domingo, maio 14, 2023

 

Em algum lugar do passado - 5


O ano de 1.953 foi bastante movimentado na minha vida. Saimos de Três Lagoas e fomos, inicialmente, para a cidade de São Paulo, morar no bairro Parada Inglesa. A palavra "Parada" referia-se à parada de bondes (em um bairro que tinha um morador inglês famoso), veículo de transporte muito comum naquela época. Existiam dois tipos de bondes elétricos (com fiação elétrica suspensa), nessa época, pertencentes à CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), que eram pintados de vermelho (ou, posteriormente, alaranjado): o bonde com aberturas laterais e o bonde com fechamento nas laterais, chamados pelo povo de "Camarão":




Na Parada Inglesa, minha mãe me fez uma fantasia de pirata, para eu brincar no carnaval:


Logo depois do carnaval, fomos para  Araraquara, na casa de minha avó Maria (mãe de minha mãe), onde fiquei a maior parte de 1.953 cursando o meu pré-primário. Minha querida avó:


Minha irmã (por parte de mãe) Ivone, nessa época, em frente da casa de minha avó:
Eu segurando o Frete, o cachorrinho salsicha "paqueiro" da minha avó:

Nessa época, minha avó tomava leite de cabra, que ela tratava em frente da casa dela. Ela também tomava um "café" diferente: eram grãos de milho que ela torrava e depois moía. Lembro de ter comido um maracujá doce que madurou junto de uma cerca de bambu da casa dela.

Nessa ocasião também aprontei algumas travessuras: meu avô tinha algumas caixas de abelhas para produzir mel. Um dia eu fui mexer com uma vara na entrada de uma das caixas e fui picado perto do olho, que acabou inchando e fechando. Outra ocasião, fui atravessar com pressa uma cerca de arame farpado e fiz um corte profundo no meu joelho esquerdo. Tenho até hoje um vestígio desta cicatriz (a terceira, depois do Rio de Janeiro e Mato Grosso).

 Nessa época eu tinha muita dor de garganta (amídalas inflamadas). Para combater isso, costumava fazer gargarejo de água salgada com limão. Depois do gargarejo, costumava chupar uma bala Chita, para tirar o gosto ruim da boca. Chita era o nome da macaca nos filmes de Tarzan...

Minha tia Noêmia (irmã mais nova de minha mãe) costumava me ajudar nas tarefas escolares. Aqui ela estava ao lado de minha mãe:

Neste ano, meu pai comprou o livro do Louis Kuhne (A Nova Ciência de Curar), por indicação de uma colega de minha avó, D. Bicota. Em dezembro desse mesmo ano, fomos todos nós (eu e meus pais) para Maceió - AL.

Também, nesse ano, nasceu no interior do Estado de São Paulo, na cidade de Viradouro, uma criança do sexo feminino que viria, mais tarde, se tornar minha esposa...


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segunda-feira, abril 16, 2007

 

Areia e Saúde

Fonte: Luiz Kuhne, Manual da Ciência da Expressão do Rosto, A Editora, Lisboa, 1908.

Preciso aqui mencionar uma substância que me parece ser absolutamente necessária ao nosso organismo, substância que muitos poderão julgar totalmente inútil, e que, no entanto, sem dúvida alguma, contribui poderosamente para a digestão - essa substância é a areia. Na sua condição natural, os alimentos vêm todos cobertos de uma certa quantidade de pó e areia, que lhes adere e que nós costumamos tirar com as lavagens.

Por muito benéfica e necessária que seja a lavagem, ela priva-nos de uma substância que é enormemente útil ao nosso organismo.

Os animais engolem instintivamente areia, e quando ela lhes falta, as conseqüências são deploráveis, conforme podemos observar em galinhas, patos e avestruzes. Para o homem também, uma certa quantidade de areia parece ser necessária.

Fiz uma série de experiências usando uma areia pura, isto é, a areia do mar - ainda que provavelmente a areia do leito de rios produziria o mesmo efeito. Mandei vir do mar do Norte uma areia que é tão fina, que pode ser engolida sem a menor dificuldade. Nas regiões arenosas, o ar é sempre muito puro, porque a areia opera como um poderoso desinfetante natural.

De modo que podemos efetuar a seguinte pergunta: não será a areia capaz de exercer uma idêntica ação salutar no interior do nosso organismo, absorvendo os gases e os germens mórbidos, drenando por assim dizer o pântano interno em que pululam os terríveis micróbios? Todos as experiências que fiz, para me assegurar dos efeitos higiênicos da areia, foram inteiramente favoráveis. Vou dar um expemplo.

Uma senhora sofria de constipação de ventre desde a infância; vários remédios não tinham dado resultado. Perto dos 50 anos, o seu estado agravou-se e ela viu-se de repente às portas da morte. Nenhum purgante fazia efeito, os intestinos não funcionavam durante semanas (uma vez durou 5 semanas).

Resolvi, então, lançar mão do seguinte sistema: duas ou três vezes por dia, mandei-a tomar uma pitada de areia do mar, depois das refeições. O resultado não se fez esperar: ao segundo dia ela começou a evacuar abundantemente. A princípio fezes duras e negras; pouco a pouco, as fezes tornaram-se absolutamente normais. A areia foi, como se vê, extremamente salutar, e daí pode-se concluir que esse produto natural é o melhor e mais capaz de manter a digestão perfeita ou de ajudar a repô-la no seu estado natural. Evidentemente, a medicina ortodoxa há de negar que a areia possa ter um valor qualquer, ou dirá que ela é quase insolúvel e vai depositar-se no organismo. A experiência acima, entre muitas outras, prova o contrário.

Meu comentário: Aos 7 anos eu tive uma doença na qual não digeria os alimentos ingeridos. Usando a orientação acima, passei a tomar uma colher de chá de areia do mar após cada refeição e salvei a minha vida em poucos dias.

O contato de nosso organismo com a terra é muito importante, tanto externamente como internamente (situação acima). É sempre bom lembrar que a pessoa que mais viveu no Brasil, desde o seu descobrimento por Pedro Álvares Cabral, foi a mineira Maria do Carmo Jerônimo que nunca usou calçados, sempre manteve o contato da sola de seus pés com a Mãe Terra.

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