domingo, junho 08, 2008

 

Poluição Sonora e Surdez


É quase impossível encontrar locais não barulhentos nas cidades, já que nelas os ruídos estão em toda a parte. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), um órgão da ONU, os ruídos são a terceira principal causa de poluição mundial e, no último ano, ocorreu um aumento de 15% de surdez entre a população de nossa planeta. O problema afeta cerca de 2,5 milhões de brasileiros e é a segunda causa de deficiência no País, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Se não bastasse o excesso de barulho a que estamos sujeitos nas grandes cidades, diversas profissões agravam esse problema, e algumas atividades causam danos irreversíveis na audição de trabalhadores. Especialistas lembram que esse problema é típico da pós-Revolução Industrial. Antes da industrialização, só depois dos 50 anos as pessoas costumavam apresentar algum grau de surdez. Hoje, nas grandes cidades, o problema costuma aparecer a partir de 35 anos, em virtude dos hábitos da população, acostumada a ouvir música alta nos fones de ouvido, freqüentar casas noturnas e enfrentar diariamente o alto barulho no trânsito. A exposição também ocorre em muitas outras atividades de lazer, como ir ao cinema, por exemplo.

Segundo a fonoaudióloga Mariana Sanseverino, a exposição a altos níveis de ruído deixou de ser realidade apenas de operários em linha de produção industrial, abrangendo agora DJs, motoristas, motoboys, agentes de trânsito, policiais, motoristas de ambulâncias, operadores de britadeiras, trabalhadores de gráfica, músicos, operadores de áudio em emissoras de rádio, operários de fábricas e funcionários que atuam nas pistas de aeroportos. Ela informa que o nível médio de ruído no trânsito é de cerca de 70 decibéis (dB), mas em casas noturnas, o índice chega a 130 dB, correspondente ao som de uma explosão. Em alguns casos, o barulho gerado em ambientes de escritório chega a 70 dB ou 80 dB.

A exposição continuada a sons entre 100 e 120 decibéis pode levar à perda auditiva, e algumas atividades profissionais têm na legislação a obrigatoriedade do uso de tampões de proteção (como nos aeroportos). "Acima de 100 decibéis é indispensável o uso de protetores", diz a fonoaudióloga.

Para prevenir a perda auditiva e outros problemas de saúde, é recomendado o uso de protetor de ouvido, considerado como Equipamento de Proteção Individual (EPI). Mariana explica que o protetor tipo tampão - geralmente nas cores laranja ou amarelo - abafa o ruído, mas permite que a pessoa escute o som, pois reduz apenas até 15 dB. O EPI com protetor e abafador é bastante utilizado por funcionários que atuam nas pistas dos aeroportos.

A perda auditiva causada por ruídos é muito comum hoje em dia. A sugestão de especialistas é que as pessoas aprendam a se desligar de tudo por alguns minutos ao longo do dia, procurando locais de silêncio completo. E à noite, dormir sem a interferência de ruídos, para conseguir um bom descanso fisiológico.

Deve-se ficar atento para alguns sintomas que podem indicar problemas auditivos:

1. Pedir com freqüência para que as pessoas repitam o que dizem;
2. Apresentar dificuldades para acompanhar conversas;
3. Apresentar dificuldade para ouvir quando está em locais com muito ruído de fundo, como televisão ligada, crianças brincando ou no trânsito;
4. Apresentar dificuldade para ouvir à distância, por exemplo, na missa;
5. Não ter certeza se o som vem de trás ou de frente;
6. Necessitar aumentar o volume da televisão e do rádio;
7. Apresentar sentimentos negativos, como depressão ou isolamento.

Devemos lembrar que o ruído possui uma energia sonora associada. Essa energia não-harmônica irá interagir com a energia harmoniosa que sustenta nosso corpo físico, podendo levar ao seu funcionamento não-harmônico, devido a essa interferência.

Fonte:
Sheila Vieira, "Poluição sonora aumenta em 15% a surdez da população", Jornal Correio Popular, Caderno Empregos, 8 de junho de 2008.

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