Saturday, January 15, 2011
Pão Branco e Infarto
"O peixe morre pela boca (e nós também)", ditado popular
Existem estudos científicos que ligam o consumo de pão branco com o infarto do coração [1]. Basta verificar os ingredientes que são usados para fabricar o pão branco (farinha de trigo refinada) para identificar inúmeros outros produtos que ingerimos e que afetam negativamente o coração e o nosso sistema circulatório.
Existem estudos científicos que ligam o consumo de pão branco com o infarto do coração [1]. Basta verificar os ingredientes que são usados para fabricar o pão branco (farinha de trigo refinada) para identificar inúmeros outros produtos que ingerimos e que afetam negativamente o coração e o nosso sistema circulatório.
Dieta rica em pão branco aumenta o risco de infarto
Trocar gorduras saturadas por carboidratos é perigoso para o coração
Estudo dinamarquês conclui que, a cada 5% de aumento desse tipo de alimento na dieta, houve risco 33% maior de infarto
Dois grandes estudos divulgados nesta semana reacendem a discussão sobre os riscos, para o sistema cardiovascular, do alto consumo de carboidratos refinados, presentes em pães brancos, biscoitos e bolos.
O primeiro estudo investigou a relação entre infarto e dietas pobres em gorduras saturadas (já bem relacionadas a problemas cardíacos), mas ricas em carboidratos. Os pesquisadores, da Dinamarca, acompanharam 53.644 adultos durante 12 anos. A pesquisa concluiu que, para cada 5% de aumento de carboidratos na dieta, houve risco 33% maior de infarto. Esse resultado foi publicado no American Journal of Clinical Nutrition.
"Carboidratos com alto índice glicêmico aumentam as chances de problemas cardiovasculares por causarem processos inflamatórios, dislipidemias [alterações no colesterol] e disfunções nas paredes dos vasos sanguíneos", disse à Folha Marianne Jakobsen, especialista em nutrição e lider desta pesquisa.
O outro trabalho foi divulgado no Archives of Internal Medicine e ligou o risco de doenças nas artérias do coração ao consumo excessivo de carboidratos refinados, mas só no caso das mulheres. Para os homens, não foram encontradas alterações decorrentes dessa dieta. O estudo conclui também que, para o risco de doenças cardíacas, importa mais o fato de os carboidratos ingeridos serem de alto índice glicêmico do que a quantidade total de carboidratos consumidos. Os pesquisadores acompanharam mais de 47 mil voluntários por sete anos, na Itália.
Alimentos com alto índice glicêmico são assim chamados pela capacidade de aumentarem rapidamente os níveis de glicose no sangue. Com isso, o organismo libera altas doses de insulina, fazendo a glicose cair rapidamente e levando à sensação precoce de fome.
Para Daniel Magnoni, nutrólogo e cardiologista do Hospital do Coração, o hábito de consumir excesso de carboidratos com alto índice glicêmico sobrecarrega e deteriora o pâncreas, órgão responsável pela produção de insulina, e pode levar à obesidade. "As causas das doenças coronárias são muitas, e esse pode ser um dos fatores de risco", diz Magnoni.
Para preservar o pâncreas, é melhor se alimentar com nutrientes mais complexos, que demoram para ser absorvidos. "Há 5.000 anos, você não comeria açúcar refinado. Esse tipo de dieta (historicamente recente) é que leva às doenças da sociedade moderna".
O aumento da obesidade nos EUA é um exemplo do que acontece quando se trocam as gorduras saturadas, que contribuem para o aumento do colesterol "ruim", por carboidratos, diz o cardiologista Raul Dias dos Santos, diretor da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo: "Houve redução significativa de colesterol na população nos últimos anos, mas um aumento brutal da obesidade e outros problemas associados".
Os médicos recomendam que a dieta diária seja composta por 60% de carboidratos, preferencialmente de baixo índice glicêmico, e por 7% de gorduras saturadas.
