sábado, junho 05, 2010
Lao Tzu e o Tao
Alguém perguntou a Lao-Tzu: ”Como você chegou lá?”
Ele respondeu: ”Eu estava sentado sob uma árvore e tinha feito tudo que podia ser feito, tudo o que era humanamente possível, e estava completamente frustrado. Muita coisa aconteceu por meio disso, mas não tudo; algo estava faltando, algo estava ausente, e o elo que faltava era o mais difícil de encontrar. Então, enquanto eu estava sentado sob a árvore, uma folha seca caiu lentamente da árvore e foi levada pelo vento. O vento estava indo para o norte e a folha foi levada para o norte; então o vento mudou seu curso e começou soprar para o sul, e a folha começou a ser levada para o sul; então o vento parou, e a folha caiu no chão sem nenhuma luta de sua parte, sem nenhuma direção própria e ela descansou serenamente.
Neste momento a mensagem foi transmitida, a partir deste dia, tornei-me uma folha seca, este era o elo que faltava. Pude atingir muitas coisas através do esforço, mas não pude atingir o “Tao”. Somente alcancei quando me harmonizei com Ele e percebi que o meu destino é o destino do “Todo”. Quando não pensamos separado, em termos de individualidade, compreendemos o sentido verdadeiro de viver de acordo com o Tao. Percebemos que o Todo vive e move-se através de nós; não é você que respira, mas o Todo que respira você, e tudo é uma grande benção – uma graça.
Descobrimos que não há necessidade de ficar tenso, se preocupar com o quê? Todas as preocupações e tensões existem porque imaginamos um destino individual; seguimos contra a corrente. Este é todo o segredo do fracasso. O sábio abandona essa idéia de seguir “contra”. Este é o verdadeiro significado de serenar, silenciar, meditar.
Esta atitude de divisão, de antagonismo é um reflexo do próprio estado de consciência de cada um. Muitas pessoas ouvem os ensinamentos do Tao, mas não o significado, a mensagem. Esta sempre tem algo sutil, vem com a palavra, mas não é a palavra. A palavra é como uma flor e o significado como a fragrância que a circunda. Por isso, um mestre pode lhe dar a flor, mas a fragrância você precisa sentir por si mesmo. Precisa ficar mais sensível. Por isso a meditação, o Tai Chi Chuan.
A sensibilidade é fundamental no caminho do Tao. Uma pessoa de sensibilidade sabe e sente que precisa fazer alguma coisa; ele se empenha a apurar seus sentidos e perceber o sutil, o invisível; pois começa a compreender que seus sentidos estão encobertos pela poeira da mente e a partir desta percepção não poderá nunca mais aceitar viver como um tolo, na incompreensão.
Saibam que a atitude taoista é seguir com a vida – seguir ao longo do caminho, sem impor condições, apenas seguir com ela aonde for que a vida o leve. Você é fruto da vida, faz parte dela, então como ela poderá feri-lo. Não é preciso ter medo.
O Tao acredita neste momento, não faz a menor idéia de futuro e, quando conseguimos viver no “presente”, na pureza e espontaneidade, sua vida se transforma e não que você a transforme – o Tao a transforma; de você houve apenas a entrega, um deixar acontecer.
Marcadores: Lao Tzu, tao, taoismo
terça-feira, novembro 11, 2008
O Imperador Amarelo
Todo ser humano, ao nascer, traz consigo - doado por seus pais - uma certa quantidade de energia ancestral que irá sustentá-lo ao longo da vida. Esse estoque de energia ancestral não pode ser aumentado, apenas conservado ou diminuído. Cada ejaculação constitui uma parcela de perda dessa nossa energia ancestral e nos aproxima mais do túmulo. Nossa energia sexual pode ser circulada em nosso interior através da atividade sexual correta. Estas idéias estão por traz do artigo abaixo [1]. Boa leitura.
A mescla do folclore chinês e do longínquo Oriente, ciências ocultas, cosmologia, yôga, meditação, poesia, filosofia quietista e misticismo exaltado, pode ser englobada em uma só palavra: Taoísmo (doutrina que leva à união com o Tao). Agora vejamos: Tao, literalmente, significa "caminho", "via" ou "senda". É o Todo, é a Unidade, o eterno e o Extenso. É também o Incognoscível. Muito já foi dito e escrito sobre os fundadores do Taoísmo. Eis aqui uma versão que consideramos correspondente à realidade, a respeito do Imperador Amarelo, considerado como o fundador oficial do Taoísmo. A época a qual pertenceu o Imperador Amarelo, também conhecido como Huang Ti, remonta à Idade de Ouro da China (2852-2255 a.C.). A ele é atribuído o descobrimento e a transmissão do "segredo da imortalidade". Huang Ti foi um dos Dragões de Sabedoria que governaram a China em seu período áureo. É dito que suas investigações podem ser entendidas literal ou metaforicamente, e correspondem ao interesse que tinha Huang Ti pela cura das enfermidades, a fomentação da vitalidade e a prolongação do tempo normal de vida. Tudo isso o conduziu a tentar a transmutação da essência combinada masculina e feminina, de casais, com o fim de conseguir um corpo espiritual. | ![]() |
Segundo conta a lenda, Huang Ti conseguiu destilar o elixir de ouro. Tomou parte dessa droga e voou até o Reino dos Imortais, não sem antes transmitir a certas pessoas a receita. Esstas pessoas são as que poderíamos chamar de Autênticos Taoístas.
