Meditemos um pouco, primeiro, sobre a natureza das trevas. Eis uma das coisas mais misteriosas da existência - e sua vida está ligada a essa questão, você não pode deixar de pensar nela. Precisamos entender a natureza das trevas, porque da mesma natureza é o sono, da mesma natureza é a morte e da mesma natureza é toda a ignorância.
A primeira coisa que lhe será revelada, se meditar sobre as trevas, é que as trevas não existem, não têm qualquer existência. É mais misteriosa a treva do que a luz. Não há trevas em lugar algum, você não as pode encontrar, elas não têm existência em si mesmas; acontece, simplesmente, que a luz não está presente.
Se há luz, não há trevas; se não há luz, as trevas aparecem. A treva é a ausência de luz, não a presença de alguma coisa. Por isso é que a luz vai e vem, masa treva permanece. Não é, mas permanece. Você pode criar a luz, pode destruir a luz, mas não pode criar a treva e não pode destruir a treva. Ela está sempre ali, sem absolutamente estar ali.
A segunda coisa que você compreenderá, se contemplar a treva, é que, por causa da sua não-existência, nada pode fazer com ela. E, se tenta fazer algo, você será derrotado. As trevas não podem ser derrotadas, pois como pode derrotar algo que não é? E, se você for derrotado pensará: "Isso é muito poderoso, pois derrotou-me". Mas será absurdo! As trevas não têm poder; como pode uma coisa que não é ter poder? Você não é derrotado pelas trevas e seu poder, você é derrotado por sua insensatez. Em primeiro lugar, começou a lutar - e isso foi insensato. Como pode lutar com alguma coisa que não é? Lembre-se: você tem lutado com muitas coisas que não são, como com as trevas.
A moralidade como um todo luta contra as trevas, por isso é estúpida. O todo da moralidade, incondicionalmente, é uma luta com as trevas, uma luta com algo que não é.
O ódio não é real, é apenas a ausência do amor.
A cólera não é real, é apenas a ausência da compaixão.
A ignorância não é real, é apenas a ausência do estsdo de Buda, da Iluminação.
O sexo não é real, é apenas a ausência de brahmacharya.
[continua]
Fonte: Osho, Tantra, a suprema compreensão, Cultrix, 2006.
