sexta-feira, setembro 21, 2018

 

Os Suicídios no Brasil - 3


Hoje saiu mais uma reportagem sobre os suicídios no Brasil [1]. A postagem anterior, neste blog, sobre esse assunto encontra-se em [2].

O Brasil registrou 11.433 mortes por suicídio em 2016, o equivalente a 31 casos por dia. Os dados, que representam um aumento de 2,3% em relação ao ano anterior de 2015, fazem parte do novo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde que foi divulgado nesta quinta-feira (20).

 

O governo, porém, avalia que o número real de casos é bem maior: "Estimamos um subdiagnóstico de 20%. Temos ainda mortes classificadas como de intenção não determinada e não sabemos se foi um acidente ou uma tentativa de suicídio que levou à morte", afirma a diretora de vigilância de doenças e agravos não transmissíveis, Fátima Marinho.

Essa é a segunda vez que os dados nacionais sobre suicídios são divulgados pelo Ministério da Saúde. A primeira foi em 2017, quando foram registrados 11.178 casos no país, referentes a 2015. O objetivo da publicação é alertar para a necessidade de discutir o problema e alternativas de prevenção. 

Em 2016, a taxa global de mortalidade por suicídio no Brasil foi de 5,8 casos a cada 100 mil habitantes. Em 2007, esse índice era de 4,9 mortes a cada 100 mil habitantes - alta de 17% no período.

É um importante problema de saúde pública, no Brasil e no mundo. E temos visto um aumento do problema, o que traz a necessidade de discutir o tema e os vários determinantes que levam ao sofrimento na população", afirma a diretora.

Ela lembra que o índice de mortalidade tem sido maior entre homens, grupo que apresentou crescimento de 28% na taxa de mortalidade em 10 anos. Atualmente, a taxa de mortalidade entre eles é de 9,2 casos a cada 100 mil habitantes. Já entre as mulheres, a taxa atual é de 2,4 casos a cada 100 mil habitantes. Mas quando observadas as tentativas de suicídio, as mulheres são maioria.

Segundo Marinho, a pasta pretende aprofundar os estudos sobre os fatores de risco. Entre alguns deles, estão o alto desemprego e casos de violência contra as mulheres. "Desemprego tem sido um fator de risco nas tentativas, apesar de o sistema reportar mal esse status. Mas, entre os casos que captamos, ele desponta como fator associado", afirma. "Também vemos que as mulheres vítimas de violência têm risco muito maior". 

Dados de boletim epidemiológico da pasta com dados dos últimos dez anos também alertam para a necessidade de novas medidas de prevenção. Nesse período, cerca de metade das tentativas de suicídio no país foram por intoxicações exógenas, como envenenamento, abuso de substâncias tóxicas e outros meios.

O aumento nessas ocorrências preocupa as autoridades de saúde. Em 2016, ano dos dados mais recentes, foram 36.279 tentativas de suicídio por intoxicação. No ano anterior (2015), foram 27.072.

As regiões com maior número de ocorrências foram o Sudeste, com 49% dos casos, seguido do Sul, com 25,1%, região que também concentra a maior taxa de suicídios do país.

Entre as tentativas de suicídio por intoxicação, 70% eram de mulheres, a maioria jovens. Para Marinho, isso pode ser explicado pela maior prevalência de casos de depressão e outras formas de sofrimento mental nesse grupo. Casos de violência e estupro também aparecem como fatores.

Apesar de as mulheres responderem pela maioria das tentativas, a letalidade é muito maior entre os homens - 4,7% daqueles que tentaram suicídio por intoxicação foram à morte. Entre as mulheres, esse índice é de 1,7%. De acordo com o ministério, a diferença pode estar associada ao uso de substâncias mais tóxicas. 

Em geral, os homens são maioria quando observados os casos de intoxicação por agrotóxicos e outros venenos, por exemplo. Para Marinho, os dados evidenciam a necessidade do governo adotar novas medidas de controle.

Em média, o Brasil registra 12 mil internações ao ano por intoxicação intencional, com custo estimado de R$ 3 milhões ao ano. Com esse mesmo valor, seria possível custear o funcionamento de oito CAPS  (Centros de Atenção Psicossocial). "Temos que olhar mais para a intoxicação exógena. Acreditamos que podemos tomar novas medidas", afirma Marinho.

