quinta-feira, julho 11, 2024

 

O Monge e o Tigre

 O Jovem Monge e o Tigre

Era uma vez, em um mosteiro budista nas montanhas, um jovem monge chamado Tenzin. Ele era conhecido por sua diligência em suas práticas e por seu coração gentil. No entanto, Tenzin tinha um medo profundo de tigres, um medo que ele carregava desde a infância após ouvir histórias terríveis sobre ataques de tigres.

Um dia, o abade do mosteiro, percebendo o medo de Tenzin, decidiu que era hora de ajudar o jovem a enfrentar sua fobia. Ele chamou Tenzin para uma conversa e disse: "Tenzin, a coragem não é a ausência de medo, mas a capacidade de agir apesar do medo. Amanhã, você partirá para a floresta para meditar. Lá, você aprenderá a enfrentar e superar seus medos."

Tenzin, embora apavorado, sabia que a ordem do abade era uma oportunidade para crescer. Na manhã seguinte, ele partiu com um coração pesado, mas determinado. A floresta era densa e misteriosa, cheia de sons desconhecidos. Tenzin encontrou uma clareira e sentou-se para meditar, tentando acalmar sua mente e coração.

À medida que o sol se punha, Tenzin ouviu um rugido distante que fez seu coração disparar. Ele sabia que um tigre estava por perto. Seu primeiro impulso foi fugir, mas ele lembrou-se das palavras do abade e permaneceu imóvel, tentando encontrar coragem dentro de si.

O tigre se aproximou lentamente da clareira, seus olhos brilhando na penumbra. Tenzin sentiu o medo crescer, mas em vez de sucumbir a ele, ele respirou fundo e olhou para o tigre com um olhar sereno. Ele começou a recitar um mantra, concentrando-se na energia de compaixão e paz que estava tentando cultivar.

Para sua surpresa, o tigre parou e sentou-se, observando-o com curiosidade. A respiração de Tenzin se acalmou e ele continuou sua meditação, sentindo uma conexão inexplicável com o animal. O tempo passou e o tigre, satisfeito, levantou-se e desapareceu na floresta.

Tenzin voltou ao mosteiro no dia seguinte, compartilhando sua experiência com o abade. O abade sorriu e disse: "Você viu, Tenzin, a verdadeira coragem é encontrar paz dentro de si mesmo diante do perigo. O tigre sentiu sua serenidade e respondeu a ela."

A partir daquele dia, Tenzin não tinha mais medo dos tigres. Ele aprendeu que a coragem não é a ausência de medo, mas a capacidade de enfrentar e transcender os próprios temores com um coração tranquilo e uma mente clara.

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domingo, outubro 03, 2010

 

Meditações do Osho - 31


O que é coragem? A definição mais significativa é: a capacidade de abandonar o familiar, o conhecido, porque a mente é isso: o familiar, o conhecido, o passado. No momento em que você abandona o passado, você se abre para as infinidades. Mas o ser humano tem medo de ser tão aberto, o homem se sente perdido nesse vasto espaço.

A mente é uma coisa pequena. Ela é aconchegante, quentinha. É como uma gaiola de ouro. É bonita, você pode decorá-la - e todo mundo tenta decorar a sua mente. Para isso é que serve a nossa educação: decorar a gaiola de ouro e deixá-la tão bonita a ponto de ficar quase impossível fugir dela. Você começa a se apegar a ela e esquece que você tem asas, que todo o céu é um desafio, que você tem de ir às estrelas, que há uma longa, longa jornada adiante.

Portanto, minha definição de coragem é: a capacidade de abandonar a gaiola dourada da mente e ir em direção ao desconhecido, apesar de todos os medos, apesar de toda a insegurança envolvida. Só a pessoa que tem essa qualidade é realmente religiosa.

Fonte: Osho, Meditações para a Noite, Verus Editora, Campinas-SP, 2006.

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terça-feira, setembro 07, 2010

 

Meditações do Osho - 12


Minha mensagem essencial é: não viva com medo, pois você não vai ser punido. Viva sem medo, pois só assim você vive totalmente.

O medo o fecha, não lhe permite se abrir. Nessa situação, você tem de considerar mil e uma coisas antes de fazer uma coisinha simples - se é certa ou errada, moral ou imoral, de acordo com a igreja ou não, se as escrituras a recomendam ou são contra ela. Quanto mais você pensa nisso, mais confuso você fica. Quando você começa a seguir esse caminho, transformando tudo em pecado, você não consegue mais viver, apenas se arrastar.

Minha abordagem é totalmente diferente: há erros, mas não existe pecado. Só é preciso lembrar uma coisa: não cometa o mesmo erro repetidas vezes, pois isso é pura estupidez. É preciso explorar a vida, e ao explorá-la às vezes você erra o caminho. Se você tiver muito medo de errar, você não pode explorar. E toda a aventura da vida é aniquilada, morta, destruída. Foi isso que as pessoas que se intitulam religiosas fizeram: tornaram a religião uma coisa séria demais, sombria, deram à religião uma impressão de tristeza.

Meu esforço é para dar a você muita alegria, gosto pela vida, coragem de se aventurar, de caminhar sem medo, de explorar todas as possibilidades que a vida oferece, sem medo de se expandir, de se abrir e de estar vulnerável. Como Deus é nosso juiz, não precisamos ter medo. Finalmente, no dia do juízo final, quando você vir Deus, poderá lhe dizer: "Sim, bebi... Por favor, me perdoe. Experimentei algumas outras coisas também". Penso que ele vai entender. Não se preocupe!

Fonte: Osho, Meditações para a Noite, Verus Editora, Campinas-SP, 2006.

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sexta-feira, março 02, 2007

 

Do Medo


Diz uma antiga fábula que um camundongo vivia angustiado, com muito medo de ser devorado pelo gato. Um duende compadeceu-se dele e o transformou num gato. Mas, nessa nova situação, passou a ter medo do cão. O duende interveio novamente e, extrapolando, o transformou numa onça. Como onça, ele passou a temer os perigosos caçadores que apareciam de vez em quando na região.

A essa altura, o duende desistiu; transformou-o de novo naquilo que, originalmente, ele era, - um camundongo -, dizendo: "Nada que eu possa fazer por você vai ajudá-lo porque você tem apenas a coragem de um camundongo e não se empenha para sair dessa situação. Portanto..."

Ensinamento dessa fábula: É preciso coragem para romper as barreiras que encontramos pela frente ao longo de nossa vida. Não devemos depender de um "duende" que venha nos socorrer; a coragem de que necessitamos deve vir de dentro de nós mesmos.

Mas saibamos todos que coragem não é ausência total de medo e sim sua dosagem na medida certa; preferimos chamar a isso de prudência. Quando o medo é excessivo, ele passa a ficar mais próximo da covardia ou, quando não, da acomodação. Essas duas coisas são péssimas.

Para vencer na vida, a solução é caminhar resolutamente para a frente, enfrentando e vencendo as adversidades aparentemente intransponíveis que surgem a toda hora em nossos horizontes com coragem, determinação e perseverança. Não vamos imitar o camundongo da fábula. Só assim seremos vencedores.

Fonte: Boletim do Departamento Cultural, Círculo Militar de Campinas, Outubro 2006.




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