sexta-feira, março 06, 2009

 

Uma Mudança de Rota


Uma Mudança de Rota


Minha rota nesta vida terminava aos 7 anos de vida, com a minha morte. No entanto, aos 7 anos houve uma mudança de rota em minha vida, que permitiu eu estar hoje vivo e contando a história abaixo.


Até os sete anos de idade eu era um menino bastante doente e vivia indo a médicos e farmacêuticos para tratar de minha saúde debilitada. Nesse período tive pleurisia infantil, fui operado de hérnia e apendicite e me lembro de minha luta (tinham que me segurar braços e pernas) para tentar não receber as injeções rotineiras nas farmácias.


Inicialmente, convém notar que a nossa dificuldade de se deixar de comer comida cozida (ou torrada, ou queimada = "churrasco") vem do fato de que nós fomos gerados, dentro do útero de nossas mães, sendo alimentados com o sangue dela, que era formado de comida cozida. Portanto, fomos viciados em comida cozida desde o útero de nossas mães! Portanto, o vício em comer comidas cozidas é muito pior do que o vício (adquirido muito mais tardiamente) em drogas pesadas, como cocaína. E nós sabemos o que ocorre com viciados em cocaína, quando se tira a cocaína deles, não é mesmo? (Vide o caso do Maradona, por exemplo) Ocorre a famosa Síndrome de Abstinência. Essa mesma síndrome, com muito maior intensidade, ocorre com quem deixa de comer comida cozida, obviamente. Eu já passei por isso e abaixo conto minha experiência.


Em 1954, eu tinha 7 anos e morava com meus pais em Maceió-AL, onde tínhamos chegado recentemente. Devido a um problema meu de saúde, meu pai praticamente foi forçado a ler um livro (do Louis Kuhne) e após aplicar seus ensinamentos em mim (que servi como cobaia), ele se convenceu que o ser humano é um ser frugívoro, isto é, comedor apenas de frutas. Ele decidiu, então, que todos nós (eu, meu pai e minha mãe) iríamos comer apenas frutas daquele dia em diante. Após alguns dias exclusivamente nas frutas, sofremos o impacto avassalador da síndrome de abstinência, comentado acima. Meu pai, então, fez um recuo tático e bolou um "plano de guerra" para conseguir comer exclusivamente frutas A LONGO PRAZO. O plano que ele bolou foi o seguinte: de segunda a sexta-feira só frutas; sábado e domingo nós tirávamos a "barriga da miséria", comendo de tudo (inclusive carne). A idéia por trás desta tática foi a seguinte: ficando 5 dias no correto e 2 dias no erro, com o passar do tempo o próprio corpo iria exigir mais o correto (frutas) do que o errado (comida cozida). Isso foi implementado por algumas dezenas de anos! Hoje meu pai come exclusivamente frutas cruas, nos 7 dias da semana, confirmando o acerto de sua tática inicial (pois ele está com excelente saúde, tendo já passado dos 90 anos) e se considera imortal.


Por que meu pai afirma categoricamente que ele é imortal (fisicamente)? Pela seguinte transformação que se processou no seu corpo físico.


Os avós de meu pai viveram até a faixa dos 90 anos. Os pais de meu pai viveram até a faixa dos 60 anos. Os 2 irmãos de meu pai viveram 36 e 37 anos. O filho de meu pai (eu) ia morrer aos 7 anos. Por aí dá para perceber a decadência biológica de uma geração para a seguinte na linha familiar de meu pai (queda de 30 anos a cada geração sucessiva). Para me salvar aos 7 anos, meu pai (que também sentia que iria morrer na faixa dos 30 anos) adotou um modo de vida que me salvou e, como bônus, salvou ele e minha mãe. Mas vou voltar um pouco no tempo, quando meu pai era um menino, entre 14 e 17 anos, que morava sozinho na cidade do Rio de Janeiro, trabalhando e estudando. Ele morava sozinho em pensões, que mudava de vez em quando. O detalhe: sempre que ele mudava de pensão ele precisava fazer isso no sábado, porque no domingo ele precisava ficar de cama, o dia todo, para amenizar as dores nas costas que surgiam devido a carregar peso no processo de mudança, para poder ir trabalhar e estudar na segunda-feira. Façamos um salto no tempo: hoje aos noventa anos ele está em melhores condições física do que naquela época que ele tinha 14 a 17 anos, porque ele agora corta toda a grama de seu quintal (de dois terrenos conjugados), com um cortador de grama desses bem pesados, e não sente qualquer dor nas costas depois desse trabalho. Qual o milagre? O modo de vida que ele adotou, para me salvar (com a ajuda indispensável de um anjo, que era minha mãe. Talvez conte por que em outra oportunidade). Com essas provas em seu próprio corpo, por que ele iria aceitar a mentalidade mortalista e pessimista vigente? O passar do tempo está fazendo ele se sentir cada vez melhor!


