Saturday, February 05, 2011
Pensamento do Dia
"Se há enfermidade é porque não estamos praticando aquilo para que fomos criados. Fique atento para perceber o que deve ser mudado"
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Monday, July 07, 2008
O Matrimônio Superior
A busca da união
Podemso considerar esta nossa conversa um trabalho pré-matrimonial, pois vamos fazer aqui uma espécie de preparação nupcial interior. Mas, para nós, as palavras matrimônio e núpcias terão um sentido espiritual e não a conotação que normalmente é atribuída a elas.
Preparar nossas núpcias espirituais ou internas significa harmonizar os diferentes níveis da nossa pessoa, alinhando-os com a alma, ou eu superior, que está em um nível supra-humano.
Vivemos em diferentes níveis. Agimos no nível físico, ao mesmo tempo que sentimos e pensamos. Temos aí os três níveis do viver humano, ou seja, os três níveis da personalidade: o físico, o emocional e o mental.
Ao procurarmos unir a ação com o sentimento e o pensamento, estaremos alinhando esses corpos; e, na medida em que isso for acontecendo, ou seja, na medida em que formos vivendo de forma integrada e harmoniosa, nossa personalidade irá sendo absorvida pelo eu superior (ou alma) - nosso núcleo de consciência no nível supra-mental, mais profundo do que a mente pensante e analítica.
Assim, gradualmente, nossa personalidade passa a ser a expressão desse núcleo mais elevado, a alma. Esse fato interno, extremamente renovador e necessário para a evolução do ser, é o que chamamos de matrimônio interior.
Todos estamos destinados a efetuar a união interna, ou a nos casar no sentido místico, pois esse matrimônio faz parte do caminho de toda alma. Na verdade, é a alma que promove esse matrimônio, porque ele atrai a personalidade chamando-a para a unificação.
No princípio, quando ainda não compreendemos esse processo, buscamos diferentes experiências de união com pessoas ou coisas - sempre, porém, experiências externas a nós. É que nessa etapa a nossa necessidade de união interna, com nossa própria alma, é interpretada como desejo de união com algo ou com alguém externo a nós.
Nessa fase, na maioria das vezes, nossos corpos encontram-se desalinhados: predominam as forças de um ou de outro. Algumas pessoas ficam mais submetidas às forças do corpo mental, outras às do emocional. Há também os que se vêem muito envolvidos com as forças ainda mais densas do plano físico.
Nessa situação de não-alinhamento entre os níveis da personalidade, enquanto fazemos determinada ação, desejamos outra coisa ou queremos estar em outro lugar, e assim nossa mente vagueia de pensamento em pensamento. Em outras palavras, nosso ser vive fragmentado, disperso em várias direções.
Ao adotarmos a busca da união, assumimos conscientemente não só o alinhamento dos nossos corpos entre si, mas também destes com o eu superior, porque é ele que custodia o propósito real, espiritual e evolutivo para nossas vidas. É bom termos sempre isto presente, pois assim podemos colaborar com o processo.
Como a alma é núcleo de vontade, amor e inteligência puros, ao assumirmos esse propósito, buscaremos agir de acordo com nossos sentimentos e idéias mais elevados e, de maneira concentrada e inteligente, depositaremos nessa ação o nosso afeto e amor. Assim, amorosamente, vamos alinhando os três corpos entre si.
Mas para alinhá-los com o eu superior - e colaborarmos enfim para a almejada união - ofertamo-nos a esse nosso núcleo profundo de consciência, nossa alma, ou Deus dentro de nós.
Quando sentimos necessidade de nos unirmos a outra pessoa, a alguma idéia ou coisa, de certa forma já estamos no caminho da unificação, pois nossas energias superiores estão nos atraindo para a busca da união. Entretanto,, no início da trajetória ainda não percebemos que estamos sendo conduzidos ao matrimônio interno, para o qual temos realmente vocação, e assim, à custa de decepções, ou de fugaz felicidade ou de bastante sofrimento, nos enlaçamos em uniões superficiais. No entanto, com o tempo e com a experiência, reconhecemos que estamos, sim, destinados à união, porém não dessa maneira fragmentada e com o que nos é externo.
Compreendemos finalmente que nossa busca é na direção das nossas núpcias internas, da união dos nossos níveis pessoais com os transpessoais e universais. Daí por diante, o relacionamento com nossos semelhantes ganha muito em qualidade, pois encontra sua maior força: a fraternidade.
Na busca do matrimônio interno, podemos adotar diferentes formas de vida - a solitária, a em colaboração com um outro ser , ou a grupal. Vejamos algo sobre essas formas para eventualmente chegarmos a reconhecer qual é o nosso caminho no momento.
Em qualquer dos três caminhos estamos expostos a ilusões. Os que buscam fazer a união sozinhos, na chamada vida solitária, podem confundir-se em determinado momento ao pensar que por estarem nessa busca individualmente precisam se isolar de tudo e de todos. Podem sentir-se pessoas separadas das demais, e esse é um dos perigos da vida solitária, que é muito benéfica, se sadia.
Os que estão no caminho de buscar o matrimônio interno em colaboração com outro ser, podem pretender que seu parceiro ou parceira seja igual a si, ou achar que ele próprio tem de corresponder ao que é dele esperado. Ambos podem enganar-se pensando que vão unificar-se, tornando-se uma só coisa, ou que deixarão de ser entes separados, sob certos aspectos.
Por natureza, o ego humano é separatista, e por isso não pode existir união perfeita nos níveis de personalidade. Se as pessoas que têm como tarefa trilhar o caminho a dois, em colaboração, se libertassem desses enganos e vissem nessa trajetória uma oportunidade de um ajudar o outro a realizar, em primeiro lugar, a união em si próprio, haveria equilíbrio e harmonia nas uniões e a família não teria decaído tanto como núcleo social e espiritual. Como vemos, o matrimônio acontece dentro de nós e não só fora, socialmente.
Devido à expectativa dos parceiros de tornarem-se um só, inseparáveis, a maior parte dos casamentos converte-se em campo de árduo conflito e de contínuo esforço de ajustamento, o que exige muita dedicação e espírito de doação de ambas as partes, isso se considerarmos os melhores casos. Na maioria, o que acontece são as rupturas, quase sempre traumatizantes.
O terceiro caminho para as núpcias internas é a vida grupal e nele também nos expomos a ilusões. Podemos, por exemplo, achar que o grupo é apenas o grupo externo, o das pessoas no plano físico, e isso pode deixar-nos muito apegados ao lado tangível da vida, às pessoas presentes, e conseqüentemente nos tornar sectários em confronto com outros grupos que tenham a mesma intenção.
Na verdade, a harmonia entre esses grupos facilitaria o matrimônio interno de todos os seres que os compõem, pois a força invocadora de um grupo integrado numa consciência universal é muito maior que a de um grupo isolado. E a alma, como sabemos, é sensível a essa invocação.
Se os membros de um grupo trabalharem no alinhamento dos próprios corpos da personalidade e destes com a própria alma, então eles, juntos, estarão realizando um matrimônio grupal. Cada um realiza esse trabalho no próprio ser, individualmente - pois isto é algo entre cada ser e sua alma - mas todos se ajudam mutuamente, procurando exteriorizar em grupo a energia do eu superior.
Um grupo físico é composto de almas que integram outro grupo muito maior, invisível e interno, com consciência mais abrangente e com uma atividade que se estende por várias dimensões, sendo a material a mais limitada. Esse grupo interno é constituído por almas que estão fazendo um trabalho semelhante, de união com as respectivas personalidades, porém nos planos mais internos da vida; ou por almas que já transcenderam essa etapa e se preparam para uniões com níveis ainda mais profundos do ser.
É quando esquecemos que um grupo não é só um fato externo e objetivo que vemos nossos companheiros de outros grupos como antagonistas ou concorrentes. Na linha científica, na artística, na educacional, na religiosa ou na econômica há antagonismo entre grupos por causa dessa incompreensão.
Se nos considerarmos "eus superiores" e não só pessoas humanas, vamos descobrir nossa realidade mais profunda, e também que somos, sim, parte de um grupo, porém interno e universal, grupo que em certos casos até transcende os limites da órbita terrestre.
Portanto, nas três modalidades de matrimônio é preciso que nos consideremos almas em evolução, e assim nos manteremos enfocados em um nível elevado, espiritual. De outro modo, vendo-nos apenas como pessoas humanas, separadas das demais, corremos o risco de nos iludirmos e, com isso, desperdiçarmos importante oportunidade de crescimento e de serviço em determinada encarnação.
A forma pela qual decidimos empreender a busca da união - sozinhos, em colaboração com outro ou em grupo - é algo muito importante, que pode influir definitivamente em nosso destino.
Por isso, essa decisão não é para ser tomada com base só no que se passa com a personalidade. É o eu superior, por viver na consciência universal, que sabe como conduzir cada encarnação.
Perguntas como: "Devo permanecer solteiro? Devo me casar? Devo fazer essa união grupalmente?" não encontram respostas corretas e adequadas em nossa esfera humana. Para a escolha certa, tendências e afinidades pouco valem, já que estas são circunstâncias, e as circunstâncias, passageiras.
É bom saber que uma personalidade já equilibrada e amadurecida, em princípio não apresenta preferência por nenhuma dessas três formas de busca, pois já sabe que elas conduzem à mesma meta, que é interior. Neste caso, uma ou outra dessas situações é tida como um serviço, isto é, o indivíduo coloca-se sempre na posição em que pode servir melhor.
Além disso, o nosso mundo superior tem formas inusitadas de nos esclarecer a respeito dos passos que devemos dar, mas humanamente nem sempre entendemos suas mensagens.
Ao nos responder sobre essas questões de união, por exemplo, o eu superior pode omitir informações que, embora esperadas por nós, podem ser consideradas supérfluas quando vistas a partir de um nível de consciência mais elevado.
Se não obtemos uma resposta clara a essas perguntas, mas ao mesmo tempo não surge uma possibilidade de casamento, nem de vida grupal, então podemos concluir que a busca é para ser feita individualmente.
Muitas vezes a resposta está implícita em certas circunstâncias da vida, e se torna óbvia quando permanecemos serenos e imparciais.
