de areia da praia após cada refeição. Após três dias, o problema foi resolvido. Interessante como o cientista L. Kuhne chegou a essa solução: "Em minhas andanças pelo interior da Alemanha eu observei as galinhas. Notei que quando elas se alimentavam, ingeriam também um pouco de terra..."
Mais alguns meses se passaram, e eu me envolvi em mais um perigo de vida. Fui sozinho brincar na praia e fui brincar no mar com outras crianças em uma grande boia, feita de câmara de trator. Quando a boia estava longe da praia, em um lugar fundo, eu caí da boia e começei a me afogar. Um rapaz percebeu isso e me salvou a vida.
Em Maceió, morávamos na Av. Comendador Leão, 123 - uma casa numa esquina. Na nossa calçada, uma senhora negra costumava vender tapioca, que ela preparava na hora em um pequeno fogão.
Nas minhas andanças pelo bairro, descobri um cinema, onde assisti o primeiro filme brasileiro de animação de longa metragem chamado Sinfonia Amazônica ( https://www.youtube.com/watch?v=RuJBOEJ7Jv0 )
Meu primeiro e segundo ano do curso Primário foram feitos no Externato Santa Teresinha, que ficava poucos quarteiros de casa e eu ia a pé para lá. A proprietária da Escola era a Martha Voss, que também foi minha professora. As provas corrigidas eram enviadas para meus pais em pastas muito bonitas:






