terça-feira, junho 11, 2024
Quiroga - 5842
NOSSA ÚNICA INIMIGA
A estupidez brutal de nossa humanidade desconhece limites, se aprimora criativamente a cada dia e a cada geração em nome de preservar as divisões, os confrontos e preservar a dinâmica mediante a qual o medo continue sendo a nota dominante da “boa educação”, porque, pensa a brutalidade ignorante, sem medo, a que futuro nossa humanidade poderia aspirar?
Essa brutalidade desconhece rótulos, serpenteia livremente nos subterrâneos de todas as ideologias, que se confrontam com selvageria, ungidas cada uma com suas razões supremas para se destruírem mutuamente, metendo medo umas às outras.
O medo é a triste experiência de nossa humanidade, que gostaria de confirmar diariamente sua majestade criativa, mas que precisa conviver intimamente com a vulnerabilidade que o medo lhe outorga, e que a torna manipulável, porque uma pessoa sem medo é livre para fazer o que quiser, e é, por isso, a coisa mais temida de nossa civilização, onde já se viu que alguém se atreva a viver sem medo, destemidamente?
O medo é utilizado de todas as formas e maneiras para sermos induzidos a desejar isso ou aquilo, serpenteando na publicidade, ao subliminarmente sugerir que sem o produto que deve ser adquirido por nós o mais rapidamente possível, ficaríamos impossibilitados de escalarmos classes sociais.
O medo tem uma única função, oprimir, e a opressão deveria ser nossa única inimiga, independentemente do rótulo que adotar.
O medo que sentimos nos torna oprimidos, mas também é pelo medo que sentimos que nós oprimimos, intimidando nossos semelhantes da mesma forma com que nos sentimos oprimidos e intimidados.
Carência e abundância são experiências contrastantes, que fazem parte do ritmo cotidiano e que, também, se comportam como ciclos. Sua consciência administra a relação entre os contrastes, nunca se esqueça disso.
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