Evidentemente, nunca devemos ficar ansiosos. Em certos casos, mesmo se tivermos de permanecer solteiros, poderão surgir ocasiões de casamento, dado que nas vidas passadas todos nós fizemos muitas ligações cármicas, e esses coligados podem cruzar de novo o nosso caminho. Mas esses encontros só são evolutivos quando vistos como ligações passadas que estão reaparecendo para serem transformadas ou sublimadas e não para aderirmos aos impulsos naturais, freqüentemente bem fortes. Trata-se, portanto, de provas para testar o nosso discernimento.
Como vemos, nesse campo humanamente pouco sabemos. Por outro lado, aquietados os desejos e as preferências superficiais, poderemos ouvir a silenciosa voz interior, indicando-nos com segurança o rumo certo a seguir.
Tudo o que de real e verdadeiro deve acontecer em nossa vida é regido por leis supra-humanas e porisso chega no momento exato e determinado. De nossa parte, é melhor não precipitar os fatos, mas aguardar com serenidade, para não agir em sentido oposto ao assinalado pelo eu interno.
Em outras palavras, isso significa que em nível de personalidade é sábio aceitar nossa condição atual (solteiros ou casados); a partir daí, as energias vão fazer o que tiver de ser feito, e emergirá maior clareza para continuar a busca ou para dar início a ela.
A atitude inicial de desapego, de aceitação básica, de invocação da vontade superior é imprescindível para que esse processo se dê harmoniosamente, sem mágoas e sem conflitos. O desapego, contrariamente às aparências, é uma atitude muito dinâmica, e não passiva como muitos crêem.
Diz-se que só compreendemos a função evolutiva de uma situação ou de uma prova depois que a aceitamos. Quando um fato trazido pelo destino de maneira compulsória é inteiramente aceito, o que acontece em seguida estará em consonância com nossa necessidade verdadeira de progredir espiritualmente, e isso é o que mais importa para nossas almas e para o destino cósmico do próprio ser.
Agora vamos dar um novo passo no preparo das nossas núpcias internas. Tentemos transcender a idéia humana de que somos nós que nesta vida fazemos nossas próprias experiências.
Se nos colocarmos num ponto de vista espiritual, poderemos perceber que é a Vida ou as energias que fazem experiências através de nós. É apenas uma falsa impressão, ou uma ilusão, acreditar que tudo o que pensamos, sentimos e fazemos acontece por nossa própria conta, sem respaldo do eu interior. Na realidade, somos pessoas vividas por uma energia sutil, que é a nossa essência interna.
Quando identificados só com a mente humana comum, dizemos: "Eu penso assim, eu sinto assim, eu faço assim". Essas são impressões superficiais de quem está numa etapa que, cedo ou tarde, terá que transcender e entrar na evolução supra-humana. Precisamente o matrimônio superior, interno, nos ajuda a efetivar isto. Ele é a porta que nos leva a uma dimensão nova e espiritual, e à manifestação da futura humanidade, mais sutil e universal em seu modo de amar.
Portanto, para os que buscam a união interna, já está se aproximando essa grande transformação na forma de ver a realidade: "somos vividos, há algo que vive em nós". No Novo Testamento, Paulo de Tarso diz: "Eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim". Há milênios essa nova visão do viver está sendo reconhecida e preparada, e finalmente agora está ancorando como fato em nossa vida consciente. Então, nessa sintonia, diremos:"Ele - o eu superior - age em mim, sente em mim, pensa em mim, vive em mim".
Mas, para transcendermos a visão primária das etapas anteriores, é preciso abdicar de querer fazer, sentir e pensar como um ente separado; é preciso desistir da ilusão de querer manifestar algo egoísta, de querer se impor aos demais e a si mesmo como personalidade. Porém, ao mesmo tempo, é necessário aspirar a que a Vida passe a fluir com inteireza através de nós. Dessa maneira, conscientizamo-nos de que existe um destino superior para nossa existência e um plano para este planeta onde nos encontramos.
A mente universal, da qual saímos e para a qual retornaremos mais experientes, deve viver plenamente em nós que somos seus prolongamentos e canais pelos quais deve fluir, afim de que o mundo seja algo belo, mais evoluído, e a Terra inteira seja um planeta harmonioso, enfim, uma Nova Terra.
E para haver uma Nova Terra - conforme está destinado, profetizado e já ocorrendo - os seres humanos mais conscientes devem permitir que ela se manifeste. Nossa personalidade, nossos níveis conscientes, nossa mente e sentimento humanos e nossa ação física, precisam perceber que chegou a hora de eles se doarem, de se abrirem para que realidades sublimes possam exteriorizar-se.
No momento em que deixamos de ser o que vínhamos sendo para nos abrirmos ao que realmente somos num nível superior, as energias agirão em nós com liberdade. É isso que realmente transforma o mundo.
Para tanto, o caminho é começarmos a nos liberar por dentro - na consciência - de tudo o que julgamos ser. Feita esta renúncia, que é básica, devemos nos desapegar com coragem de hábitos e preferências, para podermos ser efetivamente aqui, no nível externo, o que somos nos níveis divinos do nosso ser interior.
Na nossa essência interna somos livres filhos de Deus, centelhas cósmicas. Então, quando nos abrimos para que as energias nos encontrem liberados como canais disponíveis para elas agirem, nossas possibilidades se ampliam. Agora, mais consciente, nos surpreendemos fazendo muitas coisas necessárias, para as quais éramos antes incapazes.
Quando nos dispomos ao Alto, emerge tanta ajuda, tanto suporte, que o verdadeiramente necessário se faz presente de modo inexplicável; e, depois de viver tal experiência, não podemos mais interromper essa contínua doação de nós mesmos. Renunciando a ser o que vínhamos sendo e deixando a Vida se manifestar em nós, tornamo-nos espectadores dos fatos da nossa existência. Assim, vemos os dias e os anos se sucederem sem tédio nem cansaço de nossa parte, e sem termos a impressão de que o tempo (que tanto atormenta alguns que não encontram esse caminho) está se esgotando. Integramo-nos então no eterno presente, que simplesmente é, que existe na eternidade.
E, quando finalmente o matrimônio interior se consuma em nós, passamos a viver como almas libertas da ilusão e do sofrimento material. A partir daí estamos fora das limitações que por tanto tempo experienciamos, livres para ser o que somos em nossa mais profunda essência.
Fonte: Palestra de Trigueirinho de setembro de 1983, Irdin Editora, São Paulo, 1997.
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Tuesday, July 01, 2008
A Cura dos Apegos
"Aceite as mudanças e confie"
Nada termina
Em nosso convívio com os demais, é como se considerássemos somente o corpo, o rosto, a personalidade das pessoas, esquecendo-nos de que em sua verdadeira essência elas são almas, e de que, como almas, estão presentes em todos os lugares.
Muitos de nós gostaríamos de nos tornar mais desapegados. Mas como fazer isso? Como encontrar a essência das coisas, como não nos prender a aparências?
Temos muitos vícios de pensamento e hábitos de linguagem, e chegamos a dizer coisas que, se pensássemos melhor, veríamos que não correspondem à realidade. Dizemos, por exemplo: "Aquela espécie de pássaros desapareceu"; ou: "Aquele homem morreu"; ou ainda: "A antiga civilização grega deixou de existir", e assim por diante. Na verdade, é um engano dizer que as coisas acabam ou morrem, pois não é isso o que de fato acontece: na verdade, é a essência das coisas que transmigra, que sai de uma forma e entra em outra. E quando a essência transmigra, a forma da qual se retirou fenece.
Portanto, nada acabou quando uma espécie de pássaros já não é vista no plano físico. E nada acabou quando se diz impropriamente que uma pessoa morreu. Tampouco a essência da antiga civilização grega acabou só porque terminou aquele período áureo da história da Terra, nem a Atlântida acabou por não existir mais como continente físico e visível.
Dentro das novas espécies de pássaros que vão surgindo permanece a essência das espécies extintas; e dentro das pessoas que estão nascendo hoje encontra-se a essência que habitava corpos de outras épocas.
Na arquitetura atual está presente, de certo modo, a essência das civilizações anteriores, mesmo que não haja delas nenhum elemento concreto. Quanto à Atlântida, está ainda viva em cada pessoa que permanece emotiva, poia a essência daquela civilização sempre foi a emotividade.
Assim, podemos perceber que a essência de todas as formas desaparecidas transmigra para outras que podem ser mais perfeitas. Nada se perde, tudo evolui. Ter consciência disso é o primeiro passo para nos desapegarmos das formas externas, concretas. Depois, numa segunda etapa, desapegamo-nos de coisas mais sutis como, por exemplo, as afetivas.
Desapego da atividade
A vida pode levar-nos a mudar de atividade externa freqüentemente. em certas circunstâncias podemos ficar numa profissão algum tempo e depois ir para outra bem diferente. Mas, se o que nos move é a intenção de evoluir e de servir melhor, e não alguma predileção pela forma externa do trabalho, podemos perceber continuidade, mesmo quando passamos para uma atividade aparentemente oposta. Nossa intenção de servir e de melhorar, e não a forma externa das atividades, é o fio que as pode interligar, dando-nos impressão de coerência e harmonia, e não de percalços e contrastes.
Se consideramos as mudanças com superficialidade, como se fossem incômodas, as transformações podem parecer-nos drásticas. Entretanto, se as vemos com mais atenção, percebemos que não há diferença alguma entre as várias atividades quando as exercermos com o mesmo espírito. O espírito com que se fazem as coisas, isso é o importante - e não tanto o que se faz. O espírito, a intenção, é o que traz unidade.
Assim, pouca importância tem saber quais foram as nossas atividades passadas, assim como pode ter pouca importância saber sobre nossas vidas anteriores. As diversas fases nada mais são que breves momentos de uma extensa trajetória evolutiva.
Há pessoas que se distraem e se contentam rememorando fatos transcorridos e tentando descobrir o que fizeram em vidas passadas, mas o importante é aquilo que não muda, vida após vida, e que une todas as nossas encarnações. É a busca da nossa essência interior que nos desvela a meta da existência, a ligação de todos os fatos e episódios que vivemos, por mais variados que sejam.
