Friday, November 23, 2018

 

Vida e Desejo


Na realidade, vida é desejo. Quem deseja (pode ser algo bom ou algo mau) vive e quem perde o desejo entra em depressão e morre. O corpo, dado de presente por Deus, deseja sempre receber, enquanto o eu superior (alma) em seu interior deseja sempre doar/compartilhar/dar. O ideal é que corpo e alma caminhem juntos, em harmonia, o que acontece quando o receber e o dar ficam em equilíbrio. Na oração de São Francisco afirma-se "é dando que se recebe". As mulheres entendem muito bem essa afirmação... As crianças nascem, com a mão fechada, querendo tudo, e os idosos morrem, com a mão aberta, não querendo nada... É lícito desejar dinheiro, mas o dinheiro é um meio e, não, um fim em si mesmo. O dinheiro não deve ser estocado, mas, sim, deve circular, para gerar benefícios. O dinheiro é como o sangue do nosso corpo: deve circular para gerar benefícios...

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Sunday, January 23, 2011

 

Relaxamento e Celebração


Pare de perseguir objetivos na vida e passe a celebrar. O relaxamento é a situação em que a sua energia não vai para lugar algum, nem para o futuro nem para o passado: ela fica com você, no aqui e no agora. No casulo silencioso da sua própria energia, em seu calor, você fica aninhado. Esse momento é tudo o que há. Não existe outro. O tempo pára e vem o relaxamento. Se o tempo está passando, não existe relaxamento. O relógio pára, não existe tempo. Este momento é tudo o que existe. Você não pede mais nada, apenas usufrui do momento presente. Coisas comuns são apreciadas porque elas são belas. Na verdade, nada é comum - se Deus existe, tudo é extraordinário.

Há apenas as pequenas coisas... Andar na grama quando as gotas de orvalho ainda não evaporaram e sentir-se totalmente presente - a textura, o toque da grama, o frescor do orvalho, a brisa da manhã, o sol se elevando no céu. Do que mais você precisa para ser feliz? Basta deitar á noite no lençol fresco da sua cama e sentir a textura; sentir o lençol se aquecendo, envolvido pelo manto da escuridão, pelo silêncio da noite. Com os olhos fechados, sinta a si mesmo. Do que mais você precisa? Isso já é demais - uma gratidão profunda brota em você e isso é relaxamento.

Relaxamento significa que este exato momento é mais do que suficiente, mais do que você pediu ou esperava. Não há nada mais a pedir, o que você tem já é mais do que suficiente, é mais do que você poderia desejar - a sua energia não vai para lugar algum. Ela vira um casulo tranquilo. Dentro da sua própria energia, você se dissolve. Esse momento é o relaxamento, que não vem nem do corpo nem da mente; vem do todo. É por isso que os budas nunca se cansam de dizer "Não deseje nada", porque sabem que, se existir o desejo, você não consegue relaxar. Sempre dizem "Enterre os mortos", porque, se você se preocupar demais com o passado, você não consegue relaxar. Sempre dizem "Desfrute deste exato momento".

Jesus disse: "Olhe os lírios do campo. Aprenda com eles - eles não trabalham, porém são mais bonitos e têm mais esplendor do que o rei Salomão. Eles se adornam com um perfume mais delicioso do que o do rei Salomão. Olhe, aprenda com os lírios do campo!".

O que ele queria dizer com isso? "Relaxe! Você não precisa trabalhar duro - na verdade, tudo é providenciado!" Jesus diz: "Se ele olha pelos pássaros do céu, pelos animais, pelas feras selvagens, pelas árvores e plantas, por que se preocupar? Ele não cuidará de você?" Isso é relaxar. Por que se preocupar tanto com o futuro? Olhe os lírios do campo, observe-os e seja como eles - e depois relaxe. O relaxamento não é uma postura, mas uma transformação completa na sua energia.

