sexta-feira, dezembro 22, 2023

 

O Milagre dos Alimentos Vivos

 O Milagre dos

Alimentos Vivos

Dra. Kirstine Nolfi
HUMLEGAARDEN
para uma alimentação saudável

Sumário

1  Introdução
2  Minha experiência com os alimentos vivos
    2.1  Médico, cura-te a ti mesmo!
    2.2  Converti-me em médica que tenta curar os pacientes ... e fui condenada
    2.3  Curando sem medicamentos
3  Detalhes sobre a alimentação regeneradora
    3.1  Nenhuma leucocitose com alimentos crus
    3.2  O equilíbrio ácido-básico
    3.3  Como fazemos a transição
    3.4  Valor nutritivo da alimentação crua
    3.5  Como envelhecemos prematuramente
4  Benefícios da alimentação viva
    4.1  Gravidez e maternidade felizes
    4.2  Crianças sadias
    4.3  O adulto e o idoso
    4.4  Contra as doenças
    4.5  No animal
5  Virtudes do alho
6  Para deixar de ser obeso
    6.1  Obesidade e superalimentação
    6.2  Superalimentação por alimentos empobrecidos
7  A alimentação crua em condições específicas
    7.1  O sistema nervoso, o alcoolismo, o fumo e a diabete
    7.2  O câncer
    7.3  A debilidade cardíaca
    7.4  Carência de minerais e doenças
    7.5  O que pensar dos medicamentos químicos
8  Solo, alimento e saúde
    8.1  A vida em Humlegaarden
    8.2  Regeneração do solo
9  Resultados obtidos
    9.1  Acne
    9.2  Angina do peito
    9.3  Asma
    9.4  Câncer
    9.5  Diabete
    9.6  Difteria
    9.7  Hidropisia (acúmulo anormal de líquido)
    9.8  Hipertensão
    9.9  Menstruação
    9.10  Obesidade
    9.11  Poliartrite
    9.12  Prisão de ventre
    9.13  Tumor cerebral
10  Conclusão

1  Introdução

     Este livro valioso apresenta a experiência da médica Kirstine Nolfi - uma das mais eminentes defensoras da saúde pública na Dinamarca - com o poder de cura dos alimentos vivos. O relato do sucesso da alimentação crua no seu sanatório naturista, o "Humlegaarden", foi traduzido para diversas línguas e agora é oferecido pela equipe da TAPS aos leitores de língua portuguesa.

     Nascida em 1881, a Dra. Kirstine Nolfi formou-se em medicina em 1907 e passou os doze anos seguintes trabalhando no Hospital Comunitário em Copenhague e em diversos hospitais infantis na Dinamarca. Teve consultório próprio em Copenhague e foi reconhecida como especialista em doenças infantis.

     A partir de 1945, dirigiu o Sanatório de Crudivorismo Humlegaarden, na Dinamarca.

     Escreveu apenas dois pequenos livros sobre a sua experiência, que foram traduzidos em diversas línguas.

     As experiências dessa famosa médica dinamarquesa, venerada por seus pacientes agradecidos como a nenhuma outra, não podem ser esquecidas. Consideramos quase uma obrigação trazer suas experiências ao público de língua portuguesa.

2  Minha experiência com os alimentos vivos

2.1  Médico, cura-te a ti mesmo!

     O que me motivou como médica a adotar uma alimentação composta exclusivamente de frutas e hortaliças cruas? Isso foi consequência de adoecer de câncer da mama.

     Como de costume, a doença foi precedida por um período de alimentação deficiente e hábitos de vida errados, principalmente nos 12 anos de trabalho no hospital, um período em que sofri constantemente de prisão de ventre e gastrite. Certa vez, quase morri devido a uma hemorragia causada por úlcera gástrica.

     Foi nessa ocasião que aboli carne e peixe de minha alimentação, tornando-me vegetariana. Entretanto, foi bem mais tarde que comecei a comer frutas e hortaliças cruas, aumentando a quantidade gradativamente. Minha digestão melhorou, assim como a saúde, porém, ainda não estava me sentindo realmente bem.