A perpétua existência
Convivem harmoniosamente no Universo energias que constroem e energias que destroem. As primeiras criam e alimentam formas - uma atividade, a encarnação de uma pessoa, os ciclos de uma civilização, por exemplo. As últimas possibilitam que a essência abandone as formas que já não lhe correspondem, que estejam limitando sua expressão. Destroem para libertar.
Ambas as energias são necessárias para que a vida prossiga seu curso. Se não houvesse a energia que a certa altura destrói nosso corpo, que é apenas a forma externa que tomamos em determinada encarnação, como seria possível para a essência que o habita continuar um ciclo criativo numa próxima vida e progredir?
Terminado um ciclo, a essência precisa de formas mais perfeitas para manifestar-se de novo. Em termos planetários, se não houvesse a energia que provoca cataclismos e faz com que uma civilização desapareça, como a essência daquela civilização poderia reaparecer de maneira mais perfeita em outra, posterior?
Como poderia o espírito que nos move realizar um trabalho de crescente qualidade, se a certa altura não surgisse outra forma para ele animar?
A superação dos apegos
Uma lição de desapego foi vivida pelo filósofo Krishnamurti quando seu irmão, de quem se sentia muito próximo, desencarnou. Os dois eram companheiros, e muito unidos. Krishnamurti sentiu fortemente a sua falta. Não tinha mais a sua presença física, não via mais diante de sei a sua forma humana. Sofreu muito, porque até então não havia aprendido a perceber a essência invisível do amado irmão.
Numa bela poesia que escreveu sobre essa passagem de sua vida, Krishnamurti relata como tentou inutilmente amenizar seu sentimento de perda. Percorreu os lugares onde passeavam juntos, e em nenhum deles conseguia reencontrar o irmão. Depois, começou a procurá-lo no rosto de todas as pessoas, mas não o via em nenhum. Procurou o irmão em todas as coisas e recantos, nas casas em que tinham morado, e em lugar algum o achava.
Cansado de penar pela sua ausência, foi então que num momento de inspiração se voltou para dentro de si mesmo e descobriu, em seu próprio coração, a presença do seu irmão, imperecível.
Desse modo, curado de suas profundas dores, teve uma experiência totalmente inesperada como acréscimo: também no próprio coração descobriu todos os seres que os homens chamam de vivos e todos os que chamam de mortos.
A cura dos apegos soluciona os mais diversos problemas. Podemos então encontrar resposta para muitas perguntas: "Como perceber a essência do que nos rodeia?" "Como não perder a harmonia e a beleza que conhecemos em antigas civilizações?" "Como não perder o amor dos que desencarnam?" "Como não nos sentirmos inativos se nosso trabalho termina ou é interrompido, ou se ficamos impossibilitados de trabalhar por algum motivo?" "Se perdemos bens materiais, como não nos sentirmos roubados do que já passou, do que possuímos em épocas de fartura?" "Como, enfim, encontrar a essência das coisas?"
A resposta para todas essas perguntas é uma só: ir para dentro do próprio coração, para dentro do próprio ser. Lá a consciência da alma, que é universal, desde sempre nos aguarda.
"Como faço para me desapegar de uma idéia?" Vá para dentro, para o seu coração. "Como faço para me desapegar de minha atual maneira de ser?" Vá para o seu coração. "Como faço para me soltar do que me prende?" Vá para o seu coração, na direção do seu centro. "Como faço para transcender os meus defeitos?" Vá para a sua essência, para o seu coração. "Como faço para superar os meus complexos?" Vá para o seu coração, para dentro de si, para o seu ser profundo. "Como faço com essa enfermidade que os médicos não sabem tratar?" Busque luz em seu coração. "Como faço com meus filhos, que não sei educar?" Vá para dentro do seu ser, e lá encontrará o amor para tratá-los. "Como faço para preencher o vazio que sinto em minha vida?" Vá para o seu coração. "Como faço para resolver a minha insegurança, os meus medos?" Vá para o seu coração.
É no coração que se curam os apegos, porque ali está a essência de tudo (átomo Nous, nosso átomo permanente alojado no ventrículo esquerdo do coração). Ali nada nos falta.
Se vou para o meu centro, encontro a essência não só de uma casa, mas também a de um irmão, a de uma espécie de pássaro, a de uma roupa que estou usando. É então que as várias aparências se equivalem, e tanto faz se um pássaro canta aqui ou acolá, tanto faz se moro aqui ou acolá, tanto faz se vejo diante de mim um irmão consangüíneo ou outro ser, porque posso amar a todos igualmente.
As dificuldades são resolvidas de forma simples quando nos é dado penetrar a essência das coisas, quando enfim conhecemos a força universal do próprio coração.
Fonte: Palestra de Trigueirinho de 1983, Irdin Editora, São Paulo, 1997.
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Thursday, May 15, 2008
Trigueirinho: Resumo de uma Palestra
Recebi um e-mail intitulado "Resumo da Palestra do TRIGUEIRINHO em SP dia 28.04.2008", que achei interessante e reproduzo abaixo. Boa leitura, Rui.
Amigos,
Muitos me pediram para contar como foi a palestra do Trigueirinho. Como tomei algumas notas, resolvi reproduzí-las neste documento e enviar para aqueles que solicitaram informações e também para aqueles que, em algum momento, demonstraram interesse pelo trabalho de Figueira. O presente relato esbarra, naturalmente, nas limitações de uma narrativa pessoal. Ainda que tenha buscado meramente reproduzir os conteúdos, há traços de pessoalidade pelo simples fato de ter de reescrevê-los e organizá-los. Vale ressaltar que o documento não pretende explicar certos conceitos, apenas reproduzir as palavras ditas no encontro. Àqueles que desejarem informações sobre o trabalho de Trigueirinho e seus ensinamentos, sugiro fontes mais seguras:
secretaria@fazendafigueira.org
SOBRE A PALESTRA “A arte de viver nos tempos atuais”
Quem são os nossos companheiros na vida terrestre e quem são os da vida interior?
Trigueirinho abriu a palestra se desculpando pela clareza do seu discurso. Segundo ele, estamos num final de ciclo que, apesar de muito já ter sido anunciado, encontra-se mais próximo do que podemos imaginar. Por isto, ele decide falar abertamente sobre o que vem acontecendo, o que está para acontecer e como devemos nos colocar diante das mudanças.
Primeiramente ele expôs 2 importantes postulados: a fé e a proteção, sem a qual não poderemos caminhar a partir de agora:
1- A FÉ: Existe a partir do conhecimento interno e da elaboração intelectual. É diferente da crença, que vive da ignorância.
2- A PROTEÇÃO: Existe a partir do controle do medo. O medo é fruto daquilo que nos é desconhecido, fruto da ignorância. Trigueirinho cita, ainda, a questão do cinto de segurança dos automóveis: “Não coloquem a segurança no cinto. A segurança não está no cinto. Façam uso dele, uma vez que assim diz a lei dos homens, entretanto, não coloquem a segurança de vocês nele. Não é ele quem define as coisas”.
Em seguida, falou sobre a existência de dois tipos de Hierarquias: a Hierarquia Espirutual (Hierarquia da Luz) e a Hierarquia dos Seres Involutivos (Hierarquia das Trevas). Explanou, brevemente, sobre a influência das duas no planeta Terra e disse ter recebido uma comunicação do Centro Planetário Aurora informando o que está por vir e descrevendo a atuação da Hierarquia dos Seres Involutivos desde os primórdios até os dias futuros.
Os seres involutivos são antigos conhecidos nossos e podemos encontrar uma infinidade de exemplos de suas ações nas ruas, nos jornais, etc. Trigueirinho lembra que antigamente eles eram chamados de diabinhos na expressão do povo. São entidades negras que se alimentam das nossas energias, sugestionam ações, condicionam comportamentos, manipulam situações. Todos nós, sem dúvida, já nos deparamos com um pensamento terrível que parece não ter sido formulado por nós... Muitas vezes ele não foi mesmo.
O comunicado recebido por Trigueirinho alertava que existiam 10 graus diferentes de seres involutivos e que, atualmente, nós estaríamos convivendo com seres até o 8°. Ele descreveu minuciosamente cada um dos graus, mas não me sinto confortável para reproduzir.
Basicamente ele fala sobre estágios de seres que sugam nossa energia em diferentes níveis. Alerta sobre a colocação de dispositivos em nossas auras, conexões nos nossos corpos sutis que emitem códigos. Fala sobre seres que procriam nos corpos, que cavam buracos, abrem portas na nossa aura, tiram pedaços e muitas vezes levam corpos inteiros. Diz que nossa incompreensão do processo favorece a abertura dessas portas (por onde perdemos energia) e que é chegada a hora de compreender e tomar a decisão. É chegada a hora de fazer a opção interior, de se conectar com mestre interno, com o eu superior.
“Esta é a última chamada”, diz ele. Não há mais tempo para purificação. Deveríamos ter conseguido nos purificar há muito tempo, não dá mais para nos preocuparmos com isto.
Nosso foco deve ser a capacidade de transmutar. Ela sim será necessária nestes tempos que estão por vir. Acontecerão coisas que não conhecemos e nada conhecido vai nos servir neste momento. É preciso orar. É preciso que nos voltemos ao nosso mestre interno, ao ser interior. (Trigueirinho cita a filosofia yoga como exemplo de uma das buscas do ser interior, a meditação).
Diz que devemos tomar a decisão de perguntar tudo lá pra dentro (e aí ele aponta para o plexo sempre que se refere ao mestre interior). Fala sobre as pessoas que tem o costume de pedir coisas em oração e diz que se têm o costume de pedir, que peçam pela conexão, que peçam para estabelecer e fortalecer essa conexão com o mestre interno. Diz que as outras coisas (a prestação da casa e etc) se resolvem por elas mesmas, são nada diante do que está por vir.
Os dois últimos graus de entidades negras ainda não se manifestaram, são os mais negativos, não foram descritos por ele, foram apenas definidos como os mais negativos, os que estão além do que nos é conhecido, os que estão reservados para o momento final do ciclo. Segundo a minha compreensão, pareceu que ele sugeriu que estes seres se manifestariam inclusive nas nossas mentes, criando imagens com as quais não saberíamos como lidar, mas essa foi uma leitura minha. Disse também que muitas pessoas se suicidarão.