Os Autênticos Taoístas, por meio da prática da doutrina, aspiravam converter-se em muito mais do que deuses. Entre as técnicas para conseguir seus objetivos, podemos destacar a Alquimia Secreta, que é composta de Yôga Dual e Yôga Interno, onde se requer como base essencial a quietude e um estado de perfeita espontaneidade. Mas, submergindo-nos no mais profundo, você poderá perguntar, em que consiste o chamado Yôga Secreto? Aqui revelamos alguns segredos:
Como sabemos, o mundo, segundo os orientais, divide-se em polaridades que são o Yin e o Yang, que nascem do oceano da suave luz, ou do Tao, como dois dragões entrelaçados, ou também como um dragão e um tigre em eterna luta harmoniosa. Yin, o feminino, radiante como a Lua, com a qualidade da passividade é atribuído à Terra. O Yang, masculino, radiante como o Sol, mestre da atividade, é atribuído ao Cosmo.
Os meios para que o Yin e o Yang possam se combinar são as chamadas Veias do Dragão, isto é, linhas invisíveis cuja função é parecida com a dos canais psíquicos dentro do corpo humano. Por outro lado, fala-se dos Três Tesouros, que formam a cúspide da filosofia oriental, que são: Ching (essência), relacionado com os fluidos sexuais, Ch'i (vitalidade) e Shen (espírito).
A refinação e transmutação dos Três Tesouros, a fim de incrementar o tempo de vida e o vigor do adepto, assim como aumentar e purificar sua reserva natural de espírito (sêmen), constituem o núcleo essencial da prática dos que se propõem ao Taoísmo, tanto Yóguico como filosófico. O veículo da essência é o fluido sexual, que deve ser conservado com o maior cuidado e transformado em Ching, sutil, para reagir com Ch'i (vitalidade) e Shen (espírito). Mas, como fazê-lo?
Havendo suscitado o fluxo de Ching (fluidos sexuais) durante o coito metafísico, este deve ser contido, não chegando ao orgasmo nem à ejaculação. Como diz Yu Yen:
A cada cópula do céu e da terra, atrai para ti as fontes secretas do Yin e do Yang, ou, o que é o mesmo, "quando tu e tua parceira estiverem juntos, combinai os dois fluidos sexuais e atraiam-nos para vossos corpos".
No caso do homem, o segredo está em não ejacular, em "conter-se", atraindo o fluido do Yin. Desta maneira pode-se formar o elixir que conduz à longevidade, à imortalidade e à união mística com o Tao. O cultivo dual, instituído pelo Imperador Amarelo e as Donzelas Simples, Misteriosas e Escondidas, pode ser também aproveitado pela mulher, sempre que cumpra com os requisitos prévios, que são: lugar, método e casal. Mediante o a aproveitamento do Yôga Dual cria-se o feto imortal, que deve ser entendido como uma espécie de espírito, que sobe desde a Câmara das Seis Combinações até a coronilha, até o topo da cabeça.
O Yôga Interno consiste em utilizar os canais psíquicos para recolher e distribuir a energia cósmica. A alquimia Interna taoísta coincide com o Kundalini Yôga, no aspecto de utilizar os canais psíquicos para recolher a energia. Os canais conhecidos pelos taoístas são dois, o canal médio conhecido como Chu'ung Mo (impulso) e outro por trás, chamado Jen-Mo (função).
Os taoístas não falam de centros psíquicos, mas de cavidades, e estas têm afinidade com os chakras hindus. Os taoístas sustentam que as cavidades mais importantes são o Ni-Wan, próximo à coronilha, que corresponde ao chakra hindu mais elevado, ou a passagem misteriosa que coincidiria com o chamado Chacra Cósmico, ou da Polividência, dos tibetanos. E o campo superior e inferior do Cinabre, situado no plexo solar e sob o umbigo, respectivamente. Outros pontos do corpo humano que têm um significado yóguico são o coração, a região do umbigo, a raiz dos órgão genitais e a ponta do pênis e clitóris.
O objetivo fundamental da alquimia interior ou yôga interno, que é a mesma Supra-sexualidade, é fundir a energia superior e inferior para engendrar calor psíquico, através de um controle estrito do sêmen e da respiração.
Para que você, estimado Buscador da Verdade, possa experimentar todo o realismo do Tao do Amor ou Supra-sexualidade, recomendamo-lhe que pratique minuciosamente todas as orientações, comentários e recomendações que vamos mencionar em seguida:
1. Evite todo tipo de desperdícios. Para o taoísta, toda forma de "desperdício" (ejaculação e orgasmo) é um mal. Você tem direito de gozar as alegrias terrenais e celestiais, mas sem desperdiçar o Ching (sêmen).
2. Considere sexo como um protetor da vida. O Taoísmo não crê que haja uma solução para os problemas do mundo sem uma abordagem integral do amor e do sexo.
3. Se você quer chegar aos mais altos níveis de harmonização do Ying e do Yang, tem de abandonar definitivamente o imundo vício da masturbação.
4. Deixe de lado seu "machismo", recordando que as mulheres na antiga China desempenharam o papel de mestras e consultoras do Tao do Amor junto ao Imperador.
5. Procure sempre realizar sua união místico-sexual de uma maneira "extasiante" e "poética".
6. Jamais na vida tente praticar a Supra-sexualidade com uma prostituta, porque no Taoísmo a sexualidade tem de estar acompanhada de Amor.
7. Se você, durante a união sexual, chegar ao "ponto de perigo", pratique o método de Wu Hsien (um Mestre do Tao do Amor durante a dinastia Han, 206 a.C.), o qual consiste em retirar "a haste de jade" (o falo ou pênis) durante 10 a 30 segundos.
8. Pratique a união místico-sexual se possível a cada 24 horas, à noite ou pela madrugada, tal como o recomenda o V.M. Samael Aun Weor.
9. Seja muito carinhoso durante o dia porque a mulher necessita deste alimento.
10. Dedique mais tempo ao Tao do Amor do que às festas e à gula.
11. Recorde que se você sofre de impotência, esta só poderá ser solucionada mediante o Tao do Amor, sem chegar nunca a perder o Ching (sêmen).