Por serem digeridos rapidamente, os produtos com alto índice glicêmico levam a uma maior ingestão de calorias e consequente ganho de peso. A gordura acumulada pode liberar maior quantidade de ácidos graxos, que se alojam no fígado. Esse cenário pode piorar os índices do colesterol "ruim" e aumentar as taxas de açucar no sangue (o organismo desenvolve resistência à insulina).
O tecido adiposo no abdômen também estimula processos inflamatórios nos vasos sanguíneos, favorecendo a formação de placas nas paredes.
Pesquisas anteriores já associaram o maior consumo de carboidratos refinados ao aumento nos índices de triglicerídeos no sangue - outro marcador de risco cardiovascular.
Mulheres com taxas elevadas de triglicerídeos têm duas vezes mais risco de sofrer doença cardíaca do que o homem.
COMIDA "RÁPIDA" E "LENTA"
Exemplos de alimentos com alto e baixo índice glicêmico
O que é índice glicêmico: é um indicador baseado na capacidade de um carboidrato elevar o nível de açucar no sangue depois da refeição
Carboidratos com alto índice glicêmico: são absorvidos rapidamente e causam alta do açucar do sangue, forçando a produção de insulina; provocam sensação de fome
Carboidratos com baixo índice glicêmico: são absorvidos lentamente e não provocam picos e baixas no índice de açucar no sangue; causam menos sensação de fome
ALTO ÍNDICE GLICÊMICO
. Pão branco
. Biscoito cream craker
. Cookies
. Batata assada
. Batata frita
. Farinha de trigo
. Milho
. Açucar
. Refrigerante com açucar
BAIXO ÍNDICE GLICÊMICO
. Pão integral
. Leite desnatado
. Nozes
. Pera
. Maçã
. Mel
. Grão-de-bico
. Lentilha
. Soja
. Iogurte desnatado
O primeiro estudo investigou a relação entre infarto e dietas pobres em gorduras saturadas (já bem relacionadas a problemas cardíacos), mas ricas em carboidratos. Os pesquisadores, da Dinamarca, acompanharam 53.644 adultos durante 12 anos. A pesquisa concluiu que, para cada 5% de aumento de carboidratos na dieta, houve risco 33% maior de infarto. Esse resultado foi publicado no American Journal of Clinical Nutrition.
"Carboidratos com alto índice glicêmico aumentam as chances de problemas cardiovasculares por causarem processos inflamatórios, dislipidemias [alterações no colesterol] e disfunções nas paredes dos vasos sanguíneos", disse à Folha Marianne Jakobsen, especialista em nutrição e lider desta pesquisa.
O outro trabalho foi divulgado no Archives of Internal Medicine e ligou o risco de doenças nas artérias do coração ao consumo excessivo de carboidratos refinados, mas só no caso das mulheres. Para os homens, não foram encontradas alterações decorrentes dessa dieta. O estudo conclui também que, para o risco de doenças cardíacas, importa mais o fato de os carboidratos ingeridos serem de alto índice glicêmico do que a quantidade total de carboidratos consumidos. Os pesquisadores acompanharam mais de 47 mil voluntários por sete anos, na Itália.
Alimentos com alto índice glicêmico são assim chamados pela capacidade de aumentarem rapidamente os níveis de glicose no sangue. Com isso, o organismo libera altas doses de insulina, fazendo a glicose cair rapidamente e levando à sensação precoce de fome.
Para Daniel Magnoni, nutrólogo e cardiologista do Hospital do Coração, o hábito de consumir excesso de carboidratos com alto índice glicêmico sobrecarrega e deteriora o pâncreas, órgão responsável pela produção de insulina, e pode levar à obesidade. "As causas das doenças coronárias são muitas, e esse pode ser um dos fatores de risco", diz Magnoni.
Para preservar o pâncreas, é melhor se alimentar com nutrientes mais complexos, que demoram para ser absorvidos. "Há 5.000 anos, você não comeria açúcar refinado. Esse tipo de dieta (historicamente recente) é que leva às doenças da sociedade moderna".
O aumento da obesidade nos EUA é um exemplo do que acontece quando se trocam as gorduras saturadas, que contribuem para o aumento do colesterol "ruim", por carboidratos, diz o cardiologista Raul Dias dos Santos, diretor da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo: "Houve redução significativa de colesterol na população nos últimos anos, mas um aumento brutal da obesidade e outros problemas associados".