Haveria já, uma enormidade de pessoas com os tais dispositivos “pregados” na aura e muitas delas relataram imagens em sonhos que poderiam simbolizar a influência desses seres. As pessoas sonham estarem envoltas por uma serpente (que seria a representação de um grau da hierarquia) ou por um polvo gigante (representação de um grau ainda mais elevado da Hierarquia das Trevas). Nestes casos, deve-se orar para o mestre interior e pedir ajuda à Hierarquia da Luz sempre.
Muito foi dito com relação a pedir ajuda. Os seres que contribuem para a evolução do planeta não podem interferir sem que peçamos. Eles estão dispostos a ajudar, mas não podem interferir no caminho evolutivo de cada sem um forte propósito. Todos tem um caminho a trilhar e cabe a cada um fazer suas escolhas; ninguém tem o poder de escolher pelo outro, por isso, o alerta para que tomemos a decisão e peçamos ajuda. A Hierarquia da Luz está fazendo um trabalho com cristais - dentre outras ações - para ajudar o planeta, entretanto só ajudará em âmbito pessoal àqueles que a invocarem.
Trigueirinho lembrou que passamos 24h/dia cuidando das coisas que não interessam, das coisas mundanas. Disse entender que é preciso viver segundo estas regras, mas que se fazia necessário criar espaços para a conexão com o eu interno. Sugeriu elevarmos a oração à região do plexo, pois disse que quando oramos muito emocionados, a prece se concentra em uma região mais baixa. A oração não deve ser carregada de emoção, só ela resolve aquilo que não podemos resolver conscientemente.
Neste período que está para chegar, teremos a ajuda da Hierarquia da Luz e dos nossos irmãos extraterrestres. Aí ele pára para elucidar o que seria “extraterrestre”. Diz lamentar muito que nosso vocabulário seja tão pobre e que este “nome infeliz nos separa do que realmente é”. Explica que não há separação, que somos irmãos em outras etapas de crescimento, que eles são muito parecidos com nós, que são desta humanidade, mas habitam outras regiões do cosmos.
Diz que eles têm outro coeficiente intelectual (100%) enquanto nós estaríamos em 8%. Explica que eles vivem conosco há muitos séculos, uns encarnados, outros desencarnados, que nenhum deles vem fazer estudos ao contrário do que sustenta o imaginário popular. Eles vêm, sim, cumprir tarefas e retornam quando estas tarefas terminam. Fala que na maior parte das vezes eles trabalham internamente, no subconsciente, porque apesar de ser possível se materializarem há um dispêndio de energia muito grande para tal. Esta também é a razão pela qual eles não se manifestam apenas para satisfazer nossas curiosidades.
Trigueirinho diz, ainda, que eles estão entre nós há muitos séculos, mas não chamam atenção porque sabem que ficaríamos com medo. Dá vários exemplos de missões extraterrestres neste planeta, como a introdução de idéias espirituais na psicologia materialista. Cita Grécia, Índia e China como civilizações que receberam inúmeras contribuições de seres de outros planetas: grandes ensinamentos como “não se limitar ao que se aprende na escola”. Entenda-se por escola a educação formal em todos os níveis. A escola ensina o básico, para obtermos uma média de um conhecimento.
Mostra uma pequena parcela do todo. Preocupa-se com as coisas materiais na maior parte das vezes, com as leis mundanas, com conhecimentos muito específicos que de nada nos interessam. Devemos estudar a vida. Devemos estudar a vida inteira.
Se o intelecto não é posto em coisas de níveis superior a sabedoria interna se encolhe. A mente fica decrépita com o passar dos anos, ao invés de mais sábia, mais experiente. Todos nós conhecemos aqueles que se deterioraram com o passar dos anos. São os que pensaram, em algum momento, “eu já sei o suficiente”.
Trigueirinho ressalta a importância do momento em que somos jovens. A fase em que somos jovens é aquela em que nosso intelecto está agindo intensamente e já se encontra bem desenvolvido. Esta é a melhor fase para se imbuir destes conhecimentos e é justamente a fase em que a escola trabalha arduamente para nos distanciar deles, bombardeando-nos com uma série de regras, informações e pressões inúteis. “Uma escola que ensine a viver não existe. Se existir ela fecha”.
“Devemos aspirar sair da ignorância, não podemos ser pegos distraídos”.
Primeiro devemos saber nossa origem. Qual é nossa origem? De que planeta você veio? O ser humano esqueceu esta informação e por isto demonstra separatividade.
Sobre as perguntas que foram feitas:
Muitas foram as perguntas e dada a extensão da palestra ele se limitou a responder e comentar algumas poucas; tentarei reproduzir da maneira mais fiel:
1 - Como fazer para ajudar alguém que não quer ser ajudado?
T: Não faça. Não perca tempo. Não há tempo para convencer ninguém. Ache outra pessoa para ajudar.
2 - (não foi lida)
T: Eu recebi uma pergunta de uma pessoa que quer que eu fale sobre a situação política do Brasil, sobre o que estamos vivendo agora. (pausa) Eu não entendo de política, eu não sei nada sobre política, eu nem sei o que é política.
3- Uma pessoa que pensa em suicídio, essa idéia pode não ter partido dela?
T: Eu diria que 90% de chance da idéia não ter partido dela. O suícidio não é opção em hipótese alguma. É comum que as pessoas pensem em suicídio quando se deparam com situações que não sabem como resolver. Para os seres involutivos é muito cômodo. É mais fácil sugar as energias de uma alma desencarnada do que encarnada, por isso eles plantam estas mensagens na mente das pessoas.
4- O que fazer quando nos encontrarmos em um lugar carregado de forças malígnas?
T: Orem. Devemos orar sem desafiar estas forças. Este é um trabalho de exorcista, um trabalho muito perigoso que requer muito conhecimento, muito treino... Nós não temos condições de lutar com estas forças, nós não sabemos o poder que elas têm. Nós podemos, sim, resistir à ação delas e impedir que se aproveitem de nós, mas desafiá-las nunca. Em situações assim, ore e peça ajuda às hierarquias.
5- (A outra pergunta foi enorme e emotiva, mais ou menos assim “O que você pensa de algumas religiões que arrebanham multidões e vendem pedaços de terra no céu, como se vendessem porções de Deus....” e por aí vai).
T: Eu disse antes que eu não entendia nada de política. Pois não entendo nada de política e nem de religião.
6- Como saber qual o melhor lugar para se estar no momento do resgate?
T: Não se preocupe com isso. Preocupe-se com estabelecer e fortalecer suas conexões. Não importa onde você esteja, a Hierarquia vai ao seu encontro no momento preciso.
E assim encerrou a palestra, mais uma vez pedindo que oremos para nosso mestre interior, para as hierarquias e irmãos extraterrestres e que comecemos a trabalhar cortando todos os nossos apegos com as coisas daqui, para que possamos ir embora.
Luz para todos!
Um grande abraço,
DeborahLabels: Hierarquias, Trigueirinho
Thursday, January 31, 2008
Exercício da Vida
A vontade da alma
As escolhas mais decisivas para o curso da vida partem do centro do ser, da nossa alma. Mas, embora seja ela que determine os rumos básicos que temos de seguir, a personalidade, o nosso eu externo, também possui certo poder de decisão.
Como personalidade, usamos o livre-arbítrio, e por meio dele aprendemos a escolher. É pelo exercício de inumeráveis escolhas que vamos aprendendo a abandonar o que prejudica a evolução, até o momento em que começamos a perceber a voz da alma e a sermos atraídos por ela.
A capacidade de decisão da personalidade varia, portanto, segundo os graus evolutivos que vamos atingindo, varia de acordo com nossa abertura para o mundo da alma.
Essa capacidade de decisão é bastante forte e dominante enquanto nos deixamos conduzir pelos aspectos materiais do nosso ser: o físico, o emocional e o mental. Redimensiona-se gradualmente, todavia, à medida que optamos pela evolução superior. A partir dessa opção, a vontade da alma vai prevalecendo nas nossas escolhas. Passamos a aceitar razoavelmente a orientação interior, a permitir que nos conduza os atos.
Quando transferimos nossas decisões para a alma, dela começam a vir provas para nos purificar e oportunidades para evoluirmos. A personalidade então vai-se tornando mais flexível e obediente e, por fim, compreendemos qual é a nossa tarefa como alma encarnada.
Para cumprir essa tarefa necessitamos de indicações internas, provindas da alma, que conhece as leis evolutivas e o nosso destino. Assim, quando nos entregamos à vontade da alma, quando é ela que nos guia os atos, consuma-se o que está previsto para nossa vida sobre a Terra.
O caminho à frente
Um período de purificações e ajustes antecede a vida regida pela vontade da alma. Desse período pode fazer parte o que costuma chamar de "fase do arrependimento".
No sentido espiritual, arrependimento é a predisposição para reconhecer erros e imediatamente agir de modo a equilibrá-los. Não é apenas lamentação e não deve ser confundido com a tendência de chorar pela dor que causamos ou de pedir desculpas sem que nada se transforme em nós. A lamentação por si só não tem valor evolutivo; só deprime e perturba nosso equilíbrio, e nada resolvemos com ela.
O arrependimento verdadeiro é um impulso para sanar as desarmonias que causamos no passado. Se nos arrependemos dessa maneira, isto é, se passamos a agir equilibradamente, preparamo-nos de fato para novas etapas do caminho.
Como evoluímos por ciclos, há prazos estabelecidos internamente para darmos certos passos. Cada ciclo nos oferece uma série de oportunidades, que pela lei do carma ficam disponíveis. Se não as acolhermos, teremos dificuldade de, no final do ciclo, passar para o seguinte.
Em outras palavras, o curso correto da evolução seria cumprirmos os ciclos, não deixarmos para depois o que podemos fazer agora. Contudo, se não conseguirmos dar os passos previstos, teremos de algum modo outras oportunidades de evolução, pois vivemos num universo regido pela lei do amor. Assim, se temos de repetir um ciclo, podemos aplicar o que já aprendemos. Se nos deixarmos levar pelo aspecto negativo de nosso "fracasso", nada mais seremos que instrumento de provas para os que estão cumprindo etapa semelhante. Mas, se adotarmos atitudes positivas, podemos ser um estímulo ao avanço para todos, que usufruirão nossa experiência anterior de queda.