12. Nunca esqueça que na Alquimia Interior, o tamanho do Yu Heng (falo) não importa, o que vale é a capacidade do homem para nunca chegar à ejaculação.
13. O Yôga Dual jamais poderá ser realizado entre homossexuais.
Aproximando-nos do encerramento deste transcendental capítulo, farei menção de um diálogo de uma das três consultoras do Imperador Amarelo para assuntos do Tao do Amor. O diálogo aparece em um livro antigo chamado Yu Fang Pi Chuch (ou Os Segredos da Câmara de Jade):
Tsai Nu (uma das três consultoras de Huang Ti para assuntos do Tao) ensinou: "É uma crença geral que se obtém um prazer muito grande na ejaculação. Se se aprende com o Tao justamente a evitá-la, o prazer não diminuirá com isso?
P'eng Tsu (principal consultor de Huag-Ti para o Tao): "Muito pelo contrário! Depois da ejaculação, o homem fica cansado, os ouvidos zumbem, os olhos pesam e ele deseja dormir. Tem sede e os membros ficam inertes e duros. Na ejaculação o homem experimenta um segundo rápido de sensações e, como resultado delas, longas horas de fadiga. E isto não se constitui em um prazer verdadeiro. Por outro lado, se o homem regula e depois anula a ejaculação, o corpo se fortalecerá, a mente se relaxará e a visão e audição melhorarão. Isto poderá parecer, às vezes, que o homem esteja negando a si mesmo a sensação ejaculatória, mas o amor que sente pela mulher aumentará sobremaneira. É como se ele nunca se cansasse dela, e esse é o verdadeiro prazer duradouro, não é mesmo?"
Para finalizar este texto com chave de ouro, consideramos de vital importância transcrever dois diálogos transcendentais mantidos entre Huang Ti, o Imperador Amarelo, e duas de suas três mestras consultoras para assuntos do Tao do Amor, Su Nu e Tsai Nu:
Imperador Huang Ti: "Você está dizendo que as diferenças em tamanho e forma do Yu Heng (o falo) não influenciam de maneira alguma no prazer da comunhão?"
Su Nu: "Diferenças de tamanho e forma são uma mera aparência exterior. O verdadeiro prazer, a verdadeira beleza da comunhão, são os sentimentos interiores. Se a primeira associação que um homem faz com a comunhão for de amor e respeito, e se o amor for verdadeiro, então qual a influência negativa que uma pequena diferença em tamanho e forma pode acarretar?"

A preservação da essência Yang fortalecia a força Yang no homem e o aproximava mais do céu. Para ele era de suma importância alimentar sua essência Yang com a essência Yin, daí o fato de que quase todos os antigos textos taoístas insistiram na importância de praticar a Alquimia Interior freqüentemente e o não ejacular. Quanto mais se pratica o Yôga Dual, tanto mais se beneficia da harmonia de Yin e Yang. E quanto menos se ejacula, tanto menos se perdem os benefícios dessa harmonia. Sobre esse particular vai o segundo diálogo entre o Imperador Huang Ti e Su Nu:
Huang Ti: "Gostaria de escutar sobre o benefício da não ejaculação."
Su Nu: "Quando o homem ama uma vez sem perder o sêmen, fortalecerá seu corpo. Se ama duas vezes sem perdê-lo, a audição e a visão se tornarão mais agudas. Se três vezes, talvez desapareçam todas as enfermidades. Se quatro vezes, terá paz em sua alma. Se cinco vezes, o coração e a circulação do sangue estarão revitalizados. Se seis vezes, a barriga enrijecerá. Se sete vezes, as nádegas e as pernas talvez se tornem ainda mais poderosas. Se oito vezes, talvez a superfície da pele se uniformize. Se nove vezes, alcançará a longevidade. Se dez vezes, será um imortal".
Que o caro leitor entenda profundamente essa resposta, seus números sagrados dentro das Iniciações Cósmicas.
Referência:
[1] http://www.gnosisonline.org/Tantrismo/tantrismo_taoista_chines.shtml
Marcadores: energia sexual, imperador amarelo, tao
domingo, abril 20, 2008
Um Curso em Tai Chi Chuan e Chi Kung - 5
De [1]:
A alquimia taoista
O Tao nos ensina que se há uma profunda entrega e confiança na vida (no Tao), não criaremos expectativas. Assim, não haverá frustações. A alquimia ocorre exatamente quando aprendemos a serenar e fluir com a vida. O caminho é entrega, é um deixar levar. Não vem do esforço, mas da contemplação – ausência de ego.
Diz o mestre: “Viva como o pássaro que também está no Tao (caminho), mas não deixa marcas”.
Na verdade não podemos praticar o Tao. Podemos apenas nos harmonizar com o Tao. Observe a natureza: nela tudo é divino, tudo flui harmoniosamente. O espírito do Tao está presente em todas as coisas. Mas, para percebermos este espírito precisamos dar passos lentos, devemos levar o tempo que quisermos. O caminho do Tao tem muitas paradas, exatamente para que você contemple e observe. Mas lembre-se: são apenas paradas - siga
Diz o mestre: “Este seguir em frente te trará mais profundidade e consciência.” Este é o tesouro a ser conquistado. Posso dizer que hoje vossas jornadas estão iniciando de uma nova parada. Pois a vida não tem um ponto final.
Tao é caminho, o seu caminhar. E, dentro deste caminhar, aprendemos a nos cuidar e a cuidar de nosso caminho – sempre interagindo com a natureza e todas as coisas. A sua maneira você poderá perceber o Tao. Mas, certamente, essa sua percepção não pode ser transferida a alguém – apenas pode inspirar os outros a viver sua própria experiência. Seu significado é único.