A energia pode ter duas dimensões. Uma delas é motivada, vai para um determinado lugar, segue um objetivo; o momento presente é só um meio, e o objetivo será um outro lugar que precisa ser alcançado. Essa é uma das dimensões da sua energia, a dimensão da atividade, voltada para um certo objetivo. Nesse caso, tudo é um meio de se conseguir alguma coisa; algo precisa ser feito e você tem de atingir o objetivo, para depois relaxar. Mas, para esse tipo de energia, o objetivo nunca chega, porque ela nunca pára de transformar todo momento presente num meio para chegar a alguma outra coisa que está sempre no futuro. O objetivo está sempre no horizonte. Pode-se correr o tempo todo, mas a distância será sempre a mesma.

Existe também um outro tipo de energia, a celebração desmotivada. O objetivo está aqui, agora; o objetivo não está em algum outro lugar. Na verdade, você é o objetivo. Não há outra realização que não seja o momento presente - aprenda com os lírios do campo. Quando você é o objetivo, quando ele não está no futuro, quando não há nada para se alcançar, basta celebrar esse momento: isso indica que você já o alcançou. Essa energia desmotivada é o relaxamento.

Portanto, para mim, existem dois tipos de pessoa: aquela que quer alcançar objetivos e aquela que celebra a vida. As pessoas voltadas para objetivos são loucas; pouco a pouco, vão ficando malucas e elas mesmas causam essa maluquice. O outro tipo de pessoa não persegue objetivos - não é alguém que esteja em uma busca, mas alguém que celebra.

É isso o que eu ensino: celebre! O que você já tem é até demais: as flores desabrocham, os pássaros cantam, o sol brilha no céu - celebre! Você está respirando, está vivo e tem consciência - celebre! E, então, de repente, você relaxa, a tensão se dissipa e acaba a angústia. Toda a energia que antes gerava angústia agora se torna gratidão: seu coração passa a bater com uma profunda gratidão e isso é uma prece, é a essência de todas as preces.

Não é preciso ter nada para conseguir isso. Só compreenda o movimento da energia, o movimento desmotivado da energia. Ela flui, mas não na direção de um objetivo; flui como uma celebração. Move-se, mas não tem um fim, move-se por causa da sua própria energia transbordante.

Não há lugar algum para ir, isto aqui é tudo. Toda a existência culmina neste exato momento. Toda a existência já está fluindo neste exato momento. Tudo o que existe é o fluir para este momento - aqui e agora. Viva desmotivadamente, deixe que a vida seja só um transbordamento da sua energia. Compartilhe, mas não negocie, não faça barganhas. Dê porque você tem, não para conseguir algo em troca, do contrário você ficará infeliz.

O que é preciso praticar, então? Você deve ficar cada vez mais à vontade. Ficar cada vez mais no aqui e agora. Ficar cada vez mais na ação e cada vez menos na atividade. Ficar cada vez mais oco, vazio, passivo. Ser cada vez mais um observador - indiferente, sem expectativas, sem desejos. Ser feliz consigo mesmo, do jeito que você é. Celebrar.

Fonte: Osho, Corpo e Mente em Equilíbrio, Editora Sextante, 2008. ISBN 978-85-7542-349-3.

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Wednesday, August 26, 2009

 

Bodhidharma e o Imperador Chinês

"Não espere recompensa pelos seus atos; seus atos já são a recompensa"

Bodhidharma nasceu na Índia, cerca de mil anos depois de Gautama Buda, seu mestre. Ele era filho do rei de Pallavas, no sul da Índia. Bodhidharma renunciou ao reino, dizendo ao seu pai: "Se não és capaz de me salvar da morte, por favor não me impeças de fazê-lo. Deixa-me ir em busca de algo que está além da morte". Seu pai consentiu e Bodhidharma foi iniciado por uma mulher iluminada chamada Pragyatara, e também se iluminou. Em seguida, foi para a China e o imperador chinês Wu foi recebê-lo, pois sua fama o antecedera naquele país.


A primeira pergunta do imperador Wu a Bodhidharma foi: "Mandei contruir milhares de mosteiros, alimentei milhares de eruditos, abri uma universidade dedicada aos estudos de Gautama Buda, pus todo o meu império e seus tesouros a seu serviço. Qual será a minha recompensa?". Bodhidharma respondeu: "Nada, não terás recompensa alguma. Pelo contrário, prepare-se para cair no sétimo inferno!".

E o imperador: "Mas não fiz nada errado! Por que o sétimo inferno? Tenho feito tudo que os monges budistas me mandam fazer".