Servir pela lei do amor
Quando já estamos sendo guiados pela alma, amplia-se mais e mais a nossa capacidade de servir, de ajudar os semelhantes. Vemos dentro de cada ser uma essência espiritual. Sabemos que todos vêm da mesma fonte criadora, e que o amor é a primeira lei do sistema solar. Assim, a todos tratamos naturalmente com amor, inclusive ao que apresentam características diferentes da maioria, ou alguma limitação.
Pela lei do amor, todo ser tem seu lugar no universo, onde melhor pode desenvolver sua aptidão, sua forma de doar-se. Mas ninguém é capaz de reconhecer esse lugar usando somente a mente ou o desejo de servir. Apenas no profundo do nosso ser sabemos onde está.
Para chegarmos a esse conhecimento e nos tornarmos mais úteis, devemos focalizar os níveis internos da consciência com fidelidade, constância e desapego. É desses níveis que emana a sabedoria necessária para ajudarmos o próximo sem interferir em seu destino. O fundamental é ter essa busca interna como prioridade em nossa vida. É a partir disso que nossos dias se vão tornando puro serviço da alma, em benefício de qualquer pessoa que precise de auxílio.
Que é o amor?
O amor é a capacidade de coesão, de união. Se não existisse, prevaleceriam no universo as forças contrárias à unidade, e este se desintegraria. Isso é verdade também para todos os seres que habitam o universo, que fazem parte dele.
O amor mantém os átomos reunidos e integrados e dinamiza o desenvolvimento da consciência em todos os graus de expressão.
Há consciências e pessoas que canalizam com pureza a energia do amor, manifestam-no impessoalmente, sem apego ou possessividade. Mas, por enquanto, essa expressão mais límpida do amor é em geral misteriosa e desconhecida, pois a maioria o confunde com afeições pessoais, com possessividade e dependência.
Devido ao ser humano comum ainda se polarizar no nível emocional e no instintivo, sua genuína necessidade de integração - em si mesmo e no universo - é por ele interpretada como necessidade de complementar-se com um semelhante. Busca então o amor fora e, por esse movimento, não estabelece contato com a fonte de amor, que se encontra no interior de si mesmo.
No caminho do descobrimento do amor universal e puro, podemos ficar estacionados em uma de suas etapas, apegados a pessoas ou a situações. Por não o compreendermos como uma energia cósmica, infinita, desconhecemos que encontramos uma expressão dele mais profunda e abrangente toda vez que renunciamos aos nossos objetos de amor.
É a sabedoria que traz essa compreensão e dissolve ilusões emocionais e mentais. A sabedoria, aspecto mais elevado do amor, traz a sensibilidade interior, o conhecimento intuitivo da real necessidade dos demais seres. Portanto, dá-nos a capacidade de ajudar sem interferir.
A sabedoria indica a direção real e correta a ser seguida. Pertence ao coração, e não à mente analítica e discriminadora. O amor-sabedoria traz compreensão sem requerer pensamentos lógicos, e nele não há enganos nem ilusões.
E se nos perguntarem como chegamos ao amor-sabedoria, responderemos que se trata de um caminho misterioso, trilhado pela renúncia ao que já foi conseguido e pela oferta desinteressada e incondicional do melhor que existe em nosso ser.
Amor sábio e amor comum
O amor é sábio quando libertador, curativo e impessoal, quando nos leva ao encontro das necessidades dos semelhantes e do universo em que estamos inseridos. Movidos por ele, estabelecemos metas em consonância com a evolução da vida. O amor sábio nos impulsiona a buscar o essencial e não as aparências, sempre efêmeras. Faz-nos ver o que há de positivo em cada circunstância, sem nos deixar limitar por nada.
O amor sábio não se restringe ao reino humano. Transfigura e aperfeiçoa tudo o que toca. Assim, o que está limitado se expande e se integra no que é a sua mais interna essência.
O amor sábio torna o ser humano compassivo e disponível para tudo e para todos. Devotado à consumação de propósitos elevados, é irradiado por fontes cósmicas.
O amor comum, por sua vez, leva o ser a identificar-se com aparências e circunstâncias. Está sujeito ao ritmo da evolução natural, que tem avanços e recuos. É, portanto, incerto e sofre influências das forças antagônicas, que restringem a pessoa sobretudo a resolver problemas de subsistência no plano físico, a satisfazer carências várias no emocional e a manter preconceitos no mental. Nesses planos há muitas carências, e o engano dos que são movidos pelo amor humano, comum, está em considerá-los o único instrumento de ação e de vida existente.
As decepções do amor humano levam o ser a descobrir as infinitas possibilidades do amor-sabedoria e a necessidade de vivê-lo. Com o brotar da sabedoria, sua consciência é atraída para níveis internos, e o alimento que dali flui transforma-o inteiramente.
Fonte: Síntese de palestra de Trigueirinho.
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Tuesday, January 29, 2008
Em Nome da Clareza
Uma percepção da realidade
Como perceber o que é real e o que é fruto da imaginação quando nos chegam informações e notícias sobre civilizações intraterrenas e extraterrestres e suas manifestações externas?
O contato com seres dessas civilizações avançadas era normal em épocas passadas, como no auge da cultura egípcia, da indiana, da maia e de outras que atingiram elevado nível de desenvolvimento. Naqueles tempos pretéritos, a visão que se tinha do universo era menos materialista, e isso facilitava o relacionamento com os seres que vinham de outros sistemas para auxiliar a evolução da Terra e do homem.
Tanto no passado como hoje, a clareza sobre esse assunto vem da visão espiritual. É que a mente, as emoções e os sentidos físicos captam apenas as dimensões materiais e concretas da vida, e não penetram realidades profundas, de outras dimensões do universo e de níveis de consciência mais sutis.
No universo há vários planos de vida e consciência, cada um regido por suas próprias leis. Assim, o que é real em um plano pode não ser em outro. Materializações de objetos ou de seres extraterrestres, por exemplo, são tidas como não-realidade nos planos mais densos. Se transcendermos esses planos, fenômenos dessa natureza deixam de acontecer ou se dissolvem na compreensão mais vasta que adquirimos.
Se um fenômeno ocorre, é preciso ver se é benéfico, isto é, se em contato com ele ampliamos a consciência e nos transformamos. Enquanto for um estímulo para o nosso desenvolvimento, pode estar inserido na realidade que vivemos, e vibramos no mesmo nível em que ele acontece.
Mas podemos transcender o nível de ocorrência dos fenômenos. Assim, o que era verdadeiro para nós deixa de ser, e novos aspectos da realidade que não percebíamos se revelam.
De modo geral, à medida que vamos evoluindo, perdemos progressivamente o interesse por manifestações fenomênicas e elas, assim, deixam de nos suscitar questões.
A vida além dos fenômenos
É comum que os extraterrestres e os intraterrenos presentes na órbita da Terra se manifestem por meio de luzes, e que algumas transitem no céu. Por ser o mecanismo de percepção humano mais desenvolvido no nível material, costumamos detectar esse tipo de manifestação e não outros, sutis e inacessíveis aos sentidos físicos.
Tais luzes, hoje bastante conhecidas, são apenas a forma externa com que esses seres evoluídos se apresentam, assim como o corpo físico é apenas um revestimento da nossa essência espiritual.
A função dos extraterrestres e intraterrenos entre nós não é gerar fenômenos, e para compreendê-los mais profundamente teríamos de transcender a necessidade de assistir a suas aparições, teríamos de deixar de encará-las como meras curiosidades ou objetos de pesquisa.
A busca de fenômenos é um obstáculo ao desenvolvimento de aspectos mais sutis da consciência, aspectos mais universais. Esse desenvolvimento é para aqueles que completam o desenvolvimento da mente concreta e dão início às incursões pelos níveis supramentais da vida. Para esses, que se aproximam das leis imateriais, a concentração em fenômenos bloqueia o caminho à existência sem formas que se desenvolve nos níveis divinos do cosmos.
É bom ter claro que a busca de fenômenos não se limita à visão de coisas extraordinárias. Há, por exemplo, pessoas que, à procura de segura orientação, apresentam indagações ao seu eu superior e depois esperam respostas sensíveis, como as que receberiam pelo telefone; por estarem começando a firmar o relacionamento com o próprio eu interno, querem diálogos, imagens, sonhos ou materializações bem concretas. Todavia, é preciso ir além e ingressar em outros estados de percepção e de consciência.
A resposta a uma indagação emitida aos nossos níveis mais profundos nunca vem como esperamos. Algumas vezes a falta de resposta sensível é uma prova à nossa fé, e a maneira como reagimos a esse silêncio pode ser uma indicação do que precisamos aperfeiçoar em nós: a confiança em algo impalpável, existente no âmbito de leis menos concretas. Ademais, se pretendemos determinado tipo de resposta, se temos expectativas, a que nos for dada pode passar despercebida.
Mas há uma forma de transcender o interesse por fenômenos, de abandonar a necessidade de impulsos sensíveis e de manter contato com a realidade imaterial. O caminho para isso é o desapego, do qual falaremos a seguir.
Desapego
O planeta encontra-se numa fase muito especial de sua evolução e passa por profunda mudança. O desapego é fundamental para os que a estão acompanhando, pois sem desprendimento pelo que já é conhecido não seria possível ingressar livremente no que está pra vir [vide postagens do Quiroga].
O desapego deve deixar de ser mero conceito para os que procuram vivê-lo. Não deve ser apenas uma palavra acolhida com boa vontade, mas a superação efetiva dos laços terrenos e do conhecimento atual.
O desapego é sempre necessário para ampliarmos a compreensão, para contatarmos o que ainda não foi desvelado. Assim, tudo o que captamos, descobrimos, compreendemos e vemos deveríamos soltar tão logo tenha cumprido o seu papel de nos ensinar alguma coisa. Mas deveríamos desapegar-nos com amor e gratidão, cientes de que o objeto de nossa renúncia pode ser útil para os que estão em outros pontos evolutivos, ou até voltar a ser útil para nós mesmos em uma etapa posterior da vida.