O Tao tudo permeia. Dentro da atitude taoista aprendemos o Tai Chi, a meditação, a fazermos nossas próprias escolhas para que dentro delas possamos criar um ambiente interno e externo, onde possamos perceber o Tao e encontrarmos nosso destino. Lembre-se: todos esses ensinamentos são apenas indicações.
[continua]
Referência:
[1] Abílio Lima, Curso "Tai Chi Chuan - Chi Kung: Treinamento Interior", contato: http://www.vitaovi.blogspot.com/.
Marcadores: Chi Kung, Tai Chi Chuan, tao
sexta-feira, abril 18, 2008
Um Curso em Tai Chi Chuan e Chi Kung - 4
De [1]:
A essência do Tao
A palavra Tao é um termo utilizado por Lao-Tzu para expressar sua verdade, sua filosofia. Ao longo da história, muitas definições foram dadas a palavra Tao. O significado mais importante é que Tao é “caminho”. O próprio Lao-Tzu disse que não existe um objetivo a ser alcançado - apenas um caminho. Desta forma podemos dizer que todos os conhecimentos taoistas só podem levá-lo há um lugar - ao Tao, ao caminho. Este caminho é repleto de verdades e beleza.
Trilhar esse caminho é compreender a essência do Tao. É criar a possibilidade de acontecer uma elevação de si mesmo, de sua consciência. Dizem os mestres que quando esta elevação ocorre, você percebe o Tao aqui mesmo, exatamente onde você está.
A manifestação do Tao
Tao é uma energia única que se manifesta através de dois princípios: o princípio yin e o princípio yang. Mas lembre-se: por trás de toda existência está o Tao.
Compreender o Tao, é tornar-se equilibrado, integrado. É estar além dos princípios, da forma e da dualidade.
Tao significa “ir além”, transcender; seguir com a vida. Dentro da linguagem taoista fala-se do princípio yin e yang. São partes opostas - porém complementares. Andam juntos, mas não se misturam. Têm princípios diferentes.
Se observarmos a vida, percebemos que esta energia se manifesta e se move na dualidade. Através de um certo treinamento, melhoramos nossa percepção, ativamos nossos sentidos e certamente, olharemos para a realidade sem distorções, como ela é. Dentro desta nova visão de mundo, perceberemos a unidade de todas as coisas e nos colocaremos dentro desta ordem. Isto é para o taoismo - saúde.
O princípio yin
O princípio yin é feminino, suave, oculto, interno, meditativo, tranqüilo, é o primeiro degrau da escada, a orientação, a passividade, o amor, a terra, o silêncio, a reflexão, a não-ação. É o princípio de todas as coisas. É como a água que flui e nunca busca a elevação, mas sabe que chegará ao mar – à fonte.
O princípio yang
O princípio yang é masculino, forte, extrovertido, motivado, mental, caloroso, cientifico. É como o sol penetrando todas as coisas gerando vida - quebrando a escuridão. Mas lembre-se: “a atitude taoista é criar a harmonia, tornar-se inteiro, integrado com a vida - quebrar o antagonismo.”
[continua]
Referência:
[1] Abílio Lima, Curso "Tai Chi Chuan - Chi Kung: Treinamento Interior", contato: http://www.vitaovi.blogspot.com/.
Marcadores: Chi Kung, Tai Chi Chuan, tao
sábado, outubro 27, 2007
Lições da Natureza
Pode-se confiar na Natureza. Ela é o todo. Tudo é parte dela. Ela faz tudo e equilibra tudo nos mínimos detalhes. A Natureza cuida de tudo e o melhor que podemos fazer é não atrapalhar e não tentar controlá-la. O ser humano, a despeito de sua pretensão, não tem controle de quase nada. Ninguém "se nasce", "se cresce". Ninguém controla, por vontade própria, a digestão, os batimentos cardíacos, a dilatação das pupilas, o crescimento das unhas ou dos fios de cabelo.
A Natureza nos oferece lições preciosas em todos os lugares, a todo momento. Basta prestar atenção e observar com reverência o que ocorre à nossa volta, assim como se reverencia a um velho e sábio mestre. O mestre do primeiro mestre é a Natureza.
Referência:
[1] Roberto Otsu, A Sabedoria da Natureza: Taoísmo, I Ching, Zen e os Ensinamentos Essênios, Editora Ágora, 2006.
terça-feira, abril 10, 2007
Liberte-se Conhecendo a Verdade
Diz-se que esta frase, ou algo muito semelhante, foi pronunciada por Jesus Cristo. Uma outra frase, praticamente equivalente a essa, porém mais próxima do nosso cotidiano, é "Você é um escravo das mentiras que te contaram, e você aceitou, desde que você nasceu". É importante entendermos, na frase original, o significado do verbo "conhecer". A Bíblia usa bastante esse verbo; por exemplo, diz-se que Adão conheceu Eva e disso resultou o nascimento de Abel.
Você pode passar anos tentando explicar (sem sucesso) para uma pessoa qual é o gosto de uma banana. Porém, essa pessoa somente vai conhecer o gosto de uma banana quando ela comer uma banana. Portanto, somente conhecemos algo quando experienciamos/vivemos esse algo. O uso de palavras escritas ou faladas nunca pode transmitir o conhecimento da verdade, apenas pode dar uma noção aproximada do que é a verdade. Portanto, para conhecer a verdade precisamos vivê-la.
Se eu não viver a verdade, eu estarei vivendo a mentira. Viver a mentira é viver no erro, no pecado, e isso leva à morte. O salário do pecado é a morte. Mas, afinal, qual é a verdade que eu preciso conhecer, para me libertar da morte? A verdade é que o Universo, do qual você faz parte integral, é regido por leis imutáveis que devem ser obedecidas ao longo do caminho da vida. Não deve haver nenhum esforço voluntário para cumprir essas leis universais, basta haver uma atitude de entrega ao fluxo natural da natureza. É como se entregar ao fluxo natural de um rio que nos irá levar ao oceano.