Os médicos recomendam que a dieta diária seja composta por 60% de carboidratos, preferencialmente de baixo índice glicêmico, e por 7% de gorduras saturadas.
Por serem digeridos rapidamente, os produtos com alto índice glicêmico levam a uma maior ingestão de calorias e consequente ganho de peso. A gordura acumulada pode liberar maior quantidade de ácidos graxos, que se alojam no fígado. Esse cenário pode piorar os índices do colesterol "ruim" e aumentar as taxas de açucar no sangue (o organismo desenvolve resistência à insulina).
O tecido adiposo no abdômen também estimula processos inflamatórios nos vasos sanguíneos, favorecendo a formação de placas nas paredes.
Pesquisas anteriores já associaram o maior consumo de carboidratos refinados ao aumento nos índices de triglicerídeos no sangue - outro marcador de risco cardiovascular.
Mulheres com taxas elevadas de triglicerídeos têm duas vezes mais risco de sofrer doença cardíaca do que o homem.
COMIDA "RÁPIDA" E "LENTA"
Exemplos de alimentos com alto e baixo índice glicêmico
O que é índice glicêmico: é um indicador baseado na capacidade de um carboidrato elevar o nível de açucar no sangue depois da refeição
Carboidratos com alto índice glicêmico: são absorvidos rapidamente e causam alta do açucar do sangue, forçando a produção de insulina; provocam sensação de fome
Carboidratos com baixo índice glicêmico: são absorvidos lentamente e não provocam picos e baixas no índice de açucar no sangue; causam menos sensação de fome
ALTO ÍNDICE GLICÊMICO
. Pão branco
. Biscoito cream craker
. Cookies
. Batata assada
. Batata frita
. Farinha de trigo
. Milho
. Açucar
. Refrigerante com açucar
BAIXO ÍNDICE GLICÊMICO
. Pão integral
. Leite desnatado
. Nozes
. Pera
. Maçã
. Mel
. Grão-de-bico
. Lentilha
. Soja
. Iogurte desnatado
Referência:
[1] Julliane Silveira, Jornal Folha de S. Paulo, Seção Saúde, pg. C7, 17 de abril de 2010.
Labels: biscoitos, bolos, carboidratos, colesterol, coração, Dinamarca, farinha de trigo, gordura, índice glicêmico, infarto, insulina, Itália, pão, sistema cardiovascular, triglicerídeos
Monday, July 28, 2008
O Colesterol - 2
É importante lembrar que o colesterol encontra-se apenas no reino animal. Portanto, não se justifica colocar em destaque o rótulo "sem colesterol" ou "0% de colesterol" em inúmeros produtos vegetais, como óleos vegetais, sucos e azeites [1].
Sabemos que um ovo contém entre 213 e 220 mg de colesterol. Como existe uma recomendação da Associação Americana de Cardiologia para limitar a ingestão de colesterol em 300 mg diários, no máximo, o ovo acabou sendo considerado perigoso, ou melhor, acabou ganhando o título de "o grande vilão".
Estudo científico publicado em 1994 na revistá médica The Lancet, em sua edição de número 344, mostrou que 70% da placa que entope as artérias são formados por gorduras vegetais, e que o colesterol, na maioria das vezes, participa como um verdadeiro antiinflamatório e antioxidante, não podendo ser considerado o único culpado.
Naturalmente, todos os excessos são prejudiciais e com o colesterol não é diferente; mas o problema acontece quando ele está oxidado, ou seja, rançoso. Em outras palavras, o simples fato de uma pessoa encontrar-se no local do crime significa apenas que ela é suspeita e, não, culpada.
Quando se dosa o colesterol no sangue, menos de 20% são provenientes de gorduras ingeridas e mais de 80% dependem de fatores genéticos, ou seja, são produzidos pelo próprio organismo. O nosso organismo produz aproximadamente 3.000 mg de colesterol todos os dias. Diante disso, os 213 mg de um ovo não devem preocupar ninguém!