O desapego ajuda-nos a ir além do nível dos fenômenos e coloca-nos em contato com o essencial, com o que não é efêmero e cujas raízes se encontram em planos mais profundos. Se presistirmos na intenção de nos desapegar, as provas do dia-a-dia mostram-nos quão desprendidos estamos da existência material e daquilo de que ainda devemos despojar-nos.
À medida que nos desapegamos, o que ocorre em nossa vida física não nos afeta tanto e já não aplicamos tempo nem energia na análise de fenômenos. Aproveitamos, isso sim, todas as provas que ela nos traz como oportunidades de nos transformarmos.
O desapego é o principal fator na busca de uma vida mais avançada. Mesmo que haja organização, dedicação, pontualidade, obediência e autocontrole, mesmo que muitas virtudes já se façam notar em nosso ser, sem o desapego tudo isso pouco vale para a compreensão da realidade nos planos internos.
Se não damos excessiva importância às coisas fenomênicas e externas, elas deixam de ser um obstáculo para penetrarmos os níveis profundos da consciência e podem até ajudar-nos a fazê-lo.
Libertação
Com a prática do desapego percebemos que a maior parte do nosso ser e do universo não está nos níveis em que normalmente somos conscientes. Só um pequeno reflexo da nossa essência se encontra no que pensamos, sentimos ou fazemos. O que há de mais significativo na existência vive em nosso interior, além das dimensões onde há fenômenos e efeitos visíveis.
Se com freqüência dirigimos a atenção aos níveis internos e superiores do nosso ser, podemos passar pelas provas mais dolorosas do físico, do emocional e do mental sem nos envolver com o sofrimento. E cada ser humano que consiga agir, sentir e pensar com amor e desapego ajuda a libertar os semelhantes ainda condicionados às impressões próprias dos planos materiais, que são secundários perante as verdadeiras causas dos acontecimentos, perante o que nos move e o que dá vida ao nosso ser externo.
Embora tenhamos tarefas no mundo concreto, devemos sempre saber que de um ponto de vista superior não pertencemos a ele.
Essa consciência de que a raiz da existência está no interior do ser, na essência imaterial, permite-nos atualizar e aprofundar a perspectiva acerca de um dos fenômenos mais atraentes de hoje, que são as aparições de luzes e objetos desconhecidos no céu. Se estivermos presos a fenômenos, reduziremos a oportunidade de vê-las a uma pesquisa ou a um divertimento, enquanto poderíamos estar usufruindo sua irradiação interna, evolutiva e transcendente.
O relacionamento harmonioso e seguro com a realidade suprafísica que está por trás desse fenômeno é possível por meio da intuição. A telepatia mental também pode ser usada para isso, mas é recurso dos que ainda não estabeleceram contato mais profundo, de alma, com a essência espiritual ou divina dessas luzes e objetos.
Contatos evolutivos
Quando o contato com extraterrestres e intraterrenos se realiza isento de ilusões, a consciência humana pode receber auxílio para sua ascensão. A segurança nesses contatos está na ausência de envolvimentos com os planos psíquicos da Terra, especialmente o astral-emocional.
Pessoas desencarnadas que habitam o plano astral podem produzir fenômenos que não nos ajudam a elevar a consciência. Em geral, esses fenômenos de origem astral alimentam as ligações com o mundo físico, o apego às coisas materiais, a pessoas ou a situações concretas. Diferente é o estímulo promovido pelo contato puro e autêntico com seres avançados de outras dimensões. A irradiação de sua energia conduz ao despertar ou ao fortalecimento do aspecto espiritual da vida, leva-nos a um estado mais fraterno e universal.
Procuremos ver qualquer fenômeno com imparcialidade, cientes de que em certos casos eles podem acrescentar algo à nossa compreensão acerca da vida e da união com o cosmos, e de que em outros casos podem distanciar-nos e prender-nos mais à Terra e aos nossos aspectos humanos que poderiam ser superados.
Embora as aparições no céu sejam um fenômeno, vê-las pode constituir um caminho para perceber a sua essência em planos imateriais, se estivermos livres de curiosidade. Quase sempre nesses planos sutis estão as lições de que precisamos, e o desapego do que é conhecido constitui o primeiro passo para chegarmos a elas.
Pela falta de percepção intuitiva, principalmente entre estudiosos e pesquisadores de fenômenos, a literatura e as informações a esse respeito são heterogêneas, e a incompreensão por esses seres de outros mundos, que estão a serviço da evolução da Terra, é quase geral.
O contato com a essência que anima esses fenômenos ainda se mantém restrito. Mas quando o caos se generalizar sobre a Terra, quando a natureza der início a maiores reações e a sobrevivência se fizer impossível em várias áreas do planeta, o contato com realidades suprafísicas se ampliará. As naves extraterrestres e as intraterrenas se apresentarão abertamente para cumprir suas tarefas, e muitos já terão percebido o que está além dos fenômenos que hoje tanto intrigam.
Aberto à intuição, o ser humano ficará diante de fatos insólitos com naturalidade e saberá conviver com eles sem se confundir.
Em um livro espiritual sobre Yoga está escrito que unicamente pela possibilidade de contato interplanetário podemos ter certeza da evolução da humanidade. Aspirar a esse contato não é um sentimento material, mas um estado que brota quando algo em nosso mundo interior se põe em movimento e nos liga com a vida única, cósmica, em que fronteiras e formas não prevalecem.
Fonte: Síntese de palestra de Trigueirinho.
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Monday, January 21, 2008
A Solução está Pronta
A intuição
Se desobstruirmos o caminho para o inconsciente e ficarmos diante dele como se fôssemos recém-nascidos, totalmente inexperientes, as respostas a questões existenciais e as soluções para os mais diversos problemas que enfrentamos podem emergir.
A intuição é a compreensão direta de certo aspecto da realidade. Emerge sem que raciocinemos, pois não depende da atividade mental costumeira. Introduz-se na mente e imprime-se no cérebro no intervalo entre os pensamentos. Quanto maior for esse intervalo, de maneira mais nítida e completa ela será captada.
Poucos sabem que se perguntarem algo ao inconsciente obterão resposta, e que lhes cabe tão-somente estar receptivos a ela.
Abertura ao mundo interior
Há várias maneiras de interrogar o inconsciente. Certas pessoas conversam consigo mesmas, outras escrevem, outras formulam perguntas mentalmente, voltadas para o interior de si próprias. Há também as que buscam orientação interna sem chegar a formular perguntas - simplesmente se colocam em um estado expectante e tranqüilo. A forma como sucede o contato com o inconsciente é determinada pelo temperamento de cada um.
Um aspecto que conta muito para esse contato com o inconsciente efetivar-se é a intensidade com que emitimos a indagação. É importante plasmar as idéias de modo claro e coerente, estando bem consciente do seu princípio, meio e fim, e entregá-las com desapego ao próprio mundo interno. Desse desapego vem o equilíbrio e a paz que propiciam à intuição revelar-se.
Se nos concentramos excessivamente e fazemos a pergunta com ansiedade, impedimos que a resposta venha, pois nossas expectativas agem como um obstáculo entre nós e a realidade interna. Por outro lado, se não dedicamos a isso amor e atenção suficientes, o apelo não chega às camadas profundas do nosso ser, onde a solução está pronta. Há, pois, um delicado equilíbrio a ser conseguido entre a pergunta e a espera tranqüila.
O grau de energia necessário para emitir a pergunta é descoberto com a prática, com a dedicação. É um processo rico de ensinamentos.
Depois de formular a pergunta com clareza e enviá-la corretamente, devemos pôr de lado o assunto, para que nosso mundo interior possa agir sem perturbações nem interferências. Se, por exemplo, insistirmos na mesma pergunta, se ficarmos pensando no assunto ou se cobrarmos a resposta, atrairemos novamente para a superfície da consciência o que deveria estar sendo trabalhado em quietude, nas áreas profundas do ser. Impediremos, assim, que nos seja revelada a solução procurada.
Um meio de evitarmos que a mente interfira é fazer a pergunta antes de adormecer ou antes de nos ocupar com alguma tarefa que nos vá absorver toda a atenção.
Suponhamos que nos acometam dúvidas sobre se fizemos a pergunta corretamente, ou que queiramos perguntar de novo, ou que o assunto insista em voltar a mente. Se surgirem esses ou outros impasses com os quais não saibamos lidar, torna-se necessário esquecer por completo a pergunta e nos despreocupar. Devemos agir como se nada estivesse acontecendo e como se não tivéssemos feito pergunta alguma. Temos de nos desligar de tudo e não insistir mais, até que a tranqüilidade seja reencontrada.
Não haverá dificuldade a partir do momento em que se instala em nós a certeza de que, ao fazermos uma pergunta, a resposta estará sendo elaborada pelo inconsciente. O fator fé é essencial. Fé em que o nível intuitivo está sempre pronto a nos atender e atento às nossas necessidades.
Se não temos fé na sabedoria do nosso ser interno, envolvemo-nos com questões psicológicas e intelectuais, e a mente, que deveria estar calma para refletir o que vem do profundo, inquieta-se e não cumpre seu papel de espelho refletor.
As respostas
As respostas às nossas indagações estão vinculadas ao carma, porque o inconsciente nos conduz de modo que tenhamos oportunidade de equilibrar atos passados.
Mas essas respostas dependem, de modo especial, da nossa receptividade. Às vezes fazem-se presentes mas não chegam a ser percebidas, devido à sua sutileza e às nossas distrações ou ao fato de não lhes darmos a justa importância, por não corresponderem às nossas expectativas.
O mecanismo intuitivo de cada um de nós é original e único. Não devemos, pois, ter idéias preconcebidas de como ele deve funcionar, para não bloqueá-lo.
Alguns fazem perguntas com toda a sinceridade e recebem respostas do próprio ser interior por meio de outras pessoas. No momento em que a intuição lhes fala pela voz de outro, podem não perceber o que lhes é dito, por terem aquele porta-voz em pouca conta.
A crítica, o orgulho, o autoritarismo, a dissimulação, a complacência com tendências retrógradas da personalidade, o descontrole no uso da palavra, o excesso de convicção nas próprias posições, o apego, a curiosidade, a impaciência e a inflexibilidade mental, entre outros fatores, costumam abafar a voz tênue e discreta da intuição.