Talvez seja conveniente comentar um pouco mais sobre o não-esforço citado acima [1]. Ao tentar algo arduamente, a pessoa passa a perceber que, o tentar arduamente, constitui uma barreira para alcançar o objetivo, e então ela deixa de lado o esforço. Isto porque, quando você tenta arduamente viver de acordo com o Tao, essa vida não pode ser uma vida espontânea, mas apenas um fenômeno forçado, uma disciplina, e não uma liberdade; isso se tornará uma escravidão. Ao tentar arduamente, ninguém pode atingir aquilo que já está presente; mas, ao tentar arduamente (com esforço), a pessoa acaba entendendo que mesmo o esforço é uma barreira, uma barreira muito sutil, porque todos os esforços são do ego. Até o desejo de chegar à verdade vem do ego, e a pessoa também deve abandonar isso.
Mas lembre-se, a pessoa só pode abandonar o esforço quando já se esforçou ao máximo. Você não pode dizer: "Se é assim, então seria melhor abandonar o esforço desde o começo. Por que fazer esforço?" Assim você perderá o ponto central. A ausência de qualquer esforço está certo apenas para aquelas pessoas que fizeram um grande esforço inicial com todo o seu ser. É como flutuar na água; ninguém pode simplesmente flutuar, pois antes a pessoa precisa aprender a nadar. Não vá ao rio, senão você afundará. A pessoa precisa aprender a nadar (com o uso de esforço) e, quando o nadar se torna perfeito, ela não precisa mais nadar e pode simplesmente estar no rio, flutuando; ela pode se deitar no rio como se estivesse deitada numa cama. Agora ela aprendeu a estar em harmonia com o rio, agora o rio não pode afundá-la, agora ela não tem mais inimizade com ele. Na verdade, agora ela deixa de existir de uma maneira separada do rio. O nadador perfeito se torna parte do rio, é uma onda no rio. Como o rio pode destruir sua onda? Agora ele flutua em harmonia com o rio; ele não está ali brigando, resistindo, fazendo alguma coisa, mas está ali em sintonia com o rio (se entregando a ele) e pode simplesmente flutuar. Mas não tente isso, a menos que você saiba nadar, senão você afundará.
O mesmo acontece com o Tao. Você faz um grande esforço para viver de acordo com a verdade; então, aos poucos, você entende que seu grande esforço ajuda um pouco de um lado, mas dificulta bastante de outro lado. Viver em harmonia é ficar em um estado de deixar acontecer, e não de lutar contra a natureza. Viver em harmonia com a natureza é estar integrado a ela; não há necessidade de lutar. O esforço é uma luta e significa que você está tentando fazer alguma coisa de acordo consigo mesmo.
A ciência é esforço, o Tao é ausência de esforço. A ciência é violência para com a natureza, e é por isso que os cientistas falam continuamente em termos de conflito, de conquista. É uma briga contínua, como se a natureza fosse sua inimiga e você precisasse dominá-la. A ciência é uma política contra a natureza, uma profunda guerra, uma inimizade. O Tao não é uma luta; na verdade, ele faz entender que você é parte da natureza. Como a parte pode lutar contra o todo? Se a parte tentar lutar contra o todo, se a minha mão tentar lutar contra todo o meu corpo, é natural que a mão (a parte envolvida) fique doente. Como a mão pode lutar contra o corpo? O corpo supre a mão com sangue, com nutrientes, e como ela pode lutar contra o corpo? A mão lutando contra o corpo? Isso constitui uma tolice!
É tolice o ser humano lutar contra a natureza; você só deve viver em harmonia com a natureza. O Tao é entrega, a ciência é guerra. A ciência fortalece o ego, e todo o problema é como abandonar o ego; por meio do esforço ele não pode ser abandonado.
Que a Paz te acompanhe, Rui.
Referência:
[1] Osho, TAO: Sua História e Seus Ensinamentos, Editora Cultrix, 2005.
Marcadores: entrega, esfoço, libertação, mentira, morte, tao, verdade, vida
terça-feira, março 20, 2007
Taoismo e Imortalidade
O Taoismo nasceu na China há cerca de 5.000 anos. Ele engloba um grande número de práticas e informações que, segundo nossos conceitos ocidentais, não se enquadra como uma religião, filosofia ou ciência. Os primeiros organizadores do taoismo são Lao-tse, Tchuang-tse e Lie-tse.
No início era o Tao. Na manifestação o Tao apresenta-se com duas polaridades complementares: o Yin (feminino) e o Yang (masculino) e com oito tipos de energia: céu, água, montanha, trovão, vento, fogo, terra e lago. O Tao (o caminho, o vazio) está em toda parte. Tudo está dentro de um vazio inimaginável. Estar vazio é atingir a serenidade [e, portanto, curar todas as doenças] e não participar de conflitos [doenças]. Nossa vida é mantida pela energia. Nossa energia vital nos é doada pelos pais e captada do exterior (natureza, ar, alimentos, etc). A preocupação bloqueia a entrada de energia em nosso corpo. Cerca de metade do contato com a energia da natureza (mestres) é via pensamento. O pensamento é força criadora e pode escravizar o homem. O medo é gerado por pensamentos e sentimentos tolos. O choro é uma forma de eliminação de toxinas.