Referência:
[1] Sérgio Puppin, Ovo, O Mito do Colesterol, Editora Rio, Rio de Janeiro, 2004.
Labels: colesterol
Thursday, July 24, 2008
O Colesterol - 1
Colesterol é um tipo de substância gordurosa (lipídio) essencial à vida e, portanto, presente em todo o nosso corpo. Ele é produzido (sintetizado) principalmente pelo nosso fígado e, também, adquirido através da nossa dieta alimentar. Problemas orgânicos surgem quando a quantidade de colesterol é excessiva ou deficiente em nosso organismo.
Apenas cerca de um terço do colesterol existente nos alimentos que ingerimos é absorvido pelo nosso corpo. Os outros dois terços é expelido através das nossas fezes [1]. Colesterol alto pode levar ao surgimento de doenças cardiovasculares que, por sinal, são a principal causa de mortes no Brasil e no mundo. Um em cada três brasileiros morre por problemas cardiovasculares, mais especificamente por arterosclerose - o acúmulo de placas de gordura nas artérias, com conseqüências gravíssimas, como infartos e derrames. Cigarro, hipertensão, diabete e outros fatores têm, também, um papel importante em todo esse drama.
A dificuldade é que o colesterol é um assassino silencioso. Longe de ficar aparente na barriga, nos pneus e nos culotes, como os outros tipos de gordura que acumulamos, ele circula pelo sangue sem dar sinais e ninguém vê. Reduzir o seu excesso não nos faz mais bonitos para encarar o espelho, não deixa o corpo mais ágil para subir e descer escadas e nem sequer nos torna mais bem-aceitos socialmente.
Manter os níveis de colesterol correto é um investimento comparável a um seguro de previdência privada: os benefícios só aparecem após muitos anos abrindo mão de uma porcentagem do salário, sem torrá-lo em prazeres imediatos. No controle do colesterol, a disciplina é imposta via certas restrições na dieta, pelo tempo dedicado ao exercício físico e, se necessário for (geralmente não é), pelo uso de medicamentos - enfim, pela mudança de hábitos. Não se trata aqui apenas de aumentar a quantidade, mas a qualidade dos anos que temos pela frente. Afinal, se por vezes não tira a vida, um infarto sempre faz estragos, a começar pelo impacto emocional. Que dirá, então, do desgaste físico de cirurgias de ponte de safena, angioplastias, cateterismos, derrames, demência (principal causa de demência costuma ser vascular)...
Culpada e condenada pelos médicos por causar tantos males, vamos reconhecer: essa gordura, que já foi muito associada ao ovo de galinhas, é essencial para uma série de estruturas e produtos do nosso organismo. Todas as células - isso mesmo, todas - precisam de colesterol. Ele integra suas membranas, tornando-as mais fluidas, o que permite a entrada e a saída de substâncias. Os neurônios do cérebro também são forrados dele, que serve de matéria-prima para formar uma grossa capa gordurosa com a função de isolante. Graças a ela, os impulsos nervosos podem ser transmitidos com eficiência e rapidez. Os ovários, os testículos e as glândulas supra-renais também utilizam o colesterol para sintetizar seus hormônios (cortisol, testosterona, progesterona e aldosterona). Ou seja, não há homem ou mulher capaz de sobreviver sem essa substância.
Por causa desses motivos nobres, a natureza nos criou como verdadeiras fábricas de colesterol. Afinal, o fornecimento de uma substância tão importante para o nosso organismo não pode depender apenas de meios externos. Seria arriscado demais. Assim, somente cerca de 30% do colesterol de que dispomos chega ao sangue por meio do que comemos. No mais, o corpo mesmo se vira para gerar. Os próprios órgãos e tecidos produzem parte do colesterol que utilizam, mas a grande maioria dele é fabricada pelo fígado, o centro regulador da oferta e da demanda dessa molécula vital.
[continua]
Referência:
[1] Livro de Raul Dias dos Santos, Derrube o Colesterol!, Editora Abril (Saúde! é vital), São Paulo-SP, 2008.
Labels: colesterol
