sexta-feira, julho 11, 2008

 

Pulmão, Pressão e Circulação


Nos tem sido ensinado que o coração é a bomba que faz o sangue circular por nosso corpo. A história não é bem assim, conforme pode ser notado pelo texto abaixo [1].


Temos comentado muitas vezes que a homeostase de nosso organismo possui reações encadeadas para preservar todos os órgãos e funções automaticamente. Em várias obras temos explicado que há um impressionante conjunto de fatos em nossa fisiologia que ainda necessitam de explicações que possam clarear as causas dos mesmos. Um caso que deixou Arthur Guyton impressionado, já há mais de 40 anos, é a questão da pressão do líquido intersticial: este líquido que banha todos os tecidos do corpo está com sua pressão regulada ABAIXO da pressão atmosférica exterior. Por sua vez, dentro das células, regulada pela membrana e sua “bomba sódio-potássio”, a pressão interna é até 20 mm de mercúrio ACIMA dos 760 mm da pressão atmosférica!


Em nossos estudos sobre ingestão de comidas temos feito notar que o tubo digestivo é um órgão externo, como a pele, completamente equilibrado com a pressão atmosférica externa. Logo, a “comida” tem a mesma possibilidade de ser pressionada para invadir o líquido inter-tissular tanto dentro do intestino quanto terá se esfregarmos no rosto, no braço, ou em qualquer trecho de nossa pele externa. E, também, para qualquer material existente no líquido geral do corpo entrar numa célula, isso só é possível acontecer SE a célula o “chupar”. Os rins são o órgão que saca líquido, ou não saca, para regular essa pressão geral do suco entre os tecidos. Porém, ao falar de respiração e circulação sanguínea, o fenômeno fisiológico é muito mais impressionante! Vejamos! Comecemos pela “circulação” que sempre temos chamado “sanguínea”, onde subentendemos tanto a distribuição de oxigênio quanto a de “alimentos”. Ainda temos um conjunto de vasos linfáticos, normalmente entendidos como “circulação” alimentar, porém, esse líquido leva leucócitos e possui “quartéis”, os gânglios, muito ativos no sistema imunológico e não leva hemácias, que só devem circular no que chamamos “sangue”, que é vermelho graças a essas células que contêm hemoglobina, isto é, os glóbulos que transportam o oxigênio.


Sem dúvida todos já sabem que o oxigênio não tem a tal função “alimentar” como alguns acreditavam. Porém, sua função é captar os hidrogênios livres, o radical mortal de nosso metabolismo, conclusão da quebra da glicose para extrair energia e carregar as nossas baterias ambulantes, as adenosinas trifosfatos (ATP), produzindo H2O (água!).


Você pensa que vivemos porque comemos? Não! Vivemos porque respiramos! Vamos entender esse mecanismo começando pela circulação cardiovascular que é o sistema de disponibilizar O2 (oxigênio) a todo o corpo, isto é, permitindo respirar a todos os órgãos. Quando comparamos o coração a uma bomba estamos mentindo. Ele é uma sofisticada válvula do encanamento sanguíneo.


E onde está a bomba? A Bomba é o Pulmão! Mas, como ele bombeia o sangue? Ele usa a pressão do ar. Acelera e atrasa seus movimentos de modo automático, conforme o corpo precisar. Mas, também podemos controlar esses movimentos de modo consciente, produzindo sua expansão e contração pelos músculos intercostais e diafragma. A Yoga Indiana ensina os segredos da respiração controlada há mais de 2.800 anos. Mas, como a Fisiologia conta essa mecânica?


Pensemos logo nas veias e artérias e na pressão com que elas operam: nos pés temos alta pressão, nas pernas, menos um pouco, no abdomen menos e no alto da cabeça bem pouco. Se não fosse assim, o sangue afluiria todo aos pés e faltaria O2 ao cérebro. E ao abaixar ou virar uma cambalhota, que desastre! Mas, não temos válvulas ou áreas “mosáico” estanques de pressão! Tudo se acerta de modo instantâneo inconsciente! Porém, isso não é o mais impressionante. A Fisiologia da respiração já mediu as pressões da “pequena” circulação, a pulmonar, para informar o que estamos contando: À medida que o sangue venoso sái do coração e vai caminhando para os alvéolos pulmonares, os vasos sanguíneos vão reduzindo sua pressão de tal modo que ao chegarem à emenda com os capilares de retorno estamos abaixo da pressão atmosférica! Nessa descompressão, água e gases como o CO2 escapam do sangue e passam às cavidades pulmonares. Por sua vez, a química da hemoglobina fica em contato com o ar pulmonar e a capacidade de O2 entrar e formar oxi-hemoglobina é facilitada pela pressão SUPERIOR do ar. E, a cada respiração, inflando o peito e aumentando um vácuo, que o ar vai preencher, trazemos mais sangue venoso. Ao expirar, apertando esse espaço, detém-se a chegada de sangue venoso e a válvula unidirecional do coração impede que esse sangue retorne! Só tem uma direção a seguir que é ocupar a outra cavidade do coração, onde a válvula, também unidirecional, está aberta! Deu para entender?


O Pulmão é a Bomba! E usa a pressão atmosférica como seu impulsionador!


Referência:

[1] Mário Sanchez, Diagnóstico pela Pulsologia Chinesa e Roteiro Completo das Terapias Ancestrais e Naturais [Apostila II], www.mariosanchez.com.br

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