Uma das práticas do taoismo costumava ser a busca da imortalidade, que deu nascimento a sutis processos iogues e alquímicos [1]. O fim visado era adquirir poderes sobrenaturais a fim de prolongar, pelo maior tempo possível, a vida terrestre. Pode-se agrupar os métodos da imortalidade em 4 categorias:
1. absorção de pílulas preparadas pela alquimia;
2. jejum e drogas;
3. o comando da respiração;
4. exercícios de controle da energia e da união sexual.
Existem Três Vermes que se encarniçam para devorar a vitalidade do homem, impedindo-o de atingir a vida eterna; o buscador deve, pois, libertar-se deles. Os Três Vermes habitam as três seções do corpo humano chamadas de campos de cinabre: campo superior (cabeça até os ombros), campo médio (em torno do peito e coração) e campo inferior (baixo ventre). O primeiro verme mora no palácio de Nihuan, no centro da cabeça, o segundo no palácio Xiang-gong, no peito, o terceiro é o Cadáver Sangrento Xueshi, e reside abaixo do umbigo. Os Três Vermes crescem e fortificam-se com os alimentos normais: carnes, vinhos e cereais. Durante o período de mudança alimentar, pode-se usar várias ervas medicinais, como canela, ginseng, alcaçuz, etc.
O processo dietético é inseparável do processo respiratório e vice-versa. Libertando-se dos Três Cadáveres, o taoshi entra na esfera dos sopros cósmicos. É essencial ter suprimido de si todos os alimentos sólidos para dedicar-se, com sucesso, à prática da respiração. Essa é a prática mais em voga. Não consiste simplesmente em inspirar o ar fresco pelo nariz e expirá-lo pela boca; trata-se, de fato, de acumular o precioso chi (comparável ao prana hindu, e ki japonez) e de controlar seu escoamento, retendo a respiração. Pela visão interior (neguan) e pela concentração do pensamento, o adepto leva o ar através de todas as passagens do corpo. Ele o conduz pelos três campos de cinabre. Nessa prática deve-se procurar reter a respiração cada vez mais. Ge Hong, um alquimista do século IV, explica-nos um método:
"Aqueles que começam a estudar como fazer circular o sopro xingqi devem aspirar o ar pelo nariz e segurá-lo; enquanto ele está preso conta-se o número de batidas do coração até 120 e deixa-se o ar escapar suavemente pela boca. Nem enquanto ele é aspirado, nem enquanto ele é expirado, deve-se ouvir, com seus próprios ouvidos, o sopro entrar e sair; é necessário, sempre, que entre muito e saia pouco; se uma pena for colocada sobre o nariz e a boca, deve-se expirar o ar sem que ela se agite. À medida em que se exercita, o tempo de retenção do ar deve ser aumentado. O número de batidas do coração deve, pouco a pouco, atingir 1.000. Quando esse número for atingido, o velho torna-se jovem."
Uma prática particular desse processo é a "Respiração Embrionária", taixi. Trata-se, aqui, de reter a respiração até sentir-se alimentado por ela: numa primeira fase, aspira-se e mantém-se o ar preso no aparelho respiratório; depois, faz-se com que ele desça para o aparelho digestivo, a fim de realizar o ideal do taoísmo: alimentar-se de ar. Ele circula no sistema fechado, e a finalidade é reproduzir a respiração do feto no útero materno. Teoricamente, o ar não deve, em nenhum momento, sair pela "porta", a boca. Mas é evidente que não se pode praticar essa respiração durante muito tempo, sob a pena de atingir muito depressa a imortalidade !
A taixi é bastante próxima do ioga prânayama; pode-se vê-la como um exercício preparatório à visão interior, se bem que, em sua origem, devesse ser auto-suficiente e realizar de maneira autônoma o processo de fisiologia mística que conduz à vida eterna.
O Processo do "Quarto de Dormir"
Nos tratados de alquimia aparece sempre o problema da fusão da essência yin e da essência yang. Desse modo, em sua busca de longevidade, os taoístas aplicaram esse conceito ao plano fisiológico, instaurando o que é chamado o tao do sexo [2][3][4], o ioga a dois, ou ioga sexual, ou, ainda, a técnica do quarto de dormir.
Em princípio, trata-se de captar a essência de seu parceiro, fazê-la fundir-se com a sua própria e, após tê-las misturado ao ar da respiração, fazê-las "retornar" através do corpo, do campo de cinabre inferior para o cérebro e o campo superior.
Para isso, o adepto deve dominar certas posturas e ritmos; deve também observar um regime alimentar estrito (todos os processos são, no fim, ligados uns aos outros), manter relações sexuais somente em horas precisas e em certas épocas e estações do ano.
A satisfação dos sentidos, a busca do prazer estão, evidentemente, banidos, sendo condição indispensável para essa prática a retenção da essência ou a conservação do fluido sexual. Se o adepto é um homem, não deve, em nenhuma hipótese, deixar extravasar o esperma, pois seria uma causa de enfraquecimento, e o processo teria, então, exatamente os efeitos contrários àqueles desejados. Em seguida, deve conseguir que sua parceira emita o maior número de vezes possível seu fluido yin - é somente quando a essência é bastante forte que se pode misturá-la - , depois deve absorvê-lo e, misturando ao seu fluido yang e à respiração, fazê-lo "retornar" para o alto. Se o adepto é uma mulher, o processo é semelhante, porém em sentido inverso; mas, esclarecem os textos, "ela terá, forçosamente, necessidade de muitos parceiros, porque a essência masculina se esgota facilmente".
O ioga sexual aproxima-se e completa o processo respiratório. É preciso, antes de mais nada, evitar a dispersão da energia e fazer circular o ar (aqui misturado com uma abundância de fluidos yin e yang) até o campo de cinabre superior, onde ele deverá "restaurar" ou revitalizar o cérebro.