Entre as ações em análise, está a possibilidade de editar uma norma, em conjunto com a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), para maior restrição ao acesso e adoção de embalagens maiores para produtos como agrotóxicos e outros venenos.

"Uma das possibilidades é aumentar o tamanho das embalagens para que elas fiquem mais caras e difíceis de acessar", diz a diretora, que estima subnotificação de 40% nos casos de intoxicação por agrotóxicos.

Entre os estados, Sergipe, Ceará e Goiás são aqueles com maiores taxas de suicídio por intoxicação exógena. Também chama a atenção o aumento na mortalidade por suicídio em alguns estados, como Amazonas, Rondônia, Alagoas, Maranhão e Piauí.

Segundo o coordenador de saúde mental do ministério, Quirino Cordeiro, a pasta deve lançar em outubro um edital para novas pesquisas sobre o tema. Também há previsão de aumentar o número de CAPS e de redes de atenção psicossocial nestes locais, informa.

O governo também pretende aumentar o número de leitos psiquiátricos em hospitais gerais, mas ainda não há meta.

Desde julho de 2018, as ligações para o CVV (Centro de Valorização da Vida), que atua na prevenção ao suicídio, passaram a ser gratuitas. O serviço está disponível por meio do telefone 141 e 188, de forma gratuita. Todas essas ligações são sigilosas.



Meus Comentários: 

O Brasil é o campeão mundial do uso de agrotóxicos. Portanto, não é de se estranhar que o agrotóxico seja um dos meios principais de suicídio neste país. O ideal seria a utilização de uma agricultura orgânica, sem uso de agrotóxicos.

Conforme já comentado anteriormente [3], quanto mais fria a região, maior a taxa de suicídios, mantidas todas as demais condições iguais. Na figura acima, onde aparece a taxa de suicídios por estado, nota-se uma diminuição contínua dessa taxa ao sair do Rio Grande do Sul (mais frio, taxa= 10,3) até o estado do Rio de Janeiro (mais calor, taxa menor que 4,0), passando por Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Todos esses cinco estados possuem um padrão de vida semelhante [IDH-M] e, portanto, a temperatura média ambiente passa a ser o fator principal que comanda os suicídios. Quando eu morei no exterior (Estados Unidos), a temporada de suicídios no meu local de moradia era o inverno, quando nevava bastante.

O estado campeão de suicídios  [ 11 suicídios/100 mil habitantes, como mostrado no mapa acima ] é Roraima. Isso pode estar ocorrendo devido à forte migração de pessoas vindas da caótica Venezuela (país vizinho a esse estado) durante os últimos anos, sob a ditadura de Maduro.  Outro estado com alta taxa de suicídios (terceiro lugar no país) é o Piauí, com taxa de 10,0. Esse estado possui um dos mais baixos IDH-M do país (0,646) [4]. 

Como visto em [2], a taxa de suicídios está crescendo mais rapidamente entre as pessoas mais novas. Isso mostra que nossa sociedade, com o passar do tempo, está ficando cada vez mais agressiva/opressiva com os seus cidadãos, levando a um modo de vida mais doentio que resulta no aumento dos casos de suicídios (consequência de um estado doentio).

Verifica-se, também, nos gráficos acima, que os indígenas são as maiores vítimas do contato com a nossa sociedade doentia e controladora (com um governo autoritário, que impõe normas erradas, como a vacinação obrigatória, eliminando a liberdade individual de decidir o que acha que é melhor para si). Os orientais (amarelos) são os menos afetados, resultando na menor taxa de suicídios.

Para ter a estatística dos suicídios no mundo, consultar [5].