Bodhidharma disse: "A menos que comece a ouvir sua própria voz interior, ninguém poderá ajudá-lo, seja budista ou não. E você ainda não ouviu a sua voz interior. Se a tivesse ouvido, não teria feito uma pergunta tão tola. No caminho de Gautama Buda não há recompensas, pois o simples desejo de recompensa é coisa de uma mente gananciosa. Todo o ensinamento de Gautama Buda consiste na ausência de desejo, e se você está fazendo todas essas supostas coisas virtuosas, construindo templos e mosteiros e alimentando milhares de monges, com um desejo em mente, você está abrindo caminho para o inferno. Se está fazendo essas coisas com alegria, para compartilhá-la com todo o império, sem nenhum desejo de recompensa, o próprio ato praticado é, em si, uma recompensa. De outra forma, não terá entendido nada".

Fonte: Osho, Encontro com Pessoas Notáveis, Editora Academia de Inteligência, São Paulo-SP, Brasil, 2009.

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Tuesday, February 13, 2007

 

O Segredo da Vida, da Luz e do Amor - 23


Amor Universal


O amor universal é a plena consciência da Divina Presença em toda parte. O amor universal é a mais pura e penetrante luz, que tudo atravessa e tudo ilumina até a maior profundeza, permitindo-lhe conhecer o lado íntimo da natureza e de qualquer objeto que pretenda examinar.

À proporção que for desenvolvendo em você o sentimento de amor universal, as suas células se renovarão mais rapidamente, as células gastas indo servir de alimento para criaturas inferiores e deixando o lugar para novas células, mais puras, mais sadias, que formarão um organismo mais adequado para as manifestações de seu espírito e mais apto para executar seu trabalho diário.

Arenovação de sua vitalidade se tornará mais ativa e, como essa renovação se efetuará sob a direção de um modelo mais perfeito, seu corpo aumentará diariamente seu aspecto de juventude e as experiências desagradáveis pelas quais você tenha passado não deixarão mais impressões profundas em sua alma.

O elixir de vida que alimentará a chama pura de sua existência, quando sentir os mesmos anseios pela felicidade de seu irmão como pela sua própria, como se dará quando você perder o Medo de Amar desinteressadamente e demonstrá-lo, permitirá conservá-lo na terra com uma juventude secular, como seria natural de acordo com as leis da própria ciência física.

Essas condições seriam mantidas pelo renovamento contínuo de suas forças vitais e da forma de seu corpo, resultando uma permanente vitalidade impulsionada pelo desejo de viver de seu espírito, na alegria de amar e expandir-se.

O amor universal dissolve todos os obstáculos à realização de seus desejos, produzindo ao redor de si um ambiente de vibrações harmoniosas, que facilitarão tudo o que for necessário para o seu bem-estar. Entretanto, você não poderá desenvolver esse amor sem começar a amar e tolerar aqueles que o aborrecem, porque é no circuito estreito de sua intimidade que se acha a base do círculo de radiações de que você é o centro.

À proporção que os sentimentos fraternais forem se desenvolvendo entre os homens, os poderes latentes irão surgindo espontaneamente e a atmosfera da terra se tornará cada vez mais favorável para a manifestação das forças espirituais no plano físico, resultando disso uma era de bem-estar e felicidade para toda a humanidade.

Conclusão

Lembramos que Deus é a fonte de todos os amores e que cada qual expressa o Amor de Deus de acordo com o seu grau de evolução, desde a atração dos átomos até a das mais elevadas criaturas espirituais. Nos seres inferiores ao homem ela é instintiva, porém, no homem começa a ser voluntária e consciente.

Aplique sua imaginação ou faculdade criadora na visão mental das condições que deseja obter, alimentando a sua confiança com idéias positivas do resultado antevisto, e se você não destruir o molde assim criado, ele se expressará um dia com toda clareza e perfeição, realizando assim as suas maiores aspirações, desde que elas não se afastem da linha do bem comum e de respeito à liberdade dos outros fragmentos divinos.

Desta forma, eu concluo o resumo do livro:

Lourenço Prado, O Segredo da Vida, da Luz e do Amor, Editora Lorenz, 2006 [Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento]

Meus votos de Paz e Saúde para todos, Rui.

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