De [2] temos: "Quando um homem esbanja o próprio sêmen, adoece; quando, sem qualquer cuidado, esgota o próprio sêmen, morre." Preservação do suor masculino: O homem deve poupar o seu suor. Quando o homem chega a suar, é porque já se excedeu nos exercícios. E a isso qualquer taoista ainda acrescentaria que a perspiração excessiva é um sinal evidente de que a pessoa não aprendeu a relaxar suficientemente. Hoje em dia, já podemos aceitar o conceito freudiano de que a saúde mental está intimamente ligada a uma vida sexual satisfatória e de que não há neuroses sem conflito sexual. Seja qual for a freqüência de sua ejaculação, tente fazer amor diariamente. Se possível, duas a três vezes ao dia. Quanto mais o fizer, tanto mais a parceira se beneficiará da harmonia de yin e yang.
De [3] temos: Os taoístas descobriram que a Energia Sexual é a única forma de energia do corpo que aumenta sua força quando é estimulada. Em outras palavras, quando você está sexualmente excitado, pode sentir sua energia sexual realmente dobrar, triplicar ou aumentar ainda mais, além daquilo que ela era antes de você ficar excitado. No Ocidente, chamamos isto de "ficar aceso" ou "com tesão (tensão)". Você sabe o que é quando você o sente. O Kung Fu Seminal e Ovariano utiliza o seu Jing Sexual para transformá-lo em Chi e, assim, fornecer mais energia para o corpo. Além disso, a Essência Sexual que é levada pela espinha acima por uma técnica chamada de Respiração Seminal ou Ovariana é usada para revitalizar o cérebro.
De [4], a conselheira sexual do Imperador Amarelo da China [a Moça Completa] recomendava a seguinte freqüência de ejaculação para os homens: alguns homens são fortes, outros são fracos, alguns homens são velhos e outros estão no seu pico. Cada um deve viver de acordo com sua vitalidade e não deve tentar forçar os prazeres do sexo. Forçar o prazer é prejudicial. Portanto, um macho robusto de 20 anos pode ejacular duas vezes ao dia, mas um magro e fraco não deve fazer isso mais que uma vez por dia. Um macho de 30 anos pode ejacular uma vez por dia, mas apenas uma vez cada dois dias se ele for uma espécie inferior. Um homem saudável de 40 anos pode emitir semen uma vez cada 3 dias, mas se ele for fraco ele pode fazer isso apenas uma vez cada 4 dias. Um homem robusto de 50 anos pode ejacular uma vez cada 5 dias, mas apenas uma vez cada 10 dias se ele for fraco. Um homem de 60 anos de boa saúde pode emitir a cada 10 dias, ou uma vez a cada 20 dias se sua saúde for pobre. Aos 70, um homem robusto pode emitir uma vez por mês, mas um homem fraco não deve mais emitir semen jamais.
Já o médico Lee Tung-hsüan, da Dinastia Tang, recomendava: Quando tiver relação sexual com mulheres, um homem deve emitir sêmen apenas 2 ou 3 vezes em cada 10. Já o mestre Liu Ching, da Dinastia Han e que viveu mais de 300 anos, recomendava: Na primavera, um homem pode se permitir ejacular uma vez a cada 3 dias, mas no verão e outono ele deve limitar sua ejaculação para 2 vezes por mês. Durante o frio do inverno, o homem deve preservar seu sêmen e evitar qualquer ejaculação. O Caminho do Céu é acumular a essência Yang no inverno. O homem que seguir esta recomendação viverá uma vida longa e saudável. Uma ejaculação no frio do inverno é 100 vezes mais prejudicial do que uma ejaculação na primavera. O médico centenário Sun Ssu-mo, da Dinastia Tang, recomendava apenas 2 ejaculações por mês, ou 24 vezes por ano, mantendo apenas uma emissão em 100 cópulas.
[continua]
Referência:
[1] Anton Kielce, O Taoismo, Editora Martins Fontes, 1986.
[2] Jolan Chang, O Taoismo do Amor e do Sexo, Ed. Artenova, 1979.
[3] Eric Steven Yudelove, 100 Dias para melhorar a Saúde, a Atividade Sexual e ter Vida Longa: Um guia para a prática do Chi Kung e da Yoga Taoísta, Ed. Érica, 1999.
[4] Daniel P. Reid, The Tao of Health, Sex, & Longevity, Fireside, 1989.
Para saber mais:
1. http://www.gnosisonline.org/Tantrismo/tantrismo_taoista_chines.shtml
2. http://www.pistissophiah.org/gnose/taoismo_tao_do_amor.htm
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quarta-feira, outubro 11, 2006
A Vida é como um Parque de Diversões
Certo dia estava eu [Laércio B. Fonseca] a passear [em viagem astral, usando o corpo astral, um dos nossos sete corpos: físico, etérico, astral, mental, intuicional, búdico e crístico] por um bosque maravilhoso. Meu espírito flutuava e vagava por entre as árvores. Fui então conduzido diante de um senhor com aparência de bem velhinho, que estava sentado à margem de um lago. Era como se ele já me esperasse para um diálogo.
Sentei-me diante dele, nos cumprimentamos e comecei a perguntar:
- Mestre, eu ando meio confuso. Dizei-me o que é evolução. Como e qual a melhor maneira e o melhor caminho para a evolução?
Com extremo carinho e paciência, aquele ancião me respondeu:
- Meu caro menino, preste bem atenção em uma história que vou lhe contar.
Muito distante deste tempo e deste espaço, em uma outra dimensão e numa outra realidade, estávamos todos nós unidos. Todos éramos uma só essência, um só corpo, um só ser. Éramos o Tao, a supremacia divina. Nossos pensamentos atuais não conseguem se lembrar disso tudo, porém éramos assim.
Nestes tempos não existia ainda o Universo material, nem os planos energéticos que agora estamos habitando. Era um tempo antes da criação dos versos do Universo. Só existia a Unidade indivisa.