As respostas às nossas perguntas podem vir também por meio de um símbolo. Se não estamos habituados a ver os objetos com os mesmos olhos com que vemos uma pessoa ou um ideal, o que esse objeto simboliza passa despercebido e não colhemos a mensagem que nos traz.
Um fato que aconteça em nossa vida, igualmente pode ser a resposta que nosso inconsciente envia. Uma mudança na situação em que nos encontrávamos, o afastamento de pessoas com quem convivíamos, novas oportunidades que despontam - tudo isso pode representar a tão aguardada resposta do nosso mundo interior. Há casos em que, por desejar que algo suceda de determinado modo, insistimos na pergunta sem notar que já foi respondida.
Em geral a intuição se faz sentir de maneira mais nítida quando entramos em um estado de calma, quando estamos vazios e totalmente receptivos. A resposta brota em nosso íntimo, e dúvida alguma paira sobre ela.
A necessária clareza
No relacionamento com o mundo interior é fundamental não confundir intuição com convicção pessoal. Uma convicção pessoal pode até ser positiva, construída com amor durante longo tempo. Mas ela se faz de fora para dentro, nasce na mente e se impõe ao ser. É parcial, e não substitui a verdade.
Assim, estarmos convencidos de alguma coisa não é o mesmo que recebermos uma intuição; pelo contrário: uma forte convicção pode ser um obstáculo para captá-la.
A intuição brota dos níveis internos do ser, e tem em conta não só a nossa pessoa, mas a vida universal. Não nasce de um estado emocional ou de um estado mental. Os níveis dos quais ela advém são muito mais profundos que o da personalidade.
O primeiro sinal de uma intuição verdadeira é não trazer consigo nenhuma forma de excitação: não provoca alegria, entusiasmo, tristeza nem angústia. Vem de maneira calma, clara e sem julgamentos. Às vezes é tão suave que sequer a notamos.
Quando pensamos ter recebido uma intuição, mas ainda temos alguma dúvida quanto à sua veracidade, o melhor é nos desapegarmos dela. Como não estamos habituados a viver em contato com níveis profundos, podemos recorrer a fontes mais familiares para confirmar se o que recebemos foi realmente uma intuição: podemos empregar, por exemplo, a inteligência, a razão e o discernimento. Colocar esses aspectos do nosso ser a serviço de algo superior é uma expressão de gratidão e amor.
Outra forma de saber se realmente tivemos uma intuição é submetê-la à apreciação de outra pessoa, mais madura e experiente que nós no caminho espiritual. Com o seu parecer é possível não só discernir se nossa percepção é válida, mas também obter algum dado que venha enriquecê-la, esclarecê-la ou ampliá-la.
O importante é sempre estarmos imparciais diante da própria experiência, da experiência do outro, da inteligência, da razão, do discernimento. Se nos mantivermos nessa neutralidade, teremos clareza sobre o que nos vem à consciência.
As mudanças que a intuição nos traz
Se nos dedicarmos ao contato com o mundo interior, nosso comportamento diário vai gradualmente mudando. Tornamo-nos mais serenos e deixamos de lado os preconceitos; os desejos e pensamentos se sutilizam. Essas transformações nas atitudes levam a uma modificação do ritmo da vida: começa a surgir tempo entre uma tarefa e outra para nos interiorizarmos um pouco mais.
À medida que persistimos, os contatos com o mundo interior trarão bálsamos e sabedoria para o mundo consciente. A personalidade irá sendo imbuída em energias superiores e começará a colaborar. Passará a realizar tudo o que estiver ao seu alcance para favorecer esses contatos. Observará as menores coisas, como, por exemplo, períodos regulares de repouso e alimentação mais sutil. Tudo na vida assumirá outro valor, pois estará em função da união com o profundo do ser.
A conscientização de que os pensamentos, as emoções e o corpo físico não são a nossa essência, ajuda-nos na interiorização. Tal passo pode ser dado com o auxílio de um exercício: se um estado emocional nos absorver demais a atenção, podemos dizer: "Eu não sou esta emoção. Ela é apenas um movimento do corpo emocional". Ao surgir um pensamento de crítica, dizemos: "Eu não sou este pensamento. Ele é apenas uma reação da mente". E ao sentir uma dor física: "Esta dor não sou eu. É apenas um desajuste do corpo físico". Assim nos preparamos para oferecer todas as ações, sentimentos e pensamentos ao mundo intuitivo.
É inútil, por nos julgarmos imperfeitos, crer não estarmos preparados para esse caminho. Tais idéias são supérfluas, não trazem solução alguma. A tarefa diante do próprio mundo interior, intuitivo, é estarmos receptivos e tranqüilos, é sabermos que na essência está a solução, pronta, à nossa espera.
Fonte: Síntese de palestra de Trigueirinho, 1983.
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Thursday, January 17, 2008
A Busca da Serenidade
Onde está a serenidade?
No decorrer da vida podemos perceber que para estarmos sadios é importante cultivarmos a serenidade. Mas como conseguir isso? Como não nos deixarmos afetar pelo que sucede à nossa volta?
Primeiro temos de tomar consciência de que a serenidade é um estado interno e, portanto, nada que esteja fora de nós deve ser empecilho para o manifestarmos. Podemos desenvolvê-lo quando adquirimos neutralidade diante dos acontecimentos e seguimos nosso caminho sem dispersão ou desordem. Quem conquista essa atitude se torna como uma fortaleza e não se abala com circunstâncias.
A serenidade não depende de fatores externos; porisso, é inútil buscá-la em pessoas, em situações ou em ambientes. Ela só pode ser encontrada dentro de nós. Por outro lado, o mundo é o nosso campo de trabalho para exercitá-la. A vida atual, tão atribulada para a maioria, é uma prova para testar o grau de serenidade que podemos atingir e, ao mesmo tempo, um estímulo para robustecê-la.
Vários fatores podem contribuir para nos tornarmos serenos, e um deles é a superação do medo, como veremos a seguir.
O sentido da imortalidade
Um meio de conquistar a serenidade nos é dado no período em que nos encontramos desencarnados. Entre uma encarnação e outra, desenvolvemos o sentido de imortalidade, porque só então nos percebemos como seres imortais. Sem estar no efêmero corpo físico, mas sim em outra realidade temporal e espacial, experimentamos uma vida que nos parece mais ampla e plena.
Nesse período compreendemos também que a transição chamada "morte" é apenas o despojamento dos corpos materiais que usamos em nossa passagem pelo mundo físico. Assim, cientes de que não há morte, o medo de morrer vai desaparecendo e a serenidade se instalando.
Quanto mais longo for o intervalo entre encarnações, mais profundamente se consolida essa nossa percepção da imortalidade. Embora a maior parte dessa percepção vá para o nosso inconsciente quando encarnamos de novo, ela nos dá possibilidade de reingressar na vida material serenos.
Ultimamente o intervalo entre as encarnações não tem sido longo o bastante. Muitas almas imaturas, que seriam beneficiadas por períodos mais longos fora do mundo físico, não usufruem esse tipo de repouso e de restauro por serem logo atraídas de volta ao plano terrestre pela grande densidade energética em que hoje se acha o planeta e muitos dos seus seres. Isso agrava a falta de seneridade que costuma reinar neste mundo. Mas há também as almas evoluídas que renunciam a ficar desencarnadas, na situação privilegiada de níveis de existência harmoniosos, para retornar à Terra e prestar auxílio nesta época de tantas necessidades. Essas almas, entretanto, já se tornaram mais serenas pela vivência do altruísmo e são de grande ajuda para as demais.
Vida ritmada
Outro fator que nos ajuda a desenvolver a serenidade é estabelecermos um ritmo ordenado e harmonioso em nosso dia-a-dia.
A maioria das pessoas não cuida disso espontaneamente e, para que possam desenvolver ordem e disciplina, quase sempre a vida lhes apresenta um ritmo compulsório: horários rígidos a cumprir, emprego fixo, relógio de ponto, dias certos de repouso e assim por diante. Mas quem voluntariamente distribui as atividades em horários regulares, de modo flexível e com atenção à ordem, tem como resultado um cotidiano que facilita a serenidade.
Ao nos adestrarmos na disciplina de uma vida ritmada, deixamos de ficar ansiosos para que as coisas comecem ou terminem segundo nossas espectativas, quase sempre sem fundamento real. Assim, podemos canalizar a atenção, o pensamento e o sentimento para o momento presente e não para um futuro que imaginamos. É a partir daí que a rotina diária não mais nos incomodará, e finalmente poderemos perceber que a vida jamais termina - nossa existência, então, liberta-se dos limites do tempo.
Quanto mais organizado o dia se torna, mais penetramos no eterno presente, sem nem ao menos nos darmos conta de como isso ocorre. O ritmo das atividades se desliga de acontecimentos fora de nós e começa a expressar realidades internas. A pausa entre duas atividades torna-se então um reflexo dos intervalos entre as encarnações. Quando aprendemos a usar nosso tempo livre adequadamente, chega ao nosso consciente aquela percepção da imortalidade colhida nos ciclos que vivemos desencarnados, e o medo começa a ser dissolvido dentro do nosso ser.
Vivendo o ritmo diário com sabedoria, aprendemos a usar o tempo corretamente. Isso permite que, ao iniciarmos uma nova tarefa, nos sintamos restaurados. E, mesmo quando necessitamos de repouso, nosso estado físico já não será de desgaste ou inquietação, porque evitamos dispersões e permanecemos inteiros, atentos ao que estávamos fazendo. Desse modo, os períodos de renovação, tais como sono e repouso, têm efeitos mais abrangentes.
Nos tempos antigos havia cerimônias e ritos religiosos que auxiliavam o despertar para uma vida ritmada. Hoje, porém, o caminho é considerarmos o próprio cotidiano um cerimonial, tomá-lo ordenado e portanto em condições de nos levar ao encontro da serenidade.
Alinhamento com a alma
O modo mais seguro de alcançarmos a serenidade é pelo alinhamento da nossa consciência humana, exterior, com nossos níveis espirituais, nossa alma. Isso pode ser conseguido mais facilmente depois de termos imprimido um ritmo harmonioso na vida diária. Condições propícias para isso são criadas quando aperfeiçoamos o nosso caráter, até mesmo no que diz respeito a certos costumes.
