Thursday, January 19, 2017

 

Deus é Energia !


Deus não é uma pessoa, à qual podemos associar as características humanas usuais (bondade, ira, amor, etc).  Na realidade, Deus é uma energia. Isso implica que a energia não tem preferência por algum indivíduo; tudo que acontece com cada indivíduo, acontece imparcialmente.

Sempre cometemos o engano de considerar Deus como uma pessoa (como, por exemplo, o anunnaki Anu, o Deus do Velho Testamento). Portanto, todo o nosso pensar sobre Deus o considera como se ele fosse uma pessoa. Dizemos que ele é muito bom, que é misericordioso, que sempre nos abençoa... Essas são nossas expectativas e nossos desejos, que impomos a Deus. Embora possamos impor nossas expectativas a uma pessoa e, se elas não forem cumpridas, fazer com que ela seja responsável por isso, não podemos fazer o mesmo com a energia. Assim, sempre que lidarmos com a energia como se ela fosse uma pessoa, fatalmente iremos nos extraviar, pois então nos perderemos em sonhos. Se lidarmos com a energia, os  resultados serão inteiramente diferentes.

Por exemplo, a força da gravidade: somos capazes de andar sobre a Terra por causa dessa força, mas ela não se destina especialmente a fazer com que você caminhe. Não pense, erroneamente, que, se você não andar, a gravidade não existirá. Ela existia quando você não estava na Terra e existirá mesmo depois que você não existir por aqui. Se você caminhar incorretamente, poderá cair e quebrar as pernas,  e isso também será devido à gravidade, mas você não será capaz de processar ninguém em função disso, pois não há ninguém para culpar. A gravidade é uma forma de energia, e, se você quiser lidar com ela, precisa ser cuidadoso(a) a respeito de suas leis de funcionamento, mas ela simplesmente não pensa em como lidar especificamente com você. 

A energia de Deus não funciona a partir da consideração por alguém em particular. Na verdade, não está correto dizer "a energia de Deus"; em vez disso, deveríamos dizer "Deus é energia". Deus não pensa sobre como se comportar com você; ele tem sua própria lei eterna, e essa lei eterna é a verdadeira religião. Religião significa as leis do comportamento da energia que é Deus.

Se você se comportar com bom discernimento, compreensão e em conformidade com essa energia, ela se tornará uma graça divina para você - não por causa dela, mas por sua causa. Se você fizer o oposto, se for contra as leis da energia, ela não produzirá nenhuma graça. Neste caso, Deus não é descortês; acontece assim por sua causa.

Dessa maneira, será um erro considerar Deus como uma pessoa. Deus não é uma pessoa, mas uma energia; portanto, a prece e a adoração não tem nenhum significado; não faz sentido ter expectativas em relação a Deus. Se você desejar que essa energia divina se torne uma bênção, uma graça para você, você terá de fazer algo por conta própria; daí a prática espiritual ter significado e a prece não, a meditação ter significado e a adoração não. Compreenda claramente essas diferenças.

Na prece, você está fazendo algo com Deus: você suplica, insiste, espera, demanda. Na meditação, você está trabalhando sobre seu próprio ser. Na adoração, você está fazendo algo com Deus; no empenho espiritual, você está fazendo algo em relação a si mesmo. O esforço para o crescimento espiritual significa que você está se transformando de tal maneira a não ficar em desacordo com a existência, com a religião. Quando o rio flui, você não é varrido pela correnteza e, ao contrário, fica na margem onde as águas do rio fortalecem suas raízes em vez de arrastá-las. No momento em que você percebe Deus como energia, toda a estrutura da religião muda.

Se você tomar Deus como uma pessoa, ficará em grande dificuldade; se você tomá-lo como uma energia, não haverá nenhuma dificuldade. Esse conceito de Deus como pessoa já causou muitos problemas. A mente deseja que ele seja uma pessoa, de tal modo que possamos transferir toda a responsabilidade para ele e, tornando-o responsável, começamos a sobrecarregá-lo com qualquer coisa. Ao conseguir um emprego, a pessoa agradece a Deus; ao perder o emprego, fica com raiva de Deus; ao ficar com pústulas, a pessoa suspeita que Deus as causou; ao se curar, agradece a Deus. Nunca consideramos como estamos usando Deus, nem pensamos como é egocêntrica essa atitude de esperar que Deus se preocupe até mesmo com nossas pústulas. A vantagem de considerar Deus como uma pessoa é que a responsabilidade pode ser facilmente colocada sobre ele.

Um buscador toma as responsabilidades sobre si mesmo. Na verdade, ser um buscador significa não considerar ninguém, exceto a si mesmo, como o responsável por tudo. Se houver sofrimento em minha vida, serei o responsável; se houver felicidade em minha vida, serei o responsável; se estiver tranquilo, serei o responsável; se estiver inquieto, esse será o meu próprio fazer. Exceto eu mesmo, não há ninguém responsável pelo estado em que estou. Ao cair e quebrar a perna, trata-se de minha própria falta e não posso culpar a força da gravidade. Se essa for sua atitude mental, terá entendido corretamente a situação e o significado de um infortúnio será diferente.

A energia que é Deus não tem nenhum interesse especial em você no sentido de que não irá violar suas leis por sua causa. Os que acreditam que Deus é uma pessoa construíram muitas histórias de favores divinos. Os funcionamentos da energia estão sempre de acordo com a lei. O interesse humano pode ser especial; o ser humano pode ser parcial. Mas a energia sempre é imparcial; a imparcialidade é seu único interesse; portanto, ela fará o que estiver dentro de sua lei e nunca fugirá disso. Da parte de Deus, não existem milagres.

Referência: Osho, Desvendando Mistérios: chacras, kundalini, os sete corpos e outros temas esotéricos, Alaúde Editorial - São Paulo, 2011. ISBN: 978-85-7881-087-0.

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