     Após uns 10 anos de uma alimentação que consistia em 50% a 75% de hortaliças e frutas cruas, sentia um cansaço constante, mas não conseguia diagnosticar nenhuma causa definida. Na primavera de 1940, descobri, por acaso, um pequeno nódulo na mama direita. Muito cansada, não dei atenção. Assim, fiquei apavorada quando, cinco semanas mais tarde, descobri, também por acaso, que o tumor havia crescido ao tamanho de um ovo e estava aderido à pele. Somente o câncer age assim.

     Em um Congresso de Oncologia na Finlândia, havia ouvido de um eminente oncologista "O tratamento habitual do câncer é apenas um paliativo, pois não sabemos qual é a sua causa". Portanto, decidi, na hora, que não deveria me submeter a esse tratamento. Mas então, o que fazer? Tinha que tomar providências sérias ou logo iria morrer de câncer. Decidi, então, seguir uma alimentação 100% crua. Com a minha própria vida em jogo, fui obrigada a provar o valor de uma alimentação regular desse tipo.

     Parti em busca da Natureza. Comecei imediatamente. Fui morar em uma barraca, numa pequena ilha do Kattegat e comia exclusivamente alimentos crus. Tomava banhos de sol algumas horas por dia, quando o tempo permitia. Quando o calor era muito forte, mergulhava no mar.

     Durante os dois primeiros meses, continuei muito cansada e o tumor não diminuiu. Foi então que minha recuperação teve início. O tumor diminuiu e comecei a recuperar a energia. Há muitos anos eu não me sentia tão bem.

     Antes, havia consultado o Dr. Hindhede, renomado médico dinamarquês, que recomendou que não me submetesse a uma biópsia. Ambos sabíamos que essa intervenção iria abrir vasos sanguíneos, ajudando o câncer a se espalhar. Portanto, desisti dessa idéia.

     Quando já estava me sentindo bem - após um ano alimentando-me 100% de frutas e hortaliças cruas - voltei à minha alimentação anterior vegetariana de 50% a 75% de alimentos crus. Isso, porém, não deu certo. Três ou quatro meses depois, comecei a sentir dores agudas no seio, no ponto em que o tumor havia aderido à pele. A dor aumentou nas semanas seguintes e percebi que o câncer estava crescendo novamente. Voltei à alimentação 100% crua. A dor passou rapidamente, assim como o cansaço que antecedera o reaparecimento do problema.

2.2  Converti-me em médica que tenta curar os pacientes ... e fui condenada

     Como médica, eu queria usar minha experiência para ajudar os outros. Meu marido e eu construímos, na nossa casa, um solário com capacidade para acomodar quatro ou cinco pessoas no verão seguinte. Todos comíamos alimentação vegetariana 100% crua e os pacientes se recuperaram.

     A alimentação consistia exclusivamente de hortaliças e frutas cruas e tudo correu bem. Entretanto, eram poucos doentes para comprovar a experiência. Compreendi que, para ser comprovada, essa causa teria que ser defendida em condições bem diferentes e em maior escala. Então, vendemos nossa casa em Copenhague e compramos uma propriedade, Humlegaarden, ao sul de Elsinore, onde instalamos um sanatório em 1950.

     Durante esses acontecimentos, as autoridades médicas começaram a notar os bons resultados obtidos com o meu tratamento natural e não gostaram! Quando um dos meus doentes morreu de diabete porque me procurou tarde demais, as autoridades médicas me responsabilizaram pela sua morte, alegando que eu não lhe havia ministrado insulina suficiente.

     Fui intimada a comparecer ao Tribunal de Justiça, embora a autópsia tenha revelado que o fígado do doente não estava mais em condições de funcionar e ele teria morrido de qualquer maneira, mesmo que eu tivesse lhe dado mais insulina.

     O juiz e os dois jurados - um ferreiro e um lavrador - me julgaram culpada e fui proibida de exercer a medicina por um ano. Se os tribunais fossem julgar todos os médicos responsáveis pela morte de seus doentes, nenhum médico teria possibilidade de exercer sua profissão. Se eu tivesse tratado o meu paciente apenas com medicamentos e ele tivesse morrido, nada teria me acontecido. Mas, como eu o estava tratando com métodos naturais, fui condenada.