Nos Estados Unidos tem uma região em que existem árvores milenares enormes, chamadas de sequóias gigantes. Quando elas eram pequeninas você poderia quebrar seu tronco facilmente com sua mão. Com o passar do tempo, essas arvorezinhas foram crescendo e se fortalecendo. Hoje, nem um batalhão do exército consegue derrubá-las usando apenas as mãos. Com o passar do tempo, as coisas vivas não precisam ficar mais fracas, mas certamente podem ficar mais fortes. Fraqueza é sinal de doença e como velhice é uma doença, acha-se normal que um idoso fique cada vez mais fraco com o avanço da idade... Balela...

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Comments:
Olá Rui. Ótimo texto e grande exemplo seu de compartilhar conosco sua experiencia de vida. Leio seu blog todos os dias e sempre que posso indico a amigos.
 
Caro Rui,

Adorei o texto. Minha alimentação melhorou muito, mas só viver de frutas ainda não tinha visto. Com isso a vida fica muito, mas muito mais simples e fácil. Gostaria de saber mais detalhes sobre essa alimentação e se há livros que vc pode recomendar sobre o assunto.

Agradeço por compartilhar conosco os ensinamentos de seus pais.

Rosângela
 
velhice seria uma doença. Para os mortalistas.
 
Comer só frutas significa a libertação da mulher da escravidão da cozinha. Rosângela, recomendo a leitura do livro "A Saúde pela Alimentação Correta" de Mário Sanchez, cujo comentário você encontra aqui:

http://pt.shvoong.com/medicine-and-health/nutrition/1833655-sa%C3%BAde-pela-alimenta%C3%A7%C3%A3o-correta/

Velhice é doença crônica!

Um abraço, Rui.
 
Voltei a fazer copy/paste de um texto seu.
Ando fascinada a seguir o seu percurso no mundo das ideias.
Abraço.
Maria
 
Ola meu nome é Valentim e sou vegetariano ha 40 anos.Atualmente estou tentando mudar minha rota para o Frugivorismo ha 8 anos. Ja consegui uma mudança de 80%. Gostaria de conversar com voce a respeito disso. Nao localizei seu email, por isso vou passar o meu e peço que entre em contato para conversarmos. Desde ja obrigado!

jampito@ig.com.br
 
Sou um crudivoro de lutas contra os cozidos, pois além das tentações naturais, dos hábitos de mais de 40 anos de comigas "aquecidas,torradas e cozidas) ainda faço toda a alimentação para a minha família que não é adepta ao rawfood...imagine a briga, por isso, como o seu pai, sofro de vez em quando com uns cravings terríveis e ai vem a culpa etc etc...adorei a idéia dele..e como ele, sou um expectador do meu corpo e experimentador...) Transcrevi seu trecho no meu blog, com as devidas fontes em http://comecru.blogspot.com por achar extremamente relevante.
Felicidade éter um pai sábio , não é?
Abraços faternos
Paulo
 
Admirável e inspirador o relato. Vegetariano, passando pelo veganismo, sinto uma profunda atração pelo frugivorismo, mas como bem disse: o vício é uma luta, ao mesmo tempo q uma ilusão pregada pela mente, em acreditar q precisamos de comida cozida. Om.
 
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