Sunday, October 17, 2010

 

Sobre o Amor - 1


No Simpósio, de Platão, Sócrates diz:

Uma pessoa que pratica os mistérios do amor estará em contato não com um reflexo, mas com a própria verdade. Para conhecer essa bênção da natureza humana, não se pode encontrar auxiliar melhor do que o amor.

Durante toma a minha vida, comentei sobre o amor de mil maneiras diferentes, mas a mensagem é sempre a mesma. Apenas algo fundamental precisa ser lembrado: não se trata do amor que você acha que é amor. Nem Sócrates está falando desse amor nem eu estou.

O amor comum que você conhece nada mais é do que um impulso biológico; ele depende de sua química corporal e de seus hormônios. Ele pode ser alterado muito facilmente... uma pequena mudança em sua química e o amor que você considerava como a "verdade suprema" simplesmente desaparece. Você tem chamado a sensualidade de "amor". Essa distinção tem de ser lembrada.

Sócrates diz: "Uma pessoa que pratica os mistérios do amor...". A sensualidade não tem mistérios, ela é um simples jogo biológico. Todo animal, todo pássaro, toda árvore o conhece. Certamente o amor que tem mistérios será totalmente diferente do amor com o qual você está familiarizado

O amor que pode se tornar um contato com a própria verdade emerge somente a partir de sua consciência; não a partir de seu corpo, mas a partir de seu mais íntimo ser. A sensualidade emerge a partir do seu corpo, o amor emerge a partir de sua consciência. Mas as pessoas não conhecem a própria consciência, e o mal-entendido continua: a sensualidade corporal é tomada como amor.

Muitas poucas pessoas no mundo conhecem o amor. Essas pessoas são as que se tornaram silenciosas, pacíficas... E, a partir desse silêncio e dessa paz, elas entraram em contato com o seu ser mais íntimo, com a sua alma. Uma vez em contato com a sua alma, seu amor se torna não um relacionamento, mas simplesmente uma sombra sua. Não importa onde você ande, com quem você ande, você está amando permanentemente.

No momento, o que você chama de amor está endereçado a alguém, confinado a alguém. E o amor não é um fenômeno que possa ser confinado. Você pode tê-lo em suas mãos abertas, mas não em suas mãos fechadas. No momento em que suas mãos se fecham, elas ficam vazias. No momento em que elas se abrem, toda a existência fica ao seu alcance.

Sócrates está certo: aquele que conhece o amor verdadeiro também conhece a verdade, pois eles são somente dois nomes para uma só experiência. E, se você ainda não conheceu a verdade, lembre-se de que você também não conheceu o amor.

Fonte: Osho, Amor, Liberdade e Solitude, Editora Cultrix, 2006. ISBN 978-85-316-0913-8.

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