Nosso cérebro precisa tornar-se adequado para esse alinhamento. Podemos prepará-lo ao retirarmos de nossos hábitos o uso do álcool e do fumo, e ao levarmos em conta que a alimentação gordurosa e o excesso de açucar também prejudicam o seu funcionamento. Finalmente, devemos prover ao corpo suficiente repouso: períodos de esforço prolongado impedem que o cérebro tenha a prontidão necessária para registrar o que a alma tem a dizer.
Conseguimos esses requisitos básicos quando reservamos um momento durante o dia para estar em quietude. Nesse momento, com o cérebro descansado, assistimos ao que se passa em nossa mente. O que faremos a partir daí vai depender do nosso temperamento e do tipo de pensamentos que emergirem. Podemos simplesmente vê-los passar ou procurar transformá-los. Com o tempo, os pensamentos vão se acalmando e entramos então em outra fase: a de observar a respiração, sem interferir entretanto em seu ritmo natural.
Esse aquietamento deve ser realizado sem preocupação com resultados. Podemos praticá-lo durante anos a fio, aparentemente sem recompensa alguma. Mas um dia nos damos conta de que nossa mente ficou mais calma, mais concentrada e por fim nos encontramos serenos.
Os resultados de todo esse trabalho fogem ao nosso controle. Se persistirmos sem ansiedade, muitas coisas positivas e inusitadas podem começar a acontecer em nossa vida.
O portal do serviço
Lembremos também que a serenidade é um dom espiritual e que uma forma direta de encontrá-la é nos abrirmos à nossa vocação básica da alma, que é servir.
O intervalo entre encarnações, a vida ritmada, o alinhamento com a alma, tudo isso ocorre conforme o serviço que temos a prestar neste mundo.
Mantermo-nos conscientes de que nossa vocação mais íntima e profunda é servir desinteressadamente, predispõe-nos à serenidade. Reconhecemos que não estamos no mundo simplesmente para fazer as coisas de forma egoísta como quase todos fazem (como ver novelas, televisão e torcer por times de futebol), nem para fazê-las melhor que nossos semelhante (devemos sempre cooperar com os nossos semelhantes).
Estamos encarnados para realizar o que nos cabe na vida, algo que pode ser simples, mas que é sem dúvida essencial.
Esse serviço é um portal para a serenidade. É que, quando temos uma meta espiritual e altruísta - uma meta evolutiva - e quando nos dispomos com todo o nosso ser a cumpri-la, a vida diária se torna prolongamento da calma interior.
Fonte: Síntese da palestra de Trigueirinho A Busca da Serenidade.
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Saturday, December 22, 2007
Curar é Simples
Os desgastes da vida moderna
Três fatores na civilização moderna são especialmente responsáveis pelo desgaste do corpo físico: o uso dos produtos químicos, a alimentação e os hábitos inadequados, densos demais para o atual desenvolvimento da consciência, e as tensões que sofremos - tanto externas, quanto emocionais e mentais. Esses fatores são tão disseminados que é praticamente impossível não ser tocado por eles.
Se todos estão diante desses fatores que abalam o organismo, como então obter e proporcionar às pessoas saúde e equilíbrio?
Treinamento para a cura
Vivemos simultaneamente em vários níveis de consciência. As desarmonias são próprias do nível físico, do emocional e do mental. Além desses três bem conhecidos, há os chamados supramentais, que não são afetados por nada de negativo e onde temos a maior parte do ser.
Tendo como referência os níveis em que a humanidade em geral está polarizada, consideram-se níveis superiores ou supra-humanos os que se encontram além do mental pensante. Abarcam o mundo intuitivo, o espiritual e outros ainda mais elevados.
Esses planos de consciência superiores guardam em si as energias e o propósito da evolução do homem. Neles temos a possibilidade de reconhecer a tarefa que nos cabe, de desenvolver a sabedoria que nos leva a colaborar com o bem geral.
Com a energia dos níveis supramentais, uma situação desarmoniosa que se tenha estabelecido no nível físico, no emocional ou no mental pode ser transformada.
Portanto, para termos condições de ajudar a quem se encontra em dificuldade, precisamos aprender a focalizar a consciência nos níveis isentos de desarmonias. Se, por exemplo, ficamos excessivamente dedicados ao corpo físico ou presos a algum problema emocional ou pensamento negativo, necessitamos mudar tal situação. Para isso, basta transmitir ao nosso eu externo a idéia de que ele não é apenas um envoltório da consciência, mas um templo vivo, que contém a essência imaterial do ser. Essa perspectiva pode elevá-lo, enobrecê-lo e, conseqüentemente, transformá-lo.
As condições físicas, emocionais e mentais se equilibram quando a atenção que damos ao eu externo é apenas a necessária para organizar nossa vida material e para usar de maneira evolutiva a energia dos sentimentos e a dos pensamentos. Quanto mais estáveis em níveis superiores ficarmos, mais damos oportunidade para fatos inusitados e evolutivos sucederem nos níveis concretos. Assim polarizados nas esferas harmoniosas do nosso ser, tornamo-nos aptos a ajudar ao próximo e a nós mesmos.
Ouvir o outro
Se alguém nos procura para tratar de seus problemas, só o ajudamos verdadeiramente quando nos conectamos com níveis superiores àqueles em que os ditos problemas se localizam. Se, em vez disso, ficamos no mesmo plano desses problemas, nenhuma ajuda real podemos prestar. O encontro pode servir para um desabafo, mas não resolve de fato a situação da pessoa, que precisa é de mudar de plano de consciência. Sem essa espécie de reorientação e, portanto, de cura, a pessoa pode parecer momentaneamente mais tranqüila após o contato conosco, mas novos problemas não tardarão a surgir em sua vida.
Ouvindo o outro com atenção e simultaneamente concentrando-nos nos níveis supramentais, é realizado um trabalho profundo e oculto: as energias positivas do inconsciente da pessoa são mobilizadas e começam a atuar. Durante o encontro, nada parece estar acontecendo, mas depois ela se dá conta de uma mudança em seu interior mesmo sem saber a que atribuí-la (daí a importância de se ficar simplesmente na presença de um mestre, sem fazer nada).
Tenhamos presente que não seria bom querer conduzir o que acontece no interior de quem nos pede ajuda. Não precisaríamos sequer conjecturar sobre o que fazer, nem alimentar a idéia de auxiliá-lo a todo custo. A ajuda real e durável é possível quando damos inteira atenção à pessoa, porém mantendo-nos focalizados em um nível superior. Não se trata de correspondermos ao que ela espera, ou de buscarmos contentá-la emocionalmente, mas de mantermos a consciência em um nível elevado durante o contato com ela, contato que tanto pode ser externo quanto subjetivo.
Se nos mantivermos nessa atitude, a pessoa inexplicavelmente vai-se liberando do que a faz sofrer. É que seu apelo chega até nós, mas não é retido pela nossa atenção excessiva, julgamento ou crítica; não nos envolvemos com o que está sendo dito e não reagimos. Assim, não criamos novos conflitos, e a energia positiva que liberamos retorna à pessoa.
Em outras palavras, quando alguém nos pede ajuda, abre em sua consciência um espaço. Se a energia positiva do nosso ser preenche esse espaço, a negatividade expelida, se tentar retornar, encontra-o ocupado.
A liberdade da alma
Não somos nós que curamos alguém, mas é o próprio doente que se auto-cura. É ele que emite o apelo e é ele que recebe a estimulação para transformar-se. Se não fizesse esses dois movimentos, nenhuma ajuda poderia ocorrer.
Além disso, quando mantemos a consciência num nível elevado, a pessoa a ser ajudada acompanha-nos nessa ascensão se tem afinidade conosco; recebe, assim, a energia curativa dos planos superiores.
O elo dessa pessoa conosco pode ser um sentimento de amor mais ou menos puro, mais ou menos egoísta. O tipo de sentimento, todavia, não é o mais importante. Ele é só o recurso de que o outro dispõe para nos seguir nessa escalada. Se esse sentimento faz com que esteja disposto a elevar-se conosco, basta que estejamos imparciais.
Deixemos sua alma livre para fazer seu próprio trabalho interno, pois ela tem a visão do destino. Quanto aos resultados da nossa ajuda, não nos compete analisar: não nos cabe avaliar o que ocorre no interior de uma alma. Também, atenção excessiva ao conflito da pessoa pode fazer com que ela volte a cair e, então, seu problema reaparecerá com mais vigor.
A ânsia em ajudar, em querer que alguém se transforme, está no mesmo nível emocional e mental dos problemas que ele apresenta e, portanto, não lhe é útil. Devemos aprender a nos colocar no ponto mais elevado que pudermos, e deixar sua alma livre.
A energia da cura
A cura vem de níveis de consciência que estão além de todo o mal. Nada do plano físico, do plano emocional ou do mental tem verdadeiro poder de cura.
A energia da cura não é nenhum remédio e tampouco nada de mágico. Mas quando das esferas supramentais desce ao mundo material, harmoniza tudo o que encontra.
Para dar um exemplo diríamos que, se alguém escorrega e de imediato se conecta com os níveis supramentais, pode evitar o tombo. Aquele rapidíssimo instante de conexão é capaz de mudar a situação que havia sido armada para produzir a queda.
O mesmo ocorre com outras situações de dificuldade ou perigo, tais como assaltos, exposições a vírus, acidentes em geral, mal-estares e fatos de ordem moral: conectando-nos com a realidade de um nível em que nada disso está acontecendo, a vibração daquele nível flui, instala-se em nós e o perigo se afasta porque não encontra afinidade com a nova condição criada.
Ao nos conscientizarmos desses processos simples de cura, algo muda em nossa vida. E, se nos abrirmos para essa mudança, encontraremos neste mesmo mundo em que estamos, tão caótico, muita harmonia.
Quando alguém dirige a atenção para além dos seus limites formais e se dá conta da própria essência, passa a viver em estado de cura e vem a compreender que ela nada mais é que o ajuste da matéria à realidade interna, a um padrão mais alto de perfeição.
A cura nasce do silêncio naquele que, tendo-se esvaziado, se volta para o Alto e se deixa preencher pelo que lá encontra.
Fonte: Síntese de palestra de Trigueirinho
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