Referências:
[1] Com 11 mil suicídios por ano, governo estuda restringir acesso a agrotóxicos, Jornal Folha de S. Paulo, Caderno Cotidiano, pg. B4, 21 de setembro de 2018.
[2] Postagem deste blog: Saúde Perfeita: Os Suicídios no Brasil - 2
[3]  Os Suicídios no Brasil - 1, em Saúde Perfeita: Os Suicídios no Brasil - 1
[4]  Lista de unidades federativas do Brasil por IDH – Wikipédia, a enciclopédia livre
[5]  GHO | World Health Statistics data visualizations dashboard | Suicide

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quarta-feira, junho 26, 2013

 

Pesticida em Alimentos


Teste rápido detecta pesticida em alimentos [1]
Biossensor criado pela Universidade Federal de Mato Grosso usa nanotecnologia para encontrar contaminação
Aparelho foi desenvolvido para achar agrotóxico que, apesar de banido, continua a ser usado

Pensando na proteção dos trabalhadores agrícolas e nos consumidores de alimentos, um esforço conjunto da USP (Universidade de São Paulo) e da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) criou um teste rápido e portátil para detectar a presença de um pesticida (metamidofós) cujo uso foi banido no Brasil, mas que ainda é encontrado em lavouras brasileiras, sobretudo na região Centro-Oeste.

Hoje, a identificação do metamidofós depende de exames laboratoriais. Estados que não dispõem dessas estruturas precisam enviar suas amostras a outros lugares - principalmente São Paulo e Rio de Janeiro - para detectar a substância, processo que leva até dez dias.

Com o novo método, o agrotóxico é identificado em aproximadamente 30 minutos.

"A detecção clássica de pesticida requer treinamento de pessoal e uso de equipamentos complexos, além da resposta demorada. Com a utilização deste biossensor, daria para treinar o próprio produtor e os trabalhadores. É fácil de usar e ainda dá para levar no bolso", afirma Izabela Gutierrez de Arruda, autora do trabalho. 

Natural de Cáceres, no Estado de Mato Grosso, a pesquisadora diz que a realidade da agricultura em seu Estado, no qual trabalhadores rurais sofrem com a intoxicação pelo metamidofós, inspirou sua pesquisa.

As propriedades desse pesticida fazem com que ele seja prejudicial para as funções neurológicas. Além disso, também causa danos aos sistemas imune, reprodutor e endócrino.

O TRABALHO

O conjunto funciona nos moldes de um leitor de glicose usado por diabéticos.

Uma fita, que serve como reagente, é inserida no material a ser testado e, depois, colocada em um aparelho portátil.

O biossensor é uma película finíssima contendo a enzima acetilcolinesterase que, quando entra em contato com as moléculas do metamidofós, tem sua ação inibida. Isso diminui a produção de prótons, mudança que é "lida" pelo aparelho, levando à indicação dos índices de contaminação na amostra.

O dispositivo detecta o agrotóxico na água e também nos alimentos - que precisam ser liquidificados antes de passar pelo exame.

OUTROS USOS

"Com esse mesmo princípio, seria possível identificar também outros agrotóxicos das classes dos organofosforados ou carbamatos [que incluem outros produtos em uso no Brasil]", completa a pesquisadora.

Responsável por "abraçar" o projeto do IFSC (Instituto de Física de São Carlos) da USP, o professor Francisco Eduardo Gontijo Guimarães destaca o uso da tecnologia avançada, mas que cabe na palma da mão.

"O uso de nanomateriais potencializou os efeitos da enzima e acelerou o processo", explica o pesquisador.

Orientador do trabalho, Romildo Jerônimo Ramos, da Universidade Federal de Mato Grosso, diz que a pesquisa tem também um aspecto social muito importante, facilitando a identificação da contaminação dos lençóis freáticos e evitando que trabalhadores e moradores de regiões rurais sejam atingidos por seus graves efeitos.

O biossensor já foi registrado. A descoberta foi a primeira patente da Universidade Federal de Mato Grosso.

O grupo de estudo, que contou ainda com a participação do pesquisador Nirton Cristi Silva Vieira, aguarda agora investimentos para dar prosseguimento ao projeto, sobretudo vindo de empresas e indústrias. Os custos do aparelho devem ficar entre R$ 100,00 e R$ 200,00, mas podem ser reduzidos a depender da escala de produção.

Referência:
[1] Giuliana Miranda, Jornal Folha de São Paulo, Caderno Ciência+Saúde, pg. C7. 12 de junho de 2013.
( dê um duplo clique na figura para ampliá-la )

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