     Pouco tempo depois, fui novamente acusada, devido ao falecimento de dois doentes - um de câncer e o outro de tuberculose. O doente com câncer não conseguiu seguir a dieta de alimentos vivos devido à guerra, quando frutas e hortaliças cruas eram difíceis de encontrar. A doente tuberculosa morava muito longe de mim e eu a havia visto apenas uma vez; ela, também, não seguiu a dieta dos alimentos vivos e morreu.

     Fui novamente acusada por meus antigos colegas como responsável pelas duas mortes e intimada a comparecer ao tribunal. Dessa vez, o júri era formado por dois homens de idéias avançadas, que se recusaram a me responsabilizar pelo falecimento dos dois doentes. O juiz não concordou com os jurados e ficou do lado dos médicos. Assim, fui julgada culpada de imperícia médica.

     Eu poderia ter recorrido contra a sentença, mas estava muito cansada e exausta de lutar sozinha contra meus antigos colegas, organizados em um poderoso cartel. Por orientação do meu advogado, submeti-me ao acordo que ele havia combinado com o tribunal. Fui forçada a assinar um documento comprometendo-me a nunca mais praticar a medicina na Dinamarca.

2.3  Curando sem medicamentos

     Assim, deixei de tratar meus pacientes com medicamentos e, desde então, os tratei todos com métodos naturais - isto é, com alimentos vivos. Os resultados têm sido impressionantes. O sanatório, Humlegaarden, tem sempre uma lista de espera. Não lamento ter rompido com a profissão médica e estou feliz por ter enveredado pelo caminho da cura natural.

"Muitos doentes ainda acham que existe um medicamento especifico,
milagroso e infalível para cada doença.
Acreditam que não precisam dar muita atenção
à alimentação e ao estilo de vida.
Essa é uma crendice perigosa muito fomentada,
porque é muito difícil pesquisar e eliminar as causas das doenças -
mas muito cômodo controlar apenas os sintomas."

Dr.Mikkel Hindhede

     Graças à perseguição de meus antigos colegas, minha reputação cresceu enormemente em todos os países escandinavos. Essa propaganda foi mais proveitosa do que qualquer propaganda paga. Meus antigos colegas agiram como agentes de propaganda e tenho recebido publicidade grátis em todos os jornais escandinavos.

     Durante a perseguição que sofri, fui chamada de charlatã, mas agora os médicos mudaram de opinião. Aos doentes que lhes comunicam os bons resultados obtidos em meu sanatório, dizem que sou uma boa psicóloga e uma boa pessoa. Eles não querem admitir que os alimentos vivos causaram os bons resultados.

     Tenho certeza de que os alimentos vivos vão se espalhar por todo o mundo e ajudar a livrar a humanidade sofredora de doenças do corpo e da mente.

3  Detalhes sobre a alimentação regeneradora

3.1  Nenhuma leucocitose com alimentos crus

     Devo aqui mencionar a leucocitose fisiológica. O termo é derivado de "leucócito", nome oficial dos glóbulos brancos do sangue. Normalmente, um mm3 de sangue contém 6.000 - mas quando comemos alimentos mortos - principalmente doces e bolos - o número de leucócitos no sangue até triplica, chegando a 18.000 mm3. Como os leucócitos são os defensores do organismo e sempre aparecem quando há perigo, percebemos que o sangue está fortemente envenenado pelos alimentos mortos que comemos. Imaginem o trabalhão que a produção de tantos leucócitos impõe ao organismo várias vezes ao dia. O resultado pode ser uma leucemia fatal.

     O consumo regular de frutas e hortaliças cruas nunca causa leucocitose fisiológica ou digestiva.

     Os produtos naturais constituem uma unidade em que os componentes são equilibrados em proporções exatas. Quando separamos suco e matéria seca, as duas partes se tornam incompletas. Além disso, ao tomar o suco sem salivação e beber mais do que o suco gástrico é capaz de digerir, estamos nutrindo nossa doença e não nossa saúde.

[continue através do Sumário]

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