Foi nestes tempos que o TAO, a Unidade, resolveu criar para si um imenso "Parque de Diversões", onde pudesse se divertir e enriquecer seu âmago de experiências novas.
Foram, então, criados os Universos dimensionais e materiais. Através de nossa própria energia interna e pela força de nossa vontade, tudo se fez e a creação do Universo material e temporal foi realizada.
Bilhões e bilhões de galáxias, trilhões e trilhões de estrelas e sóis. Infinitos e incontáveis planetas e mundos foram creados. Estava montado o "gigantesco Parque de Diversões".
Neste ponto, todos nós nos transformamos em crianças, vestimos trajes especiais e invadimos o "grande Parque de Diversões Cósmicas" em busca das experiências e sensações para nossa alma.
Nessa época, o Tao se dividiu e cada partícula foi brincar em um brinquedo cósmico.
Nós, meu filho, já brincamos em muitas dessas estrelas que brilham no firmamento. Hoje estamos a brincar no planeta Terra. Aqui neste mundo já brinquei de ser escravo, de ser rei. Fiz batalhas e guerras, amei muitas mulheres, tive muitos filhos. Fome passei e angústias vivi. Fui torturado pelos cárceres dos inimigos e fui crucificado pelas doenças da carne.
Hoje eis aqui meu espírito se deliciando em ser velhinho, um monge de Shaolin a conversar com você, meu filho, que brinca de ser Laércio.
Como vê, caro menino, existem muitos brinquedos no Cosmos e pelo Universo. Na condição imposta pelo brinquedo deste mundo, os seres não compreendem muita coisa. Para que as sensações sejam as mais reais possíveis, as regras são claras e objetivas. Nesse brinquedo, nós, espíritos eternos oriundos da essência suprema do TAO, temos que usar as roupas físicas, encurtar nossos sentidos e percepções, e esquecer da nossa fonte de origem cósmica.
No entanto, nós mesmos escolhemos tudo isso e sem dúvida iremos até o fim nessa jornada maravilhosa.
Você me perguntou o que era evolução, e como vê, a evolução como a imaginava, não existe.
Nós e todos os seres deste Universo, não somos diferentes uns dos outros. Somos uno. Não existe no Universo todo, um ser sequer mais evoluído ou diferente de ti.
O que existe apenas são partes de nós mesmos brincando em brinquedos diferentes. Esses brinquedos diferentes dão àquelas partículas irmãs, condições de enxergarem as coisas do Universo por um ângulo diferente. Aparentemente, eles podem ser mais evoluídos do que nós, porém isso é só em aparência.
Não se preocupe jovem filho e irmão. No Universo ninguém precisa se preocupar em evoluir ou atingir os altos planos ou níveis. Nós já somos a essência divina do TAO. Temos apenas que cumprir as leis naturais impostas por nós mesmos para o funcionamento do "grande Parque Cósmico".
Naturalmente, tudo vai fluindo e acontecendo.
Quando nossa jornada pela Terra estiver findada, iremos para outros lugares, brincaremos em outros brinquedos cósmicos. Essa é a nossa essência divina. Somos crianças, e como crianças, queremos apenas nos divertir, brincar e aprender.
Olhe para as crianças da Terra, como elas são despreocupadas. Correm de um lado para outro com leveza em seus espíritos. Puras e preocupadas somente em se divertir. Esse é o grande exemplo e caminho que posso te ensinar. Esse deve ser o Tai-Chi e o Kung-Fu que deveis praticar: o Tai-Chi de uma criança.
Os homens adultos perderam sua conexão com a criança divina que todos nós somos. Suas vidas se transformaram em angústias e sofrimentos. Não vivem mais para brincar ou se divertir. Vivem apenas para ganhar dinheiro e outras coisas mais.
Volte a ser criança, meu filho, e estarás mais próximo do Tai-Chi cósmico e da essência do Tao. Na jornada do crescimento interior, o homem não precisa aprender coisas ou estudar e encher suas mentes de cultura. O homem necessita apenas esvaziar tudo e retornar a ser a criança que saiu do Tao para brincar no Parque Cósmico da Vida.
O caminho é ser simples, infantil e nos divertirmos no carrossel da vida, sem complicações.
Todos verão um dia, quando essa jornada na Terra terminar para todos nós, como são as coisas e como a verdade é simples.
A verdade é simples, mas não tão simples que por causa de sua simplicidade os homens não a encontram. As pessoas a procuram nos lugares mais distantes e formulam milhares de teorias para explicar as coisas. O homem se perdeu em suas complicações e emaranhou-se no seu brinquedo cósmico. O homem se assemelha a uma criancinha que, por acidente, esbarrou num complicado quebra-cabeça recém montado pelo pai. Com muito medo de uma bronca do pai, a jovem criança fica perdida no meio das peças do quebra-cabeça tentando remontá-lo.
Na simplicidade você encontrará, meu filho, o caminho e as verdades que iluminarão seu espírito.
Verás como tudo no Universo está perfeito como sempre foi. Compreenderás as guerras, as doenças, as tristezas e perceberá sua razão lógica de ser.
Sede simples, sede uma criança. Faça do seu Kung-Fu e do seu Tai-Chi o caminho de uma criança.
Sede feliz e divirta-se muito neste imenso "Parque de Diversões Cósmicas".
Muita paz a ti meu filho.
Terminado o diálogo e a exposição do mestre, meu tempo havia se esgotado. Despedi-me do mestre e agradeci suas generosas palavras, as quais transformaram radicalmente minha vida e meu caminhar por sobre a Terra.
Fonte:
Laércio B. Fonseca, Tai-Chi e Kung-Fu: A Espiritualidade, A Transcendência, A Mística, pp